Marketing, economia, administração, educação, política, música - enfim, um pouco de tudo.
19 de junho de 2013
Algumas lições de Mises de 1979 para os protestos brasileiros de 2013
Em meio a toda a discussão gerada pela onda de protestos que têm ocorrido no Brasil, achei interessante reforçar algumas das palavras de Ludwig von Mises.
Recortei alguns trechos dos 2 primeiros capítulos de um dos livros dele que mais gosto. É um livro bastante objetivo, sem firulas. Pode ser baixado (em formatos PDF, MOBI e ePub) AQUI, gratuitamente.
Recomendo a leitura para quem deseja aproveitar este momento de (supostas) mudanças no país para refletir sobre o que deseja para o Brasil.
OBS: Como retirei os trechos do PDF, a formatação está "estranha", mas isso não impede a leitura. O mais importante é o conteúdo, mas já peço desculpas antecipadamente pela forma.
AS SEIS LIÇÕES
Ludwig von Mises
Traduzido por Maria Luiza Borges
7ª Edição
Copyright © Margit von Mises, 1979
Título do original em inglês: ECONOMIC POLICY: THOUGHTS FOR TODAY AND TOMORROW
Revisão para nova ortografia: Núbia Tavares
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Ludwig von Mises do Instituto Liberal – RJ
Bibliotecário Responsável: Otávio Alexandre J. De Oliveira
CAPÍTULO I
PRIMEIRA LIÇÃO
O CAPITALISMO
Certas expressões usadas pelo povo são, muitas vezes, inteira-
mente equivocadas. Assim, atribuem-se a capitães de indústria e
a grandes empresários de nossos dias epítetos como “o rei do cho-
colate”, “o rei do algodão” ou “o rei do automóvel”. Ao usar essas
expressões, o povo demonstra não ver praticamente nenhuma di-
ferença entre os industriais de hoje e os reis, duques ou lordes de
outrora. Mas, na realidade, a diferença é enorme, pois um rei do
chocolate absolutamente não rege, ele serve. Não reina sobre um
território conquistado, independente do mercado, independente de
seus compradores. O rei do chocolate – ou do aço, ou do automó-
vel, ou qualquer outro rei da indústria contemporânea – depende
da indústria que administra e dos clientes a quem presta serviços.
Esse “rei” precisa se conservar nas boas graças dos seus súditos, os
consumidores: perderá seu “reino” assim que já não tiver condições
de prestar aos seus clientes um serviço melhor e de mais baixo custo
que o oferecido por seus concorrentes.
Duzentos anos atrás, antes do advento do capitalismo, o status
social de um homem permanecia inalterado do princípio ao fim de
sua existência: era herdado dos seus ancestrais e nunca mudava.
Se nascesse pobre, pobre seria para sempre; se rico – lorde ou du-
que –, manteria seu ducado, e a propriedade que o acompanhava,
pelo resto dos seus dias.
No tocante à manufatura, as primitivas indústrias de beneficia-
mento da época existiam quase exclusivamente em proveito dos
ricos. A grande maioria do povo (90% ou mais da população eu-
ropeia) trabalhava na terra e não tinha contato com as indústrias
de beneficiamento, voltadas para a cidade. Esse rígido sistema da
sociedade feudal imperou, por muitos séculos, nas mais desenvol-
vidas regiões da Europa.
Contudo, a população rural se expandiu e passou a haver um ex-
cesso de gente no campo. Os membros dessa população excedente,
sem terras herdadas ou bens, careciam de ocupação. Também não
lhes era possível trabalhar nas indústrias de beneficiamento, cujo
acesso lhes era vedado pelos reis das cidades. O número desses
“párias” crescia incessantemente, sem que todavia ninguém sou-
besse o que fazer com eles. Eram, no pleno sentido da palavra,
“proletários”, e ao governo só restava interná-los em asilos ou ca-
sas de correção. Em algumas regiões da Europa, sobretudo nos
Países Baixos e na Inglaterra, essa população tornou-se tão nu-
merosa que, no século XVIII, constituía uma verdadeira ameaça à
preservação do sistema social vigente.
Hoje, ao discutir questões análogas em lugares como a Índia ou
outros países em desenvolvimento, não devemos esquecer que, na
Inglaterra do século XVIII, as condições eram muito piores. Na-
quele tempo, a Inglaterra tinha uma população de seis ou sete mi-
lhões de habitantes, dos quais mais de um milhão – provavelmente
dois – não passavam de indigentes a quem o sistema social em vigor
nada proporcionava. As medidas a tomar com relação a esses deser-
dados constituíam um dos maiores problemas da Inglaterra.
Outro sério problema era a falta de matérias-primas. Os in-
gleses eram obrigados a enfrentar a seguinte questão: que faremos,
no futuro, quando nossas florestas já não nos derem a madeira de
que necessitamos para nossas indústrias e para aquecer nossas ca-
sas? Para as classes governantes, era uma situação desesperadora.
Os estadistas não sabiam o que fazer e as autoridades em geral não
tinham qualquer ideia sobre como melhorar as condições.
