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5 de setembro de 2013

Android Kit Kat

Essa foi inusitada - mas não menos interessante:

O Google sempre batizou as diferentes versões do sistema operacional Android com o nome de doces, como Cupcake, Donut, Ice Cream Sandwich e Jelly Bean, seguindo a ordem alfabética. A nova versão do sistema, no entanto, surpreendeu ao adotar pela primeira vez o nome de uma marca conhecida de chocolate. O novo Android 4.4 vai chamar KitKat.

A informação foi confirmada pelo executivo do Google Sundar Pichai em sua página no Twitter. Antes do anúncio oficial, especulava-se que o nome do sistema seria Key Lime Pie. O executivo do Google também divulgou que existem atualmente 1 bilhão de aparelhos que utilizam Android no mercado, um novo recorde para a empresa. Com a parceria, o sistema Android, atualmente líder do mercado, deve ter ainda mais exposição.

O Google já lançou até uma página promocional do novo sistema. Na sede da empresa, em Mountain View, na Califórnia, uma estátua gigante do robô mascote do Android feita com KitKat já pode ser vista em frente ao prédio da equipe responsável pelo sistema operacional. Ainda não há informações sobre os recursos que estarão disponíveis na nova versão do Android nem uma data de lançamento prevista.

A ideia de fazer uma parceria com a Nestlé, responsável por fabricar o chocolate, partiu do próprio Google, segundo a empresa, que afirmou ao site TechCrunch que se trata de uma parceria entre as marcas, sem qualquer pagamento em dinheiro por nenhuma das partes para uso das marcas.

Mais de 50 milhões de barras de KitKat serão lançadas em uma embalagem especial com o robô mascote do sistema, que dará aos clientes a chance de ganhar um tablet Nexus 7 ou créditos na loja de aplicativos Google Play. Uma pequena quantidade de barras de KitKat com o formato de robô também será oferecida como prêmio em mercados selecionados, segundo a Nestlé. A empresa não informa, no entanto, se o Brasil está entre esses mercados. No total, 19 países receberão a edição comemorativa do chocolate.

Fonte: Link/Estadão - íntegra AQUI

Eis aí uma excelente estratégia de marketing!

O Google mantém uma prática que já era adotada (usar nomes de doces, termos populares entre crianças e adolescentes - que tornar-se-ão potenciais consumidores de seu sistema operacional em smartphones, tablets e outros dispositivos ainda a serem inventados), e, portanto, mantém seu branding (e respectivos valores); a Nestlé atrai mais visibilidade para uma de suas marcas mais conhecidas, tendo a chance, inclusive, de revigorar o recall, e associar um produto tradicional/clássico com um sistema operacional de smartphones - ou seja, algo "moderno", "inovador".

Parabéns aos envolvidos - mas eu seguirei comprando apenas o chocolate, pois ainda prefiro o iOS.

Androidkitkat600 

4 de setembro de 2013

Microsoft segue ladeira abaixo - e quer arrastar a Nokia junto

Não quero dar uma de "vidente", mas... EU DISSE, EU DISSE!

Comecei a redigir este post há, sei lá, 2 semanas mais ou menos - mas acabei deixando o coitadinho nos rascunhos, e nunca finalizei.

Foi até bom, pois agora sabemos que a Microsoft comprou a Nokia.

Vamos por partes….
Primeiro, o que eu havia começado a redigir, e, ao final, as atualizações.

Em 9 de maio desse ano (AQUI) eu escrevi que a Microsoft estava se afundando cada vez mais, graças a erros estratégicos tanto na linha de produtos para PCs (especialmente o seu carro chefe, o Windows) quanto na linha de softwares para dispositivos móveis.
O noticiário (posterior) mostrou que eu acertei.
Eis algumas das coisas que foram publicadas nos últimos dias:

Microsoft Experiences Its Biggest Drop Of The Century As Shares Fall 12 Percent
Microsoft shares dropped 12.2 percent, representing the biggest single-day drop in over 13 years. On April 24, 2000, shares dropped 15.6 percent — since then, Microsoft has never experienced such a shelling. Yesterday, the company announced disappointed earnings and took a massive $900 million writedown due to unsold Surface RTs.

When the Surface RT was unveiled, many saw it as a potential revenue generator and as a way to finally make a dent in the tablet space. But Windows 8 and Office remain Microsoft’s two most important products. The company likes to share Office 365 and Xbox Live Gold numbers because those subscription services are on the rise. But they are tiny compared to Windows and Office.

Some investors may have suddenly stopped believing in Microsoft’s tablet dreams. That’s why the company is experiencing such a difficult day on the stock market. But the Surface RT writedown is the second writedown in a year. It could indicate that there are serious strategic issues afoot.

The company recently announced a total reorganization dubbed ‘One Microsoft’. It should make the company more efficient if it wants to release hardware products again. While the Xbox is a success, the company doesn’t have any successful tablet, phone or computer in its portfolio. The Surface RT and the Microsoft Kin are far from success stories. Everybody agrees on that today.
Íntegra AQUI.

Mais uma:

As ações da Microsoft caíram cerca de 9% no início das negociações, um dia após a empresa anunciar resultados trimestrais ruins devido à fraca demanda por computadores pessoais e vendas decepcionantes do tablet Surface. A Microsoft teve lucro abaixo do esperado no trimestre, em meio a vendas mais lentas de computadores pessoais que afetaram os negócios do sistema Windows e a gastos inesperados de US$ 900 milhões com estoques de seu tablet Surface RT. Lançado junto com o Windows 8 em outubro para competir como iPad, da Apple, o dispositivo não vendeu bem.

Microsoft surface390

As corretoras Raymond James e Cowen & Co reduziram suas recomendações para os papéis da empresa para “market perform” (performance em média com o mercado) e pelo menos outras cinco cortaram os preços-alvos em até US$ 3. A receita cresceu 10% para US$ 19,9 bilhões de dólares, ajudada pelas vendas do Microsoft Office, mas ficou abaixo das estimativas de analistas de US$ 20,7 bilhões.

“Nós sabemos que temos que fazer melhor, particularmente nos dispositivos móveis”, disse Amy Hood, nova diretora financeira da Microsoft”, em entrevista. “Esta é uma grande razão pela qual nós fizemos mudanças estratégicas organizacionais”. No início desta semana, a Microsoft disse que estava cortando drasticamente os preços do Surface para atrair compradores, reduzindo o valor dos aparelhos no seu inventário.
Íntegra AQUI.

Quem quiser ler mais detalhes sobre os números da empresa poderá encontrá-los AQUI.

O próprio Bill Gates admitiu em fevereiro deste ano que a MS cometeu erros na estratégia de dispositivos móveis (AQUI), mas deixou de lado os (diversos) erros na estratégia global.
Pelos dados disponíveis, apenas o XBox tem sido bem sucedido - o resto dos produtos da Microsoft ou está numa situação estável (Office) ou está com problemas (Windows, Windows phone).
A Microsoft, ao que parece, perdeu a capacidade de inovar. Isso aconteceu há muito tempo.
E, até aqui, nada indica que ela esteja remotamente perto de recuperrar esta importante habilidade no mercado de tecnologia. Aliás, pelo contrário: os erros que ela tem cometido apenas reforçam que o futuro da empresa está seriamente ameaçado.

Finalmente:

Uma questão intrigante ronda a Nokia desde 2010: por que a companhia optou pelo Windows Phone para substituir o Symbian em vez de apostar no Android, como a maioria das rivais? Stephen Elop, CEO da Nokia, explica que, na época, a empresa não via um mercado promissor para o sistema do Google e afirma que nunca se arrependeu da decisão.

"Estou muito satisfeito com nossa escolha. O que nos preocupava, na época, era o risco de que uma fabricante dominasse o Android. Suspeitávamos de quem poderia ser, pelos recursos disponíveis e a integração vertical, e nós respeitamos o fato de que demoramos para fazer a decisão. Muitos outros já estavam neste espaço", afirmou ele em entrevista coletiva.

A empresa que poderia dominar o Android, em questão, é a Samsung, como acabou se confirmando alguns anos depois. "Há hoje muitos bons dispositivos, de diferentes empresas, mas uma empresa, essencialmente, se tornou dominante", ressalta Elop, apontando para a enorme fatia de mercado global que a empresa sul-coreana apresenta, segundo o Guardian.

