28 de junho de 2013

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

A matéria abaixo foi publicada no site Gizmodo, e achei interessante a ponto de reproduzir aqui no blog. Uma iniciativa como essa é excelente, mas ainda é pouco diante das necessidades monstruosas que o Brasil tem em termos de educação e conhecimento.
Dentro da Universidade de São Paulo, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi criada em 2005. O prédio construído especialmente para receber o acervo do Dr. José Mindlin, que tem mais de 40 mil volumes, só ficou pronto no começo de 2013, mas a digitalização de seu acervo começou bem antes: em 2008, foi formada a equipe que seria responsável pelo projeto da Brasiliana USP, a versão digital da Mindlin, que foi ao ar em julho de 2009. A empreitada incluía também a criação de uma plataforma de software para disponibilizar o conteúdo, além de providenciar a parte de hardware, como scanners, servidores e storage. Fomos conhecer de perto o processo de digitalização de tantos volumes raros e históricos. 
A Plataforma Corisco, nome do software open source da biblioteca, foi criada a partir do DSpace, projeto também de código aberto do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o conhecido MIT, com recursos da HP para custear o projeto. “É um software extremamente bem sucedido, com talvez centenas de instituições ao redor do mundo utilizando-o. Ele é escrito em Java, portanto tem uma tecnologia moderna voltada para a Web”, diz Edson Satoshi Gomi, coordenador de tecnologia da informação da Biblioteca Brasiliana.




Gomi, que também é professor do Departamento de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP, explica o que a Plataforma Corisco tem a mais em relação ao DSpace puro. “O que nós fizemos adicionalmente foi colocar algumas camadas que não existem no original. A primeira camada que colocamos foi uma interface web, que permite uma customização da cara, e o segundo componente que agregamos foi o que chamamos de visualizador de itens do acervo, sejam eles livros, imagens ou mapas.” 
Outras duas camadas ainda serão implementadas: uma ferramenta para gerir todo o processo de digitalização e registrar metadados e outra para a preservação digital das imagens em alta resolução. “O volume de imagens que estamos produzindo é relativamente grande e o que é mais caro nesse processo todo é este trabalho de digitalização. Portanto, julgamos importante manter este conjunto de imagens de uma forma íntegra que não se perca isso ao longo dos anos.”

Maria Bonita e suas irmãs
E este volume de imagens é realmente enorme: a Maria Bonita e suas irmãs, apelido dado pela equipe da biblioteca às máquinas fabricadas pela canadense Kirtas, são equipadas com câmeras Canon de 21 megapixels – os modelos da linha Kabis têm duas câmeras em x, cada uma virada para uma página do livro; já o modelo Skyview, voltado para a digitalização de mapas, cartazes e jornais, tem apenas uma, que se desloca em dois eixos para varrer toda a extensão do material. Cada câmera é ligada num computador que, por sua vez, é ligado a um servidor. As imagens aparecem em tempo real no monitor do scanner. 
Cada página “bruta”, por assim dizer, é uma fotografia com definição considerável (ainda que a imagem antes do recorte inclua também uma parte considerável do suporte em que o livro é colocado). “As imagens que nossos scanners produzem”, explica Gomi, “são imagens de altíssima resolução. Tipicamente, cada imagem pode ocupar uma dezena de megabytes de tamanho. Se multiplicarmos isso pela quantidade de páginas, não é incomum um livro ter vários gigabytes de tamanho.” 
O livro é posto aberto numa mesa e o scanner vira as páginas através de uma espécie de aspirador de pó, que gruda as folhas por sucção e as vira. O processo é automático, mas tem que ser acompanhado por um funcionário, que ajusta a posição do livro vez ou outra, para as imagens não ficarem tortas. A velocidade máxima é de 2.500 páginas por hora.

20 terabytes de raridades
Engana-se quem pensa que é arriscado colocar um livro raro numa máquina dessas. “Existe uma preocupação nossa com a integridade dos livros”, diz Gomi. “Mas é importante chamar a atenção de que o fato de termos um livro raro não significa que ele está em mal estado ou fragilizado, muito pelo contrário. Muitas vezes, livros antigos estão em estado tão bom que são relativamente robustos.” 
A digitalização é só o começo de todo o processo. O que se segue é bem trabalhoso: o processo de recorte e tratamento da imagem. Segundo Gomi, já foram digitalizados 20 terabytes de material, mas nem tudo está disponível para acesso justamente porque falta esta etapa, que é um gargalo no fluxo de trabalho. 
O objetivo é reduzir ao máximo o tamanho do arquivo e, ao mesmo tempo, garantir a legibilidade. Por isso, os arquivos em .pdf, cada um deles com cerca de 10MB, podem não ter exatamente a mesma cor das páginas do livro original, além de o contraste ser muito mais marcante. 
 
A última etapa é o reconhecimento dos caracteres. Se você já sofreu com um programa de OCR, sabe o quanto é difícil. Aqui o problema é ainda maior, como explica Gomi. “O OCR é ainda, digamos, um problema em aberto. Para textos impressos com caracteres modernos, ele reconhece com uma certa precisão, mas nós estamos aqui tratando de textos antigos, além de muitos manuscritos.” 
Paralelamente, são cadastrados os metadados de cada material, padronizados segundo o esquema Dublin Core, o mesmo do DSpace.
Quando está tudo pronto, o livro fica disponível no site da Brasiliana Digital. Ele pode ser visualizado na própria página sem a necessidade de plug-ins, para facilitar o uso escolar, ou baixado – é um arquivo .pdf, então talvez não fique muito bom no seu e-reader. 
Aberto para todos
Mas a disponibilização do acervo para o público não é o único produto do projeto: o código-fonte da Plataforma Corisco está aberto para quem quiser usar. O Instituto Paulo Freire, por exemplo, já adotou o sistema. Mas open source não quer dizer de graça: já foram gastos mais de R$ 3 milhões no projeto, com recursos de entidades como o BNDES e a Fapesp. 
Uma parte considerável desse valor foi para bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado. A Plataforma Corisco, além de tudo, é um projeto de pesquisa: para chegar onde está hoje, foram precisos erros e acertos. A primeira versão da edição original do livro de Hans Staden, por exemplo, foi disponibilizada com 1 gigabyte de tamanho (!) e isso só foi percebido porque um professor do grupo de desenvolvedores não conseguia baixá-lo. 
A postura de ir resolvendo cada um dos problemas encontrados parece ser intrínseca à formação de bibliotecas digitais, como explica Gomi. “Não faz muito sentido se criar um padrão de como se constrói uma biblioteca digital. Certamente, há a necessidade de se ter uma liberdade nesse sentido, porque os tipos de acervo que podem ser construídos são muito variados. Podemos ter bibliotecas digitais de livros, de músicas, até de arquitetura, porque hoje é possível fazer digitalização 3D.”
Outro ponto a ser notado é o respeito aos direitos autorais: os mais de 3 mil itens disponíveis que estão em domínio público. Segundo Gomi, são mais de 1500 acessos únicos por dia e visitantes de vários países, inclusive daqueles que não falam português. Definitivamente, a Brasiliana USP leva o acervo do Dr. José Mindlin para muito mais longe do que uma biblioteca física.

19 de junho de 2013

Algumas lições de Mises de 1979 para os protestos brasileiros de 2013

Em meio a toda a discussão gerada pela onda de protestos que têm ocorrido no Brasil, achei interessante reforçar algumas das palavras de Ludwig von Mises.
Recortei alguns trechos dos 2 primeiros capítulos de um dos livros dele que mais gosto. É um livro bastante objetivo, sem firulas. Pode ser baixado (em formatos PDF, MOBI e ePub) AQUI, gratuitamente.

Recomendo a leitura para quem deseja aproveitar este momento de (supostas) mudanças no país para refletir sobre o que deseja para o Brasil.

OBS: Como retirei os trechos do PDF, a formatação está "estranha", mas isso não impede a leitura. O mais importante é o conteúdo, mas já peço desculpas antecipadamente pela forma.

AS SEIS LIÇÕES
Ludwig  von  Mises

Traduzido  por  Maria  Luiza  Borges
7ª  Edição
Copyright  ©  Margit  von  Mises,  1979
Título  do  original  em  inglês: ECONOMIC  POLICY:  THOUGHTS  FOR  TODAY  AND  TOMORROW
Revisão  para  nova  ortografia: Núbia  Tavares
Ficha  catalográfica  elaborada  pela Biblioteca  Ludwig  von  Mises  do  Instituto  Liberal  –  RJ
Bibliotecário  Responsável:  Otávio  Alexandre  J.  De  Oliveira

CAPÍTULO  I
PRIMEIRA LIÇÃO
O   CAPITALISMO

Certas  expressões  usadas  pelo  povo  são,  muitas  vezes,  inteira-
mente  equivocadas.  Assim,  atribuem-se  a  capitães  de  indústria  e
a  grandes  empresários  de  nossos  dias  epítetos  como  “o  rei  do  cho-
colate”,  “o  rei  do  algodão”  ou  “o  rei  do  automóvel”.  Ao  usar  essas
expressões,  o  povo  demonstra  não  ver  praticamente  nenhuma  di-
ferença  entre  os  industriais  de  hoje  e  os  reis,  duques  ou  lordes  de
outrora.  Mas,  na  realidade,  a  diferença  é  enorme,  pois  um  rei  do
chocolate  absolutamente  não  rege,  ele  serve.  Não  reina  sobre  um
território  conquistado,  independente  do  mercado,  independente  de
seus  compradores.  O  rei  do  chocolate  –  ou  do  aço,  ou  do  automó-
vel,  ou  qualquer  outro  rei  da  indústria  contemporânea  –  depende
da  indústria  que  administra  e  dos  clientes  a  quem  presta  serviços.

