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21 de julho de 2013

Roberto Campos

Excelente rever esta entrevista de 1997, na qual Roberto Campos fala sobre privatizações (incluindo Petrobras, Vale etc), liberalismo e tantos assuntos que hoje se mostram MUITO piores do que em 1997.

 

O Brasil regrediu vergonhosamente. Ainda bem que ele não viveu para ver esta desgraça PTralha...

PS: A presença do Marco Aurélio Garcia, vomitando bobagens, não é suficiente para atrapalhar, mas os pitis, a voz esganiçada e as críticas a práticas que o PT acabou abraçando com largo sorriso depois acabam ficando engraçados - ou melhor, PATÉTICAS.

19 de julho de 2013

GIGANTES DA INDÚSTRIA - documentário imperdível

Para quem quiser entender um pouco mais sobre capitalismo, sociedade, governo e empresas, além de conhecer uma parte da vida dos maiores empreendedores da História, recomendo fortemente o documentário OS GIGANTES DA INDÚSTRIA.
O History Channel passou recentemente, mas eles fuderam o documentário com excesso de intervalos e falta de regularidade de transmissão (tentei gravar mas mudanças de horário e reprises me quebraram).

Descobri um site que tem os 8 episódios disponíveis para download (infelizmente para mim, apenas nas versão dublada em português, sem opção de áudio original). Veja AQUI.

De qualquer forma, esse é um documentário que, se estivesse disponível em DVD, eu compraria sem hesitar.

IMPERDÍVEL.

Aqui o teaser oficial:


Obs: os arquivos que baixei pelo site estavam em formato MKV, um formatou pouco usual, e que muitos softwares populares não conseguem reproduzir. Use um aplicativo chamado VLC. É o melhor player que conheço, porque consegue abrir tudo que é formato de áudio e vídeo. Além disso, tem versões para Mac e Windows, e agora também para iPhone (iOS).

Você pode baixar AQUI.

É gratuito, e funciona bem pacas!
 

23 de abril de 2013

A privatização de empresas e as bobagens nossas de cada dia

No outro blog que eu costumava manter (Sala da Mãe Joana - já aposentado, coitado), o tema PRIVATIZAÇÃO era um dos mais polêmicos.
Fora do blog, percebo que muita gente entende a privatização como sendo "entregar" riquezas do Brasil para que estrangeiros tenham lucro.
Muitos falam isso por desinformação - enquanto outros são movidos por má-fé, interesses escusos etc.

Em 7 de Dezembro do 2007, eu escrevi o seguinte post lá no outro blog:

Num ranking elaborado pelo Boston Consulting Group, que listou as 100 empresas mais competitivas dos países “em desenvolvimento”, uma curiosidade: o Brasil ocupa o 3o lugar, atrás de China e Índia. Para maiores informações, consultar a Folha OnLine aqui, ou o próprio Boston Consulting Group, aqui. A relação completa está aqui.
No Brasil, são 13 empresas: Vale, Petrobrás, Embraer, Gerdau, Votorantim, Braskem, Sadia, Perdigão, Natura, Coteminas, WEG, JBS-Friboi e Marcopolo. Destas, APENAS UMA É ESTATAL.
Todas as demais são empresas privadas.
Duas delas (Vale e Embraer) foram privatizadas (na época de FHC). Que foi criticado (ainda é, até hoje), chamado de “privatista”; muita gente, por pura falta de conhecimentos, acreditou quando o PT colou a pecha de “privatista” no picolé de chuchu (Alckmin) nas últimas eleições. O PT usou e abusou da burrice de muita gente, que simplesmente nunca entendeu o que foi a privatização – e, por alguma razão obscura, acha que é algo parecido a “entregar o Brasil” ao “poder imperialista” ou bobagem que o valha.
Cadê os bitolados defensores da estatização ?
Será que a Vale do Rio Doce constaria desta lista se ainda fosse estatal ? Será que aqueles mentecaPTos ainda querem reestatizar a Vale ?
Os comentários feitos no post foram os mais variados, mas muitos deles eram apenas exercício de demonstração de ignorância sobre o tema, ou alguns malucos desopilando o fígado ao escreverem bobagens virulentas na internet (coisa nada rara).
Selecionei alguns exemplos (que estou transcrevendo exatamente como foram escritos):
1) e se site e uma droga nao da seu idiota que fez e se site

2) Abestalhado!
Só um burro mesmo para ser a favor das privatizações

3) Porque com toda sua inteligencia vc não muda de nacionalidade ? A empresa estatal, competitiva ou não, É PATRIMONIO DO POVO BRASILEIRO !!! Isso inclui vc….mas acho que vc tem vergonha de ser brasileiro certo ?

