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14 de julho de 2013

Copa das Confederações adianta o fiasco da Copa de 2014 - tudo com dinheiro público

Em 11 de Julho de 2011 - portanto há mais de DOIS anos - eu escrevi AQUI no blog que a Copa do Mundo não traria nem 30% dos "benefícios" e "vantagens" que o governo estava dizendo que haveria.

O Corinthians contratou a Accenture para fazer um estudo, COM DINHEIRO DA ODEBRECHT (que está recebendo financiamento estatal), com o intuito de "convencer" os vereadores de SP a apovar o Projeto de Lei 288/2011, que concede isenção fiscal milionária ao Corinthians.

O PL foi aprovado (e eu publique AQUI os nomes de cada um dos vereadores que são responsáveis pela aprovação deste projeto absurdo, ultrajante), o Corinthians e a Odebrecht estão fazendo uma farra com dinheiro público, e pelo que se viu na Copa das Confederações, os dados apresentados no tal estudo da Accenture se mostraram mais furados do que as previsões econômicas do Guido Mantega (grifos meus):
Uma pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que a Copa das Confederações não foi capaz de movimentar o turismo interno, assim como também não atraiu o turista estrangeiro.Segundo o estudo realizado junto a torcedores das seis cidades sede, 85% das pessoas que foram aos estádios moravam no mesmo estado onde estava sendo realizado o evento. Já de acordo com dados da Fifa, apenas 3% dos ingressos foram comprados por torcedores estrangeiros.

Na avaliação da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), essa baixa movimentação de turistas teve impactos no comércio, que contava com um provável aumento de demanda. "Uma pesquisa anterior realizada em abril desse ano, mostrou que 83% dos comerciantes acreditavam que a Copa das Confederações iria trazer novas oportunidades de desenvolvimento para os negócios locais. A falta de turistas no evento, aliada aos resultados das manifestações nas ruas frustraram essas expectativas”, afirma o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.
 
Embora 83% dos varejistas acreditavam que a Copa das Confederações iria trazer novas oportunidades de desenvolvimento para os negócios locais, a pesquisa realizada durante os jogos apontou um cenário diferente: o consumo foi direcionado para o setor de serviços como restaurantes, bares e boates, deixando o segmento varejista a desejar. Os dados mostram que boa parte dos consumidores pretendiam gastar quantias significativas durante o dia do evento com, por exemplo, alimentação (média de R$ 90 por dia), bares e boates (média de R$ 101 por dia). No entanto, praticamente 70% do público que foi aos estádios não colocou a mão no bolso para levar um produto de loja para casa (souvenires, roupas, calçados e artigos esportivos).
 
"O que é de certa forma natural, já que a maioria desses consumidores eram locais e não ira mesmo gastar com souvenires ou artigos esportivos, comumente comprados em viagens para presentear amigos e familiares”, explica Pellizzaro Junior.
De zero a dez, a nota média dada pelos entrevistados para a Copa das Confederações foi sete. Quando perguntados sobre a avaliação de alguns segmentos do evento, o item com o maior percentual de avaliações positivas foram os estádios, com 88% de classificação bom ou ótimo.
 
Outros quesitos com altos percentuais de avaliações positivas foram hospedagem (58%), comércio em geral (57%), bares e restaurantes (56%) e turismo/cultura/eventos (52%). Já os itens mobilidade urbana (40%), estacionamento (46%), transporte público (48%) e aeroportos (29%) tiveram um maior percentual de avaliações do tipo péssimo ou ruim. Na opinião de Borges, houve uma maior reclamação com aqueles serviços mais relacionados às estruturas de responsabilidade do estado. "Essa insatisfação relacionada às políticas urbanas, econômicas e sociais refletem de certo modo as manifestações vistas nas ruas. Além disso, 70% dos torcedores consideram que os recursos públicos investidos na Copa não foram bem investidos ou fiscalizados", afirma.
 
Segundo a pesquisa, 85% dos torcedores acham que o investimento pessoal para ir aos estádios foi algo que valeu a pena, mas 62% ainda consideram o Brasil despreparado, de maneira geral, para o evento do ano que vem, a Copa do Mundo. “Ou seja, o público considerou a preparação adequada para um evento teste como a Copa das Confederações, mas ainda falta melhorar para o evento principal, que é em 2014”, explica.
(Íntegra da notícia AQUI
O tal "estudo" comprado pela Odebrecht em nome do Corinthians, entregue em 2011, afirmava que a realização da abertura da Copa do Mundo de 2014 em SP movimentaria R$ 30 bilhões.

Eu escrevi que este valor era um absurdo, um chute estratosférico, impossível, inviável. Salvas as proporções entre a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, como a própria notícia acima faz, já é possível imaginar o tamanho da decepção que será vista em 2014.


Mas pior do que isso: o governo (incluindo federal, estadual e municipal) está usando BILHÕES de reais de dinheiro público para financiar um evento que trará um retorno pífio. Em suma, o governo está queimando dinheiro. Obviamente, nem preciso dizer que se trata de dinheiro NOSSO, de cada otário que paga impostos, taxas e tarifas no Brasil.



14 de junho de 2013

O gado e o caos em São Paulo [atualizado]

Sobre as cenas deploráveis de ontem à noite, quando São Paulo sofreu pelo vandalismo e uso político de uma massa de idiotas úteis de um lado, e excessos da PM do outro, algumas leituras que valem a pena:

1) Sobre o uso político dos protestos, que vem sendo DESCARADO, o Flávio colocou todos os pingos nos "is" AQUI.

Abaixo, uma das imagens do Estadão: não apenas bandeiras de partidos políticos, mas algumas inclusive com o NÚMERO DO PARTIDO! Campanha político-eleitoral? Ué, não era "manifestação pacífica"? Parece que não, né ?!

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Mas não é só: defronte ao Teatro Municipal, faixas com menção à greve da CPTM que prejudicou ainda mais a cidade ontem:

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Mas o que a greve da CPTM tem a ver com "manifestação pacífica contra o aumento das tarifas dos ônibus" ?
Nada, claro.
Trata-se de uma agenda política daqueles que orquestraram essas badernas.
Sobre este grupo denominado "Juntos", que assina diversos cartazes e faixas, leia os detalhes AQUI.

 

2) Sobre o absurdo das exigências (falsas) de tarifa zero, o Drunkeynesian levantou excelentes questões AQUI.
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3) A Folha publicou, na edição de ontem, um artigo assinado por 4 "representantes" da ONG que vem usando gente pouco afeita aos fatos como massa de manobra (ou vulgo "gado socialista") AQUI.

