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21 de julho de 2013

Roberto Campos

Excelente rever esta entrevista de 1997, na qual Roberto Campos fala sobre privatizações (incluindo Petrobras, Vale etc), liberalismo e tantos assuntos que hoje se mostram MUITO piores do que em 1997.

 

O Brasil regrediu vergonhosamente. Ainda bem que ele não viveu para ver esta desgraça PTralha...

PS: A presença do Marco Aurélio Garcia, vomitando bobagens, não é suficiente para atrapalhar, mas os pitis, a voz esganiçada e as críticas a práticas que o PT acabou abraçando com largo sorriso depois acabam ficando engraçados - ou melhor, PATÉTICAS.

3 de maio de 2013

Privatização da Vale e dominação da Petrobras

Depois que escrevi sobre a Vale e sobre a Petrobras (alguns textos anteriores: 1, 2, 3 e 4), recebi algumas mensagens interessantes.
Algumas eram besteiras do mesmo baixíssimo nível (moral e intelectual) que eu havia demonstrado no texto de 23 de Abril de 2013 (AQUI).
Outras, porém, eram mensagens de pessoas realmente interessadas no assunto.
Que ótimo!

Contudo, o que ficou bastante claro para mim é que o maior problema quando se trata de discutir o tema PRIVATIZAÇÃO no Brasil é o desconhecimento do assunto.

Essa ignorância (por vezes no bom sentido, muitas vezes no mau sentido) generalizada tem como causa uma série de fatores, dentre os quais eu citaria:
(1) gritante incompetência do PSDB em defender o seu legado - ainda que não "perfeito", o processo de desestatização conduzido pelo FHC foi crucial, juntamente com o Plano real, para tirar o Brasil do poço no qual se encontrava, mas para o qual, infelizmente, está voltando;
(2) pouco interesse por parte da população em geral - o que acarreta o próximo item;
(3) pouco interesse da mídia em geral em explicar o que realmente é o conceito de PRIVATIZAÇÃO;
(4) gritante hipocrisia e mitomania crônica por parte do PT (e demais partidos que servem para alojar os mais radicais e sem voto, tipo PSTU, PCO, PSOL etc), que era ferrenho opositor das privatizações, segue explorando as mentiras e falácias que cercam esse tema, mas fazem, eles mesmos, as privatizações que lhes interessam.

Independentemente das causas, quero tratar mais é do conceito em si - e, mais importante, dos resultados.

A Vale (antigamente chamada Vale do Rio Doce) foi privatizada em 1997. Mais precisamente em 06/05/1997.
O consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), adquiriu o controle acionário da Vale por R$ 3.338.178.240,00. Espalharam-se diversas mentiras sobre os valores envolvidos no processo de privatização da Vale. O PSTU, por exemplo, afirma AQUI que a Vale foi vendida por R$ 3,3 bilhões mas tinha um lucro líquido de R$ 12,5 bilhões.
Mentira. Somente em 2000 o lucro líquido da Vale ultrapassou a barreira do bilhão. Em 1997, quando foi privatizada, ela lucrou US$ 629 milhões brutos e US$ 319 milhões líquidos.

Um parêntesis: essas informações falsas, escancaradamente mentirosas, circulam há anos pela internet, em blogs e sites criados exclusivamente para defender mentiras e piorar o problema da desinformação. Exemplos não faltam - e, como pode ser visto, não faltam pessoas mal-intencionadas, inescrupulosas ou extremamente burras que a cada boato ou mentira acrescentam mais 1 ou 2 bobagens, de tal sorte que no final a mentira vira um roteiro de novela da Glória Peres, cheia de absurdos e coisas descabidas, mas tem gente que acredita!
Exemplo rápido: AQUI. O sujeito começa reproduzindo a "nota" do site do PSTU, que já estava toda errada - PIOR: ele indica como "fonte" um link do Yahoo Respostas. Fonte extremamente confiável, né?! Vejamos o tipo de perguntas e respostas que o Yahoo Respostas oferece:

Firefox 2

As "respostas" e comentários que se seguem, aliás, são sintomáticos da ignorância, da propagação de mentiras e distorções. Mas o sujeito não se contenta, e acrescenta bobagens inomináveis.

