Marketing, economia, administração, educação, política, música - enfim, um pouco de tudo.
10 de outubro de 2008
REVISTA EXAME: vendida ao modismo burro
Assuntos:
Administração,
Exame/Você SA
Lembro que antigamente (uns 8/10 anos atrás) a leitura da revista era prazerosa, útil.
Gradativamente, porém, tem se tornado uma publicação fútil, praticamente uma Capricho.
Ao longo do mês de Agosto, andei trocando alguns e-mails com a editora da Exame.
Vou reproduzir, abaixo, as conversas.
Mas, antes, a contextualização.
Ao ler um texto da Cristiane Correa, em seu blog (aqui), fiz um comentário (aqui).
A partir deste comentário, ela me respondeu, via e-mail.
Aí começaram as trocas de mensagens, como segue:
24 de agosto de 2008 09:08Bom, depois disso ainda não tive tempo de procurar a matéria que a minha aluna apontou, numa aula, e que eu mencionei.
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Carlos,
Tudo bem?
Obrigada pela visita ao blog.
Essa autocrítica que vocÊ sugeriu que os jornalistas da Exame façam é algo que tentamos fazer o tempo todo. É possível que às vezes um jargão ou outro passe pelas matérias, mas você não verá funcionário sendo chamado de colaborador pela revista, por exemplo. do mesmo modo que não chamamos "demissões" de "reengenharia", para citar outro exemplo
Enfim, só queria que você soubesse que tentamos arduamente não sucumbir a esses modismos!
abraço
Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Respeite o Meio Ambiente. Imprima somente o necessário.
Planeta Sustentável - O futuro a gente faz AGORA.
www.planetasustentavel.com.br
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29 de agosto de 2008 21:30
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa
Olá, Cristiane, tudo bem ?!
Agradeço pelo retorno com relação ao comentário no blog.
Aliás, fico feliz em saber disso, porque na minha opinião, a Exame vem perdendo excelentes oportunidades de melhorar.
Sou assinante da revista há anos, e leitor há mais tempo ainda (uns 15 anos, aproximadamente).
E confesso que ultimamente venho perdendo o interesse em ler a revista, inclusive por conta de alguns modismos que a Exame encampa como se fossem verdades absolutas.
Para ficar num único exemplo, destaco uma matéria publicada na Edição de 26/06, que eu comentei no meu blog:
http://marketing-room.blogspot.com/2008/06/mais-uma-desinformada-desinformando.html
Posteriormente, retomei o tema, aqui:
http://marketing-room.blogspot.com/2008/07/vale-quer-ser-verde-repercusso.html
Como professor universitário, eu tento mais arduamente ainda mostrar aos meus alunos (dos cursos de Administração, Logística e Marketing) que certos modismos levam facilmente a decisões equivocadas, ou análises estapafúrdias (como esta que a Exame publicou, sobre a Vale).
Mas é difícil, quando uma publicação com a repercussão da Exame abre espaço para modismos e tolices no geral.
Entendo que é difícil controlar todos os detalhes, em virtude de prazos, quantidade de informações e afins, mas fico bastante "aliviado" por ler a sua resposta. Graças a ela, creio que ainda há esperanças !
Confesso que talvez minhas decepções com a Exame tenham aumentado após o lançamento da Época Negócios, que traz análises mais aprofundadas - que eu gosto - do que a Exame, que tenta cobrir maior diversidade de temas, embora muitas vezes isto implique superficialidade no trato das matérias.
Não sei.
Mas tenho visto - em especial ao longo dos últimos 8 meses - uma crescente enxurrada de afirmações ligadas à "sustentabilidade", por exemplo, que indicam claramente um modismo. Edição após edição, isso se repete. Inúmeras vezes foi afirmado, por exemplo, que os consumidores estão pressionando empresas a lançarem produtos "sustentáveis", ou adotarem "práticas sustentáveis", o que simplesmente não é verdade.
