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5 de novembro de 2008

Itaú + Unibanco: e o cliente ?

A fusão do Itaú com o Unibanco tem sido avaliada como uma ação positiva para o momento econômico delicado. A notícia tem sido exaustivamente discutida nos últimos dias (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, por exemplo).
Ok, pode ser, mesmo.

Mas......e o cliente ?

Sempre que eu explico, am aula, o "histórico" das orientações do marketing (produção, produtos, vendas e mercado/cliente), acabo tendo que registrar que POUQUÍSSIMAS são as empresas, especialmente no Brasil, que se encaixam nas definições do conceito de customer-driven orientation, ou seja, empresa orientada para o cliente.

Esta fusão é um ótimo momento para percebermos que, de fato, os bancos NÃO TÊM NADA DA ORIENTAÇÃO PARA O CLIENTE.

O portfólio de produtos dos bancos, via de regra, é definido com base nas possíveis taxas de retorno, jamais com base na identificação das necessidades dos clientes.

E agora, com a fusão, ocorre o mesmo: a tal fusão foi decidida levando em consideração o cliente ? Suas necessidades ? Seus desejos ?

Obviamente, não.

O que definiu a operação foram as necessidades e pretensões dos bancos.
Nada contra isso, registre-se - obviamente as empresas (bancos, inclusive) devem considerar a rentabilidade, e buscar o lucro. Especificamente no caso dos bancos, é claro que é importante a solidez da empresa - ninguém quer ser cliente de um banco ameaçado de ir à bancarrota.

Agora.....daí a identificar as necessidades e desejos dos clientes e tomar as decisões com base nestas indicações....vai uma ENORME distância !!!!!

Contudo, como eu sempre digo, o fundamental é não perder o bom-humor:


22 de setembro de 2008

BANCOS: novas regras; velhas práticas

Começo este post trazendo uma "piada" (não na acepção tradicional do termo, mas que contém um fundo de verdade INEGÁVEL) que recebi por e-mail:

CARTA ABERTA AO BRADESCO

Senhores Diretores do Bradesco,

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria assim: todo mês os senhores, e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante. Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade.

Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima.

Que tal?

Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade.

Minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço. Além disso, me impõe taxas. Uma "taxa de acesso ao pãozinho", outra "taxa por guardar pão quentinho" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.

Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me cobraram preços de mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.

Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri.

Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma "taxa de abertura de crédito" - equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pãozinho", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.

Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco. Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma "taxa de abertura de conta".

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura da padaria", pois, só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "Papagaios". Para liberar o "papagaio", alguns gerentes inescrupulosos cobravam um "por fora", que era devidamente embolsado. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos.

Agora ao invés de um "por fora" temos muitos "por dentro".

- Tirei um extrato de minha conta - um único extrato no mês - os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00.

- Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 "para a manutenção da conta" - semelhante àquela "taxa pela existência da padaria na esquina da rua".

- A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo.

Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quentinho".

- Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.

Por favor, me esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o que estão cobrando está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central.

Sei disso.

Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.

Sei que são legais.

Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, tais taxas são uma imoralidade.

Brasília, 30 de maio de 2006.

Delman Ferreira

Não sei se existe de fato o Sr. Delman Ferreira. Mas, se ele existir, já tem meu apoio.

Nunca antes na história desse país (para usar o bordão do imprestável Presidente da República de Bananas) os bancos ganharam tanto dinheiro com as malditas tarifas bancárias.
O retorno para os clientes ? NENHUM.

Os serviços bancários são PÉSSIMOS (funcionários despreparados, agências lotadas com poucos caixas abertos, demora nos processos - até os mais simples, e por aí vai).

De qualquer forma, publico esta missiva em homenagem a mim mesmo: na última sexta-feira, encerrei minha conta no Bradesco.

Eu merecia esse gesto de auto-estima.