4) Quanta ignorância! As estatais faturam mais, por que cobram mais pelos serviços “esperto” e você paga mais. O Brasil é um exportador de matéria prima e importador de manufaturados desde Colônia.
A Vale por exemplo já era a segunda maior mineradora do mundo e o dinheiro oriundo de suas exportações eram um dos responsáveis pela balança favorável de pagamento. Então me explica como uma empresa dessas dava prejuízo. O pior é que além de acreditar nessa besteira de prejuízo, você ainda divulga. Ia esquecendo de dizer que a Siderúrgica Nacional já era a terceira do mundo antes de ser privatizada e a EMBRAER já vendia motores de aeronaves para o mundo todo. Se isso é prejuízo! Entedeu ou preciso desenhar?
Obs.: no site Brasil dados e fatos você pode acompanhar que o aumento da carga tributária no governo FHC foi maior que no governo LULA. Ou seja nos pagamos mais ipostos no governo FHC, mesmo com as privatizações;
Por falar em rombo onde está o dinheiro das privatizações, que o próprio BNDES emprestou para os compradores? Vê se pode: você vende emprestano o dinheiro para o comprador para que ele pague com o lucro que tiver nas suas costas.

5) cada um tem o direito de pensar diferente,mais não posso concordar com aqueles que acham que somos ingenuose,pois só pessoas que tem o pensamentos de capitalistas, especuladores,explotadores da classe trabalhadora,anti-patriota e acima de tudo milpes acham que as privatizações poderiam nelhor nosso pais.Cadê o dinheiro das privatizações?qual a melhora da educaçõa,saude,moradia,telefonia,energia,segurança,será que cada vez mais os mais ricos não estão mais ricos,amigo,pense melhor,o Brasil e de todos e não de um percentual reduzido que não representa a vontade de nuitos.

6) A escolha de um candidato em quem votar afeta diretamente nossa vida pessoal e coletiva. Neste ano de 2010, temos a grande chance de derrotar quem sempre jogou no time de FHC. Serra, impedindo o crescimento do Brasil.
Para refrescar a memória, leia abaixo para você NÃO votar no “carequinha”:
Privatizou varias empresas como COELCE, TELECEARA, BEC, VALE DO RIO DOCE, EMBRAER entregando um valioso patrimônio do nosso Estado a empresas privadas e elevando o valor das tarifas pagas.

7) Apropriação das riquezas do Estado por alguns grupos privados privilegiados – que objetivam apenas obter lucro para si, nem sempre com isso aumentando o “bem estar” da população ou a riqueza do país.
um governo ‘ideal’ poderia atingir um maior nível de eficiência administrando diretamente uma empresa estatal do que privatizando-a.” quem privativa não da conta, vende teu carro tua casa teus bens pra outra pessoa administrar. o verdadeiro lucro de um país é o bem estar de (todos), e não um carrão importado, uma mansão na praia etc…

8) Com certeza a Carta a Capital tem mais credibilidade que os seus escritos carregados de ódio, onde ninguém tira nada de proveitoso.
Perca de tempo ler o que você escreve, parece uma cobra que perdeu veneno e tá louca da vida.
Quanto aos termos perjorativos que você usa demostram o seu baixo nível. Ao mesmo tempo em que você fala que a “Carta Capital e as outras invenções PTistas” falam mentiras, o senhor fala de conspirações que só existem em contos de fadas. Pelo amor de Deus! Faço, agora, minhas a palavras do rei da Espanha. TE CALA!!!
É difícil ignorar todos os erros que aparecem nesses comentários - erros de ortografia, sintaxe, concordância, alguns de digitação apenas, mas o mais grave é o erro da desinformação.
Pode-se verificar que, com grande frequência, os que criticam a privatização - no geral, mas especificamente as privatizações feitas pelo FHC - acham que se trata de entregar "patrimônio do povo brasileiro" para "estrangeiros que visam apenas ao lucro".

O exemplo que gosto de usar é justamente o da Vale do Rio Doce (hoje apenas "Vale").
Além de ser uma das mais comentadas privatizações dos anos FHC (tanto positiva quanto negativamente), o caso da Vale serve para demonstrar que a privatização não entrega riquezas nacionais para que estrangeiros lucrem (como se lucrar fosse pecado capital!).
Muito pelo contrário:

Do capital ordinário da Vale, 53,3% estão nas mãos da holding Valepar
. É essa holding que define a estratégia da companhia, via conselho de administração, e que escolhe a alta cúpula de gestão da mineradora. Em outras palavras, a Valepar é o coração e o cérebro da Vale do Rio Doce.
E quem é a Valepar? São três fundos de pensão, dois deles patrocinados integralmente por estatais – a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, e a Petros, dos trabalhadores da Petrobras – , a empresa de participações do BNDES, a Bradespar (ligada ao grupo que controla o Bradesco) e a japonesa Mitsui.
Juntos, BNDESPar e fundos têm 60% do capital votante da Valepar.
O capital nacional tem 81,75% das ações ordinárias da holding. A União detém ainda seis ações especiais, as “golden shares”, que lhes dão alguns poderes de veto, como mudança do local da sede.
Essa explicação, básica, foi dada numa reportagem do ValorEconômico de Outubro de 2007.

