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14 de julho de 2013
Copa das Confederações adianta o fiasco da Copa de 2014 - tudo com dinheiro público
O Corinthians contratou a Accenture para fazer um estudo, COM DINHEIRO DA ODEBRECHT (que está recebendo financiamento estatal), com o intuito de "convencer" os vereadores de SP a apovar o Projeto de Lei 288/2011, que concede isenção fiscal milionária ao Corinthians.
O PL foi aprovado (e eu publique AQUI os nomes de cada um dos vereadores que são responsáveis pela aprovação deste projeto absurdo, ultrajante), o Corinthians e a Odebrecht estão fazendo uma farra com dinheiro público, e pelo que se viu na Copa das Confederações, os dados apresentados no tal estudo da Accenture se mostraram mais furados do que as previsões econômicas do Guido Mantega (grifos meus):
Uma pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que a Copa das Confederações não foi capaz de movimentar o turismo interno, assim como também não atraiu o turista estrangeiro.Segundo o estudo realizado junto a torcedores das seis cidades sede, 85% das pessoas que foram aos estádios moravam no mesmo estado onde estava sendo realizado o evento. Já de acordo com dados da Fifa, apenas 3% dos ingressos foram comprados por torcedores estrangeiros.Na avaliação da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), essa baixa movimentação de turistas teve impactos no comércio, que contava com um provável aumento de demanda. "Uma pesquisa anterior realizada em abril desse ano, mostrou que 83% dos comerciantes acreditavam que a Copa das Confederações iria trazer novas oportunidades de desenvolvimento para os negócios locais. A falta de turistas no evento, aliada aos resultados das manifestações nas ruas frustraram essas expectativas”, afirma o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.
Embora 83% dos varejistas acreditavam que a Copa das Confederações iria trazer novas oportunidades de desenvolvimento para os negócios locais, a pesquisa realizada durante os jogos apontou um cenário diferente: o consumo foi direcionado para o setor de serviços como restaurantes, bares e boates, deixando o segmento varejista a desejar. Os dados mostram que boa parte dos consumidores pretendiam gastar quantias significativas durante o dia do evento com, por exemplo, alimentação (média de R$ 90 por dia), bares e boates (média de R$ 101 por dia). No entanto, praticamente 70% do público que foi aos estádios não colocou a mão no bolso para levar um produto de loja para casa (souvenires, roupas, calçados e artigos esportivos).
"O que é de certa forma natural, já que a maioria desses consumidores eram locais e não ira mesmo gastar com souvenires ou artigos esportivos, comumente comprados em viagens para presentear amigos e familiares”, explica Pellizzaro Junior.De zero a dez, a nota média dada pelos entrevistados para a Copa das Confederações foi sete. Quando perguntados sobre a avaliação de alguns segmentos do evento, o item com o maior percentual de avaliações positivas foram os estádios, com 88% de classificação bom ou ótimo.
Outros quesitos com altos percentuais de avaliações positivas foram hospedagem (58%), comércio em geral (57%), bares e restaurantes (56%) e turismo/cultura/eventos (52%). Já os itens mobilidade urbana (40%), estacionamento (46%), transporte público (48%) e aeroportos (29%) tiveram um maior percentual de avaliações do tipo péssimo ou ruim. Na opinião de Borges, houve uma maior reclamação com aqueles serviços mais relacionados às estruturas de responsabilidade do estado. "Essa insatisfação relacionada às políticas urbanas, econômicas e sociais refletem de certo modo as manifestações vistas nas ruas. Além disso, 70% dos torcedores consideram que os recursos públicos investidos na Copa não foram bem investidos ou fiscalizados", afirma.
Segundo a pesquisa, 85% dos torcedores acham que o investimento pessoal para ir aos estádios foi algo que valeu a pena, mas 62% ainda consideram o Brasil despreparado, de maneira geral, para o evento do ano que vem, a Copa do Mundo. “Ou seja, o público considerou a preparação adequada para um evento teste como a Copa das Confederações, mas ainda falta melhorar para o evento principal, que é em 2014”, explica.(Íntegra da notícia AQUI)
Eu escrevi que este valor era um absurdo, um chute estratosférico, impossível, inviável. Salvas as proporções entre a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, como a própria notícia acima faz, já é possível imaginar o tamanho da decepção que será vista em 2014.
Mas pior do que isso: o governo (incluindo federal, estadual e municipal) está usando BILHÕES de reais de dinheiro público para financiar um evento que trará um retorno pífio. Em suma, o governo está queimando dinheiro. Obviamente, nem preciso dizer que se trata de dinheiro NOSSO, de cada otário que paga impostos, taxas e tarifas no Brasil.
2 de julho de 2012
Lulla ainda vai custar muito mais ao Brasil
O 'custo Lula'
Carlos Alberto Sardenberg, O Globo
Há menos de três anos, em 17 de setembro de 2009, o então presidente Lula apresentou-se triunfante em uma entrevista ao jornal “Valor Econômico”.
Entre outras coisas, contou, sem meias palavras, que a Petrobras não queria construir refinarias e ainda apresentara um plano pífio de investimentos em 2008.
“Convoquei o conselho” da empresa, contou Lula. Resultado: não uma, mas quatro refinarias no plano de investimentos, além de previsões fantásticas para a produção de óleo.
Em 25 de junho último, a Petrobras informa oficialmente aos investidores que, das quatro, apenas uma refinaria, Abreu e Lima, de Pernambuco, continua no plano com data para terminar. E, ainda assim, com atraso, aumento de custo e sem o dinheiro e óleo da PDVSA de Chávez.
Todas as metas de produção foram reduzidas. As anteriores eras “irrealistas”, disse a presidente da companhia, Graça Foster, acrescentando que faria uma revisão de processos e métodos. Entre outros equívocos, revelou que equipamentos eram comprados antes de os projetos estarem prontos e aprovados.
