14 de julho de 2011

Raciocínio e discussões

Um excelente texto, publicado na Folha de São Paulo de 25 de junho trata da evolução do raciocínio humano. Lendo esta matéria, lembrei muito de Schopenhauer.
De qualquer forma, vale a leitura:

Raciocínio evoluiu por causa de discussões
HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA
Num artigo impactante, que vira do avesso alguns dos pressupostos da filosofia e da psicologia evolucionista, os pesquisadores franceses Hugo Mercier (Universidade da Pensilvânia) e Dan Sperber (Instituto Jean Nicod) sustentam que a razão humana evoluiu, não para aumentar nosso conhecimento, mas para nos fazer triunfar em debates.
Desde alguns gregos, mas especialmente com René Descartes (1596-1650), consolidou-se a ideia de que a razão é um instrumento pessoal para nos aproximar da verdade e tomar as melhores decisões possíveis. "Penso, logo existo" é a divisa que celebrizou o pensador francês.
Se esse esquema é exato, como explicar que o pensamento humano erre tanto? Como espécie, fracassamos nos mais elementares testes de lógica, não conseguimos compreender noções básicas de estatística e nascemos com uma série de vieses cognitivos que conspiram contra abordagens racionais.
A situação não melhora quando quando abandonamos o reino das abstrações para entrar no terreno do interesse pessoal. Vários estudos têm mostrado que a maioria das pessoas comete verdadeiros desatinos lógico-financeiros ao administrar seus fundos de pensão.
Mercier e Sperber afirmam que é possível explicar esse e outros paradoxos se deixarmos de lado a noção clássica para adotar o que chamam de teoria argumentativa. Apresentam uma convincente massa de estudos e evidências em favor de sua tese.
A ideia básica é que a capacidade de raciocinar é um fenômeno social e não individual, cujo objetivo é persuadir nossos semelhantes e fazer com que sejamos cautelosos quando outros tentam nos convencer de algo.


SOLUÇÕES
A teoria, dizem os autores, não só faz sentido evolutivo como ainda resolve uma série de problemas que há muito desafiavam a psicologia.
O mais importante deles é o chamado viés de confirmação, que pode ser definido como "buscar ou interpretar evidências de maneira parcial, para acomodar crenças, expectativas ou teorias preexistentes". O fenômeno está na base daquela mania irritante de políticos de só responder o que lhes interessa.
O viés de confirmação é ainda uma das razões de persistência no erro, mesmo quando ele nos prejudica.
Temos dificuldade para processar informações que contrariam nossas convicções. Em suas versões extremas, ele produz pseudociências, fé em religiões e sistemas políticos e também teorias da conspiração.
Sob o modelo clássico, o viés de confirmação é uma falha de raciocínio mais ou menos inexplicável.
Mas, se a razão foi selecionada para nos fazer vencer em debates, então faz sentido que eu busque apenas provas em favor da minha tese, e não contra ela.
Adotada a lógica da produção de argumentos, o que era erro se torna um dos pontos fortes da teoria.
FENÔMENO SOCIAL
O modelo tem, evidentemente, implicações fortes. A mais evidente delas é que a razão só funciona bem como fenômeno social. Se pensarmos sozinhos, vamos muito provavelmente chafurdar cada vez mais fundo em nossas próprias intuições.
Mas, se a utilizarmos no contexto de discussões, aumentam bastante as chances de, como grupo, nos dar bem. Ainda que nem sempre, por vezes as pessoas se deixam convencer por evidências.
Trabalhos mostram que, quando submetidas a situações nas quais é preciso chegar a uma resposta correta (testes matemáticos ou conceituais), pessoas atuando sozinhas se saem mal, acertando em torno de 10% das respostas (Evans, 1989).
Quando têm de solucionar os mesmos problemas em grupo, o índice de acerto vai para 80%. É o chamado efeito do bônus de assembleia.
Teoria tem várias aplicações em educação e política
A teoria dos franceses pode ter aplicações práticas na educação e na política.
Crianças se beneficiariam de mais trabalhos em grupo na escola -desde que bem desenhados, é claro.
Já a política, ganharia se conseguíssemos enfatizar situações deliberativas, em vez de apenas coletar opiniões.
O pensamento coletivo é um bom caminho, concluem os autores. Mas naturalmente não existem garantias.
Embora as grandes realizações da humanidade tenham vindo através do exercício coletivo da razão, apenas esforçar-se para utilizá-la não basta. Os sucessos dependeram em boa medida de sorte epistêmica.
REPERCUSSÃO
O artigo de Mercier e Sperber foi publicado na edição de abril de "Behavioral and Brain Sciences", que costuma trazer um texto de fôlego e vários comentários menores de especialistas das mais variadas áreas.
Como não poderia deixar de ser, eles apontam uma série de dificuldades e pontos controversos da teoria.
Um dos mais lembrados é que os autores parecem subestimar a possibilidade de a razão -sob as condições certas- nos levar a decisões individuais corretas, mesmo que ela não tenha exatamente evoluído para isso.
Há também quem conteste as próprias bases da pesquisa, como a cientista Darcia Narvaez, da Universidade Notre Dame, na França.
De acordo com a pesquisadora, os estudos sobre raciocínio são deterministas e enviesados, ignorando grande parte das situações em que usamos a razão. (HS)

