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30 de junho de 2009

Para não dizer que não falei das flores....

Quem acompanha meus posts aqui no blog sabe que já citei a revista HSM-Management algumas vezes.
E, para fazer justiça, devo registrar: a Exame não é a única publicação "de negócios" a cultuar Jim Collins - a Management faz a mesma coisa.

Estava eu aqui organizando minhas revistas, e outras "tralhas" perdidas pelo escritório, e me dei conta que não praticamente NENHUMA edição da Management ao longo de 2008 e 2009. Sou assinante há tempos (uns 6 anos, talvez), mas - assim como a Exame - a Management tem publicado tantas porcarias, que nem me dou ao trabalho de retirá-la do saquinho plástico: simplesmente vou empilhando, e priorizo outros afazeres.

Agora, em férias, ao organizar a bagunça, cá estava eu verificando se não faltava nenhuma edição, colocando tudo em ordem cronológica (neurótico, eu ?! Imagina!), e achei a edição de 2007 que traz na capa ninguém menos do que o fanfarrão Jim Collins.
A matéria de capa é uma entrevista, disponível AQUI.
Esta entrevista, publicada em 2007, só vem a reforçar o que escrevi no fim de semana, sobre a Exame - mas agrava situação da Exame: não apenas o Jim Collins tem zero de conteúdo relevante, como a Exame fez uma cópia mal-feita da matéria da Management.

Que feio......!!!!!
E olha que a HSM-Management nem é tudo isso para ser copiada desse jeito !!!!!!!!!!!!

Bom, para encerrar qualquer menção a este picareta do Collins, ficam as recomendações de mais algumas leituras, desta vez acessíveis via web: AQUI, AQUI, AQUI, AQUI eAQUI. Desta forma, vou parar de perder meu tempo com esta fraude, e aproveitar minhas férias lendo BONS livros.....

 

27 de junho de 2009

A capa do enterro

Pronto, agora a Revista Exame se enterrou. De vez.
A edição que recebi ontem (número 946) estampou na capa o "guru" (argh!!!!) Jim Collins.
Faço questão de reproduzir a imagem da capa:

A Exame teve a audácia de MAIS UMA VEZ chamar Jim Collins de "guru" (argh! de novo). Mas isso não foi o pior ! Segundo a Exame, Collins é o "sucessor legítimo de Peter Drucker, o maior teórico dos negócios em todos os tempos". Sim, a Exame comparou este picareta ridículo ao bom velhinho Drucker......(coitado do Drucker!)

Mas descobri agora, fuçando na web, que a entrevista com o picareta Collins foi feita pela Cristiane Correa, editora executiva da EXAME - a mesma jornalista que já trocara alguns e-mails comigo, conforme mostrei AQUI.

Em fevereiro, eu escrevi um post (aqui), questionando se o Jim Collins havia se enfiado num retiro espiritual ou alguma coisa assim, haja vista que ele desaparecera da "mídia". Eu ainda acho que o sumiço do cara tem relação com as bobagens que ele afirmara sobre a Fannie Mae, entre outras.

Agora, vejo a Exame elogiando rasgadamente o Collins - e a editora executiva da Exame perdeu a oportunidade de questionar o cara sobre suas previsões furadas.
Mas pior do que isso, ela escreveu em seu blog:
Ainda me lembro da primeira vez que o entrevistei, em 2001. Ao desligar o telefone tive a certeza de que havia falado com alguém completamente fora da curva.
Por que eu admiro seu trabalho? Porque muito mais que guru, Collins é um pesquisador. Seus livros não se baseiam em "insights", mas em análises detalhadas do desempenho de empresas americanas. Junto com um time de pesquisadores ele analisa o comportamento de grandes companhias (e de suas concorrentes) ao longo de diversos anos. É desses mergulhos profundos que nascem suas teses.
Não, cara Cristiane, Jim Collins NÃO é pesquisador, é um fake.
Um PICARETA.

Você (e os demais baba-ovos que adooooooooooram um guru) deveria pesquisar mais antes de escrever bobagem. Uma ajudinha para a pesquisa que você DEVERIA ter feito mas não fez foi dada pelo Thomaz Wood, e eu havia indicado isso no post de fevereiro.