Basta analisar com maior atenção as pesquisas que tratam do tema, e quaisquer conclusões sobre o valor percebido pelos consumidores (brasileiros inclusive, mas não só) na sustentabilidade vai por água abaixo.
Isso não deixa de ser um modismo - e a revista não tem mostrado nenhuma indicação no sentido de suplantá-lo; muito pelo contrário.
Desculpe o tom de "desabafo", mas o seu e-mail me fez acreditar que nem tudo está perdido.
Abraço,
Carlos Eduardo Machado Munhoz
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1 de setembro de 2008 10:08
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Carlos Eduardo,
Tudo bem?
Lamento saber que você vem perdendo interesse na revista...
Tratamos aqui de assuntos que tenham interesse para as empresas. Alguns temas que você considera "modismo" (como a tão falada "sustentabilidade") para nós são assuntos que estão na pauta das empresas – e, portanto, não devem ser ignorados. Nossa maior preocupação nesses casos é abordar o tema de forma crítica. Na matéria sobre a Vale citada por você, acho que conseguimos fazer isso (embora tenha realmente existido a confusão de conceitos, algo que admitimos ao publicar a carta do leitor).
Note que não EXAME está longe de ser a única revista a cobrir o tema. Na imprensa mundial, o assunto é abordado frequentemente por publicações respeitadas como Business Week e New York Times. Aqui no Brasil, a maioria das revistas também tem se debruçado sobre o assunto (inclusive nossas concorrentes).
Como disse anteriormente não estamos imunes a erros (ninguém está). Mas perseguimos obsessivamente a qualidade e a exatidão nas informações. Acho que é graças a essa preocupação que temos conseguido aumentar significativamente a circulação da revista – algo raro na imprensa mundial, como você deve saber.
Bom, o canal está aberto. Quando tiver outras observações a fazer, fique à vontade.
abraço
Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Av. Nações Unidas, 7221- 20º andar
CEP 05425-902 - Pinheiros - São Paulo - SP
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9 de setembro de 2008 21:30
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa
Prezada Cristiane,
Novamente, ainda que correndo o risco de me repetir, devo dizer que considero a sua iniciativa de dialogar louvável.
Sobre a questão que levantei, envolvendo a "sustentabilidade", o problema não é o assunto em si, mas o tipo de cobertura que a mídia, no geral, vem dando à questão.
E, neste sentido, a Exame erra tanto quanto outras publicações (http://marketing-room.blogspot.com/2008/09/verdade-ou-apenas-marketing.html).
Em alguns casos, até mais - haja vista que a Exame é uma das mais tradicionais publicações brasileiras sobre negócios. Assim, a revista não deveria cometer "deslizes" que em mídias não especializadas no assunto poderiam passar despercebidas.
Como você afirmou, todavia, o volume de informações a serem "peneiradas" para a publicação e o ritmo de trabalho por vezes criam "deslizes" - o que, aliás, é absolutamente compreensível.
A falta de humildade para corrigir tais deslizes, por outro lado, é absolutamente incompreensível.
No caso da reportagem da Vale, por exemplo, em momento algum a Exame corrigiu o erro. Convenhamos que APENAS publicar UMA carta de um leitor não é equivalente a escrever "desculpem o erro cometido na reportagem da última edição", e, na seqüência, explicar qual foi o erro em questão.
A carta publicada apenas mostra que um leitor discorda do encaminhamento da matéria - e não indica, em momento algum, que a revista está ciente de que errou.
Ademais, o tratamento que a Exame (não só, obviamente) vem dando ao tema é errôneo.
E não tem nada de crítico.
Tomo como exemplo uma outra matéria, da edição mais recente: a reportagem que trata do perfil da executiva Patricia Woertz não tem NADA a ver com sustentabilidade - e, ainda assim, é apresentada sob o título "sustentabilidade".
