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15 de junho de 2013

Os vândalos e o politicamente correto

Como é de costume, a coluna do Prof. Pasquale Cipro Neto na Folha da última quinta (13/06) estava simplesmente brilhante.

Impecável.

Reproduzo na íntegra, pois vale a pena ler. E guardar.

Estava na capa da Folha de ontem: "Contra tarifa, manifestantes vandalizam centro e Paulista".

Que tal o emprego do verbo "vandalizar", caro leitor? Sugiro que vejamos isso pela sintaxe e pelo aspecto ético, que, inevitavelmente, roça o mais do que infame e chatíssimo conceito do "politicamente (in)correto".

De acordo com os dicionários, "vandalizar" pode significar "estragar ou destruir selvagemente um bem, uma propriedade, um local etc." (é essa a primeira acepção que lhe dá o "Houaiss"). Como se vê, o uso que a Folha fez desse verbo na capa de ontem é documentado. Na manchete, o sujeito é "manifestantes"; "vandalizar" é transitivo direto (o objeto direto é "centro e Paulista").

E onde é que entra o tal do aspecto "ético", que, como afirmei, inevitavelmente roça o politicamente (in)correto? Dou a pista: o caro leitor sabe o que significa "vândalo"? Não, caro leitor, não me refiro ao sentido mais do que conhecido e divulgado (de "destruidor do que é público etc."); refiro-me ao sentido com o qual a palavra veio ao mundo.

E então? Recorramos aos dicionários, mais uma vez. A primeira acepção que o "Houaiss" dá para "vândalo" é esta: "Indivíduo dos vândalos, povo germânico que, por volta do século V, invadiu, promovendo devastação, a Hispânia e o Norte da África, onde fundou um reino". Você já entendeu de onde vem o sentido "moderno" de "vândalo", certo?

Posto isso, permito-me fazer uma perguntinha, baseada na delirante cartilha do politicamente incorreto: não é preconceituoso chamar de vândalo quem destrói o que é público? Isso não ofende os vândalos? Ah, sim, esse povo não existe mais, então tudo bem. Preconceito contra povo extinto é possível. Mas e se aparecer algum alemão que seja descendente direto de uma das mais puras e legítimas famílias vândalas e disser que se sente ofendido? Já sei, processará a Folha e o "Houaiss" por preconceito etc.

E onde anda o procurador de Minas Gerais que queria processar o "Houaiss" por preconceito contra os ciganos? A autoridade poderia aproveitar e processar outra vez o "Houaiss" e todos os dicionários, além da Folha e de todo falante de português... Poderia aproveitar e processar também pelo uso da palavra "bárbaro", cujo sentido "moderno" não preciso explicar, certo? Na década de 60, o termo foi moda entre nós, com o significado de "muito bom", "muito bonito", "bacana", "muito interessante" etc. Mais uma vez, vamos ao "Houaiss", que assim começa a definição de "bárbaro": "Para os gregos, romanos e depois outros povos, que ou quem pertencesse a outra raça ou civilização e falasse outra língua que não a deles; estrangeiro". Em seguida, o dicionário dá esta definição ("por extensão de sentido"): "Que ou quem é cruel, desumano, feroz".

Viu bem, caro leitor? "Por extensão de sentido", ou seja, do conceito de "estrangeiro etc." se passa para "cruel, desumano, feroz". E aí, com o uso e o desgaste que o próprio uso provoca, a palavra perde a marca preconceituosa e se torna "neutra".

É por essas e outras, caro leitor, que essa monumental baboseira do politicamente (in)correto precisa ser vista e revista com cuidado. Já vi muito defensor dos fracos e oprimidos empregar termos como "vândalo", "bárbaro" e afins para condenar o emprego de palavras que essa galerinha chata demonizou. Rarará!

As minhas quase seis décadas de existência me tiraram de vez a paciência para aguentar esse tipo de patrulha, macarthismo da mais pura cepa. Também é por essas e outras que me soam mais do que ridículas as bobagens ditas por uma galerinha a respeito da obra de Monteiro Lobato. Haja saco! É isso.

Essa parte final, mencionando os babacas que resolveram caçar um suposto "preconceito" nas obras de Monteiro Lobato, realmente é mais do que brilhante. 

 

1 de maio de 2013

Aplicativos de mensagens: aliados ou inimigos ?

Notícia muito interessante publicada no blog Link do Estadão:

O número de mensagens enviadas por aplicativos como o WhatsApp superou o volume de SMS enviado no ano passado em todo o mundo e deve dobrar até o fim deste ano, diz um estudo divulgado pela consultoria europeia Informa.

Em 2012, foram 19 bilhões de mensagens enviadas por dia por meio desses aplicativos, contra 17,6 bilhões de SMS. O contraste será ainda maior em 2014, quando serão enviados 21 bilhões de SMS contra 50 bilhões de mensagens via apps.

Apesar do crescimento desses aplicativos no mercado, os dados mostram que o volume de SMS vai continuar aumentando. Isso se explica, entre outros motivos, porque os usuários desses apps não deixam de usar SMS para se comunicar, por exemplo, com aqueles que ainda não possuem um smartphone.

A situação para as operadoras de telefonia, no entanto, fica cada vez mais difícil. O IDC divulgou na semana passada que no primeiro trimestre deste ano as vendas de smartphones superaram pela primeira vez a venda dos ”feature phones”, como são chamados os celulares tradicionais. Do total de 418,6 milhões de celulares que saíram das fábricas, 51,6% eram smartphones.

Chama a atenção o fato de que o número de usuários de apps de mensagens é bem inferior ao de usuários de SMS. A Informa estimou que atualmente seis dos mais famosos aplicativos no mercado (WhatsApp, BlackBerry Messenger, Viber, Nimbuzz, iMessage e KakaoTalk) possuem, juntos, 586,3 milhões de usuários, ante 3,5 bilhões de usuários de SMS em 2012.

Os dados sobre o crescimento desses aplicativos se tornam ainda mais assombrosos quando se considera que esses apps chegaram ao mercado há cerca de cinco anos, enquanto o SMS completa 20 anos de existência.

Para a Informa, as operadoras de telefonia móvel precisam tomar medidas rápidas se quiserem conter a diminuição da receita com SMS. Uma saída para elas, segundo a empresa, seria investir em apps de mensagens próprios para concorrer nesse mercado. A Telefônica, por exemplo, lançou no Reino Unido o Tu Go, aplicativo que permite o envio de mensagens e a realização de chamadas telefônicas a partir de uma conexão com a internet.

Trata-se de uma tendência num mercado em plena ascensão: no mundo inteiro, pessoas estão trocando seus celulares antigos pelos modelos conhecidos como "smartphones", os celulares inteligentes - que têm diversos aplicativos variados, e tentam, em maior ou menor grau, substituir um computador com a facilidade de ser móvel, caber no bolso/a.

Enquanto isso, as operadoras de telefonia móvel têm razões de sobra para se preocupar: pacotes de SMS tendem a ser menos procurados, o que afeta a receita das telefônicas.

Elas devem se unir à tendência e fazer parcerias com apps de mensagens, ou devem "brigar" com a tendência?