Ele aponta que o fato de se tornar a maior referência em Windows Phone é um ponto estratégico para a empresa. A empresa passa a ser a principal alternativa após Apple e Samsung/Android, aponta Elop, ressaltando que a abertura desta terceira via abre espaço para negociações com operadoras como a AT&T, que tem se mostrado grande parceira da Nokia nos Estados Unidos.

"Ralph de la Vega, CEO da AT&T, quer negociar com pessoas diferentes para oferecer o maior número de opções. Ele quer uma terceira alternativa. Com isso, nós temos uma abertura com todas as operadoras do mundo, por termos o terceiro ecossistema", diz Elop. "É difícil, porque começamos como 'desafiantes' e precisamos construir a credibilidade, mas com boas parcerias, ganhamos força. Foi a decisão correta", ele completa, apontando que outras empresas que apostam no Android também não estão bem das pernas, como a HTC.

Mesmo acreditando ter tomado a decisão correta, a Nokia ainda vive um momento ruim. A empresa anunciou na última quarta-feira, 17, seus resultados trimestrais e fechou o período com um prejuízo de US$ 150 milhões.
Íntegra AQUI

Um gráfico que circulou nesta semana ajuda a mostrar o tamanho do problema da Microsoft: 

Chart of the day

Pronto, agora vamos avançar no tempo, chegando ao fatídico 3 de Setembro (com grifos meus):

A Microsoft fechou um acordo para comprar a fabricante finlandesa Nokia por um total de 5,44 bilhões de euros (cerca de R$ 17 bilhões). O valor corresponde a 3,49 bilhões de euros pela unidade de aparelhos e serviços da Nokia e 1,65 bilhão de euros pelas patentes em nome da fabricante. De acordo com as empresas, o valor do acordo será pago em dinheiro. A Microsoft afirmou que usará fundos aplicados no exterior para fazer o pagamento. A transação deverá ser concluída no primeiro trimestre de 2014, se aprovada por agências reguladoras e acionistas das empresas.

As operações vendidas à Microsoft geraram 14,9 bilhões de euros em 2012 em receita para a Nokia, metade do faturamento da fabricante de celular.

“Com o compromisso e recursos da Microsoft para levar os aparelhos e serviços da Nokia para frente, agora entendemos o potencial completo do ecossistema do Windows, oferecendo as experiências mais completas para as pessoas em casa, no trabalho e em qualquer lugar”, escreveram em uma carta conjunta o presidente executivo da Microsoft, Steve Ballmer, e o presidente executivo da Nokia, Stephen Elop.

Elop, um ex-executivo da Microsoft que assumiu a presidência da Nokia em 2010, vai assumir a divisão de produtos da Microsoft, que vai assumir equipes da Nokia. Outros executivos da Nokia responsáveis pelas divisões de smartphones e celulares vão manter suas posições e ficarão subordinados a Elop.

Risto Siilasmaa, membro do conselho de administração da Nokia, assume o cargo de presidente executivo interino da fabricante. “Depois de uma avaliação rigorosa de como maximizar o valor para os acionistas, incluindo a consideração por uma variedade de alternativas, acreditamos que essa transação é o melhor caminho para a Nokia e seus acionistas”, disse Siilasmaa, em comunicado divulgado pela Nokia.

A empresa afirmou que depois que a transação for finalizada, pretende focar seus negócios na companhia de infraestrutura de telecomunicações Nokia Siemens Network, em seu serviço de mapas HERE e no desenvolvimento e licenciamento de tecnologias. Cerca de 32 mil funcionários da Nokia, incluindo 4,7 mil na Finlândia, vão passar a fazer parte da fabricante de software.

A Nokia continuará dona da marca, que será licenciada para a Microsoft em uma acordo de 10 anos.

A compra da Nokia pela Microsoft coloca a fabricante do Windows em um mercado que seus tradicionais rivais, Google e Apple, tiveram mais êxito ao longo dos últimos anos. Enquanto a Apple conquistou um mercado com seus iPhones e o Google disseminou seu sistema operacional Android para aparelhos de fabricantes concorrentes, a Microsoft ainda tenta se fortalecer como uma terceira alternativa, com seu sistema Windows Phone.

O Windows Phone tem sido usado principalmente em smartphones da Nokia desde que foi lançado. Em 2011 — já com Elop no comando — as empresas fizeram um acordo para que o sistema da Microsoft fosse o software oficial dos smartphones da finlandesa. No segundo trimestre deste ano, as vendas de celulares com Windows Phone cresceram 77% em um ano, passando de 4,9 milhões de unidades para 8,7 milhões. Mas o crescimento não foi suficiente para expandir a participação do sistema no mercado de smartphones, que ficou com 3,7% do mercado, ante 3,1%. O Android tem quase 80% das vendas, e o iOS, da Apple, 13,2%.

A íntegra da notícia pode ser lida AQUI

No meu texto de Maio, eu encerrei afirmando o seguinte:

Ao que tudo indica, a Microsoft vai continuar em queda livre.
É possível reverter isso? Claro que sim - mas será preciso corrigir os rumos da empresa. Coisa que, até agora, ela parece não ter percebido ainda.

Hoje, alguns meses mais tarde, reafirmo o que escrevi.

Comprar a Nokia não muda os fatos: a Microsoft perdeu o bonde da evolução. E a Nokia também.
A Nokia tinha um sistema operacional que chegou a ocupar 70% dos celulares do mundo inteiro (Symbian), mas desde o lançamento do iPhone/iOS começou a declinar. A Nokia não conseguiu oferecer um sistema substituto ao Symbian quando as pessoas começaram a trocar os celulares "simples" pelos smartphones - se bem que, a rigor, o Symbian funcionava lindamente em smartphones (eu tive um N97 e um E72 da Nokia que eram uma belezura, mas acabaram ficando ultrapassados quando comparados ao iOS).

A Microsoft, por sua vez, ignorou completamente o mercado móvel: o primeiro WindowsPhone (OS) era uma coisa medonha de ruim, e era visto na própria empresa como um produto que foi lançado apenas para não dizerem que a MS não tinha nenhum sistema móvel. Nunca foi dada a devida atenção a este segmento nas decisões estratégicas da Microsoft. A própria empresa colocou-lhe a pecha de "2a linha".

O que a Microsoft fez com o Windows 8 foi mais uma cagada monumental.

Comprar a Nokia corrige os erros da Microsoft?

Não.

O que ela vai fazer? Insistir na estorinha de que o Windows Phone é uma "terceira via" na briga Android X iOS?

Lamento, Microsoft, mas isso não vai colar. Especialmente porque a própria MS ficou rateando com o Windows Phone: a palhaçada com o tablet Surface (2 tipos, um que roda os aplicativos do Windows, e uma outra versão, mais "pobre"… Aquilo criou uma confusão na cabeça do comprador, que afungenta qualquer potencial cliente) e a mesma palhaçada com o Windows 8 (que precisou de um "remendo" devido à alta rejeição das [péssimas] mudanças promovidas na 1a versão)...

Enfim, enquanto a Microsoft continuar cometendo erros grotescos, primários mesmo, ela pode comprar quem quiser - e nada vai mudar seu declínio.

Como gosto de fazer, ficam algumas sugestões de leituras "complementares":
Steve Ballmer's Biggest Mistakes As CEO Of Microsoft
Desafio do sucessor de Ballmer
Post-Ballmer, Microsoft Must Focus on Products to Avoid Extinction
Microsoft perde direito de usar nome SkyDrive
Android Is The New Windows
Microsoft losing money on Surface tablets

 

 

26 de julho de 2013

Construção da marca, empreendedorismo e tecnologia

Depois de ver o vídeo abaixo, lembrei de um texto interessante sobre branding e empreendedorismo.

Primeiro, o vídeo (curtinho):
 

 

 

O texto está AQUI, e trata de construção de marcas em pequenas empresas, empreendimentos que estão começando.

 

Paralelamente, algumas sugestões para o fim de semana:

1) Recomendo a leitura deste artigo AQUI, sobre mobile social networking, bem interessante.

2) O vídeo abaixo é a palestra do Ministro da Economia e Tecnologia da Alemanha na Universidade Stanford, em Maio/2013. Como é bom ver um Ministro que entende do assunto da sua pasta, numa discussão de alto nível!
 