Existem 122 fundos de pensão BRASILEIROS que são acionistas da Vale.
Todos estes 122 fundos são formados INTEIRAMENTE por brasileios que investiram recursos na compra de ações da empresa - muitos, inclusive, usando o FGTS, visando a rendimentos futuros, quando de suas aposentadorias.
Estes brasileiros, milhares de pessoas físicas, investiram economias na expectativa de receberem DIVIDENDOS e participação nos lucros da empresa.

Após a privatização, a Vale  saiu de um lucro de 500 milhões de dólares (em 1996), atingindo 12 bilhões de dólares em 2006, e, finalmente, 41 bilhões de dólares em 2011.
Mas não foi só isso: o número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização - em 1996 eram 13 mil e em 2006 eram mais de 41 mil.
Para quem quiser ver a composição acionária da empresa atual (dados de março de 2013) basta baixar o PDF AQUI.
Um bom resumo da atual situação da Vale é o "fact-sheet", disponível AQUI (também em formato PDF, para download).

Enquanto isso, no lado oposto da Vale, temos a Petrobras.
Começo com um gráfico roubado do blog do Drunkeynesian, que mostra a evolução do consumo de gasolina no Brasil versus a importação da gasolina entre 2000 e 2012:


Vemos ali o quanto cresceu a importação de gasolina.
Mas a ESTATAL Petrobras investiu R$ 35 milhões em 2008, ano em que o Lulla concorria à reeleição, para fazer propaganda alardeando a tal "auto-suficiência do Brasil" em combustíveis.
Era mentira.
Uma mentira que causou um prejuízo de R$ 35 milhões a cada um dos contribuintes do Brasil que pagam seus impostos.
Mas não para nisso....

Vamos aproveitar para comparar este gráfico acima com um outro.
Abaixo, o gráfico dos LUCROS da Petrobras, por TRIMESTRE, a partir de 2011:



O consumo da gasolina cresceu MUITO a partir de 2010, mas a desastrosa gestão da Petrobras (entulhada de sindicalistas e PTistas de todos os lados) conseguiu fazer com que o lucro da empresa caísse....



Ora, até mesmo o Seu Manoel, dono da padaria, sabe que quando a padaria dele vende mais (pães, salgados, doces etc), a tendência natural é que o seu lucro aumente também.

Seria muito melhor se o Seu Manoel fosse o presidente da Petrobras, ao invés do Gabrielli, que destruiu a empresa.
E todos nós, contribuintes, pagamos por isso.
Se a Petrobras fosse privada e tivesse prejuízo, o problema seria exclusivamente dos seus acionistas.
Se uma empresa estatal tem prejuízo, aí todos pagamos - mas se ela tem lucro, nós não ganhamos nada.

Lulla e o PT roubaram a Petrobras diversas vezes. Leia alguns detalhes AQUI.
Em TODAS as vezes, por ser uma estatal, o prejuízo foi dividido entre todos os cidadãos brasileiros.
Em suma: ser contrário à privatização (qualquer uma) é um direito de cada um, evidentemente.
Porém, o pessoal poderia tentar arranjar algum argumento minimamente inteligente, não?


ATUALIZAÇÃO - Em 26/04/2013 foram divulgados resultados financeiros e operacionais da Petrobras que não estavam disponíveis quando escrevi este texto. Leia a atualização/complemento AQUI.


ATUALIZAÇÃO [2] - Em virtude de comentários enviados com relação a este post, escrevi outro, que contém ainda mais detalhes sobre a privatização da Vale. Pode ser lido AQUI.


13 de fevereiro de 2009

Discutindo a crise

Discussões e debates de bom nível são sempre interessantes.
Vejamos este:



FONTE: G1

24 de junho de 2008

GRADIENTE: nova proposta

A matéria abaixo é do Valor Econômico de 18/06/2008:

A Gradiente apresentou dois novos planos de recuperação a seus credores neste mês. Em ambos está prevista a participação de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com prazo de dez anos, que pode chegar a R$ 300 milhões. Esse é o valor total do endividamento da companhia, e o financiamento estaria condicionado à prestação de fiança pelos próprios credores, que por sua vez receberiam os recursos do BNDES para saldar a dívida da Gradiente. Um esboço das propostas foi enviado há duas semanas a 23 credores, que respondem por mais de 90% do passivo.