Mas vamos detalhar um pouco mais a coisa - quem sabe assim, dona Cristiane Correa perceba a (enorme) diferença entre "guru" (argh!) e pesquisadores sérios.

Primeira leitura recomendada: Resnick, Bruce G., and Timothy L. Smunt. "From Good to Great to . . ." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 6-12.
O resumo do artigo: With sales of more than 4.5 million copies, Good to Great by Jim Collins provides an inspiring message about how a few major companies became great. His simple but powerful framework for creating a strategy any organization can use to go from goodness to greatness is certainly compelling. However, was Collins truly able to identify 11 great companies? Or was the list of great companies he generated merely the result of applying an arbitrary screening filter to the list of Fortune 500 companies? To test the durability of his greatness filter, we conducted a financial analysis on each of the 11 companies over subsequent periods. We found that only one of the 11 companies continues to exhibit superior stock market performance according to Collins' measure, and that none do so when measured according to a metric based on modern portfolio theory. We conclude that Collins did not find 11 great companies as defined by the set of parameters he claimed are associated with greatness, or, at least, that greatness is not sustainable.

Segunda leitura recomendada: Niendorf, Bruce, and Kristine Beck. "Good to Great, or Just Good?." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 13-20.
O resumo do artigo: Good to Great has been on BusinessWeek's best-seller list since its October 2001 release. In Good to Great, author Jim Collins identified a set of 11 firms as great, then used them to derive five management principles he believed led to "sustained great results." We contend that due to two fatal errors, Good to Great provides no evidence that applying the five principles to other firms or time periods will lead to anything other than average results. We explain the two errors and empirically test our contention. When ranked with the 2006 Fortune 500, the 11 Good to Great firms have an average ranking of 202nd. In addition, in terms of long-term stock return performance, the Good to Great firms do not differ significantly from the average company on the S&P 500. Our evidence is consistent with the conclusion that although the Good to Great firms may be good, they aren't great.

Ambos os artigos, como Thomaz Wood havia explicado, desmontam a teoria que sustenta o livrinho do "guru" (argh!) Collins. Outros pesquisadores sérios, anteriormente, já haviam demonstrado que Collins é um picareta.
A relação das empresas que este picareta-guru Collins indica como sendo empresas "good to great" inclui a Circuit City (que faliu), Gillette (que foi comprada pela P&G), Fannie Mae (nem vou repetir novamente), e Wells Fargo, entre outras. Tenho os dois artigos citados, mas devido a questões de direitos autorais, não posso disponibilizá-los aqui para download. Uma pena.
Mas se alguém da Exame que ainda tiver 2 neurônios ativos quiser, posso mandar por e-mail, para que, desta forma, seja possível vislumbrar melhor como o Jim Collins escreveu merda na porcaria do livrinho dele. Claro que o ideal seria ter feito uma pesquisa ANTES de dar a capa a este boçal-picareta, mas........

Mas fico me perguntando: até quando a Exame vai continuar dando espaço (inclusve na CAPA!) para disseminar a ignorância ?

Será que o pessoal contratado pela Exame não sabe o que significa PESQUISAR antes de escrever uma reportagem ?
Será que não se ensina mais a pesquisar antes de ir até outro país fazer uma entrevista com um cidadão que afirmara que a
Fannie Mae era uma empresa "Good to Great" mas ficou quietinho quando ela teve que receber uma injeção de capital BILIONÁRIA do governo americano?

O pior de tudo é que a matéria da Exame baseia-se numa entrevista do tal "guru" (argh!, mais uma vez) que traz algumas pérolas, coisas tão burras, mas tããããããão burras, que o simples fato de reproduzi-las, como Exame fez, deveria bastar para demissão sumária do editor que aprovou a publicação. A matéria, na íntegra, está AQUI.

Para ilustrar a "genialidade" de Collins, selecionei um pequeno trecho de uma de suas respostas: Numa crise como esta, as empresas enfraquecidas sofrerão mais. Porém, uma empresa forte continuará sendo forte. Os fracos desaparecem e no lugar deles outros virão.

Puxa, será que não havia nada mais óbvio para este "guru" (argh!) dizer ??

Uma publicação de negócios séria jamais gastaria dinheiro para que uma repórter fosse até os EUA para entrevistar uma besta que me solta uma resposta dessas.................