30 de junho de 2008

A pressão dos consumidores

Uma matéria da Folha de São Paulo (na íntegra aqui) me fez lembrar de algumas coisas que eu escrevi nos primeiros posts deste blog, no ano passado.
Vamos a alguns trechos da matéria, primeiro:
A denúncia da ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu sobre a interferência da Casa Civil nas decisões da autarquia durante o processo de venda da VarigLog e da Varig trouxe à baila mais uma vez a discussão a respeito dos limites para a atuação do governo nas agências reguladoras.
O especialista Ronaldo Fiani, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), defende a intervenção. "Criou-se uma convicção generalizada de que agência reguladora não deve sofrer pressões. Agência que não sofre pressão regula mal. Ela tem de ser pressionada por consumidores, empresas e até pelos governos, se atua de forma lenta. A questão é o tipo de pressão que pode ser feita", diz o professor.
Na opinião de Fiani, o modelo regulatório brasileiro é contraditório e confuso. No caso específico da Anac, aponta o estudioso, isso fica bastante claro quando se analisam as suas funções: elas são divididas com a Aeronáutica e a Infraero, o que dificulta a atribuição de responsabilidades e contribui para fragilizar institucionalmente a agência.

Já Paulo César Coutinho, da UnB (Universidade de Brasília), acredita que o modelo teve um projeto adequado -a implantação errada é que enfraquece as agências e as leva a apresentar desempenho muito irregular. Um dos maiores problemas, na sua visão, é justamente a ingerência do Poder Executivo. Tais excessos têm fundo ideológico, para o especialista. "O PT sempre foi contra as privatizações. O entendimento do partido é que, uma vez que os setores foram privatizados, o governo precisaria ter um controle sobre eles. A independência das agências vai contra a maneira centralizada com que o PT gere o Estado", afirma.

Outro defeito decorrente da maneira como as agências foram estabelecidas, de acordo com Coutinho, é a indicação, para os seus quadros, de profissionais que não ostentam a formação adequada. "Em outros países, a aprovação, pelo Congresso, dos nomes sugeridos pelo governo é feita criteriosamente. No Brasil, temos uma análise superficial. Alguns diretores, ao assumir, não tinham praticamente nenhuma experiência na área na qual iam trabalhar", afirma o professor.


Garantir a independência dessas autarquias é fundamental, frisa Coutinho, pela importância do papel exercido por elas. "Os setores regulados são muito concentrados e pouco sensíveis a preços. É preciso achar um equilíbrio entre atrair investidores e cobrar valores justos da população. Por isso, as agências necessitam de uma diretoria focada no longo prazo, que não esteja sujeita aos interesses políticos do momento", afirma.

Pois é......
A função primordial das agências reguladoras, quando foram criadas, era justamente REGULAR o setor, de forma isenta, imparcial, independente. Lamentavelmente, nunca foi assim.

E, no final das contas, os consumidores/cidadãos é que pagam a conta.

Literalmente.

Neste sentido, é curioso rever alguns posts antigos aqui do blog: aqui, aqui, aqui e aqui.

Para outras leituras relacionadas ao mesmo tema:

7 de abril de 2008

Tarifas bancárias em alta

Já tratei sobre a questão das tarifas bancárias aqui no blog - mas elas merecem discussões permanentes por serem uma forma tão descarada de lesar o cliente com anuência de um (des)governo omisso e incomPTente.

A matéria abaixo é da Folha de São Paulo, do dia 01/04/2008 (na íntegra, aqui):

Os consumidores já podem saber o valor das tarifas que serão cobradas pelos bancos a partir do dia 30 pelos serviços considerados prioritários pelo Banco Central e que só poderão ser majoradas 180 dias depois, segundo determinação do órgão. Para driblar o "congelamento", no entanto, algumas instituições financeiras já aumentaram os preços ou vão passar a cobrar por serviços que antes eram gratuitos.

Levantamento da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) comparando as tarifas cobradas em janeiro de 2007 com março deste ano mostrou que houve elevações significativas.