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Interessante notar que a única coisa que eles fazem é criticar, acusar, dizer que o atual modelo de ônibus em SP está "esgotado" (e algumas palavras depois "em crise", o que, convenhamos, é diferente de "esgotado"), e reclamar da PM - que, até ontem, estava muito passiva, permitindo que vândalos, bandidos, destruíssem propriedade pública e privada sem grandes dificuldades.

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Os 4 "representantes" da ONG poderiam ter aproveitado o espaço dado pela Folha para explicar, por exemplo, por qual razão lojas, bancos e estações do metrô foram atacados e parcialmente destruídos na terça-feira.
Não o fizeram. 

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Os 4 lindinhos pouco afeitos à democracia (que pressupõe respeitar o direito dos outros, coisa que a ONG não consegue fazer, nem tenta) poderiam pedir que alguém lhes explicasse, com desenhos coloridos, o que está muito bem explorado AQUI. ESTE É UM TEXTO CURTO, OBJETIVO, QUE MERECE SER LIDO.
E relido.
E lido novamente.

Firefox 18 

Pessoalmente, acho que passou da hora de protestar - contra a corrupção em níveis jamais vistos, contra a economia patinando (pibinho, inflação fora de controle), gastos absurdos do governo, infra-estrutura de país de 14o mundo com impostos de primeiríssimo mundo etc.

Mas há formas inteligentes de protestar.

E há formas burras.

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O que temos visto e sofrido, nos últimos dias, são consequências das formas burras.
Gente bem intencionada que serve de massa de manobra de grupelhos extremistas (PSTU, PCO, UNE, MPL, setores do PT, como a JPT - Juventude do PT etc) que têm uma agenda que NÃO coincide com os anseios da população. 

Ou alguém acha que a maioria da população quer o socialismo, sem direito de melhorar de vida, tendo que racionar papel higiênico, como na Venezuela?
 
 

19 de junho de 2012

Picareta é picareta é picareta. Não tem jeito.

Estou acompanhando, desde ontem, algumas reações à palhaçada envolvendo Lulla, Maluf, Haddad e Erundina. Obviamente, estou me divertindo IMENSAMENTE!

Primeiro, Erundina oficializada como vice na chapa de Haddad (AQUI).
Como se não bastasse, este que foi o PIOR MINISTRO DA EDUCAÇÃO DA HISTÓRIA DO BRASIL emocionou-se ao anunciar uma vice de quase 80 anos, mesmo tendo como mote da campanha "o novo" (AQUI).

No final de semana, em entrevista, Erundina mostrou que já estava ciente do apoio acertado entre Maluf e Lulla, mas mesmo assim havia aceitado o convite de ser vice (AQUI).

Depois, a foto que, na minha opinião, já se coloca como a foto do ano (ou, quiçá, da DÉCADA):


 Uma foto impressionante, não??

Junto à fotinho, descobriu-se que Lulla OFICIALIZOU o apoio de Paulo Maluf (e do seu partido) à chapa de Fernando Haddad à Prefeitura de SP, apoio este que vinha sendo negociado há tempos, e era de conhecimento público - foi, inclusive, discutido na entrevista dada à Folha de São Paulo.

Pois bem... Agora eu queria chegar nisto aqui: o tal blog "Amigos do Presidente Lula", um lixão em termos de tudo, me fez rir demais com 2 posts em particular - AMBOS POSTADOS NO MESMO DIA (19/06).
Vou transcrevê-los, pois há grandes chances de serem deletados (esse blog mequetrefe já tem histórico de apagar algumas - não todas, claro! - das bobagens que publica, como no caso em que chamou os paulistas de otários devido à questão dos pedágios).
Aproveitando destacarei (em nregrito) alguns trechos, para comentá-los (em itálico e azul).

O primeiro:

terça-feira, 19 de junho de 2012


A guerreira Erundina não arreda o pé na luta contra o neoliberalismo de Serra

Ao contrário do que o PIG (Partido da Imprensa Golpista) disse, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) não recuará e continua sendo a vice-prefeita na chapa de Fernando Haddad (PT-SP).
[COMENTÁRIO MEU: Parece que, no final das contas, aquilo que os PTralhas chamam de "PIG" estava certo (como de costume): a Veja noticiou a desistência da Erundina na segunda-feira, dia 18, e ela foi oficializada na terça, dia 19 - sim, mesmo dia deste post patético]

Haddad e Erundina representam um projeto de desenvolvimento humano, sustentável, onde [ONDE???? Que criatura analfabeta, cruzes!] prioriza uma cidade para as pessoas viverem bem, com boas escolas para todos [Quando tomamos por base o desastre do Haddad como Ministro da Educação, fica fácil acreditar nisso, hein?!], rede de saúde para todos, resolver os gargalos de moradia decente para os mais pobres, transporte público eficiente para as pessoas não perderem tanto tempo de suas vidas para ir e voltar ao trabalho, e espaços públicos para lazer saudável, como práticas esportivas, culturais e de convivência.


No outro pólo, tem a candidatura neoliberal de José Serra (PSDB-SP), [Chamar o Serra de neoliberal é coisa de quem não tem nem mesmo a mais vaga idéia do que significa "neoliberal". Esta criatura nem sabe o que é um adjunto adverbial de lugar (basta ver o uso do "onde" algumas linhas acima), e vai se meter a copiar o termo que alguém do PT mandou que fosse usado sempre que se fizesse referência a qualquer um do PSDB... O resultado é este desastre aí...] cujas práticas são conhecidas e é negação de tudo o que Haddad e Erundina querem fazer. O projeto demotucano é submisso ao mercado privado. A cidade é loteada entre condomínios e shopping centers, expulsando os cidadãos mais pobres das áreas que vão ficando valorizadas, para a especulação imobiliária explorar.


Nesse contexto de antagonismo, a eleição vira uma guerra. E guerras não são bonitas, nem confortáveis. E para complicar, essa guerra eleitoral é curta, acaba em outubro. 


Guerreiros não ficam na zona de conforto. Se embrenham na selva, atravessam campos minados, se ferem, fazem as alianças necessárias. Che Guevara aceitava apoios até de forças policiais que desertavam de Fulgêncio Batista, nas cidades em que avançava. [Por que não citar Hitler, Stálin e outros ídolos da esquerda burra, que não sabe nem a metade do que estes ídolos de merda fizeram?!]


Por isso, na guerra eleitoral não dá para ficar na zona de conforto, recusando apoios que não comprometem a trajetória do governo, por mais desconfortáveis que sejam.


Guerreiros lutam por seu ideal, com armas, táticas e estratégias que tem ou que a conjuntura obriga. Quem recusa essa luta numa guerra, tem mais vocação para servir à Cruz Vermelha.