A matéria trata (muito bem, aliás) do interesse de uma empresa de grande parte por novas fontes de energia - uma questão, indiscutivelmente, relevante no momento. Contudo, a leitura da matéria não tem relação alguma com "sustentabilidade" - e, aliás, o termo propriamente dito aparece uma única vez, citado de forma breve e superficial. O que, por sinal, faz todo o sentido, pois a matéria é sobre a pessoa que comanda uma empresa gigantesca do agronegócio.
Por que, então, apresentar tal matéria (repito: interessantíssima) sob a rubrica "sustentabilidade" ?
Não seria mais adequado "agronegócio" ou algo do gênero ?
Já li inúmeras outras matérias, na Exame, que "forçam a barra" para tratar do assunto.
E é justamente este o problema dos modismos: eles são, via de regra, cercados por afirmações que extrapolam o limite do aceitável, do razoável....
Freqüentemente vejo afirmações e indicações que indicariam uma suposta "pressão" por parte dos consumidores para que as empresas sejam "sustentáveis" - isso simplesmente é mentiroso.
Em alguns países europeus há, sim, uma pequena parcela de consumidores EFETIVAMENTE preocupados com isso, capazes de deixar de comprar um produto/serviço de uma empresa que polui o ambiente ou desrespeita certos preceitos "sustentáveis"; contudo, mesmo em países como Alemanha ou França, são apenas um nicho.
No Brasil, por outro lado, o número é tão pequeno, tão ínfimo, que sequer caracteriza um nicho...
Reitero: não estou sugerindo, nem remotamente, que as empresas devem destruir o meio-ambiente.
De forma alguma.
Agora, o tratamento da questão merece maior cuidado, justamente para não banalizar um tema tão relevante !
Peço sua licença para me alongar um pouco sobre isto.
Além de trabalhar prestando consultoria de marketing, sou professor universitário.
Em ambas as carreiras, sinto a importância e a credibilidade da Revista Exame.
Talvez seja até surpreendente (para mim, foi), mas já tive incontáveis exemplos de alunos que comentam as matérias e notícias publicadas na Exame, e, portanto, tenho a chance de, vez ou outra, discutir algumas matérias da revista em sala (nas aulas de marketing).
Nestas discussões, vejo que alguns alunos acreditam piamente nas afirmações da Exame, e sempre acabam "decepcionados" quando alguns mitos são derrubados.
Graças a um questionamento de um aluno meu, escrevi este post no blog: http://blogs.abril.com.br/munhoz/2008/09/marketing-ambiental-uma-bobagem.html
Ele questionou a terminologia "marketing verde", e me enviou alguns textos que localizou na web. Escrevi uma resposta mais detalhada para ele, mas usei trechos para redigir este post no blog.
No ano passado, uma aluna leu uma matéria sobre um chinelo da Alpargatas ou Grendene (não me recordo ao certo), que levava a "assinatura" da Gisele Bündchen. Ela estava com a edição da Exame em mãos, havia lido a matéria, e levantou a discussão em sala, justamente quando tratávamos de gerenciamento de marcas.
A matéria apontava que o grande diferencial da tal sandália era a "responsabilidade social", pois o modelo acabaria gerando alguns benefícios para uma tribo indígena da Amazônia.
A matéria apontava, ainda, que esta associação com os índios seria o grande diferencial da marca, dada a elevada preocupação com a "responsabilidade social" das empresas.
Para testar o que a matéria afirmava, peguei a revista da mão da minha aluna, e perguntei qual era o nome da tribo indígena que seria beneficiada com o novo produto, chamado pela Exame de "socialmente responsável".
Minha aluna não lembrava.
A única coisa que ela lembrava era da "marca" Gisele Bündchen.
Com isso, questionei a sala (inclusive esta aluna, obviamente), se o que diferenciava o produto, no recall dos consumidores, era o nome (e imagem) da super-model ou se era a ação "social" junto aos índios. A conclusão foi óbvia.
E as afirmações na matéria da revista, na seqüência, viraram descrédito.
Dito isso, faço SINCEROS votos de que a Exame continue com esta visão de melhoria contínua.
