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11 de dezembro de 2012

Endosso do LinkedIn - ou o samba do crioulo doido

Por vezes somos surpreendidos por algumas felizes coincidências.....

Meu texto de ontem, sobre os perigos de indicar ou recomendar um profissional, me permitiu receber alguns comentários interessantes.
Mas a grande coincidência foi a coluna da Marion Strecker na Folha de São Paulo de ontem.
Ela exemplifica muito bem a insanidade que caracteriza algumas situações bastante corriqueiras hoje.

Vamos ao texto:

Não passo um dia sem receber pedidos pela internet. Muitos vêm de desconhecidos, disfarçados na forma de "convites".

Vão desde solicitações simpáticas, com promessas de alegrias ou recompensas, até propagandas disfarçadas ou pedidos de presente para casamentos aos quais não fui convidada. Muitos são mensagens grosseiras, ainda que feitas sem intenção de ofender.

Convites para jogar ou usar aplicativos no Facebook recebo aos montes. Só que não tenho tempo para jogar e estou traumatizada com apps que copiam informações pessoais e saem disparando mensagem a todos os nossos amigos, às vezes sem o nosso conhecimento. Cansei.

Convites para usar novas redes sociais? Esse é outro tema que entope o meu e-mail. Já uso três redes. Cansei de testar outras e não gostar. Só vou mudar para uma nova se alguém muito especial me convencer de que vale a pena.

Recomendações profissionais são outro trauma para mim. Antigamente, se alguém que tivesse trabalhado diretamente comigo precisasse de uma carta de recomendação para pleitear um emprego específico, a pessoa me procurava numa conversa bem franca.

Os pedidos eram raros e vinham de quem eu conhecia muito bem profissionalmente. Por isso eu atendia com prazer.

Hoje recebo esse tipo de pedido aos montes por mensagens automáticas na internet. Todas as redes sociais profissionais fornecem a "facilidade" ao público, para que, num só clique, você possa disparar pedidos impessoais de recomendação para Deus e o mundo, mesmo que não esteja pleiteando um emprego específico naquele momento.

Parecem pedidos de recomendação preventivos, para ficar ali expostos como propaganda pessoal.

São pedidos de recomendação profissional de pessoas com quem nunca trabalhei e nem sequer conheço. Não é uma loucura?

Um exemplo, omitindo sobrenomes por cortesia. Em 20 de agosto, recebi pela rede LinkedIn a seguinte mensagem particular, intitulada "Você poderia me recomendar?"

"Prezado (sic) Marion,
Venho através desta solicitar uma breve recomendação sobre meu trabalho para que eu possa adicioná-la ao meu perfil do LinkedIn. Se tiver dúvidas, entre em contato.
Agradeço desde já pela ajuda.
Paulo Victor"

Fiquei intrigada. Será que esse Paulo trabalhou comigo, e eu não me lembro dele? Será que escreveu "prezado" em vez de "prezada" por erro de digitação? Deixei a mensagem repousar numa imensa pilha, que nunca terei tempo de zerar.

Em 13 de setembro me deparei de novo com ela. Resolvi tirar a dúvida. Então escrevi secamente o seguinte:
"Paulo Victor,
Você me conhece? Eu te conheço? Refresque-me a memória, por favor.
Marion"

Em 25 de novembro recebi a resposta, que reproduzo exatamente como chegou.
"Desculpe, não nos conhecemos pessoalmente.
Sou Paulo,
Estudante de Jornalismo
Quero ser Jornalista Internacional
Prazer : )"

Resumo: o cara achou que eu era um homem, não se deu ao trabalho nem de "googlar" meu nome e queria que eu o recomendasse por aí para ser um jornalista internacional, na supostamente melhor rede profissional da atualidade. 


Eu vou um passo adiante: no LinkedIn, já recebi pedidos de recomendação de gente que nunca conheci, mas o mais estranho é que agora, graças ao novo recurso "endorsements", recebi avisos do LinkedIn me alertando que "fulano" endossou minha habilidade em "marketing estratégico" ou "e-learning", ou qualquer outra coisa.
Detalhe: fulano que eu não conheço!

Ou seja: o camarada não me conhece, não tem a menor idéia se sou um pilantra como o descrito no post de ontem, não sabe se tenho a mínima competência no quesito, mas referendou minha suposta "habilidade"!!!!

É ou não é um samba do crioulo doido????

Sim, estou no LinkedIn, e acho uma ferramenta muito bem bolada, muito útil.
Mas tem gente que não se enxerga mesmo...

 

10 de dezembro de 2012

Indicações profissionais: o que não fazer. Ou: como entrei pelo cano tentando ajudar um pilantra

Indicações e recomendações de outros profissionais para certos cargos e/ou projetos é uma tradição. Algumas empresas, antes de iniciar um processo seletivo externo, preferem pedir aos seus atuais funcionários que façam indicações ou recomendações de profissionais que eles julgam qualificados para o cargo em questão.
Há quem PREFIRA contratar uma pessoa baseado na indicação feita por alguém “de confiança”.

Há alguns anos, surgiu a rede social LinkedIn, dedicada a desenvolver a rede de contatos (networking) profissionais de seus usuários. A idéia central é justamente facilitar contatos profissionais, recorrendo a ferramentas modernas, práticas e ágeis, baseadas na internet - o que, convenhamos, facilita muita coisa.
Mas quero tratar justamente dos perigos que rondam aqueles que resolvem recorrer às indicações, às recomendações - com ou sem o uso de ferramentas como o LinkedIn.

Pois bem. O LinkedIn pode ser extremamente útil para ajudar a controlar a networking, mas é preciso ter bom senso para usá-lo.
Eu não tive.
E errei noutros aspectos também. Vamos a eles.