Esse  “rei”  precisa  se  conservar  nas  boas  graças  dos  seus  súditos,  os
consumidores:  perderá  seu  “reino”  assim  que  já  não  tiver  condições
de  prestar  aos  seus  clientes  um  serviço  melhor  e  de  mais  baixo  custo
que  o  oferecido  por  seus  concorrentes.

Duzentos  anos  atrás,  antes  do  advento  do  capitalismo,  o  status
social  de  um  homem  permanecia  inalterado  do  princípio  ao  fim  de
sua  existência:  era  herdado  dos  seus  ancestrais  e  nunca  mudava.
Se  nascesse  pobre,  pobre  seria  para  sempre;  se  rico  –  lorde  ou  du-
que  –,  manteria  seu  ducado,  e  a  propriedade  que  o  acompanhava,
pelo  resto  dos  seus  dias.

No  tocante  à  manufatura,  as  primitivas  indústrias  de  beneficia-
mento  da  época  existiam  quase  exclusivamente  em  proveito  dos
ricos.  A  grande  maioria  do  povo  (90%  ou  mais  da  população  eu-
ropeia)  trabalhava  na  terra  e  não  tinha  contato  com  as  indústrias
de  beneficiamento,  voltadas  para  a  cidade.  Esse  rígido  sistema  da
sociedade  feudal  imperou,  por  muitos  séculos,  nas  mais  desenvol-
vidas  regiões  da  Europa.

Contudo,  a  população  rural  se  expandiu  e  passou  a  haver  um  ex-
cesso  de  gente  no  campo.  Os  membros  dessa  população  excedente,
sem  terras  herdadas  ou  bens,  careciam  de  ocupação.  Também  não
lhes  era  possível  trabalhar  nas  indústrias  de  beneficiamento,  cujo
acesso  lhes  era  vedado  pelos  reis  das  cidades.  O  número  desses
“párias”  crescia  incessantemente,  sem  que  todavia  ninguém  sou-
besse  o  que  fazer  com  eles.  Eram,  no  pleno  sentido  da  palavra,
“proletários”,  e  ao  governo  só  restava  interná-los  em  asilos  ou  ca-
sas  de  correção.  Em  algumas  regiões  da  Europa,  sobretudo  nos
Países  Baixos  e  na  Inglaterra,  essa  população  tornou-se  tão  nu-
merosa  que,  no  século  XVIII,  constituía  uma  verdadeira  ameaça  à
preservação  do  sistema  social  vigente.

Hoje,  ao  discutir  questões  análogas  em  lugares  como  a  Índia  ou
outros  países  em  desenvolvimento,  não  devemos  esquecer  que,  na
Inglaterra  do  século  XVIII,  as  condições  eram  muito  piores.  Na-
quele  tempo,  a  Inglaterra  tinha  uma  população  de  seis  ou  sete  mi-
lhões  de  habitantes,  dos  quais  mais  de  um  milhão  –  provavelmente
dois  –  não  passavam  de  indigentes  a  quem  o  sistema  social  em  vigor
nada  proporcionava.  As  medidas  a  tomar  com  relação  a  esses  deser-
dados  constituíam  um  dos  maiores  problemas  da  Inglaterra.

Outro  sério  problema  era  a  falta  de  matérias-primas.  Os  in-
gleses  eram  obrigados  a  enfrentar  a  seguinte  questão:  que  faremos,
no  futuro,  quando  nossas  florestas  já  não  nos  derem  a  madeira  de
que  necessitamos  para  nossas  indústrias  e  para  aquecer  nossas  ca-
sas?  Para  as  classes  governantes,  era  uma  situação  desesperadora.
Os  estadistas  não  sabiam  o  que  fazer  e  as  autoridades  em  geral  não
tinham  qualquer  ideia  sobre  como  melhorar  as  condições.

Foi  dessa  grave  situação  social  que  emergiram  os  começos  do
capitalismo  moderno.  Dentre  aqueles  párias,  aqueles  miseráveis,
surgiram  pessoas  que  tentaram  organizar  grupos  para  estabelecer
pequenos  negócios,  capazes  de  produzir  alguma  coisa.  Foi  uma
inovação.  Esses  inovadores  não  produziam  artigos  caros,  acessí-
veis  apenas  às  classes  mais  altas:  produziam  bens  mais  baratos,  que
pudessem  satisfazer  as  necessidades  de  todos.  E  foi  essa  a  origem
do  capitalismo  tal  como  hoje  funciona.  Foi  o  começo  da  produção
em  massa  –  princípio  básico  da  indústria  capitalista.  Enquanto
as  antigas  indústrias  de  beneficiamento  funcionavam  a  serviço  da
gente  abastada  das  cidades,  existindo  quase  que  exclusivamente
para  corresponder  às  demandas  dessas  classes  privilegiadas,  as  no-
vas  indústrias  capitalistas  começaram  a  produzir  artigos  acessíveis
a  toda  a  população.  Era  a  produção  em  massa,  para  satisfazer  às
necessidades  das  massas.

Este  é  o  princípio  fundamental  do  capitalismo  tal  como  existe
hoje  em  todos  os  países  onde  há  um  sistema  de  produção  em  massa
extremamente  desenvolvido:  as  empresas  de  grande  porte,  alvo  dos
mais  fanáticos  ataques  desfechados  pelos  pretensos  esquerdistas,
produzem  quase  exclusivamente  para  suprir  a  carência  das  massas.

As  empresas  dedicadas  à  fabricação  de  artigos  de  luxo,  para  uso  ape-
nas  dos  abastados,  jamais  têm  condições  de  alcançar  a  magnitude
das  grandes  empresas.  E,  hoje,  os  empregados  das  grandes  fábricas
são,  eles  próprios,  os  maiores  consumidores  dos  produtos  que  nelas
se  fabricam.  Esta  é  a  diferença  básica  entre  os  princípios  capitalis-
tas  de  produção  e  os  princípios  feudalistas  de  épocas  anteriores.
Quando  se  pressupõe  ou  se  afirma  a  existência  de  uma  diferen-
ça  entre  os  produtores  e  os  consumidores  dos  produtos  da  grande
empresa,  incorre-se  em  grave  erro.  Nas  grandes  lojas  dos  Estados
Unidos,  ouvimos  o  slogan:  “O  cliente  tem  sempre  razão.”  E  esse
cliente  é  o  mesmo  homem  que  produz,  na  fábrica,  os  artigos  à  venda
naqueles  estabelecimentos.  Os  que  pensam  que  a  grande  empresa
detém  um  enorme  poder  também  se  equivocam,  uma  vez  que  a  em-
presa  de  grande  porte  é  inteiramente  dependente  da  preferência  dos
que  lhes  compram  os  produtos;  a  mais  poderosa  empresa  perderia
seu  poder  e  sua  influência  se  perdesse  seus  clientes.

Há  cinquenta  ou  sessenta  anos,  era  voz  corrente  em  quase  todos
os  países  capitalistas  que  as  companhias  de  estradas  de  ferro  eram
por  demais  grandes  e  poderosas:  sendo  monopolistas,  tornavam  im-
possível  a  concorrência.  Alegava-se  que,  na  área  dos  transportes,
o  capitalismo  já  havia  atingido  um  estágio  no  qual  se  destruira  a  si
mesmo,  pois  que  eliminara  a  concorrência.  O  que  se  descurava  era
o  fato  de  que  o  poder  das  ferrovias  dependia  de  sua  capacidade  de
oferecer  à  população  um  meio  de  transporte  melhor  que  qualquer
outro.  Evidentemente  teria  sido  absurdo  concorrer  com  uma  des-
sas  grandes  estradas  de  ferro,  através  da  implantação  de  uma  nova
ferrovia  paralela  à  anterior,  porquanto  a  primeira  era  suficiente  para
atender  às  necessidades  do  momento.  Mas  outros  concorrentes  não
tardaram  a  aparecer.  A  livre  concorrência  não  significa  que  se  possa
prosperar  pela  simples  imitação  ou  cópia  exata  do  que  já  foi  feito  por
alguém.  A  liberdade  de  imprensa  não  significa  o  direito  de  copiar
o  que  outra  pessoa  escreveu,  e  assim  alcançar  o  sucesso  a  que  o  ver-
dadeiro  autor  fez  jus  por  suas  obras.  Significa  o  direito  de  escrever
outra  coisa.  A  liberdade  de  concorrência  no  tocante  às  ferrovias,
por  exemplo,  significa  liberdade  para  inventar  alguma  coisa,  para
fazer  alguma  coisa  que  desafie  as  ferrovias  já  existentes  e  as  coloque
em  situação  muito  precária  de  competitividade.

Nos  Estados  Unidos,  a  concorrência  que  se  estabeleceu  através
dos  ônibus,  automóveis,  caminhões  e  aviões  impôs  às  estradas  de
ferro  grandes  perdas  e  uma  derrota  quase  absoluta  no  que  diz  res-
peito  ao  transporte  de  passageiros.

O  desenvolvimento  do  capitalismo  consiste  em  que  cada  ho-
mem  tem  o  direito  de  servir  melhor  e/ou  mais  barato  o  seu  clien-
te.  E,  num  tempo  relativamente  curto,  esse  método,  esse  princípio,
transformou  a  face  do  mundo,  possibilitando  um  crescimento  sem
precedentes  da  população  mundial.