Nada se disse ainda sobre os custos disso tudo para a Petrobras. Graça Foster informou que a refinaria de Pernambuco começará a funcionar em novembro de 2014, com 14 meses de atraso em relação à meta anterior, e custará US$ 17 bilhões, três bi a mais. Na verdade, as metas agora revistas já haviam sido alteradas. O equívoco é muito maior.
Quando anunciada por Lula, a refinaria custaria US$ 4 bilhões e ficaria pronta antes de 2010. Como uma empresa como a Petrobras pode cometer um erro de planejamento desse tamanho? A resposta é simples: a estatal não tinha projeto algum para isso, Lula decidiu, mandou fazer e a diretoria da estatal improvisou umas plantas. Anunciaram e os presidentes fizeram várias inaugurações.
O nome disso é populismo. E custo Lula. Sim, porque o resultado é um prejuízo para os acionistas da Petrobras, do governo e do setor privado, de responsabilidade do ex-presidente e da diretoria que topou a montagem.
Tem mais na conta. Na mesma entrevista, Lula disse que mandou o Banco do Brasil comprar o Votorantim, porque este tinha uma boa carteira de financiamento de carros usados e era preciso incentivar esse setor.
O BB comprou, salvou o Votorantim e engoliu prejuízo de mais de bilhão de reais, pois a inadimplência ultrapassou todos os padrões. Ou seja, um péssimo negócio, conforme muita gente alertava. Mas como o próprio Lula explicou: “Quando fui comprar 50% do Votorantim, tive que me lixar para a especulação.”
Quem escapou de prejuízo maior foi a Vale. Na mesma entrevista, Lula confirmou que estava, digamos, convencendo a Vale a investir em siderúrgicas e fábricas de latas de alumínio.
Quando os jornalistas comentam que a empresa talvez não topasse esses investimentos por causa do custo, Lula argumentou que a empresa privada tem seu primeiro compromisso com o nacionalismo.
A Vale topou muita coisa vinda de Lula, inclusive a troca do presidente da companhia, mas se tivesse feito as siderúrgicas estaria quebrada ou perto disso. Idem para o alumínio, cuja produção exige muita energia elétrica, que continua a mais cara do mundo.
Ou seja, não era momento, nem havia condições de fazer refinarias e siderúrgicas. Os técnicos estavam certos. Lula estava errado. As empresas privadas foram se virando, mas as estatais se curvaram.
Ressalva: o BNDES, apesar das pressões de Brasília, não emprestou dinheiro para a PDVSA colocar na refinaria de Pernambuco. Ponto para seu corpo técnico.
Quantos outros projetos e metas do governo Lula são equivocados? As obras de transposição do Rio São Francisco estão igualmente atrasadas e muito mais caras. O projeto do trem-bala começou custando R$ 10 bilhões e já passa dos 35 bi.
Assim como se fez a revisão dos planos da Petrobras, é urgente uma análise de todas as demais grandes obras. Mas há um outro ponto, político. A presidente Dilma estava no governo Lula, em posições de mando na área da Petrobras. Graça Foster era diretora da estatal. Não é possível imaginar que Graça Foster tenha feito essa incrível autocrítica sem autorização de Dilma.
Ora, será que as duas só tomaram consciência dos problemas agora? Ou sabiam perfeitamente dos erros então cometidos, mas tiveram que calar diante da força e do autoritarismo de Lula? De todo modo, o custo Lula está aparecendo mais cedo do que se imaginava. Inclusive na política.
Carlos Alberto Sardenberg é jornalista. Apresentador na CBN e comentarista na Globo News
Há tempos eu digo isso, e agora os fatos começam a se mostrar. Lulla arruinou o Brasil de uma maneira subterrânea, que não aparecia num primeiro momento. Mas o país vai sofrer por muitos anos em virtude da absurda quantidade de cagadas dele e do PT.
31 de janeiro de 2012
Itaquerão e Allianz Arena
Já vi comparações entre a necessidade de construir estádios no Brasil para receber a Copa-2014 e situações semelhantes em outros países.
Um dos exemplos citados é o Allianz Arena, na Alemanha.
Vamos comparar os dois casos, então?
O ALLIANZ ARENA custou cerca de 300 milhões de Euros (ou 680 milhões de reais, ou seja, MENOS do que o Itaquerão); tem 66 mil lugares; 9.800 vagas de estacionamento; e foi construído através de uma joint-venture entre algumas empresas (FC Bayern Munich, Alpine Bau Deutschland GmbH, Herzog and de Meuron, sendo a HVB Immobilien AG a principal captadora de recursos).
Foi, desde o princípio, uma obra PRIVADA.
Porém, e aí as diferenças tornam-se GRITANTES, em 2001, a população da cidade foi consultada sobre a decisão de ser erguida ou não a nova "arena".
Repito: a população foi consultada!
65% da população da cidade votou favoravelmente à construção do estádio.
Apenas no ano seguinte, após a aprovação da população, e CONCORRÊNCIA ABERTA entre escritórios de design e arquitetura internacionais, é que as obras começaram.
Isso para ficar em apenas um exemplo.
Fácil comparar isso à atual situação do Itaquerão, né?!
30 de janeiro de 2012
Vereadores em SP
Manchete do site do Estadão agora há pouco: Na Câmara de SP, 94% dos vereadores vão tentar a reeleição (matéria completa AQUI).Copio um trechinho:
Após quase dois meses de recesso, os 55 vereadores paulistanos voltam a participar de sessões plenárias a partir desta quarta-feira, 1. E, logo no primeiro dia, a presidência da Casa vai informar sobre um pacote com 35 projetos de parlamentares que deve ser votado nas duas primeiras semanas. A intenção das lideranças é “mostrar trabalho” em ano eleitoral.Eu já publiquei a lista de todos os vereadores que votaram favoravelmente àquela proposta ABSURDA, ESCANDALOSA, de conceder isenção para o Itaquerão - aquele estádio de futebol PRIVADO, que será construído com dinheiro PÚBLICO, aqui e aqui.