Foi dessa grave situação social que emergiram os começos do
capitalismo moderno. Dentre aqueles párias, aqueles miseráveis,
surgiram pessoas que tentaram organizar grupos para estabelecer
pequenos negócios, capazes de produzir alguma coisa. Foi uma
inovação. Esses inovadores não produziam artigos caros, acessí-
veis apenas às classes mais altas: produziam bens mais baratos, que
pudessem satisfazer as necessidades de todos. E foi essa a origem
do capitalismo tal como hoje funciona. Foi o começo da produção
em massa – princípio básico da indústria capitalista. Enquanto
as antigas indústrias de beneficiamento funcionavam a serviço da
gente abastada das cidades, existindo quase que exclusivamente
para corresponder às demandas dessas classes privilegiadas, as no-
vas indústrias capitalistas começaram a produzir artigos acessíveis
a toda a população. Era a produção em massa, para satisfazer às
necessidades das massas.
Este é o princípio fundamental do capitalismo tal como existe
hoje em todos os países onde há um sistema de produção em massa
extremamente desenvolvido: as empresas de grande porte, alvo dos
mais fanáticos ataques desfechados pelos pretensos esquerdistas,
produzem quase exclusivamente para suprir a carência das massas.
As empresas dedicadas à fabricação de artigos de luxo, para uso ape-
nas dos abastados, jamais têm condições de alcançar a magnitude
das grandes empresas. E, hoje, os empregados das grandes fábricas
são, eles próprios, os maiores consumidores dos produtos que nelas
se fabricam. Esta é a diferença básica entre os princípios capitalis-
tas de produção e os princípios feudalistas de épocas anteriores.
Quando se pressupõe ou se afirma a existência de uma diferen-
ça entre os produtores e os consumidores dos produtos da grande
empresa, incorre-se em grave erro. Nas grandes lojas dos Estados
Unidos, ouvimos o slogan: “O cliente tem sempre razão.” E esse
cliente é o mesmo homem que produz, na fábrica, os artigos à venda
naqueles estabelecimentos. Os que pensam que a grande empresa
detém um enorme poder também se equivocam, uma vez que a em-
presa de grande porte é inteiramente dependente da preferência dos
que lhes compram os produtos; a mais poderosa empresa perderia
seu poder e sua influência se perdesse seus clientes.
Há cinquenta ou sessenta anos, era voz corrente em quase todos
os países capitalistas que as companhias de estradas de ferro eram
por demais grandes e poderosas: sendo monopolistas, tornavam im-
possível a concorrência. Alegava-se que, na área dos transportes,
o capitalismo já havia atingido um estágio no qual se destruira a si
mesmo, pois que eliminara a concorrência. O que se descurava era
o fato de que o poder das ferrovias dependia de sua capacidade de
oferecer à população um meio de transporte melhor que qualquer
outro. Evidentemente teria sido absurdo concorrer com uma des-
sas grandes estradas de ferro, através da implantação de uma nova
ferrovia paralela à anterior, porquanto a primeira era suficiente para
atender às necessidades do momento. Mas outros concorrentes não
tardaram a aparecer. A livre concorrência não significa que se possa
prosperar pela simples imitação ou cópia exata do que já foi feito por
alguém. A liberdade de imprensa não significa o direito de copiar
o que outra pessoa escreveu, e assim alcançar o sucesso a que o ver-
dadeiro autor fez jus por suas obras. Significa o direito de escrever
outra coisa. A liberdade de concorrência no tocante às ferrovias,
por exemplo, significa liberdade para inventar alguma coisa, para
fazer alguma coisa que desafie as ferrovias já existentes e as coloque
em situação muito precária de competitividade.
Nos Estados Unidos, a concorrência que se estabeleceu através
dos ônibus, automóveis, caminhões e aviões impôs às estradas de
ferro grandes perdas e uma derrota quase absoluta no que diz res-
peito ao transporte de passageiros.
O desenvolvimento do capitalismo consiste em que cada ho-
mem tem o direito de servir melhor e/ou mais barato o seu clien-
te. E, num tempo relativamente curto, esse método, esse princípio,
transformou a face do mundo, possibilitando um crescimento sem
precedentes da população mundial.
21 de agosto de 2012
Tirar as sacolas dos supermercados foi um ERRO ABSURDO
Eu cansei de escrever, neste blog, sobre o caso (basta ver a tag APAS).O vice-presidente de Relações Corporativas do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, classificou como “um erro absurdo” a decisão dos supermercados paulistas de parar de fornecer sacolas plásticas nos caixas. Na avaliação do executivo, a ideia de chamar a atenção do consumidor para o descarte adequado das sacolinhas é importante, entretanto, deveria ter sido melhor estruturada para promover uma mudança de hábito da população. “Quando você quer mudar hábitos de consumo todos os agentes da sociedade precisam sentar e discutir metas de longo prazo”, disse nesta terça-feira (21), durante o Encontro de Sustentabilidade promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.Hugo Bethlem acredita que a forma como a Associação Paulista de Supermercados (Apas) conduziu o tema foi errada, pois acabou gerando uma agenda negativa para o setor. “Queremos sair dessa agenda negativa, colocando o consumidor a favor do meio ambiente”, afirmou.No mesmo sentido, o presidente do Lide, o empresário João Dória Jr, lamentou a execução da proposta do fim das sacolas plásticas. “Às vezes uma boa intenção que não é completa representa um passo atrás”, avaliou.A distribuição de sacolas plásticas gratuitamente voltou a ocorrer no Estado de São Paulo no fim de junho, quando a juíza Cynthia Torres Cristófaro, da 1ª Vara Central da capital paulista, determinou a medida, válida a partir do dia 28 de junho e em vigor desde então.Segundo o executivo do Pão de Açúcar, o grupo está fazendo sacolas sem o nome das redes de supermercados e com mensagens de conscientização do consumo, chamando atenção para o descarte adequado. “As pessoas precisam entender a importância do fim da sacolinha. Vamos oferecer alternativas para isso.”(Por Último Segundo) varejo, núcleo de estudos do varejo, núcleo de estudos e negócios do varejo
7 de fevereiro de 2010
A empresa sem noção
Então, hoje quero tratar apenas de UMA delas: a SKY.