11 de julho de 2011

Público na privada

Em complementação ao post anterior, é preciso fazer algumas atualizações e alguns complementos.
Primeiro, as atualizações.

Como era de se esperar, o Projeto de Lei 288/2011, que concede isenção fiscal milionária ao Corinthians, foi aprovado na Câmara de Vereadores de SP. A relação dos vereadores que votaram favoravelmente a este despropósito com o dinheiro público (destinando, literalmente, o público à privada), está AQUI. Não é muito diferente daquela que eu publiquei em 30/06/2011.

Além disso, após mais esta farra com o dinheiro público, andei trocando algumas mensagens com o jornalista Sérgio Rondino, assessor de imprensa da Prefeitura de São Paulo. Obviamente, devido ao cargo que ocupa, ele revelou-se favorável ao projeto de lei em questão - mas, infelizmente, não conseguiu responder adequadamente nenhuma das perguntas que lhe fiz.
Contudo, o mais importante que emergiu da conversa que tive com ele diz respeito ao tal "estudo" realizado pela Accenture, citado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Prof. Marcos Cintra, AQUI (aliás, cabe registrar: esta "entrevista" não é uma ENTREVISTA mesmo, haja vista que as perguntas foram elaboradas pela própria assessoria de imprensa da Prefeitura; trata-se, muito mais, de um press-release, mas, por alguma razão incompreensível, podendo ser falta de transparência ou qualquer outra, foi "vendida" como se fosse, de fato, uma entrevista).

O tal "estudo" da Accenture é exaltado no site do próprio Corinthians, AQUI. Perceba, caro leitor, que o trecho que trata do tal estudo foi redigido de tal forma que parece que o próprio clube ficou surpreso com a informação de que haveria um ganho de mais de R$ 30 bilhões a partir da realização da abertura da Copa de 2014 em SP. Destaco justamente este trecho abaixo:

Estudo preparado pela renomada empresa de consultoria internacional Accenture aponta de forma muito clara os enormes ganhos a serem experimentados por São Paulo em razão da cidade sediar a abertura da Copa. Apenas para o evento abertura são esperados cerca de 190 mil turistas estrangeiros, que se estima gastarão na cidade cerca de R$ 1,2 bilhões. Isso sem contar os ganhos futuros, decorrentes do aumento do turismo de negócios em São Paulo decorrente da visibilidade a ser alcançada com a abertura da Copa, estimado pela Accenture em R$ 1 bilhão para o período compreendido entre 2010 e 2020. 

OBSERVAÇÃO: A reportagem do Estadão, que afirmou ter tido acesso ao tal estudo da Accenture, fala em 30 bilhões de reais; esta notinha extraída do site do Corinthians, estranhamente, menciona "apenas" 1 bilhão. Entretanto, vi alguns vereadores "justificando" seu apoio ao projeto de lei desavergonhado citando os 30 bilhões. Como todos os números são fruto de puro Cálculo Hipotético Universal Teórico Estimado (ou, para os íntimos, a sigla é C.H.U.T.E.), isso nem faz muita diferença.