O objetivo das 14 lideranças da Casa é votar o máximo de projetos até o final do primeiro semestre. A partir de agosto, com o início da campanha nas ruas, poucos parlamentares devem comparecer às discussões em plenário. Só três dos atuais vereadores não vão concorrer à reeleição no dia 1º de outubro.
O ano de eleições deve tornar a pauta de votação morna, sem propostas polêmicas ou grandes modificações em leis urbanas, como ocorreu no ano passado. Entre os projetos que passaram em 2012 estavam o pacote de R$ 400 milhões em benefícios para a construção do Itaquerão e um alvará provisório de quatro anos para 987 mil comerciantes em situação irregular.
Esta listinha será muito útil.
O pilantra que votou favoravelmente a este projeto não vai receber voto meu NUNCA.
10 de janeiro de 2012
A conivência da mídia com os escândalos brasileiros - o caso da Copa 2014
O jornalista Carlos Brickmann escreveu um artigo sobre as críticas feitas ultimamente em relação à construção do estádio do Corintians em Itaquera. O texto, na íntegra, está AQUI.
Agora posso tecer meus comentários. Aliás, farei os comentários de forma segmentada, discutindo ponto por ponto as afirmações do jornalista (DESTACADAS EM VERMELHO, seguidas pelas minhas observações).
1) O colega conhece alguém que tenha comprado carro à vista? Deve haver, mas o habitual é comprar a prazo, com financiamento por algum banco. Se alguém compra um carro financiado pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Panamericano, está usando dinheiro público? Não: usa um financiamento disponível no mercado, que será pago no prazo previsto e que, aliás, é o negócio do banco. Se não paga, o comprador responde a processo e pode perder o carro.
Em primeiro lugar, sobre este trecho, é importante esclarecer que o BNDES não pode ser comparado aos bancos comerciais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú etc). Independentemente da diferença no que tange ao controle (público ou privado), o BNDES não é um banco comercial, mas um banco de fomento. Isso faz uma diferença enorme!
Tenho certeza de que o jornalista sabe disso, pois é um homem bem informado. Mas não custa repetir: a função do BNDES não é emprestar dinheiro para comprarmos um carro – ou será que o jornalista conhece alguém que financiou seu carro no BNDES? Eu não conheço.
Quem busca o financiamento de um carro, hoje, paga juros extorsivos, e, caso não consiga honrar todas as parcelas, perde o bem (carro) e tudo o que foi pago. O BNDES, devido à sua natureza, tem um escopo de atuação bastante diverso deste. Vejamos o porquê.
O BNDES, por NÃO ser um banco comercial como o Banco do Brasil, Itaú ou CEF, trabalha de forma diferente daquela que geralmente a população média entende como “banco”. O próprio BNDES, em sua página na internet, informa:
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal, é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental. Desde a sua fundação, em 1952, o BNDES se destaca no apoio à agricultura, indústria, infraestrutura e comércio e serviços, oferecendo condições especiais para micro, pequenas e médias empresas. O Banco também vem implementando linhas de investimentos sociais, direcionados para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano. O apoio do BNDES se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços. Além disso, o Banco atua no fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e destina financiamentos não reembolsáveis a projetos que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico.
Art. 6º O capital do BNDES é de R$ 29.557.414.708,31 (vinte e nove bilhões, quinhentos e cinquenta e sete milhões, quatrocentos e quatorze mil, setecentos e oito reais e trinta e um centavos), dividido em seis bilhões, duzentos e setenta e três milhões, setecentas e onze mil, quatrocentas e cinquenta e duas ações nominativas, sem valor nominal. (Redação dada pelo Decreto nº 7.407, de 28.12.2010). (NR)
§ 1º O capital do BNDES poderá ser aumentado, por decreto do Poder Executivo, mediante a capitalização de recursos que a União destinar a esse fim, bem assim da reserva de capital constituída nos termos dos arts. 167 e 182, § 2º, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, mediante deliberação do Conselho de Administração.
§ 2º A totalidade das ações que compõem o capital do BNDES é de propriedade da União.
§ 3º Sobre os recursos transferidos pela União destinados a aumento do capital social incidirão encargos financeiros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a partir do recebimento dos créditos até a data da capitalização.
Art. 7º Constituem recursos do BNDES:
I - os de capital, resultantes da conversão, em espécie, de bens e direitos;
II - as receitas operacionais e patrimoniais;
III - os oriundos de operações de crédito, assim entendidos os provenientes de empréstimos e financiamentos obtidos pela entidade;
IV - as doações de qualquer espécie;
V - as dotações que lhe forem consignadas no orçamento da União;
VI - a remuneração que lhe for devida pela aplicação de recursos originários de fundos especiais instituídos pelo Poder Público e destinados a financiar programas e projetos de desenvolvimento econômico e social;
VII - os resultantes de prestação de serviços.
Art. 8º O BNDES, diretamente ou por intermédio de empresas subsidiárias, agentes financeiros ou outras entidades, exercerá atividades bancárias e realizará operações financeiras de qualquer gênero, relacionadas com suas finalidades, competindo-lhe, particularmente:
I - financiar, nos termos do art. 239, § 1º, da Constituição, programas de desenvolvimento econômico, com os recursos do Programa de Integração Social - PIS, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970;
II - promover a aplicação de recursos vinculados ao Fundo de Participação PIS-PASEP, ao Fundo da Marinha Mercante - FMM e a outros fundos especiais instituídos pelo Poder Público, em conformidade com as normas aplicáveis a cada um; e
III - realizar, na qualidade de Secretaria Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento - FND, as atividades operacionais e os serviços administrativos pertinentes àquela autarquia
§ 1º Nas operações de que trata este artigo e em sua contratação, o BNDES poderá atuar como agente da União, de Estados e de Municípios, assim como de entidades autárquicas, empresas públicas, sociedade de economia mista, fundações públicas e organizações privadas.
§ 2º As operações do BNDES observarão as limitações consignadas em seu orçamento global de recursos e dispêndios.
Sim, caro Carlos Brickmann, trata-se de dinheiro público. O BNDES empresta dinheiro PÚBLICO, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado (e especialmente menores se tomarmos por base as linhas de crédito disponibilizadas pelos bancos comerciais como Banco do Brasil, Panamericano, Bradesco, Santander, HSBC etc), mas isso tem uma razão: o BNDES apoia financeiramente projetos que tragam benefícios econômicos e sociais ao país, diferentemente dos bancos comerciais, que visam ao lucro. Obviamente, não há nenhuma crítica aqui, nem a estes, nem àquele. É importante, todavia, discernir que há uma diferença.
3) As arquibancadas que o Governo paulista promete alugar para ampliar a capacidade do estádio são pagas com dinheiro público. Como eram dinheiro público as arquibancadas que a Prefeitura alugava para as corridas de Fórmula 1 em Interlagos; como é dinheiro público o que é gasto na reforma do autódromo, a cada ano. Como era dinheiro público a reforma anual do Autódromo de Jacarepaguá, no Rio, quando lá se realizava o GP Brasil. Como é dinheiro público o subsídio às escolas de samba e o empréstimo dos ônibus que utilizam. É dinheiro público que apóia a Parada Gay, é dinheiro público que dá suporte de infraestrutura e segurança à Marcha para Jesus, é dinheiro público que paga o réveillon.
Ao que me consta, a Prefeitura, o BNDES ou mesmo a União não promovem reformas anuais na minha casa, certo? Nem deveriam, afinal, é a MINHA casa, um imóvel particular, e não público.
O imbróglio jurídico que envolve o terreno de 200 mil metros quadrados, cedido pela Prefeitura ao Corinthians em 1988, é de conhecimento do presidente Andrés Sanchez. "Ele (Andrés) veio ao MP em setembro, se reuniu conosco e se mostrou disposto a colaborar. Mas, de repente, foi apresentado à imprensa um estádio num terreno que está sub judice. Até agora não recebemos nenhum projeto. O Corinthians sabe que qualquer obra no local no momento tem impedimento legal", afirma Freitas. O promotor pede na ação a anulação da concessão da Prefeitura para o Corinthians."Quando recebeu o terreno, o clube tinha cinco anos para construir um estádio e não o fez. A Prefeitura também se omitiu de cobrar, mesmo depois de a Câmara Municipal em 2001 ter informado o descumprimento da lei", argumenta o promotor. Em 2001, moradores de Itaquera apresentaram uma representação aos vereadores da Comissão de Finanças na qual denunciavam que o terreno do Corinthians havia virado um depósito clandestino de lixo e de entulhos. Até hoje a área do terreno, vizinha ao centro de treinamento, é usada como abrigo de restos de materiais de construção e de lixo doméstico.(…) O juiz Ferraz de Campos declarou ontem que analisa o processo, cuja sentença deve ser emitida nos próximos meses. "Mas podemos analisar um acordo com as duas partes (Prefeitura e Corinthians), com alguma contrapartida para a população ou para o trânsito no entorno. Antes disso, qualquer intervenção que ocorra no terreno será alvo de um pedido de paralisação imediata na Justiça por nossa parte", acrescentou o promotor de Urbanismo.LINHA DO TEMPOHÁ 22 ANOS, ÁREA EM ITAQUERA FOI CONCEDIDA AO CORINTHIANS PARA CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO1 - 1988 - Lei 10.622 concede a área em Itaquera ao clube por 90 anos, com a construção do estádio em cinco como contrapartida.2 - 1993 - Passados cinco anos, a única obra feita pelo Corinthians no local em Itaquera foi a construção do Centro de Treinamento.3 - 2001 - CPI da Câmara pede devolução da área. Diretoria corintiana diz não ter recebido a escritura e promete estádio em 4 anos.4 - 2005 - Prefeitura ameaça cobrar taxa mensal de R$ 870 mil do clube para seguir com a concessão, mas medida acaba revogada.5 - 2010 - Em agosto, ao anunciar estádio, Andrés Sanchez desdenha da concessão. "Se eu quiser, esses 90 anos viram 150, 200 anos."
11 de julho de 2011
Público na privada
Em complementação ao post anterior, é preciso fazer algumas atualizações e alguns complementos.
Primeiro, as atualizações.
Como era de se esperar, o Projeto de Lei 288/2011, que concede isenção fiscal milionária ao Corinthians, foi aprovado na Câmara de Vereadores de SP. A relação dos vereadores que votaram favoravelmente a este despropósito com o dinheiro público (destinando, literalmente, o público à privada), está AQUI. Não é muito diferente daquela que eu publiquei em 30/06/2011.
Além disso, após mais esta farra com o dinheiro público, andei trocando algumas mensagens com o jornalista Sérgio Rondino, assessor de imprensa da Prefeitura de São Paulo. Obviamente, devido ao cargo que ocupa, ele revelou-se favorável ao projeto de lei em questão - mas, infelizmente, não conseguiu responder adequadamente nenhuma das perguntas que lhe fiz.
Contudo, o mais importante que emergiu da conversa que tive com ele diz respeito ao tal "estudo" realizado pela Accenture, citado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Prof. Marcos Cintra, AQUI (aliás, cabe registrar: esta "entrevista" não é uma ENTREVISTA mesmo, haja vista que as perguntas foram elaboradas pela própria assessoria de imprensa da Prefeitura; trata-se, muito mais, de um press-release, mas, por alguma razão incompreensível, podendo ser falta de transparência ou qualquer outra, foi "vendida" como se fosse, de fato, uma entrevista).
O tal "estudo" da Accenture é exaltado no site do próprio Corinthians, AQUI. Perceba, caro leitor, que o trecho que trata do tal estudo foi redigido de tal forma que parece que o próprio clube ficou surpreso com a informação de que haveria um ganho de mais de R$ 30 bilhões a partir da realização da abertura da Copa de 2014 em SP. Destaco justamente este trecho abaixo:
Estudo preparado pela renomada empresa de consultoria internacional Accenture aponta de forma muito clara os enormes ganhos a serem experimentados por São Paulo em razão da cidade sediar a abertura da Copa. Apenas para o evento abertura são esperados cerca de 190 mil turistas estrangeiros, que se estima gastarão na cidade cerca de R$ 1,2 bilhões. Isso sem contar os ganhos futuros, decorrentes do aumento do turismo de negócios em São Paulo decorrente da visibilidade a ser alcançada com a abertura da Copa, estimado pela Accenture em R$ 1 bilhão para o período compreendido entre 2010 e 2020.
OBSERVAÇÃO: A reportagem do Estadão, que afirmou ter tido acesso ao tal estudo da Accenture, fala em 30 bilhões de reais; esta notinha extraída do site do Corinthians, estranhamente, menciona "apenas" 1 bilhão. Entretanto, vi alguns vereadores "justificando" seu apoio ao projeto de lei desavergonhado citando os 30 bilhões. Como todos os números são fruto de puro Cálculo Hipotético Universal Teórico Estimado (ou, para os íntimos, a sigla é C.H.U.T.E.), isso nem faz muita diferença.
O tal "estudo" foi tema de reportagem do Estadão também, AQUI. O jornalista Sérgio Rondino, inclusive, citou esta matéria do Estadão na conversa que mantivemos via twitter (ver AQUI).
PORÉM - e é aqui que a coisa se complica! - , todos os citados até agora "ESQUECERAM-SE" de citar um detalhe..... QUEM CONTRATOU A ACCENTURE PARA FAZER O ESTUDO FOI O CORINTHIANS.
Sim, é isso mesmo!
Eis aqui a informação completa, DE FONTE OFICIAL: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/24/incentivo-a-estadio-equivalera-a-metade-da-renda-gerada
Vou até transcrever um trecho:
Aproximadamente metade da receita tributária municipal que será gerada até 2020 pela construção e operação do estádio do Corinthians em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, retornará ao clube na forma de incentivos fiscais concedidos pela prefeitura, os chamados Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CID). É o que apontam dois estudos usados como base pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido) para avaliar os benefícios de ter a cidade como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Ambos os estudos, feitos pela consultoria Accenture e pelo escritório Ademar Fogaça & Associados, foram contratados pelo próprio Corinthians, que os forneceu à prefeitura. Nenhuma das duas empresas quis falar sobre as análises. O secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra, disse que a administração fez balanços sobre o impacto do incentivo no orçamento, mas que os dados sobre os benefícios do estádio para a Zona Leste e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade vieram dos estudos.Segundo as estimativas, a arrecadação extra da prefeitura com tributos por causa da construção do estádio, abertura da Copa e a influência da arena na região de Itaquera vai gerar entre R$ 611 milhões e R$ 985 milhões em impostos municipais até 2020, afirma avaliação da empresa de consultoria Accenture.
Qualquer pessoa com um QI de pelo menos 0,5 já percebeu a jogada aqui, né?!
Eu quero apontar algumas, APENAS ALGUMAS....
1) Por que a Accenture não quis falar sobre o estudo que ela mesma fez? Medo?
Convenhamos, senhoras e senhores: as cifras divulgadas são o cúmulo da utopia elevada à décima potência. Não existe NENHUMA, repito, NENHUMA chance de os valores reais chegarem nestes, citados.
Vamos lá: num estudo sério, publicado pelo Eastern Economic Journal em 2009 (para ler na íntegra, basta clicar AQUI), os autores (pesquisadores e professores da Universidade de Hamburgo, na Alemanha) concluíram que a Copa do Mundo da FIFA de 2006, realizada na Alemanha, gerou aproximadamente 900 milhões de dólares em aumento líquido na receita do turismo naquele país.
Os autores demonstram que, no caso da Copa da França, a situação foi ainda pior: em termos de turismo, praticamente NÃO houve qualquer alteração nos números anteriores à realização da Copa; em se tratando de rendimento oriundo da prestação de serviços, tanto na França quanto na Alemanha os ganhos foram mínimos. Eis um trecho:
As mentioned above, France in 1998 did not register an increase in the number
of non-resident visitors (Figure 3). By the same token, France did not register
any significant increases in receipts from international tourism (row 4, Table 1a).
It should be noted that overnight stays by residents even significantly declined in
June 1998 (row 2, Table 1a).
Com relação à Copa da África do Sul, há estudos (citados no mesmo artigo) que apontam ganhos de 845 milhões de dólares em impostos adicionais (em nível nacional).
Há outros trabalhos interessantes sobre os impactos econômicos e sociais de eventos como Copa, Olimpíadas etc. Irei, futuramente, disponibilizar mais alguns aqui. Por ora, fico apenas com este, de Swantje Allmers e Wolfgang Maennig. Destaco um trecho da conclusão dos autores:
The analyses of the WCs held in France in 1998 and in Germany in 2006 agree
with former empirical findings on the effects of large sporting events, namely, that
hardly any WCs and comparable events have short-run positive impacts on tourism,
employment, and income. Nevertheless, although admittedly on a speculative basis,
we are less skeptical than other academics about the potential beneficial impact
of South Africa 2010 based on five arguments. First, the ‘‘couch potato effect,’’
which diverts WC-addicted consumers from their normal consumption behaviors, is
less likely to occur in South Africa. Second, the usual negative crowding-out effect
on regular tourism of large sporting events might not have its usual magnitude
because the WC will happen during the low season for tourism in South Africa.
Third, South Africa does not have a relatively dense provision of sporting facilities
like North American or European countries, and thus the returns to new facilities
might be higher. Fourth, the South African stadium projects draw on insights from
urban economics and aim at a more effective integration of stadiums with urban
needs, which has the potential for enhanced positive externalities.
Ora, com números deste porte em situações análogas, como alguém pode achar, seriamente, que a cidade de São Paulo vai ganhar 30 BILHÕES de reais em virtude da Copa??????
2) Por que este estudo não foi revelado publicamente? Afinal, um projeto de lei foi votado, na Câmara de vereadores, com base INCLUSIVE nos dados supostamente contidos neste tal estudo..... Por que não divulgá-lo, e permitir uma discussão CLARA e TRANSPARENTE? De novo: medo???
3) Por que o Corinthians, a Prefeitura, a Câmara e os demais envolvidos não esclareceram que o Corinthians PAGOU a Accenture para fazer tal estudo?
Isso é da maior relevância, porque qualquer um que tenha trabalhado um dia na vida numa empresa de consultoria sabe MUITO BEM que o desejo do cliente/contratante vale muito..... É público e notório que o Corinthians tem interesses (muitas vezes escusos, registre-se) enormes na realização da abertura da Copa em São Paulo, pois é o único jeito de construir seu estádio (o clube não tem dinheiro para construir nem um parquinho de diversões, e não possui condições de viabilizar um empréstimo de porte em seu nome).
Com todo este interesse por trás do "estudo", é crível imaginar que a Accenture fosse entregar um estudo com uma conclusão do tipo "a realização da Copa em SP pode gerar quase 1 bilhão de reais em movimentação financeira, incluindo aí impostos e renda"?
Claro que não! Se a conclusão fosse algo assim, o cliente, contratante do estudo (frise-se: o próprio Corinthians), ficaria sem argumentos para ajudar a aprovar a mamata pública....
Os números precisam ser gigantescos, monstruosos, chamativos......E FALSOS!
Agora, um complemento interessante: a coluna de Monica Bergamo na Folha de São Paulo do dia 07/07/2011 (AQUI, para assinantes da Folha e do UOL) traz um conjunto de pequenas notas MUITO INTERESSANTES. Vamos a elas:
TIMÃO DE ESCANTEIOA negociação entre a Odebrecht e o Corinthians com o Banco do Brasil em torno do financiamento para a construção do estádio do Itaquerão passa por um "estresse tremendo", de acordo com um dos executivos que participa das conversas. O BB, que pegaria R$ 400 milhões no BNDES para repassá-los à obra, exige remuneração considerada alta pela empreiteira e pelo clube para fazer o negócio -mais de 1%. Alega que os riscos da operação justificam a cobrança.ESCANTEIO 2O BNDES não aceita dar o recurso para o fundo formado pela Odebrecht e pelo Timão para construir a arena. Só aceita liberar dinheiro para a própria empreiteira, sem o clube. Ou para um repassador confiável, como o BB -que, no entanto, também prefere assinar negócio só com a empresa, sem o Corinthians. As conversas chegaram a um impasse.DA FIELE o marqueteiro Valdemir Garreta, que já fez campanhas para o PT e neste ano coordenou a eleição do presidente do Peru, Ollanta Humala, deve trabalhar na sucessão do Corinthians. Vai fazer o marketing de Mário Gobbi, candidato ao comando do Timão. Ele tem o apoio de Andres Sanchez, atual presidente do clube.
O leitor percebe como é complexa a engenharia financeira para viabilizar os interesses PRIVADOS com recursos PÚBLICOS?
Resumindo:
1) O Corinthians quer construir um estádio PARTICULAR, mas não tem dinheiro.
2) Aí, ele pede isenção fiscal de 420 milhões na Prefeitura de SP. Não gasta nenhum centavo com isso (na verdade, gastou contratando a Accenture e oferecendo brindes ridículos aos vereadores, mas isso é baratinho).
3) Depois, recorre ao BNDES, cujos recursos são PÚBLICOS, para pedir um empréstimo. Porém, ele (Corinthians) não tem garantias a oferecer que justifiquem o montante pedido.
4) Aí, outro banco ESTATAL (ou seja, público) tenta intermediar a operação, sempre com dinheiro PÚBLICO, mas que será usado numa obra PRIVADA, cujo retorno financeiro, social ou cultural é pífio.
5) E, ao fundo de tudo isso, muitos interesses políticos de Gilberto Kassab, Lulla, PT etc.
Isso é Brasil!!!!!!!!!!!
30 de junho de 2011
Público ou privado?
Antes de mais nada, quero relacionar os 36 vereadores de São Paulo que ontem aprovaram, em 1a votação, o Projeto de Lei 288/2011, que concede mais de R$ 420 milhões em incentivos fiscais para a construção do estádio do Corintians, em Itaquera:
- Adolfo Quintas - PSDB
- Agnaldo Timóteo - PR
- Alfredinho - PT
- Aníbal de Freitas - PSDB
- Atílio Francisco - PRB
- Claudinho - PSDB
- Claudio Prado - PDT
- Dalton Silvano - S/ PARTIDO
- Domingos Dissei - DEM
- Edir Sales - DEM
- Eliseu Gabriel - PSB
- Francisco Chagas - PT
- Gilson Barreto - PSDB
- Goulart - PMDB
- Ítalo Cardoso - PT
- Jamil Murad - PCdoB
- José Américo - PT
- José Police Neto - S/ PARTIDO
- José Rolim - PSDB
- Juliana Cardoso - PT
- Juscelino Gadelha - S/ PARTIDO
- Marta Costa - DEM
- Milton Leite - DEM
- Natalini - S/ PARTIDO
- Netinho de Paula - PCdoB
- Noemi Nonato - PSB
- Paulo Frange - PTB
- Quito Formiga - PR
- Ricardo Teixeira - S/ PARTIDO
- Roberto Tripoli - PV
- Salomão - PSDB
- Senival Moura - PT
- Souza Santos - S/ PARTIDO
- Toninho Paiva - PR
- Ushitaro Kamia - DEM
- Wadih Mutran - PP
Estes 36 vereadores, juntamente com o Executivo (do Prefeito Gilberto Kassab), querem que a cidade de São Paulo deixe de receber mais de 420 MILHÕES de reais em receitas (dinheiro PÚBLICO) para que um clube PARTICULAR construa o seu estádio.
