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13 de setembro de 2012

Novo produto, mesma estratégia

E ontem, dia 12, foi lançado o novo modelo do iPhone, o 5 (que foi precedido pelo iPhone, iPhone 3G, 3GS, 4 e 4S).
A web está repleta de "reviews" e opiniões sobre o produto em si - que não vou comentar (mas recomendo a leitura deste "overview" AQUI).
 
Quero comentar brevemente algumas coisas que me chamam a atenção na estratégia da Apple.
 
1) PREÇO - A Apple, há anos, mantém a mesma estratégia de precificação (premium, ou seja, cobra mais caro por um produto de qualidade superior, sempre considerando o valor percebido pelo cliente). Agora não é diferente: dado o lançamento do novo modelo do iPhone, o modelo 3GS foi descontinuado, e os 2 modelos remanescentes na linha (4 e 4S) tiveram seus preços reduzidos, enquanto o novo modelo "herdou" o mesmo preço praticado até ontem para o 4S.
 
Veja a imagem abaixo, extraída do site da Apple (acesso direto através DESTE LINK, que inclusive traz um interessante comparativo entre as características dos modelos 4, 4S e 5):


 

Vemos ali as opções de 16, 32 e 64 Gb de memória do iPhone 5, variando de 199 a 399 dólares 1a coluna à esquerda), enquanto o modelo 4S (na coluna do meio) teve seu preço reduzido a 99 dólares, e o modelo 4 está "gratuito" (tudo considerando um plano de 2 anos).
 
Basicamente, o que a Apple está dizendo é: cobramos caro, sim. Mas você vai ter o melhor PRODUTO (experiência resultante da soma do hardware com o software)...
 
 
2) PRODUTO - Interessante notar que o hardware (aparelho celular) é novo, com tela maior, mais fino e outras coisinhas mais. Contudo, ficou EXTREMAMENTE parecido com o modelo anterior (4S). Isso é bom, pois a Apple criou um padrão de mercado com o lançamento do modelo 4 (apresentado pelo Steve Jobs). O padrão ainda não foi batido, e a Apple segue dominando o quesito layout - isso sem mencionar a qualidade dos materiais empregados.
 
Aqui posso oferecer meu testemunho pessoal: no ano passado fui pesquisar algumas opções para trocar de celular, e comparei o Samsung Galaxy II (ainda não havia sido lançado o III) com o iPhone 4S. Decerto o Samsung tem diversas qualidades, mas o fato é que o tamanho exagerado e o excesso de plástico (em detrimento do vidro e alumínio usado no iPhone) dão uma impressão de um aparelho mais frágil. Não espero um acabamento tão pobre num aparelho top de linha.
 
Pelo que vi, o iPhone 5 continua sendo o aparelho com mais cara "top de linha" do mercado, incluindo Samsung, Motorola, LG etc.
 
Além disso, a Apple vende, na verdade, DOIS produtos em um, a saber, hardware + software. Foi lançado o novo hardware, mas em alguns dias os proprietários de modelos anteriores (3GS, 4 e 4S) poderão fazer a atualização do software, o iOS6. GRATUITAMENTE.

 

 

A Apple, assim, reforça a impressão de oferecer ao cliente SEMPRE o software mais atual - quesito no qual seu maior concorrente, o Android (Google) falha miseravelmente. A versão Ice Cream Sandwich do Android foi lançada em 2011, mas a maioria dos aparelhos vendidos hoje AINDA traz alguma versão anterior. A "próxima" versão do Android, Jelly Bean, mesmo já tendo sido lançada, ainda não é oferecida em nenhum aparelho!
 
3) COMUNICAÇÃO - A capacidade que a Apple tem em gerar mídia espontânea é FENOMENAL. Não me recordo de nenhuma outra empresa, NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, que tenha conseguido usar tão bem a publicidade gerada por jornalistas ensandecidos publicando em blogs, revistas, jornais, twitter, facebook e no diabo à quatro os detalhes, os "furos", os rumores etc....
 
Parece que ao mencionar a Apple, a vendagem dos jornais (ou revistas, ou audiência do blog ou site etc) vai disparar - o que, obviamente, não é verdade.
Daqui a uma semana, com os primeiros aparelhos do novo modelo sendo vendidos ao consumidor final, vai começar nova rodada de rumores sobre o iPhone 6 (ou vai ser chamado 5S? Vai ter tela de quantas polegadas? O carregamento da bateria será através de telepatia? E por aí vai...).
Os rumores só vão acabar quando for lançado o novo modelo - daqui a 1 ano, mais ou menos.
 
Interessante notar que a Apple não deixa mais que o evento de apresentação do produto seja transmitido (via TV, internet etc). Com isso, ela consegue o seguinte:
 
  • Antes do evento, instala-se o desespero para tentar "adivinhar" quem acerta mais rumores;
  • Durante o evento, é uma briga para oferecer as novidades em primeira mão, chegando a congestionar twitter, sites, blogs etc;
  • Depois do evento, a própria Apple disponibiliza a íntegra da apresentação em vídeo, para quem quiser assistir (se você quiser ver, está AQUI).
 
Ao fazer estas 3 "coisinhas", a Apple garante que haja um "buzz" constante - ou seja, ela estará sendo mencionada milhares (quiçá milhões!) de vezes, gerando burburinho sem parar!
 
 
4) CONCORRÊNCIA - Só para comprovar a superioridade de mercado e de estratégia da Apple: 2 dias antes do lançamento do iPhone 5, a Samsung ofereceu seu modelo top de linha, o Galaxy S3, por 100 dólares no mercado americano. Repetindo: 100 dólares.
Só para relembrar: quando a Samsung lançou o Galaxy SIII, o que a Apple fez?
NADA.
RIGOROSAMENTE NADA.
Isso mostra que a empresa confia no seu produto e no seu preço (resumindo, na sua OFERTA DE VALOR). O concorrente vai lançar um produto novo? Ok, deixe lançar. O meu produto seguirá tendo demanda, e no meu tempo eu lançarei o meu novo modelo.
De certa forma, um "foda-se" para a Samsung...
 
 
Antes que me chamem de "Apple-boy" ou algo do gênero: sim, tenho um iPhone (4S), estou muito satisfeito com ele, mas, no geral, estas observações aqui NÃO são de um proprietário puxando o saco da marca (ou "evangelizador da marca", como preferem alguns).
Relatei aqui apenas algumas impressões, pelo que acompanhei ao longo desta quarta-feira.
 
A Apple tem, nos últimos anos, acertado muito mais do que errado.
Houve alguns poucos tropeços, mas os sucessos da empresa da maçã são muito maiores.
Obviamente a Apple não pode "dormir em berço esplêndido", mas hoje ela está, sim, muito acima da concorrência.
 
A Nokia, coitada, se abraçou com a afogada Microsoft para afundarem juntas (inobstante a força da Micro$oft em alguns mercados, em telefonia ela é fraca demais).
A Samsung está tentando copiar a Apple para, quem sabe, um dia, superá-la. Ainda não conseguiu (mas tem chances).
 
E o resto....bom, é só o resto.

 

10 de setembro de 2012

Vamos tratar o cliente como otário? Ele nem vai perceber!

Alguns poderão dizer que eu sou tão chato a ponto de ficar por aí "caçando" cagadas das empresas para reclamar.
Mas a verdade é que as empresas me perseguem, entregando as cagadas em domicílio!