29 de abril de 2009

Porque jogar a Você S/A no lixo

Entre aproximadamente 34.745 razões, vou apontar uma que recebi por e-mail.
Como cliente da Elsevier, recebo uma newsletter da editora que se chama "Saiba o que os VIP leêm" ( acento circunflexo no segundo E não é erro meu: o título da newsletter é este mesmo).

Na edição de 28/04, vejo a imagem da capa do livro do Jim Collins ("Good to great", traduzido como "Empresas feitas para vencer"). Este é aquele livro que apontava a Fannie Mae como uma dessas "good to great". Fannie Mae é aquela mesma, do escândalo financeiro, que já sugou mais de 200 BILHÕES DE DÓLARES do Tesouro norte-americano.

Graças à newsletter da Elsevier, descobri o que a Você S/A escreveu sobre o livro do Collins:
"(...) Os cinco CEOs foram unânimes: indicam o livro de Jim Collins porque sugere descobrir o que é necessário para transformar o bom em ótimo e mostra como transformar uma boa organização numa empresa que gera excelentes resultados sustentáveis.Tudo o que precisam saber para ficar no topo."
Pois é......
O livro é ruim que dói.
Mas pior do que o livro, é esta "crítica" sem noção.
Coisa típica da Você S/A, e lixos adjacentes.....

21 de dezembro de 2008

Para que servem revistas volúveis ?

O título do post é a pergunta que eu me fiz quando vi a capa da Exame de 27 de Novembro (edição 932). A matéria de capa perguntava "para que servem os analistas".
Abaixo, alguns trechos da referida matéria (que está na íntegra AQUI):
Parece que foi num passado distante, mas há apenas seis meses uma espécie de euforia coletiva tomou conta do mercado acionário brasileiro. Para a premiada equipe de análise do banco de investimento UBS Pactual, as ações de empresas brasileiras eram uma pechincha em maio de 2008. As razões para tanto otimismo eram de uma clareza científica. As economias de países emergentes, como se sabia, descolavam-se do desempenho dos países ricos. O Brasil havia acabado de receber o tão sonhado selo de país com grau de investimento, e o investidor estrangeiro invadiria a bolsa local na nova fase. A expansão do crédito garantia dinheiro a todos, dos compradores de carros àqueles que financiavam seu primeiro apartamento. O futuro, portanto, sorria para a bolsa brasileira.

O UBS Pactual, então, cravou sua previsão para o fim do ano. O Índice Bovespa, que reúne as principais empresas do país e estava em seu recorde histórico, de 70 000 pontos, chegaria a 85 000 pontos até o fim de dezembro. Entre as dez empresas que se destacariam no período estavam as varejistas Lojas Americanas e B2W, bancos e companhias do setor imobiliário. Por alguns dias, a coisa pareceu fazer um baita sentido. A bolsa brasileira continuou subindo até meados de maio - quando começou a descer a ladeira e não parou mais. Quem acreditou no sonho do "Ibovespa 85 000" perdeu dinheiro de gente grande. Das ações recomendadas, todas caíram até o fim de novembro. A que caiu menos despencou 50%. A pior, a construtora Rossi, perdeu mais de 80% do valor de mercado desde então. E o Índice Bovespa rastejava em 34 000 pontos no dia do fechamento desta edição. A projeção se provou errada da premissa à conclusão.

Esse, infelizmente, é apenas um exemplo do circo de horrores que vem sendo o trabalho dos analistas do mercado financeiro em 2008. Seguir recomendações de oráculos das finanças tem sido um péssimo negócio. Não importa se essas avaliações vêm de economistas agraciados com o prêmio Nobel, magos das planilhas ou investidores bilionários. A crise financeira global varreu do mundo trilhões de dólares em investimentos e levou junto a reputação de analistas econômicos de toda espécie. O macho alfa da turma, o apresentador de TV americano Jim Cramer, destacou-se nos últimos meses por sua capacidade de errar bisonhamente. Em outubro, quando o índice Dow Jones ficou abaixo de 10 000 pontos, Cramer berrou: "Peguem todo o seu dinheiro e comprem ações! Agora!".
No dia seguinte, o índice caiu outros 500 pontos - no final de novembro, beirava os 8 000 pontos, queda de 20% em relação ao fundo do poço identificado por Cramer.

