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19 de julho de 2013

GIGANTES DA INDÚSTRIA - documentário imperdível

Para quem quiser entender um pouco mais sobre capitalismo, sociedade, governo e empresas, além de conhecer uma parte da vida dos maiores empreendedores da História, recomendo fortemente o documentário OS GIGANTES DA INDÚSTRIA.
O History Channel passou recentemente, mas eles fuderam o documentário com excesso de intervalos e falta de regularidade de transmissão (tentei gravar mas mudanças de horário e reprises me quebraram).

Descobri um site que tem os 8 episódios disponíveis para download (infelizmente para mim, apenas nas versão dublada em português, sem opção de áudio original). Veja AQUI.

De qualquer forma, esse é um documentário que, se estivesse disponível em DVD, eu compraria sem hesitar.

IMPERDÍVEL.

Aqui o teaser oficial:


Obs: os arquivos que baixei pelo site estavam em formato MKV, um formatou pouco usual, e que muitos softwares populares não conseguem reproduzir. Use um aplicativo chamado VLC. É o melhor player que conheço, porque consegue abrir tudo que é formato de áudio e vídeo. Além disso, tem versões para Mac e Windows, e agora também para iPhone (iOS).

Você pode baixar AQUI.

É gratuito, e funciona bem pacas!
 

12 de junho de 2013

iPhone e Blackberry: acabou a rivalidade?

Aproveito que nesta semana houve o lançamento do novo sistema operacional de dispositivos móveis da Apple (iOS7) para reproduzir um artigo muito bom, que li originalmente no Valor, mas fora publicado pelo Wall Street Journal:

Com o BlackBerry perdendo reiteradamente a briga para smartphones cheios de aplicativos nos últimos anos, já era hora de uma resposta definitiva da presidência da empresa.
Na Research In Motion Ltd. (RIM), no entanto, a coisa era complicada. A fabricante do BlackBerry tinha dois diretores-presidentes. Para piorar, cada um trabalhava em um lugar - estavam a uns dez minutos de carro um do outro. Reuniões com os dois presentes eram raras, contam ex-executivos da RIM e gente que já trabalhou com a empresa.
Muitos fatores se combinaram para que a RIM anunciasse ontem o primeiro prejuízo operacional em sete anos (a empresa fechou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de US$ 518 milhões). Mas um deles certamente foi a dupla personalidade na sala da presidência, dizem ex-executivos. Com investidores fazendo crescente pressão sobre a empresa, um dos cabeças, o fundador Mike Lazaridis, só pensava em lançar uma nova geração do BlackBerry com um novo sistema operacional. Já o outro presidente, Jim Balsillie, resolveu investir em outra estratégia, cuja meta era o licenciamento de certas tecnologias exclusivas da empresa.
 
Hoje, nenhum dos dois está na presidência. A dupla foi substituída em janeiro por Thorsten Heins, velho braço-direito de Lazaridis que está cortando custos. Segundo ele, a RIM está empenhada em lançar, mesmo com atraso, o novo BlackBerry no primeiro trimestre de 2013. Mas Heins já contratou bancos de investimento para explorar alternativas e não descarta a venda da empresa, cuja ação caiu quase 70% em 12 meses e derrubou o valor de mercado da RIM para menos de US$ 4 bilhões - menos de uma décima quinta parte do valor em seu auge.
A RIM ainda tem um colchão de liquidez confortável, de mais de US$ 2 bilhões. E não tem dívida, o que lhe dá certa folga para lançar o novo aparelho, com um sistema operacional chamado BlackBerry 10 que, segundo a empresa, "será o padrão para a computação segura em plataformas móveis". Segundo uma pessoa por dentro da situação, a RIM informou aos bancos que a assessoram que está focada no lançamento. Se o celular emplacar, deve recuperar parte do valor perdido. E a nova tecnologia ajudaria no caso de venda ou de parceria futuras, disse essa mesma pessoa.
 
De acordo com entrevistas com mais de dez ex-executivos da RIM e profissionais do setor próximos à empresa, a dificuldade atual ali dentro é fruto da confiança cega no BlackBerry como produto. Na descrição dessas pessoas, esse problema foi agravado por um arrastado debate interno sobre quem seria o principal cliente da empresa; pelo lançamento de uma série de aparelhos que tentaram, em vão, equiparar-se aos rivais; e por conflitos entre distintas áreas da empresa.
 
Lá atrás, a RIM apostou que tanto o cliente corporativo como o individual continuariam a preferir o e-mail fácil de usar do BlackBerry à profusão de recursos e aplicativos no iPhone, da Apple Inc., e de celulares com o sistema operacional Android, da Google Inc. Até quando viu a clientela começar a se afastar do BlackBerry, a RIM hesitou em agir.
A certa altura, a RIM se aliou a operadoras de telefonia que temiam o domínio da Apple para fazer frente ao iPhone. Os modelos nascidos dessa colaboração, porém, não conseguiram gerar a mesma empolgação do iPhone.
A certa altura, executivos da RIM foram buscar talento fora da casa - o que só aumentou a tensão nos quadros de uma empresa onde Lazaridis e Balsillie já tinham feudos, dizem ex-executivos da RIM e profissionais que trabalharam com a empresa. Segundo eles, as duas equipes às vezes batiam de frente, sobretudo à medida que a RIM ia perdendo mais e mais terreno no mercado de smartphones.
 
A RIM informou que a caracterização de "dupla personalidade" não condiz com a realidade. "Como em qualquer empresa inovadora, houve momentos em que pessoas na organização divergiram, mas essa não era a norma", lia o comunicado.
"A estrutura na presidência funcionou bem por muitos anos e permitiu que cada um dos copresidentes se concentrasse na área em que era forte", acrescentou a RIM. "Os dois sempre tiveram uma relação de trabalho profissional e eficiente e sempre estiveram em direta comunicação".
 
Pouco depois de assumir o comando, no início do ano, Heins suspendeu as iniciativas de licenciamento de Balsillie. A RIM informou que não comenta deliberações internas de caráter fechado. "Toda empresa de sucesso tira lições de cada situação e usa isso para seguir avançando", disse Lazaridis, observando que ele e Balsillie "sentiram que era o momento certo na trajetória da RIM para entregar o comando a outra pessoa". Balsillie não respondeu a pedidos de entrevista.
A RIM não disponibilizou Heins para uma entrevista.
 
A RIM basicamente inventou o e-mail no celular. Fundada por Lazaridis em 1984 com US$ 15.000 emprestados pelos pais, a empresa chegou a ter um valor de mercado de mais de US$ 80 bilhões em seu apogeu, em 2008.
Balsillie - que se uniu à RIM em 1992 após ter considerado a aquisição do controle da empresa - e Lazaridis viraram os bilionários mais famosos do Canadá.
 
Por trás do sucesso estava a busca inarredável de Lazaridis de uma engenharia robusta e de inovação e a meta de expansão no mercado de Balsillie. Ex-executivos afirmam, contudo, que a empresa também tinha uma aversão a qualquer inovação que não reforçasse seus grandes pontos fortes: a rede exclusiva e a fama de segurança do sistema.
Lá atrás, a esmagadora maioria dos clientes da RIM eram empresas, que forneciam o BlackBerry ao pessoal para a comunicação por e-mail. Mas o número de usuários comuns foi crescendo - gente em geral interessada em recursos como câmera, games, internet. A RIM lançou celulares com câmera e MP3, incluindo o Pearl em 2006 e o Curve em 2007- ano em que debutou o iPhone. Ainda assim, operadoras de telefonia parceiras da RIM temiam que a enorme popularidade do iPhone pudesse dar à Apple um poder desmedido no mercado.
Executivos da RIM tampouco deram atenção a alarmes disparados internamente. Em 2010, a divisão de vendas fez um estudo sobre o futuro do teclado táctil, o celebrado recurso de digitação do BlackBerry. O relatório alertou que, na era de aparelhos da Apple com navegação virtual, o teclado teria espaço cada vez menor no mercado, contou uma pessoa a par do estudo segundo a qual o alerta foi ignorado.
 
Naquele mesmo ano, Balsillie perguntou numa reunião se a RIM devia se preocupar com uma nova tendência: o usuário que levava o celular próprio para o trabalho. Alguns executivos disseram que a tendência trazia risco; outros disseram que não havia por que se preocupar. Balsillie fechou com esta última opinião, disse uma pessoa próxima à empresa.
Os dois presidentes se reuniam com bastante regularidade e usavam mensagens instantâneas e o telefone para trocar ideias. Já quando a RIM passou a ter problemas o mais comum era que cada um estivesse operando em mundos muito distintos, segundo essas pessoas - que dizem ainda que as equipes de cada um não se comunicavam bem (quando se comunicavam).
No fim de 2011, a ação da RIM tinham descido ao menor nível em oito anos. No dia 22 de janeiro, o conselho, também encabeçado por Lazaridis e Balsillie, anunciou que os dois deixariam o comando. Balsillie deixou o conselho. Lazaridis ainda é seu vice-presidente não executivo. A RIM anunciou ontem que vai cortar de 5000 vagas até o fim do ano.

O artigo é de Junho de 2012, ou seja, quase um ano atrás.
E, por falar em "velharia", também em 2012 eu escrevi esta análise AQUI, sobre o processo de lançamento de produtos da Apple. Tudo o que eu escrevi ali continua valendo - e foi exatamente o que aconteceu na última segunda-feira, quando a Apple anunciou o iOS7.

Interessante que tenho lido muita gente afirmando que a Apple "perdeu o brilho", que não está conseguindo inovar a ponto de manter-se com o valor de mercado astronômico (as ações que chegaram a valer US$ 700 o lote estão, hoje, na casa dos US$ 400) etc.