Reparem no título do "post" do blog do sujeito: reclama que a Vale foi vendida por "apenas" 3 bilhões, mas lucrou R$ 20 bilhões em apenas 9 meses.
Detalhe: a venda foi em 1997 (e mais adiante retomo a questão dos R$ 3 bilhões), e os R$ 20 bilhões referem-se a uma notícia publicada pelo jornal O Globo EM 2010, OU SEJA, TREZE ANOS DEPOIS DA PRIVATIZAÇÃO.
Sim, o sujeito não tem a mais vaga idéia de que é preciso fazer alguns cálculos para comparar resultados financeiros TREZE ANOS depois de um fato (valor presente/futuro, depreciações e amortizações,  deflacionar valores etc).

A notícia do jornal O Globo está AQUI. O link consta do blog do ignorante, assim como a matéria, mas tudo é tratado de forma distorcida, criando uma mentira simplesmente absurda.
Porém, tem gente que acredita!
Mais um detalhe: a falta de contextualização. O crescimento percentual divulgado em 2010 tem relação direta com a crise de 2008, que DERRUBOU negócios internacionais da Vale (veja nos gráficos mais abaixo). Fora de contexto, um crescimento de 200% parece uma coisa incrível, porém a base de comparação é que é muito baixa, devido à crise.

Claro que o sujeito que fez uma atrocidade de um blog daqueles não se dá ao trabalho de verificar nada disso.
AQUI temos mais um escrevendo bobagens, coisa claramente feita à base de CONTROL+C/CONTROL+V.
Existem, ainda, aqueles que tentam dar um verniz mais polido à desinformação - mas ela continua sendo, apenas e tão somente, desinformação. AQUI temos este exemplo.

Mais uma coisa: esse pessoal desinformado (ou apenas mal intencionado mesmo) vive dizendo que o José Serra foi o responsável pelas privatizações na época do FHC.
Errado.
Ele era Ministro do Planejamento na época de APENAS DUAS privatizações (essa imagem foi usada numa reportagem da Exame ou da Veja, não lembro ao certo, na época da eleição de 2012, quando houve um debate entre a Dilma e o Serra, e a Dilma, claro, soltou as bobagens que lhe são características; salvei a imagem, mas infelizmente não guardei a reportagem inteira ou o link):

Privatizações
Pronto, chega de parêntesis - são incontáveis os blogs e sites que publicam coisas risíveis sobre a Vale. Você pode localizá-los rapidamente no Google.
Mais complicado, porém, é localizar informações REAIS e confiáveis.

Vamos voltar ao mundo da realidade?
A imagem abaixo mostra alguns números interessantes - e básicos, sem os quais não é possível seguir nesta discussão (clique para ampliar):


Vemos ali, de forma muito clara (exceto para aqueles obtusos que insistem no lenga-lenga de "vendeu a preço de banana! Entreguista!") que de 1997 em diante a Vale teve um crescimento vertiginoso em termos de receita, lucros e valor de mercado.
A imagem é de uma extensa reportagem do ValorEconômico de Novembro de 2010 (AQUI, para assinantes), por isso inclusive os dados cobrem até 2010.

A venda do controle acionário da Vale foi concretizada por $ 3,3 bilhões de dólares, na ocasião, e o que foi leiloado NÃO FOI TODA A EMPRESA: o que foi privatizado equivalia a 27% do capital total da empresa, antes pertencente à União, que representavam 41,73% das ações ordinárias (com direito a voto).
Isso é muito importante por uma razão simples: os mal-informados e/ou mal-intencionados em geral (sim, PT, PSTU, PSOL, PCO, CUT e comprsas, vocês mesmo!) gostam de dizer que o governo vendeu A EMPRESA POR 3 BILHÕES.

ERRADO: o governo vendeu 27% do capital total da Vale do Rio Doce.

Para quem quiser verificar a composição acionária ATUAL da empresa, eis AQUI o link que eu já havia indicado antes, para download em PDF.
Atualmente (dados de março de 2013), a Valepar controla 53,9% da Vale.
Isso significa que a Valepar é quem toma as decisões da empresa.

E quem é a Valepar?
Para quem não sabe, quando usa-se o sufixo "PAR" no nome da empresa, via de regra, estamos nos referindo ao termo "PARTICIPAÇÕES".
Trata-se, pois, de um consórcio de empresas.
No caso da Valepar, eis aqui as empresas que formam o consórcio:
1) Litel/Litela (fundos de investimentos administrados pela Previ) com 49% das ações,
2) Bradespar com 17,4%,
3) Mitsui com 15%,
4) BNDESpar com 9,5%,
5) Elétron (Opportunity) com 0,03%.