A Sky é uma empresa completamente despreparada para atender o cliente de forma respeitável, eficaz, eficiente e que permita a criação de VALOR PERCEBIDO.
A empresa sofre da síndrome da Telefônica - como tem um monopólio de mercado na prática, adota a filosofia da vaca: está cagando e andando para o cliente.
Estas são as principais conclusões a que eu chego após um loooooongo e cansativo processo de contatos com a empresa. Vou relatar o que houve - eu sei que o post vai ficar longo, caro leitor, mas acredite: EU RESUMI MUITAS COISAS!
No último dia 23/12/2009, resolvi solicitar à SKY a mudança do meu plano de assinatura vigente até então (“Combo SKY Digital Filmes Plus 2009”) para um plano novo, chamado “COMBO NEW SKY HDTV MIX HBO MAX 2010”. Foi neste momento que iniciou-se uma série de fatos que demonstram a incapacidade da empresa em oferecer serviços minimamente aceitáveis.
Graças a esta solicitação, a SKY mostrou ser uma empresa incapaz de vender o serviço que oferece, pois desrespeita o cliente sem nenhum pudor — e, além disso, mostrou ser incapaz de manter qualquer padronização e qualidade em seus processos internos.
Eis o porquê:
Fui atendido por uma funcionária que se identificou como Cilene, e este atendimento gerou o protocolo 879.117.996, na quarta-feira, dia 23/12. Antes de autorizar a alteração do plano, fiz algumas perguntas à Cilene, para esclarecer minhas dúvidas, quais sejam:
1) Perguntei se ao mudar para o plano da HDTV, teria direito ao recepetor de canais abertos em alta definição, conforme consta do site da SKY. Foi confirmado que sim, eu teria o direito ao tal aparelho, sem nenhum custo adicional.
2) Perguntei se ao fazer a migração para o novo plano, haveria a necessidade de fazer mudanças na fiação atualmente instalada na minha casa, ao que a Cilene respondeu que sim: segundo ela, haveria a necessidade de passar um novo cabeamento, da antena até a minha TV, para receber o sinal em alta definição (HDTV).
Como resultado, eu ESVAZIEI um armário abarrotado de cacarecos, por onde passa a fiação da TV (armário embutido!), para que o técnico pudesse passar a nova fiação.
3) Perguntei se ao fazer a migração para o novo plano, eu poderia passar o aparelho que atualmente estava no meu quarto para um outro cômodo, haja vista que o novo plano oferece 3 aparelhos (sendo um em alta definição). Ela confirmou que sim.
A instalação foi agendada para o dia 26/12, um sábado, à tarde.
Foi a partir desse momento que a sucessão de cagadas começou.
Primeiro, o técnico chegou por volta do meio-dia, mas eu havia deixado claro, na ligação, que a visita deveria ser feita APÓS as 13 horas, sob o risco de não ter ninguém em casa. Época de Natal, almoços e reuniões com a família..... Enfim, o risco era grande. Eu estava CHEGANDO em casa, mas de qualquer forma foi um erro - aparentemente, descobri depois, do técnico, uma vez que na ordem de serviço constava, sim, a informação do horário.
O rapaz ainda pediu desculpas porque ele achava que deveria ter chegado às 9 da manhã!
Isso indica que ele não se deu ao trabalho de ler a observação que constava da ordem de serviço que ele trazia consigo, impressa, em 2 vias.
Mas isto foi o de menos.
O primeiro problema: ele retirou o aparelho e estava guardando, para levar embora, quando eu avisei que aquele aparelho deveria ser instalado em outro cômodo. Ele disse que não, que, SEGUNDO A ORDEM DE SERVIÇO, o aparelho deveria ser retirado (ele me mostrou a ordem de serviço, e realmente constava o termo "retira antigo").
Erro da Sky, que emitiu a OS.
Tive que ligar às pressas para a Sky, para pedir a retificação do erro.
Neste meio tempo, perguntei sobre a necessidade de passar o novo cabeamento. Para minha surpresa, ele disse que não era necessário mexer em nada.
Então eu esvaziei o armário à toa ?
Ele disse que sim.
Mas quem me passou esta informação foi a atendente da Sky, a tal Cilene, no dia 23/12.
Informação errada.
Que bom!!!!!!!!!!!!
Feita a correção da OS (depois de ligar para o maldito SAC que te enrola por muito tempo), indiquei o quarto no qual deveria ser instalado o aparelho antigo.
Aí, voltei a acompanhar a instalação do HD no meu quarto.
Senti falta do tal receptor de canais abertos em HD, e perguntei para o técnico.
Ele me disse que nem trouxe, pois a recepção da tal TV digital no meu bairro é muito ruim.
A partir desta informação, decidi que depois iria ligar para a SKY, porque afinal de contas o serviço oferecido inicialmente (do qual o tal recepetor faz parte) estaria ficando incompleto - o que deveria, pelo lógica, se traduzir em algum abatimento/desconto na mensalidade.