No final de 2010, o marido de uma amiga minha de longa data estava planejando um novo negócio. Inicialmente ele me pediu algumas opiniões, e graças a isso tive algum contato com as idéias que ele e um sócio (Fred, que eu jamais conheci) tinham. Apontei alguns problemas nas idéias deles, mas sempre de forma superficial, pois não me foi solicitada uma opinião mais aprofundada, mais, digamos, “profissional”. Não me pareceu, na época, um negócio tão rentável quanto eles achavam que poderia ser, mas apenas viável, se tanto.

Como consultor empresarial, eu poderia, claro, fazer uma avaliação mais pormenorizada, mas aquela não era uma consulta formal, apenas algo baseado na amizade - inclusive porque as conversas acabavam acontecendo em situações sociais, completamente informais.

Em 2011, eles iniciaram o negócio para valer.
O Maurício e o sócio, Fred, se conheceram na empresa aonde ambos trabalhavam até 2010 - o Fred foi demitido no início de 2011, e o Maurício, em maio do mesmo ano.
Como eles já estavam elucubrando a empresa desde antes da demissão, havia tempo para fazer um planejamento. Mas não foi isso o que eles fizeram.
De qualquer forma, a demissão do Fred foi o “empurrão” definitivo para o início das atividades da empresa. Mesmo sem o planejamento que eu sugeri ao Maurício.

Começaram o negócio, e logo percebi que nenhum dos dois estava minimamente preparado para o período inicial de QUALQUER empreendimento - o que pressupõe dificuldades em fazer caixa, investimentos iniciais e paciência para aguardar o retorno.
O fato concreto é que em maio, após o Maurício ser demitido, acabou a única fonte de renda fixa da empresa - que, por estar começando, precisava ser “bancada” pelos sócios, o que é absolutamente esperado, normal.

A partir de junho, a situação começou a ficar mais complicada.
Em agosto o Maurício não tinha mais dinheiro para pagar as despesas PESSOAIS dele (aluguel, prestação do carro, água, luz, telefone etc). Aliás, nem a empresa tinha receita para cobrir seus próprios custos, nem os sócios tinham renda própria para sustentarem-se (excluindo o salário da esposa do Fred).

Deixando de lado vários detalhes irrelevantes, neste momento o Maurício pediu minha ajuda.
Ele queria que eu fizesse indicações de potenciais clientes para a empresa deles. Eles precisavam de clientes para gerar receita - e, assim, cobrir os custos da empresa e, com alguma sorte, conseguir uma renda mínima para cada um dos sócios.

Foi neste momento que começou o problema. Ou, ao menos, o primeiro.

Na ânsia de ajudar o Maurício, acabei deixando em segundo plano uma questão que JAMAIS deve ser ignorada.
Selecionei, em meio aos meus contatos, algumas possibilidades; fiz contatos diretos, por telefone ou e-mail, pedindo uma chance para que a empresa deles fizesse uma apresentação dos seus serviços; investiguei, junto a algumas pessoas, oportunidades para a empresa deles, e cheguei a intermediar algumas propostas. Mas deixei de lado a minha avaliação crítica.
O fato concreto é que, naquele momento, sob aquelas circunstâncias, e sob a gestão de 2 pessoas sem nenhuma capacidade ou experiência gerencial, a empresa estava fadada ao fracasso.

Eu, guiado pela amizade, acabei ignorando tudo isso, e tentei ajudá-los.

Hoje posso dizer que FELIZMENTE nenhuma das propostas e contatos que eu intermediara prosperou. Nenhum negócio foi fechado. Nada.
Ainda bem!

Por que eu digo “ainda bem”?!
Porque o tempo acabou me fazendo ver, forçosamente, aquilo que no primeiro momento eu ignorei - graças à amizade.

Primeira coisa: para recomendar uma pessoa (seja para um cargo, um projeto etc), você deve conhecer a pessoa suficientemente bem para saber se ela é CONFIÁVEL. Acabei descobrindo, em 2012, que o Maurício não é confiável. E, pelo que observei, o sócio dele também não era - mas este, como já disse, nem cheguei a conhecer.
A surpresa no quesito confiança veio em 2012: o Maurício invadiu minha conta no LinkedIn, alterou meu perfil, e colocou parte do meu currículo como se fosse dele. Volto a tratar disso mais adiante.

Segunda coisa: ainda que a pessoa seja confiável, é preciso avaliar se ela é a mais adequada para a indicação em questão.
Eu errei pois permiti que a amizade me cegasse no que tange à capacidade do Maurício em gerir a empresa. Eu achava que ela estava interessado em aprender, e que faria isso se tivesse oportunidades, mas eu estava errado.
Eu emprestei livros, mandei muita coisa para que ele lesse (inclusive materiais de aulas minhas), me coloquei à disposição para ensiná-lo, ajudá-lo, e o incentivei a fazer cursos - faculdade, inclusive.
Tudo à toa.
Uma cópia da minha dissertação de mestrado ficou perdida numa gaveta da casa dele por alguns meses, sem jamais ter sido tocada. Dezenas de artigos e links que enviei por e-mail tiveram o mesmo fim: o limbo da caixa de entrada.
Não apenas ele não tinha as competências e habilidades necessárias, como ele não tinha sequer interesse real em adquiri-las e/ou desenvolvê-las.
Em suma, a pessoa errada para dirigir uma empresa - não importa de qual tamanho.

É preciso notar o seguinte: eu criei o perfil dele no LinkedIn (neste momento, devo ter feito login no site usando o computador dele, e minha senha deve ter ficado armazenada, o que possibilitou a invasão do meu perfil), inicialmente eu mesmo atualizava muitas coisas porque ele não estava familiarizado com o site, e também usei a minha base de contatos no site para que ele conseguisse ter mais do que 2 ou 3 contatos apenas.
Fiz as “apresentações” por meio da plataforma, para ajudá-lo a começar a “networking”.
De uma certa forma, isso "transferiu" contatos meus para ele, mesmo sem que ele conhecesse aquelas pessoas - tenho ainda o e-mail de um amigo que respondeu o convite de contato do Maurício com a seguinte frase: "amigo do Munhoz é amigo meu".