É preciso considerar o seguinte: os clientes de telefonia celular no Brasil têm péssimas avaliações das operadoras - ligações cortadas, ausência de sinal, lentidão da internet móvel, cobranças erradas etc… Diante de tal grau de insatisfação generalizada, aplicativos que não tenham vínculo com nenhuma operadora teriam uma vantagem competitiva, certo?

Depende.

A matéria cita o serviço lançado pela Telefonica no Reino Unido (Tu Go). Infere-se que a Telefonica avaliou que não poderia ficar de fora do mercado de mensagens via internet - a empresa considera estes aplicativos um complemento (ou talvez EVOLUÇÃO) do tradicional serviço de SMS. Ela passa a ter, assim, 2 fontes de receita: o tradicional SMS e o novo aplicativo do tipo WhatsApp. Desta forma, se o mercado de SMS realmente desaparecer (ou se sofrer uma redução drástica em termos de volume), a empresa garantiria uma outra fonte de receita com um serviço cujo objetivo central satisfaz a mesma necessidade (mensagens instantâneas, via celular).

Por outro lado, considerando-se o grau de insatisfação dos clientes brasileiros, é de se imaginar se as pessoas aceitariam usar um serviço que carregue o nome/marca da Vivo, TIM, Claro ou Oi.
Ora, o sujeito está irritado com a operadora (qualquer que seja) porque a ligação vive caindo, ou nunca tem uma conexão rápida à internet - então, esse  sujeito dificilmente vai acreditar que o aplicativo da sua operadora possa ser muito melhor.

Enquanto as operadoras não obtiverem uma avaliação mais favorável por parte dos clientes, associar sua marca a um aplicativo concorrente do iMessage ou WhatsApp não me parece uma boa idéia - inclusive porque estes aplicativos dependem da disponibilidade de conexão à internet móvel.

 

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22 de junho de 2012

Por que a APAS é tão burra?

Acompanhando, nesta semana, o desenrolar da questão das sacolinhas plásticas nos supermercados de SP (já trato disso), hoje minha grande dúvida é a seguinte: POR QUE A ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE SUPERMERCADOS É TÃO BURRA?

Burra mesmo. Não há outra palavra possível.

Primeiro, conforme já mostrei AQUI, fica bastante claro que a população não aprovou a (ridícula e hipócrita) idéia de banir as sacolinhas dos supermercados.

Agora, o Ministério Público concluiu que a ação é ilegal também, na medida em que ela impõe "só ao consumidor o ônus de ter de arcar com a proteção do ambiente, já que terá de pagar pela compra de sacolas reutilizáveis".
Trocando em miúdos, a APAS quer que os supermercados façam propaganda enganosa dizendo-se defensores do meio ambiente enquanto o consumidor é quem paga a conta - por algo que ele NÃO aprova.

Finalmente (e agora sim o leitor vai entender porque não existe outra palavra para qualificar a APAS senão "burra"), surge esta idéia brilhante de "vales" para as sacolas retornáveis....

Por que complicar tanto a vida do cliente, APAS?
Por que não voltar ao modelo anterior, com as sacolinhas gratuitas ?
Por que a APAS odeia tanto o cliente?
Transcrevo, a seguir, os trechos mais relevantes das recentes notícias (a íntegra está AQUI).
Os supermercados vão propor que clientes que tiverem que comprar sacolas recebam um vale no mesmo valor da embalagem, que poderá ser descontado numa próxima compra. A medida procura compensar o consumidor pelo fim das sacolinhas plásticas gratuitas. As sacolas vão custar de R$ 0,10 a R$ 0,20, valor que será reembolsado.
As medidas vêm em resposta ao Conselho Superior do Ministério Público, que na quarta-feira concluiu que os lojistas deveriam criar condições para compensar os clientes pela perda do benefício de receber sacolinhas gratuitas.

Na quarta-feira, o Conselho Superior do Ministério Público não aceitou o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado em fevereiro entre supemercados, Procon-SP e Ministério Público que previa o banimento das sacolas plásticas dos estabelecimentos.

Para o conselho, o TAC não garantia o "equilíbrio entre fornecedor e consumidor, no mercado de consumo, impondo só ao consumidor o ônus de ter de arcar com a proteção do ambiente, já que terá de pagar pela compra de sacolas reutilizáveis".

Segundo o documento de recusa, nenhum ônus foi atribuido ao fornecedor, "a quem, muito pelo contrário, tem se utilizado da propaganda de protetor do ambiente diante da população".

OPÇÃO ÀS SACOLINHAS
Em maio de 2011, supermercados e governo assinaram acordo para reduzir a distribuição de sacolas. Desde abril, 1,1 milhão deixou de ser distribuído.

"Caso a proposta não seja considerada adequada, os supermercados deverão oferecer uma alternativa não onerosa ao consumidor para o acondicionamento das compras", disse, em nota, o Procon-SP.

Procon-SP e Ministério Público devem analisar nesta sexta-feira as medidas apresentadas pela Apas.
Os supermercados que tiverem o mínimo de visão de mercado vão deixar a APAS falando sozinha.
Rapidinho.

[ATUALIZAÇÃO de 25/06/2012]
O supermercados devem voltar a distribuir de graça sacolas plásticas aos consumidores no Estado de São Paulo.
Decisão da Justiça desta segunda-feira (25) determina que sejam tomadas as providências necessárias para o retorno do fornecimento de embalagens adequadas e em quantidades suficientes em 48 horas. Cabe recurso.
A juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital, decidiu que está "proibida a cobrança por embalagens para acondicionamento de compras" e que as empresas têm 30 dias para fornecer, também gratuitamente e em quantidade suficiente, embalagens de material biodegradável ou de papel adequadas, sem cobrar nada.
Em sua decisão, Cristófaro disse que a interrupção da distribuição grátis das sacolinhas "nitidamente onera desproporcionalmente o consumidor".
Ela ponderou que "é notório que a prática comercial costumeira é do fornecimento do lojista de embalagem para que o consumidor leve consigo as mercadorias que adquire".
Ela disse que o fim do fornecimento de sacolas pelos supermercados para os consumidores "causou tamanha estranheza".
Ela deferiu ação civil pública movida pela Associação Civil SOS Consumidor contra a Apas (Associação Paulista de Supermercados) e os supermercados Sonda, Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour.
GRUPO SONDA
O Grupo Sonda de supermercados confirmou nesta segunda a distribuição gratuita de sacolas plásticas biodegradaveis em duas lojas da rede em São Paulo, Pompeia (zona oeste) e a Maria Cândida, no Carandiru (zona norte).
Segundo a empresa, o fornecimento gratuito começou no sábado por conta do alto índice de reclamação dos consumidores. Os gerentes das demais 22 lojas estão autorizados a analisar cada caso e fornecer sacolas.

25 de abril de 2012

O politicamente correto é de uma ignorância ABISSAL

Li esta notícia ontem (íntegra AQUI), e quase caí da cadeira:
Uma consumidora de São Paulo abriu uma representação no Conar, reclamando que o comercial "Bebê - sem papel", lançado pelo Itaú em janeiro deste ano, não trazia nenhuma advertência aos consumidores sobre a importância de guardar os comprovantes de suas transações bancárias.
Eis aqui o comercial em questão:



Pois bem, a consumidora que fez esta reclamação é uma anta apoplética em estado avançado de demência profunda. Possivelmente a mania de tentar ser "politicamente correto" dizimou os poucos e parcos neurônios que a anta apoplética ainda tinha.