Se considerarmos as ações da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) e do BNDES como de alguma influência do governo federal, poderíamos concluir que, por posse ou indicação, cerca de 41% do capital votante da Vale continua sob controle do governo federal.

A rigor, o ÚNICO estrangeiro sócio da Valepar é o grupo japonês Mitsui.
A maioria esmagadora da Valepar (49%) pertence aos fundos de pensão de funcionários do Banco do Brasil.

Cadê o "entreguismo"?
Ficou preso nas mentiras e desinformação da turminha de sempre.

VOLTANDO AOS RESULTADOS: a partir da privatização, a Vale melhorou sob qualquer ótica que se queira analisá-la.
Os gráficos acima mostram isso de forma clara, cristalina.
Aqueles que desejarem aventurar-se nos resultados contábeis desde 1997, ano da privatização, poderão fazê-lo AQUI - trata-se do relatório OFICIAL da empresa, entregue ao órgão fiscalizador da bolsa de New York, que a Vale preparou para prestar contas aos acionistas.
Trata-se de material extenso, OFICIAL, auditado e que não poderá ser entendido ou tampouco analisado por nenhum dos ignóbeis que adoram falar em entreguismo, privataria e termos correlatos.
Eles não teriam QI para tanto - até porque costumam sofrer de analfabetismo funcional nível 4.
Pretendo tratar, em breve, de alguns números apresentados ali.

Por que a empresa melhorou tanto?
Vários fatores influenciaram.

O mercado da Vale cresceu muito, especialmente entre 2005 e 2007, devido à fortíssima demanda por minérios de ferro. Neste ponto, a Vale deve agradecer especialmente a China, que passou a comprar volumes estratosféricos de praticamente todos os produtos da empresa.
Outro fator imprescindível á a GESTÃO PROFISSIONALIZADA, coisa quase impossível em empresas estatais - e ainda mais utópica ainda em estatais BRASILEIRAS, país com altíssimo grau de corrupção.

A Vale incorporou a INCO, empresa canadense, em 2006. Após essa incorporação, o novo conglomerado empresarial CVRD Inco tornou-se a 31ª maior empresa do mundo, atingindo um valor de mercado de R$ 298 bilhões, ultrapassando assim a IBM e superando a Petrobras em cerca de R$ 8 bilhões.

Enquanto a Vale cresceu por conseguir aproveitar um mercado em plena expansão e por ter uma gestão profissionalizada capaz de aproveitar esse mercado aquecido, a Petrobras conseguiu o oposto: a despeito do crescimento contínuo do mercado de petróleo (exceto em 2008, devido à crise nos países desenvolvidos), a empresa tem registrado queda dos lucros, da produção e do valor de mercado, conforme eu já havia demonstrado AQUI.

Finalmente, para quem se interessar em ler mais sobre a gestão da Vale, antes e depois da privatização, sugiro esta dissertação AQUI.
Trata-se de dissertação de mestrado da FGV/RJ, e pesquisa a questão de gestão de mudanças e inovações organizacionais.

OBS.: As privatizações do setor de telefonia também são alvo de críticas infundadas, desinformação, extrema má-fé e discurso retrógrado típico das esquerdas - até mesmo dessa esquerda-caviar vagabunda que temos no Brasil.
Este artigo é um bom começo para quem quiser se aprofundar ainda mais no assunto.
 

23 de abril de 2013

A privatização de empresas e as bobagens nossas de cada dia

No outro blog que eu costumava manter (Sala da Mãe Joana - já aposentado, coitado), o tema PRIVATIZAÇÃO era um dos mais polêmicos.
Fora do blog, percebo que muita gente entende a privatização como sendo "entregar" riquezas do Brasil para que estrangeiros tenham lucro.
Muitos falam isso por desinformação - enquanto outros são movidos por má-fé, interesses escusos etc.