A candidatura de Haddad não é só para marcar posição, nem apenas para projetar seu nome para eleições futuras.[Resumindo: já sabe que não vai ganhar] É para vencer a hegemonia neoliberal demotucana em São Paulo. E líderes que tem obrigações com o povo de conquistar vitórias, não podem se dar ao luxo de esnobar um apoio como o do PP, jogando-o no colo do adversário. Recusar um apoio desse é renunciar à luta, é se render, é capitular à vitória de Serra, por mera arrogância e conforto intelectual individualista em detrimento da luta popular.


O fato de Maluf ser o principal quadro do PP paulista, não invalida este apoio, porque por mais que não gostemos de Maluf, ele não representa perigo de poder. Aquele Maluf contra qual lutamos era a ameaça de poder contra os trabalhadores no século passado. Hoje essa ameaça é José Serra, e aquele Maluf é apenas um fantasma do passado, e seu partido tem lá seu peso na balança ou do lado de Haddad ou de Serra. [Nossa, este parágrafo é tão ridículo que basta negritá-lo; desnecessário comentar]


O apoio do PP também não é nenhuma "anistia" a Maluf, para o quer que seja. É apenas relação institucional de partidos. [Assim como caixa 2 é "apenas" "recursos não contabilizados", né?!] Se Maluf tivesse recebendo em troco alguma maracutaia, nem Lula, nem Haddad precisariam sair na foto pessoalmente. [Deixando de lado MAIS UM erro de português (será que o autor do primor aqui fez escola com os livros do Haddad que diziam que observar a concordância, regência e toda a gramática no geral é coisa de "preconceito linguístico"???), a lógica é a seguinte: se saíram no foto juntos AUTOMATICAMENTE não existe maracutaia.... Ficou claro?! A foto é a PROVA da inexistência de maracutaias! Agor, nenhuma palavra quanto à lógica de o PT unir-se àquele que era (foi) um de seus maiores (senão O MAIOR) adversários políticos e ideológicos em SP... Conveniente, não?!] O fato de ambos terem saído na foto, se causou desconforto, também causou tranquilidade se olharmos racionalmente, pois o que tiveram que pagar foi só o simbolismo da foto, em uma rápida visita de prestígio feita às claras, em frente as câmeras, em vez de maracutaias de bastidores.


Se Maluf é egresso dos velhos métodos políticos do passado, hoje já não tem espaço para serem praticados nos governos petistas deste século XXI. [A sintaxe desta "frase" é um primor de ignorância, hein?! Socorro!] Haddad é forjado no governo Lula e Dilma, uma era onde [De novo?! Cacete! Alguém poderia, por favor, explicar ao sujeito que ONDE é adjunto adverbial de LUGAR?! Grato.] a transparência é escancarada na internet para a sociedade fazer controle social do dinheiro público, e os órgão de controle, como a CGU e a Polícia Federal, funcionam. A imprensa é livre e faz oposição contra governos petistas denunciando o que existe e o que não existe. [Desculpe, não entendi: agora o "PIG" virou "impresa livre"?! Conveniente, não?!] Então não há o que temer quanto ao apoio do PP.


De certa forma, Erundina faz um papel importante em demarcar posição antagônica à Maluf, pois faz o contraponto para o noticiário, anulando o simbolismo negativo da foto de Haddad e Lula com Maluf, [Uau, frase impressionante, hein?! Significa exatamente o quê, mesmo?! Outra coisa: o único "papel" da "guerreira Erundina" foi esse? Anular o "simbolismo negativo" da foto? Aliás, POR QUE EXISTE UM "SIMBOLISMO NEGATIVO" NA FOTO? Só porque o Lulla rastejou até o Maluf para conseguir o tempo de TV para seu pupilo? Só porque o Lulla, que passou décadas criticando o Maluf, a direita e a "zelite" teve que unir-se à "zelite" para desempacar seu novo poste? Ou existe mais algum "simbolismo negativo" na foto?] propositalmente explorada em excesso pelo noticiário demotucano, quando se tratou de um evento sem tanta importância. [Se não teve importância, por que foi mesmo que a "guerreira Erundina" (palavras dele!) mudou de idéia?]
LINK: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/06/guerreira-erundina-nao-arreda-o-pe-na.html#comment-form


Agora o segundo:

terça-feira, 19 de junho de 2012


Que pena, Erundina

Deu na Rede Brasil Atual [Na realidade, veículos daquilo que essa turminha chama de "PIG" noticiaram bem antes a desistência da Erundina; a Veja foi uma das primeiras.... A turminha deve se matar de inveja nessas horas, hein?! Devem pensar (?) algo como "Ahn, se nós soubesse fazer jornalismo...", né?!]:

O PSB avisou, no início da noite de hoje (19), que a deputada federal Luiza Erundina desistiu de ser vice na chapa de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo. A coligação com o PP de Paulo Maluf foi o motivo apontado  pelo presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, para a saída. “Ela nos reafirmou as divergências históricas com Maluf. Em um certo momento, eles representaram um o contraditório do outro em São Paulo. E concordamos que ela se retirasse da chapa para apoiar a candidatura de Haddad sem ser o centro de uma crise”, disse Campos.


Na noite de ontem (18), Erundina havia deixado claro à Rádio Brasil Atual que a presença de Maluf na coligação que disputará a prefeitura paulistana era “um desestímulo”, mas que pretendia continuar na disputa por ter sido “uma decisão partidária, e não sou de recuar”.


Comento:


É uma pena que a deputada Erundina não enxergou a enorme diferença entre a grandeza de seu papel a ponto de ser escolhida vice, e o papel menor de Maluf, que é apenas mais um líder de partido político da base governista no plano federal, que aderiu à candidatura municipal.
[Se o apoio do Maluf é tão desimportante, por que o Lula foi visitar Paulo Maluf em sua casa, com imprensa a tiracolo? Só para relembrar: Lula não esteve presente no evento que oficializou a Erundina como vice. Se fosse, realmente, apenas "mais um líder de partido que aderiu à candidatura", nem precisaria de foto, né?!]