18 de junho de 2013

Há protestos e protestos

Em 5 de março de 2013, houve um protesto, na Av. Paulista, contra a corrupção.

Algumas fotos deste protesto:

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Quantas pessoas foram feridas? ZERO.

Não houve nenhum impedimento criado pela Polícia Militar de SP - que recebeu a informação antes, e não interferiu, apenas isolou algumas áreas para segurança de todos.

Ninguém foi preso.

Nenhuma loja, banca de jornal, agência bancária, vidraça ou fachada foi destruída. Nenhum ônibus foi incendiado, pichado ou apedrejado.

Será que o pessoal do Movimento Passe Livre, que QUER o vandalismo e a destruição, está certo? Será que apenas quando os protestos danificam a cidade é possível ser levado a sério, ser ouvido?

Espero que não.

Esse Movimento Passe Livre sempre apoiou e sempre foi apoiado pelo PT, que não quer que estas manifestações respinguem na Dilma, no Lulla ou no Haddad. O movimento é formado por gente do PSTU, PSOL, PCO e outras facções da esquerda radical, que defende Cuba, Venezuela, Coréia, que defende o fim do capital, e quer, no final, destruir a democracia e impôr um regime que mata quem dele discorda.
Quem tem pagado as fianças de quem foi preso em SP: Conlutas (do PSTU) e UNE (do PC do B).

Será que precisa desenhar?


 

16 de junho de 2013

Vergonha alheia num novo patamar

Depois de ler muitas coisas sobre os atos (chamados, erroneamente, de "protestos pacíficos") que ocorreram nas últimas 2 semanas em São Paulo (e em algumas outras capitais), estou em choque.

Vamos aos fatos primeiro.

O Movimento Passe Livre (MPL) é um movimento social brasileiro que defende a adoção da tarifa zero para transporte coletivo, que foi fundado em uma plenária no Fórum Social Mundial em 2005, em Porto Alegre. (íntegra AQUI)

O MPL e as manifestações ocorridas são capa da Veja e da Época desta semana.
A matéria da Época, em particular, merece ser lida com muita atenção. A íntegra está AQUI. Segue um pequeno trecho:

Criado em 2005, por jovens num acampamento do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o MPL se diz independente de partidos políticos – mas se escora em alguns. Organiza-se por meio de redes sociais na internet, e alguns de seus membros defendem princípios anarquistas. Dizem lutar por transporte público gratuito e de qualidade para a população. Uma das principais bandeiras é a migração do sistema de transporte “privado” para um sistema gerido diretamente pelo Estado, com a garantia de acesso universal a qualquer cidadão, por meio do “passe livre” – o fim de cobrança de tarifa.
O apelo das autoridades para que suas reivindicações sejam apresentadas de modo pacífico, pelos canais democráticos tradicionais, não surtiu efeito até agora. O ativismo do MPL envolve ação direta, na rua.“A única maneira é parar o trânsito”, diz a estudante de letras da Universidade de São Paulo (USP) Raquel Alves, de 20 anos, militante do MPL. “Infelizmente, o vandalismo e a violência são necessários, para que apareça na mídia. Se saíssemos em avenidas gritando musiquinha, ninguém prestaria atenção.”

Destaquei em negrito (e cor diferenciada) a frase de uma militante deste movimento - o termo correto seria "militonta", na verdade.
Perceba, caro leitor, que a "militonta" não hesita em usar os termos corretos: VANDALISMO e VIOLÊNCIA. 
Ela SABE que o movimento usa de violência, e justifica: é o único jeito de aparecer na mídia!!
Não há propostas - é apenas VONTADE DE APARECER NA MÍDIA.

Já que ela não foi selecionada para o BBB, nem foi convidada a posar para a Playboy ou ser fotografada na ilha de Caras, resolveu se juntar a meia dúzia de outros "militontos", inventar um discurso que não se sustenta, para aparecer na mídia.

Obviamente ela não está sozinha - abaixo, um rápido perfil de outros 4 militantes do MPL (a imagem está na Veja SP dessa semana):

Os líderes1

Honestamente: depois de ler as "idéias" (muitas aspas) desses 4, não sei se choro, se rio, ou se faço ambos.

Cidadão "anti-trabalho" de 38 anos, que tem carro. Comprou como? Imagino que não tenha sido trabalhando...

O professor de história parece ser daqueles que distorcem os fatos conforme a ideologia manda - decerto ensina aos pobres alunos do ensino médio (que desgraça a educação no Brasil!!!!) que nazismo é de "extrema-direita"; que Che Guevara era um anjo caridoso formado pela somatória das personalidades de Jesus, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá; que as guerras são fruto do imperialismo americano malvado; que o homem é explorado por burgueses sujos, mal-intencionados, que esfolam o proletariado para obter lucros nojentos; que o governo deve sustentar todos etc.

A outra enxerga presos políticos porque meia dúzia de incautos foram presos ao depredar lojas, bancos, estações de metrô, queimar ônibus… Tudo isso resulta num preso político, e não tem nada a ver com vandalismo, destruição de patrimônio público etc.

Honestamente: dá vontade de chorar.

São tantas coisas absurdas ditas por militantes desse MPL, mas tantas, que não dá nem pra discutir. 

Não dá!

"Se nem a polícia tem sido capaz de controlar, não somos nós que vamos conseguir". Mas… QUEM CRIOU OS PROTESTOS QUE DESCAMBARAM PARA VANDALISMO E VIOLÊNCIA? Foi a Polícia Militar? Foi o Haddad? Foi o Alckmin? Foi o Barack Obama?

Essa gente não tem a menor noção do que seja RESPONSABILIDADE, nenhum SENSO DO RIDÍCULO. São moleques (a despeito da idade cronológica, o que importa é a mental, intelectual) que acham que estão brincando de acampar.

Mas o pior mesmo é ver milhares de pessoas aceitando participar disso.

Que vergonha.

Como professor, sinto muita pena de ver estudantes manipulados de forma tão rasteira, vil, por gente mal-intencionada e/ou nitidamente incapaz de entender o contexto em que vive. Tenho a impressão de que esses 5 "militontos" começariam a chorar compulsivamente se descobrissem que o Muro de Berlin caiu, que o socialismo acabou no século passado, que "nazismo" é na verdade um corruptela de "National Sozialistische Deutsche Arbeiterpartei" (N.S.D.A.P.) ou em português, Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que Hitler inspirou-se fortemente em Marx para escrever Mein Kampf etc...

Já imaginaram se esses "militontos" tivessem que trabalhar para comprar um carro, e depois descobrir que o governo cobra 40% de imposto no valor do carro, além do IPVA (mais 4% todo ano)? Já imaginaram se tivessem que descobrir o que é meritocracia - e, pior!, depender dela? Os tolinhos pretender casar e ter filhos? Vão sustentá-los como? Esperando alguma "bolsa" do governo? Eles correm o risco de descobrir que o governo NÃO consegue sustentar toda a população! Que choque!

E eles dizem que querem transporte gratuito… Apenas não dizem COMO fazer isso. Cobradores e motoristas vão trabalhar de graça? Troca de pneus e óleo e manutenção de motores e supensão serão gratuitas? Ou vai ter "bolsa-busão"?

Mas não é só isso - como eu disse, sinto vergonha desses "militontos", e pena de quem se deixa manipular de forma tão explícita.
E como tem gente que se aproveita!

A CNN tem uma iniciativa interessante, chamada iReport. Qualquer pessoa pode enviar uma "reportagem" para a CNN, que disponibilizará a versão preliminar na internet e deixará aberta para a votação de outros usuários registrados no site. Tudo gratuito.

Neste sábado, vi o título da matéria no Facebook, com o link. Cliquei.

A reportagem (repito: PRELIMINAR) está AQUI. Depois de ler, fui obrigado a me cadastrar e incluir um comentário. Ei-lo (corrigi 2 ou 3 erros de digitação que só notei depois de ter inserido o comentário, e não localizei, no site da CNN, um recurso para editar/corrigir):

There are so many mistakes, misconceptions and maneuvers in such a small article that it's hard to pick just one or two. Although, to stick with the main topic - the riots - I'll pick the final piece.

 

"The protests are not mere isolated, unionized movements or extreme left riots, as some of the Brazilian press says."

Yes, they are.

Every single organization/social entity involved in the riots are part of extreme-left wing parties (e.g. PCO, PSOL, PSTU, PCdoB - the "communist party of Brasil" in a free and direct translation), as it has been demonstrated beyond any doubt by a small part of the press - as most of the media is more concerned in discussing how many protesters, journalists and police officers were wounded, if the law enforcement overreacted or not.

All the people speaking on behalf of the riots' organization belong to one of the extreme-left parties - which usually receive very few votes during elections, and do not have enough strenght to aprove any of their projects in the Congress. Therefore, they choose to make their points using violence, riots, land invasions and other felonies and/or misdemeanors.

Such organizations are planning and executing protests in every major city of Brazil: Sao Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba and so forth. In every city, all the same people are involved in - they travel from one riot to the other Their names are public, and this information was widely published in the press.

The most discussed organization is called "Movimento Passe Livre" ("free pass movement"). Four of their spokespersons had an article published by Folha de Sao Paulo (the biggest newspaper in Sao Paulo State) on Thursday (06/13). They endorsed Brazil should have "tarifa zero" (cost free) public transportation because capitalism doesn't work, and the profit driven companies in charge of the bus system in Sao Paulo should be shut down. This is the very same desire publicly proposed by these extreme-left parties. The moviment has the very same agenda - and it's not a coincidence. But most important: during the riot people were carrying flags, and all the names of these extreme-left parties were on display - it's easy to see it in every picture taken by every newspaper in the major press in Sao Paulo. Conclusion: those organizations are not trying to hide their participation, their agenda.