Em 7 de Dezembro do 2007, eu escrevi o seguinte post lá no outro blog:

Num ranking elaborado pelo Boston Consulting Group, que listou as 100 empresas mais competitivas dos países “em desenvolvimento”, uma curiosidade: o Brasil ocupa o 3o lugar, atrás de China e Índia. Para maiores informações, consultar a Folha OnLine aqui, ou o próprio Boston Consulting Group, aqui. A relação completa está aqui.
No Brasil, são 13 empresas: Vale, Petrobrás, Embraer, Gerdau, Votorantim, Braskem, Sadia, Perdigão, Natura, Coteminas, WEG, JBS-Friboi e Marcopolo. Destas, APENAS UMA É ESTATAL.
Todas as demais são empresas privadas.
Duas delas (Vale e Embraer) foram privatizadas (na época de FHC). Que foi criticado (ainda é, até hoje), chamado de “privatista”; muita gente, por pura falta de conhecimentos, acreditou quando o PT colou a pecha de “privatista” no picolé de chuchu (Alckmin) nas últimas eleições. O PT usou e abusou da burrice de muita gente, que simplesmente nunca entendeu o que foi a privatização – e, por alguma razão obscura, acha que é algo parecido a “entregar o Brasil” ao “poder imperialista” ou bobagem que o valha.
Cadê os bitolados defensores da estatização ?
Será que a Vale do Rio Doce constaria desta lista se ainda fosse estatal ? Será que aqueles mentecaPTos ainda querem reestatizar a Vale ?
Os comentários feitos no post foram os mais variados, mas muitos deles eram apenas exercício de demonstração de ignorância sobre o tema, ou alguns malucos desopilando o fígado ao escreverem bobagens virulentas na internet (coisa nada rara).
Selecionei alguns exemplos (que estou transcrevendo exatamente como foram escritos):
1) e se site e uma droga nao da seu idiota que fez e se site

2) Abestalhado!
Só um burro mesmo para ser a favor das privatizações

3) Porque com toda sua inteligencia vc não muda de nacionalidade ? A empresa estatal, competitiva ou não, É PATRIMONIO DO POVO BRASILEIRO !!! Isso inclui vc….mas acho que vc tem vergonha de ser brasileiro certo ?

4) Quanta ignorância! As estatais faturam mais, por que cobram mais pelos serviços “esperto” e você paga mais. O Brasil é um exportador de matéria prima e importador de manufaturados desde Colônia.
A Vale por exemplo já era a segunda maior mineradora do mundo e o dinheiro oriundo de suas exportações eram um dos responsáveis pela balança favorável de pagamento. Então me explica como uma empresa dessas dava prejuízo. O pior é que além de acreditar nessa besteira de prejuízo, você ainda divulga. Ia esquecendo de dizer que a Siderúrgica Nacional já era a terceira do mundo antes de ser privatizada e a EMBRAER já vendia motores de aeronaves para o mundo todo. Se isso é prejuízo! Entedeu ou preciso desenhar?
Obs.: no site Brasil dados e fatos você pode acompanhar que o aumento da carga tributária no governo FHC foi maior que no governo LULA. Ou seja nos pagamos mais ipostos no governo FHC, mesmo com as privatizações;
Por falar em rombo onde está o dinheiro das privatizações, que o próprio BNDES emprestou para os compradores? Vê se pode: você vende emprestano o dinheiro para o comprador para que ele pague com o lucro que tiver nas suas costas.

5) cada um tem o direito de pensar diferente,mais não posso concordar com aqueles que acham que somos ingenuose,pois só pessoas que tem o pensamentos de capitalistas, especuladores,explotadores da classe trabalhadora,anti-patriota e acima de tudo milpes acham que as privatizações poderiam nelhor nosso pais.Cadê o dinheiro das privatizações?qual a melhora da educaçõa,saude,moradia,telefonia,energia,segurança,será que cada vez mais os mais ricos não estão mais ricos,amigo,pense melhor,o Brasil e de todos e não de um percentual reduzido que não representa a vontade de nuitos.

6) A escolha de um candidato em quem votar afeta diretamente nossa vida pessoal e coletiva. Neste ano de 2010, temos a grande chance de derrotar quem sempre jogou no time de FHC. Serra, impedindo o crescimento do Brasil.
Para refrescar a memória, leia abaixo para você NÃO votar no “carequinha”:
Privatizou varias empresas como COELCE, TELECEARA, BEC, VALE DO RIO DOCE, EMBRAER entregando um valioso patrimônio do nosso Estado a empresas privadas e elevando o valor das tarifas pagas.