Também é pena que o bem estar ideológico individual prevaleceu sobre o amargo sacrifício que as guerreiras precisam fazer para as causas coletivas maiores, que é vencer o neoliberalismo demotucano representado por Serra.
[Novamente, este parágrafo é tão escroto que vou me abster de comentar....O lixo fala por si]

Lula, por exemplo, com a dimensão internacional que tem, poderia ficar só na zona de conforto, longe das eleições municipais. Poderia participar só dos eventos agradáveis e que dessem boa imagem para si, e 
se preservar, mantendo-se longe destes encontros desgastantes. Mas Lula é um guerreiro, que age como um soldado em missão a serviço do povo mais sofrido, de onde ele veio, e sabe que é preciso fazer esses sacrifícios como receber o apoio do PP, mesmo que Maluf seja o presidente do partido em São Paulo. Lula tem esse espírito de guerreiro para lutar e ajudar a eleger um prefeito como Haddad em São Paulo, porque sabe que, para o povo mais sofrido, existe uma enorme diferença entre ter Haddad ou Serra como prefeito, e uma prefeitura transformadora em São Paulo pode influir positivamente nas administrações municipais em todo o Brasil. [Sobre isto, vou comentar mais abaixo]

É pena que Erundina não entendeu isso e recolheu-se, mas a luta continua do mesmo jeito.
LINK: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/06/que-pena-erundina.html

Alguns comentários meus, agora.

O que mais me impressiona, depois dos infinitos erros de português e da falta de qualidade geral do "texto", é que no mesmo dia a Erundina passou de "guerreira" a alguém que "não enxergou a enorme diferença entre a grandeza de seu papel a ponto de ser escolhida vice, e o papel menor de Maluf, que é apenas mais um líder de partido político da base governista no plano federal, que aderiu à candidatura municipal".


Trocando em miúdos, a culpa é da Erundina.


Mas.....Será que o autor do "texto"  não está sendo preconceituoso com a Erundina, só por ela ser nordestina e mulher? Cadê o politicamente correto esquerdopata?
Sumiu por conveniência?

Finalmente, sobre o último parágrafo (longo) desse textículo primoroso, fico com algumas dúvidas....
O problema, o GRANDE problema, então, é que o PT e o Lulla, os salvadores da pátria, têm esta missão hercúlea de banir o PSDB, o DEM, e qualquer outro partido que não seja aliado do PT da cidade (e, quiçá, do Brasil).
Certo?

Ok.

Mas aí eu pergunto:

QUAL O PROBLEMA DO DEM, AFINAL?
QUAL O PROBLEMA DO PSDB, AFINAL?

O partido foi pego extorquindo bicheiro?
O partido promoveu o mensalão?
O partido foi pego com dólares na cueca?
O partido foi flagrado com uma mala de dinheiro tentando comprar um dossiê falso para fraudar uma eleição?
O partido usou a Casa Civil para montar um dossiê contra adversários políticos?
O partido promoveu a quebra ilegal do sigilo de um caseiro?
O partido mantinha em Brasília uma casa de prazeres & negócios, onde São Jorge costuma ser exibido de ponta-cabeça?
O partido tem algum figurão cujo filho recebeu R$ 10 milhões de uma empresa  concessionária de serviço público, de quem o BNDES é sócio?
O partido recebeu dólares de Cuba?
O partido recebeu recursos das Farc?
O partido deu a Petrobras de presente para um índio de araque?
O partido endossa os regimes de força da Bolívia, da Venezuela e do Equador?
O partido mudou uma lei só para beneficiar uma empresa gigante da telefonia?
O partido tentou instaurar a censura no país?
O partido puxa o saco de tudo quanto é ditadura no mundo?
O partido deu emprego para a mulher de um narcoterrorista?
O partido apóia uma organização narcoterrorista enquanto trata a pontapés o país que os terroristas ameaçam?

31 de janeiro de 2012

Itaquerão e Allianz Arena

Já vi comparações entre a necessidade de construir estádios no Brasil para receber a Copa-2014 e situações semelhantes em outros países.
Um dos exemplos citados é o Allianz Arena, na Alemanha.

Vamos comparar os dois casos, então?

O ALLIANZ ARENA custou cerca de 300 milhões de Euros (ou 680 milhões de reais, ou seja, MENOS do que o Itaquerão); tem 66 mil lugares; 9.800 vagas de estacionamento; e foi construído através de uma joint-venture entre algumas empresas (FC Bayern Munich, Alpine Bau Deutschland GmbH, Herzog and de Meuron, sendo a HVB Immobilien AG a principal captadora de recursos).

Foi, desde o princípio, uma obra PRIVADA.
Porém, e aí as diferenças tornam-se GRITANTES, em 2001, a população da cidade foi consultada sobre a decisão de ser erguida ou não a nova "arena".

Repito: a população foi consultada!
65% da população da cidade votou favoravelmente à construção do estádio.
Apenas no ano seguinte, após a aprovação da população, e CONCORRÊNCIA ABERTA entre escritórios de design e arquitetura internacionais, é que as obras começaram.

Isso para ficar em apenas um exemplo.

Fácil comparar isso à atual situação do Itaquerão, né?!

 

30 de janeiro de 2012

Vereadores em SP

Manchete do site do Estadão agora há pouco: Na Câmara de SP, 94% dos vereadores vão tentar a reeleição (matéria completa AQUI).
Copio um trechinho:
Após quase dois meses de recesso, os 55 vereadores paulistanos voltam a participar de sessões plenárias a partir desta quarta-feira, 1. E, logo no primeiro dia, a presidência da Casa vai informar sobre um pacote com 35 projetos de parlamentares que deve ser votado nas duas primeiras semanas. A intenção das lideranças é “mostrar trabalho” em ano eleitoral.

O objetivo das 14 lideranças da Casa é votar o máximo de projetos até o final do primeiro semestre. A partir de agosto, com o início da campanha nas ruas, poucos parlamentares devem comparecer às discussões em plenário. Só três dos atuais vereadores não vão concorrer à reeleição no dia 1º de outubro.

O ano de eleições deve tornar a pauta de votação morna, sem propostas polêmicas ou grandes modificações em leis urbanas, como ocorreu no ano passado. Entre os projetos que passaram em 2012 estavam o pacote de R$ 400 milhões em benefícios para a construção do Itaquerão e um alvará provisório de quatro anos para 987 mil comerciantes em situação irregular.
Eu já publiquei a lista de todos os vereadores que votaram favoravelmente àquela proposta ABSURDA, ESCANDALOSA, de conceder isenção para o Itaquerão - aquele estádio de futebol PRIVADO, que será construído com dinheiro PÚBLICO, aqui e aqui.
Esta listinha será muito útil.
O pilantra que votou favoravelmente a este projeto não vai receber voto meu NUNCA.


10 de janeiro de 2012

A conivência da mídia com os escândalos brasileiros - o caso da Copa 2014

O jornalista Carlos Brickmann escreveu um artigo sobre as críticas feitas ultimamente em relação à construção do estádio do Corintians em Itaquera. O texto, na íntegra, está AQUI.