Depois disso, fui ao site da Sky, verificar a questão.
O único link indicado no site da SKY no que tange à cobertura da TV digital (aberta) é o "site oficial da TV digital brasileira", que traz apenas a relação de cidades cobertas pelo sinal, mas não faz NENHUMA menção aos bairros de cada uma destas cidades, conforme segue:
Em resumo: na data marcada para a instalação do novo pacote,depois de errar quanto ao horário, errar quanto à retirada do aparelho antigo, e errar quanto à NÃO instalação do recepetor de canais abertos, os 2 técnicos foram embora.
Ok, os canais em HD (alta definição) realmente são bons (a imagem é ótima, mas o som deixa a desejar).
Mas para conseguir chegar a estas tais imagens, tive que conviver com uma série de erros e equívocos da SKY.
Porém, depois disso eu viria a descobrir que a coisa seria ainda pior!
Liguei para o SAC da SKY no dia 29/12, para verificar qual seria o valor do meu desconto, uma vez que o aparelho receptor de canais abertos em HD não foi instalado. A atendente, Elisa, me informou o número do protocolo (maldito protocolo! Mas eis o número: 881.810.100), e disse que constava no sistema da SKY que o aparelho não foi instalado porque o sinal não seria suficientemente bom. Eu perguntei se o técnico sabia de antemão que o sinal não seria bom, ou se ele teria poderes paranormais, uma vez que não houve nenhum tipo de teste do tal aparelho.
A Elisa disse que constava do sistema que o teste fora realizado, e o sinal seria insuficiente.
Expliquei que não foi feito nenhum teste, e pedi que fosse instalado o aparelho, ou que a empresa desse um desconto proporcional - afinal, no site da SKY, consta a informação de que se eu quiser adquirir o tal recepetor separadamente, eu teria que pagar R$ 19,00 por mês, como mostrado neste "print-screen":
Eu já estava me preparando psicologicamente para MAIS uma briga, pois qualquer cliente da SKY que acesse o site, buscando informações sobre as "vantagens" dos novos pacotes HDTV é enganado - e das mais variadas formas.
Abaixo o "print-screen" do site:
No final das contas, ela disse que agendaria uma visita técnica, e o aparelho seria instalado. Porém, no momento de ela confirma a data/horário para a tal visita técnica, mais uma cagada da SKY: a atendente agendou para o dia 04/01, em HORÁRIO COMERCIAL.
Imediatamente eu a interrompi, e pedi que fosse marcada a visita no período da TARDE.
Ela respondeu que a empresa não trabalha com este tipo de agendamento: a única possibilidade seria marcar em "horário comercial" mesmo - o que implicaria passar o dia INTEIRO à disposição do técnico.
Questionei a Elisa sobre isso, avisando-a de que a Lei nº 13.747, promulgada pelo governo do Estado de São Paulo em 2009, estabelece que as empresas têm 3 horários nos quais pode agendar uma entrega de produto e/ou prestação de serviços: pela manhã, das 7h às 12h; à tarde, das 12h às 18h; e à noite, das 18h às 23h.
Mesmo assim, a funcionária da SKY repetiu em alto e bom som que a empresa não trabalha desta forma.
Perguntei, então, se "a SKY resolveu ignorar a lei claramente".
Ela não respondeu nem sim nem não - como toda atendente de telemarketing mal-qualificada e mal-preparada, repetiu o bordão de que o serviço seria realizado em horário comercial.
Pedi que ficasse registrado que eu havia feito a solicitação para o período da tarde, e, ao final da ligação, solicitei uma cópia da gravação daquela conversa. Ela me pediu para aguardar, e após alguns minutos, perguntou qual a razão da solicitação da gravação.
Eu respondi que gostaria da gravação para comprovar que a SKY desrespeita a Lei 13.747/09.
Aproveitei, e pedi também a gravação da ligação que eu fizera em 26/12, quando eu solicitei a troca do meu plano.
Fui informado de que as gravações seriam enviadas por e-mail, em até 5 dias úteis.
Passaram-se mais de DEZ dias úteis, e nada das gravações.
Liguei novamente para o SAC, e desta vez conversei com Charles (por 58 minutos!).
Na pauta desta ligação (feita no dia 11/01, sob o protocolo 891.146.417), constavam 4 itens:
1) Divergência absurda no valor da mensalidade (o plano contratado custa R$ 234,90, mas recebi uma fatura de mais de R$ 290,00).
2) Cobrar as gravações das ligações, solicitadas em 29/12 (portanto, DEPOIS do prazo de 5 dias úteis solicitados).
3) Reclamar que no dia da instalação (26/12), um dos técnicos quebrou 2 telhas, mas não teve a decência de avisar, preferindo "esconder" os cacos na calha da minha casa.
4) Perguntar sobre um ponto adicional que eu planejava instalar.
A ligação com o Charles levou mais de 58 minutos, e resolveu muito pouco.
Sobre o valor da mensalidade, ele tentou fazer umas contas malucas, e entrou em contradição com as informações apresentadas no site da SKY (retomarei este ponto depois, num outro post, pois é MAIS uma novela, loooooonga!).
Com relação às gravações, a informação agora era de que o prazo seria de DEZ dias úteis, e não cinco. Aproveitei para pedir a gravação da minha ligação (com isto, eu DEVERIA receber gravações de TRÊS ligações: do dia 23/12, do dia 29/12 e do dia 11/01).