Como a resolução do Banco Central saiu no início de dezembro, não é possível mensurar qual parte do reajuste pode ser creditada ao "congelamento" imposto por seis meses. No banco Safra, por exemplo, houve majoração de 150% na tarifa cobrada pelo fornecimento de talão de cheque, contra uma inflação medida pelo IPCA de 5,54% para o período.

Já na Caixa Econômica Federal, a variação foi de 33%. Houve aumentos expressivos também na comparação entre os preços que serão cobrados a partir do dia 30 com os que estão em vigor agora. O Itaú vai subir de R$ 15 para R$ 150 a tarifa para confecção de cadastro de novos clientes.

Já quem quiser abrir uma conta no Unibanco, que atualmente não cobra nada por esse serviço, terá de desembolsar R$ 120, assim como no Real, que passará a cobrar R$ 60.

Desde ontem, os bancos são obrigados a divulgar os valores nas agências e nos sites, além da lista dos serviços considerados essenciais, que não poderão ser cobrados, como emissão de dez folhas de cheques e quatro saques no caixa ou no auto-atendimento por mês. Algumas instituições não estavam cumprindo ontem a determinação .


Com a ferramenta em vigor desde o mês passado, os bancos são obrigados a informar qual o percentual anual de juros resultante de todas as taxas e encargos, como TAC (Taxa de Abertura de Crédito), IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e seguros, o que facilita a comparação entre instituições.

Outra conseqüência da nova regulamentação é saber quanto realmente variou a arrecadação apenas com os serviços prioritários. Ademiro Vian, assessor técnico da Febraban, ressalta que os ganhos com tarifas bancárias divulgados atualmente incluem itens como a taxa de administração dos fundos de investimento, o que, segundo ele, distorce os dados.

Os bancos também terão que oferecer um pacote de serviços padronizado, com a quantidade mínima de saques e extratos mensais inclusos, entre outros itens, determinados pelo BC. Os pacotes já disponíveis podem continuar a ser oferecidos.

As tarifas dos serviços prioritários e dos pacotes dos maiores bancos do país foram compiladas no Star (Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços Financeiros da Febraban) e podem ser consultadas no site www.febraban-star.org.br.
O sistema já existia desde o ano passado e, para viabilizar a comparação, a federação padronizou tarifas que usualmente incidem na conta corrente. Já a uniformização de nomenclatura e a redução de 55 para 20 da quantidade de tarifas que podem ser cobradas e "congeladas" foram decididas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 6 de dezembro último.

O que fica claro e cristalino é que, MAIS UMA VEZ, os consumidores pagarão o pato devido à incomPTência exacerbada do governo, além da falta de concorrência do setor - um verdadeiro cartel. A semelhança entre os valores cobrados pelos bancos é um ultraje.

Não precisa ser muito inteligente para ver que se trata de pura falta de concorrência.

18 de janeiro de 2008

Telefonia no Brasil: crescimento e problemas

Nesta semana, a notícia de que a telefonia móvel no Brasil registrou um crescimento substancial ganhou destaque em diversos sites (alguns exemplos: aqui, aqui, aqui e aqui). Além disso, também tem sido amplamente noticiada a fusão entre a Brasil Telecom e a Oi (ver aqui, aqui, aqui e aqui).

Assim, temos o forte crescimento do número de clientes por um lado, e, por outro, a movimentação das empresas - um dos argumentos utilizados para justificar a fusão da Oi com a Brasil Telecom seria a necessidade de ganhar escala para competir, inclusive com operadoras estrangeiras.

O primeiro problema: a lei brasileira precisaria ser alterada para permitir a fusão da Brasil Telecom e da Oi.
Alguns argumentam que a modificação da legislação permitira a cartelização da telefonia - e, neste sentido, cabe lembrar que a privatização do Sistema Telebrás aconteceu justamente para quebrar o monopólio então vigente.
Há, claro, algumas complicações (como a presença do Citigroup na composição acionária, como explicado aqui) políticas, econômicas e afins.