Pessoalmente, acho o comercial em si bem chatinho, sem graça mesmo.
Mas todo publicitário falido e em meio a uma crise de boas idéias sabe que fazer comercial com criancinhas ou cachorrinhos sempre dá certo, mesmo que seja uma porcaria - basicamente, porque dá audiência, haja vista que as pessoas acham "fofo", ou algo do gênero.

Agora, a criatura reclamar porque o banco não enfiou um texto alertando sobre a importância de guardar os comprovantes em papel?!
Me poupe!!!!!!

Esse paternalismo incrivelmente idiota é simplesmente repugnante.
Então o Itaú (ou qualquer outra empresa que faça uma propaganda) agora teria a obrigação de "instruir" os consumidores sobre uma coisa tão óbvia?!

Claramente esta consumidora não tem o que fazer da vida.

4 de março de 2012

Preço mais relevante do que "sustentabilidade"

A notícia é do Estadão de hoje (com grifos meus):
A queda de 35%, ou quase 6 bilhões de litros, nas vendas de etanol nos últimos dois anos coloca em risco o cumprimento das metas de corte das emissões de gases de efeito estufa assumidas pelo Brasil.

O movimento surpreendeu o Ministério do Meio Ambiente, cujo cenário principal para emissão de gases de efeito estufa pressupunha uso crescente de etanol. A expansão do biocombustível seria responsável por uma redução de 79 a 89 milhões de toneladas de gás carbônico lançadas na atmosfera até 2020, numa contribuição entre 8% e 9% da meta total de corte das emissões com que o governo se comprometeu em 2009.

Grande parte do cumprimento da meta depende da redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, maior fonte dos gases de efeito estufa no País. A queda nas vendas de etanol ao consumidor torna ainda mais crucial o combate às motosserras.

Documento publicado pelo Ministério do Meio Ambiente no ano passado estima que as emissões de gás carbônico por veículos cresceriam até 2020 a uma média de 4,7% ao ano, por conta do aumento da frota de veículos no País. Esse porcentual já é maior do que a média de crescimento das emissões registrada num período de 30 anos, até 2009, ano em que o Brasil assumiu metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para 2020.

Mas o cenário traçado pelo documento intitulado Inventário de Emissões Atmosféricas por Veículos Rodoviários apresentava como principal contribuição para a redução das emissões o programa de álcool hidratado. Na contabilidade oficial, as emissões de CO2 provocadas pelos veículos movidos a álcool são neutralizadas pela captura de carbono no processo de cultivo da cana-de-açúcar.

O aumento de venda de carros flex, que crescia sem parar desde 2003, deveria continuar no mesmo ritmo, indicou o cenário oficial. Em 2009, os flex já representavam 37% da frota de automóveis, e dominavam a venda de carros novos.

Mas esse cenário não se confirmou. No ano passado, as vendas de carros flex caíram pela primeira vez desde o lançamento dos motores com a tecnologia brasileira. Os licenciamentos de carros flex caíram para 83% do total de carros vendidos em 2011, o menor porcentual em cinco anos, conforme informou o Estado em fevereiro.

Futuro. A projeção do ministério de que os carros flex rodariam alternando os combustíveis numa proporção próxima a 50% também corre o risco de não se sustentar. O uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando seu preço ultrapassa 70% do valor da gasolina nas bombas. O consumidor opta pelo preço mais vantajoso na hora de abastecer, numa equação desfavorável ao etanol.

Além disso, para conter as emissões de gases de efeito estufa até 2020 no setor de energia, o governo contabilizou o aumento da oferta interna de etanol em mais de 20 bilhões de litros, como uma das principais medidas de combate ao aquecimento global.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram uma explosão no consumo de gasolina a partir de 2010. Em dois anos, enquanto as vendas de etanol caíam 35%, as vendas da gasolina subiam mais de 39%. Desde 2005, as vendas de gasolina registravam aumento de 2% ao ano. Em 2010, elas cresceram 17,45%. Em 2011, 18,79%, alcançando 35,4 bilhões de litros, contra 10,7 bilhões de litros de etanol vendidos no mesmo ano. 

Percebe-se, pois, que os fatos contradizem aqueles defensores do dicurso "sustentável" que afirmaram (alguns, coitados, CONTINUAM afirmando) que o uso do etanol era devido, inclusive, à preocupação com a "sustentabilidade".
Balela.
Comprava-se mais etanol porque o preço era menor do que o da gasolina.
Como esta situação mudou, passou-se a comprar mais gasolina.
E foda-se o discurso vazio de "sustentabilidade". Preço é o que importa!

12 de fevereiro de 2010

O preço do etanol matou a sustentabilidade

Eu sempre disse, em aulas inclusive, que a "sustentabilidade" não passa de um modismo, um exagero.
Uma afirmação que eu já fizera aqui no blog, para comprovar isto, é que ninguém compra carro flex ou mesmo escolhe abastecê-lo com etanol por causa da preocupação com o meio ambiente - a razão é obviamente pecuniária, ou seja, DINHEIRO.

Esta matéria, que li na FOLHA, comprova claramente isso:
A disparada do preço do álcool nos últimos meses já produz efeitos diretos no consumo. De acordo com o diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Allan Kardec Filho, houve redução de 25% na demanda por álcool em janeiro, na comparação com dezembro. "Desde outubro, o preço do álcool vem subindo, e o consumidor que tem carro flex tem recorrido mais à gasolina. O álcool já perdeu sua vantagem em quase todo o Brasil, com exceção do Mato Grosso", afirmou, durante divulgação dos dados relativos ao mercado de combustíveis em 2009.

Kardec destacou que, a partir da segunda quinzena de março, espera-se recuperação do consumo do álcool, à medida em que os preços comecem a cair com a colheita da safra de cana-de-açúcar. Levantamento da ANP mostra que o preço do álcool combustível subiu 13,96% em 2009.
A gasolina teve variação bem menor, ficando 1,23% mais cara. Já o óleo diesel barateou, apresentando redução de 6,17%, segundo pesquisa feita em postos de combustíveis de todo o país.
No total do mercado em 2009, no entanto, o álcool seguiu em firme trajetória ascendente. O chamado álcool puro (álcool hidratado) teve o consumo ampliado em 23,9%. Somado ao álcool anidro, totalizou 22,8 bilhões de litros em 2009, mantendo-se à frente da gasolina A (sem adição de álcool anidro), cuja demanda somou 19 bilhões. Se o anidro for acrescentado, o consumo chega a 25,4 bilhões de litros.

Dentro da matriz de consumo veicular de combustíveis, o álcool ganhou participação, respondendo por 20,6% do total. Em 2008, significava 18,2%. O quadro completo mostra uma matriz com maior participação de combustíveis renováveis.
O biodiesel, por exemplo, que detinha 1,3% de participação na matriz em 2008, representou 1,7% no ano passado.
Por outro lado, o óleo diesel perdeu participação: significou 50,2% do total em 2009, ante 52,6% no ano anterior.  A gasolina seguiu ritmo parecido, e representou 25,7% da matriz veicular de combustíveis em 2009. No ano anterior, significava 26,1% do total.