Na semana passada, recebi um e-mail da Editora Abril, me oferecendo a renovação da minha assinatura da Quatro Rodas. Eis aqui o print-screen do e-mail (do dia 04 de Setembro, portanto 6 dias atrás):


Como pode ser visto na imagem (basta clicar para ampliar), a "oferta" era para renovar a assinatura por 3 anos (36 edições), pagando 12 parcelas de R$ 29,10, o que totalizaria R$ 349,20.

Hoje, fui até o site da Editora Abril, para simular qual seria o custo de uma NOVA assinatura.
Selecionei duas opções, que mostro abaixo:
(1a) Assinatura de 36 edições (3 anos) apenas da edição impressa, que custaria 12 parcelas de R$ 24,00, totalizando R$ 288,00, e
(2a) Assinatura de 36 edições (3 anos) da edição impressa + digital, que custa R$ 331,20, divididos em 12 parcelas de R$ 27,60.

As imagens abaixo comprovam ambos os valores:




Basicamente, a Editora Abril está sinalizando o seguinte: ou eles acham que o cliente é tão otário, tão idiota, a ponto de NÃO verificar qual seria o custo de uma NOVA assinatura antes de renovar a sua, ou eles acham que o cliente GOSTA de pagar mais caro para ter o mesmo produto.
Bom, na verdade, outro produto: se eu ficasse quieto e aceitasse a renovação por R$ 349,20, (se eu não entrasse em contato com o setor de assinaturas, a renovação seria automaticamente enviada para o meu cartão de crédito) eu pagaria APENAS a edição impressa mais caro do que um novo assinante que escolhesse o "pacote" composto pela edição impressa mais a edição eletrônica.

Pois bem, liguei no 0800 para perguntar por que uma NOVA assinatura seria bem mais barata do que a renovação de um assinante de longa data (são mais de 15 anos!).
A menina que me atende, Jaqueline, disse que no momento em que a oferta me foi enviada por e-mail, era a melhor oferta disponível; provavelmente, DEPOIS de ter sido enviado o e-mail houve uma alteração nos preços do site (para novas assinaturas).

Sei, sei.....
Relembrando: o e-mail foi enviado no dia 04 de Setembro - SEIS dias atrás, portanto!

A Editora Abril é a única empresa que faz isso?
NÃO.

Contudo, erros alheios não justificam os seus próprios.

Quando as empresas vão parar de tratar seus clientes como otários?

4 de março de 2012

Preço mais relevante do que "sustentabilidade"

A notícia é do Estadão de hoje (com grifos meus):
A queda de 35%, ou quase 6 bilhões de litros, nas vendas de etanol nos últimos dois anos coloca em risco o cumprimento das metas de corte das emissões de gases de efeito estufa assumidas pelo Brasil.

O movimento surpreendeu o Ministério do Meio Ambiente, cujo cenário principal para emissão de gases de efeito estufa pressupunha uso crescente de etanol. A expansão do biocombustível seria responsável por uma redução de 79 a 89 milhões de toneladas de gás carbônico lançadas na atmosfera até 2020, numa contribuição entre 8% e 9% da meta total de corte das emissões com que o governo se comprometeu em 2009.

Grande parte do cumprimento da meta depende da redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, maior fonte dos gases de efeito estufa no País. A queda nas vendas de etanol ao consumidor torna ainda mais crucial o combate às motosserras.

Documento publicado pelo Ministério do Meio Ambiente no ano passado estima que as emissões de gás carbônico por veículos cresceriam até 2020 a uma média de 4,7% ao ano, por conta do aumento da frota de veículos no País. Esse porcentual já é maior do que a média de crescimento das emissões registrada num período de 30 anos, até 2009, ano em que o Brasil assumiu metas de redução das emissões de gases de efeito estufa para 2020.

Mas o cenário traçado pelo documento intitulado Inventário de Emissões Atmosféricas por Veículos Rodoviários apresentava como principal contribuição para a redução das emissões o programa de álcool hidratado. Na contabilidade oficial, as emissões de CO2 provocadas pelos veículos movidos a álcool são neutralizadas pela captura de carbono no processo de cultivo da cana-de-açúcar.

O aumento de venda de carros flex, que crescia sem parar desde 2003, deveria continuar no mesmo ritmo, indicou o cenário oficial. Em 2009, os flex já representavam 37% da frota de automóveis, e dominavam a venda de carros novos.

Mas esse cenário não se confirmou. No ano passado, as vendas de carros flex caíram pela primeira vez desde o lançamento dos motores com a tecnologia brasileira. Os licenciamentos de carros flex caíram para 83% do total de carros vendidos em 2011, o menor porcentual em cinco anos, conforme informou o Estado em fevereiro.

Futuro. A projeção do ministério de que os carros flex rodariam alternando os combustíveis numa proporção próxima a 50% também corre o risco de não se sustentar. O uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando seu preço ultrapassa 70% do valor da gasolina nas bombas. O consumidor opta pelo preço mais vantajoso na hora de abastecer, numa equação desfavorável ao etanol.

Além disso, para conter as emissões de gases de efeito estufa até 2020 no setor de energia, o governo contabilizou o aumento da oferta interna de etanol em mais de 20 bilhões de litros, como uma das principais medidas de combate ao aquecimento global.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram uma explosão no consumo de gasolina a partir de 2010. Em dois anos, enquanto as vendas de etanol caíam 35%, as vendas da gasolina subiam mais de 39%. Desde 2005, as vendas de gasolina registravam aumento de 2% ao ano. Em 2010, elas cresceram 17,45%. Em 2011, 18,79%, alcançando 35,4 bilhões de litros, contra 10,7 bilhões de litros de etanol vendidos no mesmo ano. 

Percebe-se, pois, que os fatos contradizem aqueles defensores do dicurso "sustentável" que afirmaram (alguns, coitados, CONTINUAM afirmando) que o uso do etanol era devido, inclusive, à preocupação com a "sustentabilidade".
Balela.
Comprava-se mais etanol porque o preço era menor do que o da gasolina.
Como esta situação mudou, passou-se a comprar mais gasolina.
E foda-se o discurso vazio de "sustentabilidade". Preço é o que importa!

10 de março de 2011

Produtos simples, preços nem tanto

Recebi, por e-mail, o seguinte texto:
Outro dia, entrei num supermercado para comprar orégano e adquiri uma embalagem (saquinho) do produto, contendo 3g, ao preço de R$ 1,99. Normalmente esse tipo de produto é vendido nos supermercados em embalagens que variam de 3g a 10g. Cheguei em casa e resolvi fazer os cálculos e constatei que estava pagando R$ 663,33 pelo kg do produto. Será que uma especiaria vale tudo isso?

Agora, com mais este exemplo abaixo de produtos vendidos em pequenas porções, fico com a sensação que as indústrias se utilizam "espertamente" desse procedimento para desorientar o consumidor, que perde totalmente a percepção real do valor que está pagando pelos produtos.
Acho que todos os fabricantes e comerciantes, deveriam ser obrigados por lei (mais uma?) a estamparem em locais visíveis, os valores em kg, em metro, em litro e etc. de todas e quaisquer mercadorias com embalagens inferiores aos seus padrões de referências. Entendo que todo consumidor tem o sagrado direito de ter a percepção correta e transparente do valor cobrado pelos fabricantes e comerciantes em seus produtos.

VEJAM O ABSURDO: Você sabe o que custa quase R$ 13.575,00 o litro?

Resposta: TINTA DE IMPRESSORA!

VOCÊ JÁ TINHA FEITO O CÁLCULO? Veja o que estão fazendo conosco. Já nos acostumamos aos roubos e furtos, e ninguém reclama mais.