 



6 de junho de 2013

Petrobras é a empresa com maior endividamento do setor - NO MUNDO

A cada dia vão surgindo mais e mais dados, análises e conclusões sobre os estragos (ainda a serem completamente dimensionados) que o uso político da Petrobras causou na maior empresa do país. O uso político de empresas estatais, especialmente as de grande porte (financeiro), visibilidade e poder, não é novidade. Mas o PT levou a prática a níveis jamais vistos.

A desgraça começou em 2 de janeiro de 2003, quando José Eduardo Dutra assumiu a presidência da Petrobrás (cargo que ocupou até 22 de julho de 2005). Quando se achava que o problema não ficaria pior, Lulla conseguiu piorar tudo, claro: em 21 de julho de 2005, Sérgio Gabrielli foi nomeado presidente da Petrobras, cargo no qual permaneceu até 23 de janeiro de 2012.

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O resultado de tantos anos sob o comando de gente incomPTente, além do uso político da Petrobras, vem aparecendo desde 2011. Em 2013 já está simplesmente impossível esconder a sujeira embaixo do tapete. Eu já escrevi sobre alguns dos problemas da Petrobras aqui no blog. Ver alguns destes posts (com dados relevantes para compreender algumas das afirmações que se seguem) AQUIAQUIAQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Petrobras do lula
Mas hoje leio ESTA matéria da Bloomberg, que joga mais petróleo na fogueira. Destaco, a seguir, alguns trechos (com grifos meus):
Investors in Petroleo Brasileiro SA (PBR), the world’s most indebted oil company, aren’t celebrating Brazil’s biggest-ever crude discovery.
Since regulators doubled estimates for the Libra field to as much as 12 billion barrels on May 23, the state-run company’s shares fell 5.3 percent in New York, the worst performance among 15 peers tracked by Bloomberg. The new estimates make the oil prospect Brazil’s largest as the country prepares to bring in partners to start production. […]
Petrobras’s capital expenditure this year will be $42.9 billion, the most after PetroChina Co. (857) among major oil producers, according to estimates tracked by Bloomberg. Petrobras plans to invest 98 billion reais this year. It is the most indebted publicly-traded oil company at $97 billion, according to data compiled by Bloomberg. […] 
Brazil’s economy has posted growth below analyst forecasts for five straight quarters. The economy expanded 0.55 percent in the first quarter, less than the 0.9 percent median forecast of analysts polled by Bloomberg.
Petrobras was down 0.5 percent in Sao Paulo this year through yesterday, less than the 13 percent drop in Brazil’s benchmark stock index. The Brazilian company, whose rose 0.2 percent to 19.45 reais at 3:59 p.m. today, trades at 7.9 times estimated profit compared with a peer average of 11.78.
Vamos destacar um ponto: no ranking da Forbes, a Petrobras aparece como a 14a maior empresa de petróleo do mundo em termos de produção. Porém, quando o critério é ENDIVIDAMENTO, ela está em PRIMEIRO LUGAR no setor, com absurdos 97 bilhões de dólares.
Foi isso o que o PT fez com a empresa: ENDIVIDAMENTO MOSTRUOSO.

Muita gente vai ver alguns números da Petrobras (faturamento, lucro etc) e vai dizer que a empresa está muito bem porque fatura muito, vende muito etc. Porém, é preciso colocar em perspectiva que o setor de energia (petróleo, gás e outras fontes) é um setor intensivo em capital, em tecnologia e de longo prazo. Trocando em miúdos, não existe empresa pequena nesse mercado, pois os custos de prospectar e extrair petróleo (seja em terra firme, seja em águas profundas) são altíssimos. Porém, o gráfico abaixo dá uma idéia da posição da Petrobras no cenário mundial:
Firefox 12

Vemos ali que, quando se consideram as reservas totais não apenas de petróleo, mas de outras fontes de energia, a Petrobras não parece tão grande, não é? Abaixo, um ranking de uma empresa especializada em empresas de energia e algumas commodities coloca a Patrobras em 18o lugar, conforme a metodologia detalhada AQUI.

Firefox 14

Obviamente ela é uma grande empresa, com lucro de R$ 21,182 bilhões em 2012, porém este resultado é o menor desde 2004. Naquele ano, a Petrobrás reportou lucro de R$ 16,887 bilhões. O resultado de 2012 é também 36,42% menor do que o apurado pela estatal em 2011 (R$ 33,313 bilhões). No quarto trimestre de 2012, a estatal teve um lucro de R$ 7,7 bilhões, cifra 53,4% maior que em igual período de 2011. Já a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 15%, para R$ 11,9 bilhões, no mesmo período.

A receita líquida de outubro a dezembro somou R$ 73,405 bilhões, alta de 12,49% em igual comparação. No acumulado anual, o Ebitda da Petrobrás atingiu R$ 53,439 bilhões, queda de 14,15% em relação a 2011. Já a receita líquida de janeiro a dezembro somou R$ 281,379 bilhões, expansão de 15,24% em igual base comparativa.

A divulgação do pior lucro anual da Petrobrás desde 2004 é uma consequência dos fatores que levaram a estatal a apresentar de abril a junho do ano passado o primeiro prejuízo trimestral desde 1999. Na oportunidade, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhão principalmente em função do resultado negativo registrado pela área de abastecimento. O prejuízo da área responsável pela compra e venda de combustíveis foi de R$ 7,030 bilhões no intervalo.

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Curiosamente, a situação adversa enfrentada pela Petrobrás em 2012 teve origem no aumento da demanda doméstica por seus produtos. A expansão da frota doméstica de veículos leves e a menor competitividade dos preços do etanol resultaram em um aumento da demanda por gasolina. Como a Petrobrás já opera no limite da capacidade de suas refinarias, a oferta interna do combustível é limitada e a estatal foi obrigada a aumentar o volume de gasolina importada. O Brasil também é dependente de diesel de outros países. O problema é que a estatal paga um preço mais alto pelos combustíveis lá fora do que vende aqui dentro e perde com essa diferença.

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A incapacidade gerencial dos cumpanheiros alocados na Petrobras pelo PT é tamanha que a maior empresa do Brasil (por ora) está atrasando pagamento de fornecedores (íntegra AQUI):
A Petrobrás tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada. Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços, disseram fontes à Reuters, observando que a estatal alterou sua política de pagamentos recentemente e vem olhando com mais rigor os contratos.
Com isso, tem demorado mais tempo para liberar os recursos. Em uma espécie de efeito dominó, os prestadores de serviços também atrasam seus compromissos financeiros.
O conjunto de ações desastrosas que o PT impôs à Petrobras não se restringe apenas às perdas financeiras, redução da produção e outros dados facilmente identificáveis no balanço patrimonial; a marca Petrobras também sofreu uma desvalorização sem precedentes.

O New York Times publicou AQUI uma matéria bastante longa sobre os desafios à frente da Petrobras, especialmente com tantos incomPTentes fazendo o possível e o impossível para destrui-la. Recomendo a leitura. Vai aqui um pequeno trecho, que demonstra o nível de destruição do PT na Petrobras de forma claríssima:
Until recently, Petrobras was second in value only to ExxonMobil among publicly traded energy companies. But its fortunes have tumbled to the point that it is now worth less than Colombia’s national oil company. That fall has accentuated an increasingly bitter debate here over President Dilma Rousseff’s attempts to use Petrobras to shield the Brazilian population from the nation’s economic slowdown. 
Além disso, se o leitor quiser ler sobre as recentes concessões de áreas para exploração de petróleo, sugiro este artigo AQUI. É muito auspicioso ver que depois de 5 anos sem fazer absolutamente nada (por pura incomPTência da dupla Lulla+Dilma), a prática foi retomada. Ainda que o discurso oficial seja mentiroso, e omita os verdadeiros fatos, as recentes concessões são boas para o Brasil.

O curioso é que em 2007, uma aluna levantou uma discussão, em sala, sobre a suposta liderança mundial do Brasil em matéria de energia, pois naquele momento estava em ampla evidência o etanol, além de outras fontes de energia que, dizia-se, prometiam uma revolução na matriz energética.
Na época, disse à minha aluna que ela deveria conter a empolgação, pois o Lulla é capaz de estragar qualquer coisa.

Dito e feito!
O Brasil hoje IMPORTA ETANOL dos Estados Unidos!

