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4 de setembro de 2013

Microsoft segue ladeira abaixo - e quer arrastar a Nokia junto

Não quero dar uma de "vidente", mas... EU DISSE, EU DISSE!

Comecei a redigir este post há, sei lá, 2 semanas mais ou menos - mas acabei deixando o coitadinho nos rascunhos, e nunca finalizei.

Foi até bom, pois agora sabemos que a Microsoft comprou a Nokia.

Vamos por partes….
Primeiro, o que eu havia começado a redigir, e, ao final, as atualizações.

Em 9 de maio desse ano (AQUI) eu escrevi que a Microsoft estava se afundando cada vez mais, graças a erros estratégicos tanto na linha de produtos para PCs (especialmente o seu carro chefe, o Windows) quanto na linha de softwares para dispositivos móveis.
O noticiário (posterior) mostrou que eu acertei.
Eis algumas das coisas que foram publicadas nos últimos dias:

Microsoft Experiences Its Biggest Drop Of The Century As Shares Fall 12 Percent
Microsoft shares dropped 12.2 percent, representing the biggest single-day drop in over 13 years. On April 24, 2000, shares dropped 15.6 percent — since then, Microsoft has never experienced such a shelling. Yesterday, the company announced disappointed earnings and took a massive $900 million writedown due to unsold Surface RTs.

When the Surface RT was unveiled, many saw it as a potential revenue generator and as a way to finally make a dent in the tablet space. But Windows 8 and Office remain Microsoft’s two most important products. The company likes to share Office 365 and Xbox Live Gold numbers because those subscription services are on the rise. But they are tiny compared to Windows and Office.

Some investors may have suddenly stopped believing in Microsoft’s tablet dreams. That’s why the company is experiencing such a difficult day on the stock market. But the Surface RT writedown is the second writedown in a year. It could indicate that there are serious strategic issues afoot.

The company recently announced a total reorganization dubbed ‘One Microsoft’. It should make the company more efficient if it wants to release hardware products again. While the Xbox is a success, the company doesn’t have any successful tablet, phone or computer in its portfolio. The Surface RT and the Microsoft Kin are far from success stories. Everybody agrees on that today.
Íntegra AQUI.

Mais uma:

As ações da Microsoft caíram cerca de 9% no início das negociações, um dia após a empresa anunciar resultados trimestrais ruins devido à fraca demanda por computadores pessoais e vendas decepcionantes do tablet Surface. A Microsoft teve lucro abaixo do esperado no trimestre, em meio a vendas mais lentas de computadores pessoais que afetaram os negócios do sistema Windows e a gastos inesperados de US$ 900 milhões com estoques de seu tablet Surface RT. Lançado junto com o Windows 8 em outubro para competir como iPad, da Apple, o dispositivo não vendeu bem.

Microsoft surface390

As corretoras Raymond James e Cowen & Co reduziram suas recomendações para os papéis da empresa para “market perform” (performance em média com o mercado) e pelo menos outras cinco cortaram os preços-alvos em até US$ 3. A receita cresceu 10% para US$ 19,9 bilhões de dólares, ajudada pelas vendas do Microsoft Office, mas ficou abaixo das estimativas de analistas de US$ 20,7 bilhões.

“Nós sabemos que temos que fazer melhor, particularmente nos dispositivos móveis”, disse Amy Hood, nova diretora financeira da Microsoft”, em entrevista. “Esta é uma grande razão pela qual nós fizemos mudanças estratégicas organizacionais”. No início desta semana, a Microsoft disse que estava cortando drasticamente os preços do Surface para atrair compradores, reduzindo o valor dos aparelhos no seu inventário.
Íntegra AQUI.

Quem quiser ler mais detalhes sobre os números da empresa poderá encontrá-los AQUI.

O próprio Bill Gates admitiu em fevereiro deste ano que a MS cometeu erros na estratégia de dispositivos móveis (AQUI), mas deixou de lado os (diversos) erros na estratégia global.
Pelos dados disponíveis, apenas o XBox tem sido bem sucedido - o resto dos produtos da Microsoft ou está numa situação estável (Office) ou está com problemas (Windows, Windows phone).
A Microsoft, ao que parece, perdeu a capacidade de inovar. Isso aconteceu há muito tempo.
E, até aqui, nada indica que ela esteja remotamente perto de recuperrar esta importante habilidade no mercado de tecnologia. Aliás, pelo contrário: os erros que ela tem cometido apenas reforçam que o futuro da empresa está seriamente ameaçado.

Finalmente:

Uma questão intrigante ronda a Nokia desde 2010: por que a companhia optou pelo Windows Phone para substituir o Symbian em vez de apostar no Android, como a maioria das rivais? Stephen Elop, CEO da Nokia, explica que, na época, a empresa não via um mercado promissor para o sistema do Google e afirma que nunca se arrependeu da decisão.

"Estou muito satisfeito com nossa escolha. O que nos preocupava, na época, era o risco de que uma fabricante dominasse o Android. Suspeitávamos de quem poderia ser, pelos recursos disponíveis e a integração vertical, e nós respeitamos o fato de que demoramos para fazer a decisão. Muitos outros já estavam neste espaço", afirmou ele em entrevista coletiva.

A empresa que poderia dominar o Android, em questão, é a Samsung, como acabou se confirmando alguns anos depois. "Há hoje muitos bons dispositivos, de diferentes empresas, mas uma empresa, essencialmente, se tornou dominante", ressalta Elop, apontando para a enorme fatia de mercado global que a empresa sul-coreana apresenta, segundo o Guardian.

Ele aponta que o fato de se tornar a maior referência em Windows Phone é um ponto estratégico para a empresa. A empresa passa a ser a principal alternativa após Apple e Samsung/Android, aponta Elop, ressaltando que a abertura desta terceira via abre espaço para negociações com operadoras como a AT&T, que tem se mostrado grande parceira da Nokia nos Estados Unidos.

"Ralph de la Vega, CEO da AT&T, quer negociar com pessoas diferentes para oferecer o maior número de opções. Ele quer uma terceira alternativa. Com isso, nós temos uma abertura com todas as operadoras do mundo, por termos o terceiro ecossistema", diz Elop. "É difícil, porque começamos como 'desafiantes' e precisamos construir a credibilidade, mas com boas parcerias, ganhamos força. Foi a decisão correta", ele completa, apontando que outras empresas que apostam no Android também não estão bem das pernas, como a HTC.

Mesmo acreditando ter tomado a decisão correta, a Nokia ainda vive um momento ruim. A empresa anunciou na última quarta-feira, 17, seus resultados trimestrais e fechou o período com um prejuízo de US$ 150 milhões.
Íntegra AQUI

Um gráfico que circulou nesta semana ajuda a mostrar o tamanho do problema da Microsoft: 

Chart of the day

Pronto, agora vamos avançar no tempo, chegando ao fatídico 3 de Setembro (com grifos meus):

A Microsoft fechou um acordo para comprar a fabricante finlandesa Nokia por um total de 5,44 bilhões de euros (cerca de R$ 17 bilhões). O valor corresponde a 3,49 bilhões de euros pela unidade de aparelhos e serviços da Nokia e 1,65 bilhão de euros pelas patentes em nome da fabricante. De acordo com as empresas, o valor do acordo será pago em dinheiro. A Microsoft afirmou que usará fundos aplicados no exterior para fazer o pagamento. A transação deverá ser concluída no primeiro trimestre de 2014, se aprovada por agências reguladoras e acionistas das empresas.

As operações vendidas à Microsoft geraram 14,9 bilhões de euros em 2012 em receita para a Nokia, metade do faturamento da fabricante de celular.

“Com o compromisso e recursos da Microsoft para levar os aparelhos e serviços da Nokia para frente, agora entendemos o potencial completo do ecossistema do Windows, oferecendo as experiências mais completas para as pessoas em casa, no trabalho e em qualquer lugar”, escreveram em uma carta conjunta o presidente executivo da Microsoft, Steve Ballmer, e o presidente executivo da Nokia, Stephen Elop.