 

"It is not a teenage rebellion. It is the uprising of the most intellectualized portion of society who wants to put a stop to these Brazilian issues. "

As a matter of fact, the major problem with this allegation is its inaccuracy: nobody knows the profile of those who participated of the riots. If anybody says it was a majority of poor people, or college students, or low wage groundworkers, it's a lie. There were at least 5,000 people in last Thurday's riot in Sao Paulo, and it was absolutely impossible to conduct some sort of poll to investigate age, education level, wealth or any other useful information to sustain this sort of assertion.

 

"The young national mid-class, which has always been unsatisfied with the political oblivion, has now "awaken" - in the words of the protesters."

Again: it is impossible to establish if it is a middle-class moviment or not. The article seems to have such confidence in the assertions, but there is absolutely no evidence to support any of those statements whatsoever.

Is it OK to use an educated guess (at the most) in order to write about a serious situation? In a third class press maybe; in a prestigious news channel definitely not. These vehement conclusions do not represent the truth - they might be one's opinion, but it's important to reveal stronger proof to claim this is not politically orientated, because all the evidence so far indicates the exact contrary.

 

Yes, the country is facing a terrible economic moment, corruption is a permanent threat, and the infrastructure problems are affecting individuals and companies trying to do business in Brazil. Once again, Brazil's future as a developed country is in jeopardy - but that's another strong reason to avoid fallacious illations. 

I remember reading, a couple of days ago, a report about riots in Sweden on The Economist: "Kjell Lindgren, a Stockholm police spokesman, provided the most convincing explanation: “There is no answer.” ".

Right now, trying to explain the recent riots in Brazil might me a similar case - although there are incomparable differences between Brazil and Sweden. 

Ao ler alguns dos comentários feitos na tal "reportagem teste", MAIS vontade de chorar. Mais desânimo.
Tem gente culpando a privatização dos "neoliberais" do PSDB, outros culpam a oposição "de direita do PSDB" (DIREITA???? O PSDB???? Cara, vai estudar um pouco, porra!), outros culpam o FMI, outros culpam a imprensa, a polícia violenta, bla bla bla.

Muro de lamentações em inglês macarrônico.

Contudo, o que eu vi foi outra coisa: 90% dos comentários falam algo como "ainda bem que a CNN mostrou isso, porque a mídia brasileira não mostra!". 
O sujeito se cadastrou, inseriu o comentário (repito: no ingles macarrônico), e não percebeu que a reportagem foi escrita por um brasileiro, que mora em São Paulo, e está disponibilizada para ser aprovada ou não para TALVEZ, UM DIA, entrar na programação/site da CNN.

Firefox 19
A quantidade de bobagens (intencionais ou não, calcadas na má-fé ou na ignorância, não sei) e mentiras e falácias que estão circulando em virtude do busílis causado por estes tais protestos me parece algo sem precedentes!

Felizmente vejo coisas boas também - ainda que em quantidade bem menor. Duas coisas que li e recomendo: a primeira, AQUI me deixou boquiaberto. Sensacional Mesmo.
Complementarmente, este AQUI. 

O que me parece certo, neste momento, é que ainda irão surgir mais informações novas.
Eu havia, ontem, decidido não voltar a este assunto. Porém, continuaram surgindo novas informações - da maior relevância. As reportagens da Época e da VejaSP (que traz o perfil dos 4 militontos conforme a imagem lá em cima) eu só vi à noite. E em virtude dos absurdos que li, não me contive.

Assim, por ora, a minha certeza é que conforme forem surgindo os fatos concretos sobre esse MPL, muita gente que entrou no barco dos protestos de alegre (ou de idiota útil) vai se afastar.

Não tenho dúvida de que as pessoas - a maioria silenciosa - estão fartas de inflação descontrolada, economia estagnada, corrupção em níveis estratosféricos, caos na saúde, educação precária (se bem que esta é a tábua de salvação de 90% dos políticos no Brasil) e todas as mazelas que estão acumuladas.

E, como já disse, protestar contra isso é ótimo. Mas protestos inteligentes, e não atos de vandalismo liderados (e manipulados) por movimentos do nível (?) desse Movimento Passe Livre. 

 

15 de junho de 2013

Os vândalos e o politicamente correto

Como é de costume, a coluna do Prof. Pasquale Cipro Neto na Folha da última quinta (13/06) estava simplesmente brilhante.

Impecável.

Reproduzo na íntegra, pois vale a pena ler. E guardar.

Estava na capa da Folha de ontem: "Contra tarifa, manifestantes vandalizam centro e Paulista".

Que tal o emprego do verbo "vandalizar", caro leitor? Sugiro que vejamos isso pela sintaxe e pelo aspecto ético, que, inevitavelmente, roça o mais do que infame e chatíssimo conceito do "politicamente (in)correto".

De acordo com os dicionários, "vandalizar" pode significar "estragar ou destruir selvagemente um bem, uma propriedade, um local etc." (é essa a primeira acepção que lhe dá o "Houaiss"). Como se vê, o uso que a Folha fez desse verbo na capa de ontem é documentado. Na manchete, o sujeito é "manifestantes"; "vandalizar" é transitivo direto (o objeto direto é "centro e Paulista").

E onde é que entra o tal do aspecto "ético", que, como afirmei, inevitavelmente roça o politicamente (in)correto? Dou a pista: o caro leitor sabe o que significa "vândalo"? Não, caro leitor, não me refiro ao sentido mais do que conhecido e divulgado (de "destruidor do que é público etc."); refiro-me ao sentido com o qual a palavra veio ao mundo.

E então? Recorramos aos dicionários, mais uma vez. A primeira acepção que o "Houaiss" dá para "vândalo" é esta: "Indivíduo dos vândalos, povo germânico que, por volta do século V, invadiu, promovendo devastação, a Hispânia e o Norte da África, onde fundou um reino". Você já entendeu de onde vem o sentido "moderno" de "vândalo", certo?

Posto isso, permito-me fazer uma perguntinha, baseada na delirante cartilha do politicamente incorreto: não é preconceituoso chamar de vândalo quem destrói o que é público? Isso não ofende os vândalos? Ah, sim, esse povo não existe mais, então tudo bem. Preconceito contra povo extinto é possível. Mas e se aparecer algum alemão que seja descendente direto de uma das mais puras e legítimas famílias vândalas e disser que se sente ofendido? Já sei, processará a Folha e o "Houaiss" por preconceito etc.

E onde anda o procurador de Minas Gerais que queria processar o "Houaiss" por preconceito contra os ciganos? A autoridade poderia aproveitar e processar outra vez o "Houaiss" e todos os dicionários, além da Folha e de todo falante de português... Poderia aproveitar e processar também pelo uso da palavra "bárbaro", cujo sentido "moderno" não preciso explicar, certo? Na década de 60, o termo foi moda entre nós, com o significado de "muito bom", "muito bonito", "bacana", "muito interessante" etc. Mais uma vez, vamos ao "Houaiss", que assim começa a definição de "bárbaro": "Para os gregos, romanos e depois outros povos, que ou quem pertencesse a outra raça ou civilização e falasse outra língua que não a deles; estrangeiro". Em seguida, o dicionário dá esta definição ("por extensão de sentido"): "Que ou quem é cruel, desumano, feroz".

Viu bem, caro leitor? "Por extensão de sentido", ou seja, do conceito de "estrangeiro etc." se passa para "cruel, desumano, feroz". E aí, com o uso e o desgaste que o próprio uso provoca, a palavra perde a marca preconceituosa e se torna "neutra".

É por essas e outras, caro leitor, que essa monumental baboseira do politicamente (in)correto precisa ser vista e revista com cuidado. Já vi muito defensor dos fracos e oprimidos empregar termos como "vândalo", "bárbaro" e afins para condenar o emprego de palavras que essa galerinha chata demonizou. Rarará!

As minhas quase seis décadas de existência me tiraram de vez a paciência para aguentar esse tipo de patrulha, macarthismo da mais pura cepa. Também é por essas e outras que me soam mais do que ridículas as bobagens ditas por uma galerinha a respeito da obra de Monteiro Lobato. Haja saco! É isso.

Essa parte final, mencionando os babacas que resolveram caçar um suposto "preconceito" nas obras de Monteiro Lobato, realmente é mais do que brilhante. 

 

14 de junho de 2013

O gado e o caos em São Paulo [atualizado]

Sobre as cenas deploráveis de ontem à noite, quando São Paulo sofreu pelo vandalismo e uso político de uma massa de idiotas úteis de um lado, e excessos da PM do outro, algumas leituras que valem a pena:

1) Sobre o uso político dos protestos, que vem sendo DESCARADO, o Flávio colocou todos os pingos nos "is" AQUI.

Abaixo, uma das imagens do Estadão: não apenas bandeiras de partidos políticos, mas algumas inclusive com o NÚMERO DO PARTIDO! Campanha político-eleitoral? Ué, não era "manifestação pacífica"? Parece que não, né ?!

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Mas não é só: defronte ao Teatro Municipal, faixas com menção à greve da CPTM que prejudicou ainda mais a cidade ontem:

Firefox 6

Mas o que a greve da CPTM tem a ver com "manifestação pacífica contra o aumento das tarifas dos ônibus" ?
Nada, claro.
Trata-se de uma agenda política daqueles que orquestraram essas badernas.
Sobre este grupo denominado "Juntos", que assina diversos cartazes e faixas, leia os detalhes AQUI.