Porém, está no ar uma capanha publicitária para incentivar o uso do etanol no Brasil:

 

Nem vou perder tempo criticando a campanha ridícula, seja pela forma, seja pelo conteúdo.
O fato é o seguinte: o etanol deixou de ser competitivo, e o governo resolveu que seria necessário gastar dinheiro criando uma enorme campanha (com diversos anúncios de TV, spots de rádio, uso de mídias sociais etc) para tentar ressuscitar o uso. Por quê?

Porque devido à diminuição da produção, o preço aumentou de tal forma que a gasolina passou a ser a escolha da maioria dos donos de carros flex. Com isso, a demanda por gasolina disparou, obrigando a Petrobras a comprar o combustível no mercado internacional - mas o populismo da Dilma e do Lulla, combinado com a incomPTência na economia, fez com que eles usassem a Petrobras para segurar o preço da gasolina sem reajustes (defasado) para não pressionar a inflação (ja em alta).

Hoje, além de importar gasolina e etanol, há campanha publicitária tentando convencer as pessoas a escolher o etanol.

Não é o cúmulo da incomPTência ?!
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9 de maio de 2013

Erros na estratégia da Microsoft estão custando caro

Tão logo a Microsoft anunciou sua "parceria" com a Nokia, eu dei uma de "guru", avaliando que não daria certo.
Fiz o mesmo quando o Windows 8 foi anunciado - na época, aliás, um defensor ferrenho do Windows discutiu comigo pelo twitter, dizendo que o Lumia era um sucesso, que a Microsoft acabaria com o reinado do iPad graças ao Windows 8 para tablets etc…. Alguns trechos dessa "conversa" virtual estão AQUI, AQUI e AQUI. Eu seguia o Ricardo, mas quando ele se revelou esse xiita defensor da Microsoft que se recusava a enxergar a verdade, parei.

Eu afirmei que a linha Lumia com o Windows Phone seria um fiasco. Indiquei matérias que revelavam que a própria MS reconhecia que as vendas estavam muito abaixo do esperado, mas ele dizia que não, que o Lumia era um tremendo sucesso.
Disse o mesmo do Windows 8, que naquela época ainda não estava à venda.

A Microsoft parece completamente perdida, e a matéria abaixo (da coluna Link do Estadão) ilustra bem isso (como de costume, grifos meus):

A mistura de interface de tablet e desktop proposta pelo Windows 8 pode ter empolgado a alguns, mas desagradado a tantos outros. Nesta terça-feira, a Microsoft revelou ao Financial Times  que falhou com seu último sistema operacional e está se preparando para alterar alguns de seus aspectos na próxima atualização.
Para especialistas, a substituição do familiar desktop e das barras de tarefas por uma série de “tijolos” personalizados em tela touchscreen foi uma cartada corajosa, mas que confundiu a muitos usuários de PC — que preferiam uma abordagem mais tradicional.
O chefe de marketing e finanças da Microsoft, Tami Reller, disse em entrevista ao jornal inglês que os “elementos-chave” do sistema operacional sofrerão alterações quando a Microsoft lançar uma atualização do sistema operacional, ainda neste ano.
A empresa também admitiu falha em preparar usuários e vendedores para se reeducarem na nova experiência tablet/PC, além de apontar erros de marketing em pontuar diferenciais e pontos positivos do novo sistema operacional em comparação ao Windows 7.
 
“É muito claro que poderíamos e deveríamos ter feito mais”, disse Reller. Para amenizar o fiasco entre usuários de PC, o executivo afirmou que a satisfação dos consumidores do Windows 8 em dispositivos móveis é forte.
Analistas compararam a estratégia falha ao grande fiasco da New Coke, tentativa de reformulação da famosa bebida Coca-Cola nos anos 1980 – que, pela recepção extremamente negativa dos consumidores, fez a empresa voltar atrás em três meses. “Isto (da Microsoft) é como a New Coke se estendendo por sete meses – só que a Coca-Cola prestou mais atenção”, declarou o analista Richard Doherty ao Financial Times.
 
O Windows 8 foi lançado em outubro do ano passado e foi visto como a grande aposta da Microsoft para concorrer com o sucesso da experiência móvel proporcionada pelo iPad, tablet da Apple.Em novembro, uma pesquisa feita pela empresa de segurança Avast com 350 mil clientes do seu software de antivírus revelou que cerca de 70% dos usuários de Windows não queria atualizar seu software para Windows 8.

Qual foi o erro da Microsoft?
Na verdade, foram vários.

Os mercados nos quais a MS sempre foi dominante estavam passando (a rigor, ainda estão) por mudanças profundas, sendo a principal a transição dos desktops para os notebooks e finalmente para smartphones e tablets.
A MS conseguiu estabelecer seu domínio em softwares como sistema operacional e aplicativos de escritório (Office) na época dos desktops, manteve-se competitiva nos notebooks (e estou incluindo laptops, ultrabooks e quaisquer outros termos semelhantes), mas perdeu o bonde da mobilidade quando surgiram os smartphones e depois os tablets.

A Apple tinha a vantagem de primazia com o iPhone e, depois, com o iPad.
Ela desenhou o que seria a mobilidade, e sempre dominou os aplicativos e sistema operacional (iOS) para os produtos móveis.
O Google largou depois, com o Android, e juntou-se a empresas que tinham know-how, canais de distribuição estabelecidos e estavam em ascensão - o caso mais notório é a Samsung, evidentemente.

E o que fez a Microsoft?
Eu chamei, na época, de ABRAÇO DOS AFOGADOS: ela fez uma parceria com uma empresa que estava em queda livre em todos os aspectos - a Nokia estava perdendo mercado, receita, começava a dar prejuízo e não tinha um novo produto a oferecer.
A MS achava que poderia usar o know-how da Nokia, seus canais de distribuição, seu hardware, e finalmente emplacar seu sistema operacional móvel.

Tanto Microsoft como Nokia continuam se afogando.
E a Microsoft se colocou numa situação ainda pior, pois fez mudanças drásticas no seu carro chefe, o Windows.

Vejam que pitoresco: a Microsoft, durante muitos anos, teve a vantagem da primazia nos PCs, pois quase 100% dos computadores pessoais vendidos no mundo vinham com o Windows - então, o primeiro contato de centenas de milhões de pessoas com um computador aconteceu numa plataforma Windows. Ao fazer a mudança radical no Windows 8, a Microsoft jogou fora essa vantagem!
A Microsoft começou como uma pequena fabricante de um software específico, portanto um produto segmentado (na época, a bem da verdade, era quase um nicho, devido ao tamanho reduzido, haja vista que o mercado de computadores pessoais ainda era inexistente).
Graças ao crescimento da IBM, que passou a oferecer o MS-Dos, a Microsoft começou a introduzir suas inovações, e criou o Windows, Word, Excel etc...
Nos anos 1990, ela tornou-se uma empresa massificada, uma gigante do software, e justamente no período em que os computadores pessoais se espalharam mundialmente.
Mas a parceria com a Nokia significava uma volta ao mercado segmentado. A MS não conseguiu.

Talvez pelo tamanho da empresa - que geralmente implica processos pouco flexíveis, demora na tomada de decisões etc - o fato concreto é que a MS lançou seus sistema operacional móvel tarde demais e, ao mudar radicalmente o Windows, abriu mão da ÚNICA vantagem competitiva que ainda tinha: a familiaridade de milhões de usuários do Windows (XP, Vista, 7).
Hoje em dia, o comprador de um computador (desktop, notebook ou afins) tem mais opções.
Se ele quiser uma mudança radical, ele pode comprar, por exemplo, um MacBook (ou iMac, caso queira um desktop), da Apple, inclusive pelo efeito halo gerado por iPod, iPhone e iPad - o sujeito entra no ecossistema da Apple e tem diversas vantagens.

Ao que tudo indica, a Microsoft vai continuar em queda livre.
É possível reverter isso? Claro que sim - mas será preciso corrigir os rumos da empresa. Coisa que, até agora, ela parece não ter percebido ainda.

Windows8 drop1

Alguns dados interessantes para observar o problema da Microsoft no mercado móvel (smartphones e tablets) podem ser observados AQUI.
Além disso, é importante notar a insatisfação dos acionistas da Nokia, como demonstra esta reportagem AQUI.

1 de maio de 2013

Aplicativos de mensagens: aliados ou inimigos ?