Há não muito tempo atrás, as impressoras eram caras e barulhentas. Com as impressoras a jatos de tinta, as impressoras matriciais domésticas foram descartadas, pois todos foram seduzidos pela qualidade, velocidade e facilidade das novas impressoras. Aí, veio a "Grande Sacada" dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais e mais baratas, e cartuchos cada vez mais e mais caros.
Nos casos dos modelos mais baratos, o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora. Olhe só o cúmulo: pode acontecer de compensar mais trocar a impressora do que fazer a reposição de cartuchos.

VEJA ESTE EXEMPLO:
Uma HP DJ3845 é vendida, nas principais lojas, por aproximadamente R$ 170,00. A reposição dos dois cartuchos (10ml o preto e 8ml o colorido), fica em torno de R$ 130,00. Daí, você vende a sua impressora seminova, sem os cartuchos, por uns R$ 90,00 (para vender rápido). Junta mais R$ 80,00, e compra uma nova impressora e com cartuchos originais de fábrica.
Os fabricantes fingem que nem é com eles; dizem que é caro por ser "tecnologia de ponta". Para piorar, de uns tempos para cá passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta (mantendo o preço). Um cartucho HP, com míseros 10ml de tinta custa R$ 55,99. Isso dá R$ 5,59 por mililitro.

Só para comparação, a espumante Veuve Clicquot City Travelle custa, por mililitro, R$ 1,29. Só acrescentando: as impressoras HP 1410, HP J3680 e HP3920, que usam os cartuchos HP 21 e 22, estão vindo somente com 5ml de tinta!

A Lexmark vende um cartucho para a linha de impressoras X, o cartucho 26, com 5,5 ml de tinta colorida, por R$ 75,00.Fazendo as contas: R$ 75,00 / 5.5ml = R$ 13,63 o ml. > R$ 13,63 x 1000ml = R$ 13.636,00
Veja só: R$ 13.636,00 , por um litro de tinta colorida. Com este valor, podemos comprar, aproximadamente:

- 300 gr de OURO;
- 3 TVs de Plasma de 42';
- 1 UNO Mille 2003;
- 45 impressoras que utilizam este cartucho;
- 4 notebooks;


Não verifiquei todos os valores exatos, mas me parecem bastante críveis.

Confesso que eu mesmo nunca parei para pensar nisso..... Ok, todos nós que algum dia na vida compramos um cartucho de tinta para impressoras já nos assustamos com o preço daquele cartuchinho pequenininho (que muitas vezes não dura nada!).

Mas colocando os valores desta forma, fiquei horrorizado.
Mais de 13 mil reais por um litro de tinta de impressora? Como assim?????


22 de setembro de 2008

BANCOS: novas regras; velhas práticas

Começo este post trazendo uma "piada" (não na acepção tradicional do termo, mas que contém um fundo de verdade INEGÁVEL) que recebi por e-mail:

CARTA ABERTA AO BRADESCO

Senhores Diretores do Bradesco,

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria assim: todo mês os senhores, e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira, farmácia etc). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao pagante. Existente apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade.

Por qualquer produto adquirido (um pãozinho, um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um pouquinho acima.

Que tal?

Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade.

Minha certeza deriva de um raciocínio simples. Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para comprar um pãozinho. O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e qualquer serviço. Além disso, me impõe taxas. Uma "taxa de acesso ao pãozinho", outra "taxa por guardar pão quentinho" e ainda uma "taxa de abertura da padaria". Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.

Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto de seu negócio. Os senhores me cobraram preços de mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de mercado pelo pãozinho.

Entretanto, diferentemente do padeiro, os senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto que adquiri.

Para ter acesso ao produto de seu negócio, os senhores me cobraram uma "taxa de abertura de crédito" - equivalente àquela hipotética "taxa de acesso ao pãozinho", que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.

Não satisfeitos, para ter acesso ao pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente em seu Banco. Para que isso fosse possível, os senhores me cobraram uma "taxa de abertura de conta".

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa "taxa de abertura de conta" se assemelharia a uma "taxa de abertura da padaria", pois, só é possível fazer negócios com o padeiro depois de abrir a padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como "Papagaios". Para liberar o "papagaio", alguns gerentes inescrupulosos cobravam um "por fora", que era devidamente embolsado. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se antecipar aos gerentes inescrupulosos.

Agora ao invés de um "por fora" temos muitos "por dentro".

- Tirei um extrato de minha conta - um único extrato no mês - os senhores me cobraram uma taxa de R$ 5,00.

- Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de R$ 7,90 "para a manutenção da conta" - semelhante àquela "taxa pela existência da padaria na esquina da rua".

- A surpresa não acabou: descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros (preços) mais altos do mundo.

Semelhante àquela "taxa por guardar o pão quentinho".

- Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer movimentação que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu Banco.

Por favor, me esclareçam uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que sua responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências governamentais, que os riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o que estão cobrando está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco Central.

Sei disso.

Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem seu negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.

Sei que são legais.

Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, tais taxas são uma imoralidade.

Brasília, 30 de maio de 2006.

Delman Ferreira

Não sei se existe de fato o Sr. Delman Ferreira. Mas, se ele existir, já tem meu apoio.

Nunca antes na história desse país (para usar o bordão do imprestável Presidente da República de Bananas) os bancos ganharam tanto dinheiro com as malditas tarifas bancárias.
O retorno para os clientes ? NENHUM.

Os serviços bancários são PÉSSIMOS (funcionários despreparados, agências lotadas com poucos caixas abertos, demora nos processos - até os mais simples, e por aí vai).

De qualquer forma, publico esta missiva em homenagem a mim mesmo: na última sexta-feira, encerrei minha conta no Bradesco.

Eu merecia esse gesto de auto-estima.

21 de setembro de 2008

Brasil X EUA: diferenças essenciais

A matéria é da Folha de São Paulo de 20/07/08 (e os grifos em negrito são meus):
A dentista Samara Santana, 27, não está grávida, mas já sabe onde comprará todo o enxoval do primeiro bebê, que planeja para breve. "Vou voltar para Nova York e levar tudo daqui. Mesmo com os custos da viagem, compensa bastante", diz ela, ao lado de mãe, irmã e amiga, todas cercadas de sacolas em uma loja de calçados a alguns metros do Central Park. Para a família, a viagem a passeio a Manhattan se tornou a oportunidade de renovar o guarda-roupa. "Só ontem gastamos mais de US$ 1.000 cada uma. Mas economizamos uma quantia muito maior", conta a irmã, Samantha, 30, administradora de empresas.

A percepção delas é correta: de maneira geral, os produtos que estão à disposição da classe média americana (exceto alimentos) são bem mais baratos do que aqueles que a classe média brasileira tem ao seu alcance. Segundo economistas, a diferença se deve à elevada carga tributária existente no Brasil, ao relativamente pequeno grau de abertura da sua economia, à reduzida competição entre as empresas, à alta taxa de juros e à sobrevalorização do real.

Em uma pesquisa informal, a reportagem da Folha visitou, na última semana, estabelecimentos comerciais em São Paulo e em Nova York em busca dos bens que a classe média costuma (ou deseja) comprar e detectou que a diferença de valores é grande, especialmente em vestuário, eletroeletrônicos e automóveis. Basta comparar uma calça jeans Levi's feminina (R$ 54 na loja nova-iorquina, considerando o câmbio de R$ 1,589 de sexta-feira, e R$ 99 na brasileira), um notebook Sony Vaio (R$ 1.468,61 contra R$ 2.999), e um carro Honda Civic LXS (R$ 30.459 contra R$ 65.460).