 

2) Sobre o absurdo das exigências (falsas) de tarifa zero, o Drunkeynesian levantou excelentes questões AQUI.
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3) A Folha publicou, na edição de ontem, um artigo assinado por 4 "representantes" da ONG que vem usando gente pouco afeita aos fatos como massa de manobra (ou vulgo "gado socialista") AQUI.

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Interessante notar que a única coisa que eles fazem é criticar, acusar, dizer que o atual modelo de ônibus em SP está "esgotado" (e algumas palavras depois "em crise", o que, convenhamos, é diferente de "esgotado"), e reclamar da PM - que, até ontem, estava muito passiva, permitindo que vândalos, bandidos, destruíssem propriedade pública e privada sem grandes dificuldades.

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Os 4 "representantes" da ONG poderiam ter aproveitado o espaço dado pela Folha para explicar, por exemplo, por qual razão lojas, bancos e estações do metrô foram atacados e parcialmente destruídos na terça-feira.
Não o fizeram. 

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Os 4 lindinhos pouco afeitos à democracia (que pressupõe respeitar o direito dos outros, coisa que a ONG não consegue fazer, nem tenta) poderiam pedir que alguém lhes explicasse, com desenhos coloridos, o que está muito bem explorado AQUI. ESTE É UM TEXTO CURTO, OBJETIVO, QUE MERECE SER LIDO.
E relido.
E lido novamente.

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Pessoalmente, acho que passou da hora de protestar - contra a corrupção em níveis jamais vistos, contra a economia patinando (pibinho, inflação fora de controle), gastos absurdos do governo, infra-estrutura de país de 14o mundo com impostos de primeiríssimo mundo etc.

Mas há formas inteligentes de protestar.

E há formas burras.

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O que temos visto e sofrido, nos últimos dias, são consequências das formas burras.
Gente bem intencionada que serve de massa de manobra de grupelhos extremistas (PSTU, PCO, UNE, MPL, setores do PT, como a JPT - Juventude do PT etc) que têm uma agenda que NÃO coincide com os anseios da população. 

Ou alguém acha que a maioria da população quer o socialismo, sem direito de melhorar de vida, tendo que racionar papel higiênico, como na Venezuela?
 
 

12 de junho de 2013

iPhone e Blackberry: acabou a rivalidade?

Aproveito que nesta semana houve o lançamento do novo sistema operacional de dispositivos móveis da Apple (iOS7) para reproduzir um artigo muito bom, que li originalmente no Valor, mas fora publicado pelo Wall Street Journal:

Com o BlackBerry perdendo reiteradamente a briga para smartphones cheios de aplicativos nos últimos anos, já era hora de uma resposta definitiva da presidência da empresa.
Na Research In Motion Ltd. (RIM), no entanto, a coisa era complicada. A fabricante do BlackBerry tinha dois diretores-presidentes. Para piorar, cada um trabalhava em um lugar - estavam a uns dez minutos de carro um do outro. Reuniões com os dois presentes eram raras, contam ex-executivos da RIM e gente que já trabalhou com a empresa.
Muitos fatores se combinaram para que a RIM anunciasse ontem o primeiro prejuízo operacional em sete anos (a empresa fechou o primeiro trimestre com prejuízo líquido de US$ 518 milhões). Mas um deles certamente foi a dupla personalidade na sala da presidência, dizem ex-executivos. Com investidores fazendo crescente pressão sobre a empresa, um dos cabeças, o fundador Mike Lazaridis, só pensava em lançar uma nova geração do BlackBerry com um novo sistema operacional. Já o outro presidente, Jim Balsillie, resolveu investir em outra estratégia, cuja meta era o licenciamento de certas tecnologias exclusivas da empresa.
 
Hoje, nenhum dos dois está na presidência. A dupla foi substituída em janeiro por Thorsten Heins, velho braço-direito de Lazaridis que está cortando custos. Segundo ele, a RIM está empenhada em lançar, mesmo com atraso, o novo BlackBerry no primeiro trimestre de 2013. Mas Heins já contratou bancos de investimento para explorar alternativas e não descarta a venda da empresa, cuja ação caiu quase 70% em 12 meses e derrubou o valor de mercado da RIM para menos de US$ 4 bilhões - menos de uma décima quinta parte do valor em seu auge.
A RIM ainda tem um colchão de liquidez confortável, de mais de US$ 2 bilhões. E não tem dívida, o que lhe dá certa folga para lançar o novo aparelho, com um sistema operacional chamado BlackBerry 10 que, segundo a empresa, "será o padrão para a computação segura em plataformas móveis". Segundo uma pessoa por dentro da situação, a RIM informou aos bancos que a assessoram que está focada no lançamento. Se o celular emplacar, deve recuperar parte do valor perdido. E a nova tecnologia ajudaria no caso de venda ou de parceria futuras, disse essa mesma pessoa.
 
De acordo com entrevistas com mais de dez ex-executivos da RIM e profissionais do setor próximos à empresa, a dificuldade atual ali dentro é fruto da confiança cega no BlackBerry como produto. Na descrição dessas pessoas, esse problema foi agravado por um arrastado debate interno sobre quem seria o principal cliente da empresa; pelo lançamento de uma série de aparelhos que tentaram, em vão, equiparar-se aos rivais; e por conflitos entre distintas áreas da empresa.
 
Lá atrás, a RIM apostou que tanto o cliente corporativo como o individual continuariam a preferir o e-mail fácil de usar do BlackBerry à profusão de recursos e aplicativos no iPhone, da Apple Inc., e de celulares com o sistema operacional Android, da Google Inc. Até quando viu a clientela começar a se afastar do BlackBerry, a RIM hesitou em agir.
A certa altura, a RIM se aliou a operadoras de telefonia que temiam o domínio da Apple para fazer frente ao iPhone. Os modelos nascidos dessa colaboração, porém, não conseguiram gerar a mesma empolgação do iPhone.
A certa altura, executivos da RIM foram buscar talento fora da casa - o que só aumentou a tensão nos quadros de uma empresa onde Lazaridis e Balsillie já tinham feudos, dizem ex-executivos da RIM e profissionais que trabalharam com a empresa. Segundo eles, as duas equipes às vezes batiam de frente, sobretudo à medida que a RIM ia perdendo mais e mais terreno no mercado de smartphones.
 
A RIM informou que a caracterização de "dupla personalidade" não condiz com a realidade. "Como em qualquer empresa inovadora, houve momentos em que pessoas na organização divergiram, mas essa não era a norma", lia o comunicado.
"A estrutura na presidência funcionou bem por muitos anos e permitiu que cada um dos copresidentes se concentrasse na área em que era forte", acrescentou a RIM. "Os dois sempre tiveram uma relação de trabalho profissional e eficiente e sempre estiveram em direta comunicação".
 
Pouco depois de assumir o comando, no início do ano, Heins suspendeu as iniciativas de licenciamento de Balsillie. A RIM informou que não comenta deliberações internas de caráter fechado. "Toda empresa de sucesso tira lições de cada situação e usa isso para seguir avançando", disse Lazaridis, observando que ele e Balsillie "sentiram que era o momento certo na trajetória da RIM para entregar o comando a outra pessoa". Balsillie não respondeu a pedidos de entrevista.
A RIM não disponibilizou Heins para uma entrevista.
 
A RIM basicamente inventou o e-mail no celular. Fundada por Lazaridis em 1984 com US$ 15.000 emprestados pelos pais, a empresa chegou a ter um valor de mercado de mais de US$ 80 bilhões em seu apogeu, em 2008.
Balsillie - que se uniu à RIM em 1992 após ter considerado a aquisição do controle da empresa - e Lazaridis viraram os bilionários mais famosos do Canadá.
 
Por trás do sucesso estava a busca inarredável de Lazaridis de uma engenharia robusta e de inovação e a meta de expansão no mercado de Balsillie. Ex-executivos afirmam, contudo, que a empresa também tinha uma aversão a qualquer inovação que não reforçasse seus grandes pontos fortes: a rede exclusiva e a fama de segurança do sistema.
Lá atrás, a esmagadora maioria dos clientes da RIM eram empresas, que forneciam o BlackBerry ao pessoal para a comunicação por e-mail. Mas o número de usuários comuns foi crescendo - gente em geral interessada em recursos como câmera, games, internet. A RIM lançou celulares com câmera e MP3, incluindo o Pearl em 2006 e o Curve em 2007- ano em que debutou o iPhone. Ainda assim, operadoras de telefonia parceiras da RIM temiam que a enorme popularidade do iPhone pudesse dar à Apple um poder desmedido no mercado.
Executivos da RIM tampouco deram atenção a alarmes disparados internamente. Em 2010, a divisão de vendas fez um estudo sobre o futuro do teclado táctil, o celebrado recurso de digitação do BlackBerry. O relatório alertou que, na era de aparelhos da Apple com navegação virtual, o teclado teria espaço cada vez menor no mercado, contou uma pessoa a par do estudo segundo a qual o alerta foi ignorado.
 
Naquele mesmo ano, Balsillie perguntou numa reunião se a RIM devia se preocupar com uma nova tendência: o usuário que levava o celular próprio para o trabalho. Alguns executivos disseram que a tendência trazia risco; outros disseram que não havia por que se preocupar. Balsillie fechou com esta última opinião, disse uma pessoa próxima à empresa.
Os dois presidentes se reuniam com bastante regularidade e usavam mensagens instantâneas e o telefone para trocar ideias. Já quando a RIM passou a ter problemas o mais comum era que cada um estivesse operando em mundos muito distintos, segundo essas pessoas - que dizem ainda que as equipes de cada um não se comunicavam bem (quando se comunicavam).
No fim de 2011, a ação da RIM tinham descido ao menor nível em oito anos. No dia 22 de janeiro, o conselho, também encabeçado por Lazaridis e Balsillie, anunciou que os dois deixariam o comando. Balsillie deixou o conselho. Lazaridis ainda é seu vice-presidente não executivo. A RIM anunciou ontem que vai cortar de 5000 vagas até o fim do ano.

