Marketing, economia, administração, educação, política, música - enfim, um pouco de tudo.
30 de abril de 2013
Por um Facebook com menos gatinhos e mais conteúdo
Eu tinha guardado essa matéria da Folha de São Paulo de novembro de 2011, e "achei" numa limpeza de final de semana.
Aproveito para colocar aqui no blog, pois acho uma idéia muito boa - especialmente porque ando farto do Facebook, com todos aqueles gatos, mensagens de auto-ajuda idiotas etc…
Segue a matéria na íntegra, com grifos meus:
Engenheiros fazem 'tira-dúvidas' avançado
Criação coletiva de respostas é diferencial desenvolvido pelos fundadores do site Ledface, de ex-alunos da Unicamp
MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULOSites de perguntas e respostas, como o do Yahoo!, são tão antigos quanto a própria internet. Mas eles estão ficando mais sofisticados, com cara de rede social e softwares inteligentes que ajudam a melhorar as respostas.
Na esteira do sucesso do Quora, site de perguntas e respostas de ex-executivos do Facebook avaliado em US$ 300 milhões pelo Goldman Sachs, acaba de entrar no ar o brasileiro Ledface.
Desenvolvido por um grupo de engenheiros formados na Unicamp a partir de doutrinas liberais da websfera como software livre, cocriação e anonimato consciente, o site está em fase beta (pré-lançamento em linguagem web).
Em apenas um mês, e sem divulgação, contabiliza 2.900 usuários cadastrados, sendo 52% do Brasil. O site pode ser acessado em português, inglês ou nas duas línguas ao mesmo tempo. Já são 3.100 perguntas, das quais 71% foram respondidas.
Tem de tudo: de alguém querendo saber se vale a pena comprar um apartamento com varanda "Gourmet" a um fumante buscando ajuda para largar o cigarro. "Não existe pergunta idiota. Se é algo que te aflige, a pergunta é válida", diz Horácio Poblete, um dos fundadores.
Diferentemente do Yahoo! Respostas ou do Quora, no Ledface a resposta não vem de apenas uma pessoa, mas é construída coletivamente, em um processo de cocriação. As perguntas são enviadas para 50 pessoas que o Ledface acredita serem as mais indicadas. Cada um que entra para responder tem autonomia para corrigir ou aprimorar respostas anteriores.
O Ledface é uma robô mulher. É inspirada na Eva, robô da animação "Wall-E", da Disney Pixar, que salva a humanidade da destruição.
Cada usuário tem o seu perfil construído a partir de informações subjetivas, como preferência de cores. O perfil evolui de acordo com a interação do usuário.
A tecnologia levou um ano para ser desenvolvida e mimetiza a formação de enxames de abelha.
Com um investimento inicial de R$ 200 mil, bancado pelos sócios e amigos, o site foi um dos três vencedores do Prei (Prêmio RBS de Empreendedorismo e Inovação), anunciado na sexta-feira.
A equipe do Ledface não gosta de comparações com o Quora e tem como referência o Vark, site de perguntas e respostas comprado pelo Google por US$ 50 milhões.
A partir do perfil dos usuários, o Vark buscava pessoas mais adequadas para responder a cada pergunta. Chegou a 100 mil usuários. Apesar do sucesso, foi fechado pelo Google no mês passado.
O Ledface deve entrar em operação para valer em 1º de janeiro. "Agora estamos mais preocupados em aprimorar o site e aumentar o grau de retenção [usuários frequentes]. Hoje a retenção é de 18%, a meta é chegar a 20% até o fim do ano", diz Poblete.
Ele acredita que será preciso 100 mil usuários para a inteligência coletiva do Ledface se tornar abrangente e relevante. O objetivo é chegar a esse número em seis meses.
Inteligência coletiva é produzida por anônimos em site brasileiro
Apesar de se enquadrar na mesma categoria de perguntas e respostas do Quora, o Ledface é quase que a antítese do site do americano.
Enquanto o primeiro faz sucesso por atrair celebridades do Vale do Silício, no Ledface a inteligência coletiva (constituída pelo acervo de perguntas e respostas) é produzida por anônimos.
Sócio fundador do Ledface, Horácio Poblete acredita que, sob anonimato, as pessoas ficam mais dispostas a compartilhar conhecimento de forma espontânea.
"O Facebook e o Quora viraram plataformas para fazer marketing pessoal. Ninguém fala o que pensa de verdade, é uma exposição de egos."
Em um ambiente anônimo, acredita Poblete, uma pessoa que entende muito de determinado assunto, mas não quer se expor, pode contribuir anonimamente com seu conhecimento.
"No Ledface não interessa quem é você, mas o seu conhecimento. Quando as pessoas têm de se identificar, elas não vão revelar suas dúvidas. E elas só vão dar respostas que possam contribuir positivamente para as suas imagens públicas."
Para evitar a chamada trollagem -gíria para pessoas mal-intencionadas que se escondem no anonimato da web para fazer comentários abusivos-, o programa faz uma avaliação da performance de cada usuário. Quem contribui de forma construtiva, com respostas que satisfazem ou surpreendem positivamente quem perguntou, ganha créditos.
Por conta da rede de contatos de seus fundadores, ex-Facebook, o Quora atraiu gente de peso em seu início.
Se a pergunta era sobre Palo Alto, a resposta viria de ninguém menos do que o prefeito da cidade americana. Até Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, apareceu para responder a perguntas.
Mas o Quora é ainda uma rede fechada. É preciso ser convidado para entrar. "Quando a rede se abrir para qualquer um, a tendência será de queda de qualidade. O enorme conhecimento adquirido pelo Quora até aqui vai acabar se diluindo", afirma Poblete.
Ele acredita que o anonimato consciente deve atrair mais mulheres para o Ledface. "Elas não entram nessa guerra de egos", diz ao observar que no maior site de inteligência coletiva, a enciclopédia Wikipédia, 87% dos que contribuem são homens. E eles precisam se identificar e passar pelo crivo de editores.
RECEITA
Para gerar receita, o Ledface pretende atrair publicidade e oferecer versões fechadas para empresas. A ideia é usar a ferramenta para estimular a troca de conhecimento nas empresas, permitindo a interação anônima entre funcionários, passando ao largo de cargos e hierarquias.
Acabei de me cadastrar no site, e vou fuçar melhor antes de emitir qualquer opinião.
A idéia, porém, já tem meu total apoio!