Bobagem.
Com o iPhone, e depois com o iPad, a Apple revolucionou, sim, o mercado.
Ela não inventou celular touch-screen, nem sequer inventou o conceito do "tablet". Porém, ela conseguiu transformar conceitos que já existiam em produtos NOVOS, úteis, práticos, integrados ao ecossistema que ela mesma criara (iTunes, AppStore).
Ela revolucionou o mercado de telefonia, e criou o MERCADO (não o produto!) de tablets - que hoje é disputado por Samsung, Acer, Sony, Dell etc.

Ora, será que esse pessoal que reclama tanto da Apple acha mesmo que criar produtos é coisa corriqueira, que pode ser feita a cada seis meses?
A Apple criou o mercado de tablets - e o pessoal por acaso acha que é possível ou viável "criar um mercado novo" por ano?

Recomendo a leitura deste breve artigo AQUI.

6 de junho de 2013

O garoto que na Europa é empreendedor, no Brasil seria "fora da lei"

O vídeo abaixo é um trecho de um programa de TV de Portugal. Tomei conhecimento graças ao blog do Reinaldo Azevedo.
A TV RTP tem um programa chamado “Prós e Contras”, comandado pela jornalista Fátima Campos Ferreira. “Prós e Contras” fez um debate cujo tema era sugestivo: “Mudar o país ou mudar de país?”.

Os convidados do dia eram jovens empreendedores, que estavam lá para relatar a sua experiência. Um deles foi Martim Neves, um garoto de 16 anos que, aos 15, criou uma marca de roupa chamada “Over it”. Seu produto é um sucesso, e ele já está até exportando.
Num dado momento, ele é interrompido por uma tal Raquel Varela.

O garoto de 16 anos humilhou a debilóide esquerdistinha de meia tigela com poucas palavras, mas foram tão acertadas que ela ficou com a carinha de debilóide estraçalhada no chão.

QUASE dá para sentir pena da esquerdopata...

 

Ao que consta, a tal Raquel Varela é doutora em História Política e Institucional (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa).
Como Marilenas Chauís e Emires Saderes da vida, ela achou que sua titulação e sua clara posição socialista seriam suficientes para intimidar o garoto de 16 anos, tentando fazê-lo parecer um explorador de trabalho escravo na China ou em Portugal.
Mas o feitiço virou-se contra a bruxa.

A resposta do garoto foi de uma simplicidade tão avassaladora, mas ao mesmo tempo tão complexa, que a doutora Raquel teve que enfiar o rabinho entre as pernas e fazer cara de paisagem. Ela poderia, inclusive, ter pedido licença, dizendo que precisava cagar, e sair do programa.

Em tempo: no Brasil existe uma lei PROIBINDO que garotos de 15 anos trabalhem.
Martim Neves, em Portugal, é um empreendedor de sucesso.
No Brasil, teria seus pais acusados por algum burrocrata metido a adorador de Che Guevara e seria impedido de empreender.

Isso diz muito sobre o Brasil.

Ajuda a explicar, inclusive, por que temos os bolsas-famílias da vida, os Lullas, as Dilmas, os Genoínos, os Malufs, os Tiriricas, os Suplycis, os Dirceus etc.

 

9 de maio de 2013

Erros na estratégia da Microsoft estão custando caro

Tão logo a Microsoft anunciou sua "parceria" com a Nokia, eu dei uma de "guru", avaliando que não daria certo.
Fiz o mesmo quando o Windows 8 foi anunciado - na época, aliás, um defensor ferrenho do Windows discutiu comigo pelo twitter, dizendo que o Lumia era um sucesso, que a Microsoft acabaria com o reinado do iPad graças ao Windows 8 para tablets etc…. Alguns trechos dessa "conversa" virtual estão AQUI, AQUI e AQUI. Eu seguia o Ricardo, mas quando ele se revelou esse xiita defensor da Microsoft que se recusava a enxergar a verdade, parei.

Eu afirmei que a linha Lumia com o Windows Phone seria um fiasco. Indiquei matérias que revelavam que a própria MS reconhecia que as vendas estavam muito abaixo do esperado, mas ele dizia que não, que o Lumia era um tremendo sucesso.
Disse o mesmo do Windows 8, que naquela época ainda não estava à venda.

A Microsoft parece completamente perdida, e a matéria abaixo (da coluna Link do Estadão) ilustra bem isso (como de costume, grifos meus):

A mistura de interface de tablet e desktop proposta pelo Windows 8 pode ter empolgado a alguns, mas desagradado a tantos outros. Nesta terça-feira, a Microsoft revelou ao Financial Times  que falhou com seu último sistema operacional e está se preparando para alterar alguns de seus aspectos na próxima atualização.
Para especialistas, a substituição do familiar desktop e das barras de tarefas por uma série de “tijolos” personalizados em tela touchscreen foi uma cartada corajosa, mas que confundiu a muitos usuários de PC — que preferiam uma abordagem mais tradicional.
O chefe de marketing e finanças da Microsoft, Tami Reller, disse em entrevista ao jornal inglês que os “elementos-chave” do sistema operacional sofrerão alterações quando a Microsoft lançar uma atualização do sistema operacional, ainda neste ano.
A empresa também admitiu falha em preparar usuários e vendedores para se reeducarem na nova experiência tablet/PC, além de apontar erros de marketing em pontuar diferenciais e pontos positivos do novo sistema operacional em comparação ao Windows 7.
 
“É muito claro que poderíamos e deveríamos ter feito mais”, disse Reller. Para amenizar o fiasco entre usuários de PC, o executivo afirmou que a satisfação dos consumidores do Windows 8 em dispositivos móveis é forte.
Analistas compararam a estratégia falha ao grande fiasco da New Coke, tentativa de reformulação da famosa bebida Coca-Cola nos anos 1980 – que, pela recepção extremamente negativa dos consumidores, fez a empresa voltar atrás em três meses. “Isto (da Microsoft) é como a New Coke se estendendo por sete meses – só que a Coca-Cola prestou mais atenção”, declarou o analista Richard Doherty ao Financial Times.
 
O Windows 8 foi lançado em outubro do ano passado e foi visto como a grande aposta da Microsoft para concorrer com o sucesso da experiência móvel proporcionada pelo iPad, tablet da Apple.Em novembro, uma pesquisa feita pela empresa de segurança Avast com 350 mil clientes do seu software de antivírus revelou que cerca de 70% dos usuários de Windows não queria atualizar seu software para Windows 8.

Qual foi o erro da Microsoft?
Na verdade, foram vários.

Os mercados nos quais a MS sempre foi dominante estavam passando (a rigor, ainda estão) por mudanças profundas, sendo a principal a transição dos desktops para os notebooks e finalmente para smartphones e tablets.
A MS conseguiu estabelecer seu domínio em softwares como sistema operacional e aplicativos de escritório (Office) na época dos desktops, manteve-se competitiva nos notebooks (e estou incluindo laptops, ultrabooks e quaisquer outros termos semelhantes), mas perdeu o bonde da mobilidade quando surgiram os smartphones e depois os tablets.

A Apple tinha a vantagem de primazia com o iPhone e, depois, com o iPad.
Ela desenhou o que seria a mobilidade, e sempre dominou os aplicativos e sistema operacional (iOS) para os produtos móveis.
O Google largou depois, com o Android, e juntou-se a empresas que tinham know-how, canais de distribuição estabelecidos e estavam em ascensão - o caso mais notório é a Samsung, evidentemente.

E o que fez a Microsoft?
Eu chamei, na época, de ABRAÇO DOS AFOGADOS: ela fez uma parceria com uma empresa que estava em queda livre em todos os aspectos - a Nokia estava perdendo mercado, receita, começava a dar prejuízo e não tinha um novo produto a oferecer.
A MS achava que poderia usar o know-how da Nokia, seus canais de distribuição, seu hardware, e finalmente emplacar seu sistema operacional móvel.

Tanto Microsoft como Nokia continuam se afogando.
E a Microsoft se colocou numa situação ainda pior, pois fez mudanças drásticas no seu carro chefe, o Windows.

Vejam que pitoresco: a Microsoft, durante muitos anos, teve a vantagem da primazia nos PCs, pois quase 100% dos computadores pessoais vendidos no mundo vinham com o Windows - então, o primeiro contato de centenas de milhões de pessoas com um computador aconteceu numa plataforma Windows. Ao fazer a mudança radical no Windows 8, a Microsoft jogou fora essa vantagem!
A Microsoft começou como uma pequena fabricante de um software específico, portanto um produto segmentado (na época, a bem da verdade, era quase um nicho, devido ao tamanho reduzido, haja vista que o mercado de computadores pessoais ainda era inexistente).
Graças ao crescimento da IBM, que passou a oferecer o MS-Dos, a Microsoft começou a introduzir suas inovações, e criou o Windows, Word, Excel etc...
Nos anos 1990, ela tornou-se uma empresa massificada, uma gigante do software, e justamente no período em que os computadores pessoais se espalharam mundialmente.
Mas a parceria com a Nokia significava uma volta ao mercado segmentado. A MS não conseguiu.

Talvez pelo tamanho da empresa - que geralmente implica processos pouco flexíveis, demora na tomada de decisões etc - o fato concreto é que a MS lançou seus sistema operacional móvel tarde demais e, ao mudar radicalmente o Windows, abriu mão da ÚNICA vantagem competitiva que ainda tinha: a familiaridade de milhões de usuários do Windows (XP, Vista, 7).
Hoje em dia, o comprador de um computador (desktop, notebook ou afins) tem mais opções.
Se ele quiser uma mudança radical, ele pode comprar, por exemplo, um MacBook (ou iMac, caso queira um desktop), da Apple, inclusive pelo efeito halo gerado por iPod, iPhone e iPad - o sujeito entra no ecossistema da Apple e tem diversas vantagens.