"Tanto as taxas internas quanto as incidentes sobre importação são inferiores nos EUA", diz Ricardo Araújo, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas). A carga tributária americana está atualmente em 29% do PIB (Produto Interno Bruto) e a brasileira chegou a 38,9% no primeiro trimestre do ano. "O custo de produção das empresas no Brasil é alto também por causa dos encargos trabalhistas e dos juros. Como a demanda cresceu nos últimos anos, elas conseguem repassar tudo isso. O consumidor americano, no entanto, não aceita muitos aumentos."

"Os impostos nos EUA não são tão determinantes sobre o preço dos produtos manufaturados aqui porque o foco é a taxação do lucro, não da produção", afirma Thomas Davidoff, especialista em impostos da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Em alguns Estados, como New Hampshire, os produtos são até mais baratos porque a taxa no ato da compra é zero." Em Nova York, é de 8,735%.

"O abismo entre os valores já foi maior. No começo da década de 90, quando o presidente Collor liberalizou as tarifas de importação, tinha gente que trazia de fora até geladeira", lembra Heron do Carmo, professor da USP (Universidade de São Paulo). "A tendência é de que os preços no mundo inteiro convirjam, porque, com a globalização, aumenta a competição entre as companhias. Além disso, os sistemas econômicos das nações passam a se organizar de maneira parecida, com o câmbio flutuante, com o mesmo tipo de política monetária, de atuação do Banco Central e de agências reguladoras."

O processo de crescimento da renda do brasileiro também deve ter importantes conseqüências políticas, na opinião dos especialistas. Em todas as faixas de renda, segundo eles, as pessoas que passaram a viver uma situação um pouco mais confortável devem se mobilizar para defender as recentes conquistas, caso sintam que o país possa se desviar do caminho positivo em que entrou a partir da estabilização da moeda.

Os gastos com vestuário pesam mais que o triplo no orçamento das famílias de classe média do Brasil na comparação com as dos EUA. Roupas, calçados e outros acessórios comprometem 13% do orçamento brasileiro, ante 3,99% do americano.

Em férias em Nova York com a mulher e os dois filhos, o diretor de marketing Eduardo Costa, 42, diz perceber claramente a discrepância nos preços das roupas. "São muito, muito mais baratas aqui. Comprei um terno em Nova York que custou US$ 250 [cerca de R$ 400], mas que sairia por pelo menos R$ 1.000 em São Paulo", diz ele, que já havia estado na cidade em novembro para passeios e compras, e voltou, desta vez, preparado para aproveitar as oportunidades de consumo.


Alimentação é outro item que responde por uma fatia maior das despesas da classe média brasileira. Corresponde a 19% no orçamento total, contra 15,92% nos Estados Unidos.

A comparação é baseada em dados da pesquisa TNS Inter- Science, no Brasil, com famílias com renda mensal de R$ 6.500 a R$ 12 mil, e informações do governo americano sobre gastos de trabalhadores assalariados, que o escritório de estatísticas do Departamento de Trabalho toma como referência para classe média -nesse grupo, a renda média mensal de uma família sustentada por duas pessoas, como pai e mãe, por exemplo, é de US$ 8.000 (cerca de R$ 12,7 mil). Ao contrário da tabela brasileira, contudo, a americana não detalha o dinheiro destinado a investimentos, que, segundo a pesquisa, é de 7% no Brasil.

As vantagens percentuais em diversos itens do orçamento, é claro, se revertem em ao menos um item. Hospedado em hotel enquanto passeia pela maior cidade dos EUA, Costa passa longe do gasto que mais pesa para os americanos, a moradia.

Os gastos médios da população de classe média com habitação (aluguel, condomínio, energia elétrica etc), de 11% no Brasil, chegam a comprometer 40% do orçamento médio americano. Contudo, o orçamento com habitação nos Estados Unidos inclui, em grande parte do país, despesas que não são comuns nos lares brasileiros, como óleo para sistema de aquecimento da casa.

Entre os gastos com educação (que compreendem despesas com mensalidades de escolas ou faculdades e livros, entre outros itens), a diferença também é grande.

A parcela da classe média brasileira retratada na pesquisa TNS InterScience gasta, em média, 11% de seu orçamento com estudo. Entre os norte-americanos, a fatia é de 2,38%.
Estas informações nos levam a outras, da mesma edição da Folha de São Paulo:
O crescimento econômico dos últimos anos alçou cerca de 20 milhões de pessoas à classe C -que passou a abrigar a maior parte da população brasileira-, mas também empurrou para cima as camadas mais elevadas da classe média e está fazendo com que os hábitos de consumo desse grupo passem por uma transformação.

Devido à abundância de crédito, a classe C tem acesso, agora, a produtos que anteriormente não podia adquirir, como TV de plasma e tocador de MP3. Assim, à fatia da população que está mais acima na pirâmide não basta exibir esses produtos -tem que ser o último modelo, o de qualidade superior, o mais caro, o exclusivo.


Na opinião de Elizabeth Salmeirão, diretora de Retail & Shopper Insights da empresa de pesquisas TNS InterScience, existe até uma faixa que está mal atendida, a da classe média alta. "É um público que não precisa parcelar, que tem mais dinheiro para gastar com restaurantes e viagens, mas fica "espremido" entre o poder de compra crescente das classes B e C e as categorias de luxo, na qual não se enquadra", explica. "Os valores dessas famílias são diferentes. Elas não são emergentes, elas têm escolaridade, formação cultural, dão valor para a qualidade de vida."

A empresa de pesquisas Market Analysis realizou sondagem dos sentimentos do consumidor da classe média em 2006, repetiu-a neste ano e teve uma surpresa com os resultados. Questionado se tem todas as coisas materiais de que precisa, a porcentagem dos discordam subiu de 28% para 34%.

"Acontece o oposto do que se dá na América do Norte e na Europa. Notamos que o brasileiro mostra ter muito mais apego pelos bens materiais agora do que tinha antes", afirma Fabián Echegaray, diretor da consultoria. "É uma fascinação com esses itens, como se a quantidade definisse a identidade das pessoas. Quanto mais se tem, mais se quer."

Para Echegaray, trata-se mais de um problema de "digestão" do que de "olho gordo". "O avanço, no Brasil, se deu rápido demais e depois de quase 20 anos de recessão. Havia se acumulado um alto grau de privação. Nos outros países, foi gradual."

O IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) diz que o sistema tributário brasileiro provoca desiguladade social ao taxar o consumo. "Dessa maneira, famílias de todas as faixas de renda pagam impostos iguais. O comprometimento do orçamento é maior para quem ganha menos. O governo deveria mudar o sistema para tributar rendimentos e patrimônio, o que significaria mais equilíbrio", defende Gilberto Luiz Amaral, presidente da entidade.

Essa é a principal diferença entre o sistema brasileiro e o americano.
Mudar a estrutura beneficiaria todo o país, pois, na avaliação de Amaral, democratizaria o acesso aos produtos que tornam a vida melhor e, ainda, à informação. "O Brasil faria distribuição de renda mais rápido, essa é a verdade." O consumo, para ele, também cresceria em todos os estratos.
São dados simplificados, é verdade, mas capazes de demonstrar de forma bastante clara as diferenças do varejo nos EUA e no Brasil - aliás, não só do varejo, mas da economia como um todo.