O tempo passou, e eu só recebi a gravação da primeira ligação, de 23/12.
Depois de questionar a SKY até mesmo pelo Twitter, recebi uma ligação, no dia 20/01, da funcionária Carina Lopes. Ela pediu desculpas pelas cagadas, e se prontificou a tomar as providências para resolver tudo o que ficara pendente.
Ela me informou que seria feito um abatimento na minha fatura, no mês seguinte (ainda a conferir, pois não chegou esta fatura).
Ela me disse que verificaria o atraso do envio das gravações, e voltaria a me ligar.
E ela também acionou a empresa prestadora de serviços da SKY na minha região, para consertar as telhas quebradas.
De fato, a Carina voltou a me ligar alguns dias depois, para dar o feedback.
O único ponto que não foi resolvido: segundo ela, houve um problema no "sistema" da SKY (por que as empresas incompetentes SEMPRE colocam a culpa "no sistema"?????)
Por coincidência, a Carina me ligou exatamente no dia em que eu havia ido até o Correio, para buscar uma "encomenda" que eu recebera (e o aviso foi entregue dias antes, na minha casa). Só descobri que a tal encomenda seria da SKY quando cheguei na agência dos Correios. Eles haviam mandado um CD-ROM, com uma "cartinha":
Ao conversar com a Carina, por telefone, fiz questão de deixar claro que eu tinha plena consciência de que erros acontecem - mas achei MUITO CONVENIENTE que a SKY tivesse perdido justamente as DUAS ligações que provavam o desrespeito às leis - tanto à lei que trata do horário do serviço, como o Código de Defesa do Consumidor.
Mais estranho ainda é que a ligação cuja gravação eu havia recebido foi a ÚNICA que eu solicitei alguns dias depois - as duas outras gravações eu solicitei na própria ligação. Ou seja, se a SKY fosse uma empresa séria, que respeita VERDADEIRAMENTE o cliente, as gravações deveriam ter sido providenciadas de imediato, pois não seria preciso buscar nada em bancos de dados e afins.
Nesta estória toda, eu falei com 5 pessoas (Cilene, Elisa, Luana, Charles e Carina), passei umas 3 horas ao telefone (somando o tempo de todas as ligações), e me vi na seguinte situação: REFÉM.
Me senti um REFÉM de uma empresa monopolista - afinal, depois que a SKY comprou a DirecTV, quais as opções de quem deseja ter TV por assinatura via satélite ?! Já tive NET (a cabo), e descobri que o cabeamento da TVA/ajato não passa no quarteirão da minha casa (no resto da rua, passa). Tirando isso, que outras opções eu teria?
Segundo o site TELECO, estas são as atuais operadoras de DTH no Brasil: Directv, DTCOM, DTH, Rede Amazonica, Sky, STAR SAT e Tecsat.
De todas estas, a única que eu já tinha ouvido falar é a TECSAT - porém, hoje parece que ela desapareceu. Ao tentar localizá-la na web, me deparei com ESTE LINK. O endereço http://tecsatsorocaba.sites.uol.com.br/ é vazio, e nenhum link ali funciona.
A DirecTV não existe mais - segundo o site TELECO, "Em 11/02/2004 a Globopar e DIRECTV anunciaram um acordo para a fusão da DIRECTV e Sky no Brasil. A nova empresa, apesar de manter o nome de Sky Brasil, será controlada pela DIRECTV (72%) ficando a Globopar com os 28% restantes. A gestão da Sky Brasil será exercida pela DIRECTV. A fusão aprovada em Mai/06.". Para se ter uma idéia da versão oficial dos fatos, ver ESTE LINK.
Quanto às outras, não consegui localizar NENHUM site e/ou link.
Só posso chegar à conclusão de que se trata de um MONOPÓLIO ABSOLUTO da SKY, não ?!
Ela não tem NENHUM concorrente ????????
Obviamente, estou falando de DTH, ou seja, TV via satélite - o que exclui NET, TVA etc.
Sou refém de uma empresa monopolista, que NÃO cumpre as leis - e, para piorar, está cagando e andando para o cliente - olha a filosofia da vaca fazendo escola!
Ao longo da minha peregrinação, percebi que no Orkut há diversos tópicos de discussão sobre as cagadas da SKY. Ficam algumas sugestões: aqui, aqui, aqui e aqui.
Ao ler as reclamações ali, é possível perceber que os tais "problemas" e "falhas no sistema" não são meros problemas casuais - são generalizados.
Mas, como eu sempre digo, se não há concorrência, foda-se a competência.....
28 de março de 2008
Cartelização ou evolução ?
Primeiro, a notícia.Depois eu comento.
Foi fechada nesta quinta-feira, 27 de março, a compra da Brasil Telecom pela Oi. Os acionistas das duas operadoras telefônicas chegaram enfim a um acordo final que permitiu a negociação iniciada há tantos meses e por tantas vezes postergada.
A Brasil Telecom opera nas regiões Centro-Oeste e Sul e a Oi mantém atuação no Norte, Nordeste e Sudeste. Está prestes a entrar em São Paulo, até agora o único estado a estar de fora de sua geografia. Por cerca de R$ 5 bilhões, foi fechada a compra mais comentada dos últimos tempos no Brasil.