Agora posso tecer meus comentários. Aliás, farei os comentários de forma segmentada, discutindo ponto por ponto as afirmações do jornalista (DESTACADAS EM VERMELHO, seguidas pelas minhas observações).

1) O colega conhece alguém que tenha comprado carro à vista? Deve haver, mas o habitual é comprar a prazo, com financiamento por algum banco. Se alguém compra um carro financiado pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Panamericano, está usando dinheiro público? Não: usa um financiamento disponível no mercado, que será pago no prazo previsto e que, aliás, é o negócio do banco. Se não paga, o comprador responde a processo e pode perder o carro.

Em primeiro lugar, sobre este trecho, é importante esclarecer que o BNDES não pode ser comparado aos bancos comerciais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú etc). Independentemente da diferença no que tange ao controle (público ou privado), o BNDES não é um banco comercial, mas um banco de fomento. Isso faz uma diferença enorme!

Tenho certeza de que o jornalista sabe disso, pois é um homem bem informado. Mas não custa repetir: a função do BNDES não é emprestar dinheiro para comprarmos um carro – ou será que o jornalista conhece alguém que financiou seu carro no BNDES? Eu não conheço.

Quem busca o financiamento de um carro, hoje, paga juros extorsivos, e, caso não consiga honrar todas as parcelas, perde o bem (carro) e tudo o que foi pago. O BNDES, devido à sua natureza, tem um escopo de atuação bastante diverso deste. Vejamos o porquê.

O BNDES, por NÃO ser um banco comercial como o Banco do Brasil, Itaú ou CEF, trabalha de forma diferente daquela que geralmente a população média entende como “banco”. O próprio BNDES, em sua página na internet, informa:

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal, é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental. Desde a sua fundação, em 1952, o BNDES se destaca no apoio à agricultura, indústria, infraestrutura e comércio e serviços, oferecendo condições especiais para micro, pequenas e médias empresas. O Banco também vem implementando linhas de investimentos sociais, direcionados para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano. O apoio do BNDES se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços. Além disso, o Banco atua no fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e destina financiamentos não reembolsáveis a projetos que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico.
Peço que o leitor repare nos trechos com grifos (meus).
Desta feita, fica claro que a comparação que o jornalista fez, entre o financiamento de um carro (contratado junto a bancos comerciais, que têm entre suas funções precípuas o empréstimo de recursos e respectiva remuneração, com base nos juros cobrados) e o financiamento do estádio (contratado junto ao BNDES, que usa recursos oriundos de diversas fontes PÚBLICAS, entre elas o PIS-PASEP, FMM e FAT) não procede. São duas coisas muito diferentes.
Compará-las seria a mesma coisa que comparar uma briga de vizinhos devido à sujeira causada pela árvore de um deles com a guerra entre israelenses e palestinos. Algo simplesmente descabido. Os recursos do BNDES são, SIM, públicos, e não privados; a questão é que a função do BNDES, estatutariamente, é gerir recursos públicos com o intuito de fomentar o desenvolvimento econômico e social do Brasil (tendo, inclusive, estes termos na sigla BNDES).
O jornalista Carlos Brickmann pode verificar, no estatuto do BNDES, que suas funções diferem e muito daquelas funções dos bancos comerciais. Vou citar apenas alguns trechos do estatuto do BNDES aqui (também com grifos meus), mas recomendo aos interessados a leitura da íntegra.
Art. 6º O capital do BNDES é de R$ 29.557.414.708,31 (vinte e nove bilhões, quinhentos e cinquenta e sete milhões, quatrocentos e quatorze mil, setecentos e oito reais e trinta e um centavos), dividido em seis bilhões, duzentos e setenta e três milhões, setecentas e onze mil, quatrocentas e cinquenta e duas ações nominativas, sem valor nominal. (Redação dada pelo Decreto nº 7.407, de 28.12.2010). (NR)
§ 1º O capital do BNDES poderá ser aumentado, por decreto do Poder Executivo, mediante a capitalização de recursos que a União destinar a esse fim, bem assim da reserva de capital constituída nos termos dos arts. 167 e 182, § 2º, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, mediante deliberação do Conselho de Administração.
§ 2º A totalidade das ações que compõem o capital do BNDES é de propriedade da União.
§ 3º Sobre os recursos transferidos pela União destinados a aumento do capital social incidirão encargos financeiros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a partir do recebimento dos créditos até a data da capitalização.
Art. 7º Constituem recursos do BNDES:
I - os de capital, resultantes da conversão, em espécie, de bens e direitos;
II - as receitas operacionais e patrimoniais;
III - os oriundos de operações de crédito, assim entendidos os provenientes de empréstimos e financiamentos obtidos pela entidade;
IV - as doações de qualquer espécie;
V - as dotações que lhe forem consignadas no orçamento da União;
VI - a remuneração que lhe for devida pela aplicação de recursos originários de fundos especiais instituídos pelo Poder Público e destinados a financiar programas e projetos de desenvolvimento econômico e social;
VII - os resultantes de prestação de serviços.
Art. 8º O BNDES, diretamente ou por intermédio de empresas subsidiárias, agentes financeiros ou outras entidades, exercerá atividades bancárias e realizará operações financeiras de qualquer gênero, relacionadas com suas finalidades, competindo-lhe, particularmente:
I - financiar, nos termos do art. 239, § 1º, da Constituição, programas de desenvolvimento econômico, com os recursos do Programa de Integração Social - PIS, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970;
II - promover a aplicação de recursos vinculados ao Fundo de Participação PIS-PASEP, ao Fundo da Marinha Mercante - FMM e a outros fundos especiais instituídos pelo Poder Público, em conformidade com as normas aplicáveis a cada um; e
III - realizar, na qualidade de Secretaria Executiva do Fundo Nacional de Desenvolvimento - FND, as atividades operacionais e os serviços administrativos pertinentes àquela autarquia
§ 1º Nas operações de que trata este artigo e em sua contratação, o BNDES poderá atuar como agente da União, de Estados e de Municípios, assim como de entidades autárquicas, empresas públicas, sociedade de economia mista, fundações públicas e organizações privadas.
§ 2º As operações do BNDES observarão as limitações consignadas em seu orçamento global de recursos e dispêndios.
2) Por que, então, o financiamento do BNDES para o estádio que o Corinthians está construindo, em Itaquera, é chamado pelos meios de comunicação de "dinheiro público"? Se o financiamento existe e será pago, não se trata de dinheiro público.
Cabe ao BNDES exigir garantias de pagamento e executá-las se o pagamento não for feito - exatamente como os bancos federais fazem com seus clientes que compram um carro ou pedem crédito para adquirir outros produtos.
Alguém faltou às aulas de LÓGICA e SINTAXE, né?! O trecho "Se o financiamento existe e será pago, não se trata de dinheiro público" é BRILHANTE! Então o que determina se o dinheiro é público ou não é a existência do financiamento, ou então o fato de ser ou não ser pago???? O jeito é ignorar isso e seguir...