Mas nesta discussão toda, como fica o CLIENTE ?
Seria melhor a união entre as duas empresas para oferecer melhores serviços ao cliente ? Será que o custo da telefonia, para o usuário final, vai cair ?
O setor bancário também passou por um forte período de ajustes, com fusões, aquisições e afins - e as tarifas bancárias explodiram, os serviços permanecem precários.....

Ninguém está discutindo isso......
POR QUÊ ?

O blog da Maria Inês Dolci (SEMPRE uma leitura obrigatória, aqui) trata de um ponto que não pode ser deixado de lado, que transcrevo abaixo (postagem do dia 15/01/2008):
O relatório da ouvidoria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mostrando a ineficiência da Agência, só comprova o que nós consumidores constatamos no dia-a-dia. Como é o caso da internet banda larga, em que a falta de concorrência nos leva a pagar preços elevados para serviços ineficientes, com velocidades limitadas, apesar de a tecnologia ainda atingir pequena parcela da população brasileira.E da telefonia fixa, em que continuamos não tendo como trocar de operadora, mesmo pagando caro pela assinatura básica. É o consumidor sem saída.

Isso serve para ilustrar o seguinte: é inegável que o custo da telefonia (tanto fixa quanto móvel) no Brasil caiu desde a privatização. É inegável, da mesma forma, que o acesso aos serviços foi ampliado (como exemplo, hoje pode-se comprar um celular ou um telefone fixo por telefone, e receber em casa no dia seguinte, ou mesmo passar numa loja e já sair falando ao celular), e houve disponibilização de novos serviços além daqueles que chegaram como "novidades" logo no início da telefonia móvel - como o identificador de chamadas, por exemplo.

Mas será que abrir a brecha legal para fusões e aquisições não acabará minando o pouco poder do consumidor ?
As agências reguladoras, infelizmente, tiveram seu papel reduzido a cabide de empregos do petistas incompetentes e demais bajuladores dos boçais do lullismo - então, elas não conseguem fazer aquilo que deveriam fazer, quando foram idealizadas (no mesmo momento da privatização).

Aparentemente, ao que indicam as notícias, o executivo federal está apoiando a fusão - com o argumento de criar uma empresa brasileira forte para concorrer com as estrangeiras. É um argumento xenófobo e burro (além de questionável, como demonstrado aqui), mas é uma possibilidade real.

E o consumidor ?
Não foi ouvido, não tem força nenhuma na discussão.

26 de dezembro de 2007

As abusivas tarifas bancárias

Reproduzo, integralmente, um artigo do Professor Marcos Cintra (publicado originalmente na Folha de São Paulo do dia 24/12/2007), que trata de um assunto que eu gosto: a falta de concorrência no setor bancário, aliada a um contingente enorme de consumidores que desconhecem seus direitos.
O resultado é amplamente conhecido: tarifas bancárias abusivas. Qualquer serviços que deveria ser oferecido gratuitamente é cobrado. E o valor é um abuso !

O texto é impecável, e traz dados relevantes para robustecer o debate.
Por isso escolhi reproduzi-lo integralmente:

As abusivas tarifas bancárias

OS BANCOS não têm do que reclamar. Lucros bilionários recordes têm sido registrados todo ano, e em 2007 não será diferente. A rentabilidade deve superar a do setor petrolífero, que tradicionalmente lidera o ranking. Nada contra altos lucros, desde que sejam produzidos por atividades justificáveis e socialmente responsáveis.

De janeiro a setembro de 2007, os cinco maiores bancos (Bradesco, Itaú, ABN Real, Santander e Unibanco) anunciaram lucros líquidos de R$ 18,5 bilhões -alta de 90% ante o mesmo período de 2006. O aumento do volume de crédito e o maior número de pessoas utilizando os serviços bancários contribuíram para inflar os ganhos do setor, o que é bom. Mas um item que tem sido determinante para os resultados são as tarifas cobradas, que são abusivas e precisam ser coibidas. Se o setor bancário fosse plenamente competitivo, elas não teriam mostrado a evolução vista nos últimos anos.

