Marketing, economia, administração, educação, política, música - enfim, um pouco de tudo.
30 de junho de 2009
Para não dizer que não falei das flores....
Quem acompanha meus posts aqui no blog sabe que já citei a revista HSM-Management algumas vezes.
E, para fazer justiça, devo registrar: a Exame não é a única publicação "de negócios" a cultuar Jim Collins - a Management faz a mesma coisa.
Estava eu aqui organizando minhas revistas, e outras "tralhas" perdidas pelo escritório, e me dei conta que não praticamente NENHUMA edição da Management ao longo de 2008 e 2009. Sou assinante há tempos (uns 6 anos, talvez), mas - assim como a Exame - a Management tem publicado tantas porcarias, que nem me dou ao trabalho de retirá-la do saquinho plástico: simplesmente vou empilhando, e priorizo outros afazeres.
Agora, em férias, ao organizar a bagunça, cá estava eu verificando se não faltava nenhuma edição, colocando tudo em ordem cronológica (neurótico, eu ?! Imagina!), e achei a edição de 2007 que traz na capa ninguém menos do que o fanfarrão Jim Collins.
A matéria de capa é uma entrevista, disponível AQUI.
Esta entrevista, publicada em 2007, só vem a reforçar o que escrevi no fim de semana, sobre a Exame - mas agrava situação da Exame: não apenas o Jim Collins tem zero de conteúdo relevante, como a Exame fez uma cópia mal-feita da matéria da Management.
Que feio......!!!!!
E olha que a HSM-Management nem é tudo isso para ser copiada desse jeito !!!!!!!!!!!!
29 de junho de 2009
Telefônica: recordista
Alguns trechos:
Levantamento exclusivo obtido pela Folha mostra que o número de reclamações de assinantes da Telefônica registradas na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) cresceu 84% em um ano. Em abril, o órgão regulador recebeu 35.932 queixas contra os serviços de telefonia fixa e de banda larga prestados pela Telefônica, ante 19.443 registradas em abril do ano passado. As queixas mais frequentes são de cobrança indevida e de problemas de reparo nas linhas."Contra fatos não há argumentos", dirão alguns.
Em julho de 2008, quando houve o primeiro apagão do Speedy, os assinantes da Telefônica fizeram 9.775 queixas contra o serviço na agência. À época, a banda larga tinha 2,29 milhões de clientes. Em abril deste ano, foram 13.612 reclamações contra o Speedy para 2,65 milhões de usuários.
De janeiro para abril deste ano, o volume de queixas contra a Telefônica cresceu 36% em relação à banda larga e 23,46% em relação ao serviço de voz. O pico de reclamações sobre a telefonia fixa foi em março (25,4 mil).
Desde julho do ano passado, houve quatro interrupções no Speedy e uma pane na telefonia fixa. A Anatel ainda não tem o balanço das queixas com a pane nos telefones, no dia 9.
Enquanto a base de assinantes de telefonia fixa diminui, em consequência do avanço dos celulares pré-pagos, crescem as queixas dos assinantes. Em dezembro de 2005, quando a Telefônica tinha 12,4 milhões de linhas fixas, o índice de reclamação à Anatel foi de 0,4 por mil linhas. Em abril deste ano, para 11,6 milhões de assinantes, o índice de queixa foi de 1,8 por mil linhas.
A Telefônica se sai mal na comparação com os indicadores da Oi (ex-Telemar) e da BrT (Brasil Telecom), que têm concessão de telefonia fixa fora de São Paulo. Em abril, a Oi teve 0,6 queixa por mil linhas fixas. A BrT, 1,19.
Na banda larga, ela também perde para a Oi e a BrT. A Anatel recebeu, em abril, 3.775 reclamações contra o serviço de banda larga da Oi (para um total 2 milhões de assinantes) e 2.384 queixas contra o da BrT, de 1,85 milhão de clientes.
Segundo a Anatel, o crescimento das queixas não gera punição para as teles, porque não faz parte dos indicadores de meta de qualidade que têm de ser obedecidos pelas empresas. As queixas são usadas apenas para orientar a ação dos fiscais.
A Telefônica é um lixo, e eu já escrevi isso aqui várias vezes. Nem vou repetir.
Mas a matéria da Folha traz uma informação muito relevante: a comparação da Telefônica com algumas outras empresas, similares, que prestam os mesmos serviços em outras regiões do país.
Os dados apenas reforçam aquilo que eu já afirmei aqui: o problema é a falta de concorrência. Aliás, a INEXISTÊNCIA de concorrência.
28 de junho de 2009
27 de junho de 2009
A capa do enterro
A edição que recebi ontem (número 946) estampou na capa o "guru" (argh!!!!) Jim Collins.
Faço questão de reproduzir a imagem da capa:
Mas descobri agora, fuçando na web, que a entrevista com o picareta Collins foi feita pela Cristiane Correa, editora executiva da EXAME - a mesma jornalista que já trocara alguns e-mails comigo, conforme mostrei AQUI.
Em fevereiro, eu escrevi um post (aqui), questionando se o Jim Collins havia se enfiado num retiro espiritual ou alguma coisa assim, haja vista que ele desaparecera da "mídia". Eu ainda acho que o sumiço do cara tem relação com as bobagens que ele afirmara sobre a Fannie Mae, entre outras.
Agora, vejo a Exame elogiando rasgadamente o Collins - e a editora executiva da Exame perdeu a oportunidade de questionar o cara sobre suas previsões furadas.