Participaram, além do Citigroup, Opportunity e fundos de pensão, pelo lado da BrT, os acionistas da Oi, Andrade Gutierrez, BNDES e La Fonte. A última pendência, agora vencida, era a resistência dos acionistas em flexibilizar as exigências do acordo entre as teles. A Oi será a operadora de telecomunicações de capital nacional, com convergência de tecnologias e licenças, oferecendo telefonia fixa, celular, banda larga e TV por assinatura.
A notícia, na íntegra, pode ser lida AQUI.
Informações complementares podem ser localizadas aqui, aqui, aqui e aqui.
Eu já tratei desta questão anteriormente.
Me parece que a fusão não trará grandes benefícios a ninguém, exceto políticos corruPTos e incomPTentes cujos filhos já abocanharam milhões e tendem a ganhar mais.
Os consumidores terão de conviver com maior concentração de serviços nas mãos de menos empresas - muitas delas, aliás, incompreensivelmente inaptas para oferecer bons serviços.
Como se não bastasse, a lei que trata da questão foi convenientemente modificada exclusivamente para atender as demandas da empresa que injetou milhões na empresinha furreca do filho do incomPTente-mor do Brasil.
Um acinte aos cidadãos que respeitam as leis e não têm como alterá-las conforme sua conveniência.
A lei deve retratar o potencial de competitividade de setores estratégicos do país, e não buscar o benefício de "privilegiados".
Esta visão tapuia, burra, bem PTista mesmo (um pleonasmo colocar "PTista" e "burro" na mesma sentença, mas enfim.....), no longo prazo, acaba minando a concorrência e, por conseqüência, a competitividade do país no setor.
Lastimável.
29 de janeiro de 2008
Telefonia - mais dúvidas e problemas
Conforme o tempo vai passando, vai ficando mais claro que esta fusão apresenta mais potenciais problemas do que potenciais vantagens.
Uma matéria do site IT Web (na íntegra aqui) ajuda a reforçar esta minha impressão. O texto é bastante elucidativo:
O temor de que a anunciada negociação da Brasil Telecom pela Oi possa trazer algum prejuízo à concorrência do mercado de telefonia fixa e celular, com repercussão negativa também ao direito do consumidor, levou o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) a enviar cartas ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg; à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; e à Secretária de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Mariana Tavares de Araújo.
"Acreditamos que o fechamento do negócio é preocupante e nos posicionamos contra ele porque entendemos que haverá prejuízo à concorrência no mercado de telecomunicações devido ao aumento da concentração, além do surgimento de práticas ilegais como interrupção de contratos e serviços", afirmou o advogado do Idec, Luiz Moncau.
No texto da carta enviada aos diversos órgãos do governo, o Idec diz ainda que causa inquietação o fato de a compra de uma concessionária por outra estar em desacordo com as regras vigentes no País, em especial com o artigo 14 do Decreto 2534 de 1998, segundo o qual foi aprovado o Plano Geral de Outorgas, dividindo o território nacional em três concessões de telefonia fixa.
Moncau acrescenta que há muitos outros fatores envolvidos e que, se o governo efetivamente definir sua autorização, medidas preventivas serão necessárias para evitar prejuízo ao consumidor. Entre essas medidas inclui-se a manutenção dos contratos vigentes e a melhoria do atendimento ao cliente, que costuma ser terceirizado e mal-dimensionado nessas ocasiões de fusão, quando aumenta consideravelmente o número de dúvidas da população.
Não obstante haja empecilhos legais, morais e éticos para a transação, existe, ainda, a questão da monopolização: o sistema de telefonia brasileiro foi privatizado para, entre outras finalidades, aumentar a concorrência através da quebra do monopólio do Sistema Telebrás. A fusão destas empresas, nas atuais circunstâncias, traria uma aproximação perigosa com o antigo monopólio - a rigor, sobrariam apenas 3 empresas concorrendo na telefonia fixa brasileira: Telefônica, Embratel (pertencente à Telmex, dona da Claro) e Brasil Telecom+Oi. As "concorrentes" Telmex e Telefônica NÃO pretendem contestar judicialmente o negócio, conforme informado aqui.
Há, ainda, questões óbvias de prejuízo ao consumidor - leia mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Em resumo, há possibilidades de MAIS problemas.......
O marco regulatório (noutras palavras, a lei) não vale muito no Brasil, mesmo. Afinal, ela pode ser alterada pela conveniência de um governo que foi notadamente subornado através de investimentos ridiculamente comprometedores na "empresa" do filho do Presidente da República.
E os consumidores assistem a tudo, inertes.
Com isto, retomo um trecho do post inaugural deste blog (aqui):
Na década de 1980, o trabalhador brasileiro "aprendeu" a fazer greves para exigir direitos que eram, até então, muito mais teóricos do que reais.O caso da possível fusão entre a Brasil Telecom e a Oi/Telemar apenas ratifica meu texto inicial......(lamentavelmente)
Quando o CONSUMIDOR brasileiro vai aprender a fazer "greves" ?
Assim, este é o "mote" deste blog: tratar de Marketing, sim - mas sem abandonar a realidade que nos cerca.
18 de janeiro de 2008
Telefonia no Brasil: crescimento e problemas
Assim, temos o forte crescimento do número de clientes por um lado, e, por outro, a movimentação das empresas - um dos argumentos utilizados para justificar a fusão da Oi com a Brasil Telecom seria a necessidade de ganhar escala para competir, inclusive com operadoras estrangeiras.
O primeiro problema: a lei brasileira precisaria ser alterada para permitir a fusão da Brasil Telecom e da Oi.