O tal "estudo" foi tema de reportagem do Estadão também, AQUI. O jornalista Sérgio Rondino, inclusive, citou esta matéria do Estadão na conversa que mantivemos via twitter (ver AQUI).

PORÉM - e é aqui que a coisa se complica! - , todos os citados até agora "ESQUECERAM-SE" de citar um detalhe..... QUEM CONTRATOU A ACCENTURE PARA FAZER O ESTUDO FOI O CORINTHIANS.
Sim, é isso mesmo!
Eis aqui a informação completa, DE FONTE OFICIAL: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/6/24/incentivo-a-estadio-equivalera-a-metade-da-renda-gerada

Vou até transcrever um trecho:

Aproximadamente metade da receita tributária municipal que será gerada até 2020 pela construção e operação do estádio do Corinthians em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, retornará ao clube na forma de incentivos fiscais concedidos pela prefeitura, os chamados Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CID). É o que apontam dois estudos usados como base pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido) para avaliar os benefícios de ter a cidade como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Ambos os estudos, feitos pela consultoria Accenture e pelo escritório Ademar Fogaça & Associados, foram contratados pelo próprio Corinthians, que os forneceu à prefeitura. Nenhuma das duas empresas quis falar sobre as análises. O secretário de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra, disse que a administração fez balanços sobre o impacto do incentivo no orçamento, mas que os dados sobre os benefícios do estádio para a Zona Leste e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade vieram dos estudos.
Segundo as estimativas, a arrecadação extra da prefeitura com tributos por causa da construção do estádio, abertura da Copa e a influência da arena na região de Itaquera vai gerar entre R$ 611 milhões e R$ 985 milhões em impostos municipais até 2020, afirma avaliação da empresa de consultoria Accenture.

Qualquer pessoa com um QI de pelo menos 0,5 já percebeu a jogada aqui, né?!
Eu quero apontar algumas, APENAS ALGUMAS....

1) Por que a Accenture não quis falar sobre o estudo que ela mesma fez? Medo?
Convenhamos, senhoras e senhores: as cifras divulgadas são o cúmulo da utopia elevada à décima potência. Não existe NENHUMA, repito, NENHUMA chance de os valores reais chegarem nestes, citados.

Eu, diferentemente do Sr. Sérgio Rondino, do Corinthians, da Prefeitura e dos demais citados, PROVO o que digo.

Vamos lá: num estudo sério, publicado pelo Eastern Economic Journal em 2009 (para ler na íntegra, basta clicar AQUI), os autores (pesquisadores e professores da Universidade de Hamburgo, na Alemanha) concluíram que a Copa do Mundo da FIFA de 2006, realizada na Alemanha, gerou aproximadamente  900 milhões de dólares em aumento líquido na receita do turismo naquele país.
Os autores demonstram que, no caso da Copa da França, a situação foi ainda pior: em termos de turismo, praticamente NÃO houve qualquer alteração nos números anteriores à realização da Copa; em se tratando de rendimento oriundo da prestação de serviços, tanto na França quanto na Alemanha os ganhos foram mínimos. Eis um trecho:

As mentioned above, France in 1998 did not register an increase in the number
of non-resident visitors (Figure 3). By the same token, France did not register
any significant increases in receipts from international tourism (row 4, Table 1a).
It should be noted that overnight stays by residents even significantly declined in
June 1998 (row 2, Table 1a).

Com relação à Copa da África do Sul, há estudos (citados no mesmo artigo) que apontam ganhos de 845 milhões de dólares em impostos adicionais (em nível nacional).
Há outros trabalhos interessantes sobre os impactos econômicos e sociais de eventos como Copa, Olimpíadas etc. Irei, futuramente, disponibilizar mais alguns aqui. Por ora, fico apenas com este, de Swantje Allmers e Wolfgang Maennig. Destaco um trecho da conclusão dos autores:

The analyses of the WCs held in France in 1998 and in Germany in 2006 agree
with former empirical findings on the effects of large sporting events, namely, that
hardly any WCs and comparable events have short-run positive impacts on tourism,
employment, and income. Nevertheless, although admittedly on a speculative basis,
we are less skeptical than other academics about the potential beneficial impact
of South Africa 2010 based on five arguments. First, the ‘‘couch potato effect,’’
which diverts WC-addicted consumers from their normal consumption behaviors, is
less likely to occur in South Africa. Second, the usual negative crowding-out effect
on regular tourism of large sporting events might not have its usual magnitude
because the WC will happen during the low season for tourism in South Africa.
Third, South Africa does not have a relatively dense provision of sporting facilities
like North American or European countries, and thus the returns to new facilities
might be higher. Fourth, the South African stadium projects draw on insights from
urban economics and aim at a more effective integration of stadiums with urban
needs, which has the potential for enhanced positive externalities.