O artigo é de Junho de 2012, ou seja, quase um ano atrás.
E, por falar em "velharia", também em 2012 eu escrevi esta análise AQUI, sobre o processo de lançamento de produtos da Apple. Tudo o que eu escrevi ali continua valendo - e foi exatamente o que aconteceu na última segunda-feira, quando a Apple anunciou o iOS7.

Interessante que tenho lido muita gente afirmando que a Apple "perdeu o brilho", que não está conseguindo inovar a ponto de manter-se com o valor de mercado astronômico (as ações que chegaram a valer US$ 700 o lote estão, hoje, na casa dos US$ 400) etc.

Bobagem.
Com o iPhone, e depois com o iPad, a Apple revolucionou, sim, o mercado.
Ela não inventou celular touch-screen, nem sequer inventou o conceito do "tablet". Porém, ela conseguiu transformar conceitos que já existiam em produtos NOVOS, úteis, práticos, integrados ao ecossistema que ela mesma criara (iTunes, AppStore).
Ela revolucionou o mercado de telefonia, e criou o MERCADO (não o produto!) de tablets - que hoje é disputado por Samsung, Acer, Sony, Dell etc.

Ora, será que esse pessoal que reclama tanto da Apple acha mesmo que criar produtos é coisa corriqueira, que pode ser feita a cada seis meses?
A Apple criou o mercado de tablets - e o pessoal por acaso acha que é possível ou viável "criar um mercado novo" por ano?

Recomendo a leitura deste breve artigo AQUI.

11 de junho de 2013

Alternativas ao Google Reader

Ao final deste mês, o Google Reader será desativado. Muito foi escrito sobre isso.

Assim, quero aproveitar que ainda temos algum tempo para convidar meus leitores a conhecer uma alternativa ao Google Reader: o feedly.

Estou usando o feedly há algum tempo, e creio que é a melhor alternativa - não a única, mas a melhor. Uso (ou usei) também o Reeder, o feeddler, NetNewsWire e outros.

Uso o feedly no iPhone, no iPad, no Mac (Safari e Firefox) e no Windows (Chrome, Opera e Firefox). O que eu gosto nele é a rapidez e a facilidade para sincronizar o que foi lido nos diferentes dispositivos, automaticamente. Como eu tenho muitos feeds para ler, isso é crucial.
Além disso, o feedly é integrado a serviços como Twitter, Facebook, LinkedIn, Buffer, Evernote e outros, que uso. Isso facilita bastante.

Portanto, fica o convite ao leitor: conheça o feedly, e já coloque o blog na sua lista clicando no botão abaixo: 

 follow us in feedly

9 de junho de 2013

Rifando o burro

Certa vez, quatro meninos foram ao campo e, por R$ 100,00, compraram o burro de um velho camponês.
O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte. Quando eles voltaram para levar o burro, o camponês disse-lhes:

- Sinto muito, amigos, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.

- Então devolva-nos o dinheiro!

- Não posso, já gastei todo.

- Então, de qualquer forma, queremos o burro.

- E para que o querem? O que vão fazer com ele?

- Nós vamos rifá-lo.

- Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?

- Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto.
 

Um mês depois, o camponês encontrou novamente com os quatro garotos e lhes perguntou:

- E então, o que aconteceu com o burro?

- Como lhe dissemos, o rifamos. Vendemos 500 números a 2 reais cada um e arrecadamos 1.000 reais.

- E ninguém se queixou?

- Só o ganhador, porém lhe devolvemos os 2 reais, e pronto.

Os quatro meninos cresceram e fundaram um banco chamado Rural, uma empresa de publicidade chamada SMP&B, uma igreja chamada Universal e um partido político chamado PT.

 

A pegadinha do Photoshop

Uma idéia muito legal:




8 de junho de 2013

Não param de surgir as provas da destruição causada pelo PT na Petrobras

Duas notícias que li nesta sexta-feira servem para complementar o que escrevi antes: os problemas da Petrobras estão cada dia mais expostos.

ATUALIZAÇÃO (10/08/2013): Reportagem extensa da Época desta semana revela algumas coisas ainda mais escabrosas do tipo de destruição que o PT impôs à Petrobras. Leia AQUI.

Durante muitos anos, o PT usou a empresa para corrupção e politicagem, abarrotou a estatal com gente incompetente, incapacitada e corrupta. Essa é a verdade, e fatos recentes têm trazido a verdade à tona.
Senão vejamos:

A alteração da perspectiva de avaliação de risco da Petrobras de estável para negativa, anunciada nesta quinta-feira (6/6) pela agência internacional de classificação de risco Standard & Poors, refletindo ação similar no rating (avaliação sobre as condições de um país ou uma empresa saldar seus compromissos) soberano do Brasil, não mudará o plano de negócio da empresa. Em entrevista nesta sexta (7/6) à imprensa, após palestra feita a empresários do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio de Janeiro (Ibef-RJ), Graça Foster disse crer que uma empresa, "que tem o que a Petrobras tem na mão, uma partilha que vai acontecer agora, a volta das rodadas [de licitação], a gente tem muita confiança que, aconteça o que acontecer, a gente vai manter o grau de investimento".

Graça admitiu que o nível atual do câmbio não é bom para a Petrobras, porque 78% das dívidas da empresa são em dólar. Acrescentou que a maior parte dos custos de exploração e produção e de gás e energia é também em moeda norte-americana.
No plano de negócios e gestão da empresa, Graça disse ter sido feita uma projeção de câmbio, cuja variação considerou, no curto prazo, uma cotação em torno de R$ 1,85. Ao sair hoje da estatal para o evento, disse que a cotação estava em R$ 2,13. "Então, pontualmente, isso preocupa a Petrobras". Ela admitiu, por outro lado, que nem tudo que preocupa a empresa é ruim para outras áreas importantes da economia.
Indagada a respeito da Refinaria Abreu e Lima, ou Refinaria do Nordeste (Rnest), que está sendo construída pela empresa em Pernambuco e cujo projeto previa sociedade com a estatal venezuelana PDVSA, Graça disse: "Deixa a PDVSA. Na hora que ela quiser vir, ela virá. E virá com um cheque na mão. O único jeito de falar com PDVSA é esse". Segundo ela, as conversas com a empresa venezuelana continuam.
Matéria do Brasil Econômico, cuja íntegra está AQUI.

A corrupção que tomou conta da Petrobras graças ao PT:

Documentos e imagens obtidos pelo Estado revelam que a Petrobrás e uma empresa do senador e tesoureiro do PMDB, Eunício Oliveira (CE), fraudaram este ano uma licitação de R$ 300 milhões na bacia de Campos, região de exploração do pré-sal no Rio de Janeiro. A Manchester Serviços Ltda., da qual Eunício é dono, soube com antecedência, de dentro da Petrobrás, da relação de seus concorrentes na disputa por um contrato na área de consultorias e gestão empresarial. De posse dessas informações, procurou empresas para fazer acordo e ganhar o contrato.

Houve reuniões entre concorrentes durante o mês de março, inclusive no dia anterior à abertura das propostas. A reportagem teve acesso ao processo de licitação e a detalhes da manobra por parte da Manchester para sagrar-se vencedora no convite n.º 0903283118. Às 18h34 de 29 de abril, a Petrobrás divulgou internamente o relatório em que classifica a oferta da Manchester em primeiro lugar na concorrência com preço R$ 64 milhões maior que a proposta de outra empresa.
O contrato, ainda não assinado, será de dois anos, prorrogáveis por mais dois. Sete empresas convidadas pela Petrobrás participaram da disputa, a maioria sem estrutura para a empreitada. Os convites e o processo de licitação são eletrônicos e as empresas não deveriam saber com quem estavam disputando.
A reportagem do Estadão está AQUI na íntegra.
A situação da Petrobras vai de mal a pior.
Mas para quem vem acompanhando os desmandos do PT na estatal, não é surpresa - agora até o Ministério Público vai investigar a PT-Bras (a íntegra da reportagem do O Globo está AQUI):

O Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (MPF-RJ) decidiu iniciar uma investigação sobre a operação de compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos. A aquisição foi feita pela estatal em 2006, na gestão do então presidente José Sérgio Gabrielli.

A portaria assinada pelo procurador destaca a possibilidade de terem ocorrido peculato (roubo ou desvio de dinheiro, valor ou bem por funcionário público) e evasão de divisas, por indícios de superfaturamento.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, desistiu de tentar vender a refinaria. Em vez disso, pretende fazer uma série de melhoramentos na unidade para tentar um preço melhor no futuro e reduzir um pouco os prejuízos com a operação. A refinaria é uma das “heranças malditas” herdadas pela executiva quando assumiu o cargo, em fevereiro do ano passado.

Em janeiro de 2005, a belga Astra Oil comprou a refinaria americana de Pasadena por apenas US$ 42,5 milhões. No ano seguinte a Petrobras adquiriu 50% das ações da unidade por US$ 360 milhões. Pasadena é uma refinaria relativamente pequena, com capacidade para processar 150 mil barris diários de petróleo. O plano da Petrobras era levar o óleo produzido no Brasil para ser refinado para a venda de combustíveis.