Inicialmente, nosso acordo era de que eu daria este “ponta-pé” inicial, mas depois, paulatinamente, ele assumisse o controle. Mas depois percebi que nem mesmo nisso ele tinha interesse real (o problema do perfil inadequado: um empreendeor sem nenhuma vontade de aprender, e reduzida capacidade para melhorar, desenvolver-se).

Resumindo, uma pessoa nada confiável (que foi capaz de “roubar” minha conta na plataforma que eu apresentei a ele com uma finalidade que até hoje eu ainda não entendi), e com o perfil mais errado possível.
Eu errei, repito, ao não perceber isso antes.

Como eu não percebi que a mediocridade pessoal e profissional tinham a mesma causa?
Como eu ignorei o fato de que uma pessoa que nunca gerenciou nada, e que não tinha nenhum interesse efetivo em aprender, jamais poderia vir a gerir uma empresa de sucesso?
Olhando para trás, mea-culpa feita, só o que posso concluir é que deixei a ilusão suplantar a razão.

Racionalmente, nunca houve nenhum indício de que o Maurício tivesse a capacidade, a competência, a habilidade ou a vontade (real) ter uma empresa, de geri-la.
Mas deixei a racionalidade de lado.
Grande erro!

Assim, fica a lição: muito cuidado ao recomendar alguém.
Você pode estar prestes a colocar seu nome, sua credibilidade, em risco.
Não vale a pena fazer isso por um pilantra qualquer.

O segundo problema foi causado justamente porque eu fui querer ajudar um cara que trabalhava como analista de sistemas (a despeito de não ter formação nenhuma) a usar um simples site, o LinkedIn, mas não conseguia preencher uma porra de um currículo on-line!
Acabei deixando minha senha na memória do computador dele, possibilitando que ele “roubasse” meu perfil.

Portanto, além de ter cuidado com qualquer indicação ou recomendação,  jamais confie uma senha à memória do computador de ninguém - mesmo que não seja um site com dados bancários, cartões de crédito etc. Consegui recuperar minha conta no LinkedIn, mas deu muito trabalho.

Um trabalho que um pilantra desse naipe simplesmente não merece.

PS: Enquanto eu tentava recuperar o acesso ao meu perfil no LinkedIn, recorrendo ao SAC da empresa, minha advogada fez alguns "print-screens" do perfil que o pilantra "roubou". Estão NESTE ARQUIVO.
Ressalto o seguinte: ele mudou o nome, que aparece bem no cabeçalho, mas todas as recomendações escritas pelos meus alunos e contatos (mais abaixo) citam o MEU nome, e não o dele!
Além de tudo, o pilantra não consegue nem mesmo forjar um currículo falso crível!

 

26 de novembro de 2009

Empregabilidade

Primeiro, um gracejo que recebi por e-mail:
Quando o corpo foi criado, todas as partes queriam ser chefe. O cérebro foi logo dizendo:

– Eu deveria ser o chefe, porque controlo todas as respostas e funções do corpo.

Os pés disseram:

– Nós deveríamos ser o chefe, porque carregamos cérebro para onde ele quiser ir.

As mãos disseram:

– Nós é que deveríamos ser o chefe, porque fazemos todo trabalho e ganhamos o dinheiro.

E assim foi com o coração, pulmões, olhos, até que chegou a vez de o c. falar. Todas as partes riram do c. por querer ser o chefe. E foi daí que ele entrou em greve, bloqueou-se e recusou-se a trabalhar.

Em pouco tempo os olhos ficaram vesgos, as mãos crisparam, os pés se retorceram, o coração e os pulmões entraram em pânico e o cérebro teve febre. No final todos, concordaram, e o c. passou a ser o chefe. Todas as outras partes, então, faziam seu trabalho, e o chefe ficava sentado e deixava a merda passar!

MORAL DA HISTÓRIA: Você não precisa de cérebro para poder ser um chefe; qualquer cuzão pode ser.


Agora, um comentário meu:  
e não é que a moral da história é perfeita !!??


Quem nunca teve um cuzão como chefe que atire a primeira pedra.

26 de agosto de 2009

RH precisa de revisão

Ótimo vídeo, que vi no blog do Marcelo Cherto:

16 de julho de 2009

Reflexões filosóficas (02)

Depois de escrever algumas linhas sobre o TALENTO, quero tratar, agora, de outro ponto, ainda que correlato - mas diferente.
TESÃO.

Não sei quanto a você, caro leitor, mas eu sou movido a tesão.
Qualquer tarefa a ser realizada, desde a mais simples e banal, até a mais complexa, deve vir acompanhada de TESÃO - vontade real de fazer aquilo, sejá lá o que for.
Para lavar o carro, preciso estar com tesão - caso contrário, levo ao lava-rápido (isso se a preguiça não for maior, como ontem).
Para escrever um artigo, preparar uma prova, fazer um relatório ou análise etc....para tudo isso, preciso estar com tesão.
Senão, sento no sofá, ou então vou tomar uma Coca, fumar um cigarro, olhar para o infinito.....

Isso vale para tarefas profissionais, pessoais e quaisquer outras. Sem tesão, não há solução (era esse o título de um livro, não ?!).

Mas aí, fico pensando o seguinte: diante desse cenário lastimável da falta de talento (ou excesso de gente incompetente no mundo, tanto faz), como manter o tesão ?