27 de setembro de 2009
Mais um besta-seller
Primeiro, um trecho de matéria da Veja desta semana:
Em 1985, o americano Spencer Johnson se sentia no fundo de um vale de lágrimas. "Eu me perguntava: pode haver algum significado para um período ruim?", diz Johnson (que prefere não revelar os problemas que o afligiam). A provação ajudou-o a amadurecer um projeto que, treze anos mais tarde, o transformaria num dos mais bem-sucedidos gurus empresariais do mundo: o livro Quem Mexeu no Meu Queijo?. Com essa parábola sobre dois ratos e dois homenzinhos que disputam um naco de queijo num labirinto, lançada em 1998, Johnson encontrou uma forma acessível de falar sobre os desafios de se adequar às mudanças. Dos Estados Unidos à China, o livro vendeu mais de 24 milhões de exemplares (no Brasil, 1,2 milhão). Johnson também credita às dificuldades do passado a ideia que agora, enfim, inspira a sua primeira empreitada original desde a história do Queijo. Picos e Vales (tradução de Alexandre Rosas; Best Seller; 126 páginas; 24,90 reais) pretende ensinar o leitor a tirar o melhor dos momentos ruins. Ele diz que levou 25 anos destilando os conceitos do livro – e calhou de lançá-lo justamente num momento em que o mundo mal começa a sair do "vale" da crise financeira internacional. O autor (e médico) americano é um dos expoentes de uma categoria que desconhece a palavra crise – a autoajuda voltada ao mundo corporativo cresceu e se diversificou nos últimos dez anos. E segue lucrando com a atual turbulência econômica.
"Passar por provações é o que impulsiona o ser humano a crescer", disse Johnson a VEJA (veja entrevista abaixo). Os cataclismos econômicos fazem com que muita gente busque subsídios para lidar com a nova realidade. Significativamente, um dos maiores sucessos da autoajuda de todos os tempos, Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, do americano Dale Carnegie, tornou-se popular nos tempos da Grande Depressão, nos anos 30. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, a livraria virtual Amazon registrou aumento na procura por títulos dessa área nos últimos meses. No Japão, um dos países mais seriamente afetados pela crise, Picos e Vales chegou ao topo do ranking de mais vendidos do site nessa área menos de 24 horas depois de seu lançamento. Em breve, o brasileiro Roberto Shinyashiki também pretende tirar sua casquinha da crise. O tema de seu novo trabalho, A Coragem de Confiar, é o medo – inclusive das tempestades na economia. Só se detecta uma certa ressaca numa vertente desse mercado. No fim de 2007, livros sobre como investir e ganhar dinheiro na bolsa estavam em alta. A crise afugentou os leitores. O brasileiro Gustavo Cerbasi, autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (há 163 semanas na lista de mais vendidos de VEJA), parece ser a proverbial exceção que confirma a regra. "Minhas vendagens caíram, mas nem tanto. É que, ao contrário de muitos autores que pregam o enriquecimento a qualquer custo, sempre defendi a cautela nos investimentos", diz ele.
A autoajuda, empresarial ou de qualquer natureza, é um campo em que se encontra muita conversa mole. Mas seria um erro descartar esses livros em bloco. Um bom livro do gênero traduz conceitos complexos para uma linguagem acessível, ainda que às vezes simplória. Picos e Vales, por exemplo, recicla um conceito lançado nos anos 40 pelo economista austríaco Joseph Schumpeter: a "destruição criativa", tese segundo a qual o capitalismo evolui por meio de uma sucessão de crises. "Esses livros cumprem um papel importante, ao despertar as pessoas para os problemas e lhes mostrar caminhos para superá-los", diz o professor Claudio Felisoni de Angelo, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. A autoajuda empresarial se vale de vários formatos para tanto. Há os autores que investem numa linguagem mais técnica, com recurso ao jargão empresarial. É o caso de Cerbasi e dos americanos Stephen Covey e Robert Kiyosaki. Outros ficam na fronteira entre a autoajuda empresarial e um discurso motivacional genérico – muitas vezes com um pé no esotérico. Aí se incluem Roberto Shinyashiki e o indiano Deepak Chopra (que já viveram dias melhores nas listas de mais vendidos).
A matéria, na íntegra, está AQUI (apenas para assinantes). Vale a leitura.
Mas eu quero comentar um trecho em particular, que assinalei em negrito (e vermelho) lá em cima.
Uma vez, numa aula, passei por uma discussão semelhante com um aluno, e outro professor que por lá estava.
Ponto central: o "mérito" dos livros de autoajuda (especialmente aqueles classificados como "autoajuda empresarial" ou "autoajuda corporativa") seria o fato de permitir que pessoas com menor grau de educação (formal) tivessem acesso a informações "elitistas". A matéria da Veja aponta na mesma direção, ao citar o exemplo das teorias de Schumpeter.
Vou me permitir, mais uma vez, discordar completamente desse argumento, porque paupérrimo, insólito.
Se a tal "autoajuda empresarial" indicasse que determinada "idéia" apresentada naquele livro foi inicialmente proposta por fulno ou beltrano, a coisa seria diferente.
Mas naquele "monge e executivo" horroroso, o fulaninho que ganha uma boa grana com as vendas pega descaradamente proposições e estudos de terceiros, mas jamais revela ao incauto leitor qual foi sua fonte. Ao leitor fica parecendo que aquelas idéias todas são do tal James Hunter.
Isso é enganação pura.
Chama-se PLÁGIO.
Ao agir desta forma, propositadamente ou não, o autor da tal "autoajuda empresarial" está ludibriando o seu incauto leitor. Para dar um exemplo: há cerca de 1 ano, estive na banca de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de uma aluna, que fez uma monografia sobre o tal "líder servidor" (conceito, segundo ela, extraído do monge e o executivo). Ela acreditou no que o James Hunter escreveu, e tascou na sua monografia algo como "no campo da Administração, a liderança servidora só começou a ser pesquisada na década de 1990; antes disso, não se discutiam questões afins......".
Nem preciso dizer que no momento da arguição, eu perguntei sobre alguns autores/pesquisadores que desde 1920 vêm tratando da liderança, né ?!
A aluna, coitada, se enroscou. Ficou claro que ela leu o monge e o executivo, acreditou que o James Hunter era um gênio por apontar tantas coisas relevantes, mas nitidamente a aluna não se deu ao trabalho de pesquisar, na Teoria da Administração (TGA), movimentos como a teoria de relações humanas, teoria comportamental e afins (todas anteriores à Segunda Guerra).