Lembro que 10 anos atrás eu "devorava" a revista assim que a recebia, tamanho era meu interesse pelo conteúdo. Atualmente, às vezes a revista fica dentro da embalagem original por até um mês, isso quando não acumulam-se 3 edições "encapadas".
Fruto do meu receio de abrir a revista e ler afirmações descabidas, apresentadas como "verdades inquestionáveis" quando, na realidade, poderiam ser qualificadas no máximo como um "desejo inconsciente" (de que o consumidor brasileiro realmente deixe de comprar um produto "poluente", e pressionando as empresas de forma constante pela melhoria - o que nos permitiria falar em "desenvolvimento sustentável", na acepção mais ampla e abrangente possível).
Nada contra este desejo.
Desde que, no afã de torná-lo realidade, não sejam feitas ilações e deturpações da realidade.
Atenciosamente,
Carlos Eduardo Machado Munhoz
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10 de setembro de 2008 09:34
De: Cristiane Correa
Para: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Carlos,
Em nenhum momento afirmei que "o volume de informações a serem "peneiradas" para a publicação e o ritmo de trabalho por vezes criam "deslizes", como vc escreveu abaixo. Disse apenas que não somos infalíveis (aliás, me procupa a distorção que vc fez das minhas palavras).
Quanto à matéria da ADM, imagino que vc saiba que investimentos em energias alternativas, que tendem a substituir o uso das poluentes energias fósseis estão relacionados à questão de sustentabilidade. É por essa razão, absolutamente pragmática, que a ADM está fazendo esse investimento.
No caso da matéria envolvendo a Gisele Bündchen, talvez vc não a tenha lido por inteiro. A reportagem justamente questionava a busca exagerada das empresas por uma imagem ecologicamente correta. Um dos casos abordados era o da Grendene. Vc diz que a "matéria apontava, ainda, que esta associação com os índios seria o grande diferencial da marca, dada a elevada preocupação com a "responsabilidade social" das empresas".
Lamento, mas isso não está escrito lá. Ao contrário, está escrito que a ação não se tratava de "bom-mocismo" e que a Grendene lucraria com ela. Óbvio que a imagem de Gisele teve apelo. Mas note que por causa da ação, a empresa lançou até uma linha de sandálias com desenhos indígenas. A matéria aponta que foi isso que fez as vendas decolarem.
Atenciosamente,
Cristiane Correa
Editora Executiva
Revista Exame
Av. Nações Unidas, 7221- 20º andar
CEP 05425-902 - Pinheiros - São Paulo - SP
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10 de setembro de 2008 16:13
De: Carlos Eduardo Machado Munhoz
Para: Cristiane Correa
Cristiane,
Você está confundindo a matéria sobre a Grendene.
Você se refere a esta aqui: http://portalexame.abril.com.br/static/aberto/gbcc/edicoes_2007/m0144123.html
Eu me refiro a uma que saiu no primeiro semestre de 2007 (não tenho a edição em mãos, mas guardei a cópia que minha aluna me deu).
Quanto às energias "alternativas", me perdoe, mas nenhuma empresa está buscando estas alternativas graças à poluição dos combustíveis fósseis. Trata-se apenas e tão somente do custo monetário, aliado ao esgotamento iminente das reservas de petróleo. Isto sim é pragmático.
Se distorci suas palavras, peço desculpas. Não foi minha intenção.
Mas irei procurar. Eu lembro claramente que guardei esta edição, que continha a reportagem, para citar novamente, em outras aulas. Mas terei que fazer uma busca na pasta de 2007.
Contudo, o ponto crucial é outro.
A matéria da Exame sobre a Vale do Rio Doce estava errada.
No e-mail, a editora da revista assumiu isso: Na matéria sobre a Vale citada por você, acho que conseguimos fazer isso (embora tenha realmente existido a confusão de conceitos, algo que admitimos ao publicar a carta do leitor).