Por onde se olhe, pipocam exemplos de trapalhadas de calibre semelhante feitas por iluminados que deveriam entender do que estavam dizendo.
Esta frase aqui em cima......esplêndida !
Isso é, SERIA esplêndida se a Exame não fosse mais uma das tantas fontes de previsões bisonhas.

Antes de eu mesmo tecer meus comentários, aproveito uma carta publicada na edição 933:
Em relação ao tema proposto pela capa da última edição, cabe mencionar também o papel dos meios de comunicação e de revistas especializadas que, contagiados pela euforia, outorgam espaço a esses mesmos analistas. A mídia também precisa fazer sua autocrítica.
Bernardo Tanis, São Paulo, SP
Bernardo: concordo PLENAMENTE com você !!!!!!!!
Eu começaria, aliás, pela própria Exame, que frequentemente abre espaço para opiniões estapafúrdias e insiste na burrice de clamar por "gurus".
Preciso mencionar, novamente, o pilantra Jim Collins ?

Em Setembro, eu já havia publicado um post sobre o tema - veja AQUI.
A Exame abordou o assunto no final de Novembro.
Rápida, né ?!

Mas, pior do que a lerdeza para tratar de algo tão óbvio, foi a reportagem eximir-se de tentar produzir um mea-culpa, ainda que tardio e superficial:
Se economistas e analistas erram tanto, por que insistimos em ouvir suas previsões e atribuir a elas um caráter científico? (Os jornalistas de EXAME são réus confessos no caso.) Uma história ajuda a ilustrar a resposta. Durante a Segunda Guerra Mundial, o economista americano Kenneth Arrow (que ganharia um Nobel em 1972) foi convocado para liderar um grupo de pesquisadores. A missão era prever as condições meteorológicas nos campos de batalha com um mês de antecedência. Os estatísticos do grupo logo perceberam que as previsões não tinham o menor valor - ou seja, não eram diferentes de um chute qualquer. O grupo mandou um relatório a seus superiores informando que não enviaria as inúteis previsões. Veio, então, a resposta. "O comandante-geral sabe que as previsões não são boas. No entanto, ele precisa delas para fins de planejamento." Tomamos decisões baseadas em previsões o tempo inteiro. Aceito aquela oferta de emprego? Devo ter filhos agora? Faço um financiamento? As empresas dependem de cenários para tomar decisões de investimento, contratações ou aquisições. Governos precisam de previsões para formular políticas. E o mercado financeiro usa expectativas para sua formação de preços. O futuro, portanto, vale muito dinheiro. "Previsões econômicas constituem parte vital do dia-a-dia de empresas e famílias", diz Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Diante das incertezas que o futuro apresenta, é preciso avaliar os cenários, assumir o risco e decidir. Ou seja, apesar da crise atual, os economistas vão seguir tentando adivinhar o que vai acontecer. Os analistas continuarão recomendando ações. E empresários, jornalistas e consumidores continuarão levando essas previsões a sério - essa é a única previsão que esta reportagem se arrisca a fazer.
A matéria não chega nem perto de lembrar ao seu leitor que a própria Exame adora as análises malucas desses "gurus" fabricados às dezenas nos últimos anos. Alguns poucos exemplos das previsões estapafúrdias e conclusões equivocadas da própria Exame estão AQUI, AQUI e AQUI. Isso para ficar apenas em alguns poucos......

Alô, dona Cristiane Corrêa (editora-executiva da Exame) !!! A coisa só está piorando !!!!!!
Eu já tratei disso, AQUI.
Aparentemente, nada vai mudar...... (exceto o número de assinantes da Exame)

10 de outubro de 2008

REVISTA EXAME: vendida ao modismo burro

A Revista Exame está pior a cada edição.
Lembro que antigamente (uns 8/10 anos atrás) a leitura da revista era prazerosa, útil.
Gradativamente, porém, tem se tornado uma publicação fútil, praticamente uma Capricho.

Ao longo do mês de Agosto, andei trocando alguns e-mails com a editora da Exame.
Vou reproduzir, abaixo, as conversas.

Mas, antes, a contextualização.
Ao ler um texto da Cristiane Correa, em seu blog (aqui), fiz um comentário (aqui).
A partir deste comentário, ela me respondeu, via e-mail.

Aí começaram as trocas de mensagens, como segue:
24 de agosto de 2008 09:08
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz

Carlos,

Tudo bem?