Ao que tudo indica, a Microsoft vai continuar em queda livre.
É possível reverter isso? Claro que sim - mas será preciso corrigir os rumos da empresa. Coisa que, até agora, ela parece não ter percebido ainda.

Windows8 drop1

Alguns dados interessantes para observar o problema da Microsoft no mercado móvel (smartphones e tablets) podem ser observados AQUI.
Além disso, é importante notar a insatisfação dos acionistas da Nokia, como demonstra esta reportagem AQUI.

1 de maio de 2013

Aplicativos de mensagens: aliados ou inimigos ?

Notícia muito interessante publicada no blog Link do Estadão:

O número de mensagens enviadas por aplicativos como o WhatsApp superou o volume de SMS enviado no ano passado em todo o mundo e deve dobrar até o fim deste ano, diz um estudo divulgado pela consultoria europeia Informa.

Em 2012, foram 19 bilhões de mensagens enviadas por dia por meio desses aplicativos, contra 17,6 bilhões de SMS. O contraste será ainda maior em 2014, quando serão enviados 21 bilhões de SMS contra 50 bilhões de mensagens via apps.

Apesar do crescimento desses aplicativos no mercado, os dados mostram que o volume de SMS vai continuar aumentando. Isso se explica, entre outros motivos, porque os usuários desses apps não deixam de usar SMS para se comunicar, por exemplo, com aqueles que ainda não possuem um smartphone.

A situação para as operadoras de telefonia, no entanto, fica cada vez mais difícil. O IDC divulgou na semana passada que no primeiro trimestre deste ano as vendas de smartphones superaram pela primeira vez a venda dos ”feature phones”, como são chamados os celulares tradicionais. Do total de 418,6 milhões de celulares que saíram das fábricas, 51,6% eram smartphones.

Chama a atenção o fato de que o número de usuários de apps de mensagens é bem inferior ao de usuários de SMS. A Informa estimou que atualmente seis dos mais famosos aplicativos no mercado (WhatsApp, BlackBerry Messenger, Viber, Nimbuzz, iMessage e KakaoTalk) possuem, juntos, 586,3 milhões de usuários, ante 3,5 bilhões de usuários de SMS em 2012.

Os dados sobre o crescimento desses aplicativos se tornam ainda mais assombrosos quando se considera que esses apps chegaram ao mercado há cerca de cinco anos, enquanto o SMS completa 20 anos de existência.

Para a Informa, as operadoras de telefonia móvel precisam tomar medidas rápidas se quiserem conter a diminuição da receita com SMS. Uma saída para elas, segundo a empresa, seria investir em apps de mensagens próprios para concorrer nesse mercado. A Telefônica, por exemplo, lançou no Reino Unido o Tu Go, aplicativo que permite o envio de mensagens e a realização de chamadas telefônicas a partir de uma conexão com a internet.

Trata-se de uma tendência num mercado em plena ascensão: no mundo inteiro, pessoas estão trocando seus celulares antigos pelos modelos conhecidos como "smartphones", os celulares inteligentes - que têm diversos aplicativos variados, e tentam, em maior ou menor grau, substituir um computador com a facilidade de ser móvel, caber no bolso/a.

Enquanto isso, as operadoras de telefonia móvel têm razões de sobra para se preocupar: pacotes de SMS tendem a ser menos procurados, o que afeta a receita das telefônicas.

Elas devem se unir à tendência e fazer parcerias com apps de mensagens, ou devem "brigar" com a tendência?

É preciso considerar o seguinte: os clientes de telefonia celular no Brasil têm péssimas avaliações das operadoras - ligações cortadas, ausência de sinal, lentidão da internet móvel, cobranças erradas etc… Diante de tal grau de insatisfação generalizada, aplicativos que não tenham vínculo com nenhuma operadora teriam uma vantagem competitiva, certo?

Depende.

A matéria cita o serviço lançado pela Telefonica no Reino Unido (Tu Go). Infere-se que a Telefonica avaliou que não poderia ficar de fora do mercado de mensagens via internet - a empresa considera estes aplicativos um complemento (ou talvez EVOLUÇÃO) do tradicional serviço de SMS. Ela passa a ter, assim, 2 fontes de receita: o tradicional SMS e o novo aplicativo do tipo WhatsApp. Desta forma, se o mercado de SMS realmente desaparecer (ou se sofrer uma redução drástica em termos de volume), a empresa garantiria uma outra fonte de receita com um serviço cujo objetivo central satisfaz a mesma necessidade (mensagens instantâneas, via celular).

Por outro lado, considerando-se o grau de insatisfação dos clientes brasileiros, é de se imaginar se as pessoas aceitariam usar um serviço que carregue o nome/marca da Vivo, TIM, Claro ou Oi.
Ora, o sujeito está irritado com a operadora (qualquer que seja) porque a ligação vive caindo, ou nunca tem uma conexão rápida à internet - então, esse  sujeito dificilmente vai acreditar que o aplicativo da sua operadora possa ser muito melhor.

Enquanto as operadoras não obtiverem uma avaliação mais favorável por parte dos clientes, associar sua marca a um aplicativo concorrente do iMessage ou WhatsApp não me parece uma boa idéia - inclusive porque estes aplicativos dependem da disponibilidade de conexão à internet móvel.

 

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30 de abril de 2013

Por um Facebook com menos gatinhos e mais conteúdo

Eu tinha guardado essa matéria da Folha de São Paulo de novembro de 2011, e "achei" numa limpeza de final de semana.

Aproveito para colocar aqui no blog, pois acho uma idéia muito boa - especialmente porque ando farto do Facebook, com todos aqueles gatos, mensagens de auto-ajuda idiotas etc…

Segue a matéria na íntegra, com grifos meus:

Engenheiros fazem 'tira-dúvidas' avançado

Criação coletiva de respostas é diferencial desenvolvido pelos fundadores do site Ledface, de ex-alunos da Unicamp

MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO

Sites de perguntas e respostas, como o do Yahoo!, são tão antigos quanto a própria internet. Mas eles estão ficando mais sofisticados, com cara de rede social e softwares inteligentes que ajudam a melhorar as respostas.

Na esteira do sucesso do Quora, site de perguntas e respostas de ex-executivos do Facebook avaliado em US$ 300 milhões pelo Goldman Sachs, acaba de entrar no ar o brasileiro Ledface.

Desenvolvido por um grupo de engenheiros formados na Unicamp a partir de doutrinas liberais da websfera como software livre, cocriação e anonimato consciente, o site está em fase beta (pré-lançamento em linguagem web).

Em apenas um mês, e sem divulgação, contabiliza 2.900 usuários cadastrados, sendo 52% do Brasil. O site pode ser acessado em português, inglês ou nas duas línguas ao mesmo tempo. Já são 3.100 perguntas, das quais 71% foram respondidas.

Tem de tudo: de alguém querendo saber se vale a pena comprar um apartamento com varanda "Gourmet" a um fumante buscando ajuda para largar o cigarro. "Não existe pergunta idiota. Se é algo que te aflige, a pergunta é válida", diz Horácio Poblete, um dos fundadores.

Diferentemente do Yahoo! Respostas ou do Quora, no Ledface a resposta não vem de apenas uma pessoa, mas é construída coletivamente, em um processo de cocriação. As perguntas são enviadas para 50 pessoas que o Ledface acredita serem as mais indicadas. Cada um que entra para responder tem autonomia para corrigir ou aprimorar respostas anteriores.

O Ledface é uma robô mulher. É inspirada na Eva, robô da animação "Wall-E", da Disney Pixar, que salva a humanidade da destruição.

Cada usuário tem o seu perfil construído a partir de informações subjetivas, como preferência de cores. O perfil evolui de acordo com a interação do usuário.

A tecnologia levou um ano para ser desenvolvida e mimetiza a formação de enxames de abelha.

Com um investimento inicial de R$ 200 mil, bancado pelos sócios e amigos, o site foi um dos três vencedores do Prei (Prêmio RBS de Empreendedorismo e Inovação), anunciado na sexta-feira.

A equipe do Ledface não gosta de comparações com o Quora e tem como referência o Vark, site de perguntas e respostas comprado pelo Google por US$ 50 milhões.

A partir do perfil dos usuários, o Vark buscava pessoas mais adequadas para responder a cada pergunta. Chegou a 100 mil usuários. Apesar do sucesso, foi fechado pelo Google no mês passado.

O Ledface deve entrar em operação para valer em 1º de janeiro. "Agora estamos mais preocupados em aprimorar o site e aumentar o grau de retenção [usuários frequentes]. Hoje a retenção é de 18%, a meta é chegar a 20% até o fim do ano", diz Poblete.

Ele acredita que será preciso 100 mil usuários para a inteligência coletiva do Ledface se tornar abrangente e relevante. O objetivo é chegar a esse número em seis meses.
 


Inteligência coletiva é produzida por anônimos em site brasileiro

Apesar de se enquadrar na mesma categoria de perguntas e respostas do Quora, o Ledface é quase que a antítese do site do americano.

Enquanto o primeiro faz sucesso por atrair celebridades do Vale do Silício, no Ledface a inteligência coletiva (constituída pelo acervo de perguntas e respostas) é produzida por anônimos.

Sócio fundador do Ledface, Horácio Poblete acredita que, sob anonimato, as pessoas ficam mais dispostas a compartilhar conhecimento de forma espontânea.

"O Facebook e o Quora viraram plataformas para fazer marketing pessoal. Ninguém fala o que pensa de verdade, é uma exposição de egos."

Em um ambiente anônimo, acredita Poblete, uma pessoa que entende muito de determinado assunto, mas não quer se expor, pode contribuir anonimamente com seu conhecimento.