Ora, com números deste porte em situações análogas, como alguém pode achar, seriamente, que a cidade de São Paulo vai ganhar 30 BILHÕES de reais em virtude da Copa??????

2) Por que este estudo não foi revelado publicamente? Afinal, um projeto de lei foi votado, na Câmara de vereadores, com base INCLUSIVE nos dados supostamente contidos neste tal estudo..... Por que não divulgá-lo, e permitir uma discussão CLARA e TRANSPARENTE?  De novo: medo???

3) Por que o Corinthians, a Prefeitura, a Câmara e os demais envolvidos não esclareceram que o Corinthians PAGOU a Accenture para fazer tal estudo?
Isso é da maior relevância, porque qualquer um que tenha trabalhado um dia na vida numa empresa de consultoria sabe MUITO BEM que o desejo do cliente/contratante vale muito..... É público e notório que o Corinthians tem interesses (muitas vezes escusos, registre-se) enormes na realização da abertura da Copa em São Paulo, pois é o único jeito de construir seu estádio (o clube não tem dinheiro para construir nem um parquinho de diversões, e não possui condições de viabilizar um empréstimo de porte em seu nome).
Com todo este interesse por trás do "estudo", é crível imaginar que a Accenture fosse entregar um estudo com uma conclusão do tipo "a realização da Copa em SP pode gerar quase 1 bilhão de reais em movimentação financeira, incluindo aí impostos e renda"?
Claro que não! Se a conclusão fosse algo assim, o cliente, contratante do estudo (frise-se: o próprio Corinthians), ficaria sem argumentos para ajudar a aprovar a mamata pública....
Os números precisam ser gigantescos, monstruosos, chamativos......E FALSOS!

Agora, um complemento interessante: a coluna de Monica Bergamo na Folha de São Paulo do dia 07/07/2011 (AQUI, para assinantes da Folha e do UOL) traz um conjunto de pequenas notas MUITO INTERESSANTES. Vamos a elas:

TIMÃO DE ESCANTEIO 
A negociação entre a Odebrecht e o Corinthians com o Banco do Brasil em torno do financiamento para a construção do estádio do Itaquerão passa por um "estresse tremendo", de acordo com um dos executivos que participa das conversas. O BB, que pegaria R$ 400 milhões no BNDES para repassá-los à obra, exige remuneração considerada alta pela empreiteira e pelo clube para fazer o negócio -mais de 1%. Alega que os riscos da operação justificam a cobrança
 
ESCANTEIO 2 
O BNDES não aceita dar o recurso para o fundo formado pela Odebrecht e pelo Timão para construir a arena. Só aceita liberar dinheiro para a própria empreiteira, sem o clube. Ou para um repassador confiável, como o BB -que, no entanto, também prefere assinar negócio só com a empresa, sem o Corinthians. As conversas chegaram a um impasse. 
 
DA FIEL 
E o marqueteiro Valdemir Garreta, que já fez campanhas para o PT e neste ano coordenou a eleição do presidente do Peru, Ollanta Humala, deve trabalhar na sucessão do Corinthians. Vai fazer o marketing de Mário Gobbi, candidato ao comando do Timão. Ele tem o apoio de Andres Sanchez, atual presidente do clube


O leitor percebe como é complexa a engenharia financeira para viabilizar os interesses PRIVADOS com recursos PÚBLICOS?

Resumindo: 
1) O Corinthians quer construir um estádio PARTICULAR, mas não tem dinheiro.

2) Aí, ele pede isenção fiscal de 420 milhões na Prefeitura de SP. Não gasta nenhum centavo com isso (na verdade, gastou contratando a Accenture e oferecendo brindes ridículos aos vereadores, mas isso é baratinho).