Se, por outro lado, os tais livros indicassem algo como "olha, caro leitor, nada do que você leu aqui foi idéia minha; se você quiser entender melhor este assunto, procure os livros x, y e z" ao final de cada capítulo (ou página, sei lá), poderia haver algum mérito, afinal.
Contudo, os caras da autoajuda não fazem isso !
Eles simplesmente reunem uma série de obviedades, recheiam com algumas frases motivacionais, uma ou outra vez enriquecem um capítulo com uma frase de alguém sério (como Schumpeter, por exemplo), ou então "explicam" uma teoria básica do Schumpeter (como o exemplo dado pela Veja).
Só isso.
Continua sendo um embuste.
30 de junho de 2009
Para não dizer que não falei das flores....
Quem acompanha meus posts aqui no blog sabe que já citei a revista HSM-Management algumas vezes.
E, para fazer justiça, devo registrar: a Exame não é a única publicação "de negócios" a cultuar Jim Collins - a Management faz a mesma coisa.
Estava eu aqui organizando minhas revistas, e outras "tralhas" perdidas pelo escritório, e me dei conta que não praticamente NENHUMA edição da Management ao longo de 2008 e 2009. Sou assinante há tempos (uns 6 anos, talvez), mas - assim como a Exame - a Management tem publicado tantas porcarias, que nem me dou ao trabalho de retirá-la do saquinho plástico: simplesmente vou empilhando, e priorizo outros afazeres.
Agora, em férias, ao organizar a bagunça, cá estava eu verificando se não faltava nenhuma edição, colocando tudo em ordem cronológica (neurótico, eu ?! Imagina!), e achei a edição de 2007 que traz na capa ninguém menos do que o fanfarrão Jim Collins.
A matéria de capa é uma entrevista, disponível AQUI.
Esta entrevista, publicada em 2007, só vem a reforçar o que escrevi no fim de semana, sobre a Exame - mas agrava situação da Exame: não apenas o Jim Collins tem zero de conteúdo relevante, como a Exame fez uma cópia mal-feita da matéria da Management.
Que feio......!!!!!
E olha que a HSM-Management nem é tudo isso para ser copiada desse jeito !!!!!!!!!!!!
27 de junho de 2009
A capa do enterro
A edição que recebi ontem (número 946) estampou na capa o "guru" (argh!!!!) Jim Collins.
Faço questão de reproduzir a imagem da capa:
Mas descobri agora, fuçando na web, que a entrevista com o picareta Collins foi feita pela Cristiane Correa, editora executiva da EXAME - a mesma jornalista que já trocara alguns e-mails comigo, conforme mostrei AQUI.
Em fevereiro, eu escrevi um post (aqui), questionando se o Jim Collins havia se enfiado num retiro espiritual ou alguma coisa assim, haja vista que ele desaparecera da "mídia". Eu ainda acho que o sumiço do cara tem relação com as bobagens que ele afirmara sobre a Fannie Mae, entre outras.
Agora, vejo a Exame elogiando rasgadamente o Collins - e a editora executiva da Exame perdeu a oportunidade de questionar o cara sobre suas previsões furadas.
Mas pior do que isso, ela escreveu em seu blog:
Ainda me lembro da primeira vez que o entrevistei, em 2001. Ao desligar o telefone tive a certeza de que havia falado com alguém completamente fora da curva.Não, cara Cristiane, Jim Collins NÃO é pesquisador, é um fake.
Por que eu admiro seu trabalho? Porque muito mais que guru, Collins é um pesquisador. Seus livros não se baseiam em "insights", mas em análises detalhadas do desempenho de empresas americanas. Junto com um time de pesquisadores ele analisa o comportamento de grandes companhias (e de suas concorrentes) ao longo de diversos anos. É desses mergulhos profundos que nascem suas teses.
Um PICARETA.
Você (e os demais baba-ovos que adooooooooooram um guru) deveria pesquisar mais antes de escrever bobagem. Uma ajudinha para a pesquisa que você DEVERIA ter feito mas não fez foi dada pelo Thomaz Wood, e eu havia indicado isso no post de fevereiro.
Mas vamos detalhar um pouco mais a coisa - quem sabe assim, dona Cristiane Correa perceba a (enorme) diferença entre "guru" (argh!) e pesquisadores sérios.
Primeira leitura recomendada: Resnick, Bruce G., and Timothy L. Smunt. "From Good to Great to . . ." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 6-12.
O resumo do artigo: With sales of more than 4.5 million copies, Good to Great by Jim Collins provides an inspiring message about how a few major companies became great. His simple but powerful framework for creating a strategy any organization can use to go from goodness to greatness is certainly compelling. However, was Collins truly able to identify 11 great companies? Or was the list of great companies he generated merely the result of applying an arbitrary screening filter to the list of Fortune 500 companies? To test the durability of his greatness filter, we conducted a financial analysis on each of the 11 companies over subsequent periods. We found that only one of the 11 companies continues to exhibit superior stock market performance according to Collins' measure, and that none do so when measured according to a metric based on modern portfolio theory. We conclude that Collins did not find 11 great companies as defined by the set of parameters he claimed are associated with greatness, or, at least, that greatness is not sustainable.
Segunda leitura recomendada: Niendorf, Bruce, and Kristine Beck. "Good to Great, or Just Good?." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 13-20.
O resumo do artigo: Good to Great has been on BusinessWeek's best-seller list since its October 2001 release. In Good to Great, author Jim Collins identified a set of 11 firms as great, then used them to derive five management principles he believed led to "sustained great results." We contend that due to two fatal errors, Good to Great provides no evidence that applying the five principles to other firms or time periods will lead to anything other than average results. We explain the two errors and empirically test our contention. When ranked with the 2006 Fortune 500, the 11 Good to Great firms have an average ranking of 202nd. In addition, in terms of long-term stock return performance, the Good to Great firms do not differ significantly from the average company on the S&P 500. Our evidence is consistent with the conclusion that although the Good to Great firms may be good, they aren't great.
Ambos os artigos, como Thomaz Wood havia explicado, desmontam a teoria que sustenta o livrinho do "guru" (argh!) Collins. Outros pesquisadores sérios, anteriormente, já haviam demonstrado que Collins é um picareta.
A relação das empresas que este picareta-guru Collins indica como sendo empresas "good to great" inclui a Circuit City (que faliu), Gillette (que foi comprada pela P&G), Fannie Mae (nem vou repetir novamente), e Wells Fargo, entre outras. Tenho os dois artigos citados, mas devido a questões de direitos autorais, não posso disponibilizá-los aqui para download. Uma pena.