Poucos anos mais tarde, por divergências em relação a investimentos que teria que realizar, a Astra entrou na Justiça americana contra a Petrobras. É que, para a unidade ter condições de refinar o petróleo brasileiro, que é mais pesado, seriam necessários aportes de US$ 1,5 bilhão, a serem divididos entre os dois sócios. Sem acordo, o caso ficou na Justiça dos EUA. Para encerrá-lo, a Petrobras concordou, então, em pagar US$ 839 milhões em 2011 à companhia belga por seus 50% no capital da refinaria.

Quem se lembra da campanha difamatória, mentirosa mesmo, que o Lulla e o PT espalharam antes da eleição de 2006, afirmando que se fosse eleito, o Alckmin iria privatizar a Petrobras? 
O picolé de chuchu caiu na agenda podre do PT, e chegou ao ridículo de vestir uma jaqueta (ou camiseta, nem lembro ao certo) com a marca da Petrobras, e passou a afirmar sempre que não iria privatizar a estatal.
Deveria.
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6 de junho de 2013

Petrobras é a empresa com maior endividamento do setor - NO MUNDO

A cada dia vão surgindo mais e mais dados, análises e conclusões sobre os estragos (ainda a serem completamente dimensionados) que o uso político da Petrobras causou na maior empresa do país. O uso político de empresas estatais, especialmente as de grande porte (financeiro), visibilidade e poder, não é novidade. Mas o PT levou a prática a níveis jamais vistos.

A desgraça começou em 2 de janeiro de 2003, quando José Eduardo Dutra assumiu a presidência da Petrobrás (cargo que ocupou até 22 de julho de 2005). Quando se achava que o problema não ficaria pior, Lulla conseguiu piorar tudo, claro: em 21 de julho de 2005, Sérgio Gabrielli foi nomeado presidente da Petrobras, cargo no qual permaneceu até 23 de janeiro de 2012.

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O resultado de tantos anos sob o comando de gente incomPTente, além do uso político da Petrobras, vem aparecendo desde 2011. Em 2013 já está simplesmente impossível esconder a sujeira embaixo do tapete. Eu já escrevi sobre alguns dos problemas da Petrobras aqui no blog. Ver alguns destes posts (com dados relevantes para compreender algumas das afirmações que se seguem) AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Petrobras do lula
Mas hoje leio ESTA matéria da Bloomberg, que joga mais petróleo na fogueira. Destaco, a seguir, alguns trechos (com grifos meus):
Investors in Petroleo Brasileiro SA (PBR), the world’s most indebted oil company, aren’t celebrating Brazil’s biggest-ever crude discovery.
Since regulators doubled estimates for the Libra field to as much as 12 billion barrels on May 23, the state-run company’s shares fell 5.3 percent in New York, the worst performance among 15 peers tracked by Bloomberg. The new estimates make the oil prospect Brazil’s largest as the country prepares to bring in partners to start production. […]
Petrobras’s capital expenditure this year will be $42.9 billion, the most after PetroChina Co. (857) among major oil producers, according to estimates tracked by Bloomberg. Petrobras plans to invest 98 billion reais this year. It is the most indebted publicly-traded oil company at $97 billion, according to data compiled by Bloomberg. […] 
Brazil’s economy has posted growth below analyst forecasts for five straight quarters. The economy expanded 0.55 percent in the first quarter, less than the 0.9 percent median forecast of analysts polled by Bloomberg.
Petrobras was down 0.5 percent in Sao Paulo this year through yesterday, less than the 13 percent drop in Brazil’s benchmark stock index. The Brazilian company, whose rose 0.2 percent to 19.45 reais at 3:59 p.m. today, trades at 7.9 times estimated profit compared with a peer average of 11.78.
Vamos destacar um ponto: no ranking da Forbes, a Petrobras aparece como a 14a maior empresa de petróleo do mundo em termos de produção. Porém, quando o critério é ENDIVIDAMENTO, ela está em PRIMEIRO LUGAR no setor, com absurdos 97 bilhões de dólares.
Foi isso o que o PT fez com a empresa: ENDIVIDAMENTO MOSTRUOSO.

Muita gente vai ver alguns números da Petrobras (faturamento, lucro etc) e vai dizer que a empresa está muito bem porque fatura muito, vende muito etc. Porém, é preciso colocar em perspectiva que o setor de energia (petróleo, gás e outras fontes) é um setor intensivo em capital, em tecnologia e de longo prazo. Trocando em miúdos, não existe empresa pequena nesse mercado, pois os custos de prospectar e extrair petróleo (seja em terra firme, seja em águas profundas) são altíssimos. Porém, o gráfico abaixo dá uma idéia da posição da Petrobras no cenário mundial:
Firefox 12

Vemos ali que, quando se consideram as reservas totais não apenas de petróleo, mas de outras fontes de energia, a Petrobras não parece tão grande, não é? Abaixo, um ranking de uma empresa especializada em empresas de energia e algumas commodities coloca a Patrobras em 18o lugar, conforme a metodologia detalhada AQUI.

Firefox 14

Obviamente ela é uma grande empresa, com lucro de R$ 21,182 bilhões em 2012, porém este resultado é o menor desde 2004. Naquele ano, a Petrobrás reportou lucro de R$ 16,887 bilhões. O resultado de 2012 é também 36,42% menor do que o apurado pela estatal em 2011 (R$ 33,313 bilhões). No quarto trimestre de 2012, a estatal teve um lucro de R$ 7,7 bilhões, cifra 53,4% maior que em igual período de 2011. Já a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 15%, para R$ 11,9 bilhões, no mesmo período.

A receita líquida de outubro a dezembro somou R$ 73,405 bilhões, alta de 12,49% em igual comparação. No acumulado anual, o Ebitda da Petrobrás atingiu R$ 53,439 bilhões, queda de 14,15% em relação a 2011. Já a receita líquida de janeiro a dezembro somou R$ 281,379 bilhões, expansão de 15,24% em igual base comparativa.

A divulgação do pior lucro anual da Petrobrás desde 2004 é uma consequência dos fatores que levaram a estatal a apresentar de abril a junho do ano passado o primeiro prejuízo trimestral desde 1999. Na oportunidade, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhão principalmente em função do resultado negativo registrado pela área de abastecimento. O prejuízo da área responsável pela compra e venda de combustíveis foi de R$ 7,030 bilhões no intervalo.

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Curiosamente, a situação adversa enfrentada pela Petrobrás em 2012 teve origem no aumento da demanda doméstica por seus produtos. A expansão da frota doméstica de veículos leves e a menor competitividade dos preços do etanol resultaram em um aumento da demanda por gasolina. Como a Petrobrás já opera no limite da capacidade de suas refinarias, a oferta interna do combustível é limitada e a estatal foi obrigada a aumentar o volume de gasolina importada. O Brasil também é dependente de diesel de outros países. O problema é que a estatal paga um preço mais alto pelos combustíveis lá fora do que vende aqui dentro e perde com essa diferença.

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A incapacidade gerencial dos cumpanheiros alocados na Petrobras pelo PT é tamanha que a maior empresa do Brasil (por ora) está atrasando pagamento de fornecedores (íntegra AQUI):
A Petrobrás tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços, após ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada. Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços, disseram fontes à Reuters, observando que a estatal alterou sua política de pagamentos recentemente e vem olhando com mais rigor os contratos.
Com isso, tem demorado mais tempo para liberar os recursos. Em uma espécie de efeito dominó, os prestadores de serviços também atrasam seus compromissos financeiros.
O conjunto de ações desastrosas que o PT impôs à Petrobras não se restringe apenas às perdas financeiras, redução da produção e outros dados facilmente identificáveis no balanço patrimonial; a marca Petrobras também sofreu uma desvalorização sem precedentes.

O New York Times publicou AQUI uma matéria bastante longa sobre os desafios à frente da Petrobras, especialmente com tantos incomPTentes fazendo o possível e o impossível para destrui-la. Recomendo a leitura. Vai aqui um pequeno trecho, que demonstra o nível de destruição do PT na Petrobras de forma claríssima:
Until recently, Petrobras was second in value only to ExxonMobil among publicly traded energy companies. But its fortunes have tumbled to the point that it is now worth less than Colombia’s national oil company. That fall has accentuated an increasingly bitter debate here over President Dilma Rousseff’s attempts to use Petrobras to shield the Brazilian population from the nation’s economic slowdown. 
Além disso, se o leitor quiser ler sobre as recentes concessões de áreas para exploração de petróleo, sugiro este artigo AQUI. É muito auspicioso ver que depois de 5 anos sem fazer absolutamente nada (por pura incomPTência da dupla Lulla+Dilma), a prática foi retomada. Ainda que o discurso oficial seja mentiroso, e omita os verdadeiros fatos, as recentes concessões são boas para o Brasil.

O curioso é que em 2007, uma aluna levantou uma discussão, em sala, sobre a suposta liderança mundial do Brasil em matéria de energia, pois naquele momento estava em ampla evidência o etanol, além de outras fontes de energia que, dizia-se, prometiam uma revolução na matriz energética.
Na época, disse à minha aluna que ela deveria conter a empolgação, pois o Lulla é capaz de estragar qualquer coisa.

Dito e feito!
O Brasil hoje IMPORTA ETANOL dos Estados Unidos!