Alguns argumentam que a modificação da legislação permitira a cartelização da telefonia - e, neste sentido, cabe lembrar que a privatização do Sistema Telebrás aconteceu justamente para quebrar o monopólio então vigente.
Há, claro, algumas complicações (como a presença do Citigroup na composição acionária, como explicado aqui) políticas, econômicas e afins.
Mas nesta discussão toda, como fica o CLIENTE ?
Seria melhor a união entre as duas empresas para oferecer melhores serviços ao cliente ? Será que o custo da telefonia, para o usuário final, vai cair ?
O setor bancário também passou por um forte período de ajustes, com fusões, aquisições e afins - e as tarifas bancárias explodiram, os serviços permanecem precários.....
Ninguém está discutindo isso......
POR QUÊ ?
O blog da Maria Inês Dolci (SEMPRE uma leitura obrigatória, aqui) trata de um ponto que não pode ser deixado de lado, que transcrevo abaixo (postagem do dia 15/01/2008):
O relatório da ouvidoria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mostrando a ineficiência da Agência, só comprova o que nós consumidores constatamos no dia-a-dia. Como é o caso da internet banda larga, em que a falta de concorrência nos leva a pagar preços elevados para serviços ineficientes, com velocidades limitadas, apesar de a tecnologia ainda atingir pequena parcela da população brasileira.E da telefonia fixa, em que continuamos não tendo como trocar de operadora, mesmo pagando caro pela assinatura básica. É o consumidor sem saída.
Isso serve para ilustrar o seguinte: é inegável que o custo da telefonia (tanto fixa quanto móvel) no Brasil caiu desde a privatização. É inegável, da mesma forma, que o acesso aos serviços foi ampliado (como exemplo, hoje pode-se comprar um celular ou um telefone fixo por telefone, e receber em casa no dia seguinte, ou mesmo passar numa loja e já sair falando ao celular), e houve disponibilização de novos serviços além daqueles que chegaram como "novidades" logo no início da telefonia móvel - como o identificador de chamadas, por exemplo.
Mas será que abrir a brecha legal para fusões e aquisições não acabará minando o pouco poder do consumidor ?
As agências reguladoras, infelizmente, tiveram seu papel reduzido a cabide de empregos do petistas incompetentes e demais bajuladores dos boçais do lullismo - então, elas não conseguem fazer aquilo que deveriam fazer, quando foram idealizadas (no mesmo momento da privatização).
Aparentemente, ao que indicam as notícias, o executivo federal está apoiando a fusão - com o argumento de criar uma empresa brasileira forte para concorrer com as estrangeiras. É um argumento xenófobo e burro (além de questionável, como demonstrado aqui), mas é uma possibilidade real.
E o consumidor ?
Não foi ouvido, não tem força nenhuma na discussão.
15 de outubro de 2007
Cobranças indevidas: um ganho do consumidor
As regras valem a partir de abril de 2008 e rendem multas de até R$ 40 mil se não forem cumpridas. Alterações no plano contratado têm que ser informadas aos clientes até 30 dias antes da mudança e o consumidor não é obrigado a continuar no plano. No contrato, devem constar ainda os índices e a periodicidade de reajustes.
Em caso de interrupção do sinal por mais de 30 minutos, será abatido o valor proporcional ao tempo em que o assinante ficou sem o serviço. O usuário poderá pedir, uma vez por ano, a suspensão do serviço por até quatro meses sem pagar nada.
COMEMOREMOS !!!!!!!
Eu criei uma ojeriza à NET, quando tentei cancelar o serviço, alguns anos atrás. Uma empresa que se aproveita do quase monopólio para prestar um serviço ruim, caro, e ainda negligencia os otários, ops, clientes, que se dispõem a sustentá-la.
Um erro.
Que lembra a Telefônica.......
9 de outubro de 2007
Tantas notícias.....e mais bancos !
Mas como estive escrevendo sobre os bancos, vamos a mais um pouco. Os outros assuntos vão entrando em "fila de espera".
A Folha de São Paulo, na edição de Segunda (08/10) dedicou diversas páginas do caderno "Dinheiro" à compra do ABN-Amro pelo consórcio formado pelo RBS, Fortis e Santander. Já escrevi, anteriormente, que detestei esta "situação". Porém, como cliente do Real, só me resta aguardar......
De qualquer maneira, para os objetivos do Blog - ou seja, discutir sobre Marketing - , tenho um prato cheio....
O primeiro aspecto diz respeito à concentração do setor. A Folha de São Paulo informa, aqui, que O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) julgará na quarta-feira a aquisição do banco holandês ABN Amro pelo consórcio formado pelo banco britânico RBS (Royal Bank of Scotland), o espanhol Santander e o belga-holandês Fortis. Na segunda-feira, o consórcio anunciou a obtenção de 86% das ações do ABN por 71 bilhões de euros (aproximadamente R$ 181 bilhões) -- o maior negócio da história da indústria bancária no mundo.
A operação havia sido apresentada previamente aos órgãos de defesa da concorrência no Brasil. O conselho analisará se a compra prejudica o mercado brasileiro. A Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico), do Ministério da Fazenda, e a SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, recomendaram a aprovação do negócio. A compra ainda será submetida às autoridades concorrenciais do México, Rússia, Suíça, Taiwan e Japão e já foi aprovada nos Estados Unidos, Canadá, Turquia e pela União Européia.
