31 de outubro de 2008

Queda livre

A notícia (da Exame) me chamou a atenção:

Quem imaginaria que a OGX, petrolífera do empresário Eike Batista, se tornaria mais valiosa que a centenária General Motors (GM) antes mesmo de completar seu segundo ano de existência? Assim como a OGX, outras 33 empresas brasileiras superam a GM em valor de mercado. Em apenas dez meses, a montadora perdeu mais de 10 bilhões de dólares na Bolsa de Nova York, passando a valer somente 3 bilhões de dólares. O montante equivale a um terço do lucro da Petrobras deste ano.

Há quem diga que, com a crise, o mercado perdeu todas as referências de preço. No entanto, também já se forma um consenso de que, em um ambiente de crédito caro e escasso, empresas que têm baixa geração de caixa e alto endividamento serão as que mais vão apanhar na bolsa - e a regra vale até mesmo para ícones do capitalismo como a GM.


Empresa Valor de Mercado (US$ mil)*

Patrimônio Líquido (US$ mil)**

Lucro / Prejuízo Líquido no ano (US$ mil)**

Petrobras 107.405.533

81.479.940

9.867.698

Vale Do Rio Doce 66.807.039

49.914.600

10.060.737

Bradesco 34.738.156

17.848.731

3.142.220

Itaú 30.484.738

19.059.774

2.565.591

Ambev 24.011.398

10.481.565

719.836

Santander 20.754.612

26.033.806

694.949

Banco do Brasil 17.620.151

16.565.734

2.507.429

Itaúsa 15.936.542

10.421.215

977.253

Eletrobrás 13.775.155

51.262.750

618.364

CSN 11.386.890

5.797.904

1.129.629

Telesp 10.800.356

5.746.147

899.817

Gerdau 9.039.567

10.587.326

1.719.943

Unibanco 8.779.791

7.975.781

940.685
Redecard 7.477.102

432.464

426.542

CPFL Energia 7.215.341

3.112.528

377.898

Brasil Telecom 6.995.328

3.236.755

439.511

Cemig 6.687.015

5.977.341

684.438

Usiminas 6.659.363

7.487.622

1.247.168

Telemar Norte Leste 6.213.474

9.248.452

601.564

BM&FBovespa 5.875.659

12.328.673

206.820

Souza Cruz 5.759.419

999.716

445.314

Telemar 5.475.514

7.166.350

461.305

Tractebel 5.326.618

2.153.209

383.718

TIM 4.559.076

4.779.502

-89.200

Brasil Telecom Participações 4.478.474

3.013.847

348.363

OGX Petróleo 4.461.881

5.512.594

-156.099

Anglo Brazil 4.085.085

509.857

-37.855

Vivo 4.028.211

5.231.776

18.908

Embraer 3.900.421

3.173.438

150.597

CCR Rodovias 3.796.411

803.006

274.147

Gerdau Metalúrgica 3.743.522

5.086.479

788.234

Pão de Açúcar 3.687.063

3.359.331

60.623

Natura 3.664.362

444.611

198.303

Weg 3.492.419

1.108.647

241.730

General Motors 3.436.607

-56.970.000

-18.722.000

*Em 30/10/08
**Dados do último balanço
Fonte: Economática

Os números também refletem a queda nas vendas de automóveis nos Estados Unidos e Europa, que agravaram ainda mais a já complicada situação da montadora. O crescimento fora dos Estados Unidos já não é suficiente para neutralizar as perdas da matriz, que há três trimestres vê os resultados declinarem. Somente de julho a setembro a queda nas vendas globais da GM chegou a 11%.

Com suas ações desvalorizadas em 75% neste ano e registrando prejuízos cada vez maiores, não demorou muito para surgirem rumores de que a empresa não terá caixa para arcar com suas dívidas e acabará recorrendo à concordata para sobreviver. A montadora negocia com o governo americano uma linha de crédito que possa viabilizar a fusão com a também endividada Chrysler - um negócio que colocaria novamente a GM no topo do ranking mundial de vendas de veículos, mas poderia custar até 70 mil empregos.

Enquanto a ajuda não vem, a GM nos Estados Unidos vive um pesadelo que não é compartilhado pela filial brasileira. Embora uma desaceleração nas vendas seja esperada, a previsão para o Brasil continua sendo de crescimento. Na avaliação do presidente da GM do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, a restrição de crédito no país deve durar apenas mais dois ou três meses, possibilitando um aumento de até 5% nas vendas em 2009. Nos primeiros nove meses deste ano, a montadora vendeu 25,6% a mais que no mesmo período de 2007, colocando no mercado mais 445.881 veículos. E ainda espera atingir a meta de 600.000 veículos comercializados neste ano.