7) Apropriação das riquezas do Estado por alguns grupos privados privilegiados – que objetivam apenas obter lucro para si, nem sempre com isso aumentando o “bem estar” da população ou a riqueza do país.
um governo ‘ideal’ poderia atingir um maior nível de eficiência administrando diretamente uma empresa estatal do que privatizando-a.” quem privativa não da conta, vende teu carro tua casa teus bens pra outra pessoa administrar. o verdadeiro lucro de um país é o bem estar de (todos), e não um carrão importado, uma mansão na praia etc…

8) Com certeza a Carta a Capital tem mais credibilidade que os seus escritos carregados de ódio, onde ninguém tira nada de proveitoso.
Perca de tempo ler o que você escreve, parece uma cobra que perdeu veneno e tá louca da vida.
Quanto aos termos perjorativos que você usa demostram o seu baixo nível. Ao mesmo tempo em que você fala que a “Carta Capital e as outras invenções PTistas” falam mentiras, o senhor fala de conspirações que só existem em contos de fadas. Pelo amor de Deus! Faço, agora, minhas a palavras do rei da Espanha. TE CALA!!!
É difícil ignorar todos os erros que aparecem nesses comentários - erros de ortografia, sintaxe, concordância, alguns de digitação apenas, mas o mais grave é o erro da desinformação.
Pode-se verificar que, com grande frequência, os que criticam a privatização - no geral, mas especificamente as privatizações feitas pelo FHC - acham que se trata de entregar "patrimônio do povo brasileiro" para "estrangeiros que visam apenas ao lucro".

O exemplo que gosto de usar é justamente o da Vale do Rio Doce (hoje apenas "Vale").
Além de ser uma das mais comentadas privatizações dos anos FHC (tanto positiva quanto negativamente), o caso da Vale serve para demonstrar que a privatização não entrega riquezas nacionais para que estrangeiros lucrem (como se lucrar fosse pecado capital!).
Muito pelo contrário:

Do capital ordinário da Vale, 53,3% estão nas mãos da holding Valepar
. É essa holding que define a estratégia da companhia, via conselho de administração, e que escolhe a alta cúpula de gestão da mineradora. Em outras palavras, a Valepar é o coração e o cérebro da Vale do Rio Doce.
E quem é a Valepar? São três fundos de pensão, dois deles patrocinados integralmente por estatais – a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, e a Petros, dos trabalhadores da Petrobras – , a empresa de participações do BNDES, a Bradespar (ligada ao grupo que controla o Bradesco) e a japonesa Mitsui.
Juntos, BNDESPar e fundos têm 60% do capital votante da Valepar.
O capital nacional tem 81,75% das ações ordinárias da holding. A União detém ainda seis ações especiais, as “golden shares”, que lhes dão alguns poderes de veto, como mudança do local da sede.
Essa explicação, básica, foi dada numa reportagem do ValorEconômico de Outubro de 2007.

Existem 122 fundos de pensão BRASILEIROS que são acionistas da Vale.
Todos estes 122 fundos são formados INTEIRAMENTE por brasileios que investiram recursos na compra de ações da empresa - muitos, inclusive, usando o FGTS, visando a rendimentos futuros, quando de suas aposentadorias.
Estes brasileiros, milhares de pessoas físicas, investiram economias na expectativa de receberem DIVIDENDOS e participação nos lucros da empresa.

Após a privatização, a Vale  saiu de um lucro de 500 milhões de dólares (em 1996), atingindo 12 bilhões de dólares em 2006, e, finalmente, 41 bilhões de dólares em 2011.
Mas não foi só isso: o número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização - em 1996 eram 13 mil e em 2006 eram mais de 41 mil.
Para quem quiser ver a composição acionária da empresa atual (dados de março de 2013) basta baixar o PDF AQUI.
Um bom resumo da atual situação da Vale é o "fact-sheet", disponível AQUI (também em formato PDF, para download).

Enquanto isso, no lado oposto da Vale, temos a Petrobras.
Começo com um gráfico roubado do blog do Drunkeynesian, que mostra a evolução do consumo de gasolina no Brasil versus a importação da gasolina entre 2000 e 2012:


Vemos ali o quanto cresceu a importação de gasolina.
Mas a ESTATAL Petrobras investiu R$ 35 milhões em 2008, ano em que o Lulla concorria à reeleição, para fazer propaganda alardeando a tal "auto-suficiência do Brasil" em combustíveis.
Era mentira.
Uma mentira que causou um prejuízo de R$ 35 milhões a cada um dos contribuintes do Brasil que pagam seus impostos.
Mas não para nisso....

Vamos aproveitar para comparar este gráfico acima com um outro.
Abaixo, o gráfico dos LUCROS da Petrobras, por TRIMESTRE, a partir de 2011:



O consumo da gasolina cresceu MUITO a partir de 2010, mas a desastrosa gestão da Petrobras (entulhada de sindicalistas e PTistas de todos os lados) conseguiu fazer com que o lucro da empresa caísse....