Porém, está no ar uma capanha publicitária para incentivar o uso do etanol no Brasil:

 

Nem vou perder tempo criticando a campanha ridícula, seja pela forma, seja pelo conteúdo.
O fato é o seguinte: o etanol deixou de ser competitivo, e o governo resolveu que seria necessário gastar dinheiro criando uma enorme campanha (com diversos anúncios de TV, spots de rádio, uso de mídias sociais etc) para tentar ressuscitar o uso. Por quê?

Porque devido à diminuição da produção, o preço aumentou de tal forma que a gasolina passou a ser a escolha da maioria dos donos de carros flex. Com isso, a demanda por gasolina disparou, obrigando a Petrobras a comprar o combustível no mercado internacional - mas o populismo da Dilma e do Lulla, combinado com a incomPTência na economia, fez com que eles usassem a Petrobras para segurar o preço da gasolina sem reajustes (defasado) para não pressionar a inflação (ja em alta).

Hoje, além de importar gasolina e etanol, há campanha publicitária tentando convencer as pessoas a escolher o etanol.

Não é o cúmulo da incomPTência ?!
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O garoto que na Europa é empreendedor, no Brasil seria "fora da lei"

O vídeo abaixo é um trecho de um programa de TV de Portugal. Tomei conhecimento graças ao blog do Reinaldo Azevedo.
A TV RTP tem um programa chamado “Prós e Contras”, comandado pela jornalista Fátima Campos Ferreira. “Prós e Contras” fez um debate cujo tema era sugestivo: “Mudar o país ou mudar de país?”.

Os convidados do dia eram jovens empreendedores, que estavam lá para relatar a sua experiência. Um deles foi Martim Neves, um garoto de 16 anos que, aos 15, criou uma marca de roupa chamada “Over it”. Seu produto é um sucesso, e ele já está até exportando.
Num dado momento, ele é interrompido por uma tal Raquel Varela.

O garoto de 16 anos humilhou a debilóide esquerdistinha de meia tigela com poucas palavras, mas foram tão acertadas que ela ficou com a carinha de debilóide estraçalhada no chão.

QUASE dá para sentir pena da esquerdopata...

 

Ao que consta, a tal Raquel Varela é doutora em História Política e Institucional (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa).
Como Marilenas Chauís e Emires Saderes da vida, ela achou que sua titulação e sua clara posição socialista seriam suficientes para intimidar o garoto de 16 anos, tentando fazê-lo parecer um explorador de trabalho escravo na China ou em Portugal.
Mas o feitiço virou-se contra a bruxa.

A resposta do garoto foi de uma simplicidade tão avassaladora, mas ao mesmo tempo tão complexa, que a doutora Raquel teve que enfiar o rabinho entre as pernas e fazer cara de paisagem. Ela poderia, inclusive, ter pedido licença, dizendo que precisava cagar, e sair do programa.

Em tempo: no Brasil existe uma lei PROIBINDO que garotos de 15 anos trabalhem.
Martim Neves, em Portugal, é um empreendedor de sucesso.
No Brasil, teria seus pais acusados por algum burrocrata metido a adorador de Che Guevara e seria impedido de empreender.

Isso diz muito sobre o Brasil.

Ajuda a explicar, inclusive, por que temos os bolsas-famílias da vida, os Lullas, as Dilmas, os Genoínos, os Malufs, os Tiriricas, os Suplycis, os Dirceus etc.

 

4 de junho de 2013

Encontrando e usando imagens online: dicas e direitos autorais

Excelente artigo para quem trabalha com relações públicas ou comunicação em geral:

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Before we dig into the best resources for free images, here are the classifications you should know about from Google:

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Here is another great resource on copyright guidelines.

As for places to find images:

1. Google Images

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Warning: Do not just grab an image from the search result; the images are protected by strict copyrights.

2. Flickr Creative Commons

To pick up free images from Flickr, put the image subject in the search string and click the “Advanced Search” on the upper right corner of the screen. On the Advanced Search page, select “Creative Commons” at the bottom.

3. PhotoPin

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This post originally appeared on social media consultant Malhar Barai’s blog.

3 de junho de 2013

As forças retrógrado-petistas

Artigo que merece ser lido e relido:

As forças retrógrado-petistas
Miguel Reale Júnior, O Estado de S. Paulo, 01/06/13

Em maio de 2011 foi apresentada no Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional n.º 33 (PEC 33), de iniciativa do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI). Por essa emenda se impõe grave restrição ao poder jurisdicional do Supremo Tribunal Federal (STF) como forma de combater o “ativismo judicial”. Na justificativa da emenda afirma-se que o STF, sem legitimidade eleitoral, passou a ser um legislador ativo, pois, indo além da solução do caso concreto, cria normas invadindo a atribuição reservada aos parlamentares, os únicos legisladores.

A PEC 33 ficou em “banho-maria” por mais de ano e meio, tendo sido apresentado na Comissão de Justiça parecer favorável à sua admissibilidade apenas em dezembro de 2012 e reconhecida sua constitucionalidade em abril do corrente ano, com publicação da decisão 15 dias atrás.

Dois fatores foram desencadeadores da agilização do procedimento para apreciação da PEC: o julgamento do mensalão e a sustação liminar da tramitação do projeto de lei, aprovado na Câmara dos Deputados, impondo limitação ao uso do Fundo Partidário e do tempo de televisão aos novos partidos a serem constituídos.

Merece ser ressaltado o conteúdo autoritário das duas propostas legislativas, que têm em comum pretender limitar o exercício da democracia, um submetendo o Judiciário ao Legislativo, o outro criando insegurança à ida de parlamentares para um novo partido, com efeito imediato durante a própria tramitação, uma forma insidiosa de estrangular o surgimento de agremiações, garantindo-se, de outro lado, maior tempo de televisão aos partidos da base governista, como forma de se tentar perpetuar no poder a coligação entre políticos retrógrados e petistas que domina o País.

Cabe, então, uma breve a análise do teor desses dois projetos. A Proposta de Emenda Constitucional n.º 33/11 constitui uma verdadeira aberração: primeiramente, pretende-se garantir a intocabilidade das leis consideradas inconstitucionais pela maioria dos ministros do STF, pois a Constituição passaria a exigir para decretação da inconstitucionalidade das leis que esse reconhecimento fosse feito por quatro quintos dos ministros do STF. Assim, apenas se 9 dos 11 ministros entenderem a lei inconstitucional será ela assim reconhecida. Se 8 ministros considerarem inconstitucional a norma, esta permanecerá eficaz, pois sua inconstitucionalidade foi reconhecida “apenas” por três quartos dos ministros. Dessa forma se pretende instalar a supremacia do Legislativo, cujas afrontas à Constituição devem ser perenizadas autorizando-se que lei, reconhecida inconstitucional pela maioria do STF, permaneça intangida.

Em outro artigo, a proposta de emenda generosamente permite ao STF criar súmula, também por quatro quintos dos seus membros, mas que somente terá força vinculante se tal efeito lhe for outorgado pelo Congresso Nacional. Recebida a comunicação de prolação da súmula pelo STF, o Congresso terá prazo de 90 dias para deliberar, em sessão conjunta, por maioria absoluta, sobre o seu efeito vinculante.

Assim, em matéria de cunho eminentemente jurisdicional como o relativo à interpretação de norma constitucional tributária, o entendimento, mesmo de quatro quintos do STF, apenas terá força vinculante para a administração pública se o Congresso entender de atribuir a tal enunciado esse efeito. A decisão técnico-jurídica do STF, fruto de decisão de quatro quintos de seus membros, ficará, então, sujeita ao crivo do Congresso Nacional, o único que, em sua suprema onisciência, poderá ou não dar força vinculante a uma súmula!

Em outro dispositivo se chega a mais um absurdo: se o STF reconhecer a inconstitucionalidade de uma emenda constitucional, como essa mesmo, por exemplo, tal decisão não terá efeitos imediatos, mas dependerá de apreciação do Congresso, que julga o julgamento do STF. Se o Congresso rejeitar a decisão do STF, a matéria será objeto de consulta popular, um plebiscito, para que o povo diretamente avalie se a emenda constitucional é constitucional ou inconstitucional, se deve ou não ter eficácia. Avilta-se o STF em favor de um populismo perigoso ao se submeter questão técnica de inconstitucionalidade à apreciação da população!

De outra parte, o Projeto n.º 4.470/2012, já aprovado na Câmara dos Deputados, torna impossível a transferência dos recursos do Fundo Partidário e do horário de propaganda eleitoral no rádio e na televisão proporcionalmente ao número de deputados que venham a integrar o novo partido, com isso desestimulando a migração de parlamentares para agremiações em formação.

Com toda a razão se argumenta que o projeto leva ao esvaziamento do direito fundamental à livre criação de partidos e do pluralismo político, em ofensa ao já decidido pelo STF em ação direta de inconstitucionalidade, a ADI 4.430.

Assim, diante do perigo iminente de dano à liberdade política, o ministro Gilmar Mendes deu liminar para sustar a tramitação do projeto, cujos efeitos nefastos já se faziam presentes. Foi o bastante para se espalhar a revolta dos parlamentares governistas em nome de um “espírito de corpo”, para chamar às falas a “honra” do Congresso, pois o STF teria interferido na apreciação de projeto ainda em votação, intrometendo-se no curso do processo legislativo.

Cabe ver, contudo, que o efeito pretendido pela maioria governista de intimidar colegas a não se transferirem para novas agremiações já se estava consumando no decorrer do processo legislativo, garantindo-se, pela mera ameaça, o garroteamento de novos partidos e a satisfação da fome de poder das forças retrógrado-petistas.

Esse quadro autoritário, fruto da aliança dos chefetes desde ontem com a corporação petista instalada na burocracia, é próprio dos atuais donos do poder.