Sim, caro Carlos Brickmann, trata-se de dinheiro público. O BNDES empresta dinheiro PÚBLICO, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado (e especialmente menores se tomarmos por base as linhas de crédito disponibilizadas pelos bancos comerciais como Banco do Brasil, Panamericano, Bradesco, Santander, HSBC etc), mas isso tem uma razão: o BNDES apoia financeiramente projetos que tragam benefícios econômicos e sociais ao país, diferentemente dos bancos comerciais, que visam ao lucro. Obviamente, não há nenhuma crítica aqui, nem a estes, nem àquele. É importante, todavia, discernir que há uma diferença. 
O dinheiro público é usado no financiamento de projetos relevantes para o desenvolvimento do país: fábricas que gerarão impostos (federais, estaduais e municipais), empregos, patentes, tecnologia etc. Comparar o crédito comercial usado para que as pessoas adquiram carros, eletrodomésticos e outros produtos a empréstimos milionários para fábricas e demais atividades comerciais é inadmissível se a intenção for uma argumentação séria.

3) As arquibancadas que o Governo paulista promete alugar para ampliar a capacidade do estádio são pagas com dinheiro público. Como eram dinheiro público as arquibancadas que a Prefeitura alugava para as corridas de Fórmula 1 em Interlagos; como é dinheiro público o que é gasto na reforma do autódromo, a cada ano. Como era dinheiro público a reforma anual do Autódromo de Jacarepaguá, no Rio, quando lá se realizava o GP Brasil. Como é dinheiro público o subsídio às escolas de samba e o empréstimo dos ônibus que utilizam. É dinheiro público que apóia a Parada Gay, é dinheiro público que dá suporte de infraestrutura e segurança à Marcha para Jesus, é dinheiro público que paga o réveillon.
Dinheiro público, aliás, bem gasto: dá retorno em movimento de comércio, hotelaria, serviços, em turismo, em impostos. Dá lucro, enfim. Autoridades dos mais diversos partidos políticos sempre buscaram atuar na promoção de eventos. Por isso, por reconhecer que o investimento de dinheiro público em eventos é de interesse geral, os meios de comunicação jamais o questionaram. Por que, se o evento é a abertura da Copa do Mundo, passa a ser ruim?
Nestes 2 parágrafos, novamente, o jornalista recorre a comparações descabidas, tentando justificar o injustificável.
Primeiro, porque o autódromo de Interlagos, assim como o de Jacarepaguá, são imóveis que pertencem às prefeituras de SP e do RJ, respectivamente, não são imóveis particulares (como também é imóvel público o Sambódromo de SP, por exemplo). 
Ao que me consta, a Prefeitura, o BNDES ou mesmo a União não promovem reformas anuais na minha casa, certo? Nem deveriam, afinal, é a MINHA casa, um imóvel particular, e não público. 
Por outro lado, quem tem a obrigação de manter os imóveis públicos é…. o poder público! A Prefeitura de SP tem a obrigação de reformar e cuidar da manutenção de praças públicas, do autódromo de Interlagos, do Sambódromo, das ruas, calçadas etc. OBRIGAÇÃO do poder público, percebe? 
Segundo, quando são citadas Parada Gay, Marcha para Jesus e Reveillon, trata-se de eventos que o poder público pode patrocinar ou não. Podem ser eventos lucrativos, e, claro, podem fomentar, direta ou indiretamente, o comércio, a hotelaria, serviços etc. Porém, ainda assim, é crucial avaliar a relação custo/benefício. E é justamente neste quesito que os investimentos Bilionários na Copa do Mundo deveriam ser mais criteriosamente analisados. Não estão sendo. O retorno a ser gerado pela Copa do Mundo tem sido superdimensionado, tudo no afã de justificar investimentos altíssimos.
Conforme eu já demonstrei AQUI, o tão comentado "retorno financeiro" que tem sido citado à exaustão para justificar os bilhões de reais que já estão sendo (e ainda serão) torrados na Copa - e nas Olimpíadas também - NÃO EXISTE. Trata-se de uma falácia. O Corinthians entregou um estudo FRAUDADO feito pela Accenture e bancado pela Odebrecht à Prefeitura de SP, e de repente o tal estudo (repito: FRAUDADO) virou verdade absoluta; todos mencionam um tal retorno financeiro que será gerado pela Copa, mas ninguém sabe de quanto. "Compraram" a versão vendida pela Accenture/Odebrecht/Corinthians.
Será que o fiasco dos Jogos Pan-Americanos não foram suficientes para o Brasil aprender?

4) A indústria automobilística brasileira nasceu em meados da década de 50 do século passado. Não há uma única fábrica de automóveis que não tenha se beneficiado de incentivos fiscais. Goiás atraiu empresas que processam produtos alimentícios e se tornou um polo de grandes indústrias químicas oferecendo incentivos fiscais. A Zona Franca de Manaus, a Sudene, a Sudam nasceram com incentivos fiscais. Mas, para os meios de comunicação, que sempre aprovaram esses incentivos, eles passam a ser ruins quando beneficiam uma área menos desenvolvida e mais necessitada de investimentos da capital paulista, a Zona Leste.
Bom, aqui o jornalista Carlos Brickmann parece confundir empréstimo (de recursos públicos) com incentivos fiscais. São coisas diferentes – que, novamente, se confundidas, podem levar a conclusões equivocadas.
Com relação aos incentivos fiscais, eles são uma ferramenta válida quando há interesse de médio e longo prazos como, por exemplo, tecnologia – caso da Zona Franca de Manaus. Não se trata de afirmar que a ZFM deu os resultados imaginados inicialmente – ao menos, não em sua plenitude. Sudam, Sudene e outros casos cabem na mesma situação. Porém, aos trancos e barrancos, a ZFM acabou beneficiando, sim, uma região paupérrima (não em recursos naturais, mas em dinheiro mesmo).
De qualquer forma, a questão central não é esta. O problema não está em oferecer incentivos fiscais para beneficiar uma região pobre (como a Amazônia, ou mesmo a Zona Leste de SP). O problema é COMO isto vai ser feito, A QUE CUSTO, e COM QUAL RETORNO.
A Prefeitura de SP vai oferecer mais de R$ 420 milhões de incentivos fiscais para a construção do estádio em Itaquera. Contudo, o benefício gerado por este estádio é ridiculamente baixo em relação a este montante! É o mesmo que construir uma cerca de R$ 100,00 para proteger/guardar um cavalo que vale R$ 20,00. A relação custo/benefício é claramente desfavorável!
Convenhamos: qual será o benefício PÚBLICO (de interesse público e geral) da construção do estádio?
O benefício PARTICULAR do Corintians é claro – o clube finalmente vai ter um estádio, coisa que não conseguiu construir em mais de 100 anos de existência (nem vem ao caso por quais razões, isso é problema do clube). Porém, o benefício PÚBLICO qual seria? Praticamente nenhum!
 