"No Ledface não interessa quem é você, mas o seu conhecimento. Quando as pessoas têm de se identificar, elas não vão revelar suas dúvidas. E elas só vão dar respostas que possam contribuir positivamente para as suas imagens públicas."

Para evitar a chamada trollagem -gíria para pessoas mal-intencionadas que se escondem no anonimato da web para fazer comentários abusivos-, o programa faz uma avaliação da performance de cada usuário. Quem contribui de forma construtiva, com respostas que satisfazem ou surpreendem positivamente quem perguntou, ganha créditos.

Por conta da rede de contatos de seus fundadores, ex-Facebook, o Quora atraiu gente de peso em seu início.

Se a pergunta era sobre Palo Alto, a resposta viria de ninguém menos do que o prefeito da cidade americana. Até Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, apareceu para responder a perguntas.

Mas o Quora é ainda uma rede fechada. É preciso ser convidado para entrar. "Quando a rede se abrir para qualquer um, a tendência será de queda de qualidade. O enorme conhecimento adquirido pelo Quora até aqui vai acabar se diluindo", afirma Poblete.

Ele acredita que o anonimato consciente deve atrair mais mulheres para o Ledface. "Elas não entram nessa guerra de egos", diz ao observar que no maior site de inteligência coletiva, a enciclopédia Wikipédia, 87% dos que contribuem são homens. E eles precisam se identificar e passar pelo crivo de editores.

RECEITA

Para gerar receita, o Ledface pretende atrair publicidade e oferecer versões fechadas para empresas. A ideia é usar a ferramenta para estimular a troca de conhecimento nas empresas, permitindo a interação anônima entre funcionários, passando ao largo de cargos e hierarquias. 

Acabei de me cadastrar no site, e vou fuçar melhor antes de emitir qualquer opinião.

A idéia, porém, já tem meu total apoio!

 

20 de março de 2013

Previsões furadas

Um site chamado 2Spare compilou dezenas de previsões furadas sobre o futuro, em diversas áreas, como tecnologia, comunicação, aviação, guerra e outras. Algumas anteciparam o fracasso das "compras à distância" e da "transmissão de documentos por cabos de telefone" antes mesmo de se ouvir falar em Internet e compras online.

Computadores e tecnologia

    "Não há razão para que alguém queira ter um computador em casa".
    Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corp. (DEC), fabricante de computadores mainframe computers, discutindo os computadores pessoais, em 1977.

    "Mas... para o que serve isso?"
    Robert Lloyd, executivo da IBM, sobre o microprocessador, em 1968.

    "Na medida em que uma calculadora no ENIAC é equipada com 18 mil tubos de vácuo e pesa 30 toneladas, os computadores do futuro deverão ter apenas mil tubos de vácuo e pesar 1,5 mil toneladas".
    Revista Popular Mechanics, em 1949.

    "Eu viajei por todos os cantos deste país e conversei com as melhores pessoas, e posso assegurar a você que o processamento de dados é uma moda e não vai durar até o final do ano".
    Editor responsável por livros de negócios da Prentice Hall, em 1957.

    "Esta coisa de antitruste vai passar".
    Bill Gates, fundador da Microsoft (data não disponível).

    "O potencial mercado de máquinas de cópia é de, no máximo, cinco mil (unidades)."
    IBM, para os eventuais fundadores da Xerox, dizendo que as fotocopiadoras não teriam um mercado tão grande que justificasse a sua produção, em 1959.

Internet e comunicação por satélite

    "A transmissão de documentos por cabos de telefone é possível, em princípio, mas o aparato requerido é tão caro que nunca irá se tornar uma proposta prática".
    Dennis Gabor, físico britânico e autor de Inventing the Future, em 1962.

    "A compra à distância, apesar de ser completamente possível, irá fracassar - porque a mulher gosta de sair de casa, segurar a mercadoria, gosta de estar apta a mudar a sua intenção".
    Revista Time, descartando as compras online antes mesmo de se ouvir falar nelas, em 1966.

    "Não há praticamente nenhuma chance dos satélites espaciais de comunicação serem usados para prover melhores serviços de telefone, telégrafo, televisão ou rádio dentro dos Estados Unidos".
    T. Craven, membro do conselho da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, em 1961 (o primeiro satélite comercial de comunicações entrou em serviço em 1965).

Telefone

    "O telefone tem muitas desvantagens para ser considerado, seriamente, um meio de comunicação. O aparelho não tem valor para nós".
    Memorando da Western Union, entre 1876 e 1878.

    "Os americanos têm necessidade de telefones, mas nós não. Temos um monte de mensageiros".
    Sir William Preece, engenheiro-chefe da Escritório Postal Britânico, em 1878.

    "É uma grande invenção, mas de qualquer forma, quem iria usar isso?"
    Rutherford B. Hayes, presidente norte-americano, depois da demonstração do telefone de Alexander Bell, em 1876.

Televisão e cinema

    "A televisão não vai durar. É uma tempestade num copo d'água".
    Mary Somerville, pioneira em radiodifusão educacional, em 1948.

    "A televisão não vai durar porque, logo, as pessoas irão ficar cansadas de olhar para uma caixa de madeira todas as noites".
    Darryl Zanuck, produtor de cinema da 20th Century Fox, em 1946.

    "Quem diabos deseja ouvir os atores falando?"
    H. M. Warner, co-fundador da Warner Brothers, em 1927.

Rádio e música

    "O rádio não tem futuro"
    Lord Kelvin, matemático e físico, em 1897.

    "A caixa de música sem fio não tem valor comercial imaginável. Quem pagaria para uma mensagem enviada para ninguém em particular?"
    Associados de David Sarnoff, respondendo a um pedido de investimento para o rádio, em 1921.

    "O fonógrafo não tem nenhum valor comercial".
    Thomas Edison, inventor norte-americano, nos anos 1880.

Automóveis

    "O cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel é apenas uma novidade, uma moda".
    Presidente do banco de Michigan alertando o advogado de Henry Ford para não investir na montadora, em 1903.

    "Que o automóvel praticamente chegou ao seu limite é confirmado pelo fato de que, nos últimos anos, nenhum aprimoramento radical foi introduzido."
    Revista Scientific American, em 1909

    "A 'carruagem sem cavalo' normal é, no momento, uma luxuria para os ricos, e por causa do seu preço, provavelmente vai falhar no futuro. Com certeza, jamais se tornará tão comum como a bicicleta".
    Literary Digest, em 1899.

Aviação

    "O homem não irá voar em 50 anos".
    Wilbur Wright, pioneiro da aviação, ao irmão Orville, depois de uma tentativa fracassada de voar, em 1901 (os dois norte-americanos obtiveram sucesso em 1903).

    "Máquinas de voar mais pesadas do que o ar são impossíveis".
    Lord Kelvin, matemático, físico e presidente da Sociedade Real Britânica, em 1895.
    "Aviões são brinquedos interessantes, mas não têm valor millitar".
    Marechal Ferdinand Foch, professor de estratégia da Ecole Superieure de Guerre, em 1904.
    "Jamais será construído um avião grande".
    Engenheiro da Boeing, depois do primeiro vôo do modelo 247, que tinha motor duplo e transportava 10 pessoas.

Outros temas

    "Tudo que pode ser inventado já foi inventado".
    Charles H. Duell, oficial do escritório de patentes dos Estados Unidos, em 1899

    "Qualquer um familiarizado com o assunto vai reconhecer isso como um evidente fracasso"
    Henry Morton, presidente do Instituto de Tecnologia Stevens, sobre a lâmpada elétrica de Thomas Edison, em 1880.

    "Um foguete jamais será capaz de deixar a atmosfera da Terra".
    Jornal New York Times, em 1936.

    "A energia atômica deve ser tão boa como os explosivos de hoje, mas é improvável que produza algo muito mais perigoso".
    Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, em 1939

    "Não há a menor indicação de que a energia nuclear será obtida. Isso significaria que o átomo teria que ser rompido no futuro".
    Albert Einstein, em 1932.

27 de abril de 2012

Invenção da Xerox, a empresa das copiadoras, que acabou sendo copiada

Ironia do destino: a Xerox, empresa que ficou mundialmente famosa como sinônimo de copiadora (ou máquina de "xerox" mesmo) acabou tendo uma de suas maiores invenções copiadas.

Anos depois, a Xerox enfrenta dificuldades. Enquanto isso, MicroSoft e Apple estão entre as maiores (e mais lucrativas) empresas do mundo - especialmente a Apple.

Eis o vídeo interessantíssimo de uma propaganda de 1972, na qual a Xerox apresentava sua visão sobre o futuro do "computador":

Interessante, não?!

Em abril de 2012 (alguns dias atrás!), leio esta matéria no Valor Econômico (íntegra AQUI):

A Xerox registrou lucro líquido de US$ 269 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma queda de 4% na comparação com o mesmo período de 2011. As vendas da empresa de tecnologia apresentaram queda de 5%, também em bases anuais, para US$ 1,59 bilhão. Por outro lado, o faturamento com serviços e aluguéis, no entanto, subiu 4%, a US$ 3,77 bilhões.Logo xerox
Com isso, a receita líquida da companhia ficou quase estável, em US$ 5,50 bilhões, um avanço anual de 1%. No entanto, esses ganhos foram neutralizados também por um crescimento igual dos custos e despesas gerais, que finalizaram o trimestre em US$ 5,19 bilhões.

O balanço do primeiro trimestre mostrou uma redução da eficiência da Xerox. A margem operacional cedeu 0,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2011, até 8,5%.