Entre 1994 e 2006, a receita dos bancos com a prestação de serviços subiu sete vezes, de R$ 6,4 bilhões para R$ 52,8 bilhões. A participação das tarifas na receita total no período saltou de 6,5% para 17,7% e deve superar 20% em 2007.

Um estudo do Dieese, publicado em 2006, mostra a evolução do peso das tarifas. Em 1994, essa receita equivalia a 26% das despesas com pessoal nos 50 maiores bancos. Em 2005, ela representou 102,3%.
O aumento do peso das tarifas na receita do setor bancário não aconteceu por acaso. Em 1994, o BC deu total liberdade para os bancos cobrarem pelos serviços que prestavam como forma de compensá-los pela perda do "floating", um ganho expressivo que eles obtinham na época da inflação galopante e que o Plano Real fez desaparecer.

Hoje, os bancos ganham mais com a cobrança de tarifas do que com o "float" inflacionário dos anos 80 e 90. O tema ganhou destaque quando o Ministério Público abriu inquérito contra o BC e o CMN argumentando que os órgãos, que deveriam coibir os abusos praticados pelos bancos, permitiram que o setor explorasse seus clientes. O governo federal, pressionado, resolveu intervir para regulamentar o preço dos serviços cobrados pelas instituições.

As despesas que os bancos lançam nas contas dos clientes muitas vezes passam sem serem notadas pois muitos valores são pequenos. Mas, se forem somados no fim do mês ou do ano, compondo um extrato unificado, o consumidor perceberá que cada vez mais esses serviços abocanham uma fatia considerável de seu orçamento. Em realidade, as tarifas funcionam como uma CPMF, abocanhando parcelas crescentes dos recursos financeiros da população que movimenta contas bancárias.

A questão das tarifas bancárias no Brasil envolve tanto sua proliferação como os valores cobrados e os reajustes aplicados. Segundo a consultoria Vida Econômica, em 13 bancos pesquisados foram apurados 58 serviços tarifados para as empresas e 41 para as pessoas físicas, sendo que esses clientes chegaram a arcar com aumentos tarifários de 4.661% e 49.900%, respectivamente, no período entre 2001 e 2006.
A redução da quantidade de tarifas para 20 e seu congelamento por seis meses, a partir de abril de 2008, não impedem que o setor bancário continue praticando abusos. As medidas não enfrentam o problema da promiscuidade que reina entre os bancos e o BC. É preciso rever a legislação antitruste e acabar com a imunidade dos bancos às análises do Cade, da SDE e da Seae. Seria importante para estimular a concorrência e conter a escalada tarifária.

MARCOS CINTRA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE , 62, doutor pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da FGV, foi deputado federal (1999-2003). É autor de "A verdade sobre o Imposto Único" (LCTE, 2003). Escreve às segundas, a cada 15 dias, nesta coluna.
Internet: www.marcoscintra.org
mcintra@marcoscintra.org

26 de novembro de 2007

TARIFAS BANCÁRIAS

Esta notícia merece ser copiada integralmente, pois é um assunto atual, e que já mereceu alguns "posts" meus aqui:

A Comissão de Defesa do Consumidor realiza nesta terça-feira (27) audiência pública para discutir as propostas elaboradas pelo grupo de trabalho sobre tarifas bancárias. O grupo atuou durante três meses com o objetivo de identificar formas de reduzir as taxas e simplificar as informações prestadas aos correntistas. Além de deputados da comissão, o grupo foi integrado por funcionários do Banco Central e dos ministérios da Fazenda e da Justiça.

A audiência foi solicitada pelo presidente da comissão, deputado Cezar Silvestri (PPS-PR). Em setembro último, na conclusão dos trabalhos do grupo, Silvestri anunciou que houve consenso sobre a necessidade de padronização e de redução da quantidade de tarifas bancárias. A idéia é fazer com que os bancos limitem o total de tarifas para cerca de 20 e adotem uma mesma nomenclatura para que os consumidores possam comparar preços.