Ora, até mesmo o Seu Manoel, dono da padaria, sabe que quando a padaria dele vende mais (pães, salgados, doces etc), a tendência natural é que o seu lucro aumente também.

Seria muito melhor se o Seu Manoel fosse o presidente da Petrobras, ao invés do Gabrielli, que destruiu a empresa.
E todos nós, contribuintes, pagamos por isso.
Se a Petrobras fosse privada e tivesse prejuízo, o problema seria exclusivamente dos seus acionistas.
Se uma empresa estatal tem prejuízo, aí todos pagamos - mas se ela tem lucro, nós não ganhamos nada.

Lulla e o PT roubaram a Petrobras diversas vezes. Leia alguns detalhes AQUI.
Em TODAS as vezes, por ser uma estatal, o prejuízo foi dividido entre todos os cidadãos brasileiros.
Em suma: ser contrário à privatização (qualquer uma) é um direito de cada um, evidentemente.
Porém, o pessoal poderia tentar arranjar algum argumento minimamente inteligente, não?


ATUALIZAÇÃO - Em 26/04/2013 foram divulgados resultados financeiros e operacionais da Petrobras que não estavam disponíveis quando escrevi este texto. Leia a atualização/complemento AQUI.


ATUALIZAÇÃO [2] - Em virtude de comentários enviados com relação a este post, escrevi outro, que contém ainda mais detalhes sobre a privatização da Vale. Pode ser lido AQUI.


24 de março de 2012

Embrapa: sucateada pela incomPTência

Quando se fala em PRIVATIZAÇÃO, no Brasil, o que mais percebo é uma horrenda ignorância sobre o assunto. Muita gente critica, mas poucos (aliás, POUQUÍSSIMOS!) sabem do que se trata; a imensa maioria apenas repete umas bobagens que ouviu aqui e acolá, sem conseguir entender nem metade, na ânsia de igualar o conceito de privatização com uma coisa algo exageradamente ufanista.

Matéria publicada no Valor Econômico em 21/03/2012 que trata da Embrapa pode ajudar na discussão. Reproduzo a seguir (e introduzo alguns grifos meus):

Principal responsável pela modernização da agricultura brasileira e pela transformação do Cerrado em uma das maiores fronteiras agrícolas do planeta, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) corre o risco de cair no ostracismo no que diz respeito à geração de tecnologias voltadas à produção das principais commodities exportadas pelo Brasil, atualmente dominada por multinacionais estrangeiras.

A Embrapa é considerada fundamental para o país do ponto de vista estratégico e social, mas vem enfrentando dificuldades para competir no mercado de biotecnologia após o início das liberações de sementes transgênicas no país, em meados da década passada. Sem recursos suficientes para grandes projetos, dificuldades para estabelecer parcerias com outras empresas e resistências à entrada do capital privado, a estatal vê sua participação despencar em alguns dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio.

São os casos da soja, do milho e do algodão. Responsáveis por quase metade do Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola brasileira, essas culturas passaram a ser dominadas por empresas como Monsanto, DuPont, Syngenta, Bayer CropScience e Dow AgroSciences.

Não há números públicos sobre a fatia de cada empresa no mercado brasileiro de sementes, mas diferentes fontes ouvidas pelo Valor estimam que a Embrapa vendeu menos de 15% das sementes de soja e 10% dos híbridos de milho comercializados no país na última safra.

Segundo um consultor, que preferiu não se identificar, a participação das variedades "BR" no mercado caiu a um terço do que era há apenas cinco anos. "Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, nossa participação é praticamente zero", diz um graduado pesquisador da estatal. A predominância das multinacionais nesses segmentos é explicada pelo lançamento de sementes geneticamente modificadas para resistir ao uso de determinados herbicidas ou ao ataque de pragas, como a lagarta.

Os transgênicos mudaram o paradigma da pesquisa biotecnológica, cada vez mais voltada para a descoberta de plantas que dispensem o uso de agrotóxicos, sejam resistentes à seca ou mais nutritivas. Mas também fizeram disparar os custos associados ao desenvolvimento de novos cultivares. Segundo a organização americana pró-biotecnologia ISAAA, a descoberta, o desenvolvimento e a autorização de um único transgênico custa, em média, US$ 135 milhões (cerca de R$ 230 milhões).