3) Depois, recorre ao BNDES, cujos recursos são PÚBLICOS, para pedir um empréstimo. Porém, ele (Corinthians) não tem garantias a oferecer que justifiquem o montante pedido.

4) Aí, outro banco ESTATAL (ou seja, público) tenta intermediar a operação, sempre com dinheiro PÚBLICO, mas que será usado numa obra PRIVADA, cujo retorno financeiro, social ou cultural é pífio.

5) E, ao fundo de tudo isso, muitos interesses políticos de Gilberto Kassab, Lulla, PT etc.

Isso é Brasil!!!!!!!!!!!

 

30 de junho de 2011

Público ou privado?

Antes de mais nada, quero relacionar os 36 vereadores de São Paulo que ontem aprovaram, em 1a votação, o Projeto de Lei 288/2011, que concede mais de R$ 420 milhões em incentivos fiscais para a construção do estádio do Corintians, em Itaquera:

  1. Adolfo Quintas - PSDB
  2. Agnaldo Timóteo - PR
  3. Alfredinho - PT
  4. Aníbal de Freitas - PSDB
  5. Atílio Francisco - PRB
  6. Claudinho - PSDB
  7. Claudio Prado - PDT
  8. Dalton Silvano - S/ PARTIDO
  9. Domingos Dissei - DEM
  10. Edir Sales - DEM
  11. Eliseu Gabriel - PSB
  12. Francisco Chagas - PT
  13. Gilson Barreto - PSDB
  14. Goulart - PMDB
  15. Ítalo Cardoso - PT
  16. Jamil Murad - PCdoB
  17. José Américo - PT
  18. José Police Neto - S/ PARTIDO
  19. José Rolim - PSDB
  20. Juliana Cardoso - PT
  21. Juscelino Gadelha - S/ PARTIDO
  22. Marta Costa - DEM
  23. Milton Leite - DEM
  24. Natalini - S/ PARTIDO
  25. Netinho de Paula - PCdoB
  26. Noemi Nonato - PSB
  27. Paulo Frange - PTB
  28. Quito Formiga - PR
  29. Ricardo Teixeira - S/ PARTIDO
  30. Roberto Tripoli - PV
  31. Salomão - PSDB
  32. Senival Moura - PT
  33. Souza Santos - S/ PARTIDO
  34. Toninho Paiva - PR
  35. Ushitaro Kamia - DEM
  36. Wadih Mutran - PP

Estes 36 vereadores, juntamente com o Executivo (do Prefeito Gilberto Kassab), querem que a cidade de São Paulo deixe de receber mais de 420 MILHÕES de reais em receitas (dinheiro PÚBLICO) para que um clube PARTICULAR construa o seu estádio.
O benefício para a cidade? Quase nenhum.
Reproduzo trecho de um texto da urbanista Raquel Rolnik (o texto, na íntegra, está AQUI, e merece ser lido):

Por fim, em relação à Itaquera: o bairro merece intervenções urbanísticas que proporcionem melhorias para a região? Claro que sim! Itaquera, um dos centros da Zona Leste, a região mais povoada – e historicamente negligenciada – de São Paulo, carece de investimentos urbanísticos há muito planejados e nunca implementados. Mas, seguramente, um estádio não tem a capacidade de transformação urbanística positiva que se quer vender com a construção do Itaquerão. 
Em lugar nenhum do mundo, grandes estádios atraem grande densidade de usos e investimentos em seu entorno. Muito pelo contrário – no mais das vezes, acabam gerando uma zona morta ao seu redor, já que ocupam grandes áreas, exigem grandes espaços de estacionamento e áreas de escape e, assim, bloqueiam a urbanidade. Ou seja, uma intervenção urbanística em Itaquera é bem-vinda, mas não será o Itaquerão que proporcionará as melhorias de que o bairro precisa. Itaquera e a Zona Leste merecem algo muito melhor que um estádio que, após a Copa, se tornará um elefante branco. 
Infelizmente, ao se misturar três questões muito distintas, esconde-se o que não se quer dizer e impede-se – pela paixão – de se tomar uma decisão a altura de São Paulo, dos corinthianos e dos moradores da Zona Leste.