Para voltar a se expandir, a empresa confirmou que vai continuar investindo no segmento de serviços. “Agora, os serviços representam mais de metade de nossa receita total e vão continuar sendo o motor de crescimento de nossa companhia, enquanto aumentamos nossa oferta de BPO (terceirização de processos de negócios, na sigla em inglês)”, afirmou Ursula Burns, presidente-executiva da Xerox.

No primeiro trimestre deste ano, a receita da companhia com BPO subiu 13%, frente aos mesmos meses de 2011. Enquanto isso, o ITO, que se refere à terceirização em tecnologia da informação manteve-se estável.

E como estão Apple e MicroSoft agora em 2012?!
Apple tornou-se maior do que MicroSoft e Xerox SOMADAS, por exemplo, e tornou-se aquela empresa capaz de influenciar resultados das maiores bolsas de valores do mundo todo:

A forte alta das ações da Apple e os comentários “suaves” (dovish) do presidente do Federal Reserve deram impulso aos mercados de ações e o índice Nasdaq Composite encerrou o pregão com a maior alta do ano.

O índice Dow Jones subiu 0,69% e fechou aos 13.090,723 pontos, enquanto o S&P-500 avançou 1,36% e fechou aos 1.390,69 pontos.

O Nasdaq subiu 2,30% e fechou aos 3.029,63 pontos, impulsionado pela alta de 8,87%, para US$ 610,00, das ações da Apple. Na noite de terça-feira, a gigante do setor de tecnologia anunciou robustos lucros no primeiro trimestre, que foram impulsionados pelas fortes vendas do iPhone e do iPad.

O balanço da Apple ajudou a dissipar os temores de uma potencial desaceleração nas vendas do iPhone e deram impulso as ações do setor de tecnologia nos Estados Unidos e ao redor do mundo.

A alta de hoje foi a maior das ações da Apple desde novembro de 2008 e ajudou a apagar boa parte das perdas acumuladas desde o início do mês. A Apple viu o seu valor de capitalização no mercado disparar quase US$ 50 bilhões hoje, acrescentando no mercado o valor equivalente a uma Hewllet-Packard em apenas uma sessão.

“A máquina da Apple está intacta”, disse Jeff Morris, gerente de carteira e chefe de transações com ações da Standard Life Investments. “De tempos em tempos, o mercado fica preocupado sobre a possibilidade da Apple ficar grande demais para crescer, mas o crescimento da receita, as margens e os lucros parecem ter silenciado” esses temores, acrescentou.

O balanço da Apple deu impulso as ações da Broadcom, uma fornecedora da cadeia de produção do iPhone, que subiram 6,07%. Isso, por sua vez, fez o setor de tecnologia registrar o melhor desempenho no S&P-500, em um dia que todos os 10 setores do índice fecharam em território positivo.

Matéria do Valor Econômico de 25/04/2012, na íntegra AQUI.

Quanto à MicroSoft....

A Microsoft teve uma receita de US$ 17,41 bilhões em seu mais recente trimestre fiscal - o terceiro do ano de 2012, segundo o calendário da companhia. Já o lucro teve uma ligeira retração de 2,3%, ficando em US$ 5,1 bilhões (foram US$ 5,23 bilhões no mesmo período do ano passado).

O resultado satisfez analistas, já que o lucro por ação divulgado pela companhia ficou acima das estimativas compiladas pela Bloomberg: foi de US$ 0,60, contra projeções de US$ 0,57. Às 17h33, as ações da companhia subiam 2,90% nas negociações que acontecem após o fechamento do mercado, o after market.

Das cinco linhas de operação da empresa, apenas a de Entertainment & Devices teve queda nas receitas: 16%, para US$ 1,62 bilhão. De acordo com a companhia, a unidade foi impactada pela desaceleração nas vendas do console Xbox 360. O melhor desempenho ficou com a área de Server and Tools - que vende softwares para os departamentos de tecnologia da informação (TI) das empresas. A receita cresceu 14%, para US$ 1,73 bilhão.

"Com a proximidade do lançamento de novos PCs e tablets equipados com o Windows 8, a chegada da nova versão do Office e uma grande variedade de produtos e serviços para empresas e consumidores residenciais, vamos entregar muita coisa para nossos consumidores ao longo do ano", escreveu Steve Ballmer, executivo-chefe da Microsoft em comunicado.
Extraído do Valor Econômico de 19/04/2012, na íntegra AQUI.


RESUMINDO: A HISTÓRIA PODE SER MUITO CRUEL COM EMPRESAS QUE TÊM BOAS INVENÇÕES MAS FALHAM AO TRANSFORMÁ-LAS EM INOVAÇÕES.

 

12 de março de 2011

O produto que muda o cliente

Muito se fala sobre a Apple, e sua capacidade de mudar os hábitos das pessoas. No caso do iPad, lançado no ano passado, a empresa conseguiu criar um segmento de mercado que, até então, era inexpressivo - o dos tablets.
Na esteira do sucesso da Apple, todas as empresas de tecnologia e eletrônicos estão correndo para lançar seus produtos, para disputar mercado com o iPad.
Mas a Apple não ficou parada: pouco mais de 1 ano depois, lançou o sucessor do iPad, o iPad 2.

Eu só tenho visto propaganda (via e-mail marketing) de UM concorrente, o Galaxy, da Samsung. Cadê os tablets da HP, Dell, Motorola etc?
No mercado brasileiro, ainda são promessas.

Mas precisamos enxergar os produtos da Apple como uma VISÃO, uma perspectiva (geralmente atribuída à genialidade do Steve Jobs) que os consumidores potenciais ainda não têm.

E nisso a Apple é mestra!

Ao receber este e-mail da Porto Seguro, me dei conta das implicações que um produto pode ter na vida das pessoas, no seu cotidiano:

Percebam que um novo produto (iPhone) conseguiu modificar um processo TRADICIONALÍSSIMO no ramo de seguros: o cliente não precisa mais receber uma visita de um técnico/analista da empresa para avaliar um sinistro residencial. Em poucos segundos, o cliente tira foto, e envia o comunicado junto com as imagens para a empresa.

Ótimo exemplo de uma solução (da Porto) que facilita a vida do cliente. Mas esta solução só é possível graças a um produto (o iPhone) revolucionário.

9 de setembro de 2010

Sexto sentido comercializável

A dica foi da Kelly, e eu adorei!

23 de agosto de 2010

28 de julho de 2009

Analisando tendências

No caderno Mais! da Folha de São Paulo do último domingo (26/07), o tema da capa é TENDÊNCIAS.
Eis alguns trechos da (extensa) matéria:

Mas o que querem esses gigantes corporativos e seus cientistas multidisciplinares calcular de nossos e-mails, nossas compras, nossas buscas na internet?

O sucesso duradouro de "O Ponto da Virada" (ed. Sextante), do jornalista Malcolm Gladwell, nos dá uma das respostas: querem achar "os influenciadores". Nesse livro, apresenta-se uma tipologia dos indivíduos segundo sua função e importância na difusão de uma novidade, de um "meme". Este pode ser um hábito, uma atitude, uma tendência de consumo ou uma opinião.
Segundo o livro, alguns indivíduos seriam especiais, responsáveis por definir o alcance das ideias, e sugere-se que, uma vez conquistadas essas pessoas, as demais seguiriam por um efeito de avalanche.

O ponto crítico, o tal do "tipping point" [título original do livro], seria o momento em que o último grão é colocado para iniciar a avalanche, o último indivíduo necessário conquistar desse pequeno grupo para mudar toda a sociedade.

A ideia de que grandes mudanças dependem de convencer poucas pessoas é muito sedutora e desperta o interesse não só de empresas, publicitários e partidos políticos como também de organizações interessadas em difundir informação ou práticas de saúde e cidadania. Desvendar os influenciadores seria a pedra filosofal da propaganda boca a boca, uma expectativa que, aliada a nossa experiência diária com vídeos de completos desconhecidos atingindo a fama pela internet, cria uma euforia sobre o assunto.

Seis graus
O que Gladwell apresenta, no entanto, é um lado de um debate científico de mais de meio século, que motivou a ida de Duncan Watts ao Yahoo! para, com os recursos do portal, realizar experimentos e análises que esclareçam seu ceticismo com relação à existência dos tais influenciadores. Ele já propôs, sustentado em seus trabalhos acadêmicos, que a teoria é pura retórica.

Duncan, doutor em física, mas antes marinheiro australiano, ficou conhecido no meio acadêmico por surfar a crista da onda de interesse das ciências exatas em problemas sociológicos, propelida pelo poder analítico dos computadores modernos.

Entre o público em geral, seu livro "Six Degrees - Science of a Connected Age" ["Seis Graus -A Ciência de uma Era Conectada"] fez sucesso, e seus experimentos virtuais e sociais, dentre os quais uma reprodução em escala ampliada pela internet dos famosos seis graus de separação de Stanley Milgram, foram notícia e até viraram série televisiva.

Curiosamente, seu interesse na questão dos influenciadores reflete o ambiente que ocupava na Universidade Columbia, como professor do departamento de sociologia que antes abrigou o Escritório de Pesquisa Social, fundado e dirigido por Paul Lazarsfeld, onde nos anos 50 realizavam-se os primeiros estudos quantitativos sobre influência social.

Austríaco e matemático de formação, Lazarsfeld contribuiu decisivamente para a metodologia da sociologia estadunidense. Foi um estudioso da comunicação e coordenou pioneiras pesquisas de campo sobre a relação entre mídia de massa e população.

Formulou o modelo de fluxo da comunicação em duas etapas, segundo o qual ideias e opiniões não fluem diretamente da mídia para o cidadão, mas apenas para um grupo mais educado e interessado, que por sua vez transmite-as para a população geral por meio de contatos pessoais. Lazarsfeld chamou esses grupos (no plural, pois a cada campo de influência correspondem grupos diferentes) "líderes de opinião" e destilou suas qualidades e relações com os demais atores.