Obrigada pela visita ao blog.

Essa autocrítica que vocÊ sugeriu que os jornalistas da Exame façam é algo que tentamos fazer o tempo todo. É possível que às vezes um jargão ou outro passe pelas matérias, mas você não verá funcionário sendo chamado de colaborador pela revista, por exemplo. do mesmo modo que não chamamos "demissões" de "reengenharia", para citar outro exemplo

Enfim, só queria que você soubesse que tentamos arduamente não sucumbir a esses modismos!

abraço

Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Respeite o Meio Ambiente. Imprima somente o necessário.
Planeta Sustentável - O futuro a gente faz AGORA.
www.planetasustentavel.com.br
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29 de agosto de 2008 21:30
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa

Olá, Cristiane, tudo bem ?!
Agradeço pelo retorno com relação ao comentário no blog.

Aliás, fico feliz em saber disso, porque na minha opinião, a Exame vem perdendo excelentes oportunidades de melhorar.
Sou assinante da revista há anos, e leitor há mais tempo ainda (uns 15 anos, aproximadamente).
E confesso que ultimamente venho perdendo o interesse em ler a revista, inclusive por conta de alguns modismos que a Exame encampa como se fossem verdades absolutas.

Para ficar num único exemplo, destaco uma matéria publicada na Edição de 26/06, que eu comentei no meu blog:
http://marketing-room.blogspot.com/2008/06/mais-uma-desinformada-desinformando.html

Posteriormente, retomei o tema, aqui:
http://marketing-room.blogspot.com/2008/07/vale-quer-ser-verde-repercusso.html

Como professor universitário, eu tento mais arduamente ainda mostrar aos meus alunos (dos cursos de Administração, Logística e Marketing) que certos modismos levam facilmente a decisões equivocadas, ou análises estapafúrdias (como esta que a Exame publicou, sobre a Vale).
Mas é difícil, quando uma publicação com a repercussão da Exame abre espaço para modismos e tolices no geral.

Entendo que é difícil controlar todos os detalhes, em virtude de prazos, quantidade de informações e afins, mas fico bastante "aliviado" por ler a sua resposta. Graças a ela, creio que ainda há esperanças !

Confesso que talvez minhas decepções com a Exame tenham aumentado após o lançamento da Época Negócios, que traz análises mais aprofundadas - que eu gosto - do que a Exame, que tenta cobrir maior diversidade de temas, embora muitas vezes isto implique superficialidade no trato das matérias.

Não sei.

Mas tenho visto - em especial ao longo dos últimos 8 meses - uma crescente enxurrada de afirmações ligadas à "sustentabilidade", por exemplo, que indicam claramente um modismo. Edição após edição, isso se repete. Inúmeras vezes foi afirmado, por exemplo, que os consumidores estão pressionando empresas a lançarem produtos "sustentáveis", ou adotarem "práticas sustentáveis", o que simplesmente não é verdade.

Basta analisar com maior atenção as pesquisas que tratam do tema, e quaisquer conclusões sobre o valor percebido pelos consumidores (brasileiros inclusive, mas não só) na sustentabilidade vai por água abaixo.

Isso não deixa de ser um modismo - e a revista não tem mostrado nenhuma indicação no sentido de suplantá-lo; muito pelo contrário.

Desculpe o tom de "desabafo", mas o seu e-mail me fez acreditar que nem tudo está perdido.

Abraço,

Carlos Eduardo Machado Munhoz
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1 de setembro de 2008 10:08
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz

Carlos Eduardo,

Tudo bem?

Lamento saber que você vem perdendo interesse na revista...

Tratamos aqui de assuntos que tenham interesse para as empresas. Alguns temas que você considera "modismo" (como a tão falada "sustentabilidade") para nós são assuntos que estão na pauta das empresas – e, portanto, não devem ser ignorados. Nossa maior preocupação nesses casos é abordar o tema de forma crítica. Na matéria sobre a Vale citada por você, acho que conseguimos fazer isso (embora tenha realmente existido a confusão de conceitos, algo que admitimos ao publicar a carta do leitor).

Note que não EXAME está longe de ser a única revista a cobrir o tema. Na imprensa mundial, o assunto é abordado frequentemente por publicações respeitadas como Business Week e New York Times. Aqui no Brasil, a maioria das revistas também tem se debruçado sobre o assunto (inclusive nossas concorrentes).