Quando comecei a lecionar, tinha um tesão inexplicável, incomensurável.
Chegar mais cedo na faculdade ? Maravilha !
Aceitar atender um aluno em horários alternativos para ajudar num trabalho qualquer ? Sem problemas.
O plano de aulas estava sempre prontinho 2 semanas antes do início do semestre letivo, e os materiais de todo o semestre já estavam prontos, revisados...... Provas, trabalhos e atividades das aulas ?! 100% prontas, planejadas, impressas (ou digitalizadas).

Mas como MANTER isso com o passar do tempo - pior ainda: como manter isso ao longo do tempo, quando vemos gente incompetente, sem nenhum talento, atrapalhando-nos diariamente.
Pior do que atrapalhar é aquela gente que trabalha CONTRA, ou seja, faz o possível e o impossível para minar o nosso trabalho - seja de forma aberta, "descarada", seja veladamente.

O que fazer, então, quando o tesão se perde ?!



Para ser sincero, agradeço quaisquer sugestões para manter o tesão em alta, a despeito dessas adversidades. Confesso que, neste ano, tive tantos contratempos, tanta gente (sem talento, incompetente) trabalhando contra, conspirando (puxa, que dramático!), que fui perdendo gradativamente o tesão em muitas coisas.

Adoro estar em sala de aula, lecionar - mas não tenho mais o menor saco para corrigir provas, trabalhos, ler porcarias, lutar contra a burrocracia...... Lecionar ainda me dá MUITO tesão, mas junto com essa tarefa prazerosa acabam vindo outras, chatas, irritantes.
Como contornar isso ?!

Como continuar fazendo aquilo que dá tesão ("thrill"), e concomitantemente escapar das porcarias que irritam, atrapalham ?!
E quando essas porcarias avolumam-se, sobrepujando o tesão ?

O que fazer quando se perde "that loving feeling" ?!



Não quero nem ouvir aquele amontoado de besteiras do povo do RH, sobre "motivação" e afins.
Não há motivação que supere tantas cagadas, tanta gente incompetente nas posições de chefia, tantos incompetentes trabalhando para atrapalhar o NOSSO trabalho.
Impossível falar em motivação neste contexto. Devido a tantos incompetentes, sem talento, só resta a desmotivação.

No meu caso, confesso, a única coisa que mantém a vontade de seguir lecionando é justamente o feedback que recebo dos alunos.
Tirando isso, não sobra NADA.
Absolutamente NADA.

E aí, o que fazer ?!

13 de julho de 2009

Reflexões filosóficas (01)

Eu estava para iniciar, aqui no blog, uma série de posts mais "intimistas", por vezes até "filosóficos".
A falta de tempo nos últimos meses (em particular nos 2 últimos) me impediu.
Agora, em férias, tive tempo de atualizar algumas coisas, inclusive a cabeça.

E, ao assistir a algumas coisinhas no YouTube, além do que tenho refletido sobre várias coisas, resolvi iniciar a tal "série" - que, já aviso, não garanto fazer de forma sequencial, "bunitinha".

Mas eu queria falar sobre o TALENTO, para iniciar.....
Bom, comecei a pensar sobre isso ao ver esse vídeo aqui:



Sou fã de longa data do Dire Straits. Desde que o álbum Brothers in Arms foi lançado, em 1985, ouço direto. Um dos últimos álbuns da banda, On Every Street, eu acho genial - e lembro de tê-lo comprado, assim que foi lançado, em VINIL. Eu ainda não tinha CD (nem lembro se já existia ou não, mas EU não tinha).

E hoje, cada vez que vejo Mark Knopfler tocando (seja no Dire Straits, seja em carreira solo), fico pensando sobre o TALENTO.

O cara nunca foi considerado (nem quis) nenhum "virtuoso" na guitarra. Mas seu estilo de tocar é SENSACIONAL.
Não me refiro apenas à velocidade, mas ao feeling, à técnica, à harmonia.....
Contudo, ninguém pode dizer que Mark Knopfler é um cantor de voz potente, um showman (pelo menos se tivermos como base de comparação nomes como Freedie Mercury, Bruce Dickinson, Ronnie James Dio, David Coverdale etc).
Ainda assim, o cara "inaugurou" a MTV (americana) nos anos 80, compôs músicas geniais, é um guitarrista respeitado (que já tocou ao lado de gente como Clapton, Phil Collins, Luciano Pavarotti, Sting, Paul McCartney etc), e faz shows incríveis.

O que sustenta tudo isso ?!
TALENTO.

É difícil DEFINIR o que é talento, mas é impossível não reconhecê-lo ao ver demonstrações simples, práticas, reais.

O passar do tempo não "enfraquece" o talento - pelo contrário, só o desenvolve mais.



Ainda assim, o talento é pouco valorizado. Ao menos na prática.
Em particular no Brasil (conquanto não seja "apenas" aqui), o talento é preterido, geralmente em benefício de algo mais "comercial", vendável.
Músicos talentosos não têm apelo comercial, mas os tchans, os créus, as bundas têm.
BBBs, aprendizes e outros lixos têm espaço garantido na TV, mas coisas de qualidade ficam escondidas na madrugada, ou em canais "alternativos" (em tempo: recomendo a minisérie "Som e Fúrua", da Globo - genial!).

Vemos isso não só na música, aliás.

Nas empresas, pessoas com talento são preteridas em prol do "cunhado do vizinho do diretor" ou algo equivalente.
Pessoas com competência e talento não acham espaço, seja pela politicagem do pior tipo (os "QI"s), seja pela incapacidade assombrosa que o RH tem em selecionar os ruins em detrimentos dos talentosos.

O resultado dessa falta de preocupação com o talento, com a competência, no caso da música é mais fácil de perceper - basta ligar a TV e ver as bundas balançando, as "modelos-manequins-atrizes-apresentadoras" nas capas de Playboys (nada contra a Playboy em si, claro!) e afins.