Em um dos planos, existe a previsão da participação de fundos de pensão ligados a empresas estatais na recapitalização da companhia. A injeção de R$ 120 milhões seria feita por meio da criação de um Fundo de Investimento em Participações, que também contaria com recursos da empresa de participações do BNDES e um investidor estratégico. Mas fontes da companhia garantem que nenhum acordo foi fechado com possíveis investidores. A empresa foi procurada e informou que não iria se pronunciar sobre o assunto.

A outra opção apresentada é a criação de uma nova empresa, uma subsidiária da Gradiente, que já foi constituída com o nome de Companhia Brasileira de Tecnologia Digital. Esse "plano 2" prevê três formas de capitalização. A própria Gradiente entraria com R$ 50 milhões, que seriam entregues por meio da cessão da marca e ativos que permitiriam a operacionalização da nova empresa. Um investidor aportaria outros R$ 50 milhões. E ainda seria necessário um financiamento de R$ 50 milhões para capital de giro.

Segundo alguns credores, o plano apresentado pela Gradiente no início do mês chegava a apresentar nomes de fundos de pensão, como Petros (dos funcionários da Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal). Fontes do alto escalão de dois destes fundos garantem, entretanto, que nunca foram procuradas pela empresa e que não teriam interesse em aplicar recursos nela.

Na última segunda-feira, uma minuta com a proposta mais detalhada foi entregue pela Gradiente aos credores. A reestruturação está prevista para acontecer em cinco etapas. A primeira já estaria concluída com a contratação de duas assessorias financeiras e a apresentação do plano aos credores. As etapas seguintes envolveriam a aprovação do plano e o acordo com um novo investidor. No último trimestre do ano, a empresa começaria a fazer novos pedidos a fornecedores para começar a operar a pleno vapor em 2009. A empresa atualmente opera parcialmente sua fábrica em Manaus. Caso os credores não aprovem nenhuma das propostas, a empresa entrará com um pedido de recuperação judicial, que lhe dará seis meses de fôlego, já que impede a execução da dívida nesse período.

A Gradiente já havia apresentado pelo menos duas propostas de recuperação a seus credores, assinadas pelo consultor Nelson Bastos, que presidiu a companhia até o mês de maio deste ano. Foi quando Eugênio Staub reassumiu a empresa. Agora, o principal trunfo das propostas passa pelo empréstimo de R$ 300 milhões já alinhavado com o BNDES. Já existe até mesmo uma previsão de juros do financiamento: Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 2,5% ao ano. O prazo total de financiamento seria de dez anos, com dois de carência e oito para amortização do principal. Se a Gradiente se tornar inadimplente, os credores arcariam com a despesa no BNDES em função das fianças. Foi dada também aos credores a opção de eles mesmo financiarem a companhia, ou seja, rolarem a dívida.

Pelo que apurou o Valor, o BNDES está mesmo disposto a ajudar a Gradiente, desde que passe pela garantia dos credores. Em sua história, a empresa já tomou dois empréstimos com o banco e não tem registro de inadimplência com a instituição. Um dos financiamentos foi liberado em 2005, de R$ 100 milhões, e já foi pago. Em 2006, o banco emprestou R$ 63 milhões para a compra da Philco. Ainda faltam serem pagos R$ 20 milhões.

Enquanto a empresa ainda tenta se recuperar, as ações da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo continuam sem grandes perspectivas. No mês de junho, as ações da companhia chegaram a subir 20% no dia 06 quando o Banco Safra desistiu de um pedido de falência ajuizado na Justiça de São Paulo. Mas no acumulado do mês as ações praticamente ficaram estáveis comparados com o preço do último dia de pregão de maio, registrando até mesmo uma leve desvalorização. Saiu de R$ 3,13 para R$ 3,11 a ação.

Eu já tratei da Gradiente aqui no blog, algumas vezes - a mais recente delas, aqui.

Esperemos para ver o que acontece......

31 de maio de 2008

GRADIENTE: erros fatais

Em janeiro deste ano, tratei da situação da Gradiente (aqui).