Quem lê seus trabalhos vê expressões como "líderes de moda", "líderes de política", "líderes de cinema", e a comparação com a teoria dos influenciadores torna-se imediata.
Porém o que Lazarsfeld fez foi mapear cada rede de influências e destacar um grupo por sua posição nessa rede com relação à dinâmica específica da passagem de influência da mídia para a população.

Deixando-se de lado a atualidade da teoria, permanece a questão: como o indivíduo se relaciona com suas influências e quais canais são relevantes na sua dinâmica? Essa pergunta foi então abordada frontalmente ao final daquela década por Everett Rogers.

A matéria completa está AQUI.
Vale a pena ler.
Aliás, logo depois, no mesmo caderno, uma outra matéria, correlata, é igualmente imprescindível; está AQUI, e trata de livros (e/ou teorias) feitos para vender, em contraposição àqueles que demandam pesquisas sérias.

Trata-se de uma EXCELENTE reportagem que diz respeito à velocidade de difusão de inovações, comportamento do consumidor, segmentação e nichos...... Enfim, temas cruciais ao marketing.


 

5 de julho de 2009

Cisnes negros

Neste período de (merecidas) férias, estou conseguindo colocar em dia algumas leituras que andavam atrasadíssimas.
Uma das mais fascinantes tem sido o livro A lógica do cisne negro.
EXCELENTE leitura. Estou adorando mesmo.

Para quem quiser um "gostinho" da obra, leia ESTE ARQUIVO.

Além disso, o site do autor, Nassim Taleb, tem coisas interessantes também. Veja AQUI.

Finalmente, alguns vídeos interessantes:







14 de fevereiro de 2009

Microsoft em pauta

Li 2 notícias sobre a Microsoft que achei que mereceriam alguns comentários. Vamos a elas:
A Microsoft planeja abrir suas próprias lojas de varejo para "transformar a experiência de comprar PCs e produtos Microsoft", afirmou a empresa nesta quinta-feira (12/02) ao anunciar a contratação de um executivo para cuidar da rede.
As lojas ajudarão a Microsoft a se engajar mais profundamente com consumidores e aprender o que e como eles querem comprar seus produtos, segundo o anúncio da empresa. Decidir onde as lojas serão instaladas e como elas serão montadas é o objetivo primário de David Porter, ex-executivo da Dreamworks e do Wal-Mart que será vice-presidente corporativo de lojas de varejo na Microsoft.
A Microsoft vem sendo notado há tempos atrás da rival Apple no apelo direto a seus consumidores, com a empresa de Steve Jobs investindo em lojas próprias há muitos anos.
Enquanto a Microsoft faz seu console Xbox, seu player Zune e outros aparelhos, a empresa não tem uma marca de PC, como a Apple tem seu Macintosh, para embarcar seu sistema Windows.
A estratégia parece tentar aproveitar tanto o lançamento do Windows 7, com data ainda não oficializada, mas esperado para até o final do ano, versões do Windows Mobile e reformulações na plataforma online Windows Live.
A Microsoft já abriu uma loja física com seu nome, em 1999, em São Francisco. Consumidores podiam testar handhelds com o sistema Windows CE e comprar produtos da empresa. A loja fechou anos depois.
FONTE: IDG
Bom, mais uma vez a Microsoft segue os passos da Apple. Poder-se-ia, noutras palavras, dizer "imita a Apple", pois e´justamente isso o que a MS sempre fez.
Mais do que benchmarking - trata-se de simples cópia mesmo.

Porém, a Microsoft tem algumas práticas diferentes:
Uma norte-americana iniciou um processo contra a Microsoft relacionado à taxa de 59,25 dólares cobrada para fazer o downgrade do Windows Vista para o Windows XP.
O processo foi iniciado em uma corte de Washington, nos Estados Unidos, e a usuária Emma Alvarado pede que a Microsoft lhe devolva o dinheiro que ela pagou para efetuar o downgrade do Vista, que já veio instalado, para o XP Professional.
Emma também criou um documento para que outros usuários que pagaram pelo downgrade se juntem ao processo e peçam ressarcimento pela taxa também.
O processo acusa a Microsoft de usar seu "poder de mercado para tirar vantagem das demandas de seus clientes pelo Windows XP, obrigando as pessoas a comprarem PCs com o Vista e depois pedindo uma taxa para o downgrade".
De acordo com o documento, a ação viola duas leis do Estado de Washington - uma referente a práticas injustas de negócios e outra de proteção ao consumidor.
FONTE: IDG
Não me lembro de ter lido algo semelhante sobre a Apple.
Sabe por quê ?

Porque a Apple é uma empresa que EFETIVAMENTE usa a inovação como estratégia competitiva.
A Microsoft, por outro lado, apenas copia o que outras empresas (como a Apple, por exemplo) fazem, mas sua estratégia é calcada no aprisionamento tecnológico.

A Microsoft centra sua preocupação em prender (literalmente), RETER o cliente.
A Apple preocupa-se em FIDELIZAR o cliente.

A diferença é brutal.

30 de outubro de 2008

Drucker, Schumpeter e Keynes

O artigo abaixo é GENIAL, e foi publicado no Valor Econômico:

Revisitando Drucker, Schumpeter e Keynes: a crise
Marcilio R. Machado
28/10/2008

Enquanto as manchetes dos jornais anunciam os desdobramentos da crise financeira e seu impacto na economia global, alguns analistas chegam a dizer que chegou ao fim o domínio do capitalismo financeiro anglo-saxão. Outros querem fornecer um atestado de óbito antecipado a Wall Street. Entretanto, a crise atual, embora de proporções gigantescas, não é novidade para quem acompanhou os acontecimentos econômicos e sociais do século passado. O Século XX teve vários períodos de grande ansiedade que balançaram o mundo. O primeiro grande choque, a Grande Depressão, que muitos hoje receiam que esteja próximo de acontecer de novo, foi também considerado uma crise do capitalismo. O segundo evento, não tão convulsivo como o primeiro, ocorreu na década de 70, quando a economia mundial praticamente afundou. Essa crise trouxe baixo crescimento econômico, inflação, desemprego e um novo termo para o mercado: estagflação. Mais uma vez, a eficácia do capitalismo foi questionada.

A recente injeção, pelo governo dos EUA, de US$ 200 bilhões para a nacionalização da Fannie Mae e Freddie Mac, dois gigantes do refinanciamento hipotecário, e US$ 85 bilhões para recapitalizar a AIG, fizeram com que a mídia clamasse que os EUA estavam nacionalizando empresas e agindo como a antiga URSS. Tais acontecimentos nos fazem revisitar os trabalhos de John Maynard Keynes, que teve um papel fundamental na recuperação da economia mundial na Depressão de 30, Joseph Schumpeter, que contribuiu para que entendêssemos melhor inovação, e Peter F. Drucker, cujas idéias foram responsáveis pela recuperação do Japão e Europa no Pós-Guerra.

Na década de 80 havia o receio de que a economia japonesa iria suplantar a americana, e as empresas japonesas faziam incursões nos Estados Unidos tanto na indústria automobilística como na cinematográfica. Na década seguinte a teoria keynesiana, aplicada no Japão, não teve sucesso, e o país passou 10 anos em recessão. Os japoneses tentaram aumentar o poder de compra do consumidor, criaram déficits governamentais e não conseguiram ativar a economia. O modelo de Keynes, baseado no Estado nacional como única unidade econômica, não alcançou os resultados almejados. Contudo, como pensador, a sua maneira de olhar para a economia deve continuar sendo referência por muito tempo.

Por outro lado, Schumpeter, que como Keynes nasceu em 1883, porém, na Áustria, duvidava da capacidade do Estado, por meio do intervencionismo, de garantir a estabilidade. Enquanto Keynes se interessava por equilíbrio e estabilidade econômica, Schumpeter se preocupava com crescimento. Para Schumpeter, a estabilidade não era uma prioridade. Bastante conhecido pela formulação do conceito de "destruição construtiva", ele acreditava que o livre mercado era responsável por produzir o bem-estar da sociedade. Entretanto, ele não negava a existência de uma dor temporária que pode acompanhar o crescimento econômico. De acordo com seu ponto de vista, a mudança não é algo que aconteça por acaso, mas seria a essência do crescimento. Qualquer que seja o estado das coisas, estabilidade ou instabilidade, não seria algo permanente.

Schumpeter se interessou pelos atores responsáveis pelo capitalismo, as pessoas que assumem riscos e iniciam novas empresas, que oferecem novos produtos e serviços: os empreendedores. Os empreendedores nos trazem de volta a realidade da economia real. Nela, existem pessoas como Fred Smith, da FedeX; Steve Jobs, da Apple; Bill Gates, da Microsoft; Sam Walton, da Wall Mart; Pierre Omydiar, da eBay; Andy Grove, da Intel; entre outros, que desenvolveram o seus negócios nos Estados Unidos. A maioria dos jovens brasileiros querem hoje se tornar empreendedores, como os fundadores da Google e da eBay. Esse impulso empreendedor faz com que as pessoas corram riscos e, assim, torna-se impossível obter a estabilidade. Não há dúvida que os EUA não possuem a hegemonia mundial, mas será que uma economia com tanta capacidade empreendedora e com marcas globais fortes não encontrará uma saída para o problema que enfrenta atualmente? De acordo com Schumpeter, a instabilidade é inerente ao capitalismo, e não uma exceção.

Na busca de proporcionar o crescimento das empresas e assumir riscos, empreendedores cometem erros e adotam posturas demasiadamente gananciosas. O cenário nas últimas semanas é de falência de bancos e instituições financeiras cujas perdas podem atingir US$ 265 bilhões. Mas alguns executivos, como o ex-presidente do Washington Mutual, que havia assumido a presidência 17 dias antes que o banco decretasse falência, recebeu US$ 20 milhões de dólares de bônus de contratação e indenização por demissão. Umas das exigências dos deputados americanos, ao aprovar a ajuda de US$ 700 bilhões, foi a de impedir que os bancos despejassem tanto dinheiro no bolso dos executivos. Drucker (1910-2005) reportou, em 1984, que o pagamento dos altos executivos tinha passado de limites racionais. Ele diagnosticou que a tendência de distribuir excessivos ganhos aos executivos era imperdoável tanto no aspecto social como moral, e que a sociedade iria pagar alto preço por isso.

Segundo Drucker, apesar das grandes contribuições, tanto de Keynes como de Schumpeter, o mundo iria precisar de uma nova teoria. Ele suspeitava que, embora Keynes e Schumpeter tivessem sido brilhantes, o mundo iria precisar de uma nova teoria econômica. E essa teoria, provavelmente, deveria começar com a Economia Global como unidade de análise, e não o Estado Nacional. Parece que, ao tentar debelar a crise que nos assombra, os líderes mundiais estão no caminho certo, pois estão orquestrando ações coordenadas com os presidentes dos bancos centrais de outros países. Além disso, já se discute a reformulação do grupo G7, de modo a incluir os países emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China, que foram responsáveis por dois terços do crescimento do PIB global em 2007. Concluindo, já que o desequilíbrio tende se repetir, esperamos que os líderes do mundo globalizado continuem agindo dentro da nova lógica demandada pela economia global de modo que possam, pelo menos, amenizar os efeitos nocivos dessa grave crise financeira.

Marcilio R. Machado é membro do Conselho de Administração da AEB- Associação de Comércio Exterior do Brasil, diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda e doutor em administração de empresas pela Nova Southeastern University.

 

25 de agosto de 2008

A conta PIB versus receita não fecha

Não é de hoje que eu leio o blog do Clemente Nóbrega - e sempre comento algumas coisas por aqui.
Desta vez, porém, ele se superou.
Mesmo.

Para entender o contexto, transcrevo um trecho de um artigo publicado no Valor Econômico de 07/08/2008:
Com o Toyotismo globalizado superando o fordismo nacionalizado, a grande empresa passou a funcionar em rede para melhor aproveitar as vantagens comparativas prevalecentes no interior da economia-mundo, cada vez mais a operar sem estoques por decorrência da adoção do sistema just in time. A queda verificada nos custos de produção ocorreu simultaneamente à configuração de poucas e grandes empresas a dominar qualquer setor de atividade econômica e a depender do transporte intrafirmas, com custos rebaixados de energia e da modernização logística e informacional do processo de produção e distribuição. O vertiginoso aumento do poder econômico foi acompanhado por crescente exigência de apequenamento do poder do Estado e, em seqüência, dos trabalhadores. Assim, a contenção dos estoques reguladores, a privatização e a liberação comercial, financeira, tecnológica e produtiva também passaram pela desregulamentação dos mercados de trabalho, com vigência ampliada do desemprego e dos salários reais rebaixados pela desconexão da inflação passada e da produtividade física.


Paradoxalmente, a contra-reforma neoliberal das últimas três décadas conformou um projeto de globalização protagonizada por não mais de 500 grandes corporações transnacionais. Somente a soma do faturamento das três maiores empresas mundiais equivale ao PIB brasileiro, a 10ª economia do mundo. No Brasil, por exemplo, a Petrobras já é maior que o PIB argentino.
Sem a regulação pública da competição intercapitalista, a governança mundial estruturada no imediato Pós-Guerra tornou-se disfuncional, especialmente quando a reprodução universal do modelo de crescimento da "economia do ter" parece encontrar os limites da sustentabilidade ambiental.

Com a monopolização das estruturas de produção e distribuição, que torna as poucas corporações transnacionais cada vez maiores do que nações, as tradicionais agências multilaterais do sistema ONU perderam capacidade de garantir a governança mundial. Na decadência da economia americana, assiste-se ao deslocamento do centro dinâmico mundial para a Ásia, da mesma forma que - guardada a devida proporção - a Inglaterra passou o bastão no ingresso do Século XX aos EUA.

Nos dias de hoje, assim como na decadência inglesa, o mundo ficou refém de muito poucos, que não desejam ver contrariado seus interesses privados. Depois de quase cinco anos de ação dos EUA no Iraque, o preço do barril de petróleo encontra-se bem acima dos cem dólares, mais de três vezes o valor do início do Século XXI, o que se reflete direta e indiretamente nos custos de produção da grande empresa em rede na economia-mundo.
Da mesma forma, a estrutura de produção e distribuição segue cada vez mais monopolizada, permitindo a manipulação dos preços internacionais (commoditizados) justamente no momento de expansão das economias não desenvolvidas e da condição comercial externa mais aberta e sem estoque regulador. Tudo isso associado à instabilidade do sistema monetário internacional que, após a desordem da década de 1970, registra até hoje uma crise financeira a cada dois anos, como a atual vivida pelos países centrais.
Pois bem.......Quem lê o texto do Márcio Pochmann (professor licenciado do Instituto de Economia (IE) e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente do Ipea), num primeiro momento, pode impressionar-se.
Palavreado sofisticado, vindo de um cara que tem um vasto currículo acadêmico..... né ?!

Mais ou menos.......
O texto, na íntegra, está aqui (para assinantes).

A partir deste texto, o Clemente Nóbrega afirma o seguinte:
Digo isso tudo por causa de um artigo de Marcio Pochmann no VALOR ECONÔMICO 07 de agosto. Ele diz coisas assim:
-A soma dos faturamentos das três maiores empresas do mundo equivale ao PIB brasileiro (ou seja as três maiores empresas do mundo equivalem a um Brasil);
-Umas poucas corporações transnacionais estão ficando cada vez maiores que muitas nações..
- A receita da Petrobrás é maior que o PIB da Argentina;

Será? Se você olhar os PIBs (produto interno bruto) dos 100 maiores países do mundo, e comparar com as receitas das maiores empresas do mundo,vai ser tentado a dizer que,realmente, das 100 maiores "economias" do mundo, 51 são empresas, não países!!
A conclusão à qual Pochmann quer nos levar é a seguinte:é preciso pôr um freio ao poder das grandes empresas porque elas estão mandando mais que os países. Elas impõe suas regras deixando-os reféns.
Será que Pochmann tem razão?

Não,não tem. Seus números para PIBs de países e receitas de empresas estão certos, mas o que ele diz é mais que uma afirmação errada, é uma afirmação estúpida.
Mais adiante, ele segue no mesmo assunto:
Você calcula o PIB de um país somando o que chamam de "valores adicionados" por todas as atividades econômicas realizadas no país.
Valor adicionado é a receita gerada pelas vendas, menos o custo para produzir o que foi vendido. Faturamento de empresa é só receita de vendas. Pochmann está comparando banana com laranja. Sr.Márcio Pochmann,vá ao quadro-negro e escreva mil vezes:
"PIB de países é receita menos custo, faturamento de empresas é só receita". (Era assim que a professora fazia na minha época quando um aluno falava besteira).
De novo: "PIB é receita menos custos,faturamento é.......".[complete nos pontinhos].

Um exemplo:automóveis.

A Gerdau vende fios de aços para a Pirelli fazer pneus.A Pirelli vende pneus para a Ford e a Ford vende carros para os consumidores. Se o pessoal do IBGE,que faz o cálculo do PIB do Brasil, adicionasse as receitas da Gerdau, da Pirelli e da Ford, o dinheiro correspondente ao aço seria computado três vezes (o aço seria contado triplamente) porque cada empresa- Gerdau,Pirelli e Ford- embute o custo do aço no preço que cobra pelo que vende (ou seja,embute o preço do aço na sua receita de vendas).
Como é que se calcula o PIB ?

O pessoal do IBGE considera que a venda do aço aumenta o valor adicionado à Gerdau, pois a empresa existe para vender aço mesmo. Mas, eles SUBTRAEM o custo do aço da receita de vendas da Pirelli, porque o aço é um custo para a Pirelli .Das vendas da Ford eles tiram o custo dos pneus e de outros insumos que ela usa,e assim por diante..
Não é simples? É banal, mas Pochmann não sabe disso.
A receita de vendas da GM é enorme, mas o valor adicionado por ela, hoje, está negativo. A GM está destrunido valor,não criando. Pelo "critério Pochmann" ela seria um "país" muito poderoso, maior que a Dinamarca.Pelo critério certo, a Dinamarca é mais de três vezes maior que ela.
Em 2000,a GM faturou R$185 bilhões,mas só teve 42bilhões de valor adicionado.A Royal Dutch Shell faturou 149 bilhões,mas só adicionou US$36 bilhões em valor.
Se você fizer a conta direito, vai ver que existe um número muitíssimo menor de empresas que podem ser comparadas a países [pelo critério certo ,banana com banana, não segundo o "critério Pochmann" ,banana com laranja].
O Wal Mart –a empresa de maior receita do mundo-está entre o Chile e o Paquistão. Podemos admirar muito esses países,mas alguém diria que Chile e Paquistão são super-potências econômicas? Receita é uma coisa,valor adicionado outra.
Pela filosofia que norteia o "critério Pochmann", se você tem 10 pés de alface e eu tenho 5 milhões de dólares,você é mais rico do que eu,porque você tem um "patrimônio" de 10 e eu de 5.
Mesmo nos (poucos) casos em que,usando o critério certo, empresas poderiam ser consideradas maiores que países, é mesmo verdade que os países são dominados, esmagados,controlados,por essas grandes e poderosas corporações egoístas?
Também não é verdade. É falso.
Pois é.
O cara é presidente do IPEA, e, ainda assim, escreve essa bobagem fenomenal !

Sob tal perspectiva, James Hunter até que me parece menos cretino.......
Essa maldita ideologia esquerdopata leva pelo ralo até o mais sofisticado e pernóstico argumento dos "intelectuais" brasileiros....

Mais tarde comento esta matéria da Veja, que trouxe um retrato assustador do perfil esquerdopata dos professores que deveriam educar as crianças e jovens brasileiros - mas, ao invés disso, fazem lavagem cerebral ideológica.
Com esta matéria, não tenho mais nenhum dúvida sobre uma questão com a qual me deparo sempre que dou aula no 1.o ano da graduação - volto ao tema posteriormente....

16 de agosto de 2008

Inovação em pauta

O texto a seguir é da HSM-Online:

Para Prahalad, a verdadeira inovação caracteriza-se por ser um potencial jogo de mudanças. Ele vislumbra um futuro onde empresas de ponta serão inovadoras em duas frentes: a primeira, co-criando valor com seus clientes e tratando cada um deles individualmente. A segunda, utilizando recursos de terceiros, especializados e espalhados pelo mundo, em vez de tentar fazer a maior parte das coisas elas mesmas, este que será o desfecho da verdadeira integração global da cadeia de suprimentos.

A maior parte das empresas multinacionais ampliou sua rede de fornecedores mas fez isso pensando em reduzir custos em vez de agregar valor, diz Prahalad. Ao mesmo tempo, a maior parte das empresas sequer começou a "co-criar" valor com seus clientes. Mesmo empresas como a Dell, empresa considerada número um no modelo de produção sob-medida, encontram-se nessa situação, segundo o consagrado pensador e consultor de negócios.

Para dar exemplos de que uma nova era de inovação está em andamento, Prahalad cita a Bridgestone, que está testando um sistema em que cobra os proprietários de frotas de caminhões de carga por milha utilizada de pneus, em vez da forma tradicional de venda. Contratos de precificação são baseados em fatores tais como a carga, manutenção dos veículos, rotas utilizadas e nível de treinamento dos motoristas. As variáveis, como por exemplo, pressão dos pneus e velocidade podem ser monitoradas através de sensores e reportadas ao Data Center da Bridgestone.

Dessa forma, ela, Bridgestone, está se movendo, do modelo transacional de relacionamento com o cliente para o modelo "feito sob medida". Os dados que ela acumula são compartilhados com os clientes para melhorar as operações deles e envolvê-los mais ainda no modelo.

Prahalad também cita outras empresas, como a Apple, Google, ING, McDonald's, e Starbucks, bem como outras empresas de menor porte ou menos conhecidas, como instituições que estão na vanguarda desse modelo de inovação globalizada e personalizada.

É verdade que o sistema é controverso. Um dos exemplos disso é a ICICI Prudential, que introduziu um sistema de seguros de vida na Índia precificado de acordo com a aderência do cliente a um programa de saúde. Ao aplicar o modelo a diabéticos, a ICICI Prudential monitora regularmente os níveis de açúcar no sangue do cliente, além de outras informações estatísticas, praticamente em tempo real, através de diagnósticos realizados remotamente. A ICICI organizou uma rede de fornecedores de serviços médicos, empresas farmacêuticas, empresas de diagnóstico e testes e até mesmo de academias de ginástica, para manter os clientes monitorados. Com isso, ajusta as taxas da apólice de seguro a cada duas semanas ou a cada mês, na medida em que a aderência do cliente ao programa também varia. Clientes que se mantém consistentemente numa faixa "ótima", obtém as melhores taxas. E tudo isso associado a recomendações médicas, de nutricionistas, especialistas em fitness e outros profissionais dessa rede organizada para ajustar a medicação a níveis precisos e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

"A gestão do risco é uma responsabilidade comum dos médicos, da empresa de seguro e do paciente", diz Prahalad, para quem a ICICI fornece tanto um produto do segmento da saúde quanto do segmento de seguros.

Baseado no livro The New Age of Innovation: Driving Cocreated Value Through Global Networks.

6 de agosto de 2008

Patentes e inovação

Excelente artigo publicado no Valor Econômico de 05/08/08:

Em matéria publicada recentemente no presente jornal ("Queda no registro de patentes frustra política industrial" publicada no Valor de 13/06/08) fica evidenciado que há uma queda considerável no triênio (2005/07) do número de patentes depositadas pelo Brasil nos Estados Unidos, refletindo portanto questionamentos a respeito da política de incentivo à inovação no país.

A utilização do número de patentes como indicador de inovação de um país pode ser absolutamente questionável por diversos motivos. Primeiro, porque há países, a exemplo do próprio EUA, que estabelecem critérios muito abrangentes para análise dos pedidos depositados, permitindo assim uma grande permeabilidade e grande número de concessões de patentes sem que seja acompanhada de uma qualidade, tanto do conteúdo da patente como da invenção em si. Assim, vários depósitos podem cercar uma única invenção, reivindicando diferentes proteções. Ou seja, o número de patentes não é necessariamente equivalente a várias invenções.

Outra consequência igualmente grave é que a possibilidade de se patentear qualquer coisa por um sistema muito permeável, tal como pequenas variações de produtos já consolidados no mercado, incentiva mais uma perpetuação do monopólio e do mercado do que realmente o desenvolvimento de reais inovações.

Segundo, porque nem toda patente leva a uma inovação, além de proteger suas invenções pelo sistema de patentes. Pesquisadores são julgados pelo número de patentes depositadas mesmo que não sejam concedidas ou licenciadas para futuras comercializações.

Ou seja: a patente é um fim ou um meio?

No caso do setor farmacêutico, vários estudos evidenciam que o crescente fortalecimento do sistema de proteção patentária ao longo dos últimos 15 anos não acompanha a taxa de inovação no setor, que é cada vez mais decrescente. Os mesmos ressaltam um aumento do número de medicamentos do tipo "me too" ("eu também" em português) - princípios ativos que seguem um padrão de estrutura molecular já estabelecido num grupo terapêutico, apresentando um mesmo mecanismo de ação farmacológica - com pouco ou nenhum ganho terapêutico.

Um inquérito publicado em abril de 2005 pela La Revue Prescrire concluiu que 68% dos 3.096 novos produtos aprovados na França entre 1981 e 2004 não trouxeram "nada de novo" em relação às preparações previamente disponíveis. De forma similar, a revista científica British Medical Journal publicou um estudo no qual demonstra que nem 5% de todos os medicamentos recentemente patenteados no Canadá podem ser considerados como reais inovações. Além disso, uma análise detalhada de uma centena de novos medicamentos aprovados pela Agência dos Estados Unidos para Regulação de Medicamentos e Alimentos (FDA), entre 1989 e 2000, revelou que 75% não apresentavam benefício terapêutico em relação aos produtos já existentes.

Um terceiro ponto de questionamento é a concessão de patentes injustificadas que apenas estendem o monopólio de objetos já protegidos anteriormente, podendo afetar negativamente políticas sociais - tais como a de acesso a medicamentos -, componente fundamental de uma política de desenvolvimento de um país.

Práticas monopolistas neste setor vêm cada vez mais refletindo uma dificuldade na promoção do acesso a ferramentas essenciais de saúde, em virtude da prática de preços altos por partes das empresas farmacêuticas transnacionais, bem como diminuição do número de fornecedores no mercado internacional.

Ainda que existam as chamadas flexibilidades para proteção da saúde pública previstas no acordo sobre propriedade intelectual (Acordo Trips) da OMC, como é o caso da licença compulsória, muitos países em desenvolvimento vêm sofrendo ataques infundados por parte de países desenvolvidos e suas empresas farmacêuticas.

Não por acaso, foi conduzido durante dois anos um processo de negociação entre os países-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), plantado principalmente pelo governo brasileiro - que propôs junto com o Quênia a resolução -, sobre saúde pública, inovação e propriedade industrial. A base que fundamentou essas discussões partiu de um relatório publicado em 2006 por uma Comissão de especialistas internacionais (conhecida como CIPIH), igualmente comanditada por iniciativa desses países na OMS, chegando a um diagnóstico muito simples: o atual sistema de patentes, que permite a concessão de monopólios, não estimulou o desenvolvimento de inovações em saúde orientadas para as necessidades dos países em desenvolvimento e afetou o preço e o acesso a produtos essenciais, tal como presenciamos com o caso dos anti-retrovirais para Aids.

Em maio de 2008, chegou-se, após luta árdua, a uma Resolução da Assembléia Mundial de Saúde que solicita a criação de um grupo de trabalho com especialistas para avaliar "propostas para fontes novas e inovadores de financiamento para estimular a Pesquisa e Desenvolvimento" para enfrentar as necessidades em saúde dos países em desenvolvimento. O desafio agora é estudar modelos de incentivo à inovação que sejam orientados pelas necessidades em saúde, e não pela lucratividade potencial do mercado. Também estão na mesa propostas ainda incipientes de estudiosos de diferentes partes do mundo, que buscam desvincular o custo da inovação do preço dos medicamentos, tais como modelo de prêmios, pool de patentes e outros. Além disso, também foi a oportunidade de garantir apoio da OMS para que os países em desenvolvimento possam utilizar as flexibilidades do Trips de proteção à saúde pública.

Espera-se, portanto, que o Brasil tenha coerência interna no âmbito da nova política industrial que contempla o novo complexo industrial de saúde, para que sejam buscadas inovações voltadas para as necessidades do país e dos demais países em desenvolvimento, muito embora isso não vá significar necessariamente um aumento no número de patentes.

Gabriela Costa Chaves é farmacêutica da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais de Médicos Sem Fronteiras