Foram convidados para a audiência o ministro da Fazenda, Guido Mantega; o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita Wada; e o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Fabio Colletti Barbosa.

A audiência será realizada às 14h30, no plenário 14. Na quinta-feira (29), as propostas do grupo serão apresentados durante reunião do Conselho Monetário Nacional.

FONTE: Revista Consumidor Moderno (aqui)

9 de outubro de 2007

Tantas notícias.....e mais bancos !

A leitura dos jornais deste final de semana, e de ontem, segunda, foi um prato cheio para comentários no Blog.... tantas notícias interessantes !
Mas como estive escrevendo sobre os bancos, vamos a mais um pouco. Os outros assuntos vão entrando em "fila de espera".

A Folha de São Paulo, na edição de Segunda (08/10) dedicou diversas páginas do caderno "Dinheiro" à compra do ABN-Amro pelo consórcio formado pelo RBS, Fortis e Santander. Já escrevi, anteriormente, que detestei esta "situação". Porém, como cliente do Real, só me resta aguardar......

De qualquer maneira, para os objetivos do Blog - ou seja, discutir sobre Marketing - , tenho um prato cheio....

O primeiro aspecto diz respeito à concentração do setor. A Folha de São Paulo informa, aqui, que O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) julgará na quarta-feira a aquisição do banco holandês ABN Amro pelo consórcio formado pelo banco britânico RBS (Royal Bank of Scotland), o espanhol Santander e o belga-holandês Fortis. Na segunda-feira, o consórcio anunciou a obtenção de 86% das ações do ABN por 71 bilhões de euros (aproximadamente R$ 181 bilhões) -- o maior negócio da história da indústria bancária no mundo.
A operação havia sido apresentada previamente aos órgãos de defesa da concorrência no Brasil. O conselho analisará se a compra prejudica o mercado brasileiro. A Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico), do Ministério da Fazenda, e a SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, recomendaram a aprovação do negócio. A compra ainda será submetida às autoridades concorrenciais do México, Rússia, Suíça, Taiwan e Japão e já foi aprovada nos Estados Unidos, Canadá, Turquia e pela União Européia.
Portanto, em termos de concentração de mercado, as autoridades ainda deverão analisar a situação. É preciso destacar que o setor bancário, no Brasil, vem passando por mudanças - mas elas não têm se mostrado, nem de longe, capazes de abalar seus resultados financeiros - muito pelo contrário.
Os bancos brasileiros jamais ganharam tanto dinheiro como agora.
Desde a queda (e estabilização) da inflação, iniciada pelo Plano Real (1994), os bancos passaram a deixar de ganhar muito dinheiro com as taxas astronômicas pagas por operações de overnight, e empréstimos ao governo - estes, por outro lado, continuam, mas num ritomo mais próximo do "normal", ou seja, sem o peso das taxas de mais de 10% ao dia de correção monetária.
Porém, a concessão de crédito ainda é um negócio "novo" para os bancos brasileiros. Retomo um texto da Folha de São Paulo de ontem (restrita para assinantes, na íntegra, aqui): Com os juros altos, os bancos ganhavam dinheiro fácil com títulos da dívida do governo. Na transição de um modelo para outro, os bancos descobriram na cobrança de tarifas outra importante fonte de receita -faturaram R$ 23,286 bilhões no primeiro semestre, mais do que os gastos com a folha de pagamentos, segundo a consultoria Austin Rating. Os ganhos chamam tanta atenção que o governo tenta limitá-los, além de buscar instrumentos que facilitem a vida do cliente na hora de trocar de banco. O Brasil é visto como uma das últimas fronteiras pouco exploradas do crédito, que mantém-se em níveis insignificantes diante do peso da economia -33,1% do PIB, enquanto a média dos emergentes fica em 60% e nos países ricos passa de 100%, segundo a Merrill Lynch. "Empréstimo ainda não é um grande negócio no Brasil. Os bancos estão ganhando dinheiro com serviços. Para crescer, os bancos brasileiros de porte vão ter de se internacionalizar, assim como aconteceu com a Odebrecht, a Camargo Corrêa e a Gerdau. O Santander era um Bradesco 30 anos atrás. E olha só agora", disse Carlos Daniel Coradi, da EFC Consultores.
Pois então.....Até o momento, os bancos brasileiros optaram por ganhar dinheiro (fácil) com as malditas tarifas, sem NENHUMA contrapartida, ou seja, sem benefícios para o cliente. Cobrar escorchantes R$ 14,00 por um simples DOC é roubo descarado - o custo desta transação, para o banco, é quase nulo. Ainda mais porque há cada vez menos funcionários nos bancos.
Em que pese, obviamente, o montante investido em tecnologia (inclusive para tornar as operações via internet mais seguras), é impossível justificar este custo abissal de DOC, TED, extratos e todos os demais serviços.
Lembro-me de quando apenas serviços "raros", como cheque administrativo, eram cobrados......
Ainda assim, havia, por parte do cliente (ao menos deste cliente que aqui escreve), a percepção de que a cobrança era justa, haja vista que era uma solicitação "pouco usual", algo que o banco realmente não era "obrigado" a me fornecer.
Contudo, até por causa da modernização/informatização do banco, eu, como cliente, sempre dei poucos gastos ao banco, pois pouco recorria aos serviços das agências - estes, de longe, os mais caros, devido a custos trabalhistas, impostos, despesas de água, luz, telefone, seguros, vigias, estacionamento etc.
Porém, os estacionamentos foram todos terceirizados.
O sistema de segurança (física) nas agências é patético (aqueles funcionários, terceirizados, sem preparo, vestidos de "guardas", com o maldito controle remoto das infernais portas giratórias que servem apenas para constranger o cliente e permitir aos assaltantes entrar sem nenhuma dificuldade), para dizer o mínimo.
Assim, eu pensava, como cliente/consumidor, que ao reduzir o uso das agências e recorrer muito mais aos serviços via web, eu estaria inclusive contribuindo para que os bancos baixassem suas despesas/custos. Porém, os bancos resolveram ligar o foda-se para minhas contribuições, e cobram tarifa de manutenção de conta-corrente, tarifas para DOC, tarifas para cheque, tarifas para cartão de débito+crédito......... cobram até o maldito ar que o cliente respira dentro das agências LOTADAS, com poucos funcionários - e, portanto, atendimento demorado, ineficiente.