Como eu sempre disse: o que sustentou o aumento do consumo do etanol (álcool) foi o preço. Quando o preço subiu (sequer importa a CAUSA desse aumento), o consumo caiu.

Então as pessoas acharam o preço do álcool mais importante do que a "sustentabilidade"????


Puxa, que supresa!!!!!!!

7 de fevereiro de 2010

Dados deturpados: as falácias do IPCC

Como o termo "sustentabilidade" virou mantra, somos obrigados a aturar centenas de publicações que citam o IPCC, e os dados/previsões feitos por este órgão da ONU. Aliás, já percebi que os recém convertidos a defensores da "sustentabilidade" ignoram não apenas o que vem a ser exatamente a tal "sustentabilidade", mas ignoram também o que significa IPCC.
Uma dica: "Intergovernmental Panel of Climate Change".

Pois bem, eis a matéria que li na Folha de ontem:


O IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, sofreu mais um golpe ontem. O governo da Holanda apontou mais um erro no relatório do painel sobre os impactos do aquecimento global, dizendo que um dado que forneceu ao grupo foi mal interpretado.
O IPCC afirmou que está verificando o assunto.

No relatório, o painel do clima afirma que 55% do território holandês já está abaixo do nível do mar. "Deveria estar escrito que 55% da Holanda está sob risco de inundação", afirmou em comunicado a Agência Holandesa de Avaliação Ambiental: 26% do país está abaixo do nível do mar e 29% está sob risco de alagamento por rios. 
Seria apenas uma trivialidade -a própria agência emenda que a Holanda é sensível à mudança climática e que a "redação incorreta" do IPCC não muda essa conclusão-, se o painel do clima e seu presidente, Rajendra Pachauri, já não estivessem na berlinda.

No mês passado, Pachauri veio a público admitir que havia um erro numa previsão que consta do relatório de que as geleiras do Himalaia derreteriam até 2035. No fim do ano passado, quando o governo indiano questionou a informação, Pachauri insistiu em que ela estava correta. A origem do dado era uma reportagem.
Na semana passada, outro problema apareceu: uma informação sobre a porção da Amazônia sensível a mudanças no regime de chuvas foi extraída de um relatório do WWF, não de um artigo da literatura científica -embora neste caso a informação esteja correta.
E uma reportagem do jornal britânico "The Guardian" publicada no dia 1º afirma que o britânico Phil Jones, um dos cientistas do painel, escondeu falhas em dados de temperatura de uma estação meteorológica chinesa que usou em seu trabalho. 
Jones já havia renunciado a seu posto de diretor da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia depois que um arquivo de e-mails supostamente roubado por negacionistas do aquecimento global revelou conduta duvidosa dele e de colegas.

A sequência de problemas fez cientistas do próprio painel e ambientalistas pedirem a renúncia de Pachauri. O indiano disse anteontem, numa entrevista à TV britânica BBC, que não pretende sair. Ontem, recebeu apoio do governo de seu país. "Como líder, ele é passível de responsabilização pela maneira como lida com óbvios desvios ocorridos sobretudo no grupo 2 [que lida com impactos]", disse o físico Gylvan Meira Filho, da USP, ex-membro do IPCC. "Deveria renunciar."

Um dos coordenadores do relatório do grupo 2, Ulisses Confalonieri, da Fiocruz de Belo Horizonte, diz que o indiano é um líder "muito hábil" e que o IPCC não é imune a falhas. "Se saiu um erro, erraram os autores e erraram os revisores." Segundo ele, o problema é que o trabalho do painel tem uma visibilidade muito grande. "Qualquer passo em falso e todo mundo cai em cima, diz que é má-fé. Mas os instrumentos de análise têm incertezas, como qualquer coisa em ciência."

Confalonieri cita um dado que ele mesmo mandou excluir do sumário executivo do relatório, por exagerado. "Era uma projeção da Organização Mundial da Saúde que dizia que 150 mil pessoas haviam morrido por impacto do clima na saúde. Mas a metodologia usada era muito incipiente", lembra. Segundo ele, o trabalho do painel não sairá arranhado do episódio. "Pode haver uma perda temporária de credibilidade, mas depois ela se recupera."

Reparem nos trechos com grifos (meus).
Estão diretamente relacionados àqueles problemas de METODOLOGIA utilizada em pesquisas, FONTES de dados (usar a WWF como fonte de um dado é o cúmulo do amadorismo!) etc....
São aquelas pequenas coisinhas, os "detalhes", que destroem por completo uma afirmação.
Especialmente as afirmações catastróficas que o IPCC faz, para chamar a atenção.

9 de setembro de 2009

1969 x 2009


Esta eu recebi por e-mail, e TINHA que postar.
Uma triste realidade.

O texto que acompanhava aimagem é este:
Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.
"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Precisamos começar JÁ! Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...
Acho que, em meio à discussão ridícula envolvendo o termo "sustentabilidade" (via de regra desfigurado pela ignorância de quem o tem usado com maior frequência), está faltando estabelecer um parâmetro anterior - que passa, impreterivelmente, pela EDUCAÇÃO.

26 de agosto de 2009

RH precisa de revisão

Ótimo vídeo, que vi no blog do Marcelo Cherto:

27 de junho de 2009

A capa do enterro

Pronto, agora a Revista Exame se enterrou. De vez.
A edição que recebi ontem (número 946) estampou na capa o "guru" (argh!!!!) Jim Collins.
Faço questão de reproduzir a imagem da capa:

A Exame teve a audácia de MAIS UMA VEZ chamar Jim Collins de "guru" (argh! de novo). Mas isso não foi o pior ! Segundo a Exame, Collins é o "sucessor legítimo de Peter Drucker, o maior teórico dos negócios em todos os tempos". Sim, a Exame comparou este picareta ridículo ao bom velhinho Drucker......(coitado do Drucker!)

Mas descobri agora, fuçando na web, que a entrevista com o picareta Collins foi feita pela Cristiane Correa, editora executiva da EXAME - a mesma jornalista que já trocara alguns e-mails comigo, conforme mostrei AQUI.

Em fevereiro, eu escrevi um post (aqui), questionando se o Jim Collins havia se enfiado num retiro espiritual ou alguma coisa assim, haja vista que ele desaparecera da "mídia". Eu ainda acho que o sumiço do cara tem relação com as bobagens que ele afirmara sobre a Fannie Mae, entre outras.

Agora, vejo a Exame elogiando rasgadamente o Collins - e a editora executiva da Exame perdeu a oportunidade de questionar o cara sobre suas previsões furadas.
Mas pior do que isso, ela escreveu em seu blog:
Ainda me lembro da primeira vez que o entrevistei, em 2001. Ao desligar o telefone tive a certeza de que havia falado com alguém completamente fora da curva.
Por que eu admiro seu trabalho? Porque muito mais que guru, Collins é um pesquisador. Seus livros não se baseiam em "insights", mas em análises detalhadas do desempenho de empresas americanas. Junto com um time de pesquisadores ele analisa o comportamento de grandes companhias (e de suas concorrentes) ao longo de diversos anos. É desses mergulhos profundos que nascem suas teses.
Não, cara Cristiane, Jim Collins NÃO é pesquisador, é um fake.
Um PICARETA.