Ao que eu respondi: A falta de humildade para corrigir tais deslizes, por outro lado, é absolutamente incompreensível. No caso da reportagem da Vale, por exemplo, em momento algum a Exame corrigiu o erro. Convenhamos que APENAS publicar UMA carta de um leitor não é equivalente a escrever "desculpem o erro cometido na reportagem da última edição", e, na seqüência, explicar qual foi o erro em questão. A carta publicada apenas mostra que um leitor discorda do encaminhamento da matéria - e não indica, em momento algum, que a revista está ciente de que errou.
Este, sim, é o ponto !
A revista errou (feio demais), e não corrigiu.
Quem acessar o site da Exame e buscar a matéria, continuará acessando um texto equivocado.
E, desta forma, propaga-se o desconhecimento.
Estimula-se o modismo burro.
Empresas respeitadas pelos clientes
Reproduzo texto que recebi via newsletter da Perppers & Rogers, porque o tema é caro a este blog, além de ser interessante:A quarta lista anual da Barron das empresas mais respeitadas do mundo, de acordo com os acionistas, coloca a Johnson & Johnson, gigante no ramo farmacêutico e no CPG (Consumer Packaged Goods – Pacote de Produtos Oferecidos ao Consumidor), como número um, seguida pela Procter & Gamble, Toyota e Berkshire Hathaway. Resultados similares podem ser encontrados na lista da Fortune das empresas mais admiradas, que avalia executivos, diretores, analistas e coloca a J&J em nono lugar, a P&G em oitavo, a Toyota em quinto e a Berkshire em segundo lugar. (A Apple, a número um da Fortune, foi classificada em quinto na lista da Barron).Enquanto isso, no Brasil, os bancos enviam cartões de crédito não solicitados, as empresas de TV por assinatura inventam taxas absurdas para driblar a proibição da cobrança pelo ponto adicional (a SKY tem me cobrado "manutenção de software e segurança de acesso" mensalmente, um verdadeiro ROUBO!), as empresas de telefonia nos empurram atendentes despreparados (como a Telefônica, de quem tratarei detalhadamente em breve).....
Entretanto, um estudo realizado em fevereiro pela The Customer Respect Group (Grupo de Respeito ao Consumidor), que mede o comportamento de sites corporativos em relação ao tratamento dos clientes on-line e de seus dados pessoais, registra apenas a P&G, das empresas mencionadas acima, entre suas 25 principais.
Isso tudo nos leva à pergunta: Há uma correlação entre o que inspira o respeito dos investidores e o que inspira o respeito dos clientes?
O redator sócio da Barron, Michael Santoli, que compilou o relatório, acredita que sim.
"Os investidores também são clientes, e acho que há uma tendência de pensarem como clientes quando recebem estas avaliações," diz ele. "O fato de serem clientes e terem conhecimento da marca faz com que filtrem suas opiniões gerais sobre uma empresa."
Ao notar que oito das 10 melhores da lista da Barron são âncoras norte-americanas como a Coca-Cola, a PepsiCo e o Wal-Mart, ele diz, "Claramente não é só por causa de seus ótimos resultados financeiros no ano passado. Para mim não há dúvida de que os investidores respeitam a qualidade destas marcas, a experiência da marca e também o valor inerente da empresa – o que tem sido o vínculo principal com os clientes."
Como exemplo, ele aponta a J&J, classificada em primeiro, em segundo e em primeiro lugar nos três últimos anos, respectivamente. "Eles têm um ótimo desempenho, apesar do estoque."diz ele. Há 25 anos quando o mercado foi afligido pelo caso das fraudes no Tylenol, a J&J deu a volta por cima e transformou este incidente em um caso de sucesso. A forma como a J&J contornou a crise ainda é lembrada pelos clientes. É uma empresa muito bem administrada. Quando tem um bebê, a maioria das pessoas adquire os produtos da marca Johnson&Johnson, Eles (J&J) mantêm uma ampla participação nos clientes."
"Há um respeito notável em relação à forma com que a empresa atende os clientes," continua, "e isto pode se estender à forma como os investidores enxergam isto. É difícil encontrar falhas em uma empresa que você acredita que trabalha bem tanto para seus clientes como para seus investidores."
O que é mais importante?
A pesquisa da Barron descobriu que os "fatores mais importantes" para inspirar o respeito foram "gerenciamento sólido" e "estratégia de negócio sólida", seguidos por "ética", "vantagem competitiva" e "inovação do produto". E é aí que a comparação não funciona, de acordo com Martha Rogers, PhD, co-fundadora da Peppers & Rogers Group.
"A chave está no fato de que as coisas que os investidores e os acionistas procuram devem ser as mesmas que os clientes procuram", diz ela. "Se você perguntar a um cliente quais são os fatores mais importantes quando decidem seus níveis de respeito por uma empresa, 'gerenciamento sólido' e ' estratégia de negócio sólida' não serão as respostas. As respostas estão relacionadas ao modo como são tratados por estas empresas e à qualidade dos seus serviços e produtos."
Investidores não são clientes, "no termo mais exato da palavra", diz Rogers. "Os acionistas estão olhando o valor de uma empresa, que é baseado em parte no faturamento dos clientes. Os acionistas, se forem espertos, estão interessados na percepção do cliente de uma empresa, e se perceberem que esta percepção não é boa, não investem nesta empresa."
"Os clientes esperam ser tratados de forma correta", ela adiciona. "Os acionistas não se preocupam muito com isso; eles querem saber se algo lhes dará um bom retorno – e de forma apropriada. Se houver uma conexão aqui, é quase certo que tenha a ver com a 'cultura' que permeia uma grande empresa. Nossa pesquisa mostra que empresas com uma cultura forte e positiva de funcionários tendem a realizar o melhor trabalho, a longo prazo, quando analisamos o fato de ganhar a confiança de seus clientes, o que conduz naturalmente a melhores retornos dos acionistas. E a J&J é um exemplo perfeito disto."
Santoli, da Barron, concorda, dizendo que o fator humano – além do MBA – tem um efeito, tanto para as empresas melhor classificadas como para aquelas que se mantêm em patamares inferiores.
"Há ressentimentos em jogo", diz ele. "No caso da AIG e do Citigroup [95° e 99°, respectivamente], as equipes de gerenciamento fizeram certas promessas que não trouxeram bons resultados, e as ações tiveram prejuízos."
Ele faz uma comparação com a queda da Time Warner, que chegou perto do final da lista do ano passado (fracassou em se classificar entre as 100 melhores deste ano). "Se passaram quase 10 anos desde a mal-fadada fusão com a AOL", diz ele, "e muitas pessoas não têm nada além de respeito em relação a forma como a Time Warner opera hoje... Mas existe uma idéia de mantê-los pagando penitências por transgressões do passado", diz ele, acrescentando que isto também pode ser verdadeiro para o Citi e a AIG.
E la nave va......
DEPOIS DA CRISE
Nos últimos dias, só se tem falado sobre a crise econômica.O abestado presidente Lulla disse que nos EUA seria um tsunami, mas no Brasil não seria nada além de uma "marola". Nem preciso comentar as declarações sempre burras e ignóbeis dessa figura igualmente burra e ignóbil.
Mas algumas empresas podem ter "idéias" sobre o futuro, ou seja, depois que a crise acabar:



PS - Agradeço a contribuição do Bertini, que usualmente me envia "pérolas" deste gênero - sempre bem-vindas, aliás.
9 de outubro de 2008
TELEMARKETING: sem autorização, acaba a encheção
Assuntos:
atendimento ao cliente,
telemarketing
O governador José Serra sancionou, nesta terça-feira, 7, a Lei 13.226, que cria o Cadastro para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing no Estado de São Paulo. O objetivo é proteger os cidadãos que não desejam receber ligações de empresas de telemarketing ou de estabelecimentos que se utilizem deste serviço. A lei beneficiará usuários de telefonia fixa e celular, com DDD do Estado de São Paulo.Pessoalmente, acho uma EXCELENTE notícia.