Elop, um ex-executivo da Microsoft que assumiu a presidência da Nokia em 2010, vai assumir a divisão de produtos da Microsoft, que vai assumir equipes da Nokia. Outros executivos da Nokia responsáveis pelas divisões de smartphones e celulares vão manter suas posições e ficarão subordinados a Elop.

Risto Siilasmaa, membro do conselho de administração da Nokia, assume o cargo de presidente executivo interino da fabricante. “Depois de uma avaliação rigorosa de como maximizar o valor para os acionistas, incluindo a consideração por uma variedade de alternativas, acreditamos que essa transação é o melhor caminho para a Nokia e seus acionistas”, disse Siilasmaa, em comunicado divulgado pela Nokia.

A empresa afirmou que depois que a transação for finalizada, pretende focar seus negócios na companhia de infraestrutura de telecomunicações Nokia Siemens Network, em seu serviço de mapas HERE e no desenvolvimento e licenciamento de tecnologias. Cerca de 32 mil funcionários da Nokia, incluindo 4,7 mil na Finlândia, vão passar a fazer parte da fabricante de software.

A Nokia continuará dona da marca, que será licenciada para a Microsoft em uma acordo de 10 anos.

A compra da Nokia pela Microsoft coloca a fabricante do Windows em um mercado que seus tradicionais rivais, Google e Apple, tiveram mais êxito ao longo dos últimos anos. Enquanto a Apple conquistou um mercado com seus iPhones e o Google disseminou seu sistema operacional Android para aparelhos de fabricantes concorrentes, a Microsoft ainda tenta se fortalecer como uma terceira alternativa, com seu sistema Windows Phone.

O Windows Phone tem sido usado principalmente em smartphones da Nokia desde que foi lançado. Em 2011 — já com Elop no comando — as empresas fizeram um acordo para que o sistema da Microsoft fosse o software oficial dos smartphones da finlandesa. No segundo trimestre deste ano, as vendas de celulares com Windows Phone cresceram 77% em um ano, passando de 4,9 milhões de unidades para 8,7 milhões. Mas o crescimento não foi suficiente para expandir a participação do sistema no mercado de smartphones, que ficou com 3,7% do mercado, ante 3,1%. O Android tem quase 80% das vendas, e o iOS, da Apple, 13,2%.

A íntegra da notícia pode ser lida AQUI

No meu texto de Maio, eu encerrei afirmando o seguinte:

Ao que tudo indica, a Microsoft vai continuar em queda livre.
É possível reverter isso? Claro que sim - mas será preciso corrigir os rumos da empresa. Coisa que, até agora, ela parece não ter percebido ainda.

Hoje, alguns meses mais tarde, reafirmo o que escrevi.

Comprar a Nokia não muda os fatos: a Microsoft perdeu o bonde da evolução. E a Nokia também.
A Nokia tinha um sistema operacional que chegou a ocupar 70% dos celulares do mundo inteiro (Symbian), mas desde o lançamento do iPhone/iOS começou a declinar. A Nokia não conseguiu oferecer um sistema substituto ao Symbian quando as pessoas começaram a trocar os celulares "simples" pelos smartphones - se bem que, a rigor, o Symbian funcionava lindamente em smartphones (eu tive um N97 e um E72 da Nokia que eram uma belezura, mas acabaram ficando ultrapassados quando comparados ao iOS).

A Microsoft, por sua vez, ignorou completamente o mercado móvel: o primeiro WindowsPhone (OS) era uma coisa medonha de ruim, e era visto na própria empresa como um produto que foi lançado apenas para não dizerem que a MS não tinha nenhum sistema móvel. Nunca foi dada a devida atenção a este segmento nas decisões estratégicas da Microsoft. A própria empresa colocou-lhe a pecha de "2a linha".

O que a Microsoft fez com o Windows 8 foi mais uma cagada monumental.

Comprar a Nokia corrige os erros da Microsoft?

Não.

O que ela vai fazer? Insistir na estorinha de que o Windows Phone é uma "terceira via" na briga Android X iOS?

Lamento, Microsoft, mas isso não vai colar. Especialmente porque a própria MS ficou rateando com o Windows Phone: a palhaçada com o tablet Surface (2 tipos, um que roda os aplicativos do Windows, e uma outra versão, mais "pobre"… Aquilo criou uma confusão na cabeça do comprador, que afungenta qualquer potencial cliente) e a mesma palhaçada com o Windows 8 (que precisou de um "remendo" devido à alta rejeição das [péssimas] mudanças promovidas na 1a versão)...

Enfim, enquanto a Microsoft continuar cometendo erros grotescos, primários mesmo, ela pode comprar quem quiser - e nada vai mudar seu declínio.

Como gosto de fazer, ficam algumas sugestões de leituras "complementares":
Steve Ballmer's Biggest Mistakes As CEO Of Microsoft
Desafio do sucessor de Ballmer
Post-Ballmer, Microsoft Must Focus on Products to Avoid Extinction
Microsoft perde direito de usar nome SkyDrive
Android Is The New Windows
Microsoft losing money on Surface tablets

 

 

26 de julho de 2013

Construção da marca, empreendedorismo e tecnologia

Depois de ver o vídeo abaixo, lembrei de um texto interessante sobre branding e empreendedorismo.

Primeiro, o vídeo (curtinho):
 

 

 

O texto está AQUI, e trata de construção de marcas em pequenas empresas, empreendimentos que estão começando.

 

Paralelamente, algumas sugestões para o fim de semana:

1) Recomendo a leitura deste artigo AQUI, sobre mobile social networking, bem interessante.

2) O vídeo abaixo é a palestra do Ministro da Economia e Tecnologia da Alemanha na Universidade Stanford, em Maio/2013. Como é bom ver um Ministro que entende do assunto da sua pasta, numa discussão de alto nível!
 

 



9 de maio de 2013

Erros na estratégia da Microsoft estão custando caro

Tão logo a Microsoft anunciou sua "parceria" com a Nokia, eu dei uma de "guru", avaliando que não daria certo.
Fiz o mesmo quando o Windows 8 foi anunciado - na época, aliás, um defensor ferrenho do Windows discutiu comigo pelo twitter, dizendo que o Lumia era um sucesso, que a Microsoft acabaria com o reinado do iPad graças ao Windows 8 para tablets etc…. Alguns trechos dessa "conversa" virtual estão AQUI, AQUI e AQUI. Eu seguia o Ricardo, mas quando ele se revelou esse xiita defensor da Microsoft que se recusava a enxergar a verdade, parei.

Eu afirmei que a linha Lumia com o Windows Phone seria um fiasco. Indiquei matérias que revelavam que a própria MS reconhecia que as vendas estavam muito abaixo do esperado, mas ele dizia que não, que o Lumia era um tremendo sucesso.
Disse o mesmo do Windows 8, que naquela época ainda não estava à venda.

A Microsoft parece completamente perdida, e a matéria abaixo (da coluna Link do Estadão) ilustra bem isso (como de costume, grifos meus):

A mistura de interface de tablet e desktop proposta pelo Windows 8 pode ter empolgado a alguns, mas desagradado a tantos outros. Nesta terça-feira, a Microsoft revelou ao Financial Times  que falhou com seu último sistema operacional e está se preparando para alterar alguns de seus aspectos na próxima atualização.
Para especialistas, a substituição do familiar desktop e das barras de tarefas por uma série de “tijolos” personalizados em tela touchscreen foi uma cartada corajosa, mas que confundiu a muitos usuários de PC — que preferiam uma abordagem mais tradicional.
O chefe de marketing e finanças da Microsoft, Tami Reller, disse em entrevista ao jornal inglês que os “elementos-chave” do sistema operacional sofrerão alterações quando a Microsoft lançar uma atualização do sistema operacional, ainda neste ano.
A empresa também admitiu falha em preparar usuários e vendedores para se reeducarem na nova experiência tablet/PC, além de apontar erros de marketing em pontuar diferenciais e pontos positivos do novo sistema operacional em comparação ao Windows 7.
 