Desde que foram regulamentados no Brasil, em 2005, a Comissão Nacional de Biotecnologia (CTNBio) liberou 32 variedades de plantas geneticamente modificadas - 31 para as culturas de soja, milho e algodão. Deste total, a Embrapa desenvolveu apenas duas: uma variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado e uma semente de soja tolerante a herbicidas, em convênio com a Basf. Nenhuma está no mercado.

A velocidade que os produtores adotam a nova tecnologia impressiona. Na safra 2011/12, os OGMs responderam por 85% da soja, 67% do milho e 32% do algodão cultivados no Brasil, segundo a consultoria Céleres. No caso do milho, desde 2009 mais de três quartos de todos os registros de novas sementes são híbridos transgênicos.

Entre analistas e pessoas próximas à empresa, prevalece a opinião de que faltam recursos para que a companhia enfrente de igual para igual as grandes multinacionais do setor, embora os recursos destinados à estatal tenham mais que dobrado na última década.

Apenas a Monsanto investe mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,7 bilhão) anualmente em pesquisa e desenvolvimento de novas sementes, montante próximo ao que gastam suas principais concorrentes. A quantia corresponde a quase todo o orçamento da Embrapa para 2012, de R$ 2 bilhões. De acordo com a estatal, no ano passado, os recursos destinados diretamente à pesquisa ficaram próximos de R$ 170 milhões, montante aquém do necessário para fazer frente ao poder de fogo das gigantes.

Desde 2008 tramita no Congresso um projeto de lei, de autoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS), que propõe a capitalização da Embrapa por meio de uma abertura de capital, transformando-a em uma empresa de economia mista com ações negociadas na bolsa - modelo semelhante ao da Petrobras e do Banco do Brasil. A proposta foi rejeitada pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, em 2009, e aguarda uma data para ser apreciado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O parecer do relator, o senador Gim Argello (PTB-DF), já está pronto e é favorável à ideia.

A abertura de capital enfrenta enormes resistências na cúpula da estatal que, segundo apurou o Valor, atua para derrubar a proposta. Para o presidente da estatal, Pedro Arraes, a Embrapa deve continuar a ser 100% pública. "Essa é uma convicção minha e dos servidores da estatal", defende. Segundo ele, a proposta do senador petista também não tem o respaldo do Planalto. Arraes afirma, ainda, que a discussão começou de maneira equivocada. "A proposta tem um problema de mérito. Qualquer mudança na questão jurídica de empresa pública tem que ser iniciativa do Executivo e não do Legislativo".

Amaral garante que não abre mão da proposta. "Posso me sentar para debater e, quem sabe, formular um substitutivo, mas o conceito vai permanecer", garante o senador. "Existe muita falta de informação sobre o assunto e alegações de que se trata de uma privatização, algo que não é verdade. Mais da metade das ações ficará na mão do governo", explica. Para Argello, a alocação de recursos para pesquisa agropecuária "tem sido muito prejudicada e tende a continuar assim" se nada for feito.

Para seus opositores, a proposta de abertura de capital da estatal, que poderia, em tese, culminar na entrada de empresas concorrentes no conselho da Embrapa, colocaria em risco os interesses e a soberania alimentar do país. "O modelo de economia mista tem sido bem-sucedido no Brasil, mas Banco do Brasil e Petrobras vendem produtos e serviços acabados. O negócio da Embrapa é o conhecimento agregado, o futuro e a segurança alimentar do país", afirma Vicente Almeida, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf).

Almeida, ele próprio um pesquisador da Embrapa, observa que, sob a égide do mercado, a Embrapa estaria pressionada a investir apenas nos segmentos mais rentáveis do agronegócio, deixando a agricultura familiar, que responde pela maior parte dos alimentos consumidos no país, à margem do processo de inovação.

Segundo ele, essa pressão já acontece, ainda que de modo indireto. "Hoje, apenas 4% do orçamento para pesquisa é destinado aos segmentos da agricultura familiar. Onde está o foco na segurança alimentar? A Embrapa não precisa de mais recursos, mas redirecionar suas ações e atender efetivamente ao interesse público. Se a empresa quer competir no segmento das commodities, pode criar uma subsidiária, com capital aberto, para isso", defende.

Um ex-membro da cúpula da Embrapa afirma que a estatal vive um momento de redefinição de seu papel. "Restringir a Embrapa à sua agenda social é o fim da empresa, porque quem banca é o Estado, e os recursos são escassos. Em contrapartida, o perigo de ser uma S.A. é o mercado impor uma agenda estritamente comercial", afirma. "Ir aonde o mercado não vai é o papel da Embrapa, mas ela perde importância estratégica se abrir mão dos mercados economicamente mais importantes", afirma um ex-ministro da Agricultura.