5) Este colunista é corinthiano. Mas não pretende discutir futebol, economia nem política partidária, mas equanimidade. Se incentivo fiscal é bom para o desenvolvimento, não pode ser ruim para o desenvolvimento. Se financiamento de bancos federais está disponível para o público (e até para auxiliar grandes empresários a alcançar suas metas), não pode estar indisponível para o público. Se o dinheiro público pode ser gasto para incrementar o turismo de eventos, não pode ser vedado para incrementar o turismo de eventos.
Eu não sou corintiano.
Eu não sou palmeirense.
Eu não sou são-paulino.
Eu não sou santista
Eu não monto frases que tentam usar recursos estilísticos que resultem em total falta de senso de lógica.
Mas eu sou contribuinte, cidadão que paga altíssimos impostos. Federais, estaduais e municipais. E também quero discutir (e, mais do que isso, VER) equanimidade.
Se eu quero construir uma casa para mim, tenho que pegar empréstimos a juros altíssimos (os maiores do mundo). Ok, eu não vou gerar milhares de empregos, nem patentes, nem contratar PhDs a peso de ouro, trazendo P&D para o país. Mas vou contratar pedreiros, engenheiro e, quiçá, arquiteto. E vou pagar pesados impostos ao comprar areia, cimento, azulejos, tinta, guarnições, ferragens etc.
Contudo, eu terei que pagar. Se eu não pagar o empréstimo, o banco tomará minha casa.
O mesmo não acontecerá com o estádio do Corintians.
Por exemplo: o terreno aonde está sendo construído o Itaquerão (diga-se que as obras NÃO poderiam começar, uma vez que o terreno está envolvido num imbróglio, mas esse “detalhe” foi tacitamente ignorado, e as obras começaram). Aquele terreno foi cedido ao Corintians, pela Prefeitura de SP. O terreno, contudo, é outra fonte de dúvidas e questionamentos. Cito trechos de uma matéria do jornal O Estado de São Paulo (cuja íntegra pode ser lida aqui) sobre isso:
O imbróglio jurídico que envolve o terreno de 200 mil metros quadrados, cedido pela Prefeitura ao Corinthians em 1988, é de conhecimento do presidente Andrés Sanchez. "Ele (Andrés) veio ao MP em setembro, se reuniu conosco e se mostrou disposto a colaborar. Mas, de repente, foi apresentado à imprensa um estádio num terreno que está sub judice. Até agora não recebemos nenhum projeto. O Corinthians sabe que qualquer obra no local no momento tem impedimento legal", afirma Freitas. O promotor pede na ação a anulação da concessão da Prefeitura para o Corinthians.
"Quando recebeu o terreno, o clube tinha cinco anos para construir um estádio e não o fez. A Prefeitura também se omitiu de cobrar, mesmo depois de a Câmara Municipal em 2001 ter informado o descumprimento da lei", argumenta o promotor. Em 2001, moradores de Itaquera apresentaram uma representação aos vereadores da Comissão de Finanças na qual denunciavam que o terreno do Corinthians havia virado um depósito clandestino de lixo e de entulhos. Até hoje a área do terreno, vizinha ao centro de treinamento, é usada como abrigo de restos de materiais de construção e de lixo doméstico.
(…) O juiz Ferraz de Campos declarou ontem que analisa o processo, cuja sentença deve ser emitida nos próximos meses. "Mas podemos analisar um acordo com as duas partes (Prefeitura e Corinthians), com alguma contrapartida para a população ou para o trânsito no entorno. Antes disso, qualquer intervenção que ocorra no terreno será alvo de um pedido de paralisação imediata na Justiça por nossa parte", acrescentou o promotor de Urbanismo.
LINHA DO TEMPO
HÁ 22 ANOS, ÁREA EM ITAQUERA FOI CONCEDIDA AO CORINTHIANS PARA CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO
1 - 1988 - Lei 10.622 concede a área em Itaquera ao clube por 90 anos, com a construção do estádio em cinco como contrapartida.
2 - 1993 - Passados cinco anos, a única obra feita pelo Corinthians no local em Itaquera foi a construção do Centro de Treinamento.
3 - 2001 - CPI da Câmara pede devolução da área. Diretoria corintiana diz não ter recebido a escritura e promete estádio em 4 anos.
4 - 2005 - Prefeitura ameaça cobrar taxa mensal de R$ 870 mil do clube para seguir com a concessão, mas medida acaba revogada.
5 - 2010 - Em agosto, ao anunciar estádio, Andrés Sanchez desdenha da concessão. "Se eu quiser, esses 90 anos viram 150, 200 anos."
Portanto, caro jornalista Carlos Brickmann, em nome da equanimidade que você defende, quero que o Corintians, assim como qualquer empresa e/ou pessoa, tenha que cumprir a lei.
Se eu construir minha casa num terreno que não me pertence, o que acontece? Certamente não serei agraciado com incentivos fiscais da Prefeitura de SP, nem tampouco ganharei um afago na forma de empréstimo de dinheiro público do BNDES. O mais provável é processo judicial, e desapropriação, não?
O mesmo não aconteceu com o Corintians. Por quê?
No final das contas… cadê a equanimidade? 
 