Depois disso, em março, a Revista Exame publicou uma matéria sobre a empresa (aqui, para assinantes).
Algumas das informações/afirmações da matéria da Exame eu destaco a seguir:

Após meses de declínio, cinco pedidos de falência foram feitos na Justiça por fornecedores. Todos alegam falta de pagamento. A quase impagável dívida da empresa supera os 300 milhões de reais, e a periclitante situação financeira contaminou as vendas. Hoje é praticamente impossível encontrar produtos da marca nas lojas. As fábricas pararam. As oficinas de assistência técnica informam aos consumidores que não consertam mais aparelhos defeituosos por absoluta falta de peças de reposição.

Segundo EXAME apurou, o faturamento da Gradiente caiu 70% no ano passado, e o prejuízo deve superar os 116 milhões de reais de 2006.

(...) Mais impressionante que a atual situação da Gradiente, porém, é o contraste com o sucesso da empresa há pouco mais de uma década. A Gradiente era um dos líderes no mercado de equipamentos de som e vice-líder na venda de televisores. Até o ano 2000, tinha uma bem-sucedida parceria com a finlandesa Nokia para a produção de celulares. O negócio era tão bom que os finlandeses fizeram a Staub uma oferta considerada excelente até mesmo por seus desafetos. Ele vendeu sua metade na fábrica de celulares por 1,2 bilhão de reais. Com essa montanha de dinheiro em caixa, a Gradiente poderia ter decolado. Não foi o que aconteceu.

Desde então, a companhia obteve uma incrível série de resultados negativos. Está há mais de dez anos sem registrar lucro operacional. Sua participação de mercado veio minguando até atingir zero no início do ano. Suas ações sofreram desvalorização de 70% nos últimos 12 meses. E o que já foi uma espécie de ícone da indústria nacional se tornou peça irrelevante no mercado brasileiro de eletroeletrônicos.

(...) O estado atual da Gradiente é conseqüência de uma série de erros, muitos deles cometidos há mais de dez anos e de forma atávica. O maior deles, dizem os especialistas, foi a decisão de não buscar associação com uma grande empresa multinacional. Staub insistiu na tese de que o melhor para a Gradiente seria usar a força de sua marca para fazer parcerias com diversos fornecedores e, a cada momento, buscar o que havia de melhor no mercado. Isso, argumentava Staub, daria à Gradiente a agilidade necessária para sobreviver num segmento em constante mutação.

Consultores, analistas e executivos ouvidos por EXAME foram unânimes em afirmar que a falta de um parceiro de peso foi determinante para a queda da Gradiente. A empresa reinou na época em que a economia do país era fechada para produtos importados.

Com a abertura, passou a ter de competir com itens de alta tecnologia de empresas como Philips, LG e Samsung, que se renovam num ritmo frenético. A Philips investiu mais de 4 bilhões de reais no ano passado em pesquisa e desenvolvimento, ou dez vezes o faturamento da Gradiente no período. Em sentido oposto, a Semp, da família Hennel, fez uma associação definitiva com a japonesa Toshiba. Com a constante transferência de tecnologia, a Semp Toshiba se manteve viva.

A matéria, em suma, indica 4 "principais erros" da empresa, quais sejam:
1) Falta de parceiro estrangeiro para transferência de tecnologia - um fator apontado pela Exame como "fatal" em vista das características do mercado competitivo e intensivo em tecnologia e inovações constantes;
2) Inconsistência na estratégia - a empresa entrou e saiu de muitos mercados, sem ter tido a "paciência" de aguardar para colher resultados;
3) Ambição exagerada ;
4) Gestão ultrapassada - o presidente da empresa teria sido inflexível, e relutado em abrir mão do poder dentro da empresa, criando espaço para a entrada de gestores mais dinâmicos, profissionais (tudo segundo a matéria da Exame).

A inconsistência na estratégia (na escolha e no manutenção dela) é um problema sério, e bastante comum. Esta questão, aliás, tem relação direta com a questão da "falta de parceiros" comerciais: a joint-venture que a Gradiente fez com a Nokia foi um excelente negócio para ambas - a Gradiente conseguiu acesso a tecnologias que não tinha, e a Nokia ganhou canais de distribuição já consolidados, além de contar com todo o know-how que a Gradiente já detinha do Brasil.

Contudo, não sei até que ponto a Exame está certa ao apontar a falta de parceiros como causa dos problemas da Gradiente.... Afinal, depois do término da parceria com a Nokia, a empresa firmou uma aliança com a Société d'Applications Générales de l'Electricité et de la Mécanique (SAGEM) e, em 2004, a Gradiente buscou outra aliança, desta feita com a Cellon International Holding Corporation, especializada no desenvolvimento de tecnologias de comunicação sem fio.
Assim, dizer que a Gradiente não buscou ou tentou firmar parcerias, não me parece adequado. Pode ser que as alianças não tenham surtido o resultado esperado (ou mesmo resultados tão bons quanto aqueles oriundos da joint-venture com a Nokia), mas daí a dizer que não houve interesse em buscar parcerias.......