Para o consumidor fazer parte do Cadastro Estadual para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing, será necessário que o titular da linha faça a solicitação formal junto à Fundação Procon-SP. O modo como a solicitação será feita ainda será regulamentado por decreto do governador. A Fundação Procon-SP estuda oferecer um formulário na internet.
A lei fixa que o consumidor passar a ter as ligações de telemarketing "bloqueadas" a partir do 30º dia de ingresso no cadastro. O usuário poderá solicitar a qualquer momento sua exclusão ou inclusão. Os fornecedores e as empresas de telemarketing deverão se cadastrar para poder consultar a lista de telefones inscritos no cadastro da Fundação Procon-SP, que fornecerá apenas o número do telefone do consumidor.
O titular da linha que aderir ao cadastro e, mesmo assim, receber uma ligação de telemarketing poderá comunicar o fato à Fundação Procon-SP, no prazo de 30 (trinta) dias. A empresa que não respeitar o cadastro estará sujeita às sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor. A lei não se aplica às entidades filantrópicas que utilizem telemarketing para angariar recursos próprios.
O Brasil, como sempre corre atrás: nos EUA esse tipo de regulamentação já existe há anos.
Nada contra o telemarketing- uma ferramenta de comunicação direta extremamente útil. Contudo, o mau uso dessa ferramenta causa irritação desnecessária aos consumidores.
Profissionalmente, acho uma EXCELENTE notícia.
As empresas que recorrem ao telemarketing, geralmente, não sabem utilizar seus benefícios, e acabam obtendo resultados pífios. Ao invés de usar o telemarketing como um ponto de contato para ajudar a fortalecer o relacionamento cliente-empresa, o comum é acreditar que o telemarketing serve apenas para "empurroterapia".
Uma verdadeira "miopia de marketing".
4 de outubro de 2008
AUSÊNCIA: causada pela incompetência
Assuntos:
atendimento ao cliente,
EMPRESAS - Telefonia,
telemarketing
Nenhum assunto novo para comentar ?
Não é nada disso.
Minha ausência se deve, na realidade, à brutal incompetência da Telefônica.
Neste momento, aliás, estou conectado via "dial up", ou seja, aquela conexão que demanda 2 minutos para carregar uma página simples, sem efeitos em flash ou nada do gênero.
Tudo porque, no último dia 26/09, caí na besteira de acreditar numa oferta da Telefônica, recebida pelo correio, que enaltecia as vantagens da migração para um plano mais "completo e mais rápido" do que o meu (então) atual plano do Speedy.
Graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande erro.
Meu.
Desde o dia 30, terça-feira, estou sem acesso à internet.
Decerto contarei todos os detalhes em breve, inclusive as besteiras que ouvi no "telemarketing" da Atento (aquela maldita UEN da Telefonica que ainda prova a existência do gerundismo danoso).
Neste momento, contudo, preciso economizar, pois a conexão "discada" é lenta demais, e a prioridade é ler/responder e-mails "urgentes".
Aproveitando a oportunidade, caso algum gentil leitor deste escriba tenha algum "pistolão" na Telefonica, seguem os números dos "protocolos" que a empresa me passou, nas sucessivas tentativas (minhas) de conseguir (em vão) o restabelecimento do serviço (pago):
Protocolo 447 501 943 (26/09/08, às 17:00)
Protocolo D 12 93 55 124 (01/10/08, às 02:04)
Protocolo 012 952 8092 (03/10/08, às 02:20)
Protocolo 84 01 81 5675 (03/10/08, às 17:50)
Aliás, depois vou comentar mais sobre esses "protocolos". Percebi que eles não servem para RIGOROSAMENTE nada. Mais de uma vez, ouvi da despreparada criatura da Atento/Telefonica que não é possível localizar o protocolo "no sistema".
Aliás, é tão fácil culpar o "sistema", né ?!
Assumir a incompetência, nem pensar..........
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