E quando nós temos que conviver com profissionais sem talento nenhum, vexatoriamente incompetentes e incapazes, como "pares" ?!

Há alguns anos, quando decidi minha incursão pelo universo acadêmico, como docente, eu tinha esta (falsa) impressão de que no mundo acadêmico, diferentemente do "mercado", o talento e competência seriam mais relevantes do que a politicagem, e as bundas.
Eu estava redondamente (sem trocadilho) enganado.

O mundo acadêmico também é repleto de bundas, créus, BBBs, fazendas e aprendizes.

O maior problema, contudo, é que os professores têm a árdua tarefa de formar as próximas gerações.
Contudo, é lamentável ver o tipo de professores que hoje estão a cargo desta tarefa - árdua, sem dúvida, mas extremamente prazerosa, recompensadora.
Pessoas despreparadas, verdadeiros PICARETAS, que tomam ações ridículas, falam bobagens vexatórias - mas têm pose, se acham verdadeiros "líderes do BBB".

Quantas e quantas vezes eu não presenciei certos "professores" falando besteiras inacreditáveis para alunos - que, muitas vezes, têm uma forte crença de que seguir as orientações e conselhos daquele professor é uma quase obrigação ?!

Mas e o TALENTO ?
Devido à relação de proximidade e confiança que tenho com (muitos dos) meus alunos, acabou ouvindo certas "confissões" e relatos sobre outros professores. Eles incluem elogios, indiferença, e críticas.
Obviamente, todos devem ser contextualizados, e não podem ser tomados como verdade absoluta - são pontos de vista. Mas são os pontos de vista DOS ALUNOS - aqueles a quem, EM TESE, os professores devem servir, ou seja, os "clientes finais".

Posteriormente, somando-se estes relatos e informações à observação do comportamento efetivo de alguns destes docentes BBBs, porém, fica evidente que as críticas dos alunos, em grande medida, eram mais do que procedentes - por vezes, inclusive, eram críticas até suaves demais, dada a arrogância, o despreparo e a completa falta de talento dos professores.


Contudo, não é APENAS em nível docente que falta talento.....na gestão (ou gerência, ou coordenação, direção etc) destes professores, também.


Reunião de professores em pleno sábado (por quê ?! Não tem um dia pior para isso ?! Digamos domingo, às 8 da noite ??????). OK.

Todo aquele blábláblá que não leva a lugar nenhum.

Reunião termina; nenhuma decisão relevante, nenhuma informação minimamente útil. 4 horas perdidas.
Na saída, por acaso, caio na besteira de ir confirmar, na Secretaria, o horário da minha aula da segunda-feira, se a primeira ou se a segunda (esclarecendo: a reunião do sábado antecedia o início do ano letivo, na segunda-feira posterior).
Só então (repito: POR ACASO) sou informado de que a minha disciplina teria sofrido uma alteração, e ela NÃO teria espaço na grade naquele semestre.

Ninguém teve a gentileza, a educação, a competência, o TALENTO GERENCIAL de avisar o professor da disciplina.
Ninguém teve o bom senso de imaginar que o professor (no caso, este otário que vos escreve) já estava com o planejamento da disciplina PRONTO para o semestre inteiro.
Ninguém avisou nada. Acabei sabendo por ACASO - e um acaso bastante improvável, pois a reunião já havia acabado, e supostamente eu já deveria ter ido embora.
Fui discutir um outro assunto, sem nenhuma relação, e acabei perguntando sobre o horário apenas para desencargo de consciência, confirmação daquilo que eu achava já estivesse absolutamente confirmado.


Será que isso foi um fato isolado ?!
NÃO.

Este exemplo é capaz de tipificar a absoluta e vexatória falta de talento - que, em muitos casos, confunde-se com COMPETÊNCIA.

Falta talento (e/ou competência e/ou ambos) à pessoa (teoricamente) responsável pela coordenação (gestão, gerenciamento etc) das atividades, das pessoas.
Contudo, estas pessoas que DEVERIAM ser responsáveis por isso geralmente são aquelas que em seus discursos enfatizam a importância dos RECURSOS HUMANOS.

Isso acontece nas empresas, com gestores de RH, mas acontece TAMBÉM no mundo acadêmico-universitário - e, neste caso, usualmente envolvendo professores com títulos e mais títulos, cursos e mais cursos, cujos conteúdos teoricamente são repletos de técnicas de psicologia, antropologia, sociologia, educação, pedagogia etc.....
Pessoas que em seus discursos falam de gestão de aprendizagem, de pessoas, de liberdade, respeito, competência e muito mais - porém, na prática, "esquecem" de gerir as pessoas.
Esquecem de detalhes como informar o professor que ele não terá aquela disciplina - de preferência, ANTES que o otário do professor prepare as aulas, o planejamento etc.

Outro exemplo: minha aula foi cancelada/transferida, mas eu fico sabendo disso por meio dos alunos, DEPOIS que já estou instalado na sala de aula.
A coordenação "esqueceu" de me avisar - mas combinou tudo com os alunos, com a Secretaria, com o faxineiro, com o porteiro, com a "tia" do dog...... Só o otário aqui não foi avisado!
Resultado: recolhi minhas coisas, e fui embora para casa - o que significa que perdi 4 horas entre o trânsito enfrentado para CHEGAR na faculdade, comer um cachorro-quente e voltar para casa. Nunca gastei tanto tempo (e gasolina, dinheiro do estacionamento, paciência de ficar parado na Marginal) para comer um cachorro-quente !!!!

É ou não é falta de talento ?!