Mas se alguém da Exame que ainda tiver 2 neurônios ativos quiser, posso mandar por e-mail, para que, desta forma, seja possível vislumbrar melhor como o Jim Collins escreveu merda na porcaria do livrinho dele. Claro que o ideal seria ter feito uma pesquisa ANTES de dar a capa a este boçal-picareta, mas........
Mas fico me perguntando: até quando a Exame vai continuar dando espaço (inclusve na CAPA!) para disseminar a ignorância ?
Será que o pessoal contratado pela Exame não sabe o que significa PESQUISAR antes de escrever uma reportagem ?
Será que não se ensina mais a pesquisar antes de ir até outro país fazer uma entrevista com um cidadão que afirmara que a Fannie Mae era uma empresa "Good to Great" mas ficou quietinho quando ela teve que receber uma injeção de capital BILIONÁRIA do governo americano?
O pior de tudo é que a matéria da Exame baseia-se numa entrevista do tal "guru" (argh!, mais uma vez) que traz algumas pérolas, coisas tão burras, mas tããããããão burras, que o simples fato de reproduzi-las, como Exame fez, deveria bastar para demissão sumária do editor que aprovou a publicação. A matéria, na íntegra, está AQUI.
Para ilustrar a "genialidade" de Collins, selecionei um pequeno trecho de uma de suas respostas: Numa crise como esta, as empresas enfraquecidas sofrerão mais. Porém, uma empresa forte continuará sendo forte. Os fracos desaparecem e no lugar deles outros virão.
Puxa, será que não havia nada mais óbvio para este "guru" (argh!) dizer ??
Uma publicação de negócios séria jamais gastaria dinheiro para que uma repórter fosse até os EUA para entrevistar uma besta que me solta uma resposta dessas.................
29 de abril de 2009
Porque jogar a Você S/A no lixo
Como cliente da Elsevier, recebo uma newsletter da editora que se chama "Saiba o que os VIP leêm" ( acento circunflexo no segundo E não é erro meu: o título da newsletter é este mesmo).
Na edição de 28/04, vejo a imagem da capa do livro do Jim Collins ("Good to great", traduzido como "Empresas feitas para vencer"). Este é aquele livro que apontava a Fannie Mae como uma dessas "good to great". Fannie Mae é aquela mesma, do escândalo financeiro, que já sugou mais de 200 BILHÕES DE DÓLARES do Tesouro norte-americano.
Graças à newsletter da Elsevier, descobri o que a Você S/A escreveu sobre o livro do Collins:
"(...) Os cinco CEOs foram unânimes: indicam o livro de Jim Collins porque sugere descobrir o que é necessário para transformar o bom em ótimo e mostra como transformar uma boa organização numa empresa que gera excelentes resultados sustentáveis.Tudo o que precisam saber para ficar no topo."Pois é......
O livro é ruim que dói.
Mas pior do que o livro, é esta "crítica" sem noção.
Coisa típica da Você S/A, e lixos adjacentes.....
6 de abril de 2009
Paradigmas
Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.
Thomas Kuhn, (1922 - 1996) físico americano célebre por suas contribuições à história e filosofia da ciência em especial do processo (revoluções) que leva à evolução do desenvolvimento científico, designou como paradigmáticas as realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.
Este é o início da explicação da Wikipedia sobre o termo PARADIGMA.
Contudo, o que a Wikipedia não explica é o seguinte: am Administração, todas as vezes que alguém usa o termo PARADIGMA, você pode ter duas certezas:
1) A pessoa que usou o termo não saberia explicá-lo e discutir o seu significado real;
2) Logo depois de ouvir PARADIGMA, você acabará ouvindo um discursinho babaca, típico dos gurus de auto0ajuda de décima-oitava categoria, que não significa nada, não ensina nada, e não chega a lugar nenhum.
O termo PARADIGMA é uma verdadeira maldição.
Geralmente, quem usa é aquele tipinho tapado - freqüentemente ligado ao RH - que ADORA falar "quebrar paradigmas".
Não significa absolutamente nada, mas impressiona.
Quer um exemplo ?! Ei-lo:
Havia um rapaz, com um carro muito rápido, que gostava de dirigir em estradas de terra.Esta praga da auto-ajuda - que costuma estar associada à área de Administração, mas não tem nada a ver com aquilo que, de fato, significa a Administração - é pródiga em brindar-nos com histórias, "causos" e outras coisas que pretendem apresentar uma "moral da história".
Ele se achava um grande motorista e era capaz de tudo.
Um dia ele estava indo por sua estrada favorita, chegando à sua curva preferida, quando saiu da curva um carro derrapando fora de controle.
Logo quando iam se cruzar o carro entrou na contramão.
Quando o carro passou a mulher que estava no volante gritou:
- Porco!!!...
O rapaz que acredita que não deve levar desaforo para casa reagiu e respondeu imediatamente:
- Vaca!!!...
Ele pensou:
- Como esta vaca ousou me xingar? Eu estava na mão certa, ela estava contramão.
Mas se sentiu bem porque devolvera o insulto antes dela ir embora.
Assim ele pisou fundo no acelerador, fez a curva com tudo e qual não foi sua surpresa....atropelou um porco.
Esta é uma história de paradigma.
O rapaz estava reagindo com as regras antigas.
"Você me xinga, eu o xingo de volta".
Quebrar paradigmas exige ousadia e coragem, pois, pode implicar em uma verdadeira revolução na cultura das organizações.
No ambiente competitivo em que atualmente vivemos, cada vez mais, as mudanças são necessárias, uma vez que ela serve para reordenar prioridades, redirecionar valores, buscar novos focos de interesse e, principalmente, indicar maneiras diferentes de buscar alcançar objetivos e metas.
Se analisarmos o lado paradoxal desta historinha, não podemos imaginar que seja uma rotina modificá-la, porém, simplesmente venerar esta forma arcaica de conduta e não experimentar uma mudança significa um perigo.
Construir diferenciais hoje significa quebrar barreiras, destruir sua zona de conforto, expor novas idéias, criar novas diretrizes dentro da organização, inovar.
Significa deixar as velhas táticas e técnicas e construir uma nova forma de agir e se comportar.
Se pensamos bem a mulher da historinha acima, estava tentando avisar o rapaz do perigo de atropelar o porco.
Com certeza, vamos sempre encontrar pessoas vindas de curvas, cegas, gritando coisas.
Se não tivermos flexibilidade de paradigmas, o que iremos ouvir se parecerão com ameaças.
Este exemplo acima, eu recebi por e-mail.
Um lixo.
Mas esse tipo de lixo nos infecta.