As receitas dos bancos aumentaram muito - e a qualidade dos serviços prestados foi INVERSAMENTE PROPORCIONAL. Despencaram.
Vão alegar, aqueles de má-fé, que os bancos estão prestando um serviço e, por isto, cobrando.
Mais ou menos............

O vídeo abaixo é bastante "auspicioso":


Não bastavam os ganhos auferidos com o maldito "spread" ?!
Os bancos usam o dinheiro do cliente, cobram por isso, e ainda enfiam a faca no cheque especial ?!
Pois é................

E o consumidor ?!
Engole as tarifas..........


Isso continuará assim, enquanto o consumidor não fizer valer seus direitos.
Dos bancos, e dos responsáveis por isso (Banco Central, Conselho Monetário Nacional, deputados, senadores, presidente, governadores etc).

8 de outubro de 2007

Santander, ABN, tarifas...

Pois é, o post anterior eu havia escrito de madrugada, antes de ver as notícias, ao longo do dia, sobre a finalização do negócio........ o Santander oficializou a compra de 86% das ações do ABN-Amro, em conjunto com outros bancos europeus.
Matérias completas aqui, aqui e aqui.

Para entender melhor o que significa esta compra, para o mercado brasileiro, excelente matéria do Jornal ValorEconômico, aqui.

Lastimável.
Vou pensar seriamente em trocar o Real por outro banco.
Qualquer outro.