Em 04/09/2007, o Valor Econômico noticiou: uma joint venture com empresas chinesas. É esta a carta que Eugênio Staub, que completará 66 anos em outubro, pretende sacar da manga para tirar a Gradiente de uma das suas piores crises financeiras. Ao anunciar ontem o seu afastamento da presidência executiva da companhia, Staub afirmou que está negociando com empresas chineses e de outros países da Ásia a formação de uma sociedade.

A matéria, na íntegra, está aqui.
Me parece mais um forte indício de que não faltou o interesse, a busca por um parceiro comercial relevante. Pode-se concluir, desta soma de indícios, que o que faltou foi mesmo alguma outra coisa.

Pode ser a falta de uma estratégia claramente definida.
Neste ponto, tendo a concordar com a matéria da Exame.
Este erro está longe de ser "exclusividade" da Gradiente - muito pelo contrário: são tantas as empresas que acham que devem mudar sua estratégia mensalmente, que fico assustado.

Sugiro, sobre esta questão, leituras que me interessaram na edição de Novembro/Dezembro de 2007 na HSM-Management.
A revista contrapôs 2 artigos que tratavam da mudança nas estratégias: Michael Porter afirmava que a estratégia NÃO deve mudar; George Yip e Gerry Johnson argumentavam exatamente o oposto.
O acesso para assinantes a ambos os textos é feito aqui (artigo do Porter) e aqui (Yip e Johnson).

Além disso, acho interessante registrar notícia do Valor Econômico de 15/05 sobre a empresa (na íntegra aqui):
O empresário Eugênio Staub vai voltar a presidir a Gradiente. De acordo com comunicado divulgado ontem à noite, Nelson Bastos deixa o cargo de diretor-presidente e será substituído por Staub. (...) Sócio da Íntegra Associados, Bastos está na Gradiente desde 1965, tendo participado de sua fundação. Ele traz no currículo as reestruturações da Parmalat e da varejista Clube Chocolate e assumiu a presidência executiva da Gradiente em setembro de 2007, em substituição ao próprio Staub, que permaneceu como presidente do Conselho. A missão de Bastos era encontrar possíveis sócios para empresa e renegociar a dívida com os credores.

(...) A empresa não divulga resultados desde 2006 e informou ontem que a aprovação das contas de 2007 ainda não ocorreu. E prometeu à Bovespa entregar os demonstrativos de resultados de todo o ano passado até 20 de junho. Calcula-se, porém, que suas dívidas cheguem a mais de R$ 300 milhões. Sua ações se valorizaram na semana passada, na expectativa de que o BNDES socorra a empresa ou que seja possível a entrada de um sócio estrangeiro. Hoje, contudo, os papéis ordinários (ON, com direito a voto) fecharam em queda de 4,61%, a R$ 3,10. Mas acumulam ainda alta de 16% em maio por conta da expectativa de um acordo com os credores ou uma possível ajuda do BNDES.

A Gradiente informou também que em 1º de abril foi definida a nomeação de Richard Jesse Staub como diretor de Relações com Investidores, cargo que antes era ocupado por Eugênio Emílio Staub Filho. No comunicado, Eugênio Staub afirma que assumirá a presidência temporariamente, até que a empresa volte a ter uma situação financeira estável.

Talvez ter apoiado a campanha do Lulla, em 2002, não tenha sido o mais grave (e burro) erro de Eugênio Staub afinal....
Mas até quando a empresa (e seus acionistas, funcionários, fornecedores, clientes) terão que suportar esta sucessão de erros ?!

29 de março de 2008

Uma crônica da Microsoft: o paradoxo de marketing

Estamos no início de 2007.

Jon instalou o Windows Vista em duas máquinas, e descobriu que a impressora e outros produtos não funcionavam; precisou voltar para o Windows XP em um dos PCs para usar os periféricos. Quando Steven ficou sabendo das dificuldades, disse: "Tem acontecido com todo o sistema".

Há ainda o caso de Mike, que comprou um laptop com o adesivo "Compatível com Windows Vista". Sendo assim, acreditou que executaria os programas favoritos da Microsoft, como o Movie Maker. "Eu me lasquei", disse. O novo laptop não possui o chip gráfico requerido e tampouco executa seu programa favorito de edição de vídeo, ou qualquer outra coisa que não uma versão claudicante do Vista. "Eu possuo hoje uma máquina de e-mail de US$ 2.100", contou.