O que dizer, então, daqueles professores saboneteiros ?!
Eu, na graduação, tive alguns.
O perfil desse tipinho é sempre o mesmo: tem algum diploma/título de uma faculdade de renome, mas nunca fez nenhum trabalho, pesquisa, artigo ou tese minimamente relevante; o pior, contudo, é que o tipinho se acha a terceira bolacha do pacote - mas, na prática, não tem NENHUM talento ou competência para ensinar.

Tive um professor de gestão de produtos assim, na graduação - Rittner.
Só sabia falar de Dove. Para as aulas medíocres dele, o único exemplo para qualquer teoria era o Dove.
Qualquer pergunta sobre outro tipo de produto era descartada. Só Dove interessava.

Para quem é da área de marketing, não é preciso explicação adicional.
Para quem não é, eu explico a fixação pelo Dove: sabonete é o tipo de produto que cabe de exemplo para virtualmente todas as teorias básicas de gestão de produtos (um dos Ps do mix de marketing). Isso significa o seguinte: o cara tinha preguiça para pesquisar qualquer outro exemplo para ilustrar as teorias, então ficava sempre no Dove. Mas o pior é que ele se achava a terceira bolacha do pacote, a última Coca-Cola do deserto - e suas aulas eram incrivelmente chatas, soníferas, e desprovidas de conteúdo.

Esse é o tipo picareta: enche os alunos de xerox de matérias de jornais e revistas, mas não dá rigorosamente nenhum embasamento teórico; fica sempre nos mesmos exemplos maçantes nas aulas, para não ter que se arriscar a tratar de exemplos que possam demonstrar que ele não domina o assunto; tem aquele tom monocórdico nas aulas, que faz com que qualquer um durma em no máximo 30 minutos; enche a lousa de bobagens sem sentido, para dar a impressão de "ter conteúdo"; faz provas complexas, ilegíveis, para parecer que "exige" muito dos alunos.

Estes poucos exemplos que eu narrei aconteceram comigo, na vida acadêmica (como aluno, no caso do saboneteiro, ou como professor). Mas eles são exemplos que valem para o mercado de trabalho "normal" (empresas).
Passei por situações semelhantes/análogas na vida profissional, como consultor e/ou empregado (se bem que "empregado" foi por pouquíssimo tempo).
Incompetentes como "pares", como chefes..... E eu, de mãos atadas.

Todos nós passamos por situações assim. Temos que conviver com os incompetentes, os sem-talento que se metem a fazer alguma coisa para a qual não têm nenhum preparo, nenhuma vocação - inclusive atendentes do SAC, funcionários de banco, atendentes do SAC, atendentes do SAC etc...

Novamente, pergunto: E O TALENTO ?

Ahn, é só um detalhe, né ?!
Afinal, temos as bundas do tchan, os bichinhos da fazenda, as modelos-manequins-atrizes-apresentadoras da vida.

Não precisa de talento, basta ter bunda.

Recursos humanos - servem para......quê ?

A piadinha é ótima para ilustrar que o departamento de RH geralmente se ocupa com atividades absolutamente estratégicas:

Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 01 de dezembro Assunto: Festa de Natal
Tenho o prazer de informar que a festa de Natal da empresa será no dia 23 de dezembro, com início ao meio-dia, no salão de festas privativo da Churrascaria Grill House. O bar estará aberto com várias opções debebidas. Teremos uma pequena banda tocando canções tradicionais **de **natal...sinta-se à vontade para se juntar ao grupo e cantar! A árvore de Natal terá suas luzes acesas às 13:00. A troca de presentes de amigo secreto pode ser feita a qualquer momento, entretanto, nenhum presente deverá exceder R$20,00, a fim de facilitar as escolhas e adequar os gastos a todos os bolsos.
Boas festas para vocês e suas famílias,
Patrícia

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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 02 de dezembro
Assunto: Festa de Natal

De maneira alguma nosso memorando de 01 de dezembro pretendeu excluir nossos funcionários judeus! Reconhecemos que o Chanukah é um feriado importante e que costumam coincidir com o Natal, mas isso não aconteceu este ano. De qualquer forma, passaremos a chamá-la de "Festa de Final de Ano". A mesma política se aplica a todos os outros funcionários que não sejam cristãos e àqueles que ainda celebram o Dia da Reconciliação.
Não haverá árvore de Natal. Nada de canções de natal nem coral.
Teremos outros tipos de música para seu entretenimento.

Felizes agora?

Boas festas para vocês e suas famílias,

Patrícia

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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos
COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 03 de dezembro
Assunto: Festa de Natal

Com relação ao bilhete que recebi de um membro do Alcoólicos Anônimos olicitando uma mesa para pessoas que não bebem álcool... você não assinou seu nome! Fico feliz em atender o pedido, mas se eu puser uma placa na mesa "Exclusivo para AA", vocês não serão mais anônimos... Como faço então? Nenhuma troca de presentes será permitida, uma vez que os membros do sindicato acham que R$20,00 é muito dinheiro e os executivos acham que $ 20,00 é muito pouco para um presente.
NENHUMA TROCA DE PRESENTES SERÁ PERMITIDA, certo?
Patrícia

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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos

COMUNICADO PARA TODOS OS FUNCIONÁRIOS.
Data: 07 de dezembro
Assunto: Festa de Natal
Eu não sabia que no dia 20 de dezembro começa o mês sagrado do Ramadan para os muçulmanos, que proíbe comer e beber durante as horas do dia. Talvez a Churrascaria Grill House possa segurar o serviço de bufê até o fim do dia - ou então, embalar tudo para que vocês levem para casa nas marmitas. O que vocês acham disso?
Novidades: neste meio tempo, consegui que os membros do Vigilantes do Peso sentem o mais longe possível do bufê de sobremesas; as mulheres grávidas sentem-se o mais perto possível dos banheiros; teremos assentos mais altos para pessoas baixas e comida com baixa-caloria estará disponível para os que estão de dieta.
Nós não podemos controlar a quantidade de sal utilizada na comida.
Desta forma, sugerimos para estas pessoas com pressão alta provar o gosto primeiro. Haverá frutas frescas de sobremesa para os diabéticos.
O restaurante não dispõe de sobremesas sem açúcar.