A diferença da tributação é outro ponto que merece grande atenção - pois o consumidor brasileiro é escorchado pelo governo, não recebe nada em troca (saúde, educação, segurança etc) - mas também não reclama....

12 de setembro de 2008

Os consumidores e os cartões

O comportamento do consumidor é sempre um bom ponto de partida para começar a elaborar um bom planejamento.

A matéria abaixo, do portal InfoMoney, ajuda a dimensionar isso:
Atualmente, apenas 27,24% dos 10.247.971 microempresários do País usam cartão de crédito. Os outros 72,76% não usam. O problema é que o uso dos meios eletrônicos de pagamento é essencial para a competitividade das empresas.
O assunto será debatido na quarta edição do C4 - Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor, que será realizado entre os dias 27 e 29 de agosto no Hotel Transamérica, na capital paulista.
"A principal novidade será o debate de assuntos que antes eram tendências e que, agora, são realidade para o setor", explicou o sócio-diretor da Partner Conhecimento e promotor do Congresso C4, Álvaro Musa. "Por exemplo, os pagamentos via celular e as parcerias dos players de cartões com as redes de telefonia já são realidade e nós estaremos discutindo com eles o sucesso dessas operações", acrescentou ele.

Entre os principais assuntos a serem abordados, estão bandeiras após IPOs, convívio entre celular, cartão e POS, inclusão dos "sem cartão" no mercado de meios eletrônicos de pagamento, uso consciente do crédito e bolha do crédito ao consumidor. Já as palestras irão contemplar o movimento dos varejistas e bancos na conversão de cartões 'private label' em híbridos, a regulamentação do setor de cartões, a fidelização, a sustentabilidade, os seguros, entre outros.

Os temas serão debatidos simultaneamente, em quatro espaços diferentes, por cerca de cem especialistas que trarão aos congressistas exemplos de histórias de sucesso do dia-a-dia do mercado de meios eletrônicos de pagamento e crédito. "Com todas essas inovações, esperamos um público de mais de 2 mil pessoas ao longo de três dias de trabalho. Até agora, já verificamos um crescimento de 30% na efetivação de inscrições no C4 em relação ao mesmo período de 2007", destaca Musa.
As pequenas e médias empresas devem estar atentas ao comportamento do consumidor, pois a aceitação aos cartões de crédito tem crescido - portanto, no hora de planejar as políticas de precificação, é crucial verificar o impacto (financeiro, inclusive) da adoção dos cartões como uma das formas de pagamento.

E, por falar em cartões de crédito, operadoras e bandeiras, sugiro a leitura desta notícia, AQUI.
Ela trata de um estudo sobre o sistema financeiro brasileiro.

Eu destaco um trecho da matéria:
Os bancos receberam a pior pontuação, ficando em último lugar entre os 52 países. Dentro desse parâmetro, foram avaliados o tamanho, a eficiência e a abertura de informações ao mercado
Preciso dizer que eu concordo com isso ? Para quem acompanha o blog, nem é preciso....
Mas para o consumidor que estiver realmente interessado em fazer valer seus direitos, e pressionar esses bancos malditos no sentido de cumprirem as regras, vale a pena ESTA LEITURA.

22 de maio de 2008

Responsabilidade social ou política de descontos

Quando eu achava que já tinha visto, lido e ouvido toda a sorte de modismo vazio e sem sentido, acabo sendo surpreendido......
Eis o que eu li (os grifos, em negrito, são meus):

Para saber a diferença entre o Faturamento Potencial e o Faturamento Bruto de sua Instituição de Ensino Superior, de forma simples e objetiva.
1. Faturamento Potencial. Multiplique pelo número de matriculados em sua escola o valor da mensalidade que você anuncia. O preço cheio (que em muitas escolas é meramente ilustrativo).

2. Faturamento Bruto. Obtém-se com as mensalidades pagas pelos seus alunos (descontando a inadimplência e a evasão). Ao dividir-se o Faturamento Bruto pelo número de alunos da escola têm-se o Ticket Médio da Escola.

Por fim subtraia o valor “Ideal”, do Faturamento Potencial, do valor “concreto” do Faturamento Bruto. Esse Delta é a renúncia de receita que a IES concede por meio de Bolsas e Descontos que oferece aos seus estudantes.


Essa renúncia pode ser classificada como um investimento em “responsabilidade social”, posto que permite o acesso ao Ensino Superior a estudantes sem condições de pagar o valor concreto da mensalidade
. Ao Multiplicar essa renúncia mensal, pelas parcelas de todo ano letivo os números tendem a ser estratosféricos. E deveriam se contabilizados no balanço social da escola, parte de suas ações de Marketing Educacional.


A Renúncia de Receita tornou-se uma prática de mercado. Das faculdades privadas, 91% oferecem desconto e as “Bolsas” são estratégia para atrair clientes em um mercado cada vez mais concorrido.

Entre os valores anunciados (ideais) e aqueles praticados (reais), existe uma diferença, que deve ser contabilizada na conta da responsabilidade social da Instituição.


[...] Os critérios utilizados hoje são internos e, por vezes, pouco criteriosos. Na maioria das vezes, os benefícios são dados pela própria instituição - e não por programas governamentais - por razões como mérito acadêmico, idade ou até para alunos transferidos de outras universidades.


[...] O crescimento no número de bolsas e descontos acompanha a explosão da oferta. Quanto mais vagas, menos candidatos, mais as escolas irão brigar por preços.


Por questões de espaço e foco, reproduzi apenas alguns trechos do texto original, que está aqui na íntegra.
Vou me abster de comentar o trecho "os critérios (...) são pouco criteriosos" porque não sou especialista em critérios criteriosos e critérios pouco criteriosos. Não apenas não sou especialista nisso, como sequer entendo o que seriam "critérios pouco criteriosos".....

Agora, as menções à (maldita!) "RESPONSABILIDADE SOCIAL" são de matar.
Quer dizer que baixar preços é uma ação de RESPONSABILIDADE SOCIAL ?
O raciocínio é o seguinte: se eu baixo meus preços, um número maior de clientes potenciais pode tornar-se cliente efetivo (mercado penetrado); com isso, mais gente tem acesso ao meu produto....o que seria, neste raciocínio torpe, uma ação de "inclusão social".....

É isso mesmo ?!
Então se a Daslu baixar o preço de uma bolsa Louis Vuitton de R$ 10.000,00 para R$ 4.000,00, ela estaria tomando uma ação de RESPONSABILIDADE SOCIAL ???????

Ora, é lógico que com um preço menor, um maior número de pessoas pode comprar a bolsa, certo ?! Então..... Cada vez que eu concedo algum tipo de desconto eu estaria promovendo responsabilidade social ??????????

Essa coisa de RESPONSABILIDADE SOCIAL é, além de um termo absolutamente vazio, inexpressivo e sem nenhum sentido, uma bobagem. Um modismo burro.

A empresa que contribuiu financeiramente com alguma "instituição de caridade" (que atenda crianças, doentes, idosos ou qualquer outro segmento) se acha no direito de alardear que pratica "responsabilidade social", mas omite, via de regra, que consegue um belíssimo desconto no imposto de renda a pagar ao final do exercício-fiscal.

Como se não bastasse, o próprio conceito de RESPONSABILIDADE SOCIAL é um acinte à inteligência.
Senão, vejamos: segundo o Instituto Ethos (aqui), observar a lei em todos seus aspectos já é uma base de responsabilidade social. Como assim ????????
Cumprir a lei é uma OBRIGAÇÃO CIVIL de todos os cidadãos e empresas, e não tem NADA a ver com responsabilidade social !!!!!!!
Trata-se do mesmo tipo de confusão criada pela busca desenfreada de aparecer na mídia - mas não deixa de ser uma burrice patética, como fica muito claro aqui.