6) E, quanto ao estádio de Itaquera ser particular, lembremos: as fábricas de automóveis são particulares, as escolas de samba não são públicas, o comprador de automóveis não é um ente governamental. Torcedor torce por seu time e contra os outros, simpatizante torce por seu partido e contra os outros. Mas imprensa tem de ser diferente.
As fábricas de automóveis, que são particulares e não públicas, constróem suas fábricas com dinheiro particular, não público. Quando estas fábricas recorrem ao BNDES para construir uma planta, estão usando dinheiro público, e devem ser fiscalizadas, pois o dinheiro é público. Mas, neste caso, o BNDES tem critérios técnicos a serem observados. Tratarei deles em algumas linhas.
Como eu apontei anteriormente, você confundiu empréstimo do BNDES com isenção fiscal. É compreensível esta confusão, pois o Corintians está usando ambas como fonte de recursos para construir seu estádio particular, ou seja, está usando SOMENTE dinheiro público numa obra PARTICULAR. 
Mas empréstimo é diferente de isenção.
E, seja em termos de empréstimo (de dinheiro público), seja em termos de isenção fiscal e/ou tributária, há um aspecto da maior relevância a ser ponderado – mas este “detalhe” costuma ser deixado de lado.
Se eu, consumidor, recorro a um banco, pleiteando um empréstimo, o banco vai fazer uma detalhada análise da minha situação. Se eu tenho um salário de R$ 2.000,00 mensais e peço um empréstimo para adquirir uma Ferrari de R$ 1 milhão, o banco vai autorizar a concessão do empréstimo?
Claro que não!
Então, caro Carlos Brickmann, fique sabendo que o Corintians teve, em 2010, um EBITDA (lucro bruto) de R$ 12.831.000,00, ou seja, pouco mais de 12 milhões de reais, diante de uma receita total de R$ 173.615.000,00. Grosso modo, a empresa Corintians faturou 173 milhões, mas o lucro foi menos de 10% disso.
Estes dados estão no balanço do clube, disponível aqui.
Agora me diga, caro Carlos Brickmann, em nome da equanimidade: é justo o BNDES emprestar 400 milhões de reais a uma empresa que não lucra, anualmente, nem 10% disso?
É justo a Prefeitura oferecer isenção fiscal que corresponde a mais de 33 anos de lucro (EBITDA) do Corintians?
O problema, caro Carlos Brickmann, é que o Corintians está sendo beneficiado, e as razões desses benefícios passam longe da equanimidade. Aliás, passam longe da moralidade também. Não se trata de time, não se trata de partido, não se trata de imprensa.
Trata-se, enfim, de como encaramos a “res publica”, ou seja, a coisa pública. Inclua-se aí a equanimidade, mas não nos restrinjamos a ela.
Suas reclamações, caro Carlos Brickmann, são mais do que descabidas: a imprensa, no geral, está sendo leniente, extremamente leniente, com as coisas absurdas que estão sendo feitas em nome da Copa de 2014. Já começaram desvios de dinheiro e benefícios inaceitáveis numa república séria, tudo em nome da viabilização da Copa (e das Olímpiadas de 2016 também). A mim pouco (ou nada) interessam as disputas políticas envolvendo os times paulistas - pois, como já mencionei, não torço para nenhum deles. 
Contudo, a mim interessa, e muito!, o que é feito com o dinheiro público. E sob a égide de preparar o país para a Copa, vemos o executivo e o legislativo aprovando (ou mesmo fazendo, diretamente) leis e projetos de lei ABSOLUTAMENTE IMORAIS. Enquanto faltam hospitais, médicos, equipamentos, enfermeiros, escolas, professores, livros, presídios, policiais e tantas outras coisas, vemos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes (primeiro, Lulla, que precisava faturar politicamente ao atrair Copa e Olimpíadas para o Brasil, e agora a Dilma, uma gerente da maior incompetência gerencial) gastando tempo e - especialmente - dinheiro público para beneficiar pequenos grupelhos, em detrimento da população
 
Os grupelhos ganharão mais dinheiro, enquanto a população segue na pobreza. Política do pão e circo: enganem os otários com alguma diversão (Copa, Olimpíadas) que eles não perceberão que terão que seguir comendo (pouco) pão para pagar pelo circo.
E a impresa, caro jornalista Carlos Brickmann, parece tão indiferente e anestesiada quanto grande parte da população.
Juca Kfouri, numa entrevista à Folha recentemente, usou o termo correto para classificar o que tem ocorrido em relação ao Itaquerão: UM ESCÂNDALO. 
A "mídia", senhor Carlos Brickmann, não tem tratado este escândalo como deveria. Muito pelo contrário. Estas obras, estes projetos da Copa e das Olimpíadas deveriam estar na capa de todos os jornais e revistas do país, nas manchetes de jornais de rádio e TV, para que a população compreendesse o tamanho do prejuízo que ela mesma terá.

Porém, muita gente quer mais o circo do BBB, do futebol, não é?!
Bom para os ladrões, caras-de-pau, corruptos e cartolas oportunistas e "ixpérrtos" do Brasil.


 

27 de março de 2010

O discurso contradiz a realidade

O discurso do PT e de seus asseclas sempre contradiz a verdade. Isso é fato, e já virou até tradição.
Mas em alguns casos, ganha ares de "nonsense":

 
Agora, vemos que aquilo que o PT classificou de "cena inaceitável" ocorreu também em Brasília, com professores que tentavam audiência com Lulla:



5 de março de 2010

Tributo aos Suplicy

Passando o olho em algumas notícias hoje, li que Dona Marta Suplicy deve candidatar-se, nas próximas eleições, a algum cargo. Qualquer um.

Em homenagem a ela e ao ex-marido, faço este TRIBUTO (fica feio dizer "faço este imposto", ou "faço esta taxa"):

Exemplos de ações arrecadatórias - gestão Marta Suplicy:

IPTU: progressividade e aumento além da inflação acumulada no período;
Taxa do Lixo;
Taxa de Iluminação;
Taxa Fiscalização de Anúncios;
Taxa de Fiscalização de Estabelecimentos;
Incremento do ISS;
Aumento da tarifa do ônibus;
Aumento do talão Zona Azul;
Taxa para caminhões entrarem no Centro;
Aumento do número de radares;
Taxa do "elevador";
Taxa dos "corredores" - permissão onerosa para funcionamento de estabelecimentos irregulares;
Taxa da água e cobrança de ISS da SABESP;
Anistia onerosa a imóveis irregulares;
Lançamento de obras públicas como cruzamentos da Av. Faria Lima com Cidade Jardim e Rebouças, na Av. 9 de Julho no último ano da Prefeitura antes das eleições municipais.

Enquanto isso...
1.. Não abriu nenhum leito na rede hospitalar municipal;
2.. Diminuiu de 30 para 25% do Orçamento os gastos estritos com educação;
3.. Apesar de ter aumentado a tarifa, retornou com a prática de subsídios ao transporte;
4.. Dobrou a verba de publicidade em 2003, saltando de R$25 milhões para R$ 41 milhões;
5.. Base aliada impediu projeto que reduzia gastos do TCM;
6.. Base aliada impediu a instalação da CPI dos transportes;
7.. Criou mais de 1500 novos cargos de confiança na administração;
8.. Mostrou roupas caras compradas da Daslu e sapatinhos Salvatore Ferragamo para o povo ver e dar palmas a ela.
Faltou dizer que arrumou um belo empregão de R$ 25.000,00 mensais para o maridão (Luiz Favre à época).