Como disse anteriormente não estamos imunes a erros (ninguém está). Mas perseguimos obsessivamente a qualidade e a exatidão nas informações. Acho que é graças a essa preocupação que temos conseguido aumentar significativamente a circulação da revista – algo raro na imprensa mundial, como você deve saber.

Bom, o canal está aberto. Quando tiver outras observações a fazer, fique à vontade.

abraço

Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Av. Nações Unidas, 7221- 20º andar
CEP 05425-902 - Pinheiros - São Paulo - SP
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9 de setembro de 2008 21:30
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa

Prezada Cristiane,

Novamente, ainda que correndo o risco de me repetir, devo dizer que considero a sua iniciativa de dialogar louvável.

Sobre a questão que levantei, envolvendo a "sustentabilidade", o problema não é o assunto em si, mas o tipo de cobertura que a mídia, no geral, vem dando à questão.

E, neste sentido, a Exame erra tanto quanto outras publicações (http://marketing-room.blogspot.com/2008/09/verdade-ou-apenas-marketing.html).

Em alguns casos, até mais - haja vista que a Exame é uma das mais tradicionais publicações brasileiras sobre negócios. Assim, a revista não deveria cometer "deslizes" que em mídias não especializadas no assunto poderiam passar despercebidas.

Como você afirmou, todavia, o volume de informações a serem "peneiradas" para a publicação e o ritmo de trabalho por vezes criam "deslizes" - o que, aliás, é absolutamente compreensível.

A falta de humildade para corrigir tais deslizes, por outro lado, é absolutamente incompreensível.

No caso da reportagem da Vale, por exemplo, em momento algum a Exame corrigiu o erro. Convenhamos que APENAS publicar UMA carta de um leitor não é equivalente a escrever "desculpem o erro cometido na reportagem da última edição", e, na seqüência, explicar qual foi o erro em questão.

A carta publicada apenas mostra que um leitor discorda do encaminhamento da matéria - e não indica, em momento algum, que a revista está ciente de que errou.

Ademais, o tratamento que a Exame (não só, obviamente) vem dando ao tema é errôneo.

E não tem nada de crítico.

Tomo como exemplo uma outra matéria, da edição mais recente: a reportagem que trata do perfil da executiva Patricia Woertz não tem NADA a ver com sustentabilidade - e, ainda assim, é apresentada sob o título "sustentabilidade".

A matéria trata (muito bem, aliás) do interesse de uma empresa de grande parte por novas fontes de energia - uma questão, indiscutivelmente, relevante no momento. Contudo, a leitura da matéria não tem relação alguma com "sustentabilidade" - e, aliás, o termo propriamente dito aparece uma única vez, citado de forma breve e superficial. O que, por sinal, faz todo o sentido, pois a matéria é sobre a pessoa que comanda uma empresa gigantesca do agronegócio.

Por que, então, apresentar tal matéria (repito: interessantíssima) sob a rubrica "sustentabilidade" ?

Não seria mais adequado "agronegócio" ou algo do gênero ?

Já li inúmeras outras matérias, na Exame, que "forçam a barra" para tratar do assunto.

E é justamente este o problema dos modismos: eles são, via de regra, cercados por afirmações que extrapolam o limite do aceitável, do razoável....

Freqüentemente vejo afirmações e indicações que indicariam uma suposta "pressão" por parte dos consumidores para que as empresas sejam "sustentáveis" - isso simplesmente é mentiroso.

Em alguns países europeus há, sim, uma pequena parcela de consumidores EFETIVAMENTE preocupados com isso, capazes de deixar de comprar um produto/serviço de uma empresa que polui o ambiente ou desrespeita certos preceitos "sustentáveis"; contudo, mesmo em países como Alemanha ou França, são apenas um nicho.

No Brasil, por outro lado, o número é tão pequeno, tão ínfimo, que sequer caracteriza um nicho...

Reitero: não estou sugerindo, nem remotamente, que as empresas devem destruir o meio-ambiente.

De forma alguma.

Agora, o tratamento da questão merece maior cuidado, justamente para não banalizar um tema tão relevante !