Mas pior do que isso, ela escreveu em seu blog:
Ainda me lembro da primeira vez que o entrevistei, em 2001. Ao desligar o telefone tive a certeza de que havia falado com alguém completamente fora da curva.Não, cara Cristiane, Jim Collins NÃO é pesquisador, é um fake.
Por que eu admiro seu trabalho? Porque muito mais que guru, Collins é um pesquisador. Seus livros não se baseiam em "insights", mas em análises detalhadas do desempenho de empresas americanas. Junto com um time de pesquisadores ele analisa o comportamento de grandes companhias (e de suas concorrentes) ao longo de diversos anos. É desses mergulhos profundos que nascem suas teses.
Um PICARETA.
Você (e os demais baba-ovos que adooooooooooram um guru) deveria pesquisar mais antes de escrever bobagem. Uma ajudinha para a pesquisa que você DEVERIA ter feito mas não fez foi dada pelo Thomaz Wood, e eu havia indicado isso no post de fevereiro.
Mas vamos detalhar um pouco mais a coisa - quem sabe assim, dona Cristiane Correa perceba a (enorme) diferença entre "guru" (argh!) e pesquisadores sérios.
Primeira leitura recomendada: Resnick, Bruce G., and Timothy L. Smunt. "From Good to Great to . . ." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 6-12.
O resumo do artigo: With sales of more than 4.5 million copies, Good to Great by Jim Collins provides an inspiring message about how a few major companies became great. His simple but powerful framework for creating a strategy any organization can use to go from goodness to greatness is certainly compelling. However, was Collins truly able to identify 11 great companies? Or was the list of great companies he generated merely the result of applying an arbitrary screening filter to the list of Fortune 500 companies? To test the durability of his greatness filter, we conducted a financial analysis on each of the 11 companies over subsequent periods. We found that only one of the 11 companies continues to exhibit superior stock market performance according to Collins' measure, and that none do so when measured according to a metric based on modern portfolio theory. We conclude that Collins did not find 11 great companies as defined by the set of parameters he claimed are associated with greatness, or, at least, that greatness is not sustainable.
Segunda leitura recomendada: Niendorf, Bruce, and Kristine Beck. "Good to Great, or Just Good?." Academy of Management Perspectives 22, no. 4 (November 2008): 13-20.
O resumo do artigo: Good to Great has been on BusinessWeek's best-seller list since its October 2001 release. In Good to Great, author Jim Collins identified a set of 11 firms as great, then used them to derive five management principles he believed led to "sustained great results." We contend that due to two fatal errors, Good to Great provides no evidence that applying the five principles to other firms or time periods will lead to anything other than average results. We explain the two errors and empirically test our contention. When ranked with the 2006 Fortune 500, the 11 Good to Great firms have an average ranking of 202nd. In addition, in terms of long-term stock return performance, the Good to Great firms do not differ significantly from the average company on the S&P 500. Our evidence is consistent with the conclusion that although the Good to Great firms may be good, they aren't great.
Ambos os artigos, como Thomaz Wood havia explicado, desmontam a teoria que sustenta o livrinho do "guru" (argh!) Collins. Outros pesquisadores sérios, anteriormente, já haviam demonstrado que Collins é um picareta.
A relação das empresas que este picareta-guru Collins indica como sendo empresas "good to great" inclui a Circuit City (que faliu), Gillette (que foi comprada pela P&G), Fannie Mae (nem vou repetir novamente), e Wells Fargo, entre outras. Tenho os dois artigos citados, mas devido a questões de direitos autorais, não posso disponibilizá-los aqui para download. Uma pena.
Mas se alguém da Exame que ainda tiver 2 neurônios ativos quiser, posso mandar por e-mail, para que, desta forma, seja possível vislumbrar melhor como o Jim Collins escreveu merda na porcaria do livrinho dele. Claro que o ideal seria ter feito uma pesquisa ANTES de dar a capa a este boçal-picareta, mas........
Mas fico me perguntando: até quando a Exame vai continuar dando espaço (inclusve na CAPA!) para disseminar a ignorância ?
Será que o pessoal contratado pela Exame não sabe o que significa PESQUISAR antes de escrever uma reportagem ?
Será que não se ensina mais a pesquisar antes de ir até outro país fazer uma entrevista com um cidadão que afirmara que a Fannie Mae era uma empresa "Good to Great" mas ficou quietinho quando ela teve que receber uma injeção de capital BILIONÁRIA do governo americano?
O pior de tudo é que a matéria da Exame baseia-se numa entrevista do tal "guru" (argh!, mais uma vez) que traz algumas pérolas, coisas tão burras, mas tããããããão burras, que o simples fato de reproduzi-las, como Exame fez, deveria bastar para demissão sumária do editor que aprovou a publicação. A matéria, na íntegra, está AQUI.
Para ilustrar a "genialidade" de Collins, selecionei um pequeno trecho de uma de suas respostas: Numa crise como esta, as empresas enfraquecidas sofrerão mais. Porém, uma empresa forte continuará sendo forte. Os fracos desaparecem e no lugar deles outros virão.
Puxa, será que não havia nada mais óbvio para este "guru" (argh!) dizer ??
Uma publicação de negócios séria jamais gastaria dinheiro para que uma repórter fosse até os EUA para entrevistar uma besta que me solta uma resposta dessas.................