O benefício para a cidade? Quase nenhum.
Reproduzo trecho de um texto da urbanista Raquel Rolnik (o texto, na íntegra, está AQUI, e merece ser lido):
Por fim, em relação à Itaquera: o bairro merece intervenções urbanísticas que proporcionem melhorias para a região? Claro que sim! Itaquera, um dos centros da Zona Leste, a região mais povoada – e historicamente negligenciada – de São Paulo, carece de investimentos urbanísticos há muito planejados e nunca implementados. Mas, seguramente, um estádio não tem a capacidade de transformação urbanística positiva que se quer vender com a construção do Itaquerão.Em lugar nenhum do mundo, grandes estádios atraem grande densidade de usos e investimentos em seu entorno. Muito pelo contrário – no mais das vezes, acabam gerando uma zona morta ao seu redor, já que ocupam grandes áreas, exigem grandes espaços de estacionamento e áreas de escape e, assim, bloqueiam a urbanidade. Ou seja, uma intervenção urbanística em Itaquera é bem-vinda, mas não será o Itaquerão que proporcionará as melhorias de que o bairro precisa. Itaquera e a Zona Leste merecem algo muito melhor que um estádio que, após a Copa, se tornará um elefante branco.Infelizmente, ao se misturar três questões muito distintas, esconde-se o que não se quer dizer e impede-se – pela paixão – de se tomar uma decisão a altura de São Paulo, dos corinthianos e dos moradores da Zona Leste.
Além disso, a politicagem rasteira que vem cercando essa questão (não apenas do estádio do Corintians, mas de toda a copa e ainda das olimpíadas no Brasil) causará um prejuízo incalculável ao país. Com este projeto de lei aprovado em primeira votação ontem, a cidade de São Paulo já começa a perder.
Reportagem da Época SP (AQUI, na íntegra) merece ser lida também. A matéria mostra, de forma clara e cristalina, que os prejuízos desta corrida desenfreada para sediar a abertura da Copa em SP vão muito além.
Eu destaco uma das declarações do presidente do Corintians, o tal André Sanchez: “Isso é uma coisa privada. O poder público não tem de acompanhar nada do estádio.”
Essa declaração mostra, de forma claríssima, o que vai acontecer.
Um clube PRIVADO, que está recebendo uma verdadeira fortuna do Estado (BNDES, Prefeitura, União etc), se acha no direito de ditar o que vai fazer, se acha o dono da cocada-preta.
Como assim "o poder público não tem que acompanhar nada"? Se não fosse o poder público, não haveria NADA (estádio) para acompanhar! Quem está bancando tudo é o poder público! Ou seja, cada cidadão que paga impostos (e, no Brasil, não são poucos!)
Confundir público e privado é um problema GRAVÍSSIMO (e histórico) do Brasil.
Senhor Sanchez: o estádio do seu time, na verdade, NÃO É DO SEU TIME.
Quer manter o poder público de fora? Ótimo. Comece pela fonte de recursos: use dinheiro do seu clube, e não do poder público! Da minha parte, pelo menos, garanto que se você usar o dinheiro PRIVADO do seu time/clube para construir o seu estádio, eu não darei a menor importância. Mas a partir do momento em que você está querendo usar o MEU dinheiro para construir o SEU estádio, aí passa a ser problema meu, sim.
Em suma, é simplesmente ABSURDO que a cidade de SP, o Estado, ou mesmo a União adotem práticas obscuras, escusas e/ou ilegais (detalhes AQUI), visando exclusivamente o benefício de um (ou 2, 3, não importa) clube.
Por que os torcedores do Corintians não pagam pelo SEU estádio? Por que o SEU time não faz uma poupança, e pede aos torcedores fiéis que depositem um dízimo mensalmente, até juntar 1 bilhãozinho de reais (coisa pouca, né?!)?
As igrejas fazem isso - e estão bem ricas! Elas têm isenção de vários impostos (o que eu acho igualmente absurdo), mas nenhuma delas, nem mesmo a Universal, jamais enviou um projeto à Câmara de SP pedindo dinheiro ANTES de iniciar suas atividades/cultos (ou seja lá o nome que for).
Diferentemente das pontes, viadutos, marginais e afins, um estádio de futebol NÃO será utilizado pela população, não irá beneficiar a cidade - irá beneficiar apenas e tão somente aqueles que pagaram para entrar no tal estádio, seja para um jogo, seja para qualquer outro evento.
Corintiano: por que eu e outros milhões de cidadãos temos que pagar pelo SEU estádio? Seja corintiano, é seu direito. Mas não seja canalha como seu time tem sido ao pleitear um absurdo desses.
Vemos uma empresa (Corintians) com lucro de pouco mais de 12 milhões de reais anuais (EBITDA), recebendo um benefício ILEGAL, e equivalente a TRINTA E TRÊS ANOS de lucro (bruto) da Prefeitura... Qual o interesse da cidade numa coisa dessas?