Há alguns meses, na sala de aula da universidade, ouvi uma pérola calcada na "quebra de paradigmas" também.
O pior de tudo: não foi um aluno que soltou a bobagem, mas uma professora.
Se continuarmos a ter professores universitários que recorrem a estas bobagens, o país continuará sendo dominado por moluscos e inépteis corruPTos em geral.
E o Brasil continuará sendo "o país do futuro".
Aquele futuro que NUNCA chega.......
18 de fevereiro de 2009
Jim Collins: o cara sumiu ?
No âmbito do plano do governo Obama de continuar dando suporte para o mercado de crédito, em especial para o segmento imobiliário, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje que vai elevar de US$ 200 bilhões para US$ 400 bilhões o volume máximo de recursos que poderá alocar nas agências de refinanciamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.Agora, vamos relembrar - com a ajuda de um texto do Thomaz Wood (na íntegra AQUI):
De acordo com comunicado publicado no site do órgão, o Tesouro vai disponibilizar até US$ 200 bilhões para cada uma duas das gigantes, que foram responsáveis, em conjunto, por garantir o financiamento de cerca de 75% dos pedidos de hipotecas americanas no ano passado.
Desde de julho do ano passado o dinheiro tem sido alocado conforme o necessário nas empresas, com o objetivo de manter o patrimônio líquido positivo, enquanto o governo pede para que as duas ampliem os empréstimos. " O aumento do funding vai permitir aumento da confiança prospectiva para o mercado de hipotecas e possibilitar que Fannie Mae e Freddie Mac continuem com o ambicioso esforço de garantir o pagamento de hipotecas de proprietários responsáveis " , diz o secretário Timothy Geithner.
Ele ressalta que o Tesouro vai continuar também a comprar, no mercado, títulos ligados a hipotecas garantidas pelas empresas, com o intuito de dar liquidez a esses papéis e, ao mesmo tempo, manter os juros baixos para que os mutuários refinanciem suas dívidas em melhores condições.
O Tesouro disse também que vai elevar em US$ 50 bilhões, para US$ 900 bilhões, o total de empréstimos que as duas empresas poderão manter como ativos nos seus balanços, assim como elevar a capacidade de endividamento no mesmo montante.
Ainda para evitar receio no mercado, o governo dos EUA diz que o aumento dos recursos para as empresas " não tem como objetivo indicar uma estimativa de possíveis perdas " dessas empresas, mas assegurar aos participantes do mercado que se reconhece o papel importante que a essas companhias tem no funcionamento do segmento de crédito imobiliário.
Em 2001, foi publicado o livro Good to Great ("Empresas Feitas para Vencer"). Nele, Jim Collins identificou onze organizações que haviam conseguido passar de boas empresas para grandes empresas, espécimes excepcionais da fauna corporativa. Para o autor, estas onze grandes empresas exibiam traços comuns, relacionados a liderança, gestão de talentos, tomada de decisão, foco e visão. Para convencer as mentes mais exatas, Collins provou que todas elas haviam experimentado quinze anos de desempenho excepcional no mercado de ações.
Agora nos chegam dois estudos, publicados na revista Academy of Management Perspectives, que analisam os métodos e as conclusões de Collins. O primeiro estudo foi conduzido por Bruce G. Resnick e Timothy L. Smunt, da Wake Forest University. O segundo foi conduzido por Bruce Niendorf e Kristine Beck, da Universidade de Wisconsin. A conclusão é contundente, porém não surpreendente. O método usado por Collins não é sustentado por uma análise criteriosa do desempenho das empresas, ou seja, as "11 grandes" não são melhores que seus pares. Vale registrar que no seleto grupo estavam a cadeia Circuit City, concordatária desde novembro de 2008, e a Fannie Mae, uma das protagonistas da crise imobiliária atual.
Eu mesmo já tratara disso, AQUI.
Minha dúvida é bastante simples. Bom, tenho mais de uma:
O Jim Collins sumiu ? Não emitiu nenhum comentário sobre o fiasco da sua previsão ?
Será que ele mudou de idéia com relação ao nível de excelência da Fannie Mae ?
Será que ele vai assumir que errou ?
Vai assumir que sua pesquisa (e, por conseqüência, seu best-seller) estava furada ?
21 de dezembro de 2008
Para que servem revistas volúveis ?
Abaixo, alguns trechos da referida matéria (que está na íntegra AQUI):
Parece que foi num passado distante, mas há apenas seis meses uma espécie de euforia coletiva tomou conta do mercado acionário brasileiro. Para a premiada equipe de análise do banco de investimento UBS Pactual, as ações de empresas brasileiras eram uma pechincha em maio de 2008. As razões para tanto otimismo eram de uma clareza científica. As economias de países emergentes, como se sabia, descolavam-se do desempenho dos países ricos. O Brasil havia acabado de receber o tão sonhado selo de país com grau de investimento, e o investidor estrangeiro invadiria a bolsa local na nova fase. A expansão do crédito garantia dinheiro a todos, dos compradores de carros àqueles que financiavam seu primeiro apartamento. O futuro, portanto, sorria para a bolsa brasileira.Esta frase aqui em cima......esplêndida !
O UBS Pactual, então, cravou sua previsão para o fim do ano. O Índice Bovespa, que reúne as principais empresas do país e estava em seu recorde histórico, de 70 000 pontos, chegaria a 85 000 pontos até o fim de dezembro. Entre as dez empresas que se destacariam no período estavam as varejistas Lojas Americanas e B2W, bancos e companhias do setor imobiliário. Por alguns dias, a coisa pareceu fazer um baita sentido. A bolsa brasileira continuou subindo até meados de maio - quando começou a descer a ladeira e não parou mais. Quem acreditou no sonho do "Ibovespa 85 000" perdeu dinheiro de gente grande. Das ações recomendadas, todas caíram até o fim de novembro. A que caiu menos despencou 50%. A pior, a construtora Rossi, perdeu mais de 80% do valor de mercado desde então. E o Índice Bovespa rastejava em 34 000 pontos no dia do fechamento desta edição. A projeção se provou errada da premissa à conclusão.
Esse, infelizmente, é apenas um exemplo do circo de horrores que vem sendo o trabalho dos analistas do mercado financeiro em 2008. Seguir recomendações de oráculos das finanças tem sido um péssimo negócio. Não importa se essas avaliações vêm de economistas agraciados com o prêmio Nobel, magos das planilhas ou investidores bilionários. A crise financeira global varreu do mundo trilhões de dólares em investimentos e levou junto a reputação de analistas econômicos de toda espécie. O macho alfa da turma, o apresentador de TV americano Jim Cramer, destacou-se nos últimos meses por sua capacidade de errar bisonhamente. Em outubro, quando o índice Dow Jones ficou abaixo de 10 000 pontos, Cramer berrou: "Peguem todo o seu dinheiro e comprem ações! Agora!".