Quanto vale uma empresa?


A GM só não vale menos que outras empresas brasileiras porque a Bovespa também sofreu fortemente os efeitos da crise. No setor de construção civil, um dos mais impactados, as ações de construtoras e incorporadoras contabilizam até 90% de queda neste ano. Já os papéis da Positivo Informática valem hoje 87,5% menos que no começo do ano, enquanto os da Gol estão 78% desvalorizados. Aracruz, Cesp, Medial Saúde e Brasil Ecodiesel também estão na lista das empresas que registram queda de mais de 70% nas ações neste ano, sendo que o Ibovespa recuou 41% no período.

Porém, diferentemente da montadora americana, as companhias brasileiras não apresentam patrimônio líquido negativo. Ou seja, não devem além do valor de seus ativos. Mesmo com a crise, a maior parte delas deve continuar registrando lucro e investindo no desenvolvimento do negócio, mas em ritmo menor. A grande dificuldade está em estimar o potencial de ganho das empresas, já que a crise inseriu tantas incógnitas na economia que estabelecer preço para as ações transformou-se em exercício de futurologia. "Com toda a economia sendo reavaliada quase que diariamente, fica difícil projetar valores para as companhias. O mercado está sem noção de preço", explica Marco Antonio Barbosa, analista chefe da Coinvalores.

Para estimar quanto vale uma empresa, os especialistas trazem a valor presente o fluxo de caixa futuro da companhia. O cálculo desse montante inclui uma taxa de crescimento e uma taxa de desconto, que reflete o custo médio dos empréstimos tomados pela empresa para financiar seus projetos. O modelo utiliza como base os dados do presente e do passado para projetar o futuro. Por isso, se algum fator na economia muda, a projeção precisa ser revista para contemplar os efeitos dessa mudança. "Essa análise, no entanto, não embute um componente de extrema importância na formação de preço: as emoções dos investidores", destaca Marcelo de Faro, analista da corretora Intra.

Em momentos de muito stress, explica Faro, os investidores tendem a fugir da bolsa, vendendo suas ações a qualquer preço. O "efeito-manada" derruba o valor das empresas, num movimento que em pouco ou nada se relaciona com seus fundamentos. Foi principalmente por isso que as ações do setor de construção derreteram rapidamente. Nas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), cerca de 70% dos papéis foram parar nas mãos dos estrangeiros - os primeiros a sair da Bovespa quando a crise apertou.

Juntos, todos esses fatores provocaram distorções no mercado acionário. Hoje, 19 empresas (veja abaixo) apresentam valor de mercado inferior ao dinheiro que têm em caixa. "Isso não faz sentido. Se a empresa colocasse esse dinheiro na renda fixa e não produzisse nada, já garantiria um retorno de 15% ao ano", ressalta Faro.

Empresa Caixa da empresa
(R$ milhões)
Valor de mercado
(R$ milhões)
Abyara 117 92
Agrenco 71 18
Coteminas 451 402
Helbor 161 147
Heringer 253 222
Invest Tur 542 388
Itaúsa 135.070 33.707
Jereissati 1.862 392
Klabin Segall 263 177
La Fonte 1.547 544
LLX Log 384 211
Mangels 270 124
MPX Energia 2.033 785
Porto Seguro 3.795 2.306
Sadia 3.403 3.348
SulAmérica 3.800 1.463
Telebrás 83 67
Unipar 1.169 757
Vicunha 115 104

Coitados dos números

Coitados dos números.
Eles são distorcidos para que algumas organizações (ONGs, revistas, governos, empresas etc) consigam justificar (ou pelo menos tentar!) suas ações.
Conforme eu já havia adiantado AQUI, está circulando o "Guia Exame de Sustentabilidade". Uma das matérias apresentadas neste edição de 2008 é esta aqui (como de costume, com grifos meus):
O gerente comercial Rodrigo Bassi Menegocci, de 24 anos de idade, se lembra bem de um anúncio que viu tempos atrás na televisão, em que um fabricante de sabão em pó prometia plantar uma árvore para cada caixa vendida do produto. Embora Menegocci tenha ficado entusiasmado com o apelo ecológico, nem sempre ele opta por levar para casa aquele sabão em pó - ou qualquer outro produto menos agressivo ao meio ambiente. "Quando vou fazer compras, levo em consideração o aspecto ambiental, mas é preciso que o produto tenha qualidade e o preço seja honesto", diz.

Menegocci é o típico consumidor verde "pragmático", perfil detectado em uma pesquisa realizada pelo instituto Quorum Brasil com exclusividade para o Guia EXAME de Sustentabilidade. O levantamento, realizado em setembro, ouviu 200 moradores da cidade de São Paulo - homens e mulheres com idade entre 20 e 50 anos e renda familiar mensal entre 5.000 e 10.000 reais. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados consideram-se consumidores preocupados com questões ambientais e 59% afirmam que produtos com apelo ecológico influenciam sua decisão de compra. Apesar das boas intenções, na prática o comportamento desse grupo é outro. A pesquisa revela, por exemplo, que 70% dos entrevistados desistem de comprar produtos com selo ambiental caso eles custem mais do que similares sem a certificação verde. Além disso, 47% dos consumidores afirmam que não deixam de comprar um produto mesmo sabendo que ele é prejudicial à natureza.

Os números indicam que a consciência ambiental é fortemente influenciada pelo fator preço. No entanto, na análise do consultor William Horstmann, sócio do Quorum Brasil e responsável pelo levantamento, só esse elemento não explica a contradição entre o discurso e a prática do consumidor. "O preço é um fator inibidor, claro, mas não o suficiente para uma pessoa decidir se leva ou não para casa determinada marca", diz. "Se o consumidor não age de acordo com o que diz, é porque falta informação sobre o assunto." Um dado revelador dessa falta de divulgação é o baixo número de marcas citadas espontaneamente pelos entrevistados quando o assunto é o meio ambiente - apenas nove marcas foram lembradas e a mais citada foi a fabricante de cosméticos Natura, mencionada por 18% dos entrevistados.

O levantamento do Quorum Brasil confirma os resultados de uma pesquisa similar realizada no ano passado pela consultoria McKinsey em oito países (Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia e Reino Unido). Nessa sondagem, 87% dos entrevistados se declararam preocupados com os impactos ambientais e sociais dos produtos que compram. No entanto, apenas 33% dos consumidores disseram que compraram ou pretendem comprar produtos socioambientalmente corretos. Um dos produtos que conseguiram furar essa barreira foi o Prius, lançado pela japonesa Toyota em 1997. Primeiro carro híbrido do mundo (combina o uso de energia elétrica com o de gasolina), o Prius custa 50% mais do que um Corolla, modelo básico da mesma fabricante. Mesmo assim, mais de 1 milhão de unidades já foram vendidas em todo o mundo.

Segundo especialistas, no Brasil a disseminação do consumo consciente depende, sobretudo, do aumento do poder aquisitivo da classe C. "Essa camada da população está encantada com o poder de consumo recém-adquirido", diz Thiago Lopes, gerente de planejamento da agência de publicidade Talent, que acaba de concluir um estudo no qual detectou nesse público certa indiferença em relação ao consumo orientado por valores responsáveis. "Não surte efeito algum falar em sustentabilidade quando o que essas pessoas querem, no momento, é realizar o sonho de ter um carro na garagem", diz Lopes.

Apesar da barreira econômica, seria arriscado para qualquer empresa ignorar a parcela de consumidores que seguem a cartilha do consumo responsável - um terço da população entrevistada pela pesquisa do Quorum Brasil. Entre os principais motivos citados por esses consumidores para a compra de produtos com apelo ecológico estão a preservação da natureza e a preocupação com o futuro da próxima geração. "A tendência é que o número de pessoas dispostas a assumir tais valores aumente", diz Heloísa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, organização não-governamental que promove o consumo consciente. Em pesquisa realizada há dois anos, a entidade verificou que 33% dos consumidores brasileiros são conscientes - têm um bom grau de percepção dos impactos coletivos ou de longo prazo em suas decisões de consumo e não se atêm aos aspectos econômicos ou aos benefícios pessoais imediatos.

De olho nesse tipo de consumidor, muitas empresas têm se esforçado para colocar nas prateleiras produtos ecologicamente corretos. É o caso da rede varejista Wal-Mart, que pretende transformar sua linha de marcas próprias em modelo de sustentabilidade. Já é possível, por exemplo, encontrar nas gôndolas do varejista cereais matinais com embalagens que levam o selo FSC, certificado ambiental do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, e cobertores produzidos com fio de poliéster feito 100% de fibra de PET. Além disso, a rede negocia com seus fornecedores o desenvolvimento de embalagens que reduzam a quantidade de material utilizado. "Até 2009, nossa meta é ter 100% das embalagens dos produtos de marca própria sustentáveis", diz Daniela de Fiori, vice-presidente de assuntos corporativos e sustentabilidade do Wal-Mart.

Para Mariana Cogswell, diretora de planejamento da agência Talent, o consumidor verde é, necessariamente, mais crítico e seu comportamento tende a influenciar cada vez mais o modo de produção das empresas. "Contribuir para o desenvolvimento sustentável não é mais uma questão de escolha da companhia, e sim obrigação", diz ela. A HP, uma das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos do mundo, percebeu isso há muito tempo. Na década de 90, o trabalho de recolhimento e reciclagem de cartuchos da empresa virou referência no setor. Agora, a HP se prepara para dar um passo adiante: em vez de doar os cartuchos coletados a uma empresa de reciclagem, em novembro a própria companhia deve começar a reciclar o material. Após passar por um processo de limpeza e moagem, o material plástico produzido será usado na fabricação de novos cartuchos. "Queremos criar uma cadeia produtiva auto-renovável", diz Kami Saidi, diretor de operações da HP para o Mercosul. "À medida que aumenta a conscientização, o consumidor leva em conta essas iniciativas na sua decisão de compra."
Vamos por partes, usando as informações disponíveis na matéria:

1) Um trecho grifado por mim traz a seguinte afirmação: 74% dos entrevistados consideram-se consumidores preocupados com questões ambientais e 59% afirmam que produtos com apelo ecológico influenciam sua decisão de compra (...) 70% dos entrevistados desistem de comprar produtos com selo ambiental caso eles custem mais do que similares sem a certificação verde (...) 47% dos consumidores afirmam que não deixam de comprar um produto mesmo sabendo que ele é prejudicial à natureza
Ok, quem me conhece sabe que matemática não é, exatamente, a minha praia.
Porém, quando se trata de estatísticas de pesquisas de mercado, sou chato pacas.
Vamos, então, às contas: se 74% dos entrevistados afirmam que são consumidores "preocupados com questões ambientais", como é possível que 47% dos entrevistados NÃO deixem de comprar um produto mesmo sabendo que ele é prejudicial à natureza ?

Ou estes 74% não sabem o que significa "ser preocupado com questões ambientais", ou então as respostas simplesmente não têm consistência, e deveriam ter sido descartadas pelos pesquisadores/analistas.
Afinal, vamos refletir um poquinho: se eu digo que sou "preocupado com questões ambientais" e depois admito que NÃO deixo de comprar um produto mesmo sabendo que ele prejudicará a natureza, ou eu sou muito hipócrita, ou então não entendi o que foi perguntado.

Deve ser considerado, neste âmbito, um outro fator: o perfil dos entrevistados.
A pesquisa buscou consumidores com renda superior a 5.000 reais (não foi citado se renda INDIVIDUAL ou se renda FAMILIAR, o que, numa pesquisa, faz TODA a diferença !). Pode-se concluir que é uma renda elevada, então o grau de escolaridade DEVE (provavelmente) ser também elevado (outro pecado da pesquisa: não citou esta informação!).
Assim, pressuponho que os entrevistados ENTENDERAM as perguntas (se bem que isso depende muito de como tais perguntas foram formuladas).


2) Posteriormente, lê-se a seguinte afirmação: Se o consumidor não age de acordo com o que diz, é porque falta informação sobre o assunto.
BOBAGEM.
Na verdade, se o consumidor não age conforme ele DIZ agir, há inúmeros fatores possíveis !

Vou levantar apenas UMA hipótese aqui: o consumidor DIZ que valoriza o meio-ambiente porque ele anda sendo massacrado por afirmações, geralmente em meios de comunicação pouco críticos, que praticamente obrigam este consumidor a declarar-se assim. Uma verdadeira coerção.
O entrevistado fica com vergonha de admitir que sempre adotou a filosofia da vaca com relação ao meio-ambiente.
Em tempo: a filosofia da vaca é a clássica expressão "tô cagando e andando". Cultura inútil - em doses homeopáticas, nunca faz mal a ninguém....
Em suma, o consumidor não valoriza REALMENTE o meio-ambiente, e a "sustentabilidade"; ele apenas afirma isso por receio de ser "politicamente incorreto".
Obviamente, somado a isso, a falta de informação não pode ser totalmente descartada - agora, isso é muito diferente do que foi declarado, haja vista que a conclusão do responsável pelo levantamento não dá margem para nenhuma outra alternativa capaz de "explicar" a discrepância. A única justificativa seria "falta de informação".
Ora, se as pessoas que ganham mais de 5.000 reais não têm informação, o que dizer da maioria dos brasileiros, que ganham muito menos do que isso ?!


3) A Exame não se cansa de distorcer os fatos - inclusive os números, né ?! Tudo no afã de justificar a razão de ser de produtos ruins como o próprio "Guia Exame de Sustentabilidade". Outro trecho auspicioso: Apesar da barreira econômica, seria arriscado para qualquer empresa ignorar a parcela de consumidores que seguem a cartilha do consumo responsável - um terço da população entrevistada pela pesquisa do Quorum Brasil.

Péraí...... QUAL CARTILHA DO CONSUMO RESPONSÁVEL ???????

Caramba, o texto acabou de informar que a maioria dos consumidores entrevistados não segue porra de "cartilha" nenhuma !!!!!!
Repito o trecho: 70% dos entrevistados desistem de comprar produtos com selo ambiental caso eles custem mais do que similares sem a certificação verde - isso por acaso é "seguir a cartilha do consumo responsável" ??????
Ora, a tal cartilha preconiza que "se o preço estiver acima dos similares que devastam o meio-ambiente, não há problemas em comprar mesmo assim" ?????
Que cartilha é essa ????????


4) A declaração da gerente de operações do tal Instituto Akatu eu nem vou comentar.
É tão tosca que vou me abster dessa tarefa desagradável - afinal, a "tendência" que ela cita veio de onde ? Coitados dos números.....


5) O trecho final, sobre a HP e o Wal-Mart, parece um conto de fadas, de tão bonito, né ?!
Mas qual foi o gasto destas empresas ? Qual foi o ganho ?
Obviamente, estou falando de DINHEIRO, sim.
Ao usar partes de cartuchos vazios na produção de novos, certamente houve economia, redução de custos......
Então, por favor, não sejamos hipócritas.

Que tal apresentar os números, os dados que comprovem que a escolha se deve à preocupação real com o meio-ambiente, e NÃO com a redução de custos e conseqüente aumento do lucro.

Obviamente, não tenho NADA contra o aumento da lucratividade. Muito pelo contrário - defendo, elogio e aplaudo.

Mas não sejamos hipócritas, né ?! Vamos dar nomes aos bois, ao invés de tergiversar, só para ficar parecendo "politicamente correto".

30 de outubro de 2008

Drucker, Schumpeter e Keynes

O artigo abaixo é GENIAL, e foi publicado no Valor Econômico:

Revisitando Drucker, Schumpeter e Keynes: a crise
Marcilio R. Machado
28/10/2008

Enquanto as manchetes dos jornais anunciam os desdobramentos da crise financeira e seu impacto na economia global, alguns analistas chegam a dizer que chegou ao fim o domínio do capitalismo financeiro anglo-saxão. Outros querem fornecer um atestado de óbito antecipado a Wall Street. Entretanto, a crise atual, embora de proporções gigantescas, não é novidade para quem acompanhou os acontecimentos econômicos e sociais do século passado. O Século XX teve vários períodos de grande ansiedade que balançaram o mundo. O primeiro grande choque, a Grande Depressão, que muitos hoje receiam que esteja próximo de acontecer de novo, foi também considerado uma crise do capitalismo. O segundo evento, não tão convulsivo como o primeiro, ocorreu na década de 70, quando a economia mundial praticamente afundou. Essa crise trouxe baixo crescimento econômico, inflação, desemprego e um novo termo para o mercado: estagflação. Mais uma vez, a eficácia do capitalismo foi questionada.

A recente injeção, pelo governo dos EUA, de US$ 200 bilhões para a nacionalização da Fannie Mae e Freddie Mac, dois gigantes do refinanciamento hipotecário, e US$ 85 bilhões para recapitalizar a AIG, fizeram com que a mídia clamasse que os EUA estavam nacionalizando empresas e agindo como a antiga URSS. Tais acontecimentos nos fazem revisitar os trabalhos de John Maynard Keynes, que teve um papel fundamental na recuperação da economia mundial na Depressão de 30, Joseph Schumpeter, que contribuiu para que entendêssemos melhor inovação, e Peter F. Drucker, cujas idéias foram responsáveis pela recuperação do Japão e Europa no Pós-Guerra.

Na década de 80 havia o receio de que a economia japonesa iria suplantar a americana, e as empresas japonesas faziam incursões nos Estados Unidos tanto na indústria automobilística como na cinematográfica. Na década seguinte a teoria keynesiana, aplicada no Japão, não teve sucesso, e o país passou 10 anos em recessão. Os japoneses tentaram aumentar o poder de compra do consumidor, criaram déficits governamentais e não conseguiram ativar a economia. O modelo de Keynes, baseado no Estado nacional como única unidade econômica, não alcançou os resultados almejados. Contudo, como pensador, a sua maneira de olhar para a economia deve continuar sendo referência por muito tempo.

Por outro lado, Schumpeter, que como Keynes nasceu em 1883, porém, na Áustria, duvidava da capacidade do Estado, por meio do intervencionismo, de garantir a estabilidade. Enquanto Keynes se interessava por equilíbrio e estabilidade econômica, Schumpeter se preocupava com crescimento. Para Schumpeter, a estabilidade não era uma prioridade. Bastante conhecido pela formulação do conceito de "destruição construtiva", ele acreditava que o livre mercado era responsável por produzir o bem-estar da sociedade. Entretanto, ele não negava a existência de uma dor temporária que pode acompanhar o crescimento econômico. De acordo com seu ponto de vista, a mudança não é algo que aconteça por acaso, mas seria a essência do crescimento. Qualquer que seja o estado das coisas, estabilidade ou instabilidade, não seria algo permanente.

Schumpeter se interessou pelos atores responsáveis pelo capitalismo, as pessoas que assumem riscos e iniciam novas empresas, que oferecem novos produtos e serviços: os empreendedores. Os empreendedores nos trazem de volta a realidade da economia real. Nela, existem pessoas como Fred Smith, da FedeX; Steve Jobs, da Apple; Bill Gates, da Microsoft; Sam Walton, da Wall Mart; Pierre Omydiar, da eBay; Andy Grove, da Intel; entre outros, que desenvolveram o seus negócios nos Estados Unidos. A maioria dos jovens brasileiros querem hoje se tornar empreendedores, como os fundadores da Google e da eBay. Esse impulso empreendedor faz com que as pessoas corram riscos e, assim, torna-se impossível obter a estabilidade. Não há dúvida que os EUA não possuem a hegemonia mundial, mas será que uma economia com tanta capacidade empreendedora e com marcas globais fortes não encontrará uma saída para o problema que enfrenta atualmente? De acordo com Schumpeter, a instabilidade é inerente ao capitalismo, e não uma exceção.

Na busca de proporcionar o crescimento das empresas e assumir riscos, empreendedores cometem erros e adotam posturas demasiadamente gananciosas. O cenário nas últimas semanas é de falência de bancos e instituições financeiras cujas perdas podem atingir US$ 265 bilhões. Mas alguns executivos, como o ex-presidente do Washington Mutual, que havia assumido a presidência 17 dias antes que o banco decretasse falência, recebeu US$ 20 milhões de dólares de bônus de contratação e indenização por demissão. Umas das exigências dos deputados americanos, ao aprovar a ajuda de US$ 700 bilhões, foi a de impedir que os bancos despejassem tanto dinheiro no bolso dos executivos. Drucker (1910-2005) reportou, em 1984, que o pagamento dos altos executivos tinha passado de limites racionais. Ele diagnosticou que a tendência de distribuir excessivos ganhos aos executivos era imperdoável tanto no aspecto social como moral, e que a sociedade iria pagar alto preço por isso.

Segundo Drucker, apesar das grandes contribuições, tanto de Keynes como de Schumpeter, o mundo iria precisar de uma nova teoria. Ele suspeitava que, embora Keynes e Schumpeter tivessem sido brilhantes, o mundo iria precisar de uma nova teoria econômica. E essa teoria, provavelmente, deveria começar com a Economia Global como unidade de análise, e não o Estado Nacional. Parece que, ao tentar debelar a crise que nos assombra, os líderes mundiais estão no caminho certo, pois estão orquestrando ações coordenadas com os presidentes dos bancos centrais de outros países. Além disso, já se discute a reformulação do grupo G7, de modo a incluir os países emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China, que foram responsáveis por dois terços do crescimento do PIB global em 2007. Concluindo, já que o desequilíbrio tende se repetir, esperamos que os líderes do mundo globalizado continuem agindo dentro da nova lógica demandada pela economia global de modo que possam, pelo menos, amenizar os efeitos nocivos dessa grave crise financeira.

Marcilio R. Machado é membro do Conselho de Administração da AEB- Associação de Comércio Exterior do Brasil, diretor da Famex Importadora e Exportadora Ltda e doutor em administração de empresas pela Nova Southeastern University.

 

27 de outubro de 2008

Quem ?

Não, o título do post não tem NADA a ver com a revista fútil-fecal "Quem acontece".
O título trata disso aqui:
















Esta é outra daquelas GRANDES bandas que soam melhor ao vivo do que em estúdio - e olha que, em estúdio, eles já soam fenomenais !
O som do contra-baixo é estonteante !!!!!!!!!

26 de outubro de 2008

Consumidores atentos

Transcrevo alguns trechos de matéria publicada pelo jornal Valor Econômico em 20/10, com grifos meus (a reportagem, na íntegra, está AQUI, restrita a assinantes):
As instituições financeiras se esforçaram para divulgar as novas regras de cobranças de tarifas, em vigor desde abril. Definidas pela Resolução 3.528 do Conselho Monetário Nacional, elas padronizaram a nomenclatura das tarifas dos serviços, para facilitar a comparação entre bancos, e fixaram o estabelecimento de serviços essenciais gratuitos.
Com o apoio dos órgãos de defesa do consumidor, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) engajou-se na proposta e criou o Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços Financeiros (Star), ferramenta on-line que compara 46 produtos e serviços oferecidos a clientes pessoas físicas.

Com toda essa estratégia, por que, então, um levantamento feito em junho pela Diretoria de Estudos e Pesquisas da Fundação Procon de São Paulo constatou que 70,8%, de 223 consumidores consultados, nada sabiam do novo sistema? Entre os que notaram, mais da metade (56,9%) achou mais fácil comparar os pacotes de serviços.


O fenômeno da bancarização ampliou rapidamente a base de atendimento para 112 milhões de contas bancárias e 41 bilhões de transações financeiras em 2007. Para muitos novos clientes, tudo nessa área é novidade, responde André Santos, assessor técnico da Febraban. Ante essa nova realidade, os investimentos são crescentes. Ao lado das ouvidorias, obrigatórias desde 2007, o setor aposta em outros canais, como serviços de apoio a clientes (SAC), diz.
Segundo Santos, representantes do setor também participam de discussões com órgãos de defesa do consumidor e, em setembro, a Febraban apresentou o Sistema de Auto-Regulação Bancária, que estabelece padrões mais rígidos de negociação com consumidores.

Detentor de prêmios por boas práticas de relacionamento com seus consumidores, o Banco Itaú viu-se na incômoda posição de vice-campeão no "Cadastro das Reclamações Fundamentadas - Exercício de 2007" da Fundação Procon, em que também são indicados os principais conflitos entre consumidores e fornecedores de produtos e serviços. No quesito "assuntos financeiros", sobressaem-se problemas com cartão de crédito, agressividade de operadoras ao ofertar produtos, problemas nas transações e no lançamento de faturas.


"
Uma reclamação do cliente é uma benção para uma empresa que quer melhorar, pois dá oportunidade de corrigirmos o problema", rebate Antonio Matias, vice-presidente do grupo Itaú, ao relacionar o crescente número de contestações à expansão de sua carteira de clientes. Matias frisa que o Itaú foi pioneiro na criação de sua ouvidoria, em 2005. Se há clientes que ainda não buscam a solução interna, apenas 2% dos casos recebidos pela ouvidoria saem de lá para o Procon.

Mas, o setor financeiro é o terceiro no ranking setorial do Procon, com 20% das reclamações. À sua frente estão os setores de produtos de consumo (30%) e serviços essenciais (31%), como telefonia, que não podem ser interrompidos.


Presente nos 622 municípios paulistas, a Telefônica é também o foco do maior número de reclamações no Estado
. Um das mais frequentes veio com a mudança do sistema de cobrança, de pulsos para minutos, já que a empresa passou a oferecer planos particulares, nem sempre adequados. Multiplicaram-se, igualmente, queixas contra serviços "casados", como telefonia, TV por assinatura e banda larga, falhas na instalação ou na cobrança de serviços.

Com o mesmo argumento de que a dimensão da base de clientes contribui para o volume de reclamações - são 11,9 milhões de linhas em serviço, e 2,3 milhões de assinantes do serviço de banda larga -, a Telefônica informou ao Valor que vem investindo em tecnologia e na contratação de 1,7 mil profissionais para sua central de relacionamento para melhorar a satisfação dos seus clientes.


Raciocínio semelhante apresenta a Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel).
Como a base de 140 milhões de linhas fixas e móveis, e constatando a assimetria no porte das empresas do setor, em vez de números absolutos, o órgão regulador prefere realizar o ranking de reclamações por meio da quantia de denúncias para mil acessos. Problemas relacionados à cobrança estão no topo da insatisfação dos clientes, informa Augusto Drumond Moraes, da assessoria de comunicação.


Como errar é humano, sempre haverá falhas em produtos ou serviços ofertados ao consumidor, resume Evandro Zuliani, diretor de atendimento do Procon/SP. "
Cada vez mais o reconhecimento e a busca de solução do problema diferenciarão as empresas que respeitam o consumidor. Quem não entender isso não sobreviverá num mercado com o consumidor crítico", diz ele.

Em 30 anos, de 1977 a 2007, as reclamações ao Procon/SP evoluíram de 1542 para mais de meio milhão. Também mudou a qualidade da demanda. "Hoje, o consumidor nos indica o enquadramento legal do problema e conhece o Código de Defesa do Consumidor".

A análise das reclamações, conclui Zuliani, resulta em avanços legais. É o caso do recente decreto que regulamenta o Serviço de Atendimento do Consumidor (SACs), cuja construção foi negociada com organizações empresariais e da sociedade civil. "Os órgãos de defesa do consumidor eram a válvula de escape das reclamações. Com a implementação do decreto, o atendimento das empresas ficará mais ágil e satisfatório".


Cada vez mais, a manifestação de consumidores encontra novos canais. Sócia da Evomax Informática, na capital paulista, Regina Hiromi Yomi transformou seu blog http://suikaopina.blogspot.com num espaço para "compartilhar a descoberta de bons lugares e ajudar a evitar roubadas".

Quando o serviço de um restaurante ou loja não satisfaz, ela informa no blog, envia e-mails para sites que relacionam reclamações além de se manifestar para a empresa
. "O melhor é quando retornam por telefone. Muitas vezes agradecem, pois ficam sabendo o que acontece na loja". Não é regra. Freqüentadora do McDonald's, ela notou uma paulatina piora no atendimento e nos lanches. "No começo, eles me respondiam. Mas deixaram até de mandar a resposta automática de que estão avaliando o caso".

Por meio da assessoria de imprensa, o McDonald's informou em nota que investe no treinamento e em um serviço de atendimento ao consumidor, para que ele "tenha qualquer questão resolvida pessoalmente e o mais rapidamente possível", assegurando que "toda oportunidade para estreitar laços com o cliente é uma experiência sempre gratificante e valorizada".


Usando uma tática diferente, Ricardo Acosta, diretor de serviços da Whirlpool, que detém as marcas Brastemp, Cônsul e KitchenAid, conta como uma brincadeira inspirou o programa "Loucos de Paixão pelo Consumidor", da companhia.
Há alguns anos, a seu pedido, pessoas do SAC da empresa fingiram ser consumidores indignados em telefonemas para diretores da Whirpool. "Ficou clara a necessidade de investir na aproximação entre executivos e consumidores.

"
Como evolução dessa proposta, em março de 2008 consumidores lesados passaram a ser recebidos por diretores em reuniões na companhia. Além disso, executivos adotaram o hábito de ligar para clientes insatisfeitos.
A emoção de quem vive o problema estimula a busca de saídas, conclui Acosta. O uso de motos para agilizar a entrega de peças nos atendimentos domiciliares e a criação de hot lines entre os 3,4 mil pontos de venda e a indústria são duas conseqüências. "Até 2010, queremos reduzir a 2% nosso índice de reclamações proveniente de todos os canais: desde o SAC até órgãos de defesa do consumidor."

Preciso registrar, antes de qualquer coisa, que a matéria apresenta um problema sério: a despeito do conteúdo, não sei por que ela foi publicada na capa de um suplemento do Valor intitulado "Negócios sustentáveis".
Basta ler a reportagem para perceber, facilmente, que o assunto não tem NENHUMA relação com o tópico !
Será que o Valor Econômico também está sucumbindo à tentação de usar um "chapéu" (no jargão jornalístico, é o tema que abriga uma determinada reportagem, ou várias delas) que atraia a atenção graças ao modismo (sustentabilidade), conquanto não tenha relação alguma com o conteúdo da reportagem em si ???
Espero que não. Afinal, a Exame já adota esse procedimento patético. Não precisamos de outro veículo de comunicação com esta prática desastrosamente ignóbil.

De qualquer forma, voltando ao cerne da questão - relacionamento cliente-empresa - quero destacar alguns pontos.

Entre as empresas citadas, obviamente eu não poderia me abster de ressaltar a TELEFÔNICA.
Essa bosta de empresa de trigésima-quinta categoria diz que se preocupa em reduzir a insatisfação do consumidor, mas quem é cliente (meus pêsames e condolências!) da Telefonica sabe que isso não é verdade.
Ponto.

Eu já havia prometido narrar minha saga de problemas com a Telefônica. Irei fazer isso em breve - mas, acreditem, tomará bastante tempo digitar a narrativa, pois a Telefônica obriga o cliente a passar por situações no mínimo desprezíveis.

Contudo, antes disso, quero compartilhar com os leitores alguns links que ajudam a dimensionar o tamanho da cagada que é a decisão de tornar-se cliente da Telefônica. A listinha é grande:
Bom, na realidade eu poderia passar muitos outros links.
Contudo, ao ler estes aí, já é possível perceber, claramente, um PADRÃO de problemas mais freqüentes.

Estes problemas NÃO são novos.

Ora, então por que a empresa ainda não conseguiu tomar medidas para impedir novas ocorrências de problemas amplamente conhecidos, há tempos ?

Ou ela não SABE o que fazer para resolver os problemas (indicando INCOMPETÊNCIA), ou ela não QUER fazer nada para resolver (indicando DESCASO).

Pessoalmente, acredito tratar-se de uma combinação dessas duas alternativas.