“É muito claro que poderíamos e deveríamos ter feito mais”, disse Reller. Para amenizar o fiasco entre usuários de PC, o executivo afirmou que a satisfação dos consumidores do Windows 8 em dispositivos móveis é forte.
Analistas compararam a estratégia falha ao grande fiasco da New Coke, tentativa de reformulação da famosa bebida Coca-Cola nos anos 1980 – que, pela recepção extremamente negativa dos consumidores, fez a empresa voltar atrás em três meses. “Isto (da Microsoft) é como a New Coke se estendendo por sete meses – só que a Coca-Cola prestou mais atenção”, declarou o analista Richard Doherty ao Financial Times.
 
O Windows 8 foi lançado em outubro do ano passado e foi visto como a grande aposta da Microsoft para concorrer com o sucesso da experiência móvel proporcionada pelo iPad, tablet da Apple.Em novembro, uma pesquisa feita pela empresa de segurança Avast com 350 mil clientes do seu software de antivírus revelou que cerca de 70% dos usuários de Windows não queria atualizar seu software para Windows 8.

Qual foi o erro da Microsoft?
Na verdade, foram vários.

Os mercados nos quais a MS sempre foi dominante estavam passando (a rigor, ainda estão) por mudanças profundas, sendo a principal a transição dos desktops para os notebooks e finalmente para smartphones e tablets.
A MS conseguiu estabelecer seu domínio em softwares como sistema operacional e aplicativos de escritório (Office) na época dos desktops, manteve-se competitiva nos notebooks (e estou incluindo laptops, ultrabooks e quaisquer outros termos semelhantes), mas perdeu o bonde da mobilidade quando surgiram os smartphones e depois os tablets.

A Apple tinha a vantagem de primazia com o iPhone e, depois, com o iPad.
Ela desenhou o que seria a mobilidade, e sempre dominou os aplicativos e sistema operacional (iOS) para os produtos móveis.
O Google largou depois, com o Android, e juntou-se a empresas que tinham know-how, canais de distribuição estabelecidos e estavam em ascensão - o caso mais notório é a Samsung, evidentemente.

E o que fez a Microsoft?
Eu chamei, na época, de ABRAÇO DOS AFOGADOS: ela fez uma parceria com uma empresa que estava em queda livre em todos os aspectos - a Nokia estava perdendo mercado, receita, começava a dar prejuízo e não tinha um novo produto a oferecer.
A MS achava que poderia usar o know-how da Nokia, seus canais de distribuição, seu hardware, e finalmente emplacar seu sistema operacional móvel.

Tanto Microsoft como Nokia continuam se afogando.
E a Microsoft se colocou numa situação ainda pior, pois fez mudanças drásticas no seu carro chefe, o Windows.

Vejam que pitoresco: a Microsoft, durante muitos anos, teve a vantagem da primazia nos PCs, pois quase 100% dos computadores pessoais vendidos no mundo vinham com o Windows - então, o primeiro contato de centenas de milhões de pessoas com um computador aconteceu numa plataforma Windows. Ao fazer a mudança radical no Windows 8, a Microsoft jogou fora essa vantagem!
A Microsoft começou como uma pequena fabricante de um software específico, portanto um produto segmentado (na época, a bem da verdade, era quase um nicho, devido ao tamanho reduzido, haja vista que o mercado de computadores pessoais ainda era inexistente).
Graças ao crescimento da IBM, que passou a oferecer o MS-Dos, a Microsoft começou a introduzir suas inovações, e criou o Windows, Word, Excel etc...
Nos anos 1990, ela tornou-se uma empresa massificada, uma gigante do software, e justamente no período em que os computadores pessoais se espalharam mundialmente.
Mas a parceria com a Nokia significava uma volta ao mercado segmentado. A MS não conseguiu.

Talvez pelo tamanho da empresa - que geralmente implica processos pouco flexíveis, demora na tomada de decisões etc - o fato concreto é que a MS lançou seus sistema operacional móvel tarde demais e, ao mudar radicalmente o Windows, abriu mão da ÚNICA vantagem competitiva que ainda tinha: a familiaridade de milhões de usuários do Windows (XP, Vista, 7).
Hoje em dia, o comprador de um computador (desktop, notebook ou afins) tem mais opções.
Se ele quiser uma mudança radical, ele pode comprar, por exemplo, um MacBook (ou iMac, caso queira um desktop), da Apple, inclusive pelo efeito halo gerado por iPod, iPhone e iPad - o sujeito entra no ecossistema da Apple e tem diversas vantagens.

Ao que tudo indica, a Microsoft vai continuar em queda livre.
É possível reverter isso? Claro que sim - mas será preciso corrigir os rumos da empresa. Coisa que, até agora, ela parece não ter percebido ainda.

Windows8 drop1

Alguns dados interessantes para observar o problema da Microsoft no mercado móvel (smartphones e tablets) podem ser observados AQUI.
Além disso, é importante notar a insatisfação dos acionistas da Nokia, como demonstra esta reportagem AQUI.

27 de junho de 2012

As consequências nefastas da politicagem rastaquera do PT na Petrobras

Já escrevi, algumas vezes, sobre a Petrobras (por exemplo, AQUI, AQUI e AQUI). Mais especificamente, sobre o uso político descarado que o PT sempre fez da Petrobras.
Desta vez, contudo, a coisa é diferente.

A partir de agora, está vindo à tona uma parte das consequências do aparelhamento da empresa pelo PT - que locupletou-se nos quadros de uma empresa com mais de 80 mil empregos disponíveis para sustentar uma corja de incompetentes que deveriam estar presos ou desempregados, e não refastelando-se nos quadros de uma companhia séria - e que precisa manter-se competitiva, num setor econômico marcado por altíssimos investimentos e tempo de maturação e investimentos bastante longo.

Sugiro que o leitor reveja o que eu escrevi AQUI, antes de prosseguir.

Agora, vou transcrever alguns trechos de uma extensa matéria do ValorEconômico da última terça-feira, dia 26/06 (a íntegra, restrita a assinantes, está AQUI). Aproveitando, como é meu costume, destacarei alguns trechos:
Ao detalhar ontem o plano de investimentos de US$ 236,5 bilhões da Petrobras, a presidente da companhia, Graça Foster, apontou que a estatal vinha divulgando metas que sistematicamente descumpria, convivia com falta de planejamento, controles insuficientes e ineficiência operacional. As antigas projeções de produção, consideradas irrealistas pelo mercado e, agora, assumidas pela nova administração, indicou a presidente, contavam com a sorte para serem atingidas.

"Não é possível considerar milagres na hora que tem demanda forte mundialmente e também dentro do Brasil", disse a presidente da Petrobras ao apresentar todas as metas de produção não cumpridas desde 2003.

O discurso ouvido ontem indicou que a companhia costumava adquirir antecipadamente equipamentos de projetos ainda não aprovados em todas as fases. Foi o que Graça deu a entender quando se referiu a diversos projetos da empresa, incluindo refinarias. Procurado, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, secretário de Planejamento da Bahia, disse ao Valor que não ouviu a apresentação de Graça porque estava em uma celebração da independência do Estado e, por isso, não iria comentar.

No quesito atrasos, a refinaria do Nordeste, que está sendo construída em Pernambuco, vai ficar pronta só em novembro de 2014, com três anos de atraso e preço US$ 3,7 bilhões acima do planejado (US$ 13,362 bilhões).

Em certo momento da apresentação de ontem, Graça Foster disse que os atrasos não são uma regra geral nos projetos da Petrobras. "Existem fatos, dados e números que mostram que a grande maioria de nossos projetos, projetos importantes, têm sido concluídos a contento. Existem pontos fora da curva", afirmou a executiva, citando em seguida a refinaria de Pernambuco, da qual a venezuelana PDVSA tem 40% mas está com dificuldades para oferecer garantias ao BNDES.