Acontece que Mike pode ser tudo, menos um usuário inexperiente. O nome dele é Mike Nash, vice-presidente da Microsoft para o desenvolvimento de produtos. Jon responde por Jon A. Shirley, membro do quadro de diretores da Microsoft. E Steven é Steven Sinofsky, vice-presidente sênior da empresa.

As declarações deles constam de uma série de comunicados internos da Microsoft. Uma ação jurídica iniciada contra a empresa, em março de 2007, nos EUA, obrigou a divulgação de documentos internos.
Os autores da ação alegam que o "Compatível com Windows Vista" é enganoso quando colocado em PCs incapazes de executar as versões que têm os recursos alardeados pela Microsoft como sendo as vantagens características do Vista. Entre as mensagens, há queixas de altos executivos da Microsoft transformados em usuários insatisfeitos do Vista.

Hoje, a empresa gaba-se de ter o dobro de drivers disponíveis do que quando do lançamento do sistema. Mas a performance e os recursos gráficos continuam a ser um problema.

O texto completo (sem as pequenas adaptações que eu fiz aqui, aliás) foi publicado na Folha Informática da quarta-feira, dia 26/03/2008, na íntegra AQUI. Historinha interessante sobre o desenvolvimento de um produto tão relevante para a Microsoft, uma das maiores empresas do mundo. Leitura essencial, eu diria.

Somando-se alguns fatores, podemos ver que mesmo empresas do porte da Microsoft mantêm este hábito assaz irritante de "tocar um foda-se" para o consumidor.... Basta ler esta matéria AQUI, do New York Times (em português).
Outra matéria que merece leitura está aqui, e trata do mesmo problema. Em que pese o viés dado a este texto, defendido por fãs da Apple, há revelações interessantes, e alguns links complementares para quem desejar aprofundar-se na questão.

Ainda sobre a Microsoft, li recentemente (aqui) sobre uma parceria com o Submarino, muito interessante.
Os usuários de todas as versões do Windows Vista podem utilizar o serviço de revelação online do site de comércio eletrônico por meio da Galeria de Fotos do Windows Vista ou da Galeria de Fotos disponível para download no Windows Live.
De acordo com o gerente de produto Windows da Microsoft Brasil, Ricardo Wagner, o objetivo da iniciativa é oferecer aos usuários diversas opções de serviços integrados dentro do ambiente digital. "O anúncio da parceria faz parte da estratégia software mais serviço da Microsoft, possibilitando que as pessoas possam tirar o melhor proveito do software, da conexão entre dispositivos e da evolução da web", comenta o executivo.
Para utilizar o serviço é necessário que o computador esteja conectado à Internet. O usuário seleciona as imagens que deseja revelar dentro da Galeria de Fotos e clica no ícone Imprimir, escolhendo a opção Submarino Revelação. O upload dos arquivos é feito automaticamente e enviado via web.
O prazo para o recebimento das fotos é de dois dias úteis, em média. Os valores das ampliações variam de acordo com a quantidade de imagens enviadas e dos formatos escolhidos, iniciando por R$ 0,39 a unidade no tamanho 10X15. Os clientes podem personalizar a impressão das fotos, determinando o tipo do papel, borda, tamanho, além de solicitar as imagens gravadas em um CD.

A iniciativa revela a importância de agregar serviços complementares a produtos e/ou serviços já existentes.
Interessante perceber que ao mesmo tempo em que a empresa busca uma diferenciação (através da adoção de serviços complementares que aumentem o valor percebido pelo consumidor), ela também demonstra descaso para com as necessidades e desejos dos clientes que adquirem seus softwares......

Um paradoxo do marketing moderno.... Ou, nas sábias palavras de Theodore Levitt, MIOPIA DE MARKETING.


16 de janeiro de 2008

Marketing e Web: idéias para 2008

Uma curtinha: recomendo a leitura do MarketingSherpa´s Marketing Wisdom for 2008 (aqui), que traz opiniões, análises e idéias sobre os mais variados assuntos, com a linha-mestra voltada a Marketing e Web.

Leitura interessante (e útil) para planejar o que fazer em 2008.....

17 de dezembro de 2007

Multinacionais emergentes

Replico, na íntegra, uma matéria do ValorEconômico (de 17/12/2007) que achei muito útil/interessante:

"Começamos no exterior como 'turistas acidentais'", comenta Anand Mahindra, diretor-geral da Mahindra & Mahindra, a fabricante indiana de tratores e veículos pesados. Com dinheiro a receber de uma fábrica da Grécia, optou por uma participação acionária em vez dos recursos. Nascia, então, em 1984, a Mahindra Hellenic.

