10 de janeiro de 2008

Hillary e Obama: sob a ótica do marketing

Interessante acompanhar as eleições norte-americanas, sob a ótica do marketing.
Estão acontecendo as "primárias", ou seja, a escolha dos candidatos dos partidos Democrata e Republicano.
A grande "estrela" dessa fase inicial tem sido o candidato Barack Obama: ele tem surpreendido a até então favorita Hillary Clinton.

Bom, um texto da Wharton (disponível na íntegra, aqui) faz uma bela análise da situação sob a ótica do marketing.
Creio que o maior (não único!) mérito do texto é justamente desmistificar o tal do "marketing político": ao ler o artigo, fica evidente que tudo aquilo que é utilizado na campanha eleitoral corrente são ferramentas que o marketing sempre teve ! Obviamente, são incorporados novos meios de comunicação (web, SMS, celular etc) no composto "Promoção & Comunicação", mas o resto não foge ao tradicionalíssimo conceito dos 4Ps, da segmentação de mercado, do posicionamento etc.

Este artigo com certeza entra para o rol da "campanha anti-modismo imbecilizante no marketing".
With honors.

GRADIENTE: problemas

Vou desviar um pouquinho a atenção de temas ligados exclusivamente a Marketing, e abrir o escopo do texto para falar sobre a Gradiente.
Li, no site IDG Now (aqui), o seguinte:
A Gradiente Eletrônica propôs uma renegociação de dívidas, com alongamento dos prazos de vencimentos, ao seu grupo de credores, que segundo ela envolve "menos de 20 empresas", segundo comunicado enviado ao mercado de capitais.
Segundo a empresa, o trabalho de renegociação de dívidas faz parte de um amplo processo de reestruturação iniciado em setembro de 2007, com a coordenação da Íntegra Associados.
De acordo com a Gradiente, "parcela bastante representativa" da dívida de 284 milhões de reais ainda não se encontra vencida e, por isso, ela quer rever os prazos de vencimento.
O plano também prevê racionalização nos níveis de custos e despesas da companhia e a captação de novos recursos financeiros, mas a fabricante não deu detalhes das formas de captação.
Segundo a nota da empresa à bolsa de valores, assim que as negociações com os credores forem concluídas, ela divulgará novo fato relevante.
A empresa direcionou sua atuação a itens da linha de áudio e vídeo, como conversores para TV digital e televisores, assim como DVD players. Ela tem fábrica em Manaus (AM) e escritórios administrativos na capital paulista.
É uma pena....
Há uns 2 anos, fiz algumas pesquisas sobre a Gradiente, e mais especificamente sobre o Genius Instituto de Tecnologia, criado pela Gradiente para investir em inovações.
Um artigo meu sobre a Gradiente foi publicado aqui.

Gradiente é uma das marcas maios valiosas no Brasil, e tem, inclusive, ligações emocionais com muita gente. A empresa foi, ainda, protagonista da avassaladora expansão da telefonia celular pós-privatização (1998) do sistema Telebrás, junto com a Nokia, numa joint-venture de grande sucesso.

É uma pena ver a empresa agonizando em público....

8 de janeiro de 2008

Internet e o consumidor: novos padrões

Depois do "boom" da internet (a chamada "bolha ponto.com"), começa a ficar cada vez mais claro o papel da Internet nos negócios. As chamadas "redes sociais" (como FaceBook, MySpace, Orkut e quetais) ganham relevância, os "blogs" crescem..... Tudo isso acaba sendo complementar ao comércio eletrônico (B2B e B2C), e ajuda a modificar o tipo de relação que o consumidor tem com a web.

Comecei a pensar nisso, inclusive, graças a uma matéria do ValorEconômico de hoje (AQUI). Mas não só, obviamente......

Já comentei sobre a Web 2.0 por aqui antes, inclusive indicando uma publicação interessante. Pois bem, aqui vão mais algumas dicas preciosas para leitura, sempre tendo como pano de fundo a questão do comportamento do consumidor, da Web e afins:

1) O conceito de valor no marketing trata do valor percebido pelo cliente. Serve muito bem para relembrar conceitos "clássicos", mas que ainda funcionam muitíssimo bem no comportamento atual dos consumidores que passam a ter a web como parte natural de suas vidas.

2) O começo da web 3.0, que adianta mais uma "onda": a web 2.0 ainda nem se consolidou propriamente, mas já aparece a "nova versão"......

3) New metrics for new media, um documento que apresenta idéias e propostas interessantes (conquanto incipientes) sobre métricas que podem ajudar a alavancar a utilização das novas mídias pelas organizações. O tema é interessante, pois representa, inclusive, um problema bastante comum nos departamentos de marketing: como mensurar resultados e investimentos, para calcular retorno ?

3 de janeiro de 2008

Marketing DE QUALQUER COISA

Como leitor assíduo da coluna do José Simão na Folha de São Paulo, vou me permitir iniciar, em 2008, uma campanha "anti-modismo" no Marketing.
O "Macaco Simão" tem a "mesopotâmica campanha anti-tucanês".
Eu estou criando a "campanha anti-modismo imbecilizante no marketing".

Por quê ?!
Explico..........

Tenho que me conter para não achar que o mundo está completamente perdido.
Agora, além do "marketing pessoal" que vi e discuti numa comunidade do Orkut (aqui), leio num outro tópico, da mesma (ótima) comunidade do Orkut que existe uma diferença entre MARKETING EDUCACIONAL e MARKETING NA EDUCAÇÃO. Assim como, pelo lido na comunidade, há uma diferença enooooorme entre MARKETING ESPORTIVO e MARKETING PARA O ESPORTE; e, CLARO, há diferenças fenomenais entre MARKETING POLÍTICO e MARKETING ELEITORAL.

Era só o que me faltava.......!!!!!

Vamos, então, às "diferenças" (transcritas do original, aqui):
MKT EDUCACIONAL é quando você "vende" uma instituição para seus stakeholders no intuito de fortalecer a marca da instituição para diversas ações estratégicas, por exemplo angariar recursos privados como acontece nos EUA, atração de mídia expontânea, entre outras. MKT na EDUCAÇÃO é a aplicação endo do conceito entre seus alunos, professores, diretores, serventes, vigilantes,porteiros... Podendo, inclusive, refletir benéfica ou maléficamente no MKT EDUCACIONAL citado anteriormente.

Ah, tá ! Então, seguindo esta "linha de raciocínio" (se é que pode ser chamada assim!), os alunos, professores, diretores, serventes, vigilantes, porteiros e demais funcionários de uma instituição de ensino não são "stakeholders" ????
Sim, porque a "definição" (?) de MARKETING EDUCACIONAL menciona os stakeholders, mas, aparentemente, a única diferença é que o MARKETING NA EDUCAÇÃO é voltado exclusivamente aos funcionários....... Então professores, alunos, porteiros e afins não são stakeholders.

Provavelmente em breve teremos mais "sub-divisões" escabrosas:
MARKETING EDUCACIONAL DOCENTE
MARKETING EDUCACIONAL DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS
MARKETING EDUCACIONAL DISCENTE
MARKETING EDUCACIONAL DE SECRETARIA, LANCHONETE E ESTACIONAMENTO
Todos, obviamente, são diferentes tipos de Marketing, né ?!

Quanta bobagem um ser humano consegue produzir sem estar no PT, hein ?!
Pelo visto, "o céu é o limite".......

Volto a perguntar: qual a diferença entre o marketing que se aplica numa escola secundária, numa faculdade, numa clínica ortopédica, num hospital de ponta, num supermercado ou numa montadora de automóveis ?
NENHUMA.
E eu me refiro a diferenças, não às particularidades de cada setor !!!!! Até porque nas teorias clássicas de Marketing, há conceitos e ferramentas capazes de lidar perfeitamente com estas peculiaridades - sem precisar mudar o "nome" do marketing.

Portanto, não é razoável dizer que existam diferentes tipos de marketing conforme o marketing seja aplicado em diferentes tipos/naturezas de empresas. Assim, "marketing bancário" é um termo vazio, pois não há RIGOROSAMENTE NENHUMA diferença entre o marketing aplicado em bancos e o marketing aplicado em empresas comerciais (varejo e atacado).

Se houvesse, teríamos:
MARKETING DE COMÉRCIO VAREJISTA
MARKETING DE COMÉRCIO ATACADISTA
MARKETING DE COMÉRCIO VAREJISTA DE ROUPAS E CALÇADOS
MARKETING DE COMÉRCIO ATACADISTA DE ROUPAS E CALÇADOS
MARKETING DE COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL E BELEZA
.......e por aí vai !!!!!!!

Não há diferenças entre os conceitos, independentemente do setor econômico no qual ele seja aplicado !!!!
Mas, ao invés de aceitar isso, muita gente prefere criar estas terminologias MALUCAS, que não fazem nenhum sentido....... Já vi gente se dizendo "especialista" em marketing jurídico.... !!!!!!
Oras, o que difere um especialista em marketing de um "especialista em marketing jurídico" ?!
Não existe "marketing jurídico" - portanto, não pode haver um "especialista em marketing jurídico" !!!!!!!

Esses modismos vazios só ajudam a espalhar uma imagem falsa do trabalho REAL dos profissionais de marketing.
E os BONS profissionais de marketing acabam prejudicados, porque "marketing" vira sinônimo de "enganação" ou qualquer coisa do gênero......

RUNAWAY

Começando o Ano Novo com algumas velharias.................



Outro grande clássico !!!!!!!!!!!