Nossas profundas desculpas.
Esqueci de alguma coisa?
Patrícia

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Patrícia Gomes - Diretora de Recursos Humanos

COMUNICADO PARA TODOS FILHOS DA PUTA QUE TRABALHAM NESTA EMPRESA.
Data: 08 de dezembro
Assunto: Festa de Natal DO CARALHO
Vegetarianos!?!?!??! Sim, vocês também tinham que dar sua opinião de merda ou reclamar de alguma coisa!!! Nós manteremos o local da festa na Churrascaria Grill House; quem não gostar, foda-se! Então, como alternativa, seus putos, vocês podem sentar-se quietinhos na mesa mais distante possível da tal "churrasqueira da morte" - como vocês se referiram de forma bastante depreciativa ao utensílio. E vocês terão também sua mesa de saladas de merda, incluindo tomates hidropônicos da casa do caralho & arrozinho grudento pra comer de pauzinho. Aqueles que, naturalmente, ainda não gostaram, podem enfiar tudo no cu. **
Ah, espero que vocês todos tenham uma bosta de festa de final de ano!
E que dirijam muito, muito bêbados e morram todos, todinhos esturricados por aí.
Escutaram? A Vaca, diretamente da puta que os pariu.

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Dr. Pacheco - Diretor de Recursos Humanos INTERINO

COMUNICADO PARA TODOS OS funcionários
Data: 10 de dezembro Assunto: Patrícia Gomes e Festa de Final de Ano

Tenho certeza que falo por todos desejando para a Patrícia um rápido restabelecimento para sua crise de stress.
Por conta deste fato, a diretoria decidiu cancelar a Festa de Final de Ano e dar folga remunerada para todos na tarde do dia 23 de dezembro.
**Boas Festas,***
Pacheco

24 de agosto de 2008

O mantra da liderança

Meus alunos sabem o quanto eu DETESTO aqueles livrinhos vagabundos, de trigésima-oitava-categoria, tipo "Quem mexeu no meu queijo", "O monge e o executivo" e assemelhados.

Alguns, surpreendem-se quando eu falo dessas jostas.

Mas vamos analisar friamente o que essas "obras" (?) têm a dizer...

O autor do monge e o executivo demonstra sua incrível perspicácia e capacidade analítica com reflexões profundas como uma poça d´água neste entrevista aqui. Já começa bem.....

Para quem nunca leu o livro (desculpem pela falta de um termo melhor para designar aquele agrupamento de páginas com uma capinha simpática, mas sem recheio algum), a internet oferece opções às centenas. Uma rápida busca no Google traz resumos, resenhas, blogs e links dos mais variados, enaltecendo a importância da "obra" de James Hunter.
Se os brasileiros falassem (e escrevessem) tanto sobre Machado de Assis, por exemplo, tenho a impressão de que o Brasil não estaria nesta lama toda......
Mas vamos adiante com o enterro !

É impressionante a quantidade de sites que reproduzem trechos do briefing do "livro" [sic] produzido pela Editora Sextante, particularmente este aqui: O monge defende que a base da liderança não é o poder e sim a autoridade, conquistada com amor, dedicação e sacrifício. E diz ainda que respeito, responsabilidade e cuidado com as pessoas são virtudes indispensáveis a um grande líder. Ou seja, para liderar é preciso estar disposto a servir.
Através da história desses personagens fascinantes, James C. Hunter apresenta conceitos fundamentais para melhorar nossa capacidade de liderança e o convívio com os outros, ajudando assim a nos tornarmos pessoas melhores e abrindo caminho para o sucesso duradouro.

Lindo, não ?!
Emocionante ?!

Eu prefiro "vazio".

Vez ou outra, encontram-se pela web algumas considerações mais "elaboradas" [sic] sobre as conclusões desta obra-prima; eis uma delas: Influenciar as pessoas para que elas hajam de acordo com os objetivos do líder não é uma tarefa fácil para ninguém, poucos conseguem esse feito. Muitos dos lideres usam do poder para chegar aos resultados esperados, mas não é bem por ai, é preciso usar da influencia e não do poder autoritário, é preciso mostrar que você se importa com seus liderados, fluindo somente ações bondosas e amorosas essa é a essência é preciso amar as pessoas não como forma de sentimento de amor, mas com ações amorosas e respeitadoras, mostrando que você se importa com elas e que podem confiar no líder.

Um exemplo de como isso funciona podemos tomar como base os ensinamentos do maior influenciador de pessoas que já existiu nosso amado JESUS CRISTO. Jesus amou, se sacrificou pelas pessoas foi um líder fenomenal influenciou milhões de pessoas, pois o sacrifício é, no entanto a maior qualidade de um líder.


A redação é primorosa......
Mas ignorando isso, a menção a Jesus Cristo me fez rir.
O maior influenciador de pessoas, né ?! O bom líder é aquele que não vê a traição à sua volta, acaba pendurado até a morte e dizendo ser filho de uma virgem.....rs
Putz, certas coisas eu simplesmente não consigo ler sem gargalhar....

Foi um líder fenomenal porque sacrificou-se ?! O sacrifício é a maior qualidade de um líder ?

Socooooorrrrrrooooooooo !!!!!

Ou, plagiando Lenon & McCartney, "Help me" !

Numa certa altura do "livro", James Hunter apresenta ao coitado do leitor (coitado, não ! Se escolheu ler aquilo por livre iniciativa, e não desistiu depois da página 2, merece a tortura até o fim !!!!) um singelo plágio da pirâmide das necessidades de Maslow.
A teoria do Maslow, por si só, nunca foi das melhores. Foi relevante no seu tempo, mas mostrou-se fraca quando melhor examinada - e, principalmente, testada.
Agora.......plagiá-la descaradamente torna a coisa ainda pior !!!!!!!