Pior: o clube precisa de MUITOS milhões de reais. Uma vez concedido o benefício municipal (eu não tenho nenhuma dúvida de que o PL será aprovado), será feita uma engenharia financeira para obter recursos diretos do BNDES. Porém, o empréstimo NÃO será feito em nome do Corintians, segundo o próprio BNDES já informou, pois o clube NÃO TEM CONDIÇÕES DE OFERECER GARANTIAS capazes de viabilizar um empréstimo de mais de 400 milhões de reais.
O Corintians terá obtido centenas de milhões de reais em dinheiro público, e não deverá nenhum centavo....
É ou não é uma situação surreal?!
Isso é Brasil!
23 de maio de 2011
A falta que faz a GESTÃO
Há algum tempo estou para escrever sobre este imbróglio das obras para a suposta Copa do mundo de futebol, a ser realizada (talvez) no Brasil, em 2014.Não passa um único dia sem que algum jornal (ou revista, ou portal noticioso) revele algum atraso, algum problema, falta de dinheiro etc.
O fato concreto, hoje, é o seguinte: a escolha do Brasil para sediar a Copa foi ruim. Aliás, PÉSSIMA. Sob todos os aspectos.
Houve apenas e tão somente uma pessoa que teve algum benefício com isso. Chama-se Dilma Rousseff.
De resto, o país só tem a perder.
O que se viu, após o anúncio da escolha da sede, foi uma briga política - e, pior, BURRA - sobre as cidades-sede: em quais estádios ocorreriam os eventos de abertura e encerramento, os jogos etc.
Quem me conhece sabe que eu não entendo NADA, rigorosamente NADA de futebol. Quero continuar assim.
Porém, a questão central não é o futebol. Trata-se, isto sim, da absoluta e completa falta de GESTÃO que temos visto há quase um ano, desde a escolha do país a sediar a tal Copa.
O governo federal não se responsabiliza; os governos estaduais e municipais, idem. Um empurra para o outro o ônus, mas todos, TODOS, disputaram a tapa o bônus: usar eleitoralmente a escolha do Brasil.
Para grande parte da população, especialmente a menos informada (nem vou falar escolarizada), o fato de o Brasil sediar a Copa parece ser algo bom. Na verdade, não é.
São Paulo, por exemplo, não tem infra-estrutura para sediar sucessivos jogos grandes: a taxa de ocupação de hotéis tem oscilado na casa dos 90-95%; o número de táxis é insuficiente para atender a população residente (pior ainda quando há um aumento súbito e forte da população flutuante); ônibus e trens estão caindo aos pedaços, além de estarem acima da capacidade também; o metrô está bastante acima da capacidade (especialmente a linha vermelha), e tem alcance restrito, e baixa capilaridade. Como se não bastasse, o trânsito faz com que nós, paulistanos, percamos horas improdutivas diariamente - até em finais e semana, e horário que antes eram garantia de ruas livres, como 22hs.
Além disso, nos últimos 2 anos, a cidade tem sofrido pequenos apagões de energia elétrica (nem vou discutir as causas, apenas ater-me-ei aos fatos), e o abastecimento de água é igualmente volátil, pouco confiável.
E tudo isso é constatado na maior cidade do país, a mais desenvolvida, em tese.
A mania de grandeza aliada à falta de bom senso daqueles que defenderam tão ferrenhamente a inserção do Brasil como candidato a sede da Copa (Lulla à frente) levaram o país a pleitear DOZE cidades-sede, quando os EUA, por exemplo, com uma infra-estrutura muito melhor e menor desequilíbrio entre suas cidades/estados tiveram "apenas" NOVE cidades-sede.
Ora, se a cidade de SP, em tese mais desenvolvida e com melhor infra-estrutura, não comporta um evento deste porte, o que poderá ser dito de cidades infinitamente menores? Cidades que seque têm metrô?! SP tem pouco (para o tamanho da necessidade), mas tem - o que é muito mais do que se pode dizer de várias outras cidades-sede.
E os estádios?
Reportagem de capa da Veja desta semana é esclarecedora: as obras, que deveriam ser geridas de forma centralizada, estão todas abandonadas, entregues ao deus-dará. Tudo responsabilidade do Abreu.....
Toda esta questão da Copa passa, inegavelmente, pela mais pura e completa falta de GESTÃO.
Os custos das obras necessárias são uma imensa incógnita - sendo o inexistente estádio do corinthians o mais perfeito exemplo: em uma semana, a estimativa total passou de 650 milhões o que já é MUITO dinheiro) para mais de 1 BILHÃO de reais, o que é uma cifra astronômica, simplesmente ABSURDA mesmo.
O BNDES, graças à acepção mais rasteira e ordinária do termo "política", especula-se, vai financiar cerca de R$ 400 milhões (volume ainda não confirmado totalmente), mas o clube NÃO tem condições de pagar isso! Basta verificar o balanço patrimonial do clube.
Qualquer empresa que procurasse o BNDES, com uma balanço daqueles, pedindo 400 milhões, levaria um imenso "NÃO" na cara. Afinal, uma empresa que apresenta um EBITDA de pouco mais de 12 milhões vai pleitear 400 milhões???????? COMPLETA FALTA DE BOM SENSO!!!!!
Porém, devido à sanha de fazer politicagem rasteira, de puxar o saco da Dilma e do Lulla, o BNDES vai abrir as portas e emprestar (ou DAR?) dinheiro a rodo, para quem quiser.
Como se não bastasse, o governo federal transfere ao estado de SP a responsabilidade de arcar com a recém anunciada diferença de valores (algo como módicos 350 MILHÕES de reais), tentando jogar o problema no colo do adversário político; o mesmo ocorre com a Prefeitura..... E, assim, forma-se um ciclo vicioso - que tende a ser repetido em outras cidades/estados.
Novamente: pura e absoluta falta de GESTÃO.
Esta Copa vai entrar para a história.
Como um vexame de proporções bíblicas.