Portanto, em termos de concentração de mercado, as autoridades ainda deverão analisar a situação. É preciso destacar que o setor bancário, no Brasil, vem passando por mudanças - mas elas não têm se mostrado, nem de longe, capazes de abalar seus resultados financeiros - muito pelo contrário.
Os bancos brasileiros jamais ganharam tanto dinheiro como agora.
Desde a queda (e estabilização) da inflação, iniciada pelo Plano Real (1994), os bancos passaram a deixar de ganhar muito dinheiro com as taxas astronômicas pagas por operações de overnight, e empréstimos ao governo - estes, por outro lado, continuam, mas num ritomo mais próximo do "normal", ou seja, sem o peso das taxas de mais de 10% ao dia de correção monetária.
Porém, a concessão de crédito ainda é um negócio "novo" para os bancos brasileiros. Retomo um texto da Folha de São Paulo de ontem (restrita para assinantes, na íntegra, aqui): Com os juros altos, os bancos ganhavam dinheiro fácil com títulos da dívida do governo. Na transição de um modelo para outro, os bancos descobriram na cobrança de tarifas outra importante fonte de receita -faturaram R$ 23,286 bilhões no primeiro semestre, mais do que os gastos com a folha de pagamentos, segundo a consultoria Austin Rating. Os ganhos chamam tanta atenção que o governo tenta limitá-los, além de buscar instrumentos que facilitem a vida do cliente na hora de trocar de banco. O Brasil é visto como uma das últimas fronteiras pouco exploradas do crédito, que mantém-se em níveis insignificantes diante do peso da economia -33,1% do PIB, enquanto a média dos emergentes fica em 60% e nos países ricos passa de 100%, segundo a Merrill Lynch. "Empréstimo ainda não é um grande negócio no Brasil. Os bancos estão ganhando dinheiro com serviços. Para crescer, os bancos brasileiros de porte vão ter de se internacionalizar, assim como aconteceu com a Odebrecht, a Camargo Corrêa e a Gerdau. O Santander era um Bradesco 30 anos atrás. E olha só agora", disse Carlos Daniel Coradi, da EFC Consultores. Pois então.....Até o momento, os bancos brasileiros optaram por ganhar dinheiro (fácil) com as malditas tarifas, sem NENHUMA contrapartida, ou seja, sem benefícios para o cliente. Cobrar escorchantes R$ 14,00 por um simples DOC é roubo descarado - o custo desta transação, para o banco, é quase nulo. Ainda mais porque há cada vez menos funcionários nos bancos.
Em que pese, obviamente, o montante investido em tecnologia (inclusive para tornar as operações via internet mais seguras), é impossível justificar este custo abissal de DOC, TED, extratos e todos os demais serviços.
Lembro-me de quando apenas serviços "raros", como cheque administrativo, eram cobrados......
Ainda assim, havia, por parte do cliente (ao menos deste cliente que aqui escreve), a percepção de que a cobrança era justa, haja vista que era uma solicitação "pouco usual", algo que o banco realmente não era "obrigado" a me fornecer.
Contudo, até por causa da modernização/informatização do banco, eu, como cliente, sempre dei poucos gastos ao banco, pois pouco recorria aos serviços das agências - estes, de longe, os mais caros, devido a custos trabalhistas, impostos, despesas de água, luz, telefone, seguros, vigias, estacionamento etc.
Porém, os estacionamentos foram todos terceirizados.
O sistema de segurança (física) nas agências é patético (aqueles funcionários, terceirizados, sem preparo, vestidos de "guardas", com o maldito controle remoto das infernais portas giratórias que servem apenas para constranger o cliente e permitir aos assaltantes entrar sem nenhuma dificuldade), para dizer o mínimo.
Assim, eu pensava, como cliente/consumidor, que ao reduzir o uso das agências e recorrer muito mais aos serviços via web, eu estaria inclusive contribuindo para que os bancos baixassem suas despesas/custos. Porém, os bancos resolveram ligar o foda-se para minhas contribuições, e cobram tarifa de manutenção de conta-corrente, tarifas para DOC, tarifas para cheque, tarifas para cartão de débito+crédito......... cobram até o maldito ar que o cliente respira dentro das agências LOTADAS, com poucos funcionários - e, portanto, atendimento demorado, ineficiente.
As receitas dos bancos aumentaram muito - e a qualidade dos serviços prestados foi INVERSAMENTE PROPORCIONAL. Despencaram.
Vão alegar, aqueles de má-fé, que os bancos estão prestando um serviço e, por isto, cobrando.
Mais ou menos............
O vídeo abaixo é bastante "auspicioso":
Não bastavam os ganhos auferidos com o maldito "spread" ?!
Os bancos usam o dinheiro do cliente, cobram por isso, e ainda enfiam a faca no cheque especial ?!
Pois é................
E o consumidor ?!
Engole as tarifas..........
Isso continuará assim, enquanto o consumidor não fizer valer seus direitos.
Dos bancos, e dos responsáveis por isso (Banco Central, Conselho Monetário Nacional, deputados, senadores, presidente, governadores etc).
8 de outubro de 2007
Santander, ABN, tarifas...
Matérias completas aqui, aqui e aqui.
Para entender melhor o que significa esta compra, para o mercado brasileiro, excelente matéria do Jornal ValorEconômico, aqui.
Lastimável.
Vou pensar seriamente em trocar o Real por outro banco.
Qualquer outro.