Além disso, a politicagem rasteira que vem cercando essa questão (não apenas do estádio do Corintians, mas de toda a copa e ainda das olimpíadas no Brasil) causará um prejuízo incalculável ao país. Com este projeto de lei aprovado em primeira votação ontem, a cidade de São Paulo já começa a perder.

Reportagem da Época SP (AQUI, na íntegra) merece ser lida também. A matéria mostra, de forma clara e cristalina, que os prejuízos desta corrida desenfreada para sediar a abertura da Copa em SP vão muito além.

Eu destaco uma das declarações do presidente do Corintians, o tal André Sanchez: “Isso é uma coisa privada. O poder público não tem de acompanhar nada do estádio.”
Essa declaração mostra, de forma claríssima, o que vai acontecer.

Um clube PRIVADO, que está recebendo uma verdadeira fortuna do Estado (BNDES, Prefeitura, União etc), se acha no direito de ditar o que vai fazer, se acha o dono da cocada-preta.
Como assim "o poder público não tem que acompanhar nada"? Se não fosse o poder público, não haveria NADA (estádio) para acompanhar! Quem está bancando tudo é o poder público! Ou seja, cada cidadão que paga impostos (e, no Brasil, não são poucos!)

Confundir público e privado é um problema GRAVÍSSIMO (e histórico) do Brasil.
Senhor Sanchez: o estádio do seu time, na verdade, NÃO É DO SEU TIME.
Quer manter o poder público de fora? Ótimo. Comece pela fonte de recursos: use dinheiro do seu clube, e não do poder público! Da minha parte, pelo menos, garanto que se você usar o dinheiro PRIVADO do seu time/clube para construir o seu estádio, eu não darei a menor importância. Mas a partir do momento em que você está querendo usar o MEU dinheiro para construir o SEU estádio, aí passa a ser problema meu, sim.

Em suma, é simplesmente ABSURDO que a cidade de SP, o Estado, ou mesmo a União adotem práticas obscuras, escusas e/ou ilegais (detalhes AQUI), visando exclusivamente o benefício de um (ou 2, 3, não importa) clube.

Por que os torcedores do Corintians não pagam pelo SEU estádio? Por que o SEU time não faz uma poupança, e pede aos torcedores fiéis que depositem um dízimo mensalmente, até juntar 1 bilhãozinho de reais (coisa pouca, né?!)? 
As igrejas fazem isso - e estão bem ricas! Elas têm isenção de vários impostos (o que eu acho igualmente absurdo), mas nenhuma delas, nem mesmo a Universal, jamais enviou um projeto à Câmara de SP pedindo dinheiro ANTES de iniciar suas atividades/cultos (ou seja lá o nome que for).
 

Diferentemente das pontes, viadutos, marginais e afins, um estádio de futebol NÃO será utilizado pela população, não irá beneficiar a cidade - irá beneficiar apenas e tão somente aqueles que pagaram para entrar no tal estádio, seja para um jogo, seja para qualquer outro evento.

Corintiano: por que eu e outros milhões de cidadãos temos que pagar pelo SEU estádio? Seja corintiano, é seu direito. Mas não seja canalha como seu time tem sido ao pleitear um absurdo desses.

Vemos uma empresa (Corintians) com lucro de pouco mais de 12 milhões de reais anuais (EBITDA), recebendo um benefício ILEGAL, e equivalente a TRINTA E TRÊS ANOS de lucro (bruto) da Prefeitura... Qual o interesse da cidade numa coisa dessas?
Pior: o clube precisa de MUITOS milhões de reais. Uma vez concedido o benefício municipal (eu não tenho nenhuma dúvida de que o PL será aprovado), será feita uma engenharia financeira para obter recursos diretos do BNDES. Porém, o empréstimo NÃO será feito em nome do Corintians, segundo o próprio BNDES já informou, pois o clube NÃO TEM CONDIÇÕES DE OFERECER GARANTIAS capazes de viabilizar um empréstimo de mais de 400 milhões de reais.

O Corintians terá obtido centenas de milhões de reais em dinheiro público, e não deverá nenhum centavo....

É ou não é uma situação surreal?!

Isso é Brasil!