Você (e os demais baba-ovos que adooooooooooram um guru) deveria pesquisar mais antes de escrever bobagem. Uma ajudinha para a pesquisa que você DEVERIA ter feito mas não fez foi dada pelo Thomaz Wood, e eu havia indicado isso no post de fevereiro.

Mas vamos detalhar um pouco mais a coisa - quem sabe assim, dona Cristiane Correa perceba a (enorme) diferença entre "guru" (argh!) e pesquisadores sérios.

Primeira leitura recomendada: Resnick, Bruce G., and Timothy L. Smunt. "From Good to Great to . . ." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 6-12.
O resumo do artigo: With sales of more than 4.5 million copies, Good to Great by Jim Collins provides an inspiring message about how a few major companies became great. His simple but powerful framework for creating a strategy any organization can use to go from goodness to greatness is certainly compelling. However, was Collins truly able to identify 11 great companies? Or was the list of great companies he generated merely the result of applying an arbitrary screening filter to the list of Fortune 500 companies? To test the durability of his greatness filter, we conducted a financial analysis on each of the 11 companies over subsequent periods. We found that only one of the 11 companies continues to exhibit superior stock market performance according to Collins' measure, and that none do so when measured according to a metric based on modern portfolio theory. We conclude that Collins did not find 11 great companies as defined by the set of parameters he claimed are associated with greatness, or, at least, that greatness is not sustainable.

Segunda leitura recomendada: Niendorf, Bruce, and Kristine Beck. "Good to Great, or Just Good?." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 13-20.
O resumo do artigo: Good to Great has been on BusinessWeek's best-seller list since its October 2001 release. In Good to Great, author Jim Collins identified a set of 11 firms as great, then used them to derive five management principles he believed led to "sustained great results." We contend that due to two fatal errors, Good to Great provides no evidence that applying the five principles to other firms or time periods will lead to anything other than average results. We explain the two errors and empirically test our contention. When ranked with the 2006 Fortune 500, the 11 Good to Great firms have an average ranking of 202nd. In addition, in terms of long-term stock return performance, the Good to Great firms do not differ significantly from the average company on the S&P 500. Our evidence is consistent with the conclusion that although the Good to Great firms may be good, they aren't great.

Ambos os artigos, como Thomaz Wood havia explicado, desmontam a teoria que sustenta o livrinho do "guru" (argh!) Collins. Outros pesquisadores sérios, anteriormente, já haviam demonstrado que Collins é um picareta.
A relação das empresas que este picareta-guru Collins indica como sendo empresas "good to great" inclui a Circuit City (que faliu), Gillette (que foi comprada pela P&G), Fannie Mae (nem vou repetir novamente), e Wells Fargo, entre outras. Tenho os dois artigos citados, mas devido a questões de direitos autorais, não posso disponibilizá-los aqui para download. Uma pena.
Mas se alguém da Exame que ainda tiver 2 neurônios ativos quiser, posso mandar por e-mail, para que, desta forma, seja possível vislumbrar melhor como o Jim Collins escreveu merda na porcaria do livrinho dele. Claro que o ideal seria ter feito uma pesquisa ANTES de dar a capa a este boçal-picareta, mas........

Mas fico me perguntando: até quando a Exame vai continuar dando espaço (inclusve na CAPA!) para disseminar a ignorância ?

Será que o pessoal contratado pela Exame não sabe o que significa PESQUISAR antes de escrever uma reportagem ?
Será que não se ensina mais a pesquisar antes de ir até outro país fazer uma entrevista com um cidadão que afirmara que a
Fannie Mae era uma empresa "Good to Great" mas ficou quietinho quando ela teve que receber uma injeção de capital BILIONÁRIA do governo americano?

O pior de tudo é que a matéria da Exame baseia-se numa entrevista do tal "guru" (argh!, mais uma vez) que traz algumas pérolas, coisas tão burras, mas tããããããão burras, que o simples fato de reproduzi-las, como Exame fez, deveria bastar para demissão sumária do editor que aprovou a publicação. A matéria, na íntegra, está AQUI.

Para ilustrar a "genialidade" de Collins, selecionei um pequeno trecho de uma de suas respostas: Numa crise como esta, as empresas enfraquecidas sofrerão mais. Porém, uma empresa forte continuará sendo forte. Os fracos desaparecem e no lugar deles outros virão.

Puxa, será que não havia nada mais óbvio para este "guru" (argh!) dizer ??

Uma publicação de negócios séria jamais gastaria dinheiro para que uma repórter fosse até os EUA para entrevistar uma besta que me solta uma resposta dessas.................

18 de fevereiro de 2009

Jim Collins: o cara sumiu ?

Primeiro, a notícia (do Valor Econômico):
No âmbito do plano do governo Obama de continuar dando suporte para o mercado de crédito, em especial para o segmento imobiliário, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje que vai elevar de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões o volume máximo de recursos que poderá alocar nas agências de refinanciamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.
De acordo com comunicado publicado no site do órgão, o Tesouro vai disponibilizar até US$ 200 bilhões para cada uma duas das gigantes, que foram responsáveis, em conjunto, por garantir o financiamento de cerca de 75% dos pedidos de hipotecas americanas no ano passado.
Desde de julho do ano passado o dinheiro tem sido alocado conforme o necessário nas empresas, com o objetivo de manter o patrimônio líquido positivo, enquanto o governo pede para que as duas ampliem os empréstimos. " O aumento do funding vai permitir aumento da confiança prospectiva para o mercado de hipotecas e possibilitar que Fannie Mae e Freddie Mac continuem com o ambicioso esforço de garantir o pagamento de hipotecas de proprietários responsáveis " , diz o secretário Timothy Geithner.
Ele ressalta que o Tesouro vai continuar também a comprar, no mercado, títulos ligados a hipotecas garantidas pelas empresas, com o intuito de dar liquidez a esses papéis e, ao mesmo tempo, manter os juros baixos para que os mutuários refinanciem suas dívidas em melhores condições.
O Tesouro disse também que vai elevar em US$ 50 bilhões, para US$ 900 bilhões, o total de empréstimos que as duas empresas poderão manter como ativos nos seus balanços, assim como elevar a capacidade de endividamento no mesmo montante.
Ainda para evitar receio no mercado, o governo dos EUA diz que o aumento dos recursos para as empresas " não tem como objetivo indicar uma estimativa de possíveis perdas " dessas empresas, mas assegurar aos participantes do mercado que se reconhece o papel importante que a essas companhias tem no funcionamento do segmento de crédito imobiliário.
Agora, vamos relembrar - com a ajuda de um texto do Thomaz Wood (na íntegra AQUI):
Em 2001, foi publicado o livro Good to Great ("Empresas Feitas para Vencer"). Nele, Jim Collins identificou onze organizações que haviam conseguido passar de boas empresas para grandes empresas, espécimes excepcionais da fauna corporativa. Para o autor, estas onze grandes empresas exibiam traços comuns, relacionados a liderança, gestão de talentos, tomada de decisão, foco e visão. Para convencer as mentes mais exatas, Collins provou que todas elas haviam experimentado quinze anos de desempenho excepcional no mercado de ações.

Agora nos chegam dois estudos, publicados na revista Academy of Management Perspectives, que analisam os métodos e as conclusões de Collins. O primeiro estudo foi conduzido por Bruce G. Resnick e Timothy L. Smunt, da Wake Forest University. O segundo foi conduzido por Bruce Niendorf e Kristine Beck, da Universidade de Wisconsin. A conclusão é contundente, porém não surpreendente. O método usado por Collins não é sustentado por uma análise criteriosa do desempenho das empresas, ou seja, as "11 grandes" não são melhores que seus pares. Vale registrar que no seleto grupo estavam a cadeia Circuit City, concordatária desde novembro de 2008, e a Fannie Mae, uma das protagonistas da crise imobiliária atual.

Eu mesmo já tratara disso, AQUI.

Minha dúvida é bastante simples. Bom, tenho mais de uma:

O Jim Collins sumiu ? Não emitiu nenhum comentário sobre o fiasco da sua previsão ?

Será que ele mudou de idéia com relação ao nível de excelência da Fannie Mae ?


Será que ele vai assumir que errou ?
Vai assumir que sua pesquisa (e, por conseqüência, seu
best-seller) estava furada ?

21 de dezembro de 2008

Para que servem revistas volúveis ?

O título do post é a pergunta que eu me fiz quando vi a capa da Exame de 27 de Novembro (edição 932). A matéria de capa perguntava "para que servem os analistas".
Abaixo, alguns trechos da referida matéria (que está na íntegra AQUI):
Parece que foi num passado distante, mas há apenas seis meses uma espécie de euforia coletiva tomou conta do mercado acionário brasileiro. Para a premiada equipe de análise do banco de investimento UBS Pactual, as ações de empresas brasileiras eram uma pechincha em maio de 2008. As razões para tanto otimismo eram de uma clareza científica. As economias de países emergentes, como se sabia, descolavam-se do desempenho dos países ricos. O Brasil havia acabado de receber o tão sonhado selo de país com grau de investimento, e o investidor estrangeiro invadiria a bolsa local na nova fase. A expansão do crédito garantia dinheiro a todos, dos compradores de carros àqueles que financiavam seu primeiro apartamento. O futuro, portanto, sorria para a bolsa brasileira.

O UBS Pactual, então, cravou sua previsão para o fim do ano. O Índice Bovespa, que reúne as principais empresas do país e estava em seu recorde histórico, de 70 000 pontos, chegaria a 85 000 pontos até o fim de dezembro. Entre as dez empresas que se destacariam no período estavam as varejistas Lojas Americanas e B2W, bancos e companhias do setor imobiliário. Por alguns dias, a coisa pareceu fazer um baita sentido. A bolsa brasileira continuou subindo até meados de maio - quando começou a descer a ladeira e não parou mais. Quem acreditou no sonho do "Ibovespa 85 000" perdeu dinheiro de gente grande. Das ações recomendadas, todas caíram até o fim de novembro. A que caiu menos despencou 50%. A pior, a construtora Rossi, perdeu mais de 80% do valor de mercado desde então. E o Índice Bovespa rastejava em 34 000 pontos no dia do fechamento desta edição. A projeção se provou errada da premissa à conclusão.

Esse, infelizmente, é apenas um exemplo do circo de horrores que vem sendo o trabalho dos analistas do mercado financeiro em 2008. Seguir recomendações de oráculos das finanças tem sido um péssimo negócio. Não importa se essas avaliações vêm de economistas agraciados com o prêmio Nobel, magos das planilhas ou investidores bilionários. A crise financeira global varreu do mundo trilhões de dólares em investimentos e levou junto a reputação de analistas econômicos de toda espécie. O macho alfa da turma, o apresentador de TV americano Jim Cramer, destacou-se nos últimos meses por sua capacidade de errar bisonhamente. Em outubro, quando o índice Dow Jones ficou abaixo de 10 000 pontos, Cramer berrou: "Peguem todo o seu dinheiro e comprem ações! Agora!".
No dia seguinte, o índice caiu outros 500 pontos - no final de novembro, beirava os 8 000 pontos, queda de 20% em relação ao fundo do poço identificado por Cramer.

Por onde se olhe, pipocam exemplos de trapalhadas de calibre semelhante feitas por iluminados que deveriam entender do que estavam dizendo.
Esta frase aqui em cima......esplêndida !
Isso é, SERIA esplêndida se a Exame não fosse mais uma das tantas fontes de previsões bisonhas.

Antes de eu mesmo tecer meus comentários, aproveito uma carta publicada na edição 933:
Em relação ao tema proposto pela capa da última edição, cabe mencionar também o papel dos meios de comunicação e de revistas especializadas que, contagiados pela euforia, outorgam espaço a esses mesmos analistas. A mídia também precisa fazer sua autocrítica.
Bernardo Tanis, São Paulo, SP
Bernardo: concordo PLENAMENTE com você !!!!!!!!
Eu começaria, aliás, pela própria Exame, que frequentemente abre espaço para opiniões estapafúrdias e insiste na burrice de clamar por "gurus".
Preciso mencionar, novamente, o pilantra Jim Collins ?

Em Setembro, eu já havia publicado um post sobre o tema - veja AQUI.
A Exame abordou o assunto no final de Novembro.
Rápida, né ?!

Mas, pior do que a lerdeza para tratar de algo tão óbvio, foi a reportagem eximir-se de tentar produzir um mea-culpa, ainda que tardio e superficial:
Se economistas e analistas erram tanto, por que insistimos em ouvir suas previsões e atribuir a elas um caráter científico? (Os jornalistas de EXAME são réus confessos no caso.) Uma história ajuda a ilustrar a resposta. Durante a Segunda Guerra Mundial, o economista americano Kenneth Arrow (que ganharia um Nobel em 1972) foi convocado para liderar um grupo de pesquisadores. A missão era prever as condições meteorológicas nos campos de batalha com um mês de antecedência. Os estatísticos do grupo logo perceberam que as previsões não tinham o menor valor - ou seja, não eram diferentes de um chute qualquer. O grupo mandou um relatório a seus superiores informando que não enviaria as inúteis previsões. Veio, então, a resposta. "O comandante-geral sabe que as previsões não são boas. No entanto, ele precisa delas para fins de planejamento." Tomamos decisões baseadas em previsões o tempo inteiro. Aceito aquela oferta de emprego? Devo ter filhos agora? Faço um financiamento? As empresas dependem de cenários para tomar decisões de investimento, contratações ou aquisições. Governos precisam de previsões para formular políticas. E o mercado financeiro usa expectativas para sua formação de preços. O futuro, portanto, vale muito dinheiro. "Previsões econômicas constituem parte vital do dia-a-dia de empresas e famílias", diz Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Diante das incertezas que o futuro apresenta, é preciso avaliar os cenários, assumir o risco e decidir. Ou seja, apesar da crise atual, os economistas vão seguir tentando adivinhar o que vai acontecer. Os analistas continuarão recomendando ações. E empresários, jornalistas e consumidores continuarão levando essas previsões a sério - essa é a única previsão que esta reportagem se arrisca a fazer.
A matéria não chega nem perto de lembrar ao seu leitor que a própria Exame adora as análises malucas desses "gurus" fabricados às dezenas nos últimos anos. Alguns poucos exemplos das previsões estapafúrdias e conclusões equivocadas da própria Exame estão AQUI, AQUI e AQUI. Isso para ficar apenas em alguns poucos......