No dia seguinte, o índice caiu outros 500 pontos - no final de novembro, beirava os 8 000 pontos, queda de 20% em relação ao fundo do poço identificado por Cramer.
Por onde se olhe, pipocam exemplos de trapalhadas de calibre semelhante feitas por iluminados que deveriam entender do que estavam dizendo.
Isso é, SERIA esplêndida se a Exame não fosse mais uma das tantas fontes de previsões bisonhas.
Antes de eu mesmo tecer meus comentários, aproveito uma carta publicada na edição 933:
Em relação ao tema proposto pela capa da última edição, cabe mencionar também o papel dos meios de comunicação e de revistas especializadas que, contagiados pela euforia, outorgam espaço a esses mesmos analistas. A mídia também precisa fazer sua autocrítica.Bernardo: concordo PLENAMENTE com você !!!!!!!!
Bernardo Tanis, São Paulo, SP
Eu começaria, aliás, pela própria Exame, que frequentemente abre espaço para opiniões estapafúrdias e insiste na burrice de clamar por "gurus".
Preciso mencionar, novamente, o pilantra Jim Collins ?
Em Setembro, eu já havia publicado um post sobre o tema - veja AQUI.
A Exame abordou o assunto no final de Novembro.
Rápida, né ?!
Mas, pior do que a lerdeza para tratar de algo tão óbvio, foi a reportagem eximir-se de tentar produzir um mea-culpa, ainda que tardio e superficial:
Se economistas e analistas erram tanto, por que insistimos em ouvir suas previsões e atribuir a elas um caráter científico? (Os jornalistas de EXAME são réus confessos no caso.) Uma história ajuda a ilustrar a resposta. Durante a Segunda Guerra Mundial, o economista americano Kenneth Arrow (que ganharia um Nobel em 1972) foi convocado para liderar um grupo de pesquisadores. A missão era prever as condições meteorológicas nos campos de batalha com um mês de antecedência. Os estatísticos do grupo logo perceberam que as previsões não tinham o menor valor - ou seja, não eram diferentes de um chute qualquer. O grupo mandou um relatório a seus superiores informando que não enviaria as inúteis previsões. Veio, então, a resposta. "O comandante-geral sabe que as previsões não são boas. No entanto, ele precisa delas para fins de planejamento." Tomamos decisões baseadas em previsões o tempo inteiro. Aceito aquela oferta de emprego? Devo ter filhos agora? Faço um financiamento? As empresas dependem de cenários para tomar decisões de investimento, contratações ou aquisições. Governos precisam de previsões para formular políticas. E o mercado financeiro usa expectativas para sua formação de preços. O futuro, portanto, vale muito dinheiro. "Previsões econômicas constituem parte vital do dia-a-dia de empresas e famílias", diz Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Diante das incertezas que o futuro apresenta, é preciso avaliar os cenários, assumir o risco e decidir. Ou seja, apesar da crise atual, os economistas vão seguir tentando adivinhar o que vai acontecer. Os analistas continuarão recomendando ações. E empresários, jornalistas e consumidores continuarão levando essas previsões a sério - essa é a única previsão que esta reportagem se arrisca a fazer.A matéria não chega nem perto de lembrar ao seu leitor que a própria Exame adora as análises malucas desses "gurus" fabricados às dezenas nos últimos anos. Alguns poucos exemplos das previsões estapafúrdias e conclusões equivocadas da própria Exame estão AQUI, AQUI e AQUI. Isso para ficar apenas em alguns poucos......
Alô, dona Cristiane Corrêa (editora-executiva da Exame) !!! A coisa só está piorando !!!!!!
Eu já tratei disso, AQUI.
Aparentemente, nada vai mudar...... (exceto o número de assinantes da Exame)
13 de novembro de 2008
Conflitos
Ok, há questões relevantes ali - mas, como sempre, o que me mata é essa abordagem de "auto-ajuda" que sempre acaba se fazendo presente.
Enfim, é um tema interessante, e merece o registro....
2 de novembro de 2008
Medicina em prol da felicidade
Dr. Paulo Ubiratan, de Porto Alegre, RS, em entrevista a uma TV local, foi questionado sobre vários conselhos que sempre nos são dados.
P: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
R: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só. Não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais. Isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !
P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
R: Você precisa entender a logística da eficiência. O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango.
P: Devo reduzir o consumo de álcool?
R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, o que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar.
P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
R: Minha filosofia é: Se não tem dor, tá bom.
P: Frituras são prejudiciais?
R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO ? Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?
P: Flexões ajudam a reduzir a gordura?
R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho.
P: Chocolate faz mal?
R: Tá maluco? Cacau ? Outro vegetal ? É uma comida boa pra se ficar feliz !
E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - Torresmo na outra, muito muito muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado...
PS: SE CAMINHAR FOSSE SAUDÁVEL, O CARTEIRO SERIA IMORTAL !
28 de setembro de 2008
Chimpanzés e analistas financeiros
Recebi por e-mail (obrigado, Alencar!), e achei genial.
Reproduzo:
Como prever o comportamento das ações no mercado financeiro? Eis aqui uma curiosa experiência, levada a cabo pelo psicólogo Richard Wilberforce. É ele quem narra.Cada vez mais, especialmente diante dessa recente crise econômica norte-americana, fico com a impressão de que as previsões e análises financeiras de "gurus" e "experts" têm como base a mesma premissa dos livros de auto-ajuda: o Cálculo Hipotético Universal Teórico Estimado - ou, para os íntimos, pode-se usar a sigla C.H.U.T.E.
...em 2001 [...] descobri um artigo de jornal que descrevia a última novidade em matéria de previsão [...]: a astrologia financeira. De acordo com o artigo, alguns adivinhos afirmavam que o futuro desempenho financeiro de uma empresa podia ser afetado por sua data de criação.
[...] O experimento contou com três participantes –uma astróloga financeira, um experiente analista financeiro e uma criança. No início do teste, demos a cada um deles o valor nominal de cinco mil libras e pedimos que investissem o dinheiro no mercado de ações, como achassem melhor.
Deram-lhes a opção entre as cem principais empresas no mercado de ações britânico.