Peço sua licença para me alongar um pouco sobre isto.
Além de trabalhar prestando consultoria de marketing, sou professor universitário.
Em ambas as carreiras, sinto a importância e a credibilidade da Revista Exame.

Talvez seja até surpreendente (para mim, foi), mas já tive incontáveis exemplos de alunos que comentam as matérias e notícias publicadas na Exame, e, portanto, tenho a chance de, vez ou outra, discutir algumas matérias da revista em sala (nas aulas de marketing).

Nestas discussões, vejo que alguns alunos acreditam piamente nas afirmações da Exame, e sempre acabam "decepcionados" quando alguns mitos são derrubados.

Graças a um questionamento de um aluno meu, escrevi este post no blog: http://blogs.abril.com.br/munhoz/2008/09/marketing-ambiental-uma-bobagem.html

Ele questionou a terminologia "marketing verde", e me enviou alguns textos que localizou na web. Escrevi uma resposta mais detalhada para ele, mas usei trechos para redigir este post no blog.

No ano passado, uma aluna leu uma matéria sobre um chinelo da Alpargatas ou Grendene (não me recordo ao certo), que levava a "assinatura" da Gisele Bündchen. Ela estava com a edição da Exame em mãos, havia lido a matéria, e levantou a discussão em sala, justamente quando tratávamos de gerenciamento de marcas.

A matéria apontava que o grande diferencial da tal sandália era a "responsabilidade social", pois o modelo acabaria gerando alguns benefícios para uma tribo indígena da Amazônia.

A matéria apontava, ainda, que esta associação com os índios seria o grande diferencial da marca, dada a elevada preocupação com a "responsabilidade social" das empresas.

Para testar o que a matéria afirmava, peguei a revista da mão da minha aluna, e perguntei qual era o nome da tribo indígena que seria beneficiada com o novo produto, chamado pela Exame de "socialmente responsável".

Minha aluna não lembrava.

A única coisa que ela lembrava era da "marca" Gisele Bündchen.
Com isso, questionei a sala (inclusive esta aluna, obviamente), se o que diferenciava o produto, no recall dos consumidores, era o nome (e imagem) da super-model ou se era a ação "social" junto aos índios. A conclusão foi óbvia.

E as afirmações na matéria da revista, na seqüência, viraram descrédito.

Dito isso, faço SINCEROS votos de que a Exame continue com esta visão de melhoria contínua.

Lembro que 10 anos atrás eu "devorava" a revista assim que a recebia, tamanho era meu interesse pelo conteúdo. Atualmente, às vezes a revista fica dentro da embalagem original por até um mês, isso quando não acumulam-se 3 edições "encapadas".

Fruto do meu receio de abrir a revista e ler afirmações descabidas, apresentadas como "verdades inquestionáveis" quando, na realidade, poderiam ser qualificadas no máximo como um "desejo inconsciente" (de que o consumidor brasileiro realmente deixe de comprar um produto "poluente", e pressionando as empresas de forma constante pela melhoria - o que nos permitiria falar em "desenvolvimento sustentável", na acepção mais ampla e abrangente possível).

Nada contra este desejo.
Desde que, no afã de torná-lo realidade, não sejam feitas ilações e deturpações da realidade.

Atenciosamente,

Carlos Eduardo Machado Munhoz
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10 de setembro de 2008 09:34
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz

Carlos,

Em nenhum momento afirmei que "o volume de informações a serem "peneiradas" para a publicação e o ritmo de trabalho por vezes criam "deslizes", como vc escreveu abaixo. Disse apenas que não somos infalíveis (aliás, me procupa a distorção que vc fez das minhas palavras).

Quanto à matéria da ADM, imagino que vc saiba que investimentos em energias alternativas, que tendem a substituir o uso das poluentes energias fósseis estão relacionados à questão de sustentabilidade. É por essa razão, absolutamente pragmática, que a ADM está fazendo esse investimento.

No caso da matéria envolvendo a Gisele Bündchen, talvez vc não a tenha lido por inteiro. A reportagem justamente questionava a busca exagerada das empresas por uma imagem ecologicamente correta. Um dos casos abordados era o da Grendene. Vc diz que a "matéria apontava, ainda, que esta associação com os índios seria o grande diferencial da marca, dada a elevada preocupação com a "responsabilidade social" das empresas".