Notícia muito interessante publicada no blog Link do Estadão:

O número de mensagens enviadas por aplicativos como o WhatsApp superou o volume de SMS enviado no ano passado em todo o mundo e deve dobrar até o fim deste ano, diz um estudo divulgado pela consultoria europeia Informa.

Em 2012, foram 19 bilhões de mensagens enviadas por dia por meio desses aplicativos, contra 17,6 bilhões de SMS. O contraste será ainda maior em 2014, quando serão enviados 21 bilhões de SMS contra 50 bilhões de mensagens via apps.

Apesar do crescimento desses aplicativos no mercado, os dados mostram que o volume de SMS vai continuar aumentando. Isso se explica, entre outros motivos, porque os usuários desses apps não deixam de usar SMS para se comunicar, por exemplo, com aqueles que ainda não possuem um smartphone.

A situação para as operadoras de telefonia, no entanto, fica cada vez mais difícil. O IDC divulgou na semana passada que no primeiro trimestre deste ano as vendas de smartphones superaram pela primeira vez a venda dos ”feature phones”, como são chamados os celulares tradicionais. Do total de 418,6 milhões de celulares que saíram das fábricas, 51,6% eram smartphones.

Chama a atenção o fato de que o número de usuários de apps de mensagens é bem inferior ao de usuários de SMS. A Informa estimou que atualmente seis dos mais famosos aplicativos no mercado (WhatsApp, BlackBerry Messenger, Viber, Nimbuzz, iMessage e KakaoTalk) possuem, juntos, 586,3 milhões de usuários, ante 3,5 bilhões de usuários de SMS em 2012.

Os dados sobre o crescimento desses aplicativos se tornam ainda mais assombrosos quando se considera que esses apps chegaram ao mercado há cerca de cinco anos, enquanto o SMS completa 20 anos de existência.

Para a Informa, as operadoras de telefonia móvel precisam tomar medidas rápidas se quiserem conter a diminuição da receita com SMS. Uma saída para elas, segundo a empresa, seria investir em apps de mensagens próprios para concorrer nesse mercado. A Telefônica, por exemplo, lançou no Reino Unido o Tu Go, aplicativo que permite o envio de mensagens e a realização de chamadas telefônicas a partir de uma conexão com a internet.

Trata-se de uma tendência num mercado em plena ascensão: no mundo inteiro, pessoas estão trocando seus celulares antigos pelos modelos conhecidos como "smartphones", os celulares inteligentes - que têm diversos aplicativos variados, e tentam, em maior ou menor grau, substituir um computador com a facilidade de ser móvel, caber no bolso/a.

Enquanto isso, as operadoras de telefonia móvel têm razões de sobra para se preocupar: pacotes de SMS tendem a ser menos procurados, o que afeta a receita das telefônicas.

Elas devem se unir à tendência e fazer parcerias com apps de mensagens, ou devem "brigar" com a tendência?

É preciso considerar o seguinte: os clientes de telefonia celular no Brasil têm péssimas avaliações das operadoras - ligações cortadas, ausência de sinal, lentidão da internet móvel, cobranças erradas etc… Diante de tal grau de insatisfação generalizada, aplicativos que não tenham vínculo com nenhuma operadora teriam uma vantagem competitiva, certo?

Depende.

A matéria cita o serviço lançado pela Telefonica no Reino Unido (Tu Go). Infere-se que a Telefonica avaliou que não poderia ficar de fora do mercado de mensagens via internet - a empresa considera estes aplicativos um complemento (ou talvez EVOLUÇÃO) do tradicional serviço de SMS. Ela passa a ter, assim, 2 fontes de receita: o tradicional SMS e o novo aplicativo do tipo WhatsApp. Desta forma, se o mercado de SMS realmente desaparecer (ou se sofrer uma redução drástica em termos de volume), a empresa garantiria uma outra fonte de receita com um serviço cujo objetivo central satisfaz a mesma necessidade (mensagens instantâneas, via celular).

Por outro lado, considerando-se o grau de insatisfação dos clientes brasileiros, é de se imaginar se as pessoas aceitariam usar um serviço que carregue o nome/marca da Vivo, TIM, Claro ou Oi.
Ora, o sujeito está irritado com a operadora (qualquer que seja) porque a ligação vive caindo, ou nunca tem uma conexão rápida à internet - então, esse  sujeito dificilmente vai acreditar que o aplicativo da sua operadora possa ser muito melhor.

Enquanto as operadoras não obtiverem uma avaliação mais favorável por parte dos clientes, associar sua marca a um aplicativo concorrente do iMessage ou WhatsApp não me parece uma boa idéia - inclusive porque estes aplicativos dependem da disponibilidade de conexão à internet móvel.

 

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21 de agosto de 2012

Tirar as sacolas dos supermercados foi um ERRO ABSURDO

Li, agorinha, esta matéria, que reproduzo na íntegra (publicada originalmente AQUI) e, como de costume, faço grifos:
O vice-presidente de Relações Corporativas do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, classificou como “um erro absurdo” a decisão dos supermercados paulistas de parar de fornecer sacolas plásticas nos caixas. Na avaliação do executivo, a ideia de chamar a atenção do consumidor para o descarte adequado das sacolinhas é importante, entretanto, deveria ter sido melhor estruturada para promover uma mudança de hábito da população. “Quando você quer mudar hábitos de consumo todos os agentes da sociedade precisam sentar e discutir metas de longo prazo”, disse nesta terça-feira (21), durante o Encontro de Sustentabilidade promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.
Hugo Bethlem acredita que a forma como a Associação Paulista de Supermercados (Apas) conduziu o tema foi errada, pois acabou gerando uma agenda negativa para o setor. “Queremos sair dessa agenda negativa, colocando o consumidor a favor do meio ambiente”, afirmou.
No mesmo sentido, o presidente do Lide, o empresário João Dória Jr, lamentou a execução da proposta do fim das sacolas plásticas. “Às vezes uma boa intenção que não é completa representa um passo atrás”, avaliou.
A distribuição de sacolas plásticas gratuitamente voltou a ocorrer no Estado de São Paulo no fim de junho, quando a juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital paulista, determinou a medida, válida a partir do dia 28 de junho e em vigor desde então.
Segundo o executivo do Pão de Açúcar, o grupo está fazendo sacolas sem o nome das redes de supermercados e com mensagens de conscientização do consumo, chamando atenção para o descarte adequado. “As pessoas precisam entender a importância do fim da sacolinha. Vamos oferecer alternativas para isso.”
(Por Último Segundo) varejo, núcleo de estudos do varejo, núcleo de estudos e negócios do varejo
Eu cansei de escrever, neste blog, sobre o caso (basta ver a tag APAS).
Em todas as oportunidades, eu escrevi exatamente isso: a proposta de NÃO oferecer sacolinhas para os clientes é BURRA, HIPÓCRITA e CONTRAPRODUCENTE, sob todos os aspectos possíveis e imaginários.

A medida foi reprovada claramente pelos clientes - e a APAS, com sua visão monopolista, ainda assim segue achando que tem que banir as sacolas, sim. A APAS é tão burra que não percebeu que, se continuar insistindo nessa campanha idiota, vai queimar a imagem de muitos de seus membros (os supermercados).

27 de abril de 2012

Invenção da Xerox, a empresa das copiadoras, que acabou sendo copiada

Ironia do destino: a Xerox, empresa que ficou mundialmente famosa como sinônimo de copiadora (ou máquina de "xerox" mesmo) acabou tendo uma de suas maiores invenções copiadas.

Anos depois, a Xerox enfrenta dificuldades. Enquanto isso, MicroSoft e Apple estão entre as maiores (e mais lucrativas) empresas do mundo - especialmente a Apple.

Eis o vídeo interessantíssimo de uma propaganda de 1972, na qual a Xerox apresentava sua visão sobre o futuro do "computador":

Interessante, não?!

Em abril de 2012 (alguns dias atrás!), leio esta matéria no Valor Econômico (íntegra AQUI):

A Xerox registrou lucro líquido de US$ 269 milhões no primeiro trimestre deste ano, uma queda de 4% na comparação com o mesmo período de 2011. As vendas da empresa de tecnologia apresentaram queda de 5%, também em bases anuais, para US$ 1,59 bilhão. Por outro lado, o faturamento com serviços e aluguéis, no entanto, subiu 4%, a US$ 3,77 bilhões.Logo xerox
Com isso, a receita líquida da companhia ficou quase estável, em US$ 5,50 bilhões, um avanço anual de 1%. No entanto, esses ganhos foram neutralizados também por um crescimento igual dos custos e despesas gerais, que finalizaram o trimestre em US$ 5,19 bilhões.

O balanço do primeiro trimestre mostrou uma redução da eficiência da Xerox. A margem operacional cedeu 0,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2011, até 8,5%.

Para voltar a se expandir, a empresa confirmou que vai continuar investindo no segmento de serviços. “Agora, os serviços representam mais de metade de nossa receita total e vão continuar sendo o motor de crescimento de nossa companhia, enquanto aumentamos nossa oferta de BPO (terceirização de processos de negócios, na sigla em inglês)”, afirmou Ursula Burns, presidente-executiva da Xerox.

No primeiro trimestre deste ano, a receita da companhia com BPO subiu 13%, frente aos mesmos meses de 2011. Enquanto isso, o ITO, que se refere à terceirização em tecnologia da informação manteve-se estável.

E como estão Apple e MicroSoft agora em 2012?!
Apple tornou-se maior do que MicroSoft e Xerox SOMADAS, por exemplo, e tornou-se aquela empresa capaz de influenciar resultados das maiores bolsas de valores do mundo todo:

A forte alta das ações da Apple e os comentários “suaves” (dovish) do presidente do Federal Reserve deram impulso aos mercados de ações e o índice Nasdaq Composite encerrou o pregão com a maior alta do ano.

O índice Dow Jones subiu 0,69% e fechou aos 13.090,723 pontos, enquanto o S&P-500 avançou 1,36% e fechou aos 1.390,69 pontos.

O Nasdaq subiu 2,30% e fechou aos 3.029,63 pontos, impulsionado pela alta de 8,87%, para US$ 610,00, das ações da Apple. Na noite de terça-feira, a gigante do setor de tecnologia anunciou robustos lucros no primeiro trimestre, que foram impulsionados pelas fortes vendas do iPhone e do iPad.

O balanço da Apple ajudou a dissipar os temores de uma potencial desaceleração nas vendas do iPhone e deram impulso as ações do setor de tecnologia nos Estados Unidos e ao redor do mundo.

A alta de hoje foi a maior das ações da Apple desde novembro de 2008 e ajudou a apagar boa parte das perdas acumuladas desde o início do mês. A Apple viu o seu valor de capitalização no mercado disparar quase US$ 50 bilhões hoje, acrescentando no mercado o valor equivalente a uma Hewllet-Packard em apenas uma sessão.

“A máquina da Apple está intacta”, disse Jeff Morris, gerente de carteira e chefe de transações com ações da Standard Life Investments. “De tempos em tempos, o mercado fica preocupado sobre a possibilidade da Apple ficar grande demais para crescer, mas o crescimento da receita, as margens e os lucros parecem ter silenciado” esses temores, acrescentou.

O balanço da Apple deu impulso as ações da Broadcom, uma fornecedora da cadeia de produção do iPhone, que subiram 6,07%. Isso, por sua vez, fez o setor de tecnologia registrar o melhor desempenho no S&P-500, em um dia que todos os 10 setores do índice fecharam em território positivo.

Matéria do Valor Econômico de 25/04/2012, na íntegra AQUI.

Quanto à MicroSoft....

A Microsoft teve uma receita de US$ 17,41 bilhões em seu mais recente trimestre fiscal - o terceiro do ano de 2012, segundo o calendário da companhia. Já o lucro teve uma ligeira retração de 2,3%, ficando em US$ 5,1 bilhões (foram US$ 5,23 bilhões no mesmo período do ano passado).

O resultado satisfez analistas, já que o lucro por ação divulgado pela companhia ficou acima das estimativas compiladas pela Bloomberg: foi de US$ 0,60, contra projeções de US$ 0,57. Às 17h33, as ações da companhia subiam 2,90% nas negociações que acontecem após o fechamento do mercado, o after market.

Das cinco linhas de operação da empresa, apenas a de Entertainment & Devices teve queda nas receitas: 16%, para US$ 1,62 bilhão. De acordo com a companhia, a unidade foi impactada pela desaceleração nas vendas do console Xbox 360. O melhor desempenho ficou com a área de Server and Tools - que vende softwares para os departamentos de tecnologia da informação (TI) das empresas. A receita cresceu 14%, para US$ 1,73 bilhão.

"Com a proximidade do lançamento de novos PCs e tablets equipados com o Windows 8, a chegada da nova versão do Office e uma grande variedade de produtos e serviços para empresas e consumidores residenciais, vamos entregar muita coisa para nossos consumidores ao longo do ano", escreveu Steve Ballmer, executivo-chefe da Microsoft em comunicado.
Extraído do Valor Econômico de 19/04/2012, na íntegra AQUI.


RESUMINDO: A HISTÓRIA PODE SER MUITO CRUEL COM EMPRESAS QUE TÊM BOAS INVENÇÕES MAS FALHAM AO TRANSFORMÁ-LAS EM INOVAÇÕES.

 

15 de abril de 2012

Unificação das marcas Telefonica e Vivo - uma homenagem

A partir de hoje, a marca Telefonica passa a ser substituída pela marca Vivo. Os detalhes podem ser lidos AQUI.

Minha singela homenagem à Telefônica, ops, à Vivo:


15 de junho de 2010

A reputação do Brasil - e a MARCA

O artigo abaixo foi publicado no Valor Econômico de ontem, dia 14/06, e resume brilhantemente o quanto o Lulla prejudica a imagem do país, com sua insistência em se achar a terceira bolacha do pacote (coisa que qualquer um com um pouco de tutano, algum QI e o mínimo de informação já sabe):
Lula prejudica reputação do Brasil

O Brasil pode estar ganhando respeito no front econômico, mas quanto à liderança geopolítica, Lula acaba preservando imagem de país ressentido e com complexo de Terceiro Mundo

Provavelmente não demorou muito depois que fomos expulsos do Jardim do Éden para o Brasil começar a sonhar em se tornar um país sério e um protagonista no cenário mundial. Agora, justo quando parecia que o eterno sonho brasileiro iria se tornar realidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está botando tudo a perder.

O Brasil pode estar ganhando algum respeito no front econômico e monetário, mas quando se trata de liderança geopolítica, Lula está fazendo horas extras para preservar a imagem que o país tem de ressentido e sofrer de complexo de Terceiro Mundo.

O exemplo mais recente de como o Brasil ainda não está pronto para ter um lugar de destaque nos círculos internacionais, foi dado na semana passada quando ele votou contra as sanções ao Iraque no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A Turquia foi a única parceira do Brasil nesse exercício embaraçoso. Mas a Turquia pelo menos pode culpar a complexidade de suas raízes muçulmanas. Lula está prejudicando a reputação do Brasil em nome de sua própria gratificação política.

O Brasil defendeu sua posição na ONU alegando que "as sanções muito provavelmente levarão sofrimento à população do Irã e favorecerão aqueles, nos dois lados, que não querem que o diálogo prevaleça". Não há nada nessa declaração. As sanções não são direcionadas para a população civil, e sim para as ambições nucleares e de proliferação de mísseis do Irã. Quanto ao "diálogo", deveria ser óbvio a esta altura que é preciso um pouco menos de conversa com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Se o Brasil considerava seu voto uma posição de princípios em defesa da justiça, ele logo desistiu disto. Após protestar contra as sanções, ele rapidamente anunciou que vai honrá-las. Isso sugere que o país pode estar tendo um certo reconhecimento da diminuição dos retornos de suas políticas externas lunáticas.

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula é de extrema esquerda, mas ninguém deveria confundí-lo com um bolchevique determinado. Ele é apenas um político esperto que saiu das ruas e adora o poder e as limusines. Como o primeiro presidente brasileiro eleito pelo PT, ele vem tendo que contrabalançar as coisas úteis que aprendeu sobre os mercados e as limitações monetárias com a ideologia de suas bases.

Sua resposta a esse dilema tem sido usar seu Ministério das Relações Exteriores ? onde uma burocracia de inclinações esquerdistas é comandada por um intelectual notoriamente antiamericano e anticapitalista, Celso Amorim ? para polir suas credenciais esquerdistas. Com sua amizade com os "não-alinhados" proporcionando um escudo, ele vem conseguindo manter os ideólogos coletivistas fora da economia.

Mas a reputação do Brasil de líder entre as economias emergentes vem sofrendo muito. Para satisfazer a esquerda, Lula vem sendo solicitado a defender e elevar seus heróis, que são alguns dos maiores violadores dos direitos humanos do planeta.

Uma análise de seus dois mandatos presidenciais revela uma tendência de defender déspotas e desrespeitar democratas. O repressivo governo iraniano é apenas o exemplo mais recente. Há também o apoio incondicional de Lula à ditadura de Cuba e ao presidente da Venezuela Hugo Chávez. Em fevereiro, Cuba deixou o dissidente político Orlando Zapata morrer por causa de uma greve de fome, na mesma semana em que Lula chegou à ilha para se confraternizar com os irmãos Castro. Ao ser perguntado pela imprensa sobre Zapata, Lula comparou sua morte a mais uma entre as muitas pessoas que fizeram greve de fome na história e que o mundo ignorou. Ele obviamente nunca ouviu falar do militante irlandês Bobby Sands.

Lula também mantém-se fiel a Chávez, depois dele ter destruído as instituições democráticas de seu país e colaborado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que atuam no tráfico de drogas. Um Brasil adulto teria usado sua influência para liderar um esforço contra esse terrorismo patrocinado pelo Estado. Mas sob a análise dos custos e benefícios políticos de Lula, as vítimas da violência das FARC não têm importância.

Os hondurenhos não se saíram melhores durante a viagem de Lula pelo poder. O Brasil passou boa parte do ano passado tentando forçar Honduras a reempossar o presidente Manuel Zelaya, mesmo tendo ele sido destituído pelo governo civil por violar a constituição. As medidas brasileiras, inclusive abrigar Zelaya na embaixada brasileira por meses, criaram um sofrimento econômico imenso para os hondurenhos.

Na semana passada, a secretária de Estado americana Hillary Clinton pediu a volta de Honduras para a Organização dos Estados Americanos (OEA), observando que o país realizou eleições e voltou à normalidade. O Brasil foi contra. "O retorno de Honduras à OEA deve ser atrelada e meios específicos que garantam a redemocratização e o estabelecimento de direitos fundamentais", disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Brasil Antonio de Aguiar Patriota. Uma observação ao Brasil: Está se referindo a Cuba?

O Brasil realiza eleições presidenciais em outubro e embora Lula esteja saindo com elevados níveis de popularidade, isso não é garantia de sucesso para a candidata do PT. Portanto, ele agora está agradando sua base partidária dando as mãos a Ahmadinejad e votando contra o Tio Sam.

Será que isso vai funcionar? Muita coisa vai depender se o número de brasileiros que acham que ele está prejudicando a emergente relevância do Brasil vai superar o número daqueles que apoiam a dança de Lula com os déspotas. Conforme alertou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a política de Lula está fazendo o Brasil "mudar de lado", mas não está nem um pouco claro se os brasileiros concordam com isso.

Mary Anastasia O'Grady é editorialista do Wall Street Journal

A mesma articulista do Wall Street Journal já havia publicado outro texto, no qual escrevera que a melhor coisa que o Lulla fez, em todo o seu mandato, foi NADA. Basicamente, ela aponta, mui corretamente, que Lulla apenas manteve TUDO o que FHC havia implantado, e isso foi a razão do seu "sucesso".
Eis um trecho (grifos meus):
President Lula da Silva wins accolades from entrepreneurs like Mr. Batista, but a review of his tenure finds that the best thing he has done as the country's chief executive is nothing. That is to say, he did not undo Mr. Cardoso's monetary and fiscal achievements. Instead he continued to support an anti-inflationary bias by hiring Henrique Meirelles, a former president of Bank of Boston, to replace Mr. Fraga. Yet beyond a bankruptcy-code reform and improvements to insurance legislation, he has done little else.

Este brilhante artigo está disponível AQUI. Infelizmente, o site do WSJ é restrito a assinantes - mas é possível ler o artigo, na íntegra, AQUI.

O que o PT tem feito, em termos de política externa, é ridículo. O mais recente mico foi o caso do Irã, o que levou o Brasil a ficar isolado na votação do Conselho de Segurança da ONU (exceção feita à Turquia), e pode ter consequência não apenas na imagem do país, mas também em sua competitividade internacional - o que pode ser observado nesta matéria do Valor de ontem também:
Uma das possíveis consequências da ação diplomática no Irã poderá ser a retirada do Brasil, pelo Congresso americano, do Sistema Geral de Preferências (SGP), que permite ao país exportar, sem imposto de importação, cerca de US$ 3,5 bilhões por ano aos Estados Unidos. O montante equivale a 17,4% das vendas brasileiras ao mercado americano. O benefício será reavaliado até o fim do ano pelos parlamentares americanos.

Outro efeito possível, a curto prazo, diz respeito ao etanol, produto que o Brasil não consegue exportar em quantidades significativas para os EUA por causa de uma sobretaxa aplicada pelos americanos. Nos próximos meses, provavelmente antes do fim do ano, os congressistas votarão a manutenção ou não da sobretaxa. Principal defensor da liberação do etanol brasileiro, o líder do Partido Republicano na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Richard Lugar, perdeu força entre seus pares para continuar defendendo o Brasil.

"O sentimento no Congresso dos EUA quanto ao Brasil é o de que o país é nosso amigo, mas não nosso aliado", comentou ao Valor um assessor graduado dos republicanos no Congresso. "Isto [a posição brasileira em relação ao Irã] fez com que o Brasil parecesse estar inebriado com a percepção de sua própria grandeza", disse o assessor, quando questionado sobre se a iniciativa brasileira estaria prejudicando a imagem do país no parlamento americano.

"A visão predominante em Washington é a de que o Brasil está fazendo isso [em relação ao Irã] para buscar independência em relação aos EUA e porque já é um poder internacional", revela Kellie Meiman, ex-funcionária do serviço diplomático dos EUA e especialista em Brasil da firma McLarty Associates.

Os congressistas americanos analisam também neste momento modificações na legislação americana para adequá-la à decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) de proibir a concessão de subsídios à produção de algodão, resultado de uma ação movida pelo governo brasileiro. A tendência já era de não cumprir a determinação, o que levará o Brasil a aplicar retaliação, de US$ 268 milhões, contra produtos americanos. Agora, é bem provável que, por causa do mal-estar provocado pelo envolvimento brasileiro na questão iraniana, os parlamentares radicalizem.

"A curto prazo, vamos entrar numa área de turbulência nas relações bilaterais até porque, num assunto totalmente separado, mas que entra nesse quadro, os americanos não estão avançando no cumprimento da decisão da OMC de eliminar os subsídios ao algodão. É possível que o Brasil, com toda razão, venha a impor sanções comerciais contra os EUA, o que, por sua vez, levará o Congresso a retaliar e eventualmente tirar o Brasil do SGP", prevê Roberto Abdenur, que foi embaixador do Brasil em Washington entre 2004 e 2007.

No governo brasileiro, o fim do benefício do SGP, um mecanismo criado no âmbito do Gatt (o acordo que antecedeu a criação da OMC) para favorecer exportações de países pobres, não é visto com preocupação. "É a crônica de uma morte anunciada", ironizou uma fonte oficial, lembrando que, há muitos anos, autoridades americanas ameaçam retirar o Brasil, assim como a Índia, do sistema.

O fim das preferências também parece não preocupar o meio empresarial. No fim de fevereiro, durante videoconferência com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), representantes do USTR, o órgão do governo americano encarregado das negociações comerciais, ameaçaram retirar o Brasil do SGP se o país não cedesse na questão do algodão. Na ocasião, Roberto Giannetti, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade, reagiu com irritação. "Então, podem cancelar", disse o empresário durante a videoconferência.

"Esses produtos vão continuar entrando no mercado americano e vão gerar receita de apenas US$ 70 milhões aos EUA. O consumidor americano é quem vai pagar por isso", explicou Gianetti ao Valor. O dirigente da Fiesp não esconde, no entanto, sua posição crítica à iniciativa brasileira no Irã. "O Brasil está, de certa maneira, desafiando os EUA, criando um clima de hostilidade. É claro que o Congresso americano terá uma atitude azeda nos temas que nos interessam", afirmou. "É importante assinalar que essa posição é exclusiva do governo porque a posição da sociedade brasileira é a de que o Irã representa, sim, uma ameaça."