Alô, dona Cristiane Corrêa (editora-executiva da Exame) !!! A coisa só está piorando !!!!!!
Eu já tratei disso, AQUI.
Aparentemente, nada vai mudar...... (exceto o número de assinantes da Exame)

30 de janeiro de 2008

Ação social e marketing - muitas bobagens soltas

Retomo a discussão sobre o tal "marketing social" (ou derivações estúpidas) a partir de uma matéria da Folha de São Paulo (de 25/12/2007), graças a uma contribuição do amigo e chefe Nilson.

Primeiro, vamos ao texto da Folha - eu comento logo depois.

A preocupação socioambiental das empresas é um reflexo fiel da realidade ou elas estão somente aproveitando o momento de maior preocupação com o planeta para valorizar suas marcas? Essa é uma pergunta que sempre gerou debates acalorados entre especialistas, mas que agora ganhou um novo tempero: a multiplicação das campanhas publicitárias relacionadas ao tema.

Aos olhos do consumidor, de repente todo mundo parece se preocupar com a sustentabilidade. E agir em nome dela.

"Realmente estamos vendo uma onda de campanhas ligadas ao tema. E não há uma resposta simples: as áreas de marketing das empresas respondem, sim, a um ambiente de maior preocupação social e ambiental, mas ao mesmo tempo seria irresponsabilidade de um profissional da área bancar uma campanha com esse apelo sem encontrar nenhuma coerência com o discurso e as práticas da própria empresa. O risco é muito grande", aponta o secretário-executivo do Gife (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), Fernando Rossetti.

É fato que o tema ganhou relevância no mundo corporativo nestes últimos anos. O universo de empresas brasileiras que podem ser chamadas de "responsáveis" aumentou consideravelmente, assim como a cobrança nesse sentido, e a percepção de que se preocupar com aspectos sociais e ambientais faz bem para o negócio passou a incorporar as modernas práticas de gestão empresarial.

Não por acaso, a própria definição de sustentabilidade no meio é ancorada em como aliar a geração de lucros (econômico) com o respeito ao indivíduo (social) e a preservação do planeta (ambiente). Em inglês, o "triple botton line".

As campanhas publicitárias ligadas à sustentabilidade, no entanto, ainda são vistas com desconfiança pelos consumidores. Segundo pesquisas de opinião, há uma percepção generalizada de que as empresas só adotam ações de responsabilidade socioambiental com objetivos de marketing. Ou seja, fazem mais para fora do que para dentro. Ao mesmo tempo, as empresas consideram legítimo divulgar suas práticas e ações socioambientais, até como forma de valorizar a marca.

Para o economista José Eli da Veiga, coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa) da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP), o resultado dessas campanhas acaba sendo positivo.

"Ainda que a maioria das empresas use o tema da sustentabilidade de maneira oportunista, isso acaba a levando a pensar mais seriamente essas questões, até porque seus próprios clientes, funcionários e fornecedores vão bem ou mal receber essa mensagem", afirma.
"A empresa que faz isso por oportunismo corre o risco de o feitiço virar contra o feiticeiro. Afinal, ela está ensinando os públicos com quem se relaciona a dar mais importância ao tema da sustentabilidade."

Há quem considere, de qualquer forma, que algumas empresas estão exagerando na dose, utilizando a sustentabilidade como foco de suas campanhas publicitárias sem terem esse conceito minimamente incorporado às suas práticas internas e externas.
"O longo caminho na busca pela almejada sustentabilidade parece estar aumentando a ansiedade de muitas empresas em comunicar suas "iniciativas de responsabilidade corporativa" sem o devido cuidado", escreveu a especialista em comunicação voltada à sustentabilidade Juliana Raposo, em artigo publicado no site do Gife. "A sustentabilidade não é uma nova commodity, porque exige um processo de mudança interdisciplinar relacionado com a gestão corporativa e com impactos gerados pela empresa."
Um dos maiores problemas nesse sentido, apontam os especialistas, está no risco de as empresas passarem a orientar suas ações de responsabilidade socioambiental com as lentes do marketing. Ou seja, deixarem de apoiar projetos e práticas sem apelo nos consumidores para priorizar as que tragam maior retorno de imagem.

"Esse é um risco grande e está de fato se manifestando. A questão-chave é que o horizonte da ação de marketing é de curto prazo, pontual, enquanto a de responsabilidade socioambiental é de longo prazo. Quando se "cola" a visão social aos projetos de marketing, pode se estar encurtando a visão das empresas em relação aos conceitos de sustentabilidade", diz Rossetti, do Gife.

Como diferenciar quem é de fato responsável e quem é oportunista? Uma boa pista para saber se uma empresa está mais interessada no marketing do que na causa que ela apóia é o orçamento de suas campanhas ligadas ao tema. Se esse orçamento é maior do que o próprio investimento da ação socioambiental, há espaço para desconfiança. Como o investimento social de cada empresa não é necessariamente um dado transparente -há levantamentos estatísticos sobre esses números, mas os dados não são abertos por empresas-, resta ao consumidor pesquisar.

"Em um momento em que todos falam de sustentabilidade, fica mais difícil identificar quem de fato acredita nessa idéia. Uma das maneiras é procurar as informações sobre as empresas, que ações desenvolvem e se suas próprias práticas de gestão são responsáveis", afirma o presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, um dos pioneiros da responsabilidade corporativa no Brasil.

O primeiro ponto que eu gostaria de destacar é justamente o trecho que refere-se à diferenciação entre a empresa "de fato responsável" e a "oportunista" (para usar os termos da matéria, assinada por André Palhano). Tratei deste ponto antes - para ser mais preciso, aqui, quando anotei que o banco HSBC gastou mais com a comunicação e promoção de seu produto "sustentável" do que com o produto em si. Seguindo a linha de raciocínio do jornalista André Palhano, pode-se concluir que o HSBC foi oportunista e não tem, na verdade, grande interesse pelo assunto - apenas tenta aproveitar um modismo.
Complementarmente, outros posts anteriores também tratam de temas correlatos: aqui e aqui.

Na seqüência, é importante apontar um erro gravíssimo na declaração do secretário executivo do GIFE. Ele diz que o horizonte da ação de marketing é de curto prazo, pontual, enquanto a de responsabilidade socioambiental é de longo prazo. Quando se "cola" a visão social aos projetos de marketing, pode se estar encurtando a visão das empresas em relação aos conceitos de sustentabilidade.

Nada mais errado !!

Parece que o Sr. Rossetti entende que "marketing" é igual a "propaganda" - um erro conceitual grave, conquanto freqüente.
Mais um auto-intitulado "especialista" que ganha cargo elevado sem preparação para tanto - resultado: está falando bobagem.

E bobagem das grandes!!

O horizonte da ação de marketing pode ser de longo prazo, como muitas empresas vêm demonstrando. Por outro lado, também é possível vislumbrar um horizonte de curto ou médio prazos - tudo depende do tipo de produto, da empresa, das características do mercado-alvo etc.
Basta uma rápida consulta às teorias que tratam do "marketing de relacionamento" para derrubar este deslize do Sr. Rossetti.
Um deslize grave, pois o GIFE é uma entidade bastante respeitada dentro deste tema....
Há empresas que buscam estabelecer um relacionamento de longo prazo com seus clientes, e conseguem, assim, gerar benefícios mútuos. Para ficar apenas num exemplo rápido, cito a Arezzo, cujo relacionamento com os melhores clientes é discutido numa newsletter da Peppers & Rogers, aqui. Recomendo a leitura !!!

Contudo, acho que o texto tangencia o ponto-chave que deve pautar esta discussão: o cliente.
Até que ponto o cliente percebe como VALOR estas ações (sociais, ambientais etc) das empresas ?
Será que o cliente valoriza as tais "ações de responsabilidade social" ?

E aqui eu estou falando de VALOR PERCEBIDO, ok ?!
Não tenho muitas dúvidas de que o consumidor brasileiro, inclusive pelas questões culturais do país, simpatiza com eventual "ajuda" a terceiros - a cordialidade é traço cultural do país muito ligada à solidariedade nos últimos tempos, quando o governo assumiu sua falência ao gerir ações que acabam sendo repassadas a ONGs e outros grupos.
Neste sentido, sugiro uma reflexão mais profunda a partir das "Raízes do Brasil" (veja aqui, aqui e aqui).

Mas esta cordialidade, esta solidariedade são DIFERENTES do valor percebido.
Até que ponto o consumidor está disposto a pagar mais por um produto de uma empresa que tem processos produtivos que não agridem o meio-ambiente ? Até que ponto o fato de uma empresa manter um centro que ajuda crianças carentes vai pesar na decisão do consumidor ?

A Fundação Bradesco é um exemplo de instituição sem fins lucrativos, ligadas a um banco. Pelo (pouco) que conheço, a fundação realiza um trabalho muito bom, elogiável etc.
Lindo !!!
Mas nunca ouvi falar que uma pessoa tenha aberto conta no Bradesco, ao invés de fazê-lo no Itaú ou qualquer outro banco, apenas e tão somente porque o Bradesco mantém a fundação homônima que alfabetiza e educa milhares de crianças.
Ou seja: o "trabalho social" do Bradesco não se configura como valor percebido pelo consumidor.

Assim sendo, não é possível falar em "marketing social", uma vez que assuma-se que o marketing deve orientar-se pelo cliente (conceito por trás da expressão customer driven orientation, ou seja, orientação voltada ao cliente) e, neste caso, o cliente não percebe valor na ação social.

 

14 de setembro de 2007

Deturpando o Marketing

Lamentavelmente, muitas pessoas não sabem o real significado do conceito de marketing.

Trato desta questão logo nas primeiras aulas da disciplina Administração de Marketing I, e percebo, no dia-a-dia, o mesmo problema: alunos do 2o ano de Administração não sabem o que faz, realmente, o Marketing. E, graças à má-utilização do termo "Marketing" pela grande mídia, esta confusão acaba atingindo leigos também.

Escrevi, há alguns anos, um ARTIGO sobre isso, tendo como linha-mestra o tal "Marketing Político". Cada vez que vejo alguém tratando de "marketing político", "marketing bancário" ou "marketing esportivo", ou até "marketing pessoal", tenho urticárias.Os leigos tratam destes temas como se fossem "tipos" de Marketing, sub-divisões.......

Grosso modo, marketing é marketing.
PONTO.

Marketing esportivo é uma terminologia burra, pois não tem rigorosamente NENHUMA diferença em relação ao conceito de Marketing conhecido (e amplamente utilizado) desde a década de 1970 - pelo menos. "Marketing" não muda de conceito apenas em virtude do segmento econômico e/ou área empresarial na qual é aplicado !!!!!
Portanto, os conceitos inerentes ao marketing podem ser aplicados em campanhas políticas, da mesma forma que podem ser aplicados no setor esportivo, no setor de confecções e têxteis, no setor de metalurgia básica, no setor alimentício, no setor de bens duráveis, em indústrias dinâmicas e inovadoras da Economia, em setores tradicionais e antiquados (no sentido de pouco inovadores!) etc. Não é porque estou utilizando os conceitos tradicionais do Marketing num determinado setor que o Marketing muda de nome !!!!!!

Marketing bancário, por exemplo, não existe. Existe, isto sim, a possibilidade de aplicar no setor bancário conceitos de marketing como segmentação, posicionamento de mercado, análise do ambiente concorrencial, estratégias de precificação etc.
Mas todos estes conceitos existem desde "sempre" no conceito de marketing moderno, e valem para qualquer setor, qualquer tipo de organização !!!!!!!

Como se não bastasse esta tremenda confusão sobre os "tipos" de marketing, não se pode ignorar, ainda, a comum, freqüente, e, lastimavelmente, divulgada confusão entre "marketing" e "propaganda".

A Folha de São Paulo estampou ontem, na primeira página do caderno Cotidiano (íntegra AQUI) uma matéria intitulada "Por marketing, PM repete invasão em favela". Alguns dos trechos da reportagem levam o leitor a achar que marketing significa, necessariamente, encenação, enganação, fingimento. Copiando alguns trechos:

Em uma ação de marketing, a Polícia Militar de São Paulo repetiu ontem uma incursão antidrogas em uma favela apenas para que pudesse ser filmada e fotografada pela imprensa. [...]
Diante do lamento de jornalistas de outros órgãos de imprensa, que, recém-chegados, não tinham conseguido registrar as cenas, a assessoria de imprensa do governo José Serra (PSDB) interveio. Com isso, uma nova incursão foi organizada pela PM "para que todos possam fazer boas fotos da operação", como disse a assessora Teresa Cristina Miranda. [...]

Enquanto ocorria a incursão, um helicóptero da PM fazia manobras, chamadas de "desembarque tático", onde nove policiais se revezaram em breves vôos rasantes sobre a favela, descendo a 80 metros dali. Antes de o helicóptero tocar o solo, os policiais saltavam e apontavam suas armas para o horizonte, na direção da favela, em movimentos de combate. Segundos depois, eles recolhiam as armas e caminhavam para uma van que os levava de volta ao ponto de decolagem do helicóptero, a 500 metros da favela, em uma quadra esportiva, para repetir o mesmo sobrevôo e os mesmos movimentos.
A reportagem contou 20 sobrevôos e desembarques naquela área.

Pois bem, sequer pretendo discutir o ridículo que seria uma ação deste tipo, se verdadeira - não vou entrar no mérito da questão, sob a ótica política. Porém, o fato concreto é que milhares de leitores da Folha de São Paulo, após lerem tal matéria, acabarão consolidando uma conceituação pejorativa sobre Marketing, pois o termo foi usado como sinônimo de "enganação".
Não é, infelizmente, a primeira vez que isso acontece - pelo contrário.

Lastimavelmente, é bastante comum.