Para aqueles que ainda não pararam para refletir sobre o vazio conceitual que representa a RESPONSABILIDADE SOCIAL, recomendo a leitura de um artigo: da autoria de Elvira Cruvinel Ferreira Ventura, intitulado Responsabilidade social das empresas sob a óptica do “Novo Espírito do Capitalismo”, o artigo foi publicado no Encontro Anual da ANPAD, de 2003.

Usei este artigo para escrever uma análise sobre a RSE (Responsabilidade Social Empresarial), que ainda não posso disponibilizar aqui na íntegra pois foi remetido a um evento que exige ineditismo do paper. Porém, um pequeno trecho eu posso adiantar:

Para Ventura (2003), o isomorfismo é uma das explicações para a propagação do conceito e disseminação da prática de RSE: as organizações podem muitas acabar adotando o discurso da responsabilidade social sem questionar o que este conceito realmente significa, sem rever valores ou crenças, com o objetivo exclusivo de se legitimar perante a sociedade.

Em conclusão, Ventura analisa que, sob o aspecto coercitivo, as organizações mais fortes obrigam as empresas de sua cadeia produtiva (geralmente composta por inúmeras organizações menores, com menos poder de negociação e menos recursos) a adotar práticas similares às suas, impondo ações que considerem importantes sob a alcunha de responsabilidade social.

Sob o aspecto mimético, para a autora, as organizações copiam as práticas de outras, que julgam de ponta, inclusive como estratégia de posicionamento de mercado. Muitas dimensões da RSE — como, por exemplo, a dimensão pública/política — são deixadas de lado nas análises existentes até o momento, sendo o movimento inquestionavelmente aceito como positivo para o bem comum, pela maioria das pessoas. Assim sendo, uma empresa que não se insere no movimento pela responsabilidade social passa a ser criticada e punida — mais em decorrência da institucionalização e aceitação da idéia da RSE do que pela motivação e relevância intrínsecas às suas proposições.

Ademais, o movimento pela RSE não seria fruto simplesmente de uma mudança desejada pela sociedade, da crítica, mas também um deslocamento do capitalismo visando combater a crítica. Ou seja, os deslocamentos do capitalismo e as transformações nos dispositivos que os acompanham contribuem para desmantelar a crítica, que se torna inoperante, dando-lhe uma nova possibilidade de acumulação e lucros. Esta seria uma forma de o capitalismo sobreviver, transformando-se todas as vezes em que tiver que atentar para a crítica que lhe é feita, conformando um novo espírito legitimador e justificador de suas práticas, que garanta o engajamento das pessoas.

A construção de um novo espírito do capitalismo é necessária não apenas do ponto de vista humanista, mas também para perpetuação do próprio capitalismo — e são exatamente os movimentos críticos que informam o capitalismo dos riscos que o ameaçam. No âmbito da RSE, seguindo esta linha de raciocínio, são inúmeros atores sociais alertando que é preciso mudar o comportamento da organização — e, não tendo sido mais possível fugir desta crítica, acabou-se por acatá-lo. Diante disso, as empresas passam a agir conforme estipulam as novas demandas, o que, no limite, resulta na legitimação o movimento pela em prol da RSE.



Como se não bastasse esse acúmulo de "petardos da ignorância", temos o tal "BALANÇO SOCIAL".....

Sobre este "instrumento" de divulgação da (maldita!) RSE, localizei este texto (aqui, na íntegra):
A função principal do balanço social da empresa é tornar público a responsabilidade social da empresa. Isto faz parte do processo de por as cartas na mesa e mostrar com transparência para o público em geral, para os atentos consumidores e para os acionistas e investidores o que a empresa está fazendo na área social. Assim, para além das poucas linhas que algumas empresas dedicam nos seus balanços patrimoniais e dos luxuosos modelos próprios de balanço social que estão surgindo, é necessário um modelo único - simples e objetivo. Este modelo vai servir para avaliar o próprio desempenho da empresa na área social ao longo dos anos, e também para comparar uma empresa com outra. Empresa que cumpre seu papel social atrai mais consumidores e está investindo na sociedade e no seu próprio futuro. E mais ainda, tem o direito, antes do dever, de dar publicidade às suas ações. Porém, esta propaganda será cada vez mais honesta e verdadeira, na justa medida em que utilizar parâmetros iguais e permitir comparações por parte dos consumidores, investidores e da sociedade em geral.


Palavras que se pretendem contundentes, mas infelizmente são vazias.
Como eu já cansei de dizer: não conheço NINGUÉM que tenha escolhido ser cliente do Bradesco ou do Itaú por conta da "responsabilidade social" propagada nas campanhas de comunicação destes bancos.
Portanto, quando se diz que uma "empresa que cumpre seu papel social atrai mais consumidores", trata-se de uma tentativa mentirosa, hipócrita e falsa utilizada como subterfúgio à vã tentativa de convencer um incauto desavisado.

Por acaso o atento leitor se recorda do caso da Nike, na década de 1990 ? A empresa foi acusada de recorrer a mão-de-obra infantil em países asiáticos como forma de reduzir os custos de produção de seus tênis (que eram vendidos no resto do mundo, especialmente países ricos, com margens de lucro altíssimas).
Por acaso houve um "colapso" nas vendas da empresa ?
Os consumidores deixaram de comprar produtos da Nike ?
NÃO.
O consumidor não está nem aí para estas bobagens inventadas pelos desesperados por barulho.

Contudo, o mais grave MESMO é afirmar que redução de preços (seja na forma de bolsas, descontos, cupons, seja na forma de preços promocionais por tempo determinado) representa uma ação de RESPONSABILIDADE SOCIAL.
Afirmar isso é de uma ignorância que dói.

Redução de preços tem relação com tentativa de aumentar a base de clientes, gerar um incremento no fluxo de caixa, atraiar a atenção dos clientes potenciais etc.
Mas não tem NADA a ver com responsabilidade social !!!!!

Mas as faculdades viram o número de concorrentes aumentar, mais vagas sendo oferecidas...
É tão lógico, tão básico e tão óbvio que se trata apenas e tão somente de uma estratégia de precificação mais ousada, mais agressiva, em virtude do aumento da concorrência no setor.

Por que muitas pessoas tentam complicar (e florear, inventar, ludibriar) coisas tão simples ?!

 

15 de maio de 2008

Multi-marcas e multi-tarefas

Um texto publicado pelo portal HSM (aqui, na íntegra) trata de um assunto que andei comentando recentemente nas aulas: diversificação de UENs e portfólio de produtos.
Eis os trechos mais relevantes:

Uma estratégia que ainda não está muito difundida é a utilização de novos produtos ou marcas, produzidos pelos fabricantes que praticam preço alto, para impedir o crescimento dos concorrentes que praticam preços baixos. A mais básica versão dessa estratégia é o lançamento de um segundo produto com foco no principal concorrente de preços baixos. O objetivo é enfraquecer a posição de mercado dos concorrentes de preços baixos evitando assim um eventual domínio do segmento médio e possível melhora de qualidade, que permitiria a entrada em segmentos ainda mais lucrativos.