A Mahindra & Mahindra agora é uma das 100 empresas do mundo em desenvolvimento que o Boston Consulting Group (BCG) julga ter influência e ambições suficientes para preocupar as grandes multinacionais mundiais. A consultoria filtrou mais de 3 mil empresas de 30 países. Escolheu negócios com receitas próximas ou superiores a US$ 1 bilhão em 2006 e com expansão agressiva (que não fosse por acaso) no exterior. Mensuraram esse expansionismo por cinco critérios, como os ativos e vendas internacionais do grupo e o volume de recursos que podem acessar para investidas e aquisições no exterior.

O resultado é uma lista que, habilmente, serve de orgulho às aspirantes e como motivo de insegurança às líderes. De acordo com a revista "Fortune", Jack Immelt, da General Electric, mandou a lista a seus subordinados, ordenando que identificassem quais empresas podem comprar, o que poderiam vender para elas e quais seriam potenciais concorrentes.

Sustentadas por ações com preços valorizados, muitas das multinacionais emergentes priorizaram grandes aquisições, em vez do crescimento orgânico das próprias operações. As 100 empresas da lista do BCG completaram cerca de 70 compras internacionais em 2006. Destas, sete superaram US$ 1 bilhão. A Suzlon Energy, da Índia, que constrói parques eólicos, comprou a REpower, da Alemanha, em junho, com o que poderá combinar a tecnologia de turbinas eólicas marítimas dos alemães com seus próprios componentes de baixo custo.

Neste ano, de acordo com a Thomson Financial, empresas de países em desenvolvimento, adquiriram ativos em nações desenvolvidas no valor de US$ 171 bilhões. O recorde anterior, de US$ 52 bilhões, era de 1999. Parte dessas compras pareceu cara demais. O BCG, contudo, destaca que para esta nova classe de compradores, as empresas-alvo têm aparência diferente da que ostentam para os olhos das firmas dos países desenvolvidos. Um negócio com altos custos e queda na participação de mercado doméstica pode, ainda assim, ter marcas, clientes ou experiência cobiçados pelas multinacionais emergentes. Os altos custos não são empecilho. A CIMC, da China, que fabrica contêineres, desmonta linhas inteiras de produção em países de altos custos e as reconstrói em casa.

As empresas do BCG investem no exterior por diferentes motivos. Das 41 empresas chinesas na lista, 16 são controladas por um braço do governo dedicado a administrar ativos estatais. Irrompem em mercados externos com a ajuda e o palavrório do Estado. Dez companhias, metade delas chinesas, avançaram em outros países em busca de recursos naturais. Outras 17 procuraram aproveitar o alto preço dos metais e demais commodities. Algumas das companhias, simplesmente, avaliam que podem ser maiores e melhores em seus setores. A BYD, da China, por exemplo, é a maior fabricante mundial de baterias de níquel-cádmio, e o Reliance Group, da Índia, produz mais fios e fibras de poliéster do que qualquer um.

Outras possuem marcas, cultivadas em seus mercados domésticos, mas avaliam que podem expandi-las no exterior. A empresa alimentícia brasileira Sadia, por exemplo, tornou-se um nome familiar no Oriente Médio, talvez ajudada pela similaridade de seu nome com a palavra "sa'ada", felicidade, em árabe.

Como as multinacionais dominantes devem reagir? O BCG aconselha-as a combater as multinacionais do mundo em desenvolvimento em seu próprio terreno. O estudo salienta que as aspirantes, normalmente, passam a ocupar faixas de padrão mais elevado em seus mercados domésticos, como prelúdio para a expansão externa. Portanto, se as atuais líderes conseguirem atrair clientes de maior poder aquisitivo em regiões como Ásia, Leste Europeu e América Latina, então, desacelerariam o crescimento de rivais globais. Também deveriam cogitar em comprar as iniciantes, antes que tenham seus lugares tomados por elas. Os consultores ressaltam, entretanto, que poucas multinacionais de países desenvolvidos possuem equipes de fusões e aquisições em lugares como Déli ou Xangai capazes de elaborar listas com alvos para compra. Além disso, as empresas mais promissoras tendem a ser caras.

Pelo menos, as multinacionais desenvolvidas não têm desculpas para serem pegas desprevenidas. Além da lista do BCG, o Programa de Investimentos Internacionais, da Columbia University, conduz um informe similar e já divulgou um estudo sobre as multinacionais brasileiras, em 3 de dezembro. E o fenômeno das multinacionais emergentes não é tão recente como se poderia imaginar. A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) destaca que a Argentina vem criando multinacionais, pelo menos, desde 1890, quando a empresa têxtil Alpargatas criou uma afiliada no Uruguai.

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