 

22 de junho de 2011

6 aulas de GESTÃO ESTRATÉGICA

Recebi por e-mail de uma aluna, e compartilho, pois vale a pena:

AULA.1.

Um homem está entrando no chuveiro enquanto sua mulher acaba de sair e
está se enxugando. A campainha da porta toca. Depois de alguns segundos
de discussão para ver quem iria atender a porta a mulher desiste, se
enrola na toalha e desce as escadas. Quando ela abre a porta, vê o
vizinho Nestor em pé na soleira. Antes que ela possa dizer qualquer
coisa, Nestor diz: - Eu lhe dou 3.000 reais se você deixar cair esta toalha!
Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a toalha cair e
fica nua. Nestor então entrega a ela os 3.000 reais prometidos e vai embora.
Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo na
toalha e volta para o quarto. Quando ela entra no quarto, o marido grita
do chuveiro: - Quem era? - Era o Nestor, o vizinho da casa ao lado, diz
ela. - Ótimo! Ele lhe deu os 3.000 reais que ele estava me devendo?


Conclusão:
*Se você compartilha informações a tempo, você pode prevenir
exposições desnecessárias
*

 

AULA.2.


Um padre está dirigindo por uma estrada quando um vê uma freira em pé
no acostamento. Ele para e oferece uma carona que a freira aceita. Ela
entra no carro, cruza as pernas revelando suas lindas pernas. O padre se
descontrola e quase bate com o carro. Depois de conseguir controlar o
carro e evitar acidente ele não resiste e coloca a mão na perna da
freira. A freira olha para ele e diz: - Padre, lembre-se do Salmo 129! O
padre sem graça se desculpa: - Desculpe Irmã, a carne é fraca... E tira
a mão da perna da freira. Mais uma vez a freira diz: - Padre, lembre-se
do Salmo 129! Chegando ao seu destino a freira agradece e, com um
sorriso enigmático, desce do carro e entra no convento. Assim que chega à
igreja o padre corre para as Escrituras para ler o Salmo 129, que diz: '
Vá em frente, persista, mais acima encontrarás a glória do paraíso'.


Conclusão:
*Se você não está bem informado sobre o seu trabalho, você
pode perder excelentes oportunidades*



AULA.3.


Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e na rua
encontram uma antiga lâmpada a óleo. Eles esfregam a lâmpada e de dentro
dela sai um gênio. O gênio diz: - Eu só posso conceder três desejos,
então, concederei um a cada um de vocês! - Eu primeiro, eu primeiro.
' grita um dos funcionários. .. Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um
barco, sem ter nenhuma preocupação na vida '... Pufff e ele foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido: - Eu quero estar
no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pina
coladas! Puff, e ele se foi. - Agora você - diz o gênio para o gerente.
- Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do almoço
para uma reunião!


Conclusão:
*Deixe sempre o seu chefe falar primeiro*.


AULA.4.


Na África todas as manhãs o veadinho acorda sabendo que deverá
conseguir correr mais do que o leão se quiser se manter vivo. Todas as
manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veadinho se
não quiser morrer de fome.


Conclusão:
*Não faz diferença se você é veadinho ou leão, quando o sol
nascer você tem que começar a correr.*



AULA.5 .


Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um
pequeno coelho vê o corvo e pergunta: - Eu posso sentar como você e não
fazer nada o dia inteiro? O corvo responde: - Claro, porque não? O
coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa
aparece e come o coelho.


Conclusão:
*Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar no topo*.

AULA.6.


Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade, pega um
balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas. No caminho ao passar por
uma lagoa, ouve vozes femininas que provavelmente invadiram suas terras.

Ao se aproximar lentamente, observa várias belas garotas nuas se
banhando na lagoa, quando elas percebem a sua presença, nadam até a
parte mais profunda da lagoa e gritam: - Nós não vamos sair daqui
enquanto você não deixar de nos espiar e for embora. O fazendeiro
responde: - Eu não vim aqui para espiar vocês, eu só vim alimentar os jacarés!


Conclusão:
*A criatividade é o que faz a diferença na hora de
atingirmos nossos objetivos mais rapidamente*.

21 de junho de 2011

Propaganda criativa

Ahn, a criatividade das propagandas brasileiras (e olha que nem estou me referindo a agências de propaganda, hein?!):