O principal fator de sucesso para esta estratégia funcionar é a diferenciação entre os dois produtos. Ela tem de ser suficientemente grande para que minimize o risco de canibalização da marca superiror. Independentemente do nível de diferenciação, a empresa deverá prever alguma migração de volume de vendas do produto mais caro para o mais barato. Alternativas para que isso não afete a rentabilidade se relacionam com a utilização de níveis maiores de segmentação de produtos. Por exemplo, oferecer uma outra versão acima do principal produto para compensar a perda de faturamento com o produto de menor preço.

Voltando a estratégia de dois produtos, algumas considerações precisam ser apontadas como importantes para a diferenciação ser bem sucedida.

  • preço: com o objetivo de competir com o segmento de baixo preço, é fundamental que o do novo produto seja atrativo o suficiente para competir no mercado dos produtos de baixo preço.
  • distribuição: preferencialmente, canais de distribuição diferentes poderão auxiliar na estratégia. Televendas, internet, distribuidores poderão ser alternativas mais econômicas que a utilização de força de vendas direta.
  • qualidade: obrigatoriamente, o produto de menor preço deverá apresentar alguns atributos inferiores ao produto mais Premium. O fabricante poderá reduzir garantias, alterar a qualidade da embalagem, do nível de serviço, entre outras opções.
  • nova marca: defendo a idéia de que a melhor estratégia é sempre lançar outra marca. Utilizando outra marca para o produto de preço baixo, reduz-se a transparência da estratégia da empresa para o mercado.
O primeiro ponto que eu destaco: a boa demonstração da interligação entre alguns dos mais importantes (e essenciais) elementos do marketing - o texto cita preço, distribuição (praça), qualidade e marca. Sinto falta apenas do composto de promoção & comunicação....

Mas, ainda assim, o texto apresenta boas idéias. Ainda mais neste momento da Economia brasileira, no qual as classes C, D e E têm demonstrado crescimento forte. Empresas acostumadas apenas a um portfólio de produtos/serviços formado por ofertas de alto valor agregado (e, conseqüentemente, caras) devem considerar a possibilidade de rever suas estratégias.

7 de abril de 2008

Tarifas bancárias em alta

Já tratei sobre a questão das tarifas bancárias aqui no blog - mas elas merecem discussões permanentes por serem uma forma tão descarada de lesar o cliente com anuência de um (des)governo omisso e incomPTente.

A matéria abaixo é da Folha de São Paulo, do dia 01/04/2008 (na íntegra, aqui):

Os consumidores já podem saber o valor das tarifas que serão cobradas pelos bancos a partir do dia 30 pelos serviços considerados prioritários pelo Banco Central e que só poderão ser majoradas 180 dias depois, segundo determinação do órgão. Para driblar o "congelamento", no entanto, algumas instituições financeiras já aumentaram os preços ou vão passar a cobrar por serviços que antes eram gratuitos.

Levantamento da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) comparando as tarifas cobradas em janeiro de 2007 com março deste ano mostrou que houve elevações significativas.

Como a resolução do Banco Central saiu no início de dezembro, não é possível mensurar qual parte do reajuste pode ser creditada ao "congelamento" imposto por seis meses. No banco Safra, por exemplo, houve majoração de 150% na tarifa cobrada pelo fornecimento de talão de cheque, contra uma inflação medida pelo IPCA de 5,54% para o período.

Já na Caixa Econômica Federal, a variação foi de 33%. Houve aumentos expressivos também na comparação entre os preços que serão cobrados a partir do dia 30 com os que estão em vigor agora. O Itaú vai subir de R$ 15 para R$ 150 a tarifa para confecção de cadastro de novos clientes.

Já quem quiser abrir uma conta no Unibanco, que atualmente não cobra nada por esse serviço, terá de desembolsar R$ 120, assim como no Real, que passará a cobrar R$ 60.

Desde ontem, os bancos são obrigados a divulgar os valores nas agências e nos sites, além da lista dos serviços considerados essenciais, que não poderão ser cobrados, como emissão de dez folhas de cheques e quatro saques no caixa ou no auto-atendimento por mês. Algumas instituições não estavam cumprindo ontem a determinação .


Com a ferramenta em vigor desde o mês passado, os bancos são obrigados a informar qual o percentual anual de juros resultante de todas as taxas e encargos, como TAC (Taxa de Abertura de Crédito), IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e seguros, o que facilita a comparação entre instituições.

Outra conseqüência da nova regulamentação é saber quanto realmente variou a arrecadação apenas com os serviços prioritários. Ademiro Vian, assessor técnico da Febraban, ressalta que os ganhos com tarifas bancárias divulgados atualmente incluem itens como a taxa de administração dos fundos de investimento, o que, segundo ele, distorce os dados.

Os bancos também terão que oferecer um pacote de serviços padronizado, com a quantidade mínima de saques e extratos mensais inclusos, entre outros itens, determinados pelo BC. Os pacotes já disponíveis podem continuar a ser oferecidos.

As tarifas dos serviços prioritários e dos pacotes dos maiores bancos do país foram compiladas no Star (Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços Financeiros da Febraban) e podem ser consultadas no site www.febraban-star.org.br.
O sistema já existia desde o ano passado e, para viabilizar a comparação, a federação padronizou tarifas que usualmente incidem na conta corrente. Já a uniformização de nomenclatura e a redução de 55 para 20 da quantidade de tarifas que podem ser cobradas e "congeladas" foram decididas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 6 de dezembro último.

O que fica claro e cristalino é que, MAIS UMA VEZ, os consumidores pagarão o pato devido à incomPTência exacerbada do governo, além da falta de concorrência do setor - um verdadeiro cartel. A semelhança entre os valores cobrados pelos bancos é um ultraje.

Não precisa ser muito inteligente para ver que se trata de pura falta de concorrência.

23 de janeiro de 2008

RESPONSABILIDADE SOCIAL EM QUEDA

Já tratei, num post anterior, do tal "marketing verde" (ou qualquer nomenclatura igualmente vazia que se pretenda dar ao termo), e agora vou reproduzir uma nota curtinha que li na Folha de São Paulo do dia 20 de Janeiro último:
A preocupação dos consumidores com ações de responsabilidade social e ambiental está em queda. Em 2006, esse tipo de ação foi considerada item muito importante para 51% dos consumidores. Em 2007 o número não passou de 42%.
A conclusão é de pesquisa da TNS InterScience que perguntou o que é indispensável para uma empresa ser vista como uma organização que respeita o consumidor. Foram entrevistadas 1.250 pessoas em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte, homens e mulheres com mais de 18 anos.
O levantamento considerou atributos como qualidade, preço, propaganda ética, responsabilidade social e ambiental, atendimento e monitoramento da satisfação do consumidor.
A principal razão da mudança, segundo Roberto Meir, um dos coordenadores da pesquisa, é a "commoditização" do assunto responsabilidade. O investimento em ações sociais e ambientais passou a ser visto pelo cliente como um item básico e não mais como algo que possa influenciar a compra.
"Responsabilidade social não enche barriga. Se o consumidor vai comprar um suco, primeiro ele pensa em preço, qualidade, atendimento. Não vai pagar um centavo a mais pela embalagem responsável", diz Meir.
Segundo ele, a mudança também se explica pela emergência do consumidor de baixa renda, que não pode pensar em responsabilidade social na hora do consumo. "Ele não pode errar na compra. Não tem dinheiro para ficar jogando produto no lixo se não gostou."
Atributos como qualidade, atendimento e preço aumentaram em relação ao ano anterior.
No índice geral, a qualidade subiu de 61% para 65%.
O atendimento, que já aparecia como essencial para os consumidores, cresceu, citado por 63% em 2007, contra 58% no ano anterior.
O quesito qualidade na avaliação por classe aparece com 63% na classe C e 70% na B, em nível de importância. Na análise por região, verificou-se que a população nordestina se preocupa menos com qualidade.
Na separação por segmentos, entre as empresas apontadas como as que mais respeitam o consumidor aparecem Casas Bahia, Carrefour, Bompreço, C&A, Drogasil, McDonald's, Coca-Cola, Sadia, Bradesco, Vivo e Porto Seguro.