[...] Nossa astróloga financeira examinou cuidadosamente a data de criação das empresas e prontamente investiu numa variedade de setores, incluindo ações das áreas de comunicação e tecnologia (Vodafone, Emap, Baltimore Tech e Pearson). O investidor fez valerem seus sete anos de experiência e decidiu investir principalmente na indústria de comunicações (Vodafone, Marconi, Cable & Wireless e Prudential). Queríamos que as escolhas [da criança] fossem completamente aleatórias [...]
Fizeram então com que Tia (este o nome da menina) escolhesse quatro entre cem papeizinhos contendo os nomes das empresas, que haviam sido jogados para o alto. A menina investiu, assim, em um banco comercial (Bank of Scotland), um conhecido consórcio de bebidas (Diageo), um grupo de serviços financeiros (Old Mutual) e uma cadeia líder de supermercados (Saintsbury).
[...] Para ser justos, deixamos que os participantes mudassem seus investimentos alguns dias depois do início de nossa experiência de uma semana. A astróloga financeira mais uma vez consultou os astros e modificou três de suas opções [...] Nosso especialista em investimentos preferiu manter a seleção original. Uma segunda rodada de lançamento de papéis deixou Tia com as empresas Amvescap, Bass, Bank of Scotland e Halifax.
No final da semana, todos verificam que o mercado passava por uma fase especialmente turbulenta. A astróloga perdeu 10,1 % do seu investimento. O analista perdeu 7,1%. A criança saiu-se melhor, perdendo apenas 4,6%. Normal. O engraçado é o comentário de Wiseman.
Nosso investidor [...] declarou aos jornalistas ter seguramente esperado ficar em último lugar e ter sempre achado que Tia ganharia. A astróloga [...] observou que, se soubesse antecipadamente que Tia era canceriana, não teria competido com ela.
O experimento prosseguiu ao longo de um ano. O mercado global sofreu, nesses doze meses, queda de 16%. Nesse período, o analista perdeu 46,2% do investimento original. A astróloga perdeu 6,2%. A menina lucrou 5.8%.
Naturalmente, o valor científico dessa experiência é nulo. Seria preciso convocar algumas centenas de analistas, de astrólogos e crianças para eliminar fatores como a possível incompetência do investidor escolhido. Mas não custa tentar. Wiseman disse que testes semelhantes foram feitos entre analistas e um chimpanzé, que lançava dardos num alvo. O Wall Street Journal gostou da idéia e tem uma "carteira de dardos" cujos resultados, segundo Wiseman –mas aí sua formulação é um pouco escorregadia—"com freqüência" são melhores que os de um time de especialistas.
A descrição de toda a experiência está nas páginas de Esquisitologia – A estranha psicologia da vida cotidiana, livro de Richard Wiseman que acaba de sair em tradução brasileira pela editora BestSeller.
11 de setembro de 2008
A grandeza do guru Jim Collins detonou 200 bilhões
Considerado pela Fortune Magazine como um dos mais influentes pensadores vivos de management, é também o mais lido autor de negócios da atualidade. Jim Collins é autor de quatro livros – incluindo o clássico Built to last, que registra 3,5 milhões de cópias vendidas e até hoje figura em listas de best-sellers. Seu mais recente sucesso Good to great: why some companies make the leap... and others don't que já vendeu mais de 2 milhões de cópias e foi traduzido para 22 idiomas. Sua seleção dos "Maiores CEOs da História" foi matéria de capa da Fortune Magazine.Bonito, né ?!
Agora, uma belíssima lembrança do Clemente Nóbrega:
Essa tal Fannie Mae que acaba de receber uma grana preta do tesouro americano para não quebrar,não é uma daquelas que Jim Collins garantiu ter ultrapassado o patamar das empresas simplesmente boas, e se tornado uma empresa grandiosa (great?). Não é (era) uma das raríssimas que tinham descoberto o segredo da perpetuação,por causa de seus líderes "nïvel 5",e outras presepadas ?Pois é....... O "guru" é genial, não é ?!
O tal do "guru" Jim Collins trata da Fannie Mae AQUI.
Não me lembro de ter lido o Peter Drucker afirmar taxativamente algo parecido sobre nenhuma empresa - e, tempos depois, esta empresa causar um prejuízo deste montante.....
Por essas e outras, DETESTO esses gurus de quinta categoria....
24 de agosto de 2008
O mantra da liderança
Alguns, surpreendem-se quando eu falo dessas jostas.
Mas vamos analisar friamente o que essas "obras" (?) têm a dizer...
O autor do monge e o executivo demonstra sua incrível perspicácia e capacidade analítica com reflexões profundas como uma poça d´água neste entrevista aqui. Já começa bem.....
Para quem nunca leu o livro (desculpem pela falta de um termo melhor para designar aquele agrupamento de páginas com uma capinha simpática, mas sem recheio algum), a internet oferece opções às centenas. Uma rápida busca no Google traz resumos, resenhas, blogs e links dos mais variados, enaltecendo a importância da "obra" de James Hunter.
Se os brasileiros falassem (e escrevessem) tanto sobre Machado de Assis, por exemplo, tenho a impressão de que o Brasil não estaria nesta lama toda......
Mas vamos adiante com o enterro !
É impressionante a quantidade de sites que reproduzem trechos do briefing do "livro" [sic] produzido pela Editora Sextante, particularmente este aqui: O monge defende que a base da liderança não é o poder e sim a autoridade, conquistada com amor, dedicação e sacrifício. E diz ainda que respeito, responsabilidade e cuidado com as pessoas são virtudes indispensáveis a um grande líder. Ou seja, para liderar é preciso estar disposto a servir.
Através da história desses personagens fascinantes, James C. Hunter apresenta conceitos fundamentais para melhorar nossa capacidade de liderança e o convívio com os outros, ajudando assim a nos tornarmos pessoas melhores e abrindo caminho para o sucesso duradouro.
Lindo, não ?!
Emocionante ?!
Eu prefiro "vazio".
Vez ou outra, encontram-se pela web algumas considerações mais "elaboradas" [sic] sobre as conclusões desta obra-prima; eis uma delas: Influenciar as pessoas para que elas hajam de acordo com os objetivos do líder não é uma tarefa fácil para ninguém, poucos conseguem esse feito. Muitos dos lideres usam do poder para chegar aos resultados esperados, mas não é bem por ai, é preciso usar da influencia e não do poder autoritário, é preciso mostrar que você se importa com seus liderados, fluindo somente ações bondosas e amorosas essa é a essência é preciso amar as pessoas não como forma de sentimento de amor, mas com ações amorosas e respeitadoras, mostrando que você se importa com elas e que podem confiar no líder.