Além disso, o governo Lula intensificou o papel da Embrapa como instrumento de política diplomática, com diversos acordos de cooperação com países pobres, sobretudo no continente africano, um território de crescente interesse por parte das multinacionais. Não fica claro qual seria o espaço para a empresa cumprir essa agenda após uma abertura de capital.

Uma alternativa para levantar recursos, prevista na Lei de Inovação, seria a constituição de Empresas de Propósito Específico (EPEs). Nas EPEs, empresas públicas e privadas se associam em projetos exclusivos, como o desenvolvimento de uma semente de soja resistente à seca ou uma variedade de milho com maior teor de proteína.

Mas o modelo esbarra em questões burocráticas e jurídicas. De acordo com o estatuto da Embrapa, para sair do papel, cada parceria depende da autorização do presidente da República. Além disso, explica um ex-dirigente da Embrapa, há dificuldades técnicas para se avaliar os ativos da estatal disponibilizados nessas associações e dúvidas sobre qual é o limite de atuação dos órgãos públicos de fiscalização sobre essas sociedades. "Nenhuma empresa privada quer abrir suas contas, torná-las públicas para seus concorrentes. Ainda é preciso esclarecer qual é o limite do Tribunal de Contas nesses casos", diz a fonte.
Agora, uma pequena viagem no tempo: em 2007, num outro blog que eu tinha na época, eu havia escrito o seguinte:
Num ranking elaborado pelo Boston Consulting Group, que listou as 100 empresas mais competitivas dos países “em desenvolvimento”, uma curiosidade: o Brasil ocupa o 3o lugar, atrás de China e Índia. Para maiores informações, consultar a Folha OnLine aqui, ou o próprio Boston Consulting Group, aqui. A relação completa está aqui.

No Brasil, são 13 empresas: Vale, Petrobrás, Embraer, Gerdau, Votorantim, Braskem, Sadia, Perdigão, Natura, Coteminas, WEG, JBS-Friboi e Marcopolo.
Destas, APENAS UMA É ESTATAL.

Todas as demais são empresas privadas.


Duas delas (Vale e Embraer) foram privatizadas (na época de FHC). Que foi criticado (ainda é, até hoje), chamado de “privatista”; muita gente, por pura falta de conhecimentos, acreditou quando o PT colou a pecha de “privatista” no picolé de chuchu (Alckmin) nas últimas eleições. O PT usou e abusou da burrice de muita gente, que simplesmente nunca entendeu o que foi a privatização – e, por alguma razão obscura, acha que é algo parecido a “entregar o Brasil” ao “poder imperialista” ou bobagem que o valha.
Cadê os bitolados defensores da estatização ?

Será que a Vale do Rio Doce constaria desta lista se ainda fosse estatal ? Será que aqueles mentecaPTos ainda querem reestatizar a Vale ?
A partir desse curto texto meu, seguiram-se diversos comentários dos mais inteligentes, educados e bem embasados... Alguns exemplos?! Podem ser lidos, no original, aqui.

O ponto central é o seguinte: a Embrapa, assim como outras estatais, PRECISAM ser privatizadas (parcial ou completamente), para conseguirem um grau de competitividade que lhes permita manter sua relevância. Caso contrário, perdem a razão de ser.

O Brasil é pródigo em manter estatais ineficientes, burrocráticas, caras e obsoletas apenas e tão somente para que haja lugar para acomodar cumpanheiros (sindicalistas, amigos, conhecidos etc) incomPTentes e que seja possível a tal "governabilidade".

Esta situação foi agravada imensamente nesse desastroso período Lulla-Dilma, devido ao imenso aparelhamento do Estado.
Contudo, se quisermos que o Brasil deixe de ser uma promessa do futuro e consiga, de fato, tornar-se um país desenvolvido, é imperativo reduzir o número de estatais ineficientes e faraônicas.

Porém, fazer isso não interessa ao PT, tampouco a seus aliados que são alojados nas estatais e autarquias em busca de salários altíssimos, benefícios intermináveis e nenhum trabalho sério.

15 de novembro de 2009

Entrevista com FHC

Abaixo, uma entrevista com FHC, que merece ser vista, revista e revista NOVAMENTE:











São tantos assuntos......
Quero, em breve, detalhar alguns deles.