Os "gurus" da responsabilidade social devem estar com os cabelos em pé......
Aposto 2 latinhas de Coca-Cola, geladinhas, que os consumidores pesquisados não seriam capazes de indicar uma única ação de "responsabilidade social" destas empresas citadas que tenha contribuído para a sua escolha como uma das empresas que mais respeitam o consumidor.
Alguém aceita a aposta ????

Esta discussão sobre a "responsabilidade social", no Brasil, é engraçada.....

Primeiro porque o Brasil é o único país no qual as milhares de Organizações Não Governamentais são mantidas graças a dinheiro do governo. É um contra-senso total ! Que tal, então, adotar a designação de "OG" ao invés de ONG ? Afinal, se o governo é quem sustenta estas organizações, por que raios elas usam o termo "não governamental" ? São totalmente "governamentais", porque 99,99% delas não existiriam se não fosse pelo dinheiro do governo - que, no limite, é dinheiro público, que pertence aos cidadãos.

Segundo ponto: vejo muita coisa sendo dita, escrita e inventada sobre "responsabilidade social". Mas infelizmente, os argumentos que são utilizados na maior parte do tempo não se justificam.

No Brasil, em especial, NUNCA houve nenhum tipo de levantamento (amostral ou censitário) que comprovasse, por exemplo, que o consumidor está disposto a pagar muito mais caro por um produto "socialmente responsável". O mesmo vale para o "ambientalmente responsável".
A mídia vem fazendo bastante alarido, vem claramente massificando a questão ambiental em particular.
Como eu já citei aqui no blog, não tenho rigorosamente nada contra proteger o meio-ambiente - mas tenho tudo contra a utilização de ações desta natureza como argumento de venda ou como propaganda enganosa.

As empresas citadas na pesquisa (Drogasil, Coca-Cola, Porto Seguro, Carrefour etc) não são vistas como as que melhor atendem aos clientes devido às ações de "responsabilidade social", mas porque entregam qualidade no atendimento.

Simples e direto.
Mas tem gente que descarta o simples e tenta inventar uma explicação mirabolante, que passa pela ajuda da empresa na proteção da população de índios de um local remoto da Amazônia.
Bobagem, pura e simples.

5 de outubro de 2007

Marketing inverso

Ahn, esses "modismos" que cercam não apenas o Marketing, mas a Administração no geral......

A despeito do valor intrínseco das matérias (reportagens, entrevistas etc) que a Revista HSM-Management traz, bimestralmente, eles também adoram um exagero, um modismo....

Recentemente, cunharam a expressão "marketing inverso".
Como exemplo do tal "marketing inverso", fizeram um enquete, descrita assim: Na era do marketing inverso, os clientes é que nos dizem o quanto estão dispostos a pagar por um produto ou serviço. A partir desta afirmação, perguntamos a opinião de nossos cadastrados no portal e dos participantes do Fórum Mundial de Estratégia e Marketing 2007 qual é a solução para enfrentar a hipercompetição.
Antes de discutir esse ponto, vamos aos resultados da enquete:
67% dos respondentes escolheram a opção "não ceder à pressão, investir em inovação de produtos e serviços para se diferenciar da concorrência";
31% escolheram "compensar a transparência de preços com transparência de valor" (seja lá o que isto signifique!);
2% optaram por "ceder à pressão e oferecer o produto por um menor preço".

Após estes resultados, a publicação convidou dois professores da área a analisarem as respostas da enquete:
Prof. Dr. Edson Crescitelli, coordenador acadêmico da pós-graduação da ESPM e professor da FEA/USP - A hipercompetição é uma realidade para a maioria dos setores de negócios e uma mera questão de tempo para chegar aos poucos setores que ainda não vivem essa realidade. Portanto, não há como evitá-la.
A maioria dos respondentes indicou a opção “não ceder à pressão, investir em inovação de produtos e serviços para se diferenciar da concorrência”. Essa resposta indica que, na opinião dos pesquisados, a simples redução de preço não é a melhor solução. Isso é um bom sinal, pois a simples redução de preço –embora seja uma alternativa muito adotada por ser uma solução mais simples e imediatista– na maioria das vezes corrói a lucratividade, é facilmente seguida pelos concorrentes e, pior, pode levar o setor a uma guerra de preços.
Porém, existem também outros aspectos que devem ser considerados em relação à opção mais votada. Pode-se interpretar que a resposta indica que agregar mais valor aos produtos ou serviços ofertados é uma forma de fugir da redução de preço, pois quanto mais valor, maior a disposição do cliente em pagar pelo produto, o que se configura em uma alternativa à redução de preço.
Contudo, é sempre bom ressaltar que agregar valor ao produto implica em esforços complementares nas análises e desenvolvimento de estratégias, além é claro, de custos adicionais. O problema é que nem sempre o acréscimo de custos pode ser repassado no preço final. A competitividade exige ofertar mais pelo mesmo preço. Portanto, é preciso tomar muito cuidado para que o valor agregado não comprometa a lucratividade.
Além disso, muitas vezes o valor agregado é facilmente equiparado pela concorrência o que tende a nivelar as condições competitivas, porém agora em um patamar superior e, em geral, sem retorno, pois o mercado rapidamente absorve esse novo padrão e não aceita um retrocesso. Esse aspecto cria, inevitavelmente, um ciclo permanente de busca por diferenciais sustentáveis. Quem lidera o processo tem o ônus de buscar sempre novas soluções e quem é seguidor fica com a obrigação de incorporar as novas soluções sob pena de perder a competitividade. Ou seja, agregar valor é melhor do que reduzir preços, mas é uma estratégia que exige cuidados para ser efetiva.

O Prof. Edson, como sempre, mantém a lucidez.
Esta discussão aqui pode ser ligada ao post anterior, que trazia a informação sobre o novo disco da banda Radiohead, que deixou que os compradores do novo álbum definissem qual o valor que gostariam de pagar pelo disco.
Questão interessante, ainda que meio "romântica" demais.....
Além disso, não chega a ser nenhuma "novidade". Pelo menos há 10 anos, o livro mais conhecido (e amplamente usado em graduações e até pós-graduações) do Marketing trata disso: Philip Kotler escreveu, anos atrás, sobre os métodos de determinação de preços, sendo um deles intitulado "determinação de preços pelo valor".
Transcrevo um pequeno trecho do livro (publicado pela Pearson Education no Brasil): um crescente número de empresas baseia seus preços no valor percebido pelo cliente. Vê as percepções de valor dos clientes, e não o custo do vendedor, como a chave para a determinação de preço. Utiliza os outros elementos do mix de marketing, como propaganda ou força de vendas, para aumentar o valor percebido pelo cliente ("Administração de Marketing", Philip Kotler, Editora Pearson/Prenctice Hall, 10a Edição, 2000, página 487).

A conclusão mais lógica é que o tal "marketing inverso", que a Management trata como uma novidade, uma "nova era", não tem nada de novo. Kotler, mais de 7 anos atrás, já mostrava essa possibilidade.

Ahn, esses modismos...............