Um exemplo de como isso funciona podemos tomar como base os ensinamentos do maior influenciador de pessoas que já existiu nosso amado JESUS CRISTO. Jesus amou, se sacrificou pelas pessoas foi um líder fenomenal influenciou milhões de pessoas, pois o sacrifício é, no entanto a maior qualidade de um líder.
A redação é primorosa......
Mas ignorando isso, a menção a Jesus Cristo me fez rir.
O maior influenciador de pessoas, né ?! O bom líder é aquele que não vê a traição à sua volta, acaba pendurado até a morte e dizendo ser filho de uma virgem.....rs
Putz, certas coisas eu simplesmente não consigo ler sem gargalhar....
Foi um líder fenomenal porque sacrificou-se ?! O sacrifício é a maior qualidade de um líder ?
Socooooorrrrrrooooooooo !!!!!
Ou, plagiando Lenon & McCartney, "Help me" !
Numa certa altura do "livro", James Hunter apresenta ao coitado do leitor (coitado, não ! Se escolheu ler aquilo por livre iniciativa, e não desistiu depois da página 2, merece a tortura até o fim !!!!) um singelo plágio da pirâmide das necessidades de Maslow.
A teoria do Maslow, por si só, nunca foi das melhores. Foi relevante no seu tempo, mas mostrou-se fraca quando melhor examinada - e, principalmente, testada.
Agora.......plagiá-la descaradamente torna a coisa ainda pior !!!!!!!
26 de março de 2008
Teoria dos Jogos
O que a teoria dos jogos tem a ver com sua vida e com sua empresa
por Abraham Shapiro
Exemplo 1:
Uma pequena cidade do interior tem dois postos de combustíveis: o Posto A e o Posto B. O preço pelo qual ambos oferem gasolina é R$ 2,00 o litro. A qualidade é a mesma, já que os dois compram da mesma distribuidora ao preço do litro a R$ 1,50. Suponha que consumidores buscam preço baixo. Sabendo disso, o Posto A resolve baixar o preço para R$ 1,99. O que acontece? Ele conquista 100% do mercado varejista de combustíveis local. Qual a reação esperada do Posto B? Baixar para R$ 1,98. A guerra – saboreada pelos consumidores – chega ao ponto de ambos os postos atingirem um preço próximo de R$ 1,50. Nesta valor, o lucro é igual a zero.
Exemplo 2:
Uma nota de um dólar está sendo leiloada. Quem der o maior lance leva a nota. A regra exige que o segundo colocado tem que pagar o lance, porém, nada leva em troca.
Imagine como seria. Se o vencedor ganhar com um lance de US$ 0,20, ele tem um lucro de US$ 0,80. O segundo colocado, que deu um lance de US$ 0,19, somente paga os US$ 0,19. Neste caso, a banca recebe US$ 0,39 e paga US$ 1,00. Assim, o jogo termina. Mas não é bem assim. Vejamos o que seria normal suceder. Iniciado o jogo, o primeiro participante tem a perspectiva de alto lucro – coisa que desperta a cobiça de outro participante. Rompida a barreira de US$ 0,50, a banca começa a lucrar e, a partir de US$ 1,00, o jogo fica totalmente irracional. Martin Shubik, matemático de Yale e estudioso de Teoria dos Jogos, concebeu este jogo em 1971. Ele descobriu que, em média, a nota era arrematada por US$ 3,40.
Pode-se olhar com desprezo ou até com dúvida estudos advindos da Teoria dos Jogos. Mas eles têm aplicações múltiplas e curiosas. O Leilão da Nota de Um Dólar, por exemplo, é um jogo com aplicações práticas interessantes. As emissoras de televisão, por exemplo, o utilizam para determinar o tamanho dos trechos de filmes entrecortados por propagandas. O primeiro trecho de filme exibido é geralmente maior. Assim, elas induzem o telespectador a "entrar no leilão". Uma vez dentro, os trechos de filme ficam cada vez menores e os intervalos publicitários mais longos. O truque está em saber que, neste momento, o telespectador tem grande dificuldade em desistir: ele já passou do "limite de US$ 1,00".
O mesmo raciocínio aparece nos relacionamentos humanos. Pessoas se mantêm anos a fio em empregos ruins ou casamentos falidos em função de um modelo mental baseado em "Eu investi muito para desistir agora."
Outro fato curioso aconteceu na ocasião da construção do avião Concorde. Inglaterra e França souberam, em determinado ponto da empreita, que o projeto era economicamente inviável. Contudo, mesmo assim decidiram levá-lo a cabo justamente por já terem investido demais.
Numa análise mais profunda, Leilão da Nota de Um Dólar trata das atitudes humanas de "cooperação" e "deserção".
Ocorre que, do modo como foi concebido, o Leilão da Nota de Um Dólar é um jogo único, de uma só rodada. Se os jogadores jogarem seqüências de várias partidas, a deserção tende a diminuir, até desaparecer.
Um Leilão de Nota de Um Dólar jogado várias vezes convergiria para um acordo de divisão dos lucros entre os jogadores – o primeiro daria um lance de US$ 0,01 que não seria superado pelo segundo e, desta forma, os US$ 0,99 de lucro seriam divididos entre os dois. O mesmo aconteceria entre comerciantes inteligentes ao invés de praticarem guerra de preços, como no exemplo dos postos de gasolina. Daí torna-se fácil entender porque é difícil evitar a formação de cartéis. A cooperação em jogos com muitas rodadas é um ótimo negócio. Existe uma forte tendência das pessoas construírem sua reputação cooperativa e, com isto, obterem vantagens reais com isto – vantagens financeiras ou não.
Mesmo considerando que jamais será identificada, a maior parte das pessoas tende a não "fugir da raia" ou não ser desertora. Naturalmente, o ser humano gosta de ser cooperativo. Os dois opostos negativos desta dinâmica são: "deserte sempre" e "coopere sempre". Não estranhe. "Cooperar sempre" é perigoso. O cooperador incondicional está altamente vulnerável a oportunistas. Além disso, seu desempenho tende a ser pífio por falta de algum nível de competitividade.
A Teoria dos Jogos provê um conjunto de ferramentas para a análise de problemas de decisão que um indivíduo enfrenta quando seu destino depende tanto de sua própria escolha quanto da escolha de outros.
Pessoalmente, prefiro ESTA versão do assunto..... Sem "auto-ajuda" e idiotices semelhantes.