1 de junho de 2008

Recursos humanos: um insulto

Na Revista Exame de 21/05/2008, foi publicada uma (curta) entrevista com um escritor australiano de quem eu jamais ouvira falar, Max Barry. Li a entrevista, e valeu a pena:

1 - Por que todos os executivos de seus livros têm um comportamento patético?
Provavelmente, nem todo executivo é patético, embora grande parte seja. Existe um tipo particular de personalidade que é atraído ao mundo corporativo — e não um tipo que eu chamaria de feliz e saudável. Estou falando de gente com capacidade de subserviência ao sistema e poder de anular a humanidade dos companheiros de trabalho acima da média.

2 - O mundo corporativo é pior hoje do que há 20 ou 30 anos?
Há poucas décadas, não era comum que o único objetivo de uma média ou grande empresa fosse o lucro máximo. Claro que empreendedores como Rockefeller e Ford lutavam para obter lucro, mas eles se preocupavam com os trabalhadores, suas famílias e o lugar de seu empreendimento na sociedade. Hoje, assim que uma companhia fica grande, o dono a entrega a financistas ou abre o capital para extrair lucro máximo ao mínimo custo.

3 - Essa não é uma visão muito romântica de antigamente?
Não é que as coisas fossem mais fáceis para os empregados — em geral, as condições de trabalho eram piores. A diferença mais interessante é que Ford e Rockefeller dirigiam corporações, enquanto hoje as corporações dirigem as pessoas.

4 - Que mudanças gostaria de ver no mundo dos negócios?
Sou um pouco pessimista em relação a isso. Para fazer uma mudança significativa na natureza das companhias, teríamos de deixar de colocar o lucro em primeiro lugar, e sinceramente não acredito que alguém esteja disposto a fazer isso. Pequenos negócios privados até poderiam fazer, mas não os grandes — não, se quiserem sobreviver.

5 - Por que os funcionários não têm o poder de realizar essas transformações?
Pessoas são um péssimo ativo. Elas são um risco, nem sempre fazem o que você manda, pedem demissão, ficam doentes, fazem ligações pessoais em horário de trabalho, reclamam... As companhias iriam preferir robôs que pudessem ser ligados de manhã, fizessem exatamente o que fossem mandados fazer e pudessem ser guardados num armazém à noite.

6 - Qual dos rituais do mundo corporativo o senhor considera mais absurdo?
Reorganizações. As companhias são viciadas nelas. Deixam todos estressados, destroem a produtividade por semanas ou meses e, em geral, terminam não dando o resultado esperado.

7 - Os departamentos de recursos humanos não deveriam estar mais atentos a essas questões?
Ninguém percebe que a expressão “recursos humanos” é um insulto? Tenho empatia com as pessoas que trabalham nesses departamentos. Não é fácil. Elas têm de moldar todos os funcionários dentro de um padrão determinado pela companhia para que possam ser programados para certas tarefas. Mas o nome que se dá a essa tarefa é terrível. Se os alienígenas viessem para a Terra e fizessem um cultivo de pessoas para colher nossos sucos essenciais, eles nos chamariam de “recursos humanos”.

O pior é que o cara está coberto de razão !
E na página da Exame que reproduz a entrevista impressa (aqui), o que me intrigou foram os comentários de leitores.

O comentário da leitora Simone de Almeida e Silva é pândego: "Com todo respeito ao Sr.Barry, encaro sua afirmativa de que as pessoas são um péssimo ativo como um insulto à sabedoria humana. A questão é q para se iniciar uma transformação exige sacrifício, renúncia, comprometimento, responsabilidade, o que a maioria das pessoas não estão disposta a fazer. O q falta são verdadeiros "líderes" q tenham a capacidade de induzir às pessoas a promoverem melhorias."
Ela queria discordar daquilo que o entrevistado afirmara, mas o argumento que ela usou, a despeito dos erros gramaticais, só reforçou aquilo que o Max Barry disse: se a maioria das pessoas não está disposta a fazer aquilo que é necessário para se iniciar uma transformação (ela lista sacrifício, renúncia, comprometimento etc), então a afirmação de que as pessoas são um péssimo ativo é corretíssima !

Na edição seguinte da revista, foi publicada uma carta de outro leitor, que afirma o seguinte: Com a experiência de consultor de empresas, não concordo com nenhuma palavra de Max Berry [sic], entrevistado na seção Sete Perguntas. Ao afirmar que as pessoas são um péssimo ativo para as empresas, Barry contradiz sem nenhum fundamento e contextualização os mais modernos pensamentos do mundo corporativo.
Não sei que tipo de "fundamento e contextualização" o leitor esperava numa entrevista composta de 7 perguntas, a ser publicada em no máximo 1 página de uma revista que há anos deixou de prezar o aprofundamento de qualquer questão, mas espero que o leitor Marcos Castro não esteja se referindo a obras como "Quem mexeu no meu queijo", "O monge e o executivo" e outros petardos da "iguinorânssia" quando menciona "pensamentos do mundo corporativo". O que será que ele quis dizer com isso ?

Interessante mesmo é o argumento do leitor para rebater as afirmações do entrevistado: nenhum. Basta dizer que não concorda, e que o entrevistado "contradiz (...) os mais modernos pensamentos do mundo corporativo". Ora, que o entrevistado faz isso eu soube na hora que li a entrevista !

Precisava dizer ? Aliás, se ele apenas dissesse, na entrevista, que concorda com todas as bobagens que são publicadas sobre este assunto, não haveria rigorosamente nenhuma razão para entrevistá-lo......