Na avaliação do governo, no caso do algodão, a vantagem é brasileira, uma vez que, se o Congresso americano não eliminar os subsídios, caberá ao Brasil aplicar retaliações. Na semana passada o Congresso Nacional aprovou medida provisória autorizando o governo a fazer retaliação cruzada, ou seja, impor, por exemplo, punições aos detentores de direitos de propriedade intelectual dos EUA. Há preocupação, no entanto, em relação à sobretaxa do etanol. "Nossa avaliação, de qualquer maneira, é a de que isso não avançaria agora mesmo", ponderou uma fonte.

O impacto da ação brasileira no Irã está sendo mais forte no Congresso. Mesmo desgostoso com o voto do Brasil contra as sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, o governo Obama quer manter o diálogo por acreditar que o Brasil ainda pode ser útil numa futura negociação com Teerã. Por isso, aposta-se que, apesar dos desentendimentos, a relação entre os dois países voltará à normalidade a médio prazo.
"O Brasil continua sendo muito importante para resolver dois problemas centrais: a volta de Honduras à OEA, que até agora não aconteceu porque o Brasil tem conseguido bloqueá-la; e a questão iraniana, que está longe de ser resolvida. É plausível acreditar que, para os EUA, seja útil poder contar com o apoio do Brasil. Hoje, não há espaço para isso, mas, com o novo governo, acredito que haverá", sustenta Matias Spektor, professor da Fundação Getulio Vargas que está, neste momento, trabalhando como pesquisador visitante no Council on Foreign Relations (CFR), o principal centro de estudos internacionais dos EUA.

Para Spektor, essas duas questões criam oportunidades de reaproximação a partir de janeiro de 2011, quando tomará posse o novo presidente brasileiro. Crítico contundente da posição brasileira sobre o Irã, que considera "vexatória", "autista" e "incômoda", o embaixador Roberto Abdenur também aposta no revigoramento das relações.

"Os EUA passaram a ver o Brasil, nos anos recentes, com outros olhos. E isso porque o Brasil, e isso é mérito do Lula, basicamente aplicou uma política econômica que deu solidez, credibilidade e voz ao país, aliada a uma política externa que, inegavelmente, foi muito ativa e criativa. Não acho que o Irã seja uma expressão natural dessa maior projeção do Brasil. É algo totalmente anômalo porque não corresponde aos interesses do país", criticou o embaixador, lembrando que o fracasso das negociações da Alca (a área de livre-comércio das Américas) e da Rodada Doha da OMC não afetou as relações entre os dois países. "Essas coisas [as divergências quanto ao Irã] são administráveis e não acho que descarrilhem a relação bilateral."
Portanto, da próxima vez que você ouvir alguém elogiando a "liderança internacional do Lulla", saia de perto. 

Esta pessoa não sabe diferenciar notoriedade/fama de liderança. É mais ou menos como não saber a diferença entre a fama de ex-BBBs e o talento de uma Fernanda Montenegro.

Ou, pior ainda, é um PTralha - o que significa que além de não saber de nada, mesmo se soubesse continuaria dizendo a mesma bobagem pela simples razão de que não tem nenhum outro discurso.


29 de março de 2008

Tetra-Pak

Segundo informa a revista consumidor Moderno (aqui):
A Tetra Pak revitalizou sua marca com o objetivo de reforçar sua identidade global e o conhecimento sobre o que a empresa faz e o que ela representa. Segundo a empresa, a revitalização dá vida ao slogan “Protege o que é bom”, que atualmente pode ser encontrado em mais de 100 bilhões de embalagens da Tetra Pak ao redor do mundo.
Em janeiro, a Tetra Pak lançou sua nova identidade gráfica, que coloca a promessa “Protege o que é bom” no coração da marca, com uma aparência mais colorida, evidente e revigorada.
A nova identidade da marca foi desenhada para ajudar a diferenciar a empresa e apoiar sua posição em um mercado cada vez mais competitivo. O trabalho da marca foi desenvolvido pela empresa Ogivly Group UK, que conduziu uma revisão global da identidade da marca Tetra Pak.

A empresa, com mais de 50 anos no Brasil (ver aqui), tem uma história interessante. Algumas imagens sobre sua história, aliás, encontram-se AQUI.
Vela e pena ver.

4 de dezembro de 2007

VALE: nova logomarca é plágio

Uma notícia rapidinha, que li na área de negócios do Portal G1 (na íntegra, aqui): a nova logomarca da Companhia Vale do Rio Doce é um plágio descarado de uma marca de calçados de Franca, a Vitelli.
A semelhança entre as marcas é indiscutível. Veja as imagens abaixo:

Coincidência ?
Plágio ?
Azar ?

Não sei.
Mas uma empresa do porte da Vale do Rio Doce deveria ser mais cuidadosa com sua imagem. Nos últimos dias, a empresa investiu em diversas mídias para anunciar o novo "nome" e a respectiva logomarca. Um ponto de partida interessante é o hot-site criado pela empresa, disponível aqui.
A empresa fez, ainda, um filme (aqui), muito bem cuidado, caprichado no visual - mas esta "semelhança" com uma marca já existente "queima o filme". Literalmente.

Trechos do press-release da Vale (na íntegra aqui), que comento na seqüência:
A Vale apresenta hoje, 29 de novembro, sua nova marca e seu novo posicionamento de comunicação. (...) Respaldada pela aquisição da mineradora canadense Inco, que a alçou ao segundo lugar no ranking mundial das mineradoras no ano passado, a empresa pretende, através da nova identidade visual, consolidar sua imagem de empresa brasileira com atuação global, ressaltando sua posição de destaque no cenário internacional.

Com a divulgação de seu posicionamento e valores - a qualidade de seus produtos, a ética, a responsabilidade socioambiental, o esforço para contribuir com o desenvolvimento dos empregados e comunidades onde atua e o compromisso com o desenvolvimento sustentável, a empresa pretende diferenciar-se no mercado da mineração.

O projeto não contempla a mudança de nome da empresa, mas reforça a palavra "Vale", unificando sua utilização em todos os mercados onde atua. A idéia é que todas as unidades de negócios abandonem as expressões "Companhia Vale do Rio Doce", "Rio Doce" ou a sigla CVRD. A decisão levou em conta a brasilidade, a força, a simplicidade e a sonoridade do nome "Vale", que será usado em oito idiomas.
Na comunicação ao público, será ressaltado o fato de que a Vale produz ingredientes essenciais para a vida diária, fornecendo, com sua produção de minério de ferro, a matéria-prima para diversos produtos como computadores, relógios ou fogões. Com isso, a marca Vale estará mais próxima das pessoas.

O novo posicionamento e a nova marca da Vale foram criados pela empresa norte-americana Lippincott Mercer e sua parceira no Brasil, a Cauduro Martino. A Lippincott é líder em design e estratégia de branding e tem entre seus principais clientes Coca-Cola, General Electric, ABN-AMRO, IBM, Motorola e Rede Globo. A Cauduro Martino tem vasta bagagem em implantação de marcas, com clientes como Banco do Brasil, Unimed, TAM e Natura.


A mim, parece que a nova marca é muito bonita, harmoniosa, e consegue, sim, identificar a empresa com o Brasil, além de trazer um "ar" de modernização ao antigo logo. Neste sentido, pois, as "pretensões" divulgadas no press-release me parecem atingidas.

O problema fica, no final das contas, com o fantasma do plágio.

A matéria no Portal G1 traz a informação de que segundo a diretora [de comunicação da Vale, Olinta Cardoso], as semelhanças não vão acarretar qualquer problema para a empresa, uma vez que o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) apenas proíbe que marcas semelhantes sejam usadas somente no mesmo setor. Olinta afirma que existem inclusive outras empresas com o nome Vale no mundo. "Nem o logo nem o nome são exclusividade nossa. Ninguém vai confundir as duas empresas", diz.

Realmente, confundir uma empresa de calçados com uma mineradora, é difícil.
Mas isso nem de longe apaga a má-impressão: parece que as empresas responsáveis pela nova logomarca não fizeram a lição de casa, foram pegas de calças curtas e agora tentam justificar a cagada dizendo que o INPI não impõe restrições legais.

Ok, pode até não haver restrições legais.
Mas "queima o filme" !!