Lamento, mas isso não está escrito lá. Ao contrário, está escrito que a ação não se tratava de "bom-mocismo" e que a Grendene lucraria com ela. Óbvio que a imagem de Gisele teve apelo. Mas note que por causa da ação, a empresa lançou até uma linha de sandálias com desenhos indígenas. A matéria aponta que foi isso que fez as vendas decolarem.

Atenciosamente,

Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Av. Nações Unidas, 7221- 20º andar
CEP 05425-902 - Pinheiros - São Paulo - SP
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10 de setembro de 2008 16:13
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa

Cristiane,

Você está confundindo a matéria sobre a Grendene.
Você se refere a esta aqui: http://portalexame.abril.com.br/static/aberto/gbcc/edicoes_2007/m0144123.html
Eu me refiro a uma que saiu no primeiro semestre de 2007 (não tenho a edição em mãos, mas guardei a cópia que minha aluna me deu).

Quanto às energias "alternativas", me perdoe, mas nenhuma empresa está buscando estas alternativas graças à poluição dos combustíveis fósseis. Trata-se apenas e tão somente do custo monetário, aliado ao esgotamento iminente das reservas de petróleo. Isto sim é pragmático.

Se distorci suas palavras, peço desculpas. Não foi minha intenção.
Bom, depois disso ainda não tive tempo de procurar a matéria que a minha aluna apontou, numa aula, e que eu mencionei.
Mas irei procurar. Eu lembro claramente que guardei esta edição, que continha a reportagem, para citar novamente, em outras aulas. Mas terei que fazer uma busca na pasta de 2007.

Contudo, o ponto crucial é outro.
A matéria da Exame sobre a Vale do Rio Doce estava errada.
No e-mail, a editora da revista assumiu isso: Na matéria sobre a Vale citada por você, acho que conseguimos fazer isso (embora tenha realmente existido a confusão de conceitos, algo que admitimos ao publicar a carta do leitor).

Ao que eu respondi: A falta de humildade para corrigir tais deslizes, por outro lado, é absolutamente incompreensível. No caso da reportagem da Vale, por exemplo, em momento algum a Exame corrigiu o erro. Convenhamos que APENAS publicar UMA carta de um leitor não é equivalente a escrever "desculpem o erro cometido na reportagem da última edição", e, na seqüência, explicar qual foi o erro em questão. A carta publicada apenas mostra que um leitor discorda do encaminhamento da matéria - e não indica, em momento algum, que a revista está ciente de que errou.

Este, sim, é o ponto !
A revista errou (feio demais), e não corrigiu.
Quem acessar o site da Exame e buscar a matéria, continuará acessando um texto equivocado.

E, desta forma, propaga-se o desconhecimento.

Estimula-se o modismo burro.

11 de setembro de 2008

A grandeza do guru Jim Collins detonou 200 bilhões

Esta é a apresentação que vemos no site da HSM, sobre um dos palestrantes da próxima ExpoManagement:
Considerado pela Fortune Magazine como um dos mais influentes pensadores vivos de management, é também o mais lido autor de negócios da atualidade. Jim Collins é autor de quatro livros – incluindo o clássico Built to last, que registra 3,5 milhões de cópias vendidas e até hoje figura em listas de best-sellers. Seu mais recente sucesso Good to great: why some companies make the leap... and others don't que já vendeu mais de 2 milhões de cópias e foi traduzido para 22 idiomas. Sua seleção dos "Maiores CEOs da História" foi matéria de capa da Fortune Magazine.
Bonito, né ?!
Agora, uma belíssima lembrança do Clemente Nóbrega:
Essa tal Fannie Mae que acaba de receber uma grana preta do tesouro americano para não quebrar,não é uma daquelas que Jim Collins garantiu ter ultrapassado o patamar das empresas simplesmente boas, e se tornado uma empresa grandiosa (great?). Não é (era) uma das raríssimas que tinham descoberto o segredo da perpetuação,por causa de seus líderes "nïvel 5",e outras presepadas ?
Pois é....... O "guru" é genial, não é ?!
O tal do "guru" Jim Collins trata da Fannie Mae AQUI.

Não me lembro de ter lido o Peter Drucker afirmar taxativamente algo parecido sobre nenhuma empresa - e, tempos depois, esta empresa causar um prejuízo deste montante.....

Por essas e outras, DETESTO esses gurus de quinta categoria....