A autonomia dos novos diretores é mais restrita agora, como fez questão de ressaltar. "O diretor não tem autorização de, por si, decidir fazer investimentos acima daquilo que está previsto para resolver o problema de desempenho do projeto. Evidentemente estou falando dos grandes projetos da companhia, responsáveis pela produção, responsáveis pelo escoamento do petróleo e gás produzidos", afirmou Graça.

A Petrobras vai investir US$ 43,7 bilhões no desenvolvimento da produção de petróleo na área da camada pré-sal entre 2012-2016. O valor responde por 49% dos investimentos previstos na área de desenvolvimento da produção da petroleira no período, de US$ 89,9 bilhões. No total, a área vai receber 131,6 bilhões no Brasil até 2016, o equivalente a 60% do investimento da companhia. A área internacional ficará menor. Com investimentos de US$ 10,7 bilhões, tem várias ativos que poderão ser vendidos. E os investimentos que surgirem terão que ser mais rentáveis do que qualquer projeto no Brasil para serem levados adiante.

Também descumprida, a meta de desinvestimento de ativos da Petrobras, agora de US$ 14,8 bilhões, será executada esse ano, como garantiu o diretor financeiro, Almir Barbassa. Ele citou como exemplo o desbloqueio de R$ 4,5 bilhões em recursos usados como garantias para a Petros. "É tão importante quanto aumentar o preço da gasolina", afirmou Graça Foster. "É como se fosse um projeto de produção de petróleo ou gás natural".
Obviamente, a nova presidente da Petrobras usou seus eufemismos (algo perfeitamente compreensível) para não dizer, com todas as letras, o que já é sabido: o uso político que o PT fez da Petrobras reduziu sigificativamente a capacidade competitiva da empresa.

Neste sentido, acho relevante citar, também, o excelente editorial do Estadão desta quarta-feira (27/06):
Há duas grandes novidades no plano de negócios anunciado pela presidente da Petrobrás, Graça Foster, para o período de 2012 a 2016. Em primeiro lugar, as novas metas e os cronogramas são mais realistas que os apresentados nos planos anteriores. A produção nacional de petróleo, por exemplo, deverá chegar a 2,5 milhões de barris diários em 2015, meio milhão abaixo da previsão adotada até o ano passado. Em segundo lugar, o novo planejamento consagra uma visão crítica dos padrões da administração passada e implantados no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o início da gestão petista, como indicou a presidente da empresa, a Petrobrás jamais conseguiu alcançar as metas fixadas. Mais de uma vez, durante sua exposição, ela mencionou o apoio do “controlador” - isto é, do governo Dilma Rousseff - aos novos critérios.
Uma das condições agora levadas em conta é a convergência dos preços cobrados internamente com os preços internacionais dos combustíveis. Esse ponto foi ressaltado tanto pelo diretor financeiro, Almir Barbassa, quanto pela presidente da estatal. O recém-anunciado aumento dos preços da gasolina (7,8%) e do óleo diesel (3,9%) ficou abaixo do considerado necessário por muitos analistas. A diferença foi mal recebida no mercado de capitais e segunda-feira as ações da empresa caíram mais de 8% na bolsa, queda maior que a de novembro de 2008, no pior momento da crise financeira. Prevaleceu entre os investidores, mais uma vez, a visão de curtíssimo prazo. Se a nova administração agir de acordo com os critérios indicados na apresentação do plano, o crescimento da Petrobrás será mais seguro do que seria com os padrões dos últimos nove anos.

Para realizar os investimentos de US$ 236,5 bilhões previstos no plano de negócios a empresa precisará de preços mais realistas e, portanto, novos aumentos serão necessários, como deixaram claro os diretores da estatal. O compromisso com resultados também foi reforçado. Isso explica a revisão de cronogramas, como o do complexo petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e de outras refinarias.

Pela nova previsão, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, só começará a funcionar em 2014, com atraso de um ano am relação à data prevista no último planejamento. O custo passará de US$ 13,4 bilhões para US$ 17 bilhões. A associação negociada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o colega venezuelano, Hugo Chávez, até agora deu em nada. Nenhum centavo foi pingado pela PDVSA. A presidente Graça Foster mantém, segundo afirmou, a esperança de ver concretizada a participação venezuelana. No entanto, ela mesma descreveu esse projeto como um exemplo a ser analisado para nunca se repetir.

Erros desse tipo só serão evitados, no entanto, se o governo brasileiro abandonar os padrões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele usou a Petrobrás para seus objetivos políticos no Brasil e no exterior. A aliança com o presidente Chávez é parte dessa história, assim como sua reação mansa e cordata quando instalações da empresa foram ocupadas militarmente na Bolívia.

Curiosamente, a nova presidente da Petrobrás defende a política de conteúdo nacional para os equipamentos comprados pela empresa. Essa política, segundo ela, atende às necessidades da empresa. Os riscos, no entanto, são tão evidentes quanto o erro de fazer da Petrobrás, uma das maiores petroleiras do mundo, um instrumento de política industrial. Em março, a presidente Graça Foster declarou-se preocupada com os atrasos na entrega de navios encomendados ao Estaleiro Atlântico Sul e com problemas tecnológicos.
O primeiro navio encomendado a esse estaleiro, o petroleiro João Cândido, foi lançado pelo presidente Lula em maio de 2010. Quase afundou, passou por reformas e só foi entregue dois anos mais tarde. Política industrial baseada em favorecimento e voluntarismo dá nisso. Se reconhecerem esse fato, a presidente Dilma Rousseff e sua amiga Graça Foster talvez consigam se livrar - e livrar o País - de alguns dos piores costumes consagrados no governo anterior, como o aparelhamento da administração, o voluntarismo, o favorecimento a grupos econômicos e a mistificação populista.

O Reinaldo Azevedo teceu alguns comentários sobre este editorial do Estadão (e sobre a situação da Petrobras como um todo), e um deles é este:
Aplauda-se a decisão de Graça Foster de tentar trabalhar com números mais realistas. E a fantasia não era pequena, não! Até o ano passado, estimava-se que a produção diária de petróleo seria de 3 milhões de barris em 2015. Estamos praticamente no segundo semestre de 2012. Essa expectativa foi reduzida em estratosféricos 500 mil barris, quase 20% a menos. Não é uma correção trivial. Esse tipo de coisa, todo mundo sabe, não obedece à lógica do chute, não! Há gente competente para fazer esse tipo de cálculo. Mas não há cálculo que sobreviva à obstinação da má fé política.
Assino embaixo!

Se há alguma pretensão de tornar a Petrobras uma empresa realmente de nível mundial, é preciso reduzir drasticamente (ou, idealmente, eliminar - contudo isso é praticamente impossível, salvo se for privatizada) o uso político rastaquera que o Lulla e seus asseclas do PT sempre fizeram com a pobre Petrobras.

27 de abril de 2012

Invenção da Xerox, a empresa das copiadoras, que acabou sendo copiada

Ironia do destino: a Xerox, empresa que ficou mundialmente famosa como sinônimo de copiadora (ou máquina de "xerox" mesmo) acabou tendo uma de suas maiores invenções copiadas.

Anos depois, a Xerox enfrenta dificuldades. Enquanto isso, MicroSoft e Apple estão entre as maiores (e mais lucrativas) empresas do mundo - especialmente a Apple.

Eis o vídeo interessantíssimo de uma propaganda de 1972, na qual a Xerox apresentava sua visão sobre o futuro do "computador":

Interessante, não?!

Em abril de 2012 (alguns dias atrás!), leio esta matéria no Valor Econômico (íntegra AQUI):

A Xerox registrou lucro líquido de US$ 269 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma queda de 4% na comparação com o mesmo período de 2011. As vendas da empresa de tecnologia apresentaram queda de 5%, também em bases anuais, para US$ 1,59 bilhão. Por outro lado, o faturamento com serviços e aluguéis, no entanto, subiu 4%, a US$ 3,77 bilhões.Logo xerox
Com isso, a receita líquida da companhia ficou quase estável, em US$ 5,50 bilhões, um avanço anual de 1%. No entanto, esses ganhos foram neutralizados também por um crescimento igual dos custos e despesas gerais, que finalizaram o trimestre em US$ 5,19 bilhões.

O balanço do primeiro trimestre mostrou uma redução da eficiência da Xerox. A margem operacional cedeu 0,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2011, até 8,5%.

Para voltar a se expandir, a empresa confirmou que vai continuar investindo no segmento de serviços. “Agora, os serviços representam mais de metade de nossa receita total e vão continuar sendo o motor de crescimento de nossa companhia, enquanto aumentamos nossa oferta de BPO (terceirização de processos de negócios, na sigla em inglês)”, afirmou Ursula Burns, presidente-executiva da Xerox.

No primeiro trimestre deste ano, a receita da companhia com BPO subiu 13%, frente aos mesmos meses de 2011. Enquanto isso, o ITO, que se refere à terceirização em tecnologia da informação manteve-se estável.

E como estão Apple e MicroSoft agora em 2012?!
Apple tornou-se maior do que MicroSoft e Xerox SOMADAS, por exemplo, e tornou-se aquela empresa capaz de influenciar resultados das maiores bolsas de valores do mundo todo:

A forte alta das ações da Apple e os comentários “suaves” (dovish) do presidente do Federal Reserve deram impulso aos mercados de ações e o índice Nasdaq Composite encerrou o pregão com a maior alta do ano.

O índice Dow Jones subiu 0,69% e fechou aos 13.090,723 pontos, enquanto o S&P-500 avançou 1,36% e fechou aos 1.390,69 pontos.

O Nasdaq subiu 2,30% e fechou aos 3.029,63 pontos, impulsionado pela alta de 8,87%, para US$ 610,00, das ações da Apple. Na noite de terça-feira, a gigante do setor de tecnologia anunciou robustos lucros no primeiro trimestre, que foram impulsionados pelas fortes vendas do iPhone e do iPad.

O balanço da Apple ajudou a dissipar os temores de uma potencial desaceleração nas vendas do iPhone e deram impulso as ações do setor de tecnologia nos Estados Unidos e ao redor do mundo.

A alta de hoje foi a maior das ações da Apple desde novembro de 2008 e ajudou a apagar boa parte das perdas acumuladas desde o início do mês. A Apple viu o seu valor de capitalização no mercado disparar quase US$ 50 bilhões hoje, acrescentando no mercado o valor equivalente a uma Hewllet-Packard em apenas uma sessão.

“A máquina da Apple está intacta”, disse Jeff Morris, gerente de carteira e chefe de transações com ações da Standard Life Investments. “De tempos em tempos, o mercado fica preocupado sobre a possibilidade da Apple ficar grande demais para crescer, mas o crescimento da receita, as margens e os lucros parecem ter silenciado” esses temores, acrescentou.

O balanço da Apple deu impulso as ações da Broadcom, uma fornecedora da cadeia de produção do iPhone, que subiram 6,07%. Isso, por sua vez, fez o setor de tecnologia registrar o melhor desempenho no S&P-500, em um dia que todos os 10 setores do índice fecharam em território positivo.

Matéria do Valor Econômico de 25/04/2012, na íntegra AQUI.

Quanto à MicroSoft....

A Microsoft teve uma receita de US$ 17,41 bilhões em seu mais recente trimestre fiscal - o terceiro do ano de 2012, segundo o calendário da companhia. Já o lucro teve uma ligeira retração de 2,3%, ficando em US$ 5,1 bilhões (foram US$ 5,23 bilhões no mesmo período do ano passado).

O resultado satisfez analistas, já que o lucro por ação divulgado pela companhia ficou acima das estimativas compiladas pela Bloomberg: foi de US$ 0,60, contra projeções de US$ 0,57. Às 17h33, as ações da companhia subiam 2,90% nas negociações que acontecem após o fechamento do mercado, o after market.

Das cinco linhas de operação da empresa, apenas a de Entertainment & Devices teve queda nas receitas: 16%, para US$ 1,62 bilhão. De acordo com a companhia, a unidade foi impactada pela desaceleração nas vendas do console Xbox 360. O melhor desempenho ficou com a área de Server and Tools - que vende softwares para os departamentos de tecnologia da informação (TI) das empresas. A receita cresceu 14%, para US$ 1,73 bilhão.

"Com a proximidade do lançamento de novos PCs e tablets equipados com o Windows 8, a chegada da nova versão do Office e uma grande variedade de produtos e serviços para empresas e consumidores residenciais, vamos entregar muita coisa para nossos consumidores ao longo do ano", escreveu Steve Ballmer, executivo-chefe da Microsoft em comunicado.
Extraído do Valor Econômico de 19/04/2012, na íntegra AQUI.


RESUMINDO: A HISTÓRIA PODE SER MUITO CRUEL COM EMPRESAS QUE TÊM BOAS INVENÇÕES MAS FALHAM AO TRANSFORMÁ-LAS EM INOVAÇÕES.

 

22 de junho de 2011

6 aulas de GESTÃO ESTRATÉGICA

Recebi por e-mail de uma aluna, e compartilho, pois vale a pena:

AULA.1.

Um homem está entrando no chuveiro enquanto sua mulher acaba de sair e
está se enxugando. A campainha da porta toca. Depois de alguns segundos
de discussão para ver quem iria atender a porta a mulher desiste, se
enrola na toalha e desce as escadas. Quando ela abre a porta, vê o
vizinho Nestor em pé na soleira. Antes que ela possa dizer qualquer
coisa, Nestor diz: - Eu lhe dou 3.000 reais se você deixar cair esta toalha!
Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a toalha cair e
fica nua. Nestor então entrega a ela os 3.000 reais prometidos e vai embora.
Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo na
toalha e volta para o quarto. Quando ela entra no quarto, o marido grita
do chuveiro: - Quem era? - Era o Nestor, o vizinho da casa ao lado, diz
ela. - Ótimo! Ele lhe deu os 3.000 reais que ele estava me devendo?


Conclusão:
*Se você compartilha informações a tempo, você pode prevenir
exposições desnecessárias
*

 

AULA.2.


Um padre está dirigindo por uma estrada quando um vê uma freira em pé
no acostamento. Ele para e oferece uma carona que a freira aceita. Ela
entra no carro, cruza as pernas revelando suas lindas pernas. O padre se
descontrola e quase bate com o carro. Depois de conseguir controlar o
carro e evitar acidente ele não resiste e coloca a mão na perna da
freira. A freira olha para ele e diz: - Padre, lembre-se do Salmo 129! O
padre sem graça se desculpa: - Desculpe Irmã, a carne é fraca... E tira
a mão da perna da freira. Mais uma vez a freira diz: - Padre, lembre-se
do Salmo 129! Chegando ao seu destino a freira agradece e, com um
sorriso enigmático, desce do carro e entra no convento. Assim que chega à
igreja o padre corre para as Escrituras para ler o Salmo 129, que diz: '
Vá em frente, persista, mais acima encontrarás a glória do paraíso'.


Conclusão:
*Se você não está bem informado sobre o seu trabalho, você
pode perder excelentes oportunidades*



AULA.3.


Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e na rua
encontram uma antiga lâmpada a óleo. Eles esfregam a lâmpada e de dentro
dela sai um gênio. O gênio diz: - Eu só posso conceder três desejos,
então, concederei um a cada um de vocês! - Eu primeiro, eu primeiro.
' grita um dos funcionários. .. Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um
barco, sem ter nenhuma preocupação na vida '... Pufff e ele foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido: - Eu quero estar
no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pina
coladas! Puff, e ele se foi. - Agora você - diz o gênio para o gerente.
- Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do almoço
para uma reunião!


Conclusão:
*Deixe sempre o seu chefe falar primeiro*.


AULA.4.


Na África todas as manhãs o veadinho acorda sabendo que deverá
conseguir correr mais do que o leão se quiser se manter vivo. Todas as
manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veadinho se
não quiser morrer de fome.


Conclusão:
*Não faz diferença se você é veadinho ou leão, quando o sol
nascer você tem que começar a correr.*



AULA.5 .


Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um
pequeno coelho vê o corvo e pergunta: - Eu posso sentar como você e não
fazer nada o dia inteiro? O corvo responde: - Claro, porque não? O
coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa
aparece e come o coelho.


Conclusão:
*Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar no topo*.

AULA.6.


Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade, pega um
balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas. No caminho ao passar por
uma lagoa, ouve vozes femininas que provavelmente invadiram suas terras.

Ao se aproximar lentamente, observa várias belas garotas nuas se
banhando na lagoa, quando elas percebem a sua presença, nadam até a
parte mais profunda da lagoa e gritam: - Nós não vamos sair daqui
enquanto você não deixar de nos espiar e for embora. O fazendeiro
responde: - Eu não vim aqui para espiar vocês, eu só vim alimentar os jacarés!


Conclusão:
*A criatividade é o que faz a diferença na hora de
atingirmos nossos objetivos mais rapidamente*.

18 de fevereiro de 2009

Jim Collins: o cara sumiu ?

Primeiro, a notícia (do Valor Econômico):
No âmbito do plano do governo Obama de continuar dando suporte para o mercado de crédito, em especial para o segmento imobiliário, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje que vai elevar de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões o volume máximo de recursos que poderá alocar nas agências de refinanciamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.
De acordo com comunicado publicado no site do órgão, o Tesouro vai disponibilizar até US$ 200 bilhões para cada uma duas das gigantes, que foram responsáveis, em conjunto, por garantir o financiamento de cerca de 75% dos pedidos de hipotecas americanas no ano passado.
Desde de julho do ano passado o dinheiro tem sido alocado conforme o necessário nas empresas, com o objetivo de manter o patrimônio líquido positivo, enquanto o governo pede para que as duas ampliem os empréstimos. " O aumento do funding vai permitir aumento da confiança prospectiva para o mercado de hipotecas e possibilitar que Fannie Mae e Freddie Mac continuem com o ambicioso esforço de garantir o pagamento de hipotecas de proprietários responsáveis " , diz o secretário Timothy Geithner.
Ele ressalta que o Tesouro vai continuar também a comprar, no mercado, títulos ligados a hipotecas garantidas pelas empresas, com o intuito de dar liquidez a esses papéis e, ao mesmo tempo, manter os juros baixos para que os mutuários refinanciem suas dívidas em melhores condições.
O Tesouro disse também que vai elevar em US$ 50 bilhões, para US$ 900 bilhões, o total de empréstimos que as duas empresas poderão manter como ativos nos seus balanços, assim como elevar a capacidade de endividamento no mesmo montante.
Ainda para evitar receio no mercado, o governo dos EUA diz que o aumento dos recursos para as empresas " não tem como objetivo indicar uma estimativa de possíveis perdas " dessas empresas, mas assegurar aos participantes do mercado que se reconhece o papel importante que a essas companhias tem no funcionamento do segmento de crédito imobiliário.
Agora, vamos relembrar - com a ajuda de um texto do Thomaz Wood (na íntegra AQUI):
Em 2001, foi publicado o livro Good to Great ("Empresas Feitas para Vencer"). Nele, Jim Collins identificou onze organizações que haviam conseguido passar de boas empresas para grandes empresas, espécimes excepcionais da fauna corporativa. Para o autor, estas onze grandes empresas exibiam traços comuns, relacionados a liderança, gestão de talentos, tomada de decisão, foco e visão. Para convencer as mentes mais exatas, Collins provou que todas elas haviam experimentado quinze anos de desempenho excepcional no mercado de ações.

Agora nos chegam dois estudos, publicados na revista Academy of Management Perspectives, que analisam os métodos e as conclusões de Collins. O primeiro estudo foi conduzido por Bruce G. Resnick e Timothy L. Smunt, da Wake Forest University. O segundo foi conduzido por Bruce Niendorf e Kristine Beck, da Universidade de Wisconsin. A conclusão é contundente, porém não surpreendente. O método usado por Collins não é sustentado por uma análise criteriosa do desempenho das empresas, ou seja, as "11 grandes" não são melhores que seus pares. Vale registrar que no seleto grupo estavam a cadeia Circuit City, concordatária desde novembro de 2008, e a Fannie Mae, uma das protagonistas da crise imobiliária atual.

Eu mesmo já tratara disso, AQUI.

Minha dúvida é bastante simples. Bom, tenho mais de uma:

O Jim Collins sumiu ? Não emitiu nenhum comentário sobre o fiasco da sua previsão ?

Será que ele mudou de idéia com relação ao nível de excelência da Fannie Mae ?


Será que ele vai assumir que errou ?
Vai assumir que sua pesquisa (e, por conseqüência, seu
best-seller) estava furada ?

9 de fevereiro de 2009

Estratégia

Um senhor vivia sozinho em Minnessota.
Ele queria virar a terra de seu jardim para plantar flores, mas era um trabalho muito pesado. Seu único filho, que o ajudava nesta tarefa, estava na prisão.
O homem então escreveu a seguinte carta ao filho:

Querido Filho, estou triste, pois não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não poder fazê-lo, porque sua mãe sempre adorou flores e esta é a época certa para o plantio.
Mas eu estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me ajudar, pois estás na prisão.
Com amor, Seu Pai.

Pouco depois, o pai recebeu o seguinte telegrama:

PELO AMOR DE DEUS, Pai, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi os corpos

Como as correspondências eram monitoradas na prisão, às quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de agentes do FBI e policiais apareceram e cavaram o jardim inteiro, sem encontrar qualquer corpo.

Confuso, o velho escreveu uma carta para o filho contando o que acontecera.

Esta foi à resposta:

Pode plantar seu jardim agora, amado Pai. Isso foi o máximo que eu pude fazer no momento.

MORAL DA HISTÓRIA: Estratégia é tudo!!

Nada como uma boa estratégia para conseguir coisas que parecem impossíveis.

25 de julho de 2008

Competitividade e produtividade na indústria brasileira

O artigo é do Prof. David Kupfer, publicado no Valor Econômico na última quarta-feira, dia 23/07:

Com a recente divulgação pelo IBGE da edição 2006 da Pesquisa Industrial Anual (PIA), a série de informações estruturais sobre a indústria brasileira atingiu, enfim, seu décimo ano de cobertura após a quebra do encadeamento com os dados anteriores, causada pela profunda revisão metodológica introduzida em 1996.

Com isso, pela primeira vez desde a estabilização monetária de 1994, pode-se observar a trajetória da indústria brasileira na perspectiva temporal de uma década, intervalo que os economistas concordam em estabelecer como mínimo para propiciar análises estruturais mais robustas. Ainda que baseada em alguns poucos indicadores agregados, pois mais não caberia no curto espaço dessa coluna, uma primeira exploração dos novos números da PIA mostra um leque de transformações experimentadas pela indústria brasileira, algumas já amplamente percebidas, outras nem tanto, todas sugestivas de que esses 10 anos não foram exatamente benevolentes com a atividade industrial no país.

Aplicando-se deflatores setoriais, estimados a partir dos dados do IPA-FGV, para o conjunto da indústria extrativa e de transformação, exclusive petróleo (extração e refino), constata-se que, em relação a 1996, as receitas das empresas industriais em 2006 estavam 32% maiores em termos reais, montante satisfatório se comparado ao obtido na década anterior, mas irrisório se anteposto ao desempenho alcançado por diversos países emergentes.

Um fator que contribuiu para isso foi a evolução muito positiva do comércio exterior: entre 1996 e 2006, a parcela exportada da produção industrial expandiu-se de 15% para 24% da receita das vendas, enquanto a parcela importada manteve-se praticamente constante, na casa dos 15%. Também merece registro o aumento de 32% no pessoal ocupado pela indústria, tendo sido possível reverter a tendência à expulsão de mão-de-obra que caracterizou a indústria na década de 1990. Essa expansão do emprego, porém, não foi acompanhada nem de longe pela folha de salários, que encolheu mais de 20% em termos reais entre 1996 e 2006.
Com isso, a parcela dos salários nas receitas caiu de 14% para 10%, sendo esse resultado um efeito da redução do salário médio real e não do aumento da produtividade, como seria desejável. Também a evolução dos custos das operações industriais foi bastante desfavorável, tendo crescido 47% na década em questão.

Com isso, o peso dos custos de produção (inclusive salários) saiu de 61% do valor das receitas em 1996 para 69% em 2006, certamente contribuindo para o achatamento das margens da atividade industrial. Tudo somado, verifica-se uma indesejável perda de capacidade de geração de renda da indústria, expressa pela redução de 7 pontos percentuais do peso do valor adicionado no valor bruto produzido, de 47,1% em 1996 para somente 40,1% em 2006.


Uma parte da explicação para essas tendências pode ser encontrada nas mudanças ocorridas na composição da atividade industrial no período. No plano regional, houve um significativo avanço da produção industrial fora da região Sudeste, sugerindo que o processo de desconcentração da atividade industrial ganhou algum fôlego. De fato, a participação do Sudeste, medida em termos de geração de valor adicionado industrial, recuou de 68,4% em 1996 para 63,1% em 2006. É importante ter claro que esse crescimento da produção fora do Sudeste refletiu não a transferência de produção originária dessa região, e sim a incorporação de novas atividades relacionadas à expansão das fronteiras agrícola e mineral nas regiões Norte e Nordeste, pouco intensivas em trabalho.

Quando a variável observada é o porte das empresas, é notável o processo de concentração da produção que ocorreu nos dez anos analisados. A parcela do valor adicionado obtida em empresas com mais de 500 empregados chegou à marca de 70% em 2006, ficando apenas 17% com as empresas de médio porte (100 a 499 empregados) e 13% com as pequenas empresas (5 a 99 empregados), ante 62%, 23% e 14,6% em 1996, respectivamente. A perda de densidade do segmento de pequenas e médias empresas é certamente um dos fatores responsáveis pela piora observada nos salários pagos pela indústria.


Mas quando a variável analisada é a composição setorial da produção que as mudanças tornam-se mais nítidas. Nessa composição, os setores produtores de commodities (agronegócios, mineração e metalurgia, química básica, etc.), que formam a base da indústria, expandiram seu peso no valor adicionado total da indústria de 29,2% em 1996 para 36,3% em 2006.

Isso ocorreu em detrimento do miolo da indústria, que reúne as indústrias tradicionais, como alimentos e bebidas, têxtil e confecções, editorial e gráfica, produtos de metal, artefatos plásticos e outros, com forte presença de pequenas ou médias empresas, que simetricamente apresentaram queda da participação de 45% para 37% nesses dez anos. Menos mal que o topo da indústria, que congrega os sistemas produtivos da mecânica e da eletrônica, além de outros setores de conteúdo tecnológico mais elevado, conseguiu se sustentar, mantendo a participação na geração do valor industrial na casa dos 26 a 27%, sugerindo que a transição estrutural em curso no Brasil tampouco pode ser resumida a um processo puro de regressão tecnológica da atividade industrial.


Em 1996, muitos defendiam a tese de que a fase de estabilização da economia estava consolidada e que um período de intensas mudanças estruturais estaria em gestação. A paisagem descortinada pela série de dados da PIA desde então até 2006 revela que não há mudanças estruturais muito visíveis, nem mesmo na linha do horizonte. Se os dados não deixam dúvida de que o tamanho da indústria aumentou no período, são igualmente bastante enfáticos em mostrar que não houve uma melhoria significativa da qualidade dessa indústria, seja na capacidade de gerar valor (salários e lucros), seja na velocidade da evolução da produtividade, seja no alcance do processo de modernização da indústria tradicional, ou seja no efetivo desenvolvimento dos setores de maior intensidade tecnológica.

Esse quadro somente deverá se modificar quando entrar em cena um regime competitivo completamente distinto do que predominou no período analisado, no qual prevaleça um nível de proteção efetiva variável para a indústria, pragmaticamente ajustado de acordo com a capacidade de resposta das empresas e firmemente apoiado em uma taxa de câmbio competitiva e em uma ativa política industrial pró-inovação.

David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade GIC-IE/UFRJ. Escreve mensalmente às quartas-feiras. www.ie.ufrj.br/gic

gic@ie.ufrj.br

22 de julho de 2008

Novas estratégias do Google

A matéria é do Valor Econômico da última sexta, 18/07:

Um serviço gratuito, baseado em anúncios de publicidade on-line. Ao que tudo indica, o modelo de negócios teoricamente simples e que transformou o Google em uma empresa avaliada em US$ 156 bilhões está longe de perder o fôlego. Cada vez mais, os anunciantes têm escoado parte de suas verbas de propaganda para a internet, um meio que, em muitos países, já deixou de ser chamado de "mídia alternativa".

O gigante das buscas, no entanto, sabe muito bem que, com o tamanho que já adquiriu, fica praticamente impossível manter as taxas galopantes de crescimento que registrava no início da década. Hoje, mais que crescer, o Google esforça-se para defender seu mercado - cada vez mais cobiçado por Microsoft e Yahoo - e, paralelamente, avançar sobre o terreno das rivais. Um passo neste caminho acaba de ser dado.

Ontem, a empresa anunciou o início das operações da divisão "Google Enterprise" no país. A unidade, que venderá serviços e produtos somente para empresas, será viabilizada por alianças locais. A principal investida tem a parceria da Spread, que ficará responsável pela venda do chamado "Google Apps Premier", um pacote de sistemas de escritório que inclui ferramentas como editores de texto, planilhas de cálculo e correio eletrônico.

O "Premier" é uma derivação do Google Apps, produto gratuito lançado um ano e meio atrás pelo qual o usuário - em vez de instalar sistemas em seu computador - utiliza tudo pela internet e grava seus arquivos na própria rede (mais especificamente nos servidores do Google). A diferença é que, na versão empresarial, o usuário assina um contrato e passa a ter acesso a recursos como suporte telefônico em português, apoio em integração com sistemas empresariais, garantia anual de 99,9% de disponibilidade de serviço e 25 gigabytes (Gb) de espaço para contas de e-mail (na versão gratuita o limite é de 6 Gb). Pelo pacote, o usuário paga entre US$ 74 e US$ 80 por ano, preço médio cobrado pela companhia nos EUA.

"É muito mais barato que a concorrência", diz Alexandre Hohagen, presidente do Google no Brasil, numa referência indireta ao pacote Office, da Microsoft.

O sucesso do Google no mundo dos programas de escritório, no entanto, está longe de ser óbvio. A despeito de seu poder de fogo e da empatia que detém com seus usuários, a companhia ainda não conseguiu emplacar seus programas oferecidos pela rede, um mercado concentrado nas mãos na Microsoft. De seu lado, a fabricante do Windows tem revidado na área da publicidade on-line, território do Google. No mês passado, a Microsoft lançou um sistema de gerenciamento de publicidade na internet, batizado de Drivepm. Para colocar o produto no mercado, a Microsoft desembolsou US$ 6 bilhões pela empresa aQuantive, sua maior aquisição até hoje. O recurso, além de usar parâmetros básicos de análise, como sexo e idade, avalia o comportamento de compra do usuário, o que permite ao anunciante ou agência publicitária tomar decisões rápidas sobre ofertas e promoções na web.

Na semana passada, foi a vez do Yahoo lançar no país um serviço que avalia a audiência de blogs e sites para, então, vender anúncios. O recurso é resultado de US$ 680 milhões investidos na aquisição total da Right Media, depois de ter adquirido 20% da empresa, em outubro de 2006, por US$ 40 milhões.

O "Google Apps Premier" também não foi tirado da cartola. Segundo José Nilo Martins, gerente da divisão empresarial do buscador, boa parte dos recursos de gestão de e-mail que o pacote passa a oferecer é resultado da aquisição da companhia de segurança Postini, por US$ 625 milhões em dinheiro, realizada um ano atrás.

A empreitada do Google para diversificar sua receita - hoje 97% atrelada à publicidade - não ficará restrita aos programas de escritório. Com apoio da distribuidora Westcon, a companhia também vai vender no país dois equipamentos usados para buscas internas em empresas. O "Google Mini", com preço a partir de US$ 7,5 mil, faz busca e gerenciamento de até 50 mil documentos, enquanto o "Search Appliance", para até 500 mil documentos digitais, tem custo inicial de US$ 70 mil. O Google já vendia este segundo equipamento no país, numa parceria com a distribuidora Mude, mas a aliança terminou antes que o negócio engrenasse. As vendas do Search Appliance - atualmente usado por empresas como Lojas Americanas e Pão de Açúcar - não passaram de uma dúzia de equipamentos. Completa a oferta de produtos uma parceria renovada com a Apontador Maplink, empresa que cuidará da venda de versões profissionais dos programas Google Maps e Earth, que já são usados por companhias como Porto Seguro e Urban Systems.

Ontem, nos Estados Unidos, o Google anunciou que seu lucro líquido cresceu 35% no segundo trimestre de 2008, atingindo US$ 1,25 bilhão. O resultado de peso, no entanto, decepcionou os analistas, que esperavam mais da companhia. As ações, que recuaram 0,4% no horário regular de pregão em Nova York, perdiam 7% após o fechamento do mercado.

1 de julho de 2008

Johnson & Johnson - INOVAÇÃO

Uma entrevista com o CEO da Johnson & Johnson, muito interessante, está na newsletter da Wharton, tratando de liderança e descentralização - tópicos relevantes na questão da inovação necessária à empresa.

É possível, ainda, ASSISTIR a entrevista:



Para quem não anda muito "fluente" no inglês, pode ajudar a TRANSCRIÇÃO da entrevista: AQUI.
Infelizmente, não há "versão em português".....

26 de junho de 2008

Competitividade e produtividade

Artigo do David Kupfer no Valor Econômico de ontem (25/06/2008):

Em meados de 2005, nesse mesmo espaço, escrevi uma coluna chamada "A (Re)descoberta da pólvora", na qual comentava as conclusões registradas no Relatório de Desenvolvimento Humano, então recém-publicado pela Pnud - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
O relatório colocava o Brasil em má situação na comparação com outros países e afirmava que sem um Estado ativo os países atrasados não conseguiriam superar a barreira do subdesenvolvimento. Embora a parte diagnóstica desse relatório tenha provocado forte reação na mídia brasileira, as suas recomendações não causaram maiores impactos, talvez por não ser a ONU uma "porta-voz" muito representativa da ideologia das instituições supranacionais. A pólvora então, mais uma vez redescoberta, não teve muito poder de fogo.

Três anos depois, em um quadro econômico mundial completamente distinto, acaba de chegar ao público o documento final produzido pela Comissão para o Crescimento e Desenvolvimento (CCD). Criada em 2006 pelo Banco Mundial, sob a coordenação de Michael Spence - economista de grande reputação, laureado com o Nobel de 2001 - e formada por outros tantos conceituados economistas de vários países, a CCD teve como objetivo realizar um balanço do estado do conhecimento sobre estratégias e meios de promoção do crescimento sustentável em países em desenvolvimento.
A enorme repercussão do relatório da CCD na imprensa não deve ser atribuída às idéias nele contidas, que também são antigas como a pólvora, mas sim à sua origem, pois vieram do Banco Mundial e, portanto, agora sim, chanceladas por uma das instituições-âncora do Consenso de Washington, que há anos se dedicava a propagar o ideário liberal do Estado mínimo e do mercado máximo.

A CCD concentrou seu foco na idéia de que desenvolvimento econômico deve corresponder a crescimento alto, sustentado e inclusivo: alto significa uma taxa idealmente superior a 7% ou mais ao ano; sustentado significa que esse ritmo de crescimento deve durar décadas; e inclusivo significa que, além da renda, o país deve ser capaz de capturar oportunidades, criar empregos produtivos e assegurar acesso a serviços para os seus cidadãos.
Desde a Segunda Guerra, não mais do que treze países conseguiram crescer um mínimo de 7% ao ano por mais de 25 anos: além do Brasil, Botswana, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coréia do Sul, Malásia, Malta, Omã, Cingapura, Taiwan e Tailândia. Buscando encontrar as similaridades entre esses 13 casos, a CCD conclui que, afora algumas generalidades, elas praticamente inexistem. Literalmente, o relatório afirma que não há uma fórmula geral: estratégias e prioridades são dependentes do contexto e devem ser definidas no nível de cada país.

Não é sem razão que conclusões desse tipo tendem a prevalecer, pois o problema do desenvolvimento tende a ser cada vez mais e não menos complexo, cada vez mais e não menos dependente da trajetória e cada vez mais e não menos local. Para comprovar isso, basta pensar na dimensão estrutural do desenvolvimento e na contribuição que produtividade, competitividade e inovação jogam na sua promoção. Até o início do Século XX, a noção de produtividade era a principal palavra de ordem do desenvolvimento. Produtividade é uma medida de eficiência industrial baseada em fatores naturais. Em vista dos elevados custos de transporte e comunicação, as economias nacionais eram relativamente fechadas, uma vez que gozavam de elevada proteção natural.

Nesse quadro de baixa integração internacional, as dotações de fatores poderiam ser importantes porque, com as dificuldades de comércio, os países não poderiam contar com muito mais do que os recursos produtivos domesticamente disponíveis. Do pós-guerra em diante, a problemática do desenvolvimento passa a incorporar a noção da competitividade.

Diferentemente da produtividade, a competitividade depende de fatores naturais, mas também e crescentemente de fatores construídos. Mais ainda, ela vai além dos preços e pode ser resultado de elementos não-preço, como capacidade de projeto, qualidade, marketing ou diferenciação de produtos. Tudo isso abre espaço para que o desenvolvimento se torne cada vez mais dependente da capacidade de investimento na construção de externalidades produtivas como a infra-estrutura física, o sistema educacional e de formação de mão-de-obra, etc. Mais recentemente, em especial após a reestruturação da economia mundial ocorrida nos anos 80, a variável-chave do desenvolvimento econômico passou a ser a inovação.
Diferentemente da produtividade e da competitividade, a inovação é totalmente construída, dependente que é da existência de instituições organizadoras de um sistema nacional de inovação. Daí a crescente necessidade de políticas nacionais eficazes para superar as dificuldades provocadas pela deficiência de informação, insuficiência dos mercados de capitais, fragilidade das instituições de suporte e outras desvantagens estruturais.

É por essa razão que quando a CCD buscou identificar os elementos capazes de transformar uma fase inicial de aceleração do crescimento em uma efetiva dinâmica de desenvolvimento, isto é, em crescimento alto, sustentável e inclusivo, encontrou na diversificação estrutural e na rápida criação de empregos - enfim, num processo progressivo de mudança estrutural permanente - a chave para essa transição.

Isso nada mais é do que restabelecer as idéias básicas, por exemplo, de Hollis B. Chenery, para quem "crescimento econômico sustentado requer uma transformação da estrutura produtiva compatível, simultaneamente, com a evolução do mercado interno e as oportunidades no comércio internacional" ou de tantos outros economistas do desenvolvimento dos anos 60 ou 70, que produziram um rico acervo de conhecimentos que o próprio Banco Mundial tratou de deixar em hibernação por tantos e tão longos anos.

Por isso, se colocado em perspectiva, tamanho holofote sobre a CCD não pode ser entendido como reflexo do brilho de suas proposições, mas sim como uma caixa de ressonância do problema que levou à sua criação. É óbvio, discutir crescimento e desenvolvimento somente faz sentido quando se entende que os dois temas correspondem a categorias distintas, que não estão automaticamente correlacionadas. O relatório da CCD expressa, ainda que tarde, o reconhecimento pelo status quo de que desenvolvimento é um objetivo em si e assim deve ser encarado pelas nações.

David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ - www.ie.ufrj.br/gic - gic@ie.ufrj.br )

20 de abril de 2008

Vídeos sobre marketing

Alguns